domingo, 29 de março de 2015

Longe da Confusão

O começo desta semana foi, para mim, aos pés da Cordilheira dos Andes, na bela e pujante cidade de Santiago do Chile. Oportuno compromisso familiar levou-me até lá e, novamente, pude gozar da hospitalidade chilena, bem como de ter a chance de reapreciar de perto o resultado do bem sucedido modelo econômico que, vem sendo aplicado àquele país latino-americano. Portanto, estive longe da confusão de Pindorama, ainda que por pouco tempo. Nada melhor para arejar minha mente perplexa e sacolejada pelos transtornos políticos e econômicos que vivemos no Brasil de hoje.
O Chile, ao contrário, é seguramente a mais equilibrada economia do continente, na atualidade. Por quatro dias respirei progresso e tranquilidade política em meio a uma sociedade bem assistida e visivelmente melhor educada e politicamente esclarecida. O chileno é um povo bem politizado. Vejo isto, há algum tempo, graças a experiências profissionais ali desenvolvidas e visitas relativamente frequentes que faço ao país.

Os chilenos souberam adotar – com boa antecipação – um esquema econômico compatível com a rápida consolidação da globalização econômica. Desde o governo militar optaram por forte programa de reformas do Estado e por uma privatização de empresas estatais, coisa de difícil manejo, preservando apenas a que cuida da mineração, beneficiamento, transformação e comercialização do cobre, principal riqueza natural do país. A Previdência Social do país, por exemplo, é tocada pela iniciativa privada e o sucesso é indiscutível.  No setor do agronegócio os resultados são notáveis e a vitivinicultura é de fama mundial. Haja competitividade!
O processo das privatizações foi iniciado, ainda, por Pinochet (dezessete anos como ditador sanguinário e odioso) e, inteligentemente, concluído pelos governos civis após a redemocratização. Nada de dúvidas como ocorre no Brasil. O resultado dessa política é ter um  Governo hoje exercendo funções do Estado e articulador e promotor da ordem e do progresso nacional.
Estou falando de um dos países mais estáveis, ou o mais estável, e próspero da América do Sul. É de longe o melhor no que tange ao desenvolvimento humano – alto IDH de 0,822 (2013) (41º do mundo) –, competitividade comercial e economia mais globalizada do continente, liberdade econômica, taxas de juros civilizadas, carga tributária justa, sistema educacional seguro, estabilidade política e índices comparativamente baixos de pobreza. Isso tudo tendo como pano de fundo um elevado nível de liberdade de imprensa e arraigado espírito democrático. É o país latino-americano com o melhor PIB per capita, US$ 23.165,00 (medido pelo Poder de Paridade de Compra - PCC) o que diz muito bem sobre o estado de espírito do chileno comum. Andando por Santiago não se vê, desocupados limpadores de para-brisas nos semáforos e pedintes são muito poucos. Estes poucos, aliás, segundo fui informado por um taxista, são na maioria imigrantes bolivianos e peruanos desempregados que ultimamente adentram pelo Chile na busca de soluções de sobrevivência. Pode ter sido uma desculpa. Mas... Conversei com uma peruana, empregada doméstica na casa de família amiga, que pode expressar suas esperanças em remontar a vida com o marido e filho “num país de mais futuro”, no caso, o Chile. Por falar em taxista, tomei outra gozação por conta do rombo na Petrobrás. Ao volante e com muito bom humor meu condutor perguntou se eu era empregado da petroleira brasileira. Diante da minha negativa, disse se sentir aliviado por não precisar esconder a carteira de seus míseros Pesos Chilenos, bem na minha frente, ao lado da alavanca de marchas do taxi. Tive que rir, para não chorar. É, o Petrolão virou piada internacional. Uma vergonha. Lembram do meu diálogo com o motorista em Nova York, mês passado?
O progresso chileno, descrito rapidamente acima, é mais visível quando circulando pela capital chilena e sua área metropolitana. Largas e longas avenidas, além de vias expressas por todo lado. Estrutura urbana invejável. Tudo muito limpo e com coleta seletiva de lixo por todo canto. Transporte público bem ordenado, incluindo uma importante rede de metrô. Zero de engarrafamentos. Nada comparável com o Brasil de cidades inchadas, mal urbanizadas e despreparadas para abrigar tão grandes contingentes populacionais  despreparados para viver no padrão desmantelo. Bateu-me uma inveja...
O tempo passou rápido e como voltar é necessário, desembarquei ouvindo “o som surdo” da queda do Real frente ao Dólar americano e o prenúncio de publicação do “crescimento” do PIB em 2014, finalmente publicado pelo IBGE na sexta-feira (27.03.15): 0,1%. Que horror! E dão-se ao desplante de falar em pequeno crescimento. Meu Professor de Econometria (Telmo Maciel) dava como certo que 0,1 é o mesmo que ZERO e que 99% é o mesmo que 100%. Se vivo estivesse, daria boas gozadas nessa turminha fajuta de Brasília e que subestima a inteligência do eleitor. Quem me dera estar longe dessa confusão, por mais tempo.

