sábado, 17 de dezembro de 2016

Mensagem de Fim de Ano - 2016


E lá se foi 2016... Foram dias de apreensão, entremeados de alguns prazerosos, mas, difícil mesmo é dizer que foi um grande ano. Num país em convulsão político-econômica, só mesmo sendo um alienado é que passaria batido. Dias prazerosos, por exemplo, lembro os dias de Olimpíadas, da Rio-2016.  É verdade que, em termos pessoais não tenho, a rigor, do que reclamar. Saúde recuperada, após susto dado pelo coração, sucesso profissional, família em ordem e o resto... Bom, o resto a gente corre atrás.
Este ano foi, muitas vezes, desafiador para um Blogueiro que pretende manter uma vanguarda. Com tantas confusões geradas em Brasília, Curitiba e outros grandes centros, repercutindo no restante do país, poderiam sair muitos outros posts e a cada dia, o que está fora dos propósitos de um amador, como é o meu caso. Por outro lado, as escapadas que dei durante o ano, passando pelas Oropas e Cone Sul, foram momentos de relaxamentos, sempre bem-vindos, que renderam algumas postagens bem ao gosto de muitos leitores. Viajei e levei junto comigo vários leitores.
Como sempre faço a cada fim de ano, preciso fazer alguns agradecimentos: em primeiro lugar, a Deus pela condição que Ele me confere de pensar e enxergar o quotidiano, observar pessoas e paisagens e, por fim, emitir opiniões neste espaço semanal. Sei que nem sempre são do agrado de todos que visitam o Blog, mas sei, também, que tenho aqueles que me seguem com prazer, entendem meus argumentos, criticas e descrições, interagindo assiduamente. Até os que se contrapõem, dando dinâmica e vida ao trabalho que me proponho publicar.  No GB há espaço democrático para todos. Agradeço à minha família que sempre me apóia e incentiva neste exercício semanal. De modo especial agradeço a interação que se estabelece com muitos leitores no exterior, o que sinceramente infla minha vaidade. Claro! E vaidade, é bom frisar, faz parte da natureza de qualquer ser humano. Não sinto culpa se isto for visto como defeito ou pecado. Como não me sentir feliz e orgulhoso de saber ser lido em distantes plagas do planeta? Não sei por qual razão tenho freqüentes leitores na Rússia ou na China. E na Índia, Iêmen ou Vietnam? Os leitores brasileiros são bem menos dos que os norte-americanos. Com efeito, tenho que agradecer, cheio de jubilo, a todos. Principalmente àqueles que comentam as publicações.
Ao mesmo tempo, acho interessante porque continuo recebendo comentários de anônimos – os quais, por principio, nem publico – com críticas ofensivas das quais busco extrair aquilo que julgo relevante e que podem sugerir reparos na minha forma ou conteúdo. Creio que nada pode parecer tão bom que não mereça retoques. A esses leitores, meus sinceros agradecimentos e apelo para que continuem nessa forma de relacionamento. Eles cumprem algum papel no meu projeto.          
No limiar de 2017 e aproveitando o tempo do Advento, declaro meu entusiasmo pela renovação das esperanças de um renascer com dias melhores, tanto em termos pessoais, como coletivamente. Entendo sempre que a PAZ começa em cada um de nós. A soma das nossas esperanças e o empenho pacificador de um coletivo social instaura forças inabaláveis para mudar o mundo. É um mundo de paz e esperança que todos desejamos. E é dessa forma que devemos caminhar para um novo ano.
Aproveito para lembrar que, como sempre acontece, o Blog entra em recesso neste período de festas e durante o mês janeiro. Salvo numa possível edição extraordinária, Este é o último post do ano. Aos amigos e amigas leitores(as) e seus familiares, meus melhores desejos de


Feliz Natal e Venturoso 2017

Encerrando nossas atividades, neste ano, brindo a todos e todas com uma mensagem tocante e oportuna da autoria de um estimado amigo e colega na SUDENE, Jorge Fernando de Santana, filósofo iluminado e inteligente nato:

Natal é convite a sublimar a vida. Ensejo de renascer em espírito, retraçar caminhos, refazer atitudes, retocar hábitos, refinar comportamentos.
É tempo de promover a Paz, conquistar amigos, abraçar irmãos, salvar o Planeta e, pois, deixar-se aninhar no colo de Deus.
Urge despertar a boa vontade, condição elementar de instauração da convivência harmoniosa entre os seres humanos.
Eis o de que mais carecemos hoje... e o mais desejável neste Natal: a Paz, para cada um de nós... a Paz, para todos nós.

