sábado, 28 de fevereiro de 2015

Chicago, onde o vento faz a curva

Tenho visitado os Estados Unidos com certa frequência esses últimos anos. A mais recente, neste mês, foi durante a semana do carnaval passado. Fujo da agitação local e aproveito para fazer uma “reciclagem” cultural. Venho mantendo este hábito salutar, enquanto o Dólar não assumir cotações estratosféricas...  Entrei por Chicago e terminei em Nova York.
Esta é a estação do frio no Hemisfério Norte, que este ano foi atípico. Fala-se que está sendo o mais rigoroso dos últimos setenta anos. Até que gosto do frio, mas, cá prá nós, suportar -13 com sensação de -23ºC é de lascar. Lascar os lábios, a pele do rosto, das mãos e por onde o frio coseguir penetrar. Por mais abrigado que o sujeito esteja a parada é dura. Fui com a família (esposa, filhos e nora) e logo no primeiro dia concluímos que entramos numa gelada. Mas, tiramos de letra porque voltamos a salvo e sem nem mesmo uma gripe.
O espetáculo da neve caindo é belíssimo. Encanta quem não está habituado, como no nosso caso. Difícil, porém, é se locomover quando ela se acumula nas vias públicas. Vimos isso a cores, isto é, a branco e ao vivo, inúmeras vezes durante dez dias. A solução para se aquecer era correr e se abrigar numa loja, num café ou restaurante, nos museus e no que oferecesse abrigo. Não, não foi ruim. A experiência foi boa. Meus jovens filhos e nora se esbaldaram. E eu esbaldei-me vendo-os se esbaldando. Coisa de pai. Veja foto abaixo.
Escolhemos Chicago como entrada. Não a conhecíamos, até porque não é uma cidade de grande apelo turístico. O que vimos por lá nada se compara com Nova York, Las Vegas ou Miami/Orlando. Situada bem ao Norte do país, às margens do Lago de Michigan, em Illinois, pareceu-nos uma cidade de algum modo austera, com uma gente elegante circulando (a roupa de frio impõe um tom elegante), magníficos hotéis, grandes magazines e shoppings, restaurantes de alta categoria e de variedade interminável, inclusive com preços bem cômodos, melhores que Nova York, por exemplo. Dando uma caminhada na elegante Avenida Michigan é o bastante para comprovar.
O ambiente cultural foi que nos chamou a atenção. Teatros, Galerias e Academia de Artes e Ciências, Museus e a conhecida internacionalmente Universidade de Chicago, na qual se encontra a famosa Escola de Sociologia de Chicago, fundada em 1910 pelo historiador e sociólogo Albion W. Small, com apoio financeiro substancial do empresário John Davisson Rockfeller.
Entre os museus da cidade um especial destaque para o The Field Museum, (www.thefieldmuseum.com) um dos mais completos museus de História Natural do planeta, tendo como seu ícone e “recepcionista” o esqueleto mais completo, que se tem conhecimento, de um Dinossauro T-Rex, carinhosamente chamado de Sue (Vide foto a seguir).
Somente uma visita a esse museu já vale a ida a Chicago. Enfrentar o vento frio e a neve, de uma manhã de domingo, numa imensa fila para entrar foi o maior desafio para nós paus-de-arara.
