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sábado, 13 de julho de 2019

Evasão de Talentos

Que a atual crise político-econômica brasileira está empurrando muitos brasileiros, sobretudo jovens profissionais sem emprego, para outros países ninguém duvida. É um tema recorrente em rodas de conversa, análise socioeconômica e política. Canadá, Estados Unidos, Portugal, Austrália e Nova Zelândia são alguns dos países que estão atraindo nossos jovens talentos para exercer, na grande maioria, funções de qualificação inferior as que se prepararam aqui no Brasil. É uma triste situação que parece não ter fim.
Nem mesmo o futebol está livre dessa avalanche. Esta semana vi um comentário de analista esportivo dando conta de que clubes europeus mantêm “olheiros” pelo Brasil catando talentos nas categorias de base dos principais clubes do país e que terminam levando jovens promissores na modalidade. Estes, muitas vezes, se mudam de “mala e cuia” para algum país e chegam a mudar de cidadania, dando adeus ao Brasil. Conheci, recentemente, o caso de um garoto pernambucano, de 12 anos, que está fazendo o maior sucesso na base de clube paulista e promete ser um furor em campo. Já foi com o clube disputar torneios no exterior e é sucesso garantido. O pai já se desligou da indústria multinacional que trabalhava por longos anos e se mudou para a capital paulista com vistas a administrar a carreira do garoto. Detalhe: esse menino aos doze anos já fatura mensalmente a bagatela de R$ 32 Mil, que significa 4,5 vezes o que o pai ganhava no emprego aqui. Não preciso comentar mais nada.  
Minha reflexão, agora, gira em torno da ilimitada evasão dos jovens talentos brasileiros. Engenheiros, Advogados, Especialistas em tecnologia da informação (TI), especialistas na área da Saúde, entre outros, largam tudo e se mandam alimentando o sonho do sucesso. Seja lá de que modo. Tenho exemplos na família. Como, na maioria dos casos, são impedidos de exercer a profissão para a qual se prepararam por aqui e terminam exercendo funções de segunda categoria nos mercados locais do exterior. Aliás, vejo nisto uma forte mudança de cultura dos brasileiros. Ao contrário do que se observava no passado, a turminha de hoje visa, acima de tudo, o dinheiro no bolso. Ter renda é o que importa. E seguramente acontece. No exterior, ficam livres dos rigores culturais que obrigam a pessoa seguir rigidamente o ritual de ser profissional qualificado e conforme sua formação. Livres dessas amarras os jovens profissionais brasileiros que fogem da crise tupiniquim estão sendo balconistas de lojas ou lanchonetes, garçons ou garçonetes, Ubers, pedreiros, jardineiros, faxineiros, babás, entre outras atividades. Terminam ganhando muito mais do que se estivessem por aqui. Faturam em dólar e por hora trabalhada. Alguns conseguem sustentar familiares que deixaram por aqui. A autoestima do brasileiro está sendo corroída, o amor à Pátria se desintegra cada vez mais e os governantes não percebem. Ao invés disso só pensam em se manter no poder a qualquer custo, inclusive roubando cinicamente. 
Cabe, então, a dura pergunta: e o futuro do Brasil?  Como preparar uma força de trabalho qualificada e adequada aos tempos que virão? É doloroso ver os baixos investimentos do Governo em atividades geradoras de empregos e nas atividades básicas como a Educação, a Segurança e a Saúde.  Aliás, é a falta de sustentação deste fundamental tripé social que os evadidos justificam, também, suas fugas. Há uma imensa insatisfação, na verdade medo dos brasileiros jovens que vivem no exterior. Na Austrália, onde tenho dois filhos, ouvi isto com constância. A insegurança do Brasil apavora os que vivem em ambiente seguro e livre de assaltos, balas perdidas, crimes de toda espécie e instabilidade política e jurídica.
Tudo isso tem uma influência enorme na autoestima dos brasileiros, principalmente entre os mais jovens, que veem os seus sonhos corroídos por políticos que só lutam pelos seus próprios interesses. A máquina administrativa é pesada e ineficiente. Os cortes no orçamento, quando necessários, ocorrem em segmentos indispensáveis, como saúde, educação e segurança. Nada é feito para acabar com o excesso de mordomias dos diferentes poderes. Por isso, muitas coisas precisam ser mudadas. - Jornal do Comércio (https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/opiniao/2018/07/637563-evasao-de-jovens-talentos-e-preocupante.html)
Tudo isso tem uma influência enorme na autoestima dos brasileiros, principalmente entre os mais jovens, que veem os seus sonhos corroídos por políticos que só lutam pelos seus próprios interesses. A máquina administrativa é pesada e ineficiente. Os cortes no orçamento, quando necessários, ocorrem em segmentos indispensáveis, como saúde, educação e segurança. Nada é feito para acabar com o excesso de mordomias dos diferentes poderes. Por isso, muitas coisas precisam ser mudadas. - Jornal do Comércio (https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/opiniao/2018/07/637563-evasao-de-jovens-talentos-e-preocupante.html)
Tudo isso tem uma influência enorme na autoestima dos brasileiros, principalmente entre os mais jovens, que veem os seus sonhos corroídos por políticos que só lutam pelos seus próprios interesses. A máquina administrativa é pesada e ineficiente. Os cortes no orçamento, quando necessários, ocorrem em segmentos indispensáveis, como saúde, educação e segurança. Nada é feito para acabar com o excesso de mordomias dos diferentes poderes. Por isso, muitas coisas precisam ser mudadas. - Jornal do Comércio (https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/opiniao/2018/07/637563-evasao-de-jovens-talentos-e-preocupante.html
Resumo da ópera: o País do futuro, que me prometeram no passado, perdeu o bonde da história devido às irresponsabilidades dos governantes. O futuro virou pretérito. 