  NOTAS: 1. Obrigado amigo Jorge Santana. 2. A ilustração foi colhida no Google Imagens

 


sábado, 10 de dezembro de 2016

Uma questão de confiança

Os jornais do Recife, e provavelmente do restante do Nordeste, trazem no dia de hoje (sábado, 10.12.16) manchetes e longas matérias ilustradas sobre a visita do Presidente Michel Temer a Pernambuco e ao Ceará. A primeira dele enquanto presidente à Região. Veio ver de perto a seca regional. O homem ficou impressionado com o estado calamitoso provocado pela atual estiagem que assola grande parte dos estados da área. Já são vários anos sem chuva e a população está em estado de desespero. Num grande aparato de segurança e sendo resguardado contra manifestações opositoras, Temer circulou por alguns locais distante do povo e de muitos dos seus representantes. Visitou barragens totalmente secas, pontos da construção da transposição do São Francisco e redondezas. Por fim, num espasmo político comemorado pelos seus assessores, autorizou a liberação de verbas paliativas para atender as demandas mais urgentes. Uma migalha, na verdade, em face das reais necessidades da Região. Isto sem falar de outras necessidades diferentes das hídricas.
Este episódio é o que eu chamo de dejà vu. Na verdade, cansei de ver. Desde D. Pedro II que esta história se reproduz. O Imperador chorou diante da calamidade, ameaçou vender as jóias da coroa, inaugurou a Política da Solução Hidráulica, construiu o açude do Cedro no Ceará e criou o que hoje é o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS. O erro inicial foi trabalhar CONTRA o fenômeno. A solução correta é CONVIVER com a seca.
Temer vendo a seca, de perto, em Pernambuco 
Ainda nesta semana estive lembrando – modestamente – que este país nunca teve um governo capaz de entender a sua dimensão continental. Pode até fazer um discurso bonito com este argumento, mas, entender de verdade, está pra nascer. Quando é um paulista só enxerga de São Paulo prá baixo, e olhe lá... – Acho que Temer, mesmo, nunca havia pisado num solo esturricado pela seca nordestina – quando é nordestino, tenta com imensas dificuldades direcionar ações para seu povo. Se for gaúcho, que em geral nunca andou pela Amazônia ou pelo Nordeste, tem uma dificuldade danada de assimilar as dimensões geográficas e culturais. Quando mineiro fica embananado sem saber como atender os vizinhos cariocas e paulistas e esquece o resto. Ressalvo somente Juscelino, mineiro que criou a SUDENE, embora que tratasse com “cuidado” de fazer incluir o Norte do seu estado no chamado polígono das secas e, conseqüentemente, na área da Agencia que criou. Já viu, né? De todo modo, é de se considerar que não deve ser uma missão fácil governar este Continente verde-amarelo. O problema é que o país é muito grande, muito diversificado, paisagens regionais bem distintas, culturas arraigadas e problemas dispares. São muitos Brasis enroscados num só Brasil.
O resultado prático da sociedade que se formou nesse imenso e diversificado território é de assustadores desníveis. O homem da imensa Amazônia jamais pensa da mesma maneira de um gaúcho pampeiro. Um caba-da-peste nordestino nem faz ideia do que passa pela cabeça de um caipira mineiro. O prepotente empresário paulistano, por principio, formação e até preconceito, nem se preocupa por entender os pensamentos dos paus-de-arara ou baianos como eles se referem aos nordestinos. É difícil... Termina que legalmente são dados tratamentos iguais e injustos para realidades diferentes. Baseado nisso tudo é que defendo políticas sociais diferenciadas para realidades distintas. As políticas de educação ou de saúde, por exemplo, não podem ser niveladas nacionalmente. Ao invés disso devem ser ajustadas às necessidades e traços culturais locais.
Agora, cadê vontade política? E cadê credito nos políticos?
O cenário governamental do Brasil de hoje é de total perplexidade. A sociedade já se sente órfão, há muito tempo. Tudo passa pela falta de confiança geral nos nossos mandatários. Como acreditar no Parlamento tão indigno, que só legisla em causa própria, salvando AA próprias peles? Como acreditar numa Suprema Corte que comete o absurdo que cometeu esta semana? Os argumentos podem até encontrar guarida nas altas esferas políticas, mas, mas, na prática o Supremo saiu muito arranhado. Os juízes do STF são os guardiões da Democracia! Como absolver o réu Renan para continuar na Presidência do Senado e vedá-lo da linha sucessória. É uma coisa inverossímil. Pesos e mediadas diferenciadas para “salvar a Pátria?” Neste caso, entendo que daqui prá frente cabe tudo e qualquer coisa.
Quando uma Suprema Corte se curva diante de um Legislativo a “vaca vai pro brejo” de vez. Aliás, nossa vaquinha precisa sair do brejo urgentemente. A bichinha já está atolada até o pescoço. Se demorar mais... Bom, se demorar mais, saia de baixo!