De quebra, bem ao lado e no mesmo parque, o visitante tem a oportunidade de visitar o Shedd Aquarium,  ( www.sheddaquarium.org ) um dos mais belos que já visitei. Fantástico e imperdível. São 32.000 animais de 1.500 espécies, vivos e bulindo, enchendo a vista do público visitante.  Dá vontade de não sair de lá... Tubarões, arraias gigantescas, tartarugas, peixes ornamentais do mundo inteiro, inclusive da Amazônia, crocodilos, serpentes, pinguins, golfinhos e belugas, entre muitas outras espécies de todos os portes. A sessão das algas marinhas é um poema da natureza. É um troço inesquecível. Indo por lá, não deixe de visitá-lo.
Venta muito naquela região e Chicago é denominada a Cidade dos Ventos (The Wind city). A coisa é de tal maneira que logo entendi que é lá, exatamente, o tal lugar onde o vento faz a curva. Sempre ouvi falar mas, somente agora o descobri.
Na passagem do milênio a cidade ganhou um sensacional espaço público, o agora já famoso Parque Millennium. Foi ali onde mais sentimos o vento fazendo a curva nas nossas costas. O ícone ali é uma imensa escultura metálica brilhante de uma semente de feijão (The giant bean) e que virou cartão postal da cidade. Pense num troço bem bolado (Veja a foto a seguir).
Pela beleza plástica e pelo efeito que gera nas imagens espelhadas, sobretudo as dos visitantes, o local está sempre repleto de curiosos. É o feijão mais fotografado do mundo. Além do feijão gigante, o parque está repleto de outras esculturas e construções de vanguarda assinadas por arquitetos de renome internacional (Vide a foto abaixo).
Um capítulo a parte é um passeio de barco pelo rio Chicago, que corta a cidade e oferece excelentes visões da metrópole. Não pudemos fazer devido ao tempo rigoroso e os barcos encalhados no rio congelado. Observe a foto a seguir.
No item gastronomia o visitante não se perde e passa muito bem. Sempre digo que se come bem nos Estados Unidos, ao contrário do que se comenta. Como uma sugestão, uma boa ideia é dar um giro na Old City, um bairro onde se originou a cidade, que oferece uma bela visão arquitetônica e uma série de excelentes restaurantes. Fomos andar por lá e nossa opção foi jantar num italiano, o Topo Gigio, bem recomendado e, segundo as fotos exibidas nas paredes, frequentado por estrelas de Hollywood e luminares da literatura e política norte-americana. Obama está entre os visitantes fotografados. Ambiente aconchegante, comida impecável (peça de entrada uma tortelline in brodo) e com preços accessíveis.
Também em Chicago a chance de se escutar um bom jazz e blues. Inúmeros são os bares e pubs onde se executa o melhor do gênero. Para quem gosta, como no meu caso, é “prato cheio”. Tivemos a oportunidade de curtir, por duas noites e no nosso mesmo hotel, as audições de voz e guitarra, com Elaine Dame e Andy Brown. Ela com uma extraordinária voz bem típica das cantoras norte-americanas e ele um exímio guitarrista e baixista, executando solos pouco comuns.
Dizem, e concordo, que Chicago é uma das mais cultas e genuínas cidades dos Estados Unidos. Dá para sentir ao visitá-la. Saímos de lá com o gostinho de quero mais. Quem sabe outro dia. Mas, no verão ou outono que, segundo descreveram, a cidade é deslumbrante e apaixonante.

