quarta-feira, 25 de junho de 2014

Delírio Junino

Festa de São João somente no interior. Todo ano é assim. Além dos festejos, da pamonha e da canjica e de muito forró é, também, uma boa oportunidade para “recarregar as baterias” exauridas pelo corre-corre da cidade grande. No ar puro e mais fresco do campo e no ambiente da cultura brejeira, o corpo e a mente agradecem. Pelas bandas de lá, o dia parece mais longo e mais prazeroso deixando a impressão de que cada minuto vale por dois.
Este ano os festejos foram dobrados em virtude da Copa do Mundo no Brasil. Do cais ao sertão o mundo ficou auriverde por todos os lados. Para completar, um jogo do Brasil na mesma data dos principais festejos e a vitória sobre o selecionado da Republica de Camarões, num final de tarde, aumentou, ainda mais, a animação dos torcedores, na noite da São João, que de tanto entusiasmo apressaram as queimas das fogueiras, o puxar dos foles e o baticum das zabumbas.  Dali em diante foi um forró danado de bom – um relabucho gostoso – e uma quadrilha bem marcada que ajudaram a varar a noite e ver o amanhecer do dia. Coisas gostosas que somente o Nordeste brasileiro é especialista.
É interessante como a gente roda o mundo, visita reinos, repúblicas, protetorados e colônias, conhece outras gentes, come do bom e do melhor, coisas finas, exóticas e até mesmo repugnantes, mas, estremece quando volta aos rincões dos seus "ontens". Acontece assim comigo.
A sensação agradável de voltar às origens, sobretudo quando a idade começa a pesar mais, se torna um exercício de pura limpeza da alma. Quase uma catarse. Ver o passado através das paisagens, de um belo pôr de sol, dos hábitos e costumes, da voz macia, cantada e quase inocente do matuto, do cheiro da comida de milho no fogo e da música regional. Ah! Meu Deus! Que dádiva. (Vide fotos a seguir).




Eu nasci no Recife, mas, fui criado e educado num contínuo vai-e-vem entre a capital e o interior: da casa dos meus pais à casa dos meus avós em Fazenda Nova, distrito do município de Brejo da Madre de Deus, no agreste pernambucano. Vide foto da Vila, lá embaixo. De algum modo, finquei ali parte das minhas raízes familiares e culturais. Tenho dentro de mim, desse modo, um pouco da alma interiorana. Por isso que cada retorno se transforma num rosário de reminiscências e matasaudades. Nessas horas, como numa estância de um poema, chego a vislumbrar – tal qual numa miragem – as figuras que formataram meus saberes e comportamentos de homem adulto, que, aliás, tento passar aos meus descendentes. Tempo foi-se, tempo tem... Tempo se renova e se inova. De geração em geração as tradições e rituais são preservados e, desse modo, tornam presentes os que partiram para eternidade e que souberam ensinar como fazer uma noite de muita alegria. No meu “delírio” da passada noite de São João tive a perfeita impressão de haver visto, no lescolesco do forró e na dança da quadrilha matuta, meus avós, meus pais e meus tios. Eles se esbaldavam como no passado e depois, como num passe de mágica, desapareciam em meio a fumaça da fogueira que ardia em chamas no terreiro. Sim, porque naquela noite eles eram apenas fumaças da minha imaginação. Tempo foi-se, tempo tem. Tempo bom. Viva São João. Viva meu delírio junino.  

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro, exceto a primeira foto, obtida no Google imagens.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Bola Rolando