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

 


domingo, 4 de dezembro de 2016

Uma semana pra não ser esquecida

A semana começou com a notícia da morte do ex-ditador de Cuba, Fidel Castro. Naturalmente que com repercussão mundial, afinal – bem ou mal – ele foi uma figura que ocupou espaço no panorama político mundial, no século 20. Andei me preparando para fazer uma página inteira a respeito desse cidadão odiado por muitos e aclamado por outros. Um mito é verdade. Teve tudo às mãos para fazer de Cuba uma democracia autêntica, depois de livrar a ilha caribenha da zona de jogo e prostituição dos norte-americanos na primeira metade do século passado, em detrimento da população esmagada por outro cruel ditador, Fulgêncio Batista. Idealista e perseverante Castro empreendeu uma cruzada de “libertação” do seu povo e foi aclamado como mandatário, no remoto 1959. Manteve-se no poder até o recente 2008, passando o comando da ilha ao irmão Raul Castro. Embora prometendo um mundo de sonhos, se perdeu no meio do caminho (no começo, pensando bem) ao romper com os Estados Unidos e cair nas mãos de tiranos parceiros soviéticos, da fracassada União Soviética, e se tornou um cruel e sanguinário ditador, levando ao paredón e fuzilando centenas de opositores ao regime esmagador que implantou. Com idéias brilhantes, justiça se faça, nas áreas sociais, implantadas com sucesso, sujou seu nome e perdeu ótima oportunidade de ser lembrado como um verdadeiro estadista, devido sua “mão de ferro” e, ao contrário do que prometeu, fundador de uma sociedade pouco democrática. A História vai julgá-lo, como ele próprio disse. A Cuba de hoje não passa de uma nação atrasada economicamente, com um povo pobre e incapaz de entender o que seja liberdade. Há uma população jovem que nem tem idéia do que seja ter vontade própria e empreender. É Interessante quando lembro que Castro ascendeu ao poder, quando eu ainda era um meninote  adolescente e, logo depois, quando universitário, teve em mim um admirador. No ambiente da Academia era, junto com o Che Guevara, o mentor da transformação histórica sonhada para o mundo. Dois ícones da minha geração! Tudo isso foi por terra, com o passar dos anos. Hoje perdi minha admiração por esses tipos e sinto-me aliviado com o fim dessa era retrógrada e infeliz para muitos. Seus discípulos – Chávez, Maduro, Lula, Dilma, os Kirchner, Evo Morales e outros insignificantes no Continente –, aos poucos, estão sendo postos à margem e tendem a desaparecer. A morte de Castro sinceramente não me causou nenhum lamento. Pelo contrário, senti alívio. Odeio ditadores de esquerda ou de direita. E, depois, diante do que o Brasil viu no decorrer da semana, esse fato é coisa para ser esquecida de pronto. Página virada na História da América Latina. Pobre Latinamérica! Soy loco por ti (pobre) América.
Pois bem, o pior da semana estava por vir. E este, sim, o motivo para que esta semana não seja esquecida! Foram bem difíceis estes sete dias desta semana que hoje finda. E tudo no cenário da mesma América, atingindo em cheio, o coração do Brasil. Sobretudo, os aficionados no  futebol do Brasil.
Este garoto virou ícone da tristeza de um povo sofrendo pela morte dos seus atletas
Não encontro um termo exato para classificar minha revolta com um individuo irresponsável dono e comandante de uma aeronave de uma desconhecida empresa de aviação – aliás, empresa de um único avião – que levou à morte dezenas de jovens atletas da Associação Atlética Chapecoense, seus dirigentes e admiradores e jornalistas num acidente aéreo de grande proporção nas encostas dos Andes colombianos. Um time de futebol em ascensão no cenário esportivo do país e do continente é criminosamente eliminado num episódio dantesco que, por fim, expõe de modo claro o tipo de empresas e profissionais descomprometidos e irresponsáveis aos quais – muitas vezes – somos submetidos. Acidentes são acidentes e são coisas comuns da vida, é verdade. Mas, acidentes devidos à falha ou negligencia humana é imperdoável. Inaceitável e revoltante. Esse tal de Miguel Quiroga, proprietário e piloto da aeronave, tinha consciência quando levantou vôo com insuficiente combustível para percorrer a distancia entre o ponto de partida em Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) e Medellín (Colombia). Ele morreu no acidente. A Chapecoense iria disputar uma final da Copa Sulamericana contra o Nacional de Medellín, na quarta feira. Este acidente, o maior envolvendo um time de futebol brasileiro, apanhou o país de surpresa e perplexidade na manhã da última terça feira (29.11.16). O desenrolar da história o Brasil e o Mundo já sabe e não preciso relatar. A manifestação de solidariedade dos colombianos no estádio onde se daria o confronto das duas equipes e a cerimônia de velório coletivo, em Chapecó (Santa Catarina), neste sábado demonstraram a dor vivida por um povo solidário e uma nação em luto. Foram 71 mortos. Vidas ceifadas por irresponsabilidade sem limites.
Manifestação do povo colombiano em Medellín no estadio onde se daria a partida de futebol.
Mas a semana não ficou por aí. A outra surpresa ruim veio de Brasília. Nas caladas da noite e aproveitando a consternação geral do país, a Câmara Federal fez serão e, numa jogada traiçoeira, aprovou com indecentes emendas/cortes o chamado Pacote Anti-Corrupção, projeto de lei de iniciativa popular. Os tais cortes foram, na prática, objetivando anular ações da Operação Lavajato, que é hoje a maior esperança de moralização e de ordem na estrutura de Governo deste país. Agora, resta a esperança de que no Senado essa indecência seja derrotada, embora que o próprio presidente da Casa, Renan Calheiros, seja um dos mais proeminentes réus das ações anti-corrupção. Teme-se que ele se defendendo em causa própria manobre para aprovação da sujeira. dos deputados. Precisamos voltar às ruas para exigir uma Nação honrada e livre dos ladrões do poder, como sonhamos.  

