Pelo visto,
nestes últimos dias, ainda estamos longe de navegarmos em plácidos mares
político-econômicos. Parece que não tem timoneiro que dê jeito neste país.
Depois do trauma gerado pelo processo do impeachment de Dilma, nasceu a
esperança de paz e sossego na pátria. Contudo, a corrupção – grande
causa da conturbada situação vivida – continua contaminando celeremente as artérias vitais
do poder nacional.
Esse golpe
que vem sendo gestado na Câmara Federal de anistiar tudo que signifique Caixa 2
somado ao rumoroso entrevero dos dois ministros de Temer, Marcelo Calero (Cultura)
e o baiano Geddel Vieira (Secretaria de Governo), expuseram de modo contundente
a fragilidade e cinismo dos nossos governantes. É lamentável que os homens do
poder nacional estejam compulsivamente envolvidos com tamanhas falcatruas a despeite da Nação
que sofre e sangra para vencer os desafios impostos pela insana luta da
sobrevivência. Milhões de desempregados, pais de família dando fim à vida
depois de perder a esperança, unidades da Federação quebrando, delações
contundentes, governo anunciando medidas impopulares, protestos por todo lado e
um sem número de pequenos escândalos de norte a sul e de leste a oeste. No meio
disso tudo, a pergunta que por muito tempo não cala: “atingimos o fundo do
poço?” Parece que não! Na verdade, nunca antes na historia deste país se viu um
poço tão profundo. E parece estar abaixo da camada do pré-sal, isto é, muita
profundidade.
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Marcelo Calero, ex-Ministro da Cultura |
Essa de
anistiar os implicados nas manobras de Caixa 2 em campanhas políticas é o que
se chama de excrescência do Legislativo e um testemunho da falta de vergonha
dos nossos “representantes”. A Operação Lavajato focou com seus potentes
holofotes grande parte dos que atuam na Câmara Alta proporcionando-lhes momentos
de estresse e incerteza. Na prática, são criminosos autores de atitudes de lesa-pátria,
cometidas conscientemente e como se fora a coisa mais normal do mundo. Não
esqueço nunca de Lula, quando presidente, numa entrevista dada em Paris, afirmando
com a maior tranqüilidade que o Caixa 2 era coisa normal na política
brasileira. Ele tinha razão haja vista que foi sempre assim na cabeça do mais
simples ao mais alto aspirante a um cargo político no Brasil. É sabido que, do
candidato a vereador ao de Presidente da Republica, esta foi a prática posta
sempre em primeiro lugar.
Ora gente,
tem um detalhe muito sintomático: essa anistia pretendida pelos praticantes do
chamado Caixa 2 se destina a anular todo o belo trabalho do juiz Sérgio Moro, Juiz
autor e mentor da Lavajato. Quase a totalidade das ações que tramitam pelas
mãos dele está relacionada com essa prática indecorosa. O Juiz já divulgou nota
denunciando esse cinismo legislativo.
Já o episódio
Geddel Vieira versus Marcelo Calero escancara, indiscutivelmente, aquilo que se
constitui num traço cultural do político brasileiro, ou seja, se aproveitar do
exercício de um cargo público para auferir benefícios em causa própria. O cara,
neste caso, se aproveitando da situação de Ministro Secretário da Presidência
da República quis obrigar o colega a forçar a aprovação da obra de edifício,
onde comprou um apartamento, num local vetado pelo Instituto do Patrimônio
Histórico Nacional, no centro histórico de Salvador (Bahia). Na cabeça desse
ministro, certamente, passou a idéia de que, sendo ele um “poderoso” auxiliar do
Presidente da República, seria normalíssimo. E o patrimônio histórico, que se
lixe... O ministro Calero não tolerou a pressão política, segundo ele,
reforçada pelo próprio Presidente da Republica, pediu exoneração do cargo e saiu
“tocando fogo” no circo do Palácio do Planalto.
Até quando nossos governantes vão continuar confundindo a coisa pessoal
com a pública?
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Geddel Vieira, o que quis misturar o interesse pessoal com o publico |
Outra pauta bombástica
de Brasília, nesta semana que termina, é o interessante projeto de lei do
Senador Álvaro Dias (PV-PR) acabando com o odioso foro privilegiado. Vem sendo um
debate acirrado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal. Pela justificativa
que traz, essa seria uma medida oportuna, diante dos escândalos recentes que
resultaram em “livramento das caras” de indivíduos nocivos ao bem da Pátria.
Não podemos
calar diante de tantos descalabros! E precisamos voltar às ruas. Mesmo que essa
pareça ser uma luta sem fim. O Brasil precisa ser limpo e entregue saneado às
próximas gerações.
Ultima Hora: mal conclui esta matéria e
estourou a noticia da queda do Ministro Geddel Vieira. Note-se que é o sexto
Ministro que cai no Governo Temer. E para desencanto geral todos relacionados
com a falta de ÉTICA. Que país é este?
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens
12 comentários:
Amigo é difícil! Bom dia
Ina Melo
Girley excelente análise .