NOTA: As fotos que ilustram a postagem são da autoria do Blogueiro.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Campeões da Indisciplina

É interessante como, no Brasil, sempre se persegue qualquer título de campeão. Até mesmo os menos recomendáveis, como foi o caso da mais recente aferição do grau de comportamento de alunos em sala de aula, através de um estudo realizado pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento), sobre o Ensino e Aprendizagem em vários países de diferentes continentes. A intenção do trabalho, Teaching and Learning Internaational Survey – TALIS,  foi o de coletar dados comparáveis internacionalmente sobre o ambiente de aprendizagem e as condições de trabalho dos professores. Foram pesquisados 34 países, entre os quais o Brasil, que, para variar, “saiu muito feio na fotografia”.
Tive a curiosidade de conhecer os resultados do trabalho e me detive, particularmente, no item que conferiu aos meninos do Brasil a “taça de ouro”.  A razão dessa “conquista” foi selada  com a constatação de que, em 2013, professores brasileiros afirmaram haver gasto, em media, 20% do tempo disponível em sala de aula para manter a ordem e a disciplina. Aliás, nossos meninos se tornaram, dessa vez, bicampeões! Em 2008 o percentual atingido foi de 18%. Ocorreu, portanto, uma “melhora”, quero dizer, uma piora na taxa. No Chile, também incluido no estudo, esse percentual foi de 15%. As melhores taxas ficaram com paises situados por trás da antiga Cortina de Ferro, entre os quais Polonia, Romenia e Bulgária, com percentuais medios de 8%. Compreensivel, aliás. Já andei por aquelas bandas e me recordo das carinhas tímidas da meninada se dirigindo às escolas. Faço ideia de como sejam nas salas de aula.
Corroborando para o entendimento deste resultado, 65% dos professores do primeiro ciclo no Brasil dizem ter mais de 10% de alunos de mau comportamento. Veja que, observando bem, trata-se de um número preocupante. Cruze estes dois percentuais e faça ideia própria da situação. Diante de um quadro dessa magnitude cabe uma pergunta: que tipo de cidadão está sendo preparando para o país do futuro?
No Chile e no México, dois países latino-americanos incluídos no estudo, o mesmo percentual dos professores é em torno dos 50%. Embora ainda seja muito alto, é relativamente melhor do que no Brasil. Para que se tenha uma noção referencial, no Japão apenas 13% dos professores relataram este tipo de problema.
Acredito que esta questão de indisciplina em sala de aula é um reflexo da educação recebida em casa. Sempre achei que é no ambiente familiar que se forja o cidadão de bem. Onde não há ordem, nem disciplina, não pode haver progresso.  Claro que, no caso do Brasil e, também, dos outros dois países latino-americanos os níveis de pobreza concorrem para a desorganização das famílias e, num contexto assim, é mais difícil dar disciplina. Percebo que há muito liberalismo na educação doméstica de hoje em dia, quando tudo é permitido para não traumatizar a criança e não gerar cobranças no futuro. Nunca aceitei tranquilamente essas “modernidades”. Pais jovens administram o dilema de orientar à moderna seus filhos e desconfio que muitos estejam cometendo equívocos irreparáveis.
Achei interessante, esta semana, quando Francisco, o do Vaticano, saiu-se com um pronunciamento que causou o maior rebuliço nos meios pedagógicos e psicológicos do mundo, ao defender a tese de que uma palmadinha não prejudica a formação de nenhuma criança. E arrematou: sem violência e indignidade. Concordo e acredito que, pelo contrário, pode ensinar o que é certo e errado de modo bem pragmático. Logo apareceu alguém taxativo, numa rede social, concordando com o Papa e alertando para algo muito comum no Brasil: quem não leva uma palmadinha no bum-bum, quando criança, pode terminar colhendo uma bala fatal na juventude.
Esses indisciplinados das escolas de hoje são aqueles que foram, certamente, poupados de boas palmadas na infância ou foram criados em ambientes familiares desestruturados, como muitos, Brasil afora. Vai ver que os países em que os problemas são registrados com índices de menores monta – caso do Japão – exigem-se mais ordem e disciplina no seio da família. Bom, isto é, também, uma questão de cultura.
Depois disso tudo, lembro de um dito muitas vezes repetido pela minha finada mãe:“é do pequeno que se faz um grande”
A referida Pesquisa TALIS é bem mais profunda ao explorar outros aspectos importantes no setor educacional do mundo, incluindo as questões de formação dos professores. Vale à pena conhecer. Caso seja do seu interesse clique em: talis.inep.gov.br/talis