NOTA: Imagens obtidas no Google Imagens

quinta-feira, 19 de março de 2015

Depois das Ruas

Confesso que fiquei aliviado diante do resultado das manifestações populares de domingo passado (15.03.15). Após uma expectativa duvidosa e lembrando-me de algumas objetivas ameaças, anunciadas por organizações pró-governo, vi um belo exercício de democracia. Comparável aos que ocorrem em países político e socialmente desenvolvidos, particularmente nos da Europa. Naturalmente que houve algum excesso, aqui ou acolá, mas isso é natural e fica por conta da heterogeneidade sócio-educativa brasileira. Aquilo que digo sempre: falta Educação neste país. De todo modo, os objetivos foram alcançados e acredito que o Governo ouviu e prestou muita atenção aos reclamos da Nação. Prova disso foi ver os imediatos pronunciamentos de representantes do Gabinete de Crise que Dona Dilma montou no Palácio do Planalto. Gabinete este que foi obrigado a levar em conta os recados dados desde a Sexta-Feira (13/03/15), pelas centrais sindicais, que não pouparam o Governo devido às reformas trabalhistas, e pelas multidões que em massa acorreram às ruas e avenidas das principais cidades brasileiras. Finalmente, milhões de brasileiros acordaram de uma “anestesia geral” e disseram alto das suas insatisfações.  
Já na segunda feira, a própria Presidente concedeu uma entrevista, transmitida para todo o Brasil, no qual reconheceu que erros foram cometidos pelo seu Governo. Indiscutivelmente, um ato de humildade inesperado para quem, por natureza pessoal, é orgulhosa e intransigente em tudo. Só que foi uma reação tardia. Ela não atinou no antes. Perdeu o time e agora vai ter que penar para colocar o “trem nos trilhos” outra vez, o que é claramente uma interrogação dolorosa.
Na verdade, o reconhecimento dos erros cometidos deve remontar aos que já vêm sendo cometidos pelo PT, desde o governo de Luis Inácio. Ao considerar que a crise de 2008, chegaria ao Brasil na forma de uma "marolinha" foi, sem dúvida, o erro inicial desse enorme bolodório no qual o país se meteu. Acho que Lula nunca ouviu dizer que “quando a economia dos Estados Unidos dá um espirro, a do Brasil cai numa tremenda gripe”. Imagine que o que aconteceu com Tio Sam foi mais do que um espirro. Sim, porque aquilo lá, em 2008, – o estouro da bolha imobiliária e suas desastradas consequências – foi uma “pneumonia das brabas” que até hoje os gringos estão tratando. Quanta inocência, meu Deus! Seria uma maravilha que o Brasil tivesse a autonomia econômica que essa gente imaginava.  
Na esteira da tal "marolinha", Luis Inácio empurrou nos peitos dos brasileiros um programa econômico arriscado, com uma bateria de incentivos fiscais, para ampliar o consumo das famílias e alavancar a produção industrial. Insustentável, simplesmente, por uma razão de ordem técnica. Desde cedo essa estratégia apontava para um momento em que o Governo viria buscar o perdido nos bolsos dos que inocentemente se entregaram ao instinto perdulário. Financiamentos de veículos em 75 meses, redução drástica das alíquotas de IPI desses mesmos veículos, além da linha branca, dos móveis e dos eletrodomésticos e, enfim, para tudo quanto rolava nos sonhos de consumo das camadas de renda C e D. Euforia ilimitada. Ora, minha gente, por que não cair nessa vibe?  Isso, sem falar nos preços represados dos combustíveis, na inadequada manobra eleitoral da redução das tarifas de energia, na sustentação de uma taxa de cambio irreal e, num sem número de outras medidas ousadas e mal estudadas. No dia em que “a casa caiu de vez”, logo após as eleições presidenciais do ano passado, os sinais mais evidentes da crise se ampliaram e o brasileiro mais desavisado acordou, enxergando, por fim, a roubada na qual foi metido. Mentiram desmedidamente, prometeram o impossível, para ganhar nas urnas de outubro passado e agora não sabem responder pela irresponsabilidade.
Resumo da ópera: o Brasil está numa tremenda recessão. A inadimplência das famílias é como nunca antes na história deste país e o que tem de devolução de imóveis, automóveis e artigos do lar não está no gibi. A economia tende a murchar, a indústria está sucateada e sofrendo a concorrência estrangeira, empresas estão fechando as portas, o desemprego está crescendo a taxas assustadoras e o comércio está às moscas. O medo do consumidor é a mais dura realidade de 2015. A inflação vem com toda força – já ultrapassou a meta dos 6,5% – e quem vai pagar caro pelos erros confessados por Dona Dilma é a população, sobretudo aqueles das camadas menos favorecidas. A bolsa do Bolsa Família vai ser insignificante no bolso do beneficiário. É um desalento geral. Bom, nem precisa lembrar que economia em crise provoca crise politica. 
O circo já pegou fogo na 4a. feira, em plena Praça dos Três Poderes, com o despautério e imaturidade política de Cid Gomes, Ministro da Educação.
Resta ver se Dona Dilma – com a popularidade lá em baixo, 13%! – vai conseguir virar esta mesa e restaurar o ânimo da população. Como? Não se sabe! Mas, é a única chance que ela e o PT têm agora. E que seja rápido, porque no dia 12 de Abril tem mais ruas e avenidas para o povo inundar o país de mais protestos.  