A Copa do Mundo começou. Mesmo contrariando alguns a bola rola nos estádios brasileiros,  desde a última quinta feira (12.06.14) dando inicio ao maior evento esportivo do planeta. Segundo a FIFA (Federação Internacional de Futebol Amador) 3 Bilhões e 400 milhões de pessoas espalhadas, mundo afora, assistiram pela TV a partida inaugural entre Brasil e Croácia. É um numero respeitável. E principalmente uma megaexposição do Brasil na mídia internacional.
Tirando a fraquíssima performance da cerimônia de abertura e o desrespeito coletivo à Presidente da Republica, tudo mais foi na medida do desejado. O jogo nem tanto, mas faz parte...  E o Brasil saiu com três pontinhos.
Acho que se houvessem confiado a algum especialista brasileiro, na coreografia e nas alegorias da abertura, o sucesso teria sido mais provável. Mas, não. Entregaram a uma profissional belga, dizem que de renome, que certamente desconhece nossas competências cenográficas e coreográficas, nem nunca esteve, por exemplo, na “Escola da Sapucaí”. Foi pobre, sem empolgação e até mesmo, por vezes, infiel aos nossos traços culturais. Melhor teria sido jogar naquele estádio uma bateria de Escola de Samba carioca, com sambistas exuberantes, uma orquestra de frevo e passistas pernambucanos e o Olodum baiano. Francamente. O gramado? Ora, ora, não acredito que faltasse solução para preservá-lo. Sem mais comentários.
O outro lance negativo, ao qual me referi, foi os apupos dirigidos à Presidente da Republica. Eu posso discordar, como discordo, do básico de D. Dilma, pois acho que ela tem sido infeliz na condução político-econômica do país, mas - oposições à parte - ela é a Chefe do Estado Brasileiro, eleita democraticamente e pelo voto popular, sendo por isso digna de todo respeito. Sobretudo num evento daquela magnitude, transmitido para o mundo inteiro. Pensando bem, esta foi uma manifestação mais violenta do que as que ocorrem nas ruas. Embora constrangida, acredito eu, ela pode “tirar de letra”, avaliando que aquele público não é seu eleitorado. Quem paga a fortuna que vem sendo cobrada por um ingresso padrão FIFA não foi aquele que recebe o Bolsa Família. Tenho dito.
Mas, episódios negativos à parte, o que vem movimentando mesmo, o Brasil desses dias, são os turistas/torcedores, fora das arenas, que baixaram no país da Copa. Nunca se viu tantos visitantes estrangeiros de uma só vez nas terras de Pindorama. Eles estão por todo lado. Mesmo nas cidades que não sediam jogos eles chegam e dão o ar da competição. No Recife, por exemplo, a experiência tem sido exuberante. Dá gosto de ver o movimento. Na arena dos jogos ou nas ruas e estabelecimentos comerciais eles estão sempre circulando. Respeitam a cultura local, ao mesmo tempo em que manifestam, quando podem, as deles. O jogo entre Japão e Costa do Marfim foi um verdadeiro show, na Arena Pernambuco. Quem