Dulce Nadruz
Um verdadeiro absurdo, estão na cara de pau "estancar a sangria da lava jato" e os únicos partidos que foram contra a anistia ao caixa 2 foram PSOL e REDE. Essa é a hora dos caras pintadas voltarem às ruas e que temos pra em ação convidando as pessoas à isso é o Movimento oportunista Vem pra Rua...vamos, mas sem enganos, sem votar neles nas próximas eleições. E para quem defende partidos, acordem, se defende quem é a favor de anistiar caixa 2, é porque é condizente com corrupção. Gostando ou não do juiz Moro, temos que apoia-lo nesse momento, para que ele pegue gente corrupta de todos os partidos. Acorda Brasil!
Danyelle Monteiro
Girley amigo fico na dúvida sobre o assunto . Informo de que o INFHAN não parece o que é, basta avaliar o seu papel em Olinda !!!!!
Nena Burgos
Já nesse episódio, o herói Calero que denunciou o tráfico de influência, corre o risco de ser investigado pela PF. Enquanto isso esse presidente temeroso segue sem ser impichimado por crime de responsabilidade... Q país é esse?
Danyelle Monteiro
Já nesse episódio, o herói Calero que denunciou o tráfico de influência, corre o risco de ser investigado pela PF. Enquanto isso esse presidente temeroso segue sem ser impichimado por crime de responsabilidade... Q país é esse?
Danyelle Monteiro
Excelente primo você é a competência em pessoa bjs
Rosanilda Lucena
Amigo Girley.
Sua análise é completa. Precisamos ir às ruas sim. Não podemos deixar esse estado de coisas passarem em branco. Mas não acaba aí. Temos que estar atentos. Lembremos que nada vem de graça. A luta continua. Parabéns.
Acabo de deliciar-me com mais um irreparável e profícuo post do amigo. Não poderia denominar melhor que "um circo pegando fogo". Porém, vou resumir meu entendimento, dessa vez, em poucas linhas. O que está em chamas no Brasil, na verdade, é o modelo de gestão empregado nesse país desde sua Independência. O Brasil nunca deixou de ser governado pelo absolutismo monárquico, depois, republicano "de araque", claro.
Em seguida, outra praga nacional, aqui, mesmo se o preparo intelectual adequado, se tenta customizar tudo de bom que vem de fora. Todo e qualquer processo evolutivo que venha de fora tem que passar por uma "customização" ao nosso meio. Durante meus anos de experiência profissional, vi diversas tecnologias redutoras de custo e de melhoria de qualidade, serem jogadas na lata do lixo por se confrontarem com os costumes nacionais. Vou dar um exemplo, anos atrás, eu trouxe uma empresa americana que conseguia reciclar toda lama de esgoto que infestam nossos mananciais de água sem tratamento algum. Os cientistas mostraram que poderiam tirar +/- 10-15% de petróleo de nossas fezes e trouxeram amostra do combustível extraído. Também mostraram o que faziam com todos os componentes inorgânicos da lama de esgoto, e o adubo classe A que conseguiam retirar da parte orgânica. E suma, 100% do esgoto se transformava em materiais limpos, reciclados, e reutilizáveis. O resultado? Nada até hoje.
Resumindo, as medidas pretendidas como Teto de Gastos, Reforma da Previdência, Reforma Trabalhista, Repatriação de Fundos, mexem todas na superfície do problema central que é o tamanho e a ingerência do setor público na vida dos brasileiros. O problema está no setor público e em suas auto-proclamadas inserções na Economia. Os principais setores de atividades econômicas estão sob monopólio do governo que as disfarça como patrimônio nacional. Nosso subsolo pertence à Nação, a geração de combustíveis idem. A geração de energia, idem. A Logística por ar, terra, e mar, têm que ser concedidas e seus preços "controlados". A Educação Superior é gratuita, coisa que nem os EUA conseguem fazer. E, acima de tudo isso, se criou a figura da estabilidade no serviço público quando o fator trabalho depende do avanço tecnológico da ciência administrativa.
Estamos num circo pegando fogo. O setor público brasileiro está ardendo em chamas e estão, mais uma vez, querendo queimar todos nós juntos.
Que puedes esperar de un gobierno golpista?, son hombres movidos por intereses económicos, nunca por el bien de un país.
Susana Gonzalez
Mais uma vez, você foi brilhante na cruel realidade de "UM CIRCO PEGANDO FOGO".
Já compartilhei no Facebook.
Sinto muita tristeza pelo Brasil.
Vamos lutar para acabar com essa corja de ladrões corruptos ainda à solta na capital do País.
PARABÉNS, POR MAIS UM
BRILHANTE ARTIGO
Angela Cunha Barreto
Girley:
Tudo que você analisa e escreve e bem vindo. Em "Um circo pegando fogo", inclusive você se antecipou as fatos desta semana.Uma vergonha aquela votação da madrugada. Enquanto a gente chorava pelas vítimas do acidente aéreo, os nossos deputados estavam votando uma salvação para a própria pele. Um grande abraço ´ALMIR Reis
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