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sexta-feira, 6 de junho de 2014

Recife além da Copa

Continuo encasquetado com o evento da Copa do Mundo. Talvez preocupado com o desenrolar das coisas e sob influência das análises e comentários que são publicados no âmbito doméstico ou no internacional. Vou torcer pelo Brasil, isto sim. Mas ficarei com um olho na bola e outro nas ruas.
No fim de semana passado resolvi andar por aí, digo por alguns pontos de atração turística da minha cidade, tentando olhar como olharia um visitante estrangeiro. Embora sabendo que as praias poderão ser os pontos mais atrativos, escolhi o Bairro do Recife Antigo como meu destino, naquela tarde, entendendo ser outro ponto em evidencia. Ali, onde o Porto do Recife, por exemplo, vai atracar um navio de grande porte que servirá, inclusive, de hotel para aproximadamente 800 mexicanos, que chegarão em 13 aviões da Aeroméxico, segundo noticiário da imprensa. A seleção mexicana jogará na Arena Pernambuco.  Imagine o que isso vai provocar naquela localidade recifense. Esse navio vai ficar ancorado por dias no Recife e, por ocasião de uma partida dos mexicanos com a Seleção Brasileira, no Castelão, em Fortaleza (CE), se desloca até lá, retornando em seguida ao nosso Porto. Fico imaginando o que esses torcedores mexicanos vão aprontar nas redondezas do Marco Zero. E vejam que estou falando apenas de uma torcida. Outras virão por terra e por via aérea. É muita gente de uma só vez e isto me sugere uma dúvida: será que nossa gente faz ideia adequada do tamanho desse movimento? Vai haver cerveja, caipirinhas  e tira-gosto suficientes? A situação tem que ser vista como extraordinária e, como o turismo no Brasil é muito tênue, particularmente, aqui no Recife, tenho dúvidas. Nossa gente não está habituado a receber grandes contingentes de estrangeiros. Português não é uma língua muito difundida e por aí vai. Baita experiência.
Sem me alongar mais nessas considerações, volto ao meu passeio pela região do Marco Zero. Aquilo lá, indiscutivelmente, é um belo espaço da nossa cidade.
O conjunto arquitetônico neoclássico, acredito que de influencia francesa, do Bairro do Recife Antigo confere à região um ambiente de beleza impar, formando um cenário que enche as vistas de qualquer visitante. Eu, sendo um desses estrangeiros, ficaria admirado com aqueles prédios de fachadas esmeradamente decoradas, muitos dos quais restaurados. As avenidas radiais e as ruas transversais são bem traçadas, fruto de uma urbanização bem planejada que data do inicio do século 20. A brisa atlântica sopra sem parar e se os dias de Copa forem sem chuvas Recife vai oferecer belos cenários. Os catamarãs não vão parar de circular pelos canais da Veneza Brasileira e sob as pontes seculares.  
Mas, cenários à parte, imagino o agito que se produzirá nos comerciantes que por ali estão estabelecidos e que fazem da região seu melhor espaço de negócios. Refiro-me aos mais mais populares – vendedores ambulantes, tapioqueiras, espetinhos e acarajés, vendedor de bugigangas,
incluindo adereços pessoais alusivos à Copa, barraqueiros, vendedores de água de coco, cervejas e correlatos – aos donos de bares e restaurantes, cafés, shopping e livraria. Vai ser o maior auê. Vi gente preparando apressadamente uma Arena/Bar para receber os fregueses. (Vide foto a seguir)
Além de observar, parei para conversar com alguns e levantar expectativas sobre o evento. Mara Maravilha uma baiana espevitada (Vide foto a seguir)  me disse que não vê a hora de empanturrar os torcedores gringos com seu famoso acarajé. Posou para minha câmara e afirmou com segurança: “pode botar  minha cara na internet, para quando chegarem aqui  já saibam  onde parar pra comer.”   Garantiu que vai trabalhar que só a “murrinha”. Ri muito, desejei boa sorte e fiquei pensando na “murrinha”. Como será essa figura? Só ela pode explicar...
A tapioqueira na Avenida Marques de Olinda nem me deu atenção. Fiz a foto, está aí abaixo, e ela nem se abalou. Não quis conversa. Estava de olho na fila de espera e pondo mais uma na frigideira. Acho que durante a Copa ela vai precisar de ajudante, porque a fila deverá ser maior. Espero que a tapioca “bombe” e ganhe fama internacional. Tomara que os gringos, saboreando nossa popular iguaria, rejeitem comer os internacionais hot-dogs. A FIFA já aprovou.
Diante do churrasquinho no espeto, no meio da fumaceira gordurosa, vi-me numa China tropical. Igualzinho! Em Pequim a estratégia é a mesma. Veja as fotos a seguir com as duas faces da coisa: Brasil x China. Gosto muito de fotografar o popular. Observando as duas figuras fico pensando que se trata de seres humanos de culturas totalmente distintas sobrevivendo com formas idênticas. Nos dois, identifico um traço comum: são comprometidos com o viver, de preferencia com amor, felicidade e prazer, três coisas essenciais na vida, aqui no Ocidente, ou ali, no Oriente.
X 
Só sei que, com prós ou contras, a Copa está aí. E o Recife está esperando os torcedores.

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro, no Recife e na China. Observe o churrasqueiro chinês oferecendo camarões. Mas, pra quem preferir tem uma cobrinha maneira. Está lá na grelha. Viu?