esteve por lá testemunhou um espetáculo colorido e culturalmente exemplar. Aquela música e a coreografia da torcida africana (fotos a seguir), a torcida do elefante, ficarão gravadas nas mentes dos pernambucanos presentes ao estádio e, claro, brasileiros que acompanharam a partida pela TV. Já os japoneses, além do colorido e estilo próprios, deram uma belíssima lição de educação ao coletarem, no final do jogo, todo o lixo que produziram durante o tempo que estiveram no estádio (foto abaixo). Reproduziram o que fazem no Japão e terminaram marcando o maior "gol", comemorado no mundo inteiro. Fez-me lembrar de um jogo que assisti no Estádio de Yoyogi, Tóquio (1984), quando presenciei, surpreso, uma cena idêntica. Fora esses dois grupos, achei incrível a festa dos holandeses na partida contra a Espanha. Uma festa de arromba! Os espanhóis se prepararam também, mas, o desenrolar da partida, com uma derrota acachapante para a Holanda, desmontou o entusiasmo dos descendentes  de Cervantes.

Os mexicanos, que formam um dos maiores contingentes de torcedores, com aproximadamente 40 mil, boa parte centrada no Recife, estão fazendo a maior festa no eixo Recife-Natal-Fortaleza, nesta primeira fase da Copa. No Ceará vão enfrentar o Brasil, (17.06) num jogo que certamente ficará na história das duas seleções.
E os movimentos dos contrários à Copa? Estão ocorrendo, claro! Não deixariam de ocorrer. Faz parte do jogo democrático fora dos estádios e da disposição política dos insatisfeitos. Todavia, além de já não terem a mesma força do que ocorreu no ano passado, durante a Copa das Confederações, a mídia, pelo que vejo, não tem sido conivente com os manifestantes, o que amortece bastante as iniciativas deste ano.
O fato é que o brasileiro, vestindo verde-amarelo, está nas ruas torcendo e interagindo com os estrangeiros de forma pacifica e amistosa. Já vi muitos deles elogiando a hospitalidade brasileira e, claro, a alegria e os hábitos culturais do nosso povo. A ficha demorou a cair, mas caiu!
Esta Copa, na verdade e embora que no começo, vem trazendo uma série de boas lições tiradas de cada momento e cada movimento. Pela ótica dos movimentos grevistas e contrários enxergamos o que de errado está havendo no país. É, sem dúvidas, um bom exercício. E dos eventos inerentes ao ritual da Competição, a constatação de que ainda somos um povo alegre, vibrante e capaz de inserir, no atual ambiente conturbado da vida nacional, uma pausa pacifica e exuberante, própria do país do futebol. Acredito que a realização da Copa do Mundo proporciona que cheguemos a essas constatações. Sem ela, provavelmente estaríamos apáticos e alienados. Tipo "tônemaí".
Deixem a bola rolar! Idem para os protestos. O Senhor Tempo, com tempo, vai mostrar o certo e o errado com mais clareza.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Recife além da Copa