 Nota: Foto obtida no Google Imagens

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Não dá prá calar

Eu havia assumido o propósito de que, este ano, não faria qualquer alusão e, sobretudo, critica ao que se planeja para o carnaval do Recife. Comodidade, talvez. Na verdade, cansaço de desempenhar um papel de “andorinha solitária a tentar fazer verão”. Mas, não dá prá calar.
Quem acompanha minhas postagens aqui no Blog sabe que, nos anos recentes, não medi palavras para condenar o despautério que se instalou na programação oficial dos festejos de Momo na capital do frevo e do maracatu. Numa visão equivocada as autoridades de plantão e os organizadores dos festejos se afastaram de modo desmedido das referências carnavalescas e culturais do estado prestando um dos maiores desserviços à cultura pernambucana.
O resultado está aí: criou-se uma geração de pernambucanos que rejeitam o frevo, nas suas diferentes modalidades, e entendem que a Axé Music é a mais pura manifestação pernambucana. Culpa de quem idealizou os famigerados Recifolia – extintos em boa hora – e a administração petista que privilegiou a contratação de toda sorte de cantores do sul, da Bahia e de alhures para “animar” o nosso carnaval, em detrimento dos valores – incomparavelmente melhores – dos músicos e cantores pernambucanos.
Estas semanas que antecedem o carnaval de 2015, tenho tido noticias que são desanimadoras para quem, como eu, defende as tradições locais: a primeira foi que Ivete Sangalo “abalou” no Bal Masqué do Clube Internacional. Vejam vocês que viveram os magníficos carnavais dos anos 70 e 80 e que conheceram o Baile que se realizava àquela época, a que ponto chegou a coisa. Hoje é: pagou entrou e a festa/show acontece na área externa, onde antes havia uma piscina e agora aterrada, certamente de propósito para receber grande público. Transformaram o considerado mais antigo e tradicional baile de carnaval do Brasil num conhecido show da estrela do Axé Music. Nada contra a Sangalo... ela tem seu valor artístico e é uma consagração. Mas, sei de pessoas que foram lá apenas para assistir a apresentação da cantora e que não suportaram quando uma orquestra local tocou um autentico frevo pernambucano. Ou seja, o baile perdeu o seu original sentido. Está descaracterizado. Irritante mesmo foi quando na conversa com uma “foliã” que esteve nesse show e tentou convencer-me que a Axé Music é frevo. “Frevo baiano, meu caro!” afirmou com veemência. Detalhe: é uma pernambucana! Não sei se tive vontade de rir ou de chorar.
Outra noticia que me chamou atenção foi sobre a situação de penúria, que atinge os mais tradicionais clubes carnavalescos que sempre fizeram o belo carnaval de rua do Recife. O Diário de Pernambuco acaba de publicar uma série de reportagens focando o assunto. O Bola de Ouro, que é a agremiação homenageada, deste carnaval, pela Prefeitura do Recife, está tão ruim de vida que nem uma sede própria tem. A atual presidente, Luiza Ramalho, – uma verdadeira pernambucana – tem se desdobrado para manter viva a agremiação, fazendo da própria casa a sede e atelier de fantasias para o Clube sair no carnaval. Mulher dos seus quase 80 anos, cheia de entusiasmo, já delegou ao filho, Robervaldo, a missão de sucedê-la. Vai ter que rebolar... Já a filha, Rosalice, sem cerimônia declara não querer saber de assumir a tarefa. Vai ver que ela é do time dos inconscientes que detestam o frevo e prefere o Axé.

Pior mesmo é que o Bola de Ouro não está sozinho na zona da pindaíba. Outros vários estão “à míngua”, entre os quais os históricos Batutas de São José, Vassourinhas, Lenhadores, Amantes das Flores, Inocentes do Rosarinho, Banhistas do Pina, Madeira do Rosarinho e tantas outras agremiações que fazem o verdadeiro carnaval do povo e contam a história das nossas tradições. A estes cabem, apenas, magras subvenções que nem de longe cobrem os custos de manutenção e, sobretudo, dos desfiles nos dias de carnaval. Agora, pergunte se falta verba para pagar os altos cachês dos cantores de fora. Até mesmo alguns se dizem ignorantes sobre frevo, maracatu e caboclinhos.   
Sabe o que é isto? Falta de visão histórico-cultural e inteligência gestora nos que vêm promovendo e organizando o nosso carnaval para – a exemplo dos baianos – incentivar, apoiar, valorizar o que temos na “prataria” da casa.
Dois anos passados alimentei muita esperança com a entrada de uma nova administração municipal. Chegaram dando sinais positivos, fizeram algumas modificações, mas, não foi o suficiente. Capricham na alegoria e enredo da decoração da cidade, mas, pecam na evolução do evento. Por “milagre” o Baile Municipal preserva os valores locais e foge das “importações descabíveis”. Até o aclamado Galo da Madrugada já se bandeia muito para os ritmos alienígenas e termina agradando aos que têm saudades da Micareta do Recifolia. É difícil...
Bom, pensando bem, quem vive intensamente o carnaval é a juventude e esta já foi capitulada. Agora, pode ser tarde.
Saudosismo ou viés de opositor político? Nada disto! Quem não preserva seus valores históricos não tem futuro e limita-se a viver o presente dos outros. Não dá prá calar.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens. 