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

sábado, 26 de novembro de 2016

Um circo pegando fogo

Pelo visto, nestes últimos dias, ainda estamos longe de navegarmos em plácidos mares político-econômicos. Parece que não tem timoneiro que dê jeito neste país. Depois do trauma gerado pelo processo do impeachment de Dilma, nasceu a esperança de paz e sossego na pátria. Contudo, a corrupção  –  grande causa da conturbada situação vivida  –  continua contaminando celeremente as artérias vitais do poder nacional.
Esse golpe que vem sendo gestado na Câmara Federal de anistiar tudo que signifique Caixa 2 somado ao rumoroso entrevero dos dois ministros de Temer, Marcelo Calero (Cultura) e o baiano Geddel Vieira (Secretaria de Governo), expuseram de modo contundente a fragilidade e cinismo dos nossos governantes. É lamentável que os homens do poder nacional estejam compulsivamente envolvidos  com tamanhas falcatruas a despeite da Nação que sofre e sangra para vencer os desafios impostos pela insana luta da sobrevivência. Milhões de desempregados, pais de família dando fim à vida depois de perder a esperança, unidades da Federação quebrando, delações contundentes, governo anunciando medidas impopulares, protestos por todo lado e um sem número de pequenos escândalos de norte a sul e de leste a oeste. No meio disso tudo, a pergunta que por muito tempo não cala: “atingimos o fundo do poço?” Parece que não! Na verdade, nunca antes na historia deste país se viu um poço tão profundo. E parece estar abaixo da camada do pré-sal, isto é, muita profundidade.
Marcelo Calero, ex-Ministro da Cultura
Essa de anistiar os implicados nas manobras de Caixa 2 em campanhas políticas é o que se chama de excrescência do Legislativo e um testemunho da falta de vergonha dos nossos “representantes”. A Operação Lavajato focou com seus potentes holofotes grande parte dos que atuam na Câmara Alta proporcionando-lhes momentos de estresse e incerteza. Na prática, são criminosos autores de atitudes de lesa-pátria, cometidas conscientemente e como se fora a coisa mais normal do mundo. Não esqueço nunca de Lula, quando presidente, numa entrevista dada em Paris, afirmando com a maior tranqüilidade que o Caixa 2 era coisa normal na política brasileira. Ele tinha razão haja vista que foi sempre assim na cabeça do mais simples ao mais alto aspirante a um cargo político no Brasil. É sabido que, do candidato a vereador ao de Presidente da Republica, esta foi a prática posta sempre em primeiro lugar.
Ora gente, tem um detalhe muito sintomático: essa anistia pretendida pelos praticantes do chamado Caixa 2 se destina a anular todo o belo trabalho do juiz Sérgio Moro, Juiz autor e mentor da Lavajato. Quase a totalidade das ações que tramitam pelas mãos dele está relacionada com essa prática indecorosa. O Juiz já divulgou nota denunciando esse cinismo legislativo.
Já o episódio Geddel Vieira versus Marcelo Calero escancara, indiscutivelmente, aquilo que se constitui num traço cultural do político brasileiro, ou seja, se aproveitar do exercício de um cargo público para auferir benefícios em causa própria. O cara, neste caso, se aproveitando da situação de Ministro Secretário da Presidência da República quis obrigar o colega a forçar a aprovação da obra de edifício, onde comprou um apartamento, num local vetado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, no centro histórico de Salvador (Bahia). Na cabeça desse ministro, certamente, passou a idéia de que, sendo ele um “poderoso” auxiliar do Presidente da República, seria normalíssimo. E o patrimônio histórico, que se lixe... O ministro Calero não tolerou a pressão política, segundo ele, reforçada pelo próprio Presidente da Republica, pediu exoneração do cargo e saiu “tocando fogo” no circo do Palácio do Planalto.  Até quando nossos governantes vão continuar confundindo a coisa pessoal com a pública? 