NOTA: Imagem obtida no Google Imagens


sexta-feira, 13 de março de 2015

Nação Dividida

Hoje ninguém duvida de que o Brasil enfrenta a sua maior crise político-institucional de todos os tempos. Agravada pela, também grave, crise econômica. Nunca antes, na história deste país, se ouviu falar em tantos escândalos no âmbito da administração pública, ameaçando a governabilidade, nem nunca se testemunhou tanta falta de decoro, ética e honestidade políticas.  Ao mesmo tempo, este governo conseguiu banalizar o exercício da corrupção a níveis inverossímeis. É asquerosa qualquer das confissões dos corruptos na CPI, em Brasília. Resultado é que nossas estruturas governamentais, de 39 ministérios, estão inchadas e administrativamente corroídas. Ninguém confia mais em nada. O Brasil não merecia passar por essa provação.
Embora quase todo mundo acreditasse, nunca me enganei com as promessas feitas pelo Partido dos Trabalhadores. Sobretudo na recente campanha presidencial. Nunca votei nos seus candidatos, simplesmente porque não confiei nas competências ou habilidades políticas desses. Pior, ainda, por conta dos pactos políticos que construíram ou foram obrigados a isto, formando uma base aliada de pouquíssima confiabilidade.  E, quando acrescentados a “esse caldo vergonhoso” os acordos políticos celebrados com governos populistas que se instalaram em vizinhos latino-americanos a situação se revelou mais grave e terminou remetendo nosso país a uma dimensão desfavorável no contexto internacional, justamente no momento em que a comunidade externa saudava o país como uma potencia emergente de muita pujança e potencialidade. Um blefe internacional! Após haver trilhado um caminho de progressos econômico e político favoráveis o Brasil de agora se vê numa desvantajosa posição, estacionado numa encruzilhada sem perspectivas imediatas.
É bem verdade que o país não vai se acabar porque é infinitamente maior do que o PT, mas, a Nação vai pagar caro – com muito suor e sacrifício – por não haver escolhido bem seus lideres. A conta vai chegar logo. Aliás, já começa a acontecer. Examine as que estão chegando e que são muito altas. Aumentos dos impostos, dos combustíveis, da energia elétrica, Real desvalorizado e em tudo que, como em cascata, se multiplica nas forças do mercado e vai arrancar aos pedaços o bolso do cidadão comum. A pobreza, foco da política petista, é que vai sentir mais duramente.

O povo vai às ruas neste final de semana. Acho ótimo que a nação se expresse e diga das suas insatisfações. Há os que vão defender a política do PT e os que vão condenar e exigir a queda da Presidente, através de uma renúncia ou de um impeachment. Sinceramente sou contra qualquer dessas duas coisas. Temo que haja uma ruptura do Estado Democrático. O caso agora é infinitamente mais delicado do que quando o Collor foi derrubado. A solução de continuidade não será tão tranquila quanto naquela época. Não se pode comparar a conta da compra irregular de uma FIAT Elba com o inacreditável rombo nos cofres da Petrobrás. Dona Dilma está sem saída e sendo “crucificada” por ser a figura de plantão no poder maior. Mas, é bom lembrar que ela não é a responsável única desse despautério reinante. Tem sido obrigada a responder por isto porque é a “porta-estandarte do Bloco”.   
Recentemente, assistindo ao trajeto desolador da Presidente, senti pena dela. Ora, minha gente, ela não tem o perfil exigido pelo cargo. Está claro. Não tem carisma, nem competência política necessária. É um projeto de liderança que não deu certo. Seu mentor, como na maioria das vezes, se enganou. Lula é o culpado! Não precisa ser uma técnica competente, como dizem ser, para assumir o papel que lhe foi confiado. Sou daqueles que admira e respeita as pessoas pelos ideais que defende, mesmo discordando das suas teses. Nossa Presidente é uma pessoa de opinião, formada com doutrinas rígidas e se tornou uma defensora imbatível de teorias políticas e modelos ultrapassadas de governar, comprovadamente equivocados no mundo inteiro. É uma dessas últimas pessoas românticas que sobrevivem, mundo afora, pensando que os regimes socialistas podem dar certo. E aqui no Brasil, por exemplo, nunca emplacou.
Com certa apreensão aguardo este próximo fim de semana (13 a 15/03), desejando que haja manifestações ordeiras – sou a favor das duas correntes – para que a Nação ainda que dividida  possa expressar seus descontentamentos, num legitimo exercício democrático.  

