Há oito
anos, quando os norte-americanos elegeram Barack Obama presidente da república,
uma onda de otimismo e esperança varreu o mundo, mergulhado, naquela ocasião,
numa tremenda crise econômica, provocada pelo próprio país que ele governaria
dali pra frente. Com proposta democráticas e didaticamente bem postas foi tudo
quanto se desejava naquela época de incerteza. E, como fato emblemático, o
inusitado de se tratar de um negro ocupando a Casa Branca e se tornando o homem
mais forte do planeta. Em se tratando de Estados Unidos isto foi um espetacular
tento social. De fato, está se completando um tempo de governo relativamente
tranqüilo e bem avaliado e que já começa a deixar saudade. Governando com
minoria nas casas do Congresso, Obama foi político o suficiente para se sair
bem no filme. O Mundo, a estas horas, tira o chapéu para esse negro bonachão e
carismático que com uma família bonita e bem estruturada encerra, neste
momento, um período de governo bem sucedida. Se não conseguiu tirar,
totalmente, o país da ressaca da crise de 2008, pode se considerar que apontou
estratégias para esse alcance. Já há sinais de recuperação, a taxa de
desemprego tende a cair e o crescimento econômico vem sendo alcançado passo a
passo. No âmbito externo teve atuação louvável, sendo bem recebido por todos os
lados, não obstante haver de lidar com os conflitos devidos a onda de
terrorismo, ao famigerado Exército Islâmico e as ações beligerantes no Oriente
Médio.
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| A bem estruturada Família Obama |
Ao contrario
do panorama acima descrito, o que se vive no momento é uma apreensão global
diante do recente resultado das eleições com vistas à escolha de um novo
“inquilino” para a Casa Branca. A inesperada vitória do magnata Donald Trump,
abalou o mundo e, se a explosiva bateria de propostas de campanha desse eleito
vier a ser implementada, o mundo que se prepare para um tempo de turbulência
político-econômica pouco desejada neste inicio de século 21.
Empresário
de sucesso, capitalista visceral, perfil exacerbado de extrema direita, sem
qualquer experiência política e exercitando um discurso populista do anti-político
e nacionalista, esse cidadão driblou meio mundo, começando pela força da
situação do Partido Democrata, os analistas políticos internacionais, os
Institutos de Pesquisas e até boa parte do seu partido Republicano e conquistou
a vitória.
É quase inacreditável
que os Estados Unidos possa a vir a se fechar para o mundo como Trump prega. Será
um surpreendente retrocesso do tradicional modelo político Yankee. Abandonar o
Tratado do Atlântico Norte, se aliar aos russos de Putin e construir muros
divisórios na fronteira com o México, para impedir a entrada de imigrantes,
além de deportar os milhões de estrangeiros espalhados pelo seu território e
perseguir os mulçumanos impiedosamente são outros planos de seu governo.
No âmbito
econômico, o Senhor Trump ameaça dar tiro mortal em tudo quanto contribua para
a globalização econômica que se instaurou no passado recente – com ativa participação dos States – ao querer suspender
a participação do país nos acordos de livre comércio (odeia a ALCA), cancelar
acordos de comércio internacional assumidos por seus antecessores e impor
restrições a importações de produtos que venham prejudicar a produção estadunidense.
A ordem de Trump é construir um país mais forte e para os norte-americanos.
Esse discurso, inclusive, fez sucesso nas camadas de desempregados, que ainda
são muitas, e nos setores empresariais desbancados pela concorrência competente
de produtos importados. A China que se cuide.
Ah! Outra
coisa: sem acreditar na tese do aquecimento global, fez promessas – em tom
irônico – de que vai se afastar das cúpulas que discutam o clima e vai retirar os
Estados Unidos do Acordo de Paris. Pense que “lapa de doido”. Coisa de quem
nunca atuou no campo político.
Esse
inesperado quadro não passava pela cabeça de qualquer cidadão de são juízo.
Vive-se, portanto, uma apreensão global.
A expectativa
agora é que essas idéias tresloucadas encontrem fortes barreiras nos meios políticos
internacionais e doméstico, a começar pelo próprio Congresso Americano, ainda
que composto por maioria do partido dele. Aliás, o povo já vem protestando nas
ruas das grandes metrópoles norte-americanas.
Bom, coisas
como esta não passam em branco em determinados setores da comunidade internacional
e essa onda nacionalista de Trump, confere fôlego no meio do mundo, haja vista
a saída do Reino Unido da União Européia, com o resultado do recente Brexit e a
intenção velada de outros países de seguir o mesmo caminho. Já ouvi rumores de
movimentos na França e na Itália. Isto sem falar na Grécia que já esteve bem
balançada.
Aguardemos
para ver a História acontecendo.
NOTA: Fotos colhidas no Google Imagens