 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Salvemos o Planeta Terra

Falar de seca no Nordeste do Brasil, desculpe o trocadilho, é como “chover no molhado”. Aqui, o fenômeno das longas estiagens é coisa de rotina. É histórico. Eu teria uma infinidade de episódios, que vi ou ouvi falar, a relatar por conviver com a situação, desde criança. Primeiro porque sou de uma família originária de uma região que padece do problema e depois porque trabalhei, por 33 anos, numa agencia do Governo Federal (SUDENE) cuja missão precípua foi combater os efeitos danosos da falta de água na Região.  
Hoje, quando vejo o clamor de localidades que nunca se importaram com esse tipo de fenômeno, como é o caso da cidade de São Paulo, entendo muito melhor sobre a necessidade que se exige no administrar os recursos hídricos, irresponsavelmente relegados ao último plano como se elásticos fossem ad infinitum.
Mas, reconheçamos, que não foi por falta de avisos! Os considerados catastróficos ambientalistas vêm, por bom tempo, alertando para as mudanças climáticas decorrentes do desregrado abuso do uso dos recursos naturais ao redor do planeta. Não sou especialista em nada disso, mas, leio e me interesso pelo tema. Pensando bem, a mídia nos informa a toda hora. Sabe-se que há países como, China e Estados Unidos, que não abdicam dos processos de produção poluentes e prejudiciais ao ecossistema global, priorizando sempre o Capital. Visitando estes países pude entender as preocupações dos estudiosos, assim como percebo o tamanho do problema que ocorre atualmente em São Paulo. Sinto na pele quando ando por lá.
A devastação da floresta amazônica, para exploração da madeira, e a exploração irresponsável da mata ciliar (ciliar vem de cílios) de rios brasileiros, entre os quais o São Francisco, estão dando respostas concretas e severas aos brasileiros. Falta água em muitos pontos do Sudeste porque faltam chuvas e faltam chuvas porque faltam florestas. As árvores são responsáveis pela produção de nuvens (fala-se de rios verticais) a se precipitarem sobre o sistema ecológico. Daí a origem lógica dos mananciais do passado. Eu disse passado, com tristeza e, pensando bem, é melhor ficar por aqui, porque é assunto para especialista explicar. Prefiro comentar sobre o resultado de um Estudo publicado recentemente, pela Universidade Federal de Pernambuco e CREA-PE com apoio de outras entidades, entre as quais o Rotary International.
Obras Hídricas para Convivência com a Seca (in Cadernos do Semiárido) é o titulo do trabalho que foi realizado pelo especialista pernambucano, Waldir Duarte Costa. Neste Estudo, deparei-me com duas informações preocupantes e que alerta para uma futura escassez absoluta de água em vários pontos do Planeta. A primeira informação: 11 países, desde a década de 90, sofrem severamente de escassez de água. No Kwait a disponibilidade de água para consumo humano já era praticamente nula naquela década. A República de Malta dispunha, na mesma ocasião, de apenas 40 m³ por habitante/ano; nas Bahamas essa disponibilidade era de 75m³; na Jordânia 185m³; em Cingapura 211m³. Achei interessante que, por coincidência, nesta mesma semana, ouvi um relato surpreendente do meu filho que com a esposa esteve recentemente, em viagem de turismo, numa ilha do Caribe colombiano e ficou estarrecido pela inexistência de água doce para banhar-se. Quase na acreditei. E para matar a sede a saída tem que ser água industrialmente engarrafada. O banho dos nativos é usualmente com água do mar. Voltaram às pressas para o Continente (Cartagena), ávidos por um banho de água doce. Como viver desse modo? Desconfio que esses ilhéus estejam prestes a virar bacalhau.
A segunda informação é ainda mais estarrecedora: a situação se revela muito mais preocupante quando apresenta, numa tabelinha, as médias de consumo do líquido para processo alimentar, agrícola e industrial. Vejam só: para se produzir 1Kg de arroz são necessários 4.500 litros de água; 1kg de trigo, 1.500 litros; 1Kg de carne bovina, 15.000 litros; 1kg de papel, 250 litros e 1 kg de aço, 300 litros. São informações surpreendentes.
Não houvessem poluído o ar atmosférico com pesadas cargas de gases e metais danosos, provocando o efeito estufa, não houvessem acabado com as florestas – sobretudo parte considerável da Amazônia – entre outras atrocidades, estaríamos em condições mais confortáveis e, sobretudo, humanas. Teríamos futuro.

Para onde estamos caminhando? Como São Paulo, por exemplo, vai sobreviver? Vai ser difícil mudar os hábitos culturais do ser humano. Viver sem o fator água de modo ilimitado vai ser um sofrimento. O homem precisa rever seus hábitos e costumes equivocados em beneficio das gerações futuras. O Planeta pede socorro e já sinaliza de várias formas sua exaustão para com as atitudes exploratórias dos humanos. Salvemos o Planeta Terra.

Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Ano Novo, Vida Velha.

É sempre assim: ano vai e ano novo vem, mas, as coisas não mudam. O auê do réveillon passa e quando janeiro amanhece tudo se repete e volta à rotina. Aqui no Brasil, nem o governo, que já era tempo de mudar, mudou. Entramos em 2015, como se em 2014 estivéssemos.
Por falar em Governo, ando cada vez mais preocupado com o futuro do país. Está na cara que a situação econômica não é nada animadora, neste inicio de ano com a continuação do “velho” e superado governo. Nem mesmo a tão incensada nova equipe econômica e seus primeiros sinais de medidas supostamente saneadores foram suficientes para mitigar a situação. Antes, pelo contrário... Também, pudera, os indicadores trazidos de 2014 revelam uma situação preocupante: inflação em alta, Real desvalorizando, projeção de PIB insignificante e desemprego em alta dão o tom do descompasso. Pensando bem, o Brasil apresenta, hoje, índices dos mais pífios e, que na prática, representa um retrocesso a negros períodos do passado.  Tudo por conta de uma política econômica equivocada e um quadro político conturbado devido à sucessão de escândalos de corrupção no setor público. Há um descrédito geral no seio da população.

Os primeiros dias do ano têm sido difíceis em vários setores e em diferentes pontos do país. Em São Paulo, demissões anunciadas são crescentes em vários segmentos econômicos, particularmente no automobilístico, e o apagão da segunda-feira (19/01) foi um concreto sinal de crise aguda. São Paulo parou! E quando isso acontece, para o Brasil. Aqui em Pernambuco a situação é também critica com crise severa no tradicional setor açucareiro – histórico esteio da economia local – cujo quadro é desolador com as poucas usinas que restam vislumbrando colapsos. No também tradicional setor Metal-Mecânico  o que se registra são empresas paralisadas, dando férias coletivas ou fazendo desligamentos em massa, na maioria a mercê do imbróglio causado pelo Petrolão. Consórcios contratados pela Petrobrás não pagam o que devem às fornecedoras locais e o caos está rapidamente crescendo.  É difícil viver este quadro na medida em que, pelo menos no caso de Pernambuco, o que mais se respirou na última década foi progresso e crescimento econômico.
E as noticias ruins não param. Esta semana o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), mostrou que o preço da gasolina nas refinarias do Brasil está quase 70% acima do preço da referencia internacional do combustível, embora a queda da cotação do petróleo no mercado internacional. Onde vamos parar? A situação é complicada porque quem paga a conta é o contribuinte e o cidadão comum.
Por falar em contribuinte, veja só! D. Dilma vetou esta semana a correção de 6,5% da tabela do Imposto de Renda, sob a alegação que isso resultaria numa renúncia fiscal de R$ 7,0 Bilhões, necessários para redução do déficit público. Olhe aí, o cidadão pagando pelos erros do Governo. Para completar o Ministro Levy, da Fazenda, deu-nos de presente o já denominado “pacote de maldades” aumentando PIS/Cofins (de 9,25 para 11,75%) para produtos importados; impôs IPI para fabricantes e distribuidores de cosméticos; voltou a cobrar a CIDE que será de R$0,22 sobre cada litro de gasolina vendido e R$0,15 no litro do diesel e, por fim, aumentou o IOF de 1,5% para 3,0%. Faça você mesmo uma ideia do que isso poderá significar para seu bolso. E, para completar a semana de pesadelos, o COPOM aumentou a taxa de juros em 0,5% (agora é de 12,5%). E pensar que Ela garantiu em campanha exatamente o contrário, é de lascar! Até quando vamos viver nesse desmantelo?
Por outro lado, no plano internacional o Brasil mais uma vez fez feio. A PresidentaA pediu clemência para um traficante brasileiro condenado à morte na Indonésia. Vamos que sejamos humanos em ser contra a pena de morte, mas, querer intervir na ordem legal de outro país é demais e, pior, a favor de um criminoso. Que vergonha. Pior, também, é que terminou dando “estimulo” aos traficantes que atuam criminosamente no Brasil, livres de penas capitais. Tenha dó!