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

sábado, 7 de março de 2015

Nova York 2015

Chegar à Nova York é sempre um prazer, ainda que gelada e coberta de neve, num final de fevereiro. Embora muitos não concordem, acho bonito ver o Central Park branco, branco  e o lago congelado. As árvores estão despidas, depois que o Outono passou e levou suas roupagens. A imagem dos troncos escuros e visíveis contrasta com o branco da neve e reflete um cenário de indiscutível beleza. Beleza sóbria em cinzento ou sépia, claro... Mas, o que seria do branco se não houvesse o preto? Acredito que para aqueles que costumam frequentar as pistas de Cooper e os gramados daquele espaço, este período do inverno se constitui numa passagem negativa do ano. By the way, este inverno de N. York tem sua beleza e a neve é responsável por ela. Um detalhe a registrar: é interessante o fato de que, ainda em fevereiro, muitas ruas e avenidas conservam a iluminação normalmente usada no período natalino brasileiro com iluminação popularmente chamada de pisca-pisca aqui em Pindorama. Pensando bem, nada mais adequado para uma época em que o Sol acorda mais tarde e logo cedo se recolhe.  Além do mais, as microlâmpadas parecem substituir folhas, flores e frutos daquelas árvores que falei acima. (Vie fotos a seguir)



Poesias à parte, vamos ao que interessa na prática. Como falei no princípio, chegar à Nova York é sempre um prazer, o que é verdade. A sensação é de que estamos chagando num lugar onde o mundo acontece. E agora, então, que passado o auge da crise econômica que eclodiu em 2008, aquela da bolha imobiliária, os americanos já começam a sentir os efeitos da retomada do crescimento. Taxas de reações positivas dão o tom da situação. A economia já cresce, os empregos idem e o FED (o Banco Central Americano) já se programa para aumentar a taxa de juros que nesses últimos anos beirou o Zero por Cento, como estimulo ao consumo. Os americanos já vão ao mercado e o “império do consumo” volta abertamente ao seu costumeiro apogeu. É incrível observar como as ruas de Nova York estão cheias de pessoas carregando enormes sacolas de compras. Muitos, por enquanto, são brasileiros! E nesse último dia do presidente (16.02), quando os preços são estrategicamente reduzidos, a coisa se revela mais avassaladora. É uma reedição do famoso Black Friday de novembro. Muitas são as lojas que anunciam “pague uma e leve duas”. Até eu, que fui sem qualquer interesse de comprar, terminei capitulando. Paguei por uma calça jeans e levei duas. Isto se repete nos mais variados estabelecimentos comerciais, com os mais distintos tipos de produtos. E olhe que os preços, comparados aos do Brasil, já são vantajosos mesmo para quem paga uma e leva somente uma. Imagine levando duas. Mais incrível ainda, foi que houve lojas, numa das quais minha esposa entrou, escolheu a mercadoria e na hora de pagar a caixa avisou: “ao comprar este artigo, a Senhora pode escolher mais duas peças iguais pelo valor de uma”. Ela não entendeu direito e ficou impressionada. Tive que repetir duas vezes e convencê-la da realidade. Difícil prá ela foi eleger as cores disponíveis: levo azul ou vermelha? Ah! Não, preta eu já escolhi antes... Coisa de “louco”. Posso garantir que foi numa loja de grife bem desejada pelas consumidoras brasileiras. Aqui, no Recife, esses mesmos produtos chegam com preços inimagináveis nas lojas de grife dos Shoppings de luxo.