Continuo encasquetado com o evento da Copa do Mundo. Talvez preocupado com o desenrolar das coisas e sob influência das análises e comentários que são publicados no âmbito doméstico ou no internacional. Vou torcer pelo Brasil, isto sim. Mas ficarei com um olho na bola e outro nas ruas.
No fim de semana passado resolvi andar por aí, digo por alguns pontos de atração turística da minha cidade, tentando olhar como olharia um visitante estrangeiro. Embora sabendo que as praias poderão ser os pontos mais atrativos, escolhi o Bairro do Recife Antigo como meu destino, naquela tarde, entendendo ser outro ponto em evidencia. Ali, onde o Porto do Recife, por exemplo, vai atracar um navio de grande porte que servirá, inclusive, de hotel para aproximadamente 800 mexicanos, que chegarão em 13 aviões da Aeroméxico, segundo noticiário da imprensa. A seleção mexicana jogará na Arena Pernambuco.  Imagine o que isso vai provocar naquela localidade recifense. Esse navio vai ficar ancorado por dias no Recife e, por ocasião de uma partida dos mexicanos com a Seleção Brasileira, no Castelão, em Fortaleza (CE), se desloca até lá, retornando em seguida ao nosso Porto. Fico imaginando o que esses torcedores mexicanos vão aprontar nas redondezas do Marco Zero. E vejam que estou falando apenas de uma torcida. Outras virão por terra e por via aérea. É muita gente de uma só vez e isto me sugere uma dúvida: será que nossa gente faz ideia adequada do tamanho desse movimento? Vai haver cerveja, caipirinhas  e tira-gosto suficientes? A situação tem que ser vista como extraordinária e, como o turismo no Brasil é muito tênue, particularmente, aqui no Recife, tenho dúvidas. Nossa gente não está habituado a receber grandes contingentes de estrangeiros. Português não é uma língua muito difundida e por aí vai. Baita experiência.
Sem me alongar mais nessas considerações, volto ao meu passeio pela região do Marco Zero. Aquilo lá, indiscutivelmente, é um belo espaço da nossa cidade.
O conjunto arquitetônico neoclássico, acredito que de influencia francesa, do Bairro do Recife Antigo confere à região um ambiente de beleza impar, formando um cenário que enche as vistas de qualquer visitante. Eu, sendo um desses estrangeiros, ficaria admirado com aqueles prédios de fachadas esmeradamente decoradas, muitos dos quais restaurados. As avenidas radiais e as ruas transversais são bem traçadas, fruto de uma urbanização bem planejada que data do inicio do século 20. A brisa atlântica sopra sem parar e se os dias de Copa forem sem chuvas Recife vai oferecer belos cenários. Os catamarãs não vão parar de circular pelos canais da Veneza Brasileira e sob as pontes seculares.  
Mas, cenários à parte, imagino o agito que se produzirá nos comerciantes que por ali estão estabelecidos e que fazem da região seu melhor espaço de negócios. Refiro-me aos mais mais populares – vendedores ambulantes, tapioqueiras, espetinhos e acarajés, vendedor de bugigangas,
incluindo adereços pessoais alusivos à Copa, barraqueiros, vendedores de água de coco, cervejas e correlatos – aos donos de bares e restaurantes, cafés, shopping e livraria. Vai ser o maior auê. Vi gente preparando apressadamente uma Arena/Bar para receber os fregueses. (Vide foto a seguir)
Além de observar, parei para conversar com alguns e levantar expectativas sobre o evento. Mara Maravilha uma baiana espevitada (Vide foto a seguir)  me disse que não vê a hora de empanturrar os torcedores gringos com seu famoso acarajé. Posou para minha câmara e afirmou com segurança: “pode botar  minha cara na internet, para quando chegarem aqui  já saibam  onde parar pra comer.”   Garantiu que vai trabalhar que só a “murrinha”. Ri muito, desejei boa sorte e fiquei pensando na “murrinha”. Como será essa figura? Só ela pode explicar...
A tapioqueira na Avenida Marques de Olinda nem me deu atenção. Fiz a foto, está aí abaixo, e ela nem se abalou. Não quis conversa. Estava de olho na fila de espera e pondo mais uma na frigideira. Acho que durante a Copa ela vai precisar de ajudante, porque a fila deverá ser maior. Espero que a tapioca “bombe” e ganhe fama internacional. Tomara que os gringos, saboreando nossa popular iguaria, rejeitem comer os internacionais hot-dogs. A FIFA já aprovou.
Diante do churrasquinho no espeto, no meio da fumaceira gordurosa, vi-me numa China tropical. Igualzinho! Em Pequim a estratégia é a mesma. Veja as fotos a seguir com as duas faces da coisa: Brasil x China. Gosto muito de fotografar o popular. Observando as duas figuras fico pensando que se trata de seres humanos de culturas totalmente distintas sobrevivendo com formas idênticas. Nos dois, identifico um traço comum: são comprometidos com o viver, de preferencia com amor, felicidade e prazer, três coisas essenciais na vida, aqui no Ocidente, ou ali, no Oriente.
X 
Só sei que, com prós ou contras, a Copa está aí. E o Recife está esperando os torcedores.

