sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Salvemos o Planeta Terra

Falar de seca no Nordeste do Brasil, desculpe o trocadilho, é como “chover no molhado”. Aqui, o fenômeno das longas estiagens é coisa de rotina. É histórico. Eu teria uma infinidade de episódios, que vi ou ouvi falar, a relatar por conviver com a situação, desde criança. Primeiro porque sou de uma família originária de uma região que padece do problema e depois porque trabalhei, por 33 anos, numa agencia do Governo Federal (SUDENE) cuja missão precípua foi combater os efeitos danosos da falta de água na Região.  
Hoje, quando vejo o clamor de localidades que nunca se importaram com esse tipo de fenômeno, como é o caso da cidade de São Paulo, entendo muito melhor sobre a necessidade que se exige no administrar os recursos hídricos, irresponsavelmente relegados ao último plano como se elásticos fossem ad infinitum.
Mas, reconheçamos, que não foi por falta de avisos! Os considerados catastróficos ambientalistas vêm, por bom tempo, alertando para as mudanças climáticas decorrentes do desregrado abuso do uso dos recursos naturais ao redor do planeta. Não sou especialista em nada disso, mas, leio e me interesso pelo tema. Pensando bem, a mídia nos informa a toda hora. Sabe-se que há países como, China e Estados Unidos, que não abdicam dos processos de produção poluentes e prejudiciais ao ecossistema global, priorizando sempre o Capital. Visitando estes países pude entender as preocupações dos estudiosos, assim como percebo o tamanho do problema que ocorre atualmente em São Paulo. Sinto na pele quando ando por lá.
A devastação da floresta amazônica, para exploração da madeira, e a exploração irresponsável da mata ciliar (ciliar vem de cílios) de rios brasileiros, entre os quais o São Francisco, estão dando respostas concretas e severas aos brasileiros. Falta água em muitos pontos do Sudeste porque faltam chuvas e faltam chuvas porque faltam florestas. As árvores são responsáveis pela produção de nuvens (fala-se de rios verticais) a se precipitarem sobre o sistema ecológico. Daí a origem lógica dos mananciais do passado. Eu disse passado, com tristeza e, pensando bem, é melhor ficar por aqui, porque é assunto para especialista explicar. Prefiro comentar sobre o resultado de um Estudo publicado recentemente, pela Universidade Federal de Pernambuco e CREA-PE com apoio de outras entidades, entre as quais o Rotary International.
Obras Hídricas para Convivência com a Seca (in Cadernos do Semiárido) é o titulo do trabalho que foi realizado pelo especialista pernambucano, Waldir Duarte Costa. Neste Estudo, deparei-me com duas informações preocupantes e que alerta para uma futura escassez absoluta de água em vários pontos do Planeta. A primeira informação: 11 países, desde a década de 90, sofrem severamente de escassez de água. No Kwait a disponibilidade de água para consumo humano já era praticamente nula naquela década. A República de Malta dispunha, na mesma ocasião, de apenas 40 m³ por habitante/ano; nas Bahamas essa disponibilidade era de 75m³; na Jordânia 185m³; em Cingapura 211m³. Achei interessante que, por coincidência, nesta mesma semana, ouvi um relato surpreendente do meu filho que com a esposa esteve recentemente, em viagem de turismo, numa ilha do Caribe colombiano e ficou estarrecido pela inexistência de água doce para banhar-se. Quase na acreditei. E para matar a sede a saída tem que ser água industrialmente engarrafada. O banho dos nativos é usualmente com água do mar. Voltaram às pressas para o Continente (Cartagena), ávidos por um banho de água doce. Como viver desse modo? Desconfio que esses ilhéus estejam prestes a virar bacalhau.
A segunda informação é ainda mais estarrecedora: a situação se revela muito mais preocupante quando apresenta, numa tabelinha, as médias de consumo do líquido para processo alimentar, agrícola e industrial. Vejam só: para se produzir 1Kg de arroz são necessários 4.500 litros de água; 1kg de trigo, 1.500 litros; 1Kg de carne bovina, 15.000 litros; 1kg de papel, 250 litros e 1 kg de aço, 300 litros. São informações surpreendentes.
Não houvessem poluído o ar atmosférico com pesadas cargas de gases e metais danosos, provocando o efeito estufa, não houvessem acabado com as florestas – sobretudo parte considerável da Amazônia – entre outras atrocidades, estaríamos em condições mais confortáveis e, sobretudo, humanas. Teríamos futuro.

Para onde estamos caminhando? Como São Paulo, por exemplo, vai sobreviver? Vai ser difícil mudar os hábitos culturais do ser humano. Viver sem o fator água de modo ilimitado vai ser um sofrimento. O homem precisa rever seus hábitos e costumes equivocados em beneficio das gerações futuras. O Planeta pede socorro e já sinaliza de várias formas sua exaustão para com as atitudes exploratórias dos humanos. Salvemos o Planeta Terra.

Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.

6 comentários:

Alejandro Hurtado disse...

Excelente

Ina Melo disse...

Como sempre! És demais!

Ricardo Lucena disse...

Muito bom mesmo.

Wirson Bento de Santana disse...


Parabéns amigo pelo tema do seu blog, muito atual. Só espero que as soluções encontradas para resolver essa crise anunciada não seja esquecida pelos nossos governantes, quando o regime pluviométrico melhorar. Também não sou especialista no assunto, mais sou um apaixonado pelo assunto Meio Ambiente.

Adierson Azevedo disse...

Irreparável e incorrigível sua coluna Salvemos a Terra!!! Tomei a liberdade de publicá-la no meu facebook, ok?
Abraços.

Danyelle Monteiro disse...

Tudo passa pela educação ambiental, para que se pense a posteriori em consumo consciente..."nós" estamos acabando com tudo, a responsabilidade é de todos.
Danyelle Monteiro