Como se tudo isso fosse pouco, lá fora o quadro não é nada tranquilo. Particularmente na Europa em crise econômica renitente. O atentado ao semanário, que se autointitula de irresponsável, Charlie Hebdo, em Paris, (foto a esquerda) expôs de modo escancarado a guerrinha que vem sendo travada na França, já faz tempo, entre os antigos colonizadores e seus ex-colonizados. Outros países provam do mesmo sabor amargo.  Paris está em “chamas” e a França está pagando caro pelas atrocidades cometidas no passado e pelo preconceito que alimenta contra os imigrantes e seus descendentes. Essa coisa pode não ter fim. Respeito também tem limites e o Charlie Hebdo não observou essa regrinha básica em qualquer sociedade. Sou contra qualquer tipo de atentado, mas, sou a favor do respeito ao próximo. Sem mais comentários...  

De todo modo, reitero: Feliz 2015! E, que Deus nos proteja.

NOTA: As ilustrações foram obtidas no Google Imagens.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Boas Festas - Minha Mensagem

Amigos e Amigas,

O ano acabou. A sensação que sinto é de que nem chegou a envelhecer porque passou muito rápido. 
Talvez seja um sentimento que aflora na velhice. 
O tempo parece correr mais depressa do que o normal.
Uma coisa é certa: 2014 foi um ano de muitas emoções. 
Das emoções desportivas às políticas, estas últimas produzindo as mais fortes pelo caráter de escandalosas. 
Mas, como tudo passa nesta vida, cá estamos nós mergulhados nas tradicionais emoções 
do tempo das festas de fim de ano.
Neste clima que normalmente nos envolve, estas horas, elevemos nossos corações 
e espírito de fraternidade para exercitar gestos que mais nos aproximem do Deus Menino, Jesus Cristo, festejado. Sejamos, ao menos agora, cristãos! 
Mais solidariedade, mais honestidade e amizade. 
Mais amor nos atos e nas palavras. 
Mais harmonia para um mundo ainda carente de paz.

Com todo meu apreço e gratidão por tê-los comigo o ano inteiro, 
recebam meus melhores votos de 


O Blogueiro aproveita a temporada de festas para fazer uma pausa. 
Quando janeiro chegar novas postagens serão feitas e, como sempre, 
contando com suas visitas.