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro, no Recife e na China. Observe o churrasqueiro chinês oferecendo camarões. Mas, pra quem preferir tem uma cobrinha maneira. Está lá na grelha. Viu?

                   

sábado, 31 de maio de 2014

Triste Legado da Copa

Pensando bem, há uma grande diferença entre realizar um Campeonato Mundial de Futebol, com os atuais moldes que a FIFA exige, num país desenvolvido do que num outro em desenvolvimento. Mesmo sendo um dos BRICS (Grupo dos emergentes: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) como no caso da última edição e nessa que está prestes a acontecer, aqui no Brasil.
Num país desenvolvido existe toda uma estrutura socioeconômica amadurecida, consolidada e funcionando a contento da população local. O evento se reveste sempre de muita ordem, não exige superinvestimentos e termina ocorrendo de modo tranquilo. Não há chances de corrupção, porque está tudo pronto. Já nos países subdesenvolvidos, ou em desenvolvimento, a coisa se complica. O que vem ocorrendo no Brasil atualmente, de algum modo, ocorreu na África do Sul, também. Lembro-me de haver visto, à época, pela TV, noticias sobre obras inacabadas a poucos dias do certame, os protestos dos trabalhadores nas construções de estádios, com greves inclusive, e uma série de lamentações dos sul-africanos pobres pelo tratamento que recebiam na preparação dos entornos das cidades sedes do Mundial de 2010.
Como já afirmei aqui no Blog, não sou contra a Copa no Brasil. Sobretudo, agora, sabendo que bem ou mal ela vai acontecer nesses próximos dias. Contudo, não sou nenhum alienado, nem me faço de cego ao perceber que há muita gente sofrendo graves consequências pela realização no Brasil.   
Esta semana, conversando com um jovem que me presta serviços de manutenção na área de informática, inteirei-me de situações dolorosas de pessoas que vivem nos arredores da Cidade da Copa, aqui em Pernambuco. “E então Cristiano, está animado para a Copa?” Perguntei. Ele mora bem próximo da Arena Pernambuco. “Que nada Doutor...” E completou: “eu gosto é muito de futebol e fiquei só na vontade de assistir algum dos jogos. Mas essa Copa é somente para os ricos. Ninguém pode comprar esses ingressos. Oxi... Além disso, por onde eu moro o povo tá na maior tristeza. Já teve até gente que morreu!”
Eu já havia ouvido falar sobre as desapropriações que foram feitas na região da tal Cidade da Copa, em Pernambuco, quando a secretária, atendente da minha esposa, no Consultório Médico, sofreu amargamente quando recebeu ordem de despejo e uma indenização irrisória pela casa que tinha, nos arredores da Arena. A casa foi demolida, dando lugar a uma avenida/rodovia de acesso ao estádio. A moça ficou sem condições de arranjar nova moradia semelhante a que tinha e hoje vive numa casa com construção inacabada. Cerca de 400 famílias foram desalojadas. De nada serviram os protestos e clamores. (Vide foto)
No meio da conversa Cristiano me perguntou se eu não havia assistido ao Programa Profissão Repórter da Rede Globo de TV, do dia 20.05.2014. Diante da minha negativa, abriu o site no Youtube e me fez assistir. De fato, é doloroso ver aquelas cenas de revolta e penúria do povo da cidade de Camaragibe. Além de residências, muitos perderam seus pontos comerciais e de trabalho. Ruas inteiras de comércio desapareceram de um dia para outro. Todos foram parar  na famosa “Rua da Amargura”. Idosos que lutaram no passado por um pedaço de terra, para erguer uma moradia e lá viver o resto da vida, viram-se de repente sem casa e sem ter pra onde ir, dadas as indenizações aviltadas. Resultado: a morte por desgosto e desespero.  Vide o referido programa clicando em: http://www.youtube.com/watch?v=doizwPLPHKY .
O país inteiro vibrou, em 2007, com a possibilidade de realizar um Campeonato Mundial de Futebol, dentro de casa. Mas, a grande maioria da população não tinha noção de que, o que se imaginava, era pura quimera. Verdadeira ironia para a Nação que calça chuteiras o ano inteiro. Hoje, quando tudo caminha para a concretização, paira sobre o povo brasileiro uma nuvem de incerteza e frustração por não poder participar da festa da forma idealizada sete anos passados e diante da possibilidade de assistir, sim, uma onda de protestos. Milhares de Cristiano’s – jovens e velhos – não param de lamentar e maldizer a iniciativa. “Preferia que a Copa fosse noutro país. Assistia pela televisão e corria para o abraço.” Disse meu assistente técnico. Tive dó do rapaz.
Resultado é que me encontro dividido: quero ver a Copa acontecer, desejando paz e muita ordem no país e o Brasil Hexacampeão. Mas, me solidarizo com as vitimas da insanidade governamental que não soube administrar com justeza a preparação do ambiente. E veja que este é um Governo Popular. Não fosse popular talvez a coisa não ocorresse do modo que vem ocorrendo. Mesmo porque os "defensores do povo" e "salvadores da Pátria", na oposição, não permitiriam. Vá entender. Triste legado vai deixar esta Copa para boa parcela de brasileiros.
Mas, vamos em frente! O Brasil vai sobreviver porque este é um país forte, rico de esperanças e tem seu povo varonil.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Vai haver Copa, sim.