Geddel Vieira, o que quis misturar o interesse pessoal com o publico 
Outra pauta bombástica de Brasília, nesta semana que termina, é o interessante projeto de lei do Senador Álvaro Dias (PV-PR) acabando com o odioso foro privilegiado. Vem sendo um debate acirrado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal. Pela justificativa que traz, essa seria uma medida oportuna, diante dos escândalos recentes que resultaram em “livramento das caras” de indivíduos nocivos ao bem da Pátria.
Não podemos calar diante de tantos descalabros! E precisamos voltar às ruas. Mesmo que essa pareça ser uma luta sem fim. O Brasil precisa ser limpo e entregue saneado às próximas gerações.

Ultima Hora: mal conclui esta matéria e estourou a noticia da queda do Ministro Geddel Vieira. Note-se que é o sexto Ministro que cai no Governo Temer. E para desencanto geral todos relacionados com a falta de ÉTICA. Que país é este?  

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens 




sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Apreensão Global

Há oito anos, quando os norte-americanos elegeram Barack Obama presidente da república, uma onda de otimismo e esperança varreu o mundo, mergulhado, naquela ocasião, numa tremenda crise econômica, provocada pelo próprio país que ele governaria dali pra frente. Com proposta democráticas e didaticamente bem postas foi tudo quanto se desejava naquela época de incerteza. E, como fato emblemático, o inusitado de se tratar de um negro ocupando a Casa Branca e se tornando o homem mais forte do planeta. Em se tratando de Estados Unidos isto foi um espetacular tento social. De fato, está se completando um tempo de governo relativamente tranqüilo e bem avaliado e que já começa a deixar saudade. Governando com minoria nas casas do Congresso, Obama foi político o suficiente para se sair bem no filme. O Mundo, a estas horas, tira o chapéu para esse negro bonachão e carismático que com uma família bonita e bem estruturada encerra, neste momento, um período de governo bem sucedida. Se não conseguiu tirar, totalmente, o país da ressaca da crise de 2008, pode se considerar que apontou estratégias para esse alcance. Já há sinais de recuperação, a taxa de desemprego tende a cair e o crescimento econômico vem sendo alcançado passo a passo. No âmbito externo teve atuação louvável, sendo bem recebido por todos os lados, não obstante haver de lidar com os conflitos devidos a onda de terrorismo, ao famigerado Exército Islâmico e as ações beligerantes no Oriente Médio. 
A bem estruturada Família Obama
Ao contrario do panorama acima descrito, o que se vive no momento é uma apreensão global diante do recente resultado das eleições com vistas à escolha de um novo “inquilino” para a Casa Branca. A inesperada vitória do magnata Donald Trump, abalou o mundo e, se a explosiva bateria de propostas de campanha desse eleito vier a ser implementada, o mundo que se prepare para um tempo de turbulência político-econômica pouco desejada neste inicio de século 21.
Empresário de sucesso, capitalista visceral, perfil exacerbado de extrema direita, sem qualquer experiência política e exercitando um discurso populista do anti-político e nacionalista, esse cidadão driblou meio mundo, começando pela força da situação do Partido Democrata, os analistas políticos internacionais, os Institutos de Pesquisas e até boa parte do seu partido Republicano e conquistou a vitória.