Pois é, andar esses dias por N. York, para quem está antenado, dá para sentir o cheiro da retomada do crescimento de Tio Sam, das costuras políticas internacionais no “fumacê” da ONU, detectar os burburinhos causados pelo New York Times e, enfim, sentir que é dali donde a locomotiva da economia mundial parte, embora que muitos torçam a cara a este fato. Sabem de nada, inocentes... Isto, mesmo considerando que o presidente Obama não esteja com o balão de todo inflado. Ele enfrenta um Congresso de maioria opositora e tem adotado medidas que não agradam a considerável parcela da população norte-americana.
E, por falar em New York Times, é indiscutível que este respeitado jornal norte-americano tem aberto largo espaço para reportar a atual crise político-econômica brasileira. Nosso país antes – recordo os anos 2012, 13 e 14 – incensado pelos progressos alcançados e pela situação privilegiada no cenário internacional, aparece agora como sendo um fiasco econômico e um blefe sem tamanho. Com razão, porque o que estamos vivendo neste momento de crise política, corrupção endêmica e descrédito geral, não poderia ser relato de outra forma.
Duas coisas vêm deixando “agachados” e sem palavras a nós brasileiros, quando circulando ultimamente em Nova York: uma sem muita gravidade, que é a gozação que fazem quanto ao placar de 7 x 1 que tomamos dos alemães, dentro de casa, na Copa do Mundo. É uma coisa que sai no xixi, embora haja quem se sinta humilhado. A outra, bem mais grave, é quando se diz que Brasil quer dizer Corrupção. Nada me doeu mais do que isto. É impressionante como o caso do Petrolão repercute nos Estados Unidos. Com ações desvalorizadas, na bolsa de Wall Street e classificação rebaixada pelas agencias de risco, a Petrobrás é tida como o maior covil de ladrões do mundo. Ouvi alguém dizer que nunca, na história da civilização moderna, se teve notícia de tamanha roubalheira. Os montantes de devolução de dólares roubados, pelos que confessaram o roubo – aqueles das delações premiadas – escandalizam o mundo. Um taxista que nos conduziu, certa noite, a um restaurante, quando soube da nossa procedência, abriu do verbo de tal maneira que tive vontade de pedir para parar antes do destino final. O cara estava tão bem informado que me deixou mudo e perturbado. Dormi mal, naquela noite. Como quem pretende descontar uma indignação, o sujeito arrasou com a Petrobrás, com a PTrália, com a dupla Lula e Dilma, considerando-os serem dois embustes, e frisou que o Pré-Sal é uma grande mentira. Já pensou que “saia justa”? Lembrou-se dos fundos de pensão norte-americanos que acreditaram na solidez da petroleira brasileira, e terminaram perderam milhões de Dólares, “Estes, aliás, já foram à Justiça porque a coisa não pode ficar como está. Querem o dinheiro de volta” arrematou o motorista com tom irado. Paguei ligeirinho a corrida, antes que ele puxasse um revólver, e fui jantar com a família. Mas, confesso que fui desgostoso com esse meu Brasil petista indecoroso. E, para piorar, ainda mais, suportar o frio congelante que fazia, capaz de produzir a arte que a foto a seguir mostra.
Espero voltar à Nova York noutras condições. Pode demorar, porque o Brasil não vai sair fácil dessa, mas espero voltar lá.