NOTE: A ilustração foi obtida no Google Imagens

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Verdadeiro Plebiscito

O caráter plebiscitário que a eleição da próxima semana assumiu é, além de lamentável, preocupante quanto ao destino que o país vai tomar. Minha impressão é de que qualquer um dos dois representantes finais, no segundo turno, que vença enfrentará o gigantesco desafio de governar e manter a governabilidade. Prevejo um período de extremas dificuldades para o país. Isto porque as ideologias que sustentam cada um das candidaturas finalistas serão exploradas e defendidas ao extremo, levando a quem conquiste a vitória se concentrar mais na defesa dessas referências partidárias do que pensar num Brasil carente de ações objetivas nos inúmeros setores, hoje abandonados pela inépcia dos governos recentes. O país além de dividido sociopoliticamente - entre esquerda e direita - estancou numa encruzilhada transtornante, sem que visualize um destino seguro e capaz de proporcionar dias de paz e prosperidade como a Nação aspira.
As propostas de governo, esboçadas até agora, são na verdade retóricas mal arranjadas pelos candidatos e, na prática, desprovidas de argumentos convincentes e compatíveis com o quadro caótico amplamente diagnosticado. Algumas refletem claros sinais de ignorância da verdadeira situação. Pensando bem, são discursos de muita "pirotecnia" jogados ao léu tentando iludir o eleitorado cada vez mais  perplexo e saturado com tantas imoralidades, antes cometidas principalmente  pelos próprios postulantes aos cargos eletivos.
Impressiona-me o fato de não enxergar, com clareza e explicitamente projetadas, propostas que tratem de temas fundamentais como a  segurança jurídica para o cidadão comum e para o investidor privado; melhoria e modernização da máquina do estado; propostas de investimentos maciços, objetivos e seguros para a educação, saúde e segurança públicas; geração de empregos; referenciais para regulamentação honesta, racional e segura de exploração dos  recursos naturais e proteção ao meio ambiente; tributação justa e de padrões mundiais; melhorias substanciais da obsoleta infraestrutura nos diferentes modais e, por fim, incentivos e financiamentos corretos para o investidor privado, principalmente os micro e pequenos. São os exemplos que me ocorrem no momento e que considero coisas do tipo "primeiros socorros". E, naturalmente, as urgentes reformas previdenciária, política e tributária, sem as quais nada será viabilizado. Observe-se que, em debates nos meios de comunicação, ao invés de abordarem assuntos emergentes, como acima apontados, rolam somente insultos, acusações e trocas de desaforos. Ora, meu Deus, isto tem sido puros desestímulos aos eleitores que já estão fartos, saturados, de tanta bandidagem explicita.
Temo que os temas de verdadeira importância e as necessidades da sociedade sejam esquecidos e as inexoráveis futricas políticas terminem levando pelo ralo a oportunidade de ouro que temos logo mais de retomar o ritmo de crescimento e devolver à sociedade um país mais tranquilo e digno da sua gente, suas riquezas e suas potencialidades.   


NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...