Boas Festas e Boas Férias!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

SUDENE: Minha Escola

No dia 15 passado completaram-se 55 anos de criação da SUDENE. Participei de um almoço com companheiros da chamada velha guarda da Autarquia reunida para lembrar o fato.  Muitas cabeças pensantes, de uma época de ouro do Planejamento Regional, compareceram para rememorar seus feitos e “trocar figurinhas” avaliando os resultados que hoje são exibidos.
Sai desse almoço contente por haver confraternizado com velhos companheiros de labuta e, ao mesmo tempo, lamentando o atual estado da arte que construímos a duros sacrifícios, em tempos politicamente difíceis e de poucos fios para recompor um tecido sociopolítico esgarçado.
Entrei na SUDENE muito jovem. Recém havia chegado aos meus dezoito anos de idade. Sequer havia prestado vestibular à Universidade. Na minha casa a lei era dura e prevalecia a sabedoria popular que ditava: “quem não trabalha não come!” Tive sorte. Levado pelas mãos de um alto funcionário da Autarquia fui admitido – após uma fase de capacitação e avaliação – como técnico de nível médio. Comecei como desenhista num departamento que tratava de definir e traçar a infraestrutura rodoviária regional. Fiz treinamento, vejam só, até no exterior para melhor exercer minha função. Naquela época, minha intenção era seguir a carreira de Arquiteto, por isso que ser desenhista parecia ser o ideal. Contudo, influenciado fortemente pelo ambiente que passei a vivenciar, terminei me interessando pelos temas relativos aos problemas econômicos regionais. Não deu outra... fiz vestibular de Ciências Econômicas, sai-me muito bem e pouco tempo depois virei Economista da SUDENE. O resto dessa história é sabida sobretudo pelos  que me conhecem.
Vi a SUDENE crescer, produzir bons resultados e se projetar no Brasil e no resto mundo como sendo uma das mais competentes agencias de desenvolvimento regional daqueles tempos. Participar ativamente dessa experiência foi cursar o melhor dos cursos. Lá, aprendi tudo que as Universidades por onde passei não me ensinaram. Décadas depois, vi também o fim melancólico que ocorreu em 2001, quando já me encontrava aposentado.
Olhando pelo retrovisor, vejo com clareza que a SUDENE dos meus tempos – não esse arremedo que aí está tentando sobreviver – se constituiu, durante 40 a 45 anos, na maior escola da formação de profissionais diferenciados e dedicados, com afinco, à promoção do desenvolvimento socioeconômico regional deste País. Inúmeros foram os valores que de lá saíram para contribuir com o sucesso de intervenções governamentais em outras  áreas deprimidas do Brasil e do exterior.
Ao longo dos tempos a sigla SUDENE se tornou uma senha para o sucesso. Tenho muito orgulho de haver usufruído desse sucesso. Dentro do Brasil ou nos vários países por onde passei, em missões técnicas ou empresariais, esta senha abriu-me as melhores portas. Pensando bem, ainda abre! Hoje, porém, tenho que reconhecer que tudo isso é passado. Fecharam a Escola. Mas, afinal, a missão foi ou não cumprida? Disparidades inter-regionais persistem neste país? E as intra? Eis aí uma formidável questão a ser explorada.
Bom, indiscutivelmente, tudo neste mundo é finito. E, pelo visto, foi assim que julgaram ser a SUDENE. Por uma vontade política discutível, em 2001,deram por encerrados os trabalhos. Portas fechadas e pessoal redistribuído, a Casa da Inteligência Regional deixou de existir. Fala-se que seu acervo documental tem sido gradativamente destruído, num perverso apagar de memórias técnicas que somente num país como o nosso é permitido. Até o monumental edifício sede - propriedade da Autarquia - perdeu os letreiros garbosos e, ao invés disso, colocaram o do Tribunal Regional do Trabalho que ocupa a área antes sede da SUDENE.
Depois, num gesto “generoso” e de cunho meramente político Lula, o Presidente, reabriu a Sudene, em dimensões minimizadas, através da Lei Complementar 125/2007. O que lá existe é um pretenso modelo de agencia de desenvolvimento, onde funciona, tão somente, o núcleo burocrático de programas sem os alcances do passado e destinados a calar uma resistência teimosa de alguns idealistas na incansável luta pelo resgate do status do passado. A pergunta que não cala é: foi certa a decisão política de fechar a SUDENE?
Pelo mesmo espelho retrovisor de antes, lembro-me de uma das minhas passagens por Paris, ocasião em que me encontrei com o perito das Nações Unidas, o francês Jean Pierre Barriou. Ele havia estado, pouco antes, em missão oficial aqui na SUDENE. Barriou me garantiu que sugeriu uma SUDENE revendo sua missão. Muitas das funções que “penduraram”, ao longo dos anos, na estrutura da Agencia não se coadunavam com a missão que lhe fora confiada originalmente. Urgia reduzir aquele gigantesco organograma e, com isso, reduzir seu quadro de 2.200 funcionários, para algo próximo de 200. Essa proposta não agradando aos da Casa foi “esquecida”. Quando decretaram o fim, em 2001, lembrei-me dessa conversa. Mas, atenção, o formato dessa atual SUDENE não foi o sugerido por Barriou. Paciência!
Tentando ser realista e para finalizar, considero que, na esteira do seu sucesso, a SUDENE estruturou os estados do Nordeste de forma competente para que estes tomassem um rumo virtuoso do desenvolvimento econômico, social e político. Nada mais inclusivo do que essa estratégia! Digamos que os provendo de “asas”, como se filhotes fossem, ensinou-os a voar. E voaram. Os esforços conjuntos, traduzidos pela figura de um Conselho Deliberativo atuante e politicamente forte, deram lugar às iniciativas independentes. Descobriram o caminho direto para o Planalto Central e, desse modo, perguntavam: para que SUDENE?   
Não me julgo saudosista, porém, lamento porque fecharam a minha Escola.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 


                  


A História se Repete

Há histórias que atravessam os séculos sem perder a capacidade de nos fazer pensar. Ali Babá e os Quarenta Ladrões é uma delas. Lembro-me co...