Nota: As fotos que ilustram a postagem são da autoria do Blogueiro.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Chicago, onde o vento faz a curva

Tenho visitado os Estados Unidos com certa frequência esses últimos anos. A mais recente, neste mês, foi durante a semana do carnaval passado. Fujo da agitação local e aproveito para fazer uma “reciclagem” cultural. Venho mantendo este hábito salutar, enquanto o Dólar não assumir cotações estratosféricas...  Entrei por Chicago e terminei em Nova York.
Esta é a estação do frio no Hemisfério Norte, que este ano foi atípico. Fala-se que está sendo o mais rigoroso dos últimos setenta anos. Até que gosto do frio, mas, cá prá nós, suportar -13 com sensação de -23ºC é de lascar. Lascar os lábios, a pele do rosto, das mãos e por onde o frio coseguir penetrar. Por mais abrigado que o sujeito esteja a parada é dura. Fui com a família (esposa, filhos e nora) e logo no primeiro dia concluímos que entramos numa gelada. Mas, tiramos de letra porque voltamos a salvo e sem nem mesmo uma gripe.
O espetáculo da neve caindo é belíssimo. Encanta quem não está habituado, como no nosso caso. Difícil, porém, é se locomover quando ela se acumula nas vias públicas. Vimos isso a cores, isto é, a branco e ao vivo, inúmeras vezes durante dez dias. A solução para se aquecer era correr e se abrigar numa loja, num café ou restaurante, nos museus e no que oferecesse abrigo. Não, não foi ruim. A experiência foi boa. Meus jovens filhos e nora se esbaldaram. E eu esbaldei-me vendo-os se esbaldando. Coisa de pai. Veja foto abaixo.
Escolhemos Chicago como entrada. Não a conhecíamos, até porque não é uma cidade de grande apelo turístico. O que vimos por lá nada se compara com Nova York, Las Vegas ou Miami/Orlando. Situada bem ao Norte do país, às margens do Lago de Michigan, em Illinois, pareceu-nos uma cidade de algum modo austera, com uma gente elegante circulando (a roupa de frio impõe um tom elegante), magníficos hotéis, grandes magazines e shoppings, restaurantes de alta categoria e de variedade interminável, inclusive com preços bem cômodos, melhores que Nova York, por exemplo. Dando uma caminhada na elegante Avenida Michigan é o bastante para comprovar.
O ambiente cultural foi que nos chamou a atenção. Teatros, Galerias e Academia de Artes e Ciências, Museus e a conhecida internacionalmente Universidade de Chicago, na qual se encontra a famosa Escola de Sociologia de Chicago, fundada em 1910 pelo historiador e sociólogo Albion W. Small, com apoio financeiro substancial do empresário John Davisson Rockfeller.
Entre os museus da cidade um especial destaque para o The Field Museum, (www.thefieldmuseum.com) um dos mais completos museus de História Natural do planeta, tendo como seu ícone e “recepcionista” o esqueleto mais completo, que se tem conhecimento, de um Dinossauro T-Rex, carinhosamente chamado de Sue (Vide foto a seguir).
Somente uma visita a esse museu já vale a ida a Chicago. Enfrentar o vento frio e a neve, de uma manhã de domingo, numa imensa fila para entrar foi o maior desafio para nós paus-de-arara.
De quebra, bem ao lado e no mesmo parque, o visitante tem a oportunidade de visitar o Shedd Aquarium,  ( www.sheddaquarium.org ) um dos mais belos que já visitei. Fantástico e imperdível. São 32.000 animais de 1.500 espécies, vivos e bulindo, enchendo a vista do público visitante.  Dá vontade de não sair de lá... Tubarões, arraias gigantescas, tartarugas, peixes ornamentais do mundo inteiro, inclusive da Amazônia, crocodilos, serpentes, pinguins, golfinhos e belugas, entre muitas outras espécies de todos os portes. A sessão das algas marinhas é um poema da natureza. É um troço inesquecível. Indo por lá, não deixe de visitá-lo.
Venta muito naquela região e Chicago é denominada a Cidade dos Ventos (The Wind city). A coisa é de tal maneira que logo entendi que é lá, exatamente, o tal lugar onde o vento faz a curva. Sempre ouvi falar mas, somente agora o descobri.
Na passagem do milênio a cidade ganhou um sensacional espaço público, o agora já famoso Parque Millennium. Foi ali onde mais sentimos o vento fazendo a curva nas nossas costas. O ícone ali é uma imensa escultura metálica brilhante de uma semente de feijão (The giant bean) e que virou cartão postal da cidade. Pense num troço bem bolado (Veja a foto a seguir).
Pela beleza plástica e pelo efeito que gera nas imagens espelhadas, sobretudo as dos visitantes, o local está sempre repleto de curiosos. É o feijão mais fotografado do mundo. Além do feijão gigante, o parque está repleto de outras esculturas e construções de vanguarda assinadas por arquitetos de renome internacional (Vide a foto abaixo).
Um capítulo a parte é um passeio de barco pelo rio Chicago, que corta a cidade e oferece excelentes visões da metrópole. Não pudemos fazer devido ao tempo rigoroso e os barcos encalhados no rio congelado. Observe a foto a seguir.
No item gastronomia o visitante não se perde e passa muito bem. Sempre digo que se come bem nos Estados Unidos, ao contrário do que se comenta. Como uma sugestão, uma boa ideia é dar um giro na Old City, um bairro onde se originou a cidade, que oferece uma bela visão arquitetônica e uma série de excelentes restaurantes. Fomos andar por lá e nossa opção foi jantar num italiano, o Topo Gigio, bem recomendado e, segundo as fotos exibidas nas paredes, frequentado por estrelas de Hollywood e luminares da literatura e política norte-americana. Obama está entre os visitantes fotografados. Ambiente aconchegante, comida impecável (peça de entrada uma tortelline in brodo) e com preços accessíveis.
Também em Chicago a chance de se escutar um bom jazz e blues. Inúmeros são os bares e pubs onde se executa o melhor do gênero. Para quem gosta, como no meu caso, é “prato cheio”. Tivemos a oportunidade de curtir, por duas noites e no nosso mesmo hotel, as audições de voz e guitarra, com Elaine Dame e Andy Brown. Ela com uma extraordinária voz bem típica das cantoras norte-americanas e ele um exímio guitarrista e baixista, executando solos pouco comuns.
Dizem, e concordo, que Chicago é uma das mais cultas e genuínas cidades dos Estados Unidos. Dá para sentir ao visitá-la. Saímos de lá com o gostinho de quero mais. Quem sabe outro dia. Mas, no verão ou outono que, segundo descreveram, a cidade é deslumbrante e apaixonante.