É quase inacreditável que os Estados Unidos possa a vir a se fechar para o mundo como Trump prega. Será um surpreendente retrocesso do tradicional modelo político Yankee. Abandonar o Tratado do Atlântico Norte, se aliar aos russos de Putin e construir muros divisórios na fronteira com o México, para impedir a entrada de imigrantes, além de deportar os milhões de estrangeiros espalhados pelo seu território e perseguir os mulçumanos impiedosamente são outros planos de seu governo.
No âmbito econômico, o Senhor Trump ameaça dar tiro mortal em tudo quanto contribua para a globalização econômica que se instaurou no passado recente –  com ativa participação dos States – ao querer suspender a participação do país nos acordos de livre comércio (odeia a ALCA), cancelar acordos de comércio internacional assumidos por seus antecessores e impor restrições a importações de produtos que venham prejudicar a produção estadunidense. A ordem de Trump é construir um país mais forte e para os norte-americanos. Esse discurso, inclusive, fez sucesso nas camadas de desempregados, que ainda são muitas, e nos setores empresariais desbancados pela concorrência competente de produtos importados. A China que se cuide.
Ah! Outra coisa: sem acreditar na tese do aquecimento global, fez promessas – em tom irônico – de que vai se afastar das cúpulas que discutam o clima e vai retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris. Pense que “lapa de doido”. Coisa de quem nunca atuou no campo político.
Esse inesperado quadro não passava pela cabeça de qualquer cidadão de são juízo. Vive-se, portanto, uma apreensão global.
A expectativa agora é que essas idéias tresloucadas encontrem fortes barreiras nos meios políticos internacionais e doméstico, a começar pelo próprio Congresso Americano, ainda que composto por maioria do partido dele. Aliás, o povo já vem protestando nas ruas das grandes metrópoles norte-americanas.
Bom, coisas como esta não passam em branco em determinados setores da comunidade internacional e essa onda nacionalista de Trump, confere fôlego no meio do mundo, haja vista a saída do Reino Unido da União Européia, com o resultado do recente Brexit e a intenção velada de outros países de seguir o mesmo caminho. Já ouvi rumores de movimentos na França e na Itália. Isto sem falar na Grécia que já esteve bem balançada.

Aguardemos para ver a História acontecendo.     