Quando desembarquei em São Paulo no inicio da semana passada, deparei-me com um clima generalizado de agitação e insegurança, como focos em inúmeros pontos da cidade. Manifestações públicas com diferentes propósitos: dos Sem Teto, de Professores da Rede Pública, do Movimento Contra a Copa e, por fim, o mais perturbador e ruidoso, que foi uma inesperada paralisação dos motoristas e cobradores de ônibus na hora do rush, do início da noite. Coletivos abandonados nas principais avenidas atravancando o trânsito, o povão sem saber para onde ir sem transportes e a perspectiva da greve geral dos policiais no dia seguinte, gerando um ambiente de caos. Para quem chegou de fora, meu caso, o caminho mais aconselhável foi o abrigo do hotel.
Alcançado meu lugar seguro e assistindo ao desenrolar das coisas pela TV, fiquei analisando como é curioso observar esses movimentos sociais numa metrópole do porte de São Paulo, ciente de que é nela que o Brasil acontece. Vi naquele polo socioeconômico nacional que o país está vivendo um rito de passagem dos mais delicados. Lembrei novamente da ideia do tecido social esgarçado, que falei na última postagem. Ali, na grande cidade, essa coisa parece mais evidente.  O brasileiro comum sempre tem achado um motivo para não sair das ruas e clamar por mais atenção dos governantes, que fingem não escutar.  
Fiquei na cidade durante a semana inteira. Tempo suficiente para sentir a pressão popular e analisar o quadro, sob a minha ótica.
Curioso notar foi que, entre todos os movimentos, o dos Contra a Copa parece ser o mais focado e, ao que parece, vem produzindo efeitos indesejáveis. Muito me impressionou o fato de que São Paulo (ainda) não se mobilizou para festejar a Copa do Mundo. Esperei encontrar uma cidade embandeirada de verde e amarelo e o povo a curtir com a proximidade da grande festa do futebol mundial dentro de casa. Nada disso. É cedo? Não, não é cedo. Nas vezes anteriores, com o Campeonato fora do Brasil, o entusiasmo começava meses antes. Ao invés disso, vi muitas manifestações contrárias. Paredes e muros pichados com o clichê comum de  “não vai ter Copa”, em vários pontos da cidade. Há movimentos nas redes sociais incentivando a vestir preto no lugar do auriverde traje costumeiro da época. Assusta ver lojas vendendo camisas com padrão da seleção brasileira acrescida de uma tarja preta. Pior, vi por duas ou três vezes a bandeira brasileira pendurada em sacadas com uma tarja preta cruzando o pavilhão nacional. Lamentável. Sofri com aquelas visões.
Tenho imensa admiração pela Copa Mundial de Futebol. É a ocasião em que aprecio melhor o futebol. Alimentei muitas esperanças de ver uma festa sensacional, com o país vibrando, mostrando sua melhor cara e consolidando a fama de uma terra alegre e hospitaleira e um verdadeiro reino do futebol. Temo que meu sonho não se realize. Estamos a poucos dias do evento e o país se encontra envolvido numa sucessão de arranjos de última hora com obras inacabadas e muitas providências pendentes, revelando ao mundo um país complicado, inseguro, corroído pela corrupção e praticante de uma burocracia sem precedentes. Naturalmente que por falta de um Governo competente e correto nas ações e atitudes.  
Na quinta-feira (22.05.14), logo cedo, deparei-me com o jornal Folha de São Paulo publicando o resultado de uma pesquisa, que avaliou a opinião do brasileiro sobre a realização da Copa no Brasil. Ao perguntar se o certame traria benefícios ou prejuízos, 66% dos entrevistados afirmaram que o evento acarreta prejuízos ao país. Apenas 28% acreditam que o campeonato trará benefícios e 5% não soube responder. Outra pergunta formulada pela Pesquisa investigou quem estava a favor ou contra o evento sendo realizado no Brasil e 45% dos entrevistados declararam ser favoráveis versus 43% que disseram ser contra. Vamos e venhamos, para ser no considerado país do futebol este percentual contrário é de lamentável significado. Quando a pergunta proposta foi para colher a opinião sobre se o entrevistado acreditava que havia corrupção na organização da Copa, o percentual disparou: 90% dos entrevistados acreditam que houve corrupção e 6% acham que não. Estes últimos devem ser os alienados sociais. E, 4% não opinou.
Mas a manchete do sábado, do mesmo Jornal, foi uma verdadeira bomba: Ronaldo, o Fenômeno, um nome consagrado no futebol mundial, simplesmente declarou que tinha vergonha do Brasil, pelo despreparo para realizar um Campeonato adequadamente. Logo ele! Esta noticia correu o mundo. A repercussão foi extremamente negativa. Ele não devia ter feito esse infeliz comentário. Não ajudou em nada e expôs ainda mais o país. Sendo ele um membro da Comissão Organizadora da Confederação Brasileira de Futebol - CBF, foi pura infelicidade. Para completar, ainda posou numa foto com o candidato da oposição à presidência da Republica, desacatando D. Dilma. Foi dose... Cheira a muita grana! Sei não. 
No final das contas, minha gente, a Copa está chegando, vai acontecer a despeite desses movimentos contrários e é hora dos brasileiros abrirem os braços para receber os times concorrentes, as torcidas estrangeiras e mostrar que somos um país amigo, alegre e amante do futebol. E que vivemos numa democracia, onde protestar é permitido. Vamos torcer pela vitória do Brasil e, principalmente, pela ordem e sucesso do evento. Vai haver Copa, sim.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Tecido Esgarçado