NOTA: As fotos que ilustram a postagem são da autoria do Blogueiro.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Campeões da Indisciplina

É interessante como, no Brasil, sempre se persegue qualquer título de campeão. Até mesmo os menos recomendáveis, como foi o caso da mais recente aferição do grau de comportamento de alunos em sala de aula, através de um estudo realizado pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento), sobre o Ensino e Aprendizagem em vários países de diferentes continentes. A intenção do trabalho, Teaching and Learning Internaational Survey – TALIS,  foi o de coletar dados comparáveis internacionalmente sobre o ambiente de aprendizagem e as condições de trabalho dos professores. Foram pesquisados 34 países, entre os quais o Brasil, que, para variar, “saiu muito feio na fotografia”.
Tive a curiosidade de conhecer os resultados do trabalho e me detive, particularmente, no item que conferiu aos meninos do Brasil a “taça de ouro”.  A razão dessa “conquista” foi selada  com a constatação de que, em 2013, professores brasileiros afirmaram haver gasto, em media, 20% do tempo disponível em sala de aula para manter a ordem e a disciplina. Aliás, nossos meninos se tornaram, dessa vez, bicampeões! Em 2008 o percentual atingido foi de 18%. Ocorreu, portanto, uma “melhora”, quero dizer, uma piora na taxa. No Chile, também incluido no estudo, esse percentual foi de 15%. As melhores taxas ficaram com paises situados por trás da antiga Cortina de Ferro, entre os quais Polonia, Romenia e Bulgária, com percentuais medios de 8%. Compreensivel, aliás. Já andei por aquelas bandas e me recordo das carinhas tímidas da meninada se dirigindo às escolas. Faço ideia de como sejam nas salas de aula.
Corroborando para o entendimento deste resultado, 65% dos professores do primeiro ciclo no Brasil dizem ter mais de 10% de alunos de mau comportamento. Veja que, observando bem, trata-se de um número preocupante. Cruze estes dois percentuais e faça ideia própria da situação. Diante de um quadro dessa magnitude cabe uma pergunta: que tipo de cidadão está sendo preparando para o país do futuro?
No Chile e no México, dois países latino-americanos incluídos no estudo, o mesmo percentual dos professores é em torno dos 50%. Embora ainda seja muito alto, é relativamente melhor do que no Brasil. Para que se tenha uma noção referencial, no Japão apenas 13% dos professores relataram este tipo de problema.
Acredito que esta questão de indisciplina em sala de aula é um reflexo da educação recebida em casa. Sempre achei que é no ambiente familiar que se forja o cidadão de bem. Onde não há ordem, nem disciplina, não pode haver progresso.  Claro que, no caso do Brasil e, também, dos outros dois países latino-americanos os níveis de pobreza concorrem para a desorganização das famílias e, num contexto assim, é mais difícil dar disciplina. Percebo que há muito liberalismo na educação doméstica de hoje em dia, quando tudo é permitido para não traumatizar a criança e não gerar cobranças no futuro. Nunca aceitei tranquilamente essas “modernidades”. Pais jovens administram o dilema de orientar à moderna seus filhos e desconfio que muitos estejam cometendo equívocos irreparáveis.
Achei interessante, esta semana, quando Francisco, o do Vaticano, saiu-se com um pronunciamento que causou o maior rebuliço nos meios pedagógicos e psicológicos do mundo, ao defender a tese de que uma palmadinha não prejudica a formação de nenhuma criança. E arrematou: sem violência e indignidade. Concordo e acredito que, pelo contrário, pode ensinar o que é certo e errado de modo bem pragmático. Logo apareceu alguém taxativo, numa rede social, concordando com o Papa e alertando para algo muito comum no Brasil: quem não leva uma palmadinha no bum-bum, quando criança, pode terminar colhendo uma bala fatal na juventude.
Esses indisciplinados das escolas de hoje são aqueles que foram, certamente, poupados de boas palmadas na infância ou foram criados em ambientes familiares desestruturados, como muitos, Brasil afora. Vai ver que os países em que os problemas são registrados com índices de menores monta – caso do Japão – exigem-se mais ordem e disciplina no seio da família. Bom, isto é, também, uma questão de cultura.
Depois disso tudo, lembro de um dito muitas vezes repetido pela minha finada mãe:“é do pequeno que se faz um grande”
A referida Pesquisa TALIS é bem mais profunda ao explorar outros aspectos importantes no setor educacional do mundo, incluindo as questões de formação dos professores. Vale à pena conhecer. Caso seja do seu interesse clique em: talis.inep.gov.br/talis