NOTA: Fotos colhidas no Google Imagens

sábado, 5 de novembro de 2016

Diversidade Cultural

Matéria publicada, esta semana (03.11.16), num jornal do Recife, chamou-me a atenção pelo inusitado, pelo menos no Brasil, e que diz “mortos-vivos invadem ruas de São Paulo”. Pois bem, pela 11ª. vez aconteceu na capital paulista um desfile denominado “Zombie Walk” (Marcha Zumbi). Pessoas caracterizadas de mortos-vivos, bruxas, esqueletos, múmias, vampiros, matadores, entre outras figuras, prestam uma homenagem aos mortos, no dia de finados. Segundo os organizadores do evento, essa macabra caminhada se realiza em outras cidades do mundo, sendo que a primeira ocorreu na Califórnia em 2001.
Sinceramente, acho insólita essa forma de homenagem aos mortos. Lembro que, quando criança, achava enfadonha a comemoração do dia de Finados, aos moldes da época e cultura local. Mas, antes assim... Naquela época, desde o dia anterior, as rádios só levavam ao ar músicas clássicas, pelas quais eu não me interessava até então, e que se dizia serem músicas fúnebres. Na minha inocência infantil, batia-me uma tristeza inexplicável. Outra coisa, o dia de Finados era dia santo, com obrigação do preceito de ir à missa e tudo mais. Recordando o passado me admira como hoje a coisa é diferente. Prá começo de conversa, deixou de ser dia santo e virou feriado. Isso! Simplesmente feriado! E a ordem geral é aproveitar a folga. Praia, campo, balada, shows e, sempre que possível, fazendo “uma ponte de folga” ao juntar com o fim de semana. Quem morreu, morreu e que descanse em paz. Custa-me assimilar essa “nova ordem” social e, conforme fui educado, não deixo de homenagear meus mortos acendendo uma vela e orando, no cemitério.           
Mas, curioso como sou e por principio, fui atrás de saber como essa coisa acontece noutras sociedades e descobri coisas bem interessantes.
No Japão, o dia de Finados é comemorado em agosto, após o 15º dia do sétimo mês lunar. Geralmente cai no entorno do dia 15.  É uma tradição antiga, de origem Budista, e data de antes do país adotar o calendário gregoriano, no século 19. Denomina-se de Obon, é um longo feriado, quando as famílias costumam viajar aos locais de origem da família e juntas fazem oferendas, dançam e contam histórias dos mortos e de fantasmas. Nessas ocasiões eles fazem faxina no mausoléu, adornam e colocam frutas e comidas favoritas do falecido, acreditando que eles saem das cinzas para a visita anual à família.
Já na China a coisa é muito engraçada e até polêmica. As pessoas prestam homenagens com oferendas. Geralmente preparam ou compram (há um comércio rentável) reproduções, em papelão ou similar, de produtos de consumo admirados pelo falecido e que ao fim das homenagens são queimados. A idéia é que o homenageado irá precisar daquele produto lá na eternidade. Recentemente, devido a onda capitalista que invadiu a China, são ofertadas réplicas de produtos de grifes de luxo entre as quais a Dior, Gucci e Chanel, que logo protestaram em defesa das suas respectivas marcas. Esse negócio vem dando o maior rolo para os chineses. Além desses artigos, são ofertados cigarros, carros, celulares, entre outros itens.
Artigos femininos em papelão com a marca Gucci, vendidos em Hong Kong
Os mexicanos não ficam atrás. Conversando com minha amiga Susana Gonzalez, da cidade do México, fiquei inteirado que eles realizam um festival prá lá de divertido. Saem em carros alegóricos pelas avenidas, acompanhados de bandas e caracterizados com fantasias de mortos, caveiras – a famosa Catrina, ícone mexicano – vampiros, fantasmas e outras figuras do gênero. É um verdadeiro carnaval. O povo vai às ruas e curte adoidado. Insólito para nós brasileiros, mas divertidíssimo para os mexicanos. Sugiro que abra o link a seguir e veja que coisa curiosa. https://www.mexicodesconocido.com.mx/lo-mejor-del-desfile-de-dia-de-muertos-en-la-cdmx.html
Se nas ruas a coisa acontece desse modo, nos ambientes domésticos, cada família monta um altar em homenagem aos mortos, crentes de que os homenageados vêm visitá-los no dia de finados e esperam encontrar tudo que “têm direito”. Nesse altar doméstico, além da foto dos mortos lembrados, são 
Altar de Susana González
colocados: água, comida – os pratos favoritos dos falecidos –, pão do morto, velas, incensos, sal, mini-abóboras e flores que, geralmente, são os conhecidos cravos de defunto, aqui no Brasil. No México se denomina de Flores de Cempasúchil. Há, inclusive, uma lenda muito interessante sobre essa flor. Sugiro consultar o Professor Google. É interessante, quando dizem que os mortos precisam se alimentar e beber para se restabelecer da longa caminhada da vinda e se preparar para a viagem de volta. Em alguns casos são deixadas uma lapada de tequila e um cachimbo, no caso de haverem sido preferências de um homenageado durante a vida terrena. A minha amiga Susana monta anualmente um desses altares em casa. Vide foto acima.
Êita mundo velho e multicultural.
       

 Nota: A foto da China foi  obtida no Google Imagens e a foto ao lado referente à tradição mexicana foi gentilmente cedida por Susana González, minha amiga mexicana.




domingo, 16 de outubro de 2016

Uma noite com Bocelli

Sempre ouvi dizer que algumas coisas na vida “não tem dinheiro que pague”. Naturalmente que se trata de algo muito relativo. O que tem valor pra mim pode ser insignificante para outrem. Isto é valido para qualquer coisa. Nesta semana, que hoje termina e, por exemplo, desloquei-me a São Paulo, com o objetivo único de assistir a uma apresentação do magnífico tenor italiano, Andrea Bocelli. O que representou um prazer especial para mim e minha esposa, causou espécie para alguns. Aí, então, foi quando também me lembrei da minha mãe que, vez por outra dizia: “o que é de gosto regala o peito”. Regalei meu peito e minha alma de prazer e satisfação. Sabe aquela situação em você se sente em estado de graça?  Foi assim. Sou amante da boa música e de uma bela voz. O Bocelli atende minhas humildes exigências.  

