É sabido que
do seio das grandes crises surgem novos inventos, avanços tecnológicos e
soluções para grandes problemas, que terminam transformando, de forma radical
muitas vezes, o dia-a-dia da humanidade. Os exemplos estão registrados
largamente e, na grande maioria, são saudados com entusiasmo. Excluindo,
naturalmente, aqueles inventos que instrumentaram ou instrumentam confrontos bélicos
pondo em risco a segurança global.
Também é
sabido e vem sendo esperado amplamente que a crise sanitária provocada pela pandemia da Covid-19 vem desenrolando uma esteira de imensas
mudanças na maneira de viver das sociedades. Nivelados, por baixo, continentes e
países voltarão às ruas com novas roupagens e desenvolvendo novos hábitos.
Se não nas
ruas, homens e mulheres, de agora para frente, vão se abrigar no recôndito dos
seus lares, mais do que nunca, apoiados pela grande invenção do século 20 que é a Internet.
Não é bem uma coisa nova. Mas, que colocou de vez suas estruturas à vista, isto foi
novo. É dela que estamos nos valendo nesses dias de quarentena. Sem chances de
deslocamentos habituais, as famílias estão descobrindo com mais clareza a importância
e praticidade dessa verdadeira arma de sobrevivência inventada na década de 60
do século passado. E nasceu no seio da grande crise provocada pela Guerra Fria,
travada entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética, na busca da hegemonia mundial. Era um instrumento
de segurança dos ianques, que tinham como objetivo guardar em extremo segredo seus
arquivos estratégicos em varias instâncias e por meio eletrônico. Guardar
tudo de precioso no Pentágono (Centro da Inteligência Norte-americana) seria um
risco sem tamanho. Descentralizar era necessário e foi iniciado com o primeiro e-mail emitido no mundo, em 1971, direcionado
aos “ramais” da Agência Central de segurança norte-americana. Passado algum
tempo e em face das possibilidades do fim da Guerra Fria, que se consolidou com
o colapso da União Soviética, derrubada do muro de Berlim e outros episódios
adjacentes, no final daquela década, o que era “instrumental secreto” foi
socializado e revolucionou as comunicações no mundo. Institutos de pesquisas norte-americanos
receberam concessões de uso e os resultados práticos são hoje traduzidos pelos
tantos dispositivos e aplicativos que tornam a vida global mais fácil e melhor
informada.
Num artigo
assinado pelo Professor J. P. Allain Teixeira (UFPE) e publicado no Diário de Pernambuco
(12.5.20) encontrei uma citação que traduz com exatidão o mundo em que vivemos:
“tarefas cotidianas cada vez mais são
realizadas através de computadores, tablets, e smartphones em um processo de
intensa redefinição das formas de experiência no tempo e no espaço”. Pura
realidade. Foi a crise do Coronavírus que consolidou essa “preciosa” arma tecnológica que
Teixeira chama de “quintessência do
capitalismo global”. Na vigência das quarentenas, as atividades de home-office, encomendas via aplicativos
(alimentos e remédios), comemorações natalícias, bodas e similares (aplicativo
Zoom), homebank e, até, divórcios e outros registros
oficiais, entre inúmeras outras facilidades são executadas com um simples enter.
![]() |
A fantástica Rede Mundial |
Mas, como
nem tudo são flores, é doloroso perceber que este instrumental de vanguarda é
privilegio de poucos, mundo afora e, principalmente, em países como o Brasil,
onde a pobreza tende a se alastrar devido, também e ironicamente, à mesma crise
que traz esses avanços tecnológicos.