 Nota: Foto obtida no Google Imagens

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Não dá prá calar

Eu havia assumido o propósito de que, este ano, não faria qualquer alusão e, sobretudo, critica ao que se planeja para o carnaval do Recife. Comodidade, talvez. Na verdade, cansaço de desempenhar um papel de “andorinha solitária a tentar fazer verão”. Mas, não dá prá calar.
Quem acompanha minhas postagens aqui no Blog sabe que, nos anos recentes, não medi palavras para condenar o despautério que se instalou na programação oficial dos festejos de Momo na capital do frevo e do maracatu. Numa visão equivocada as autoridades de plantão e os organizadores dos festejos se afastaram de modo desmedido das referências carnavalescas e culturais do estado prestando um dos maiores desserviços à cultura pernambucana.
O resultado está aí: criou-se uma geração de pernambucanos que rejeitam o frevo, nas suas diferentes modalidades, e entendem que a Axé Music é a mais pura manifestação pernambucana. Culpa de quem idealizou os famigerados Recifolia – extintos em boa hora – e a administração petista que privilegiou a contratação de toda sorte de cantores do sul, da Bahia e de alhures para “animar” o nosso carnaval, em detrimento dos valores – incomparavelmente melhores – dos músicos e cantores pernambucanos.
Estas semanas que antecedem o carnaval de 2015, tenho tido noticias que são desanimadoras para quem, como eu, defende as tradições locais: a primeira foi que Ivete Sangalo “abalou” no Bal Masqué do Clube Internacional. Vejam vocês que viveram os magníficos carnavais dos anos 70 e 80 e que conheceram o Baile que se realizava àquela época, a que ponto chegou a coisa. Hoje é: pagou entrou e a festa/show acontece na área externa, onde antes havia uma piscina e agora aterrada, certamente de propósito para receber grande público. Transformaram o considerado mais antigo e tradicional baile de carnaval do Brasil num conhecido show da estrela do Axé Music. Nada contra a Sangalo... ela tem seu valor artístico e é uma consagração. Mas, sei de pessoas que foram lá apenas para assistir a apresentação da cantora e que não suportaram quando uma orquestra local tocou um autentico frevo pernambucano. Ou seja, o baile perdeu o seu original sentido. Está descaracterizado. Irritante mesmo foi quando na conversa com uma “foliã” que esteve nesse show e tentou convencer-me que a Axé Music é frevo. “Frevo baiano, meu caro!” afirmou com veemência. Detalhe: é uma pernambucana! Não sei se tive vontade de rir ou de chorar.
Outra noticia que me chamou atenção foi sobre a situação de penúria, que atinge os mais tradicionais clubes carnavalescos que sempre fizeram o belo carnaval de rua do Recife. O Diário de Pernambuco acaba de publicar uma série de reportagens focando o assunto. O Bola de Ouro, que é a agremiação homenageada, deste carnaval, pela Prefeitura do Recife, está tão ruim de vida que nem uma sede própria tem. A atual presidente, Luiza Ramalho, – uma verdadeira pernambucana – tem se desdobrado para manter viva a agremiação, fazendo da própria casa a sede e atelier de fantasias para o Clube sair no carnaval. Mulher dos seus quase 80 anos, cheia de entusiasmo, já delegou ao filho, Robervaldo, a missão de sucedê-la. Vai ter que rebolar... Já a filha, Rosalice, sem cerimônia declara não querer saber de assumir a tarefa. Vai ver que ela é do time dos inconscientes que detestam o frevo e prefere o Axé.

Pior mesmo é que o Bola de Ouro não está sozinho na zona da pindaíba. Outros vários estão “à míngua”, entre os quais os históricos Batutas de São José, Vassourinhas, Lenhadores, Amantes das Flores, Inocentes do Rosarinho, Banhistas do Pina, Madeira do Rosarinho e tantas outras agremiações que fazem o verdadeiro carnaval do povo e contam a história das nossas tradições. A estes cabem, apenas, magras subvenções que nem de longe cobrem os custos de manutenção e, sobretudo, dos desfiles nos dias de carnaval. Agora, pergunte se falta verba para pagar os altos cachês dos cantores de fora. Até mesmo alguns se dizem ignorantes sobre frevo, maracatu e caboclinhos.   
Sabe o que é isto? Falta de visão histórico-cultural e inteligência gestora nos que vêm promovendo e organizando o nosso carnaval para – a exemplo dos baianos – incentivar, apoiar, valorizar o que temos na “prataria” da casa.
Dois anos passados alimentei muita esperança com a entrada de uma nova administração municipal. Chegaram dando sinais positivos, fizeram algumas modificações, mas, não foi o suficiente. Capricham na alegoria e enredo da decoração da cidade, mas, pecam na evolução do evento. Por “milagre” o Baile Municipal preserva os valores locais e foge das “importações descabíveis”. Até o aclamado Galo da Madrugada já se bandeia muito para os ritmos alienígenas e termina agradando aos que têm saudades da Micareta do Recifolia. É difícil...
Bom, pensando bem, quem vive intensamente o carnaval é a juventude e esta já foi capitulada. Agora, pode ser tarde.
Saudosismo ou viés de opositor político? Nada disto! Quem não preserva seus valores históricos não tem futuro e limita-se a viver o presente dos outros. Não dá prá calar.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens. 

 

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...