Sabe daquela situação em que você manuseia um tecido esgarçado e que, por qualquer esforço exigido, se rompe? Claro que sim. Qualquer cidadão já passou por essa situação. Pois bem, é assim que vejo o tecido social brasileiro, neste momento. O povo está cansando de tantas exigências e poucos esforços governamentais para mitigar a situação de fragilidade que tomou conta do país. De modo geral muito manso e ordeiro o brasileiro está mudando e tem aproveitado qualquer oportunidade de reação. Muitas, até incabíveis.
Os mais recentes exemplos de reação da massa social foram observados na Bahia, em abril passado, e em Pernambuco, na semana passada. Nesses dois estados os policiais militares resolveram entrar em greve, reivindicando melhores salários, entre outras demandas menores, provocando caos social inesperado. Diante da ausência de policiamento nas ruas os “mentores da desordem” entraram em ação e, de forma espúria, agitaram as massas instalando badernas, assaltos, saques ao comércio e instabilidade na segurança das cidades. O Brasil inteiro e muitas praças no exterior assistiram pela mídia flashes e relatos de um clima de guerra que se vivenciou em Pernambuco durante os três dias da greve da policia militar. De repente, os pernambucanos viram-se reféns de uma situação inusitada e recheada de surpresas desagradáveis. O que ocorreu no município de Abreu e Lima (Região Metropolitana do Recife), por exemplo, estarreceu meio mundo. Grandes magazines e pequenos negócios, do comércio local, foram invadidos e saqueados por uma massa ensandecida, muitos “indo na onda” e saqueando por saquear. “Quando vi todo mundo levando as mercadorias, fui também com meu neto e peguei um bocado de coisas”, afirmou aos risos uma popular. Assim, simplesmente! Nunca passou pela cabeça dessa Senhora que a partir daquela hora havia se transformado numa ladra declarada. Santa ignorância. Naturalmente que nessas horas a massa atende a uma voz de ordem. Acredito que, em Abreu e Lima, alguém gritou: “vamos invadir e levar tudo...” Foi o que esperava um povão, oprimido pela inflação reinante, pela provocação exercida pela publicidade consumista, pela falta de um bom emprego e receber os baixos salários, os sonhos de consumo, entre outros fatores.
Daí em diante e a partir das ruas de Abreu e Lima o medo se espalhou pela Região Metropolitana, o comércio fechou, as empresas dispensaram seus colaboradores e houve o maior alvoroço de correr para um abrigo seguro, como se uma guerra civil fosse estourar a qualquer momento. Atendendo ao pedido do governo estadual a Força de Segurança Nacional baixou no estado para garantir a ordem e chegou com tanques de guerra nas ruas. O cenário foi de pavor.  Para completar, os boatos alarmantes se espalharam pelas chamadas redes sociais, nas quais elementos nocivos à sociedade se divertiram implantando noticias e fotos mentirosas e alarmantes. Lamentável. Como na mesma ocasião uma série de manifestações contra a Copa do Mundo e com outras diferentes reivindicações se desenrolavam com muitos tumultos registrados, em muitas capitais brasileiras, o pernambucano foi tomado por verdadeira onda de terror. A que ponto chegamos! Quando a greve acabou, na quinta feira à noite, o clima de alívio tomou lugar na cidade e o dia seguinte parecia que nada havia ocorrido, o que não deixa de ser surpreendente. Foi, digamos assim, uma ressaca passageira. Ora, uma coisa dessas merece uma analise mais profunda. Algo de errado esteve claro para um cidadão de são juízo.
Por isso, digo que, como lição desse desagradável episódio, o pernambucano em particular e os brasileiros de modo geral, precisam refletir seriamente sobre essa sociedade que explode a qualquer estimulo maligno coletivo. Acredito que o netinho daquela Senhora da cidade de Abreu e Lima pode levar para o resto da vida as imagens daquele dia passado e com outros mais que, inocentemente participaram dos mesmos saques, se transformem em potenciais saqueadores no futuro.
Que tipo de sociedade temos hoje e qual a sociedade que estamos formando, agora? É pergunta que não cala. Faltam educação e civismo na nossa gente. Como faltam bons salários e respeito aos nossos professores e policiais. Urgem providencias de nossos governantes para melhorias nesses setores e na formação das novas gerações instruindo-as a saber que seus direitos acabam quando começam os diretos dos próximos! Que roubar é crime!
O Brasil precisa fortalecer seu tecido social.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Vexame Internacional