É extraordinária a capacidade de atração desse artista. O show, desta semana (12.10.16), foi levado no Allianz Parque (Estádio do Palmeiras), na capital paulista. Vendo aquele estádio superlotado com espectadores nas arquibancadas, camarotes e no próprio campo de futebol, devidamente preparado para receber o grande público, cheguei à conclusão que o povo (não arrisco em povão) gosta da boa música. Friso que não foi nenhum espetáculo com preços  populares e daí essa minha conclusão.  
Sempre admirei o Andrea Bocelli, desde quando despontou nas grandes paradas internacionais. Cheguei até a planejar uma ida à Itália coincidindo com um dos seus concertos na Arena do Silencio, na Toscana. Mas, com essa vinda ao Brasil, não deixei passar a chance.  
Foi uma noite inesquecível para todos que lá estiveram. Acompanhado pela Orquestra e Coro Santa Marcelina Cultura, do Estado de São Paulo, sob o comando do Diretor Musical Eugene Kohn, Bocelli brindou-nos com canções conhecidas sob a temática de músicas consagradas no cinema (Cinema World Tour) mesclado com seus sucessos ao longo desses anos recentes. Sem duvidas uma noite deslumbrante.

Com a Soprano Maria Aleida
Afora isto, cabe o registro das participações da soprano cubana Maria Aleida, que o acompanha nessa tournée mundial e da violinista norte-americana Caroline Campbell, a queridinha de artistas famosos, entre os quais Sting, Michael Buble, Rod Studart, Seal e, claro, Andrea Bocelli. Vale à pena, também, saber mais sobre essas artistas. Professor Google pode ajudar. Agora, a grande surpresa da noite foi quando entrou no palco a cantora brasileira Anitta. Sim, a própria! Aquela cantora de funk! Parece que está mudando de gênero musical e deu a maior show, atacando com bela voz e razoável pronuncia inglesa, cantando Over the Rainbow, em participação solo. Na sequencia fez dueto com Bocelli e arrancou longos aplausos do grande publico. Surpreendente o exército de fotógrafos que surgiram para fotografá-la. Para nós que estávamos na primeira fileira de espectadores e área central diante do palco, ficou difícil assistir, naquele momento.  

Anitta fazendo dueto com Andrea Bocelli
Outro registro que não posso deixar de fazer fica por conta da programação que nos engajamos, promovida e administrada pela empresa Cielli di Toscana, com sede em Florença, na Itália, (www. cielliditoscana.com) e que sempre acompanha Bocelli na Itália e, dessa vez, no Brasil, por conta da sua origem com capital brasileiro. A empresa organiza grupos de espectadores que são localizados em posições privilegiadas (setor Diamante), com transfers (ida e volta), coquetel de boas vindas ao local do evento e distribuição de amenidades relacionadas com o show. Detalhe: o vinho servido no coquetel veio com o rotulo Bocelli. Isto mesmo. Acontece que a Família Bocelli produz um vinho de alta qualidade, o Bocelli (www.bocellifamilywines.com), a base de uvas Sangiovese, na região da Toscana. Provamos do vinho e aprovamos. Quando fomos conduzidos ao local do show ainda sentíamos o sabor Bocelli (vinho e prosecco) na boca.
Dois outros momentos, também, levaram o público ao delírio, tanto pelo inesperado, quando pela importância simbólica. O primeiro foi, antecedendo ao show propriamente dito, a execução do Hino Nacional Brasileiro, cantado por um desconhecido.  O publico cantou a todo fôlego e emocionou. Sinais de um novo tempo? O segundo momento foi a execução da abertura da ópera O Guarani, de Carlos Gomes, no inicio do segundo ato. Ou segundo tempo?

A revista/programa do show traz, entre outros registros, algo que chama a atenção do leitor mais atento, numa frase consignada ao escritor Antoine de Saint-Exupéry que diz: “Somente com o coração que se pode ver claramente. O essencial é invisível para os olhos”. Bocelli é um exemplo. Não preciso dizer mais nada. Salvo que foi uma noite inesquecível, de verdade. Meu desejo foi realizado.    


Nota: Fotos da autoria do Blogueiro   

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...