Um dos exemplos mais degradantes, no caso brasileiro, vêm sendo registrados na operação de pagamento da ajuda financeira governamental às pessoas sem emprego ou autônomos sem condições de trabalho, através da Caixa Econômica Federal. Observe, caro leitor ou leitora, que o que poderia ser resolvido com um enter, num dispositivo eletrônico qualquer, e livrar o “penitente” de uma fila desorganizada e escorchante, sem falar do risco de contribuir para a propagação do vírus, se revela impossível diante da indisponibilidade individual de um instrumental adequado ou de simplesmente não saber ler! Ocorre que muitos têm celular com o aplicativo de WhatsApp mas utiliza, tão somente, o dispositivo de voz. Pode até ser uma vantagem, mas não é suficiente. São situações como esta que expõem a cara de um país onde a educação nunca foi prioridade de fato.
O novo mundo que se aproxima vai escancarar ainda mais essa pobreza estrutural e, no caso
brasileiro, aprofundar o fosso que marca o ambiente social. Sem educação nada vai mudar. Nem a saúde, inclusive. E com esses governantes aí...
Redes sociais existem. Mas, para poucos. Que Deus acuda os que não têm onde se “balançar”.
E não duvide porque lembrando Lulu Santos: “Nada do que foi será / De novo do jeito que já foi um dia / Tudo passa, tudo sempre passará / A vida vem em ondas / Como um mar / Num indo e vindo infinito ...”
Um dos exemplos mais degradantes, no caso brasileiro, vêm sendo registrados na operação de pagamento da ajuda financeira governamental às pessoas sem emprego ou autônomos sem condições de trabalho, através da Caixa Econômica Federal. Observe, caro leitor ou leitora, que o que poderia ser resolvido com um enter, num dispositivo eletrônico qualquer, e livrar o “penitente” de uma fila desorganizada e escorchante, sem falar do risco de contribuir para a propagação do vírus, se revela impossível diante da indisponibilidade individual de um instrumental adequado ou de simplesmente não saber ler! Ocorre que muitos têm celular com o aplicativo de WhatsApp mas utiliza, tão somente, o dispositivo de voz. Pode até ser uma vantagem, mas não é suficiente. São situações como esta que expõem a cara de um país onde a educação nunca foi prioridade de fato.
O novo mundo que se aproxima
Redes sociais existem. Mas, para poucos. Que Deus acuda os que não têm onde se “balançar”.
E não duvide porque lembrando Lulu Santos: “Nada do que foi será / De novo do jeito que já foi um dia / Tudo passa, tudo sempre passará / A vida vem em ondas / Como um mar / Num indo e vindo infinito ...”
NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens
8 comentários:
Isso mesmo, só usam o WhatsApp para voz e o Facebook para se exibirem e não sabem fazer mais nada nos seus smartphones caríssimos.
👏👏👏👏👏👏
Excelente
Trabalho harmônico e complementar, em família, é assim que tem quer ser.
Parabéns.
Gostei, parabéns. Vou compartilhar
Penso que poderia ir mais longe, amigo. Para cadastrar, em vez de recorrer à internet, os governadores poderiam coordenar seus prefeitos, para fazer essa lista. E mandar para Brasília. Quantos fizeram? Nenhum. Temos 5.570 municípios. Os prefeitos mesmo poderiam coordenar. Quantos fizeram? Um. 5.569 ficaram mudos. Só para reclamar de Brasília. Esses políticos...
Parabéns, mais uma vez e semanalmente, clarevidentíssimo irmão Girley !
Reforças a Carta do Fórum II das nossas Academias de Ciências, realizado em novembro p.p. no belíssimo Espaço Ciência de Pernambuco - educação é a necessidade mais básica para a implementação do Progresso Local Sustentável !
Precisamos valorizar nossos professores (vide o exemplo asiático aonde, no Japão, até o imperador se curva para os professores primários !). E entender que a Escola e o ensino tem que ser o centro desse processo de Progresso Local Sustentável !
Divulga a Carta das Academias de Ciências no teu ótimo e international blog !
Forte, fraterno abração !
Li seu blog e concordo com a musica de lulu santos: nada do q foi sera...... vou te ligar para um papo. Abs
Isso mesmo, só usam o WhatsApp para voz e o Facebook para se exibirem e não sabem fazer mais nada nos seus smartphones caríssimos.
Postar um comentário