Vejam vocês que tristeza. Esse assassinato do jovem torcedor no Estádio do Arruda, semana passada, como de se esperar, terminou colocando de modo ostensivo os refletores internacionais na delicada situação da violência brasileira, particularmente aquelas que ocorrem nos campos de futebol. Num ano de Copa do Mundo no Brasil, então, este caso veio corroborar para a ampliação do clima de insegurança que reina na maioria das torcidas estrangeiras que se preparam para aportar no reino do futebol.
É inacreditável para qualquer cidadão de sã consciência, mundo afora, saber que um sujeito tem a capacidade de arrancar uma bacia sanitária de um banheiro publico (é o caso de um banheiro, num estádio de futebol) e arremessá-la das alturas, onde as arquibancadas, sobre uma multidão que se desloca na saída da praça de esportes. Surrealismo para qualquer um. Tenho certeza. Naturalmente, causa perplexidade.
O incrível, minha gente, que em meio aos comentários sobre essa tragédia tomei conhecimento de que “normalmente” ao final de cada partida de futebol, as administrações de estádios arcam com altíssimos custos para recompor setores depredados por torcedores revoltados, ou não, com o resultado final do placar. Bacias sanitárias, torneiras, pias, luminárias, cabos elétricos são danificados ou roubados de modo frequente. E que não foi a primeira vez que um vaso sanitário tenha sido arremessado das alturas. Muitos já se livraram da fatalidade, o que não ocorreu no caso de Paulo Ricardo Gomes da Silva, um trabalhador pacato, laborioso, soldador no Estaleiro Atlântico Sul, aqui em Pernambuco. Seu defeito era gostar de futebol e frequentar os estádios.  Conversei com uma gerente do referido Estaleiro, que me traçou um perfil do rapaz. Torcedor do Sport Clube do Recife e fotógrafo da Torcida Organizada do Clube  preparava-se para mais um clique com sua câmara, quando tombou morto. Qualquer outro tipo de comentário, agora, será redundância para essa barbárie.
A notícia escabrosa correu o mundo como um rastilho de pólvora: do Arruda para Johanesburgo e Sydney. Ao mesmo instante, Londres, Nova York e Tóquio. Um horror. O Recife, no final das contas, gerou as manchetes dos principais jornais do planeta. Dolorosas... é claro!   Vide foto a seguir.

Indecente foi escutar, dias depois, um comentário de que os dirigentes do Clube “tirando o corpo fora”, afirmaram não ter nada ver com o ocorrido. O Santa Cruz Futebol Clube fica sem mando de campo por duas partidas. Considero ser uma penalidade muito pequena, para um Clube que não atenta para a segurança da sua praça de esportes. 
Lamentavelmente, estamos chegando o “fundo do poço”. Nossa sociedade está em franca deterioração. O que mais poderá ocorrer? Vidas inocentes são interrompidas friamente. Criança é trucidada perversamente, no Rio Grande do Sul, por uma madrasta insana; filho decapitou o pai e desfila na cidade exibindo a cabeça, em Mato Grosso do Sul; em São Paulo, uma mulher é linchada até a morte por conta de um boato na Internet. Tudo nesses últimos dias! É uma crise de civilidade, humanidade, solidariedade, de tudo que contribua para se viver numa Nação digna e respeitada.
O Brasil precisa ser conduzido a uma reflexão coletiva, neste momento crucial. A pobreza disseminada induz a falta de perspectiva na vida de uma grande parte da população. Com educação e saúde em estados precários; com carência de um verdadeiro líder político; a bandidagem grassando nas mais diversas camadas sociais, inclusive na política; uma impunidade generalizada; a justiça ronceira e a urbanidade desgastada formaram o "caldo" que levou País a este quadro deplorável.  
Urge que tenhamos uma liderança forte assumindo os destinos da Nação, duvido muito, com consciência e visão de futuro para remontar esta sociedade em padrões civilizados e garantidores de um futuro de muita ORDEM e franco PROGRESSO.
Como os governos não são capazes de dar conta do recado, a sociedade organizada tem que dar as mãos e entrar nessa cruzada de salvação. Que venham as ONGs sociais, como as pastorais católicas, as organizações das demais igrejas, os Clubes de Serviços (Rotary e Lions), as associações de bairros e todos que queiram salvar o país da sanha marginal.    

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...