                   

domingo, 13 de abril de 2014

Violência Mapeada

A violência é endêmica em muitas regiões do mundo. E o Brasil entra de modo lamentável nesse doloroso mapa-múndi, num grupo que inclui México, Nigéria e Congo.   Um levantamento feito pela Organização das Nações Unidas, através do seu Escritório Sobre Drogas e Crime (UNODC), e publicado nesta semana que termina, trouxe uma informação dolorosa: 11 das 30 cidades mais violentas do mundo estão no Brasil.
Além de lamentável, algumas curiosas surpresas são trazidas pela referida Pesquisa. Por exemplo: a primeira coisa que se imagina é que as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo deviam vir na dianteira da lista. Mas, não. Sequer estão entre as trinta. Como pode? Diante da maciça divulgação pela mídia, diariamente e ao vivo e a cores, outra coisa não se pode imaginar. Ao contrario disso, cidades menores e, provavelmente com pouca cobertura do grande jornalismo, como Maceió, João Pessoa e Fortaleza, aparecem entre as dez mais. Uma surpresa, das grandes, para um simples mortal quem nem eu. Mais surpreendido quando – por felicidade, aliás – não vejo entre as listadas, nesse mapa da violência, a minha cidade do Recife, que já foi no passado recente uma das mais violentas do país. Parece que o Programa Pacto pela Vida, do atual Governo local, vem surtindo efeitos positivos.
Sinceramente, fico perplexo imaginando o nível de violência que vem ocorrendo nessas cidades listadas, principalmente nas menores. Pensando que alimento meus temores em andar à vontade no Recife e se, a cada dia, me assusto com as atrocidades que a imprensa e a TV nos mostra, na grande maioria ocorrida no Rio de Janeiro ou em São Paulo, minha surpresa é compreensível. Cá entre nós, fico temeroso de fazer visitas à Maceió – a mais violenta do Brasil – João Pessoa e Fortaleza. Não tenho como não me surpreender. Afinal são cidades para as quais sempre fui sem temor e de peito aberto.
Segundo a ONU, 437 Mil pessoas foram assassinadas no Mundo, em 2012. Quase meio milhão de vidas tiradas, em atos violentos intencionais. Mata-se mais do que nos conflitos armados em qualquer lugar. 36% dessas mortes ocorreram nas Américas, sobretudo Central e do Sul. A pequena Honduras é a “campeã” da lista, com duas cidades mais violentas do Mundo: San Pedro Sula e a Capital Tegucigalpa. Naquele país, ocorrem 90,4 homicídios intencionais entre cada 100 Mil habitantes. A Venezuela vem em seguida com uma taxa de 53,7 por 100 Mil e El Salvador, com 41,2. A taxa verificada no Brasil foi de 25 homicídios para cada 100 Mil Habitantes. São taxas endêmicas para o padrão mundial, que tolera no máximo 20.
Das 30 cidades que encabeçam a lista da violência no mundo, quase todas estão nas Américas. A única exceção é a Cidade do Cabo (20º lugar em violência) na África do Sul. Duas são norte-americanas: Detroit e Nova Orleans. Agora, para tristeza nossa, 11 são brasileiras. O restante é de cidades latino-americanas. Além das brasileiras já citadas, ainda estão, entre as 30 mais violentas: Natal (12ª), Salvador (13ª), Vitoria (14ª), São Luiz (15ª), Belém (23ª), Campina Grande (25ª), Goiânia (28ª) e Cuiabá (29ª). E muita coisa, minha gente.

Por curiosidade, fui examinar a outra ponta e descobri que nos principados de Mônaco e Liechtenstein, as taxas observadas foram de zero homicídios em 2012. Na mesma ponta destacam-se Cingapura, com 0,2 por 100.000 e o Japão com 0,3. O Iraque, vejam só, emergindo de um conflito armado sangrento apresentou uma taxa de assassinatos de 8% por 100 mil habitantes. Não é uma surpresa? Para mim, pelo menos, é. As taxas encontradas na Europa e Oceania foram, respectivamente, de 5% e 0,3%.
Esses dados alarmantes chegam com muita oportunidade neste tempo de eleições no Brasil. Tomara que nossos candidatos, seja qual for o nível de disputa, estejam atentos e com as informações às mãos na hora de compor seus planos de governo. E que o eleitorado tome conhecimento, aliás, consciência desta situação para cobrar de modo enfático e responsável nos debates e nas urnas.
Precisamos lutar por um país mais decente e livre das violentas atrocidades registradas nos últimos tempos, acabando, por exemplo, com a impunidade, que tem sido um dos maiores incentivos à pratica de crimes. Segundo o mesmo escritório da ONU, apenas 24 de cada 100 homicídios recebem sentença condenatória! Nessa mesma esteira de atitudes, precisamos dar um basta aos cartéis da droga, que imperam nas periferias urbanas brasileiras e sustentam as ações do crime organizado. Ah! Combater de modo severo e decidido com a violência contra as mulheres e o tráfico de pessoas... E, naturalmente, educar essa gente, para que possam conquistar um mundo adequadamente civilizado. Tristemente conclamo: Acorda Brasil!

NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens

  

domingo, 8 de julho de 2012

Chega de Amadorismo

O Recife, de fato, precisa de uma Prefeitura mais atuante e competente. Essa que está se despedindo não conseguiu dizer pra que veio e nem convencer no que fez. Nem mesmo para seus correligionários, haja vistas para a guerrinha fratricida que travaram de modo escancarado. No fim de semana passado, estive outra vez em Fortaleza, capital do Ceará. Como sempre, volto encantado com a dinâmica da cidade. É de se “tirar o chapéu”, principalmente no item turismo, condição na qual me achava, embora com um compromisso social.
É interessante como aquela cidade está preparada para receber, competentemente. Lá o visitante não tem do que reclamar. Da chegada à saída é oferecido um variado leque de atrações, que fazem a festa de quem procura lazer. Prá começar, a cidade está limpa – pelo menos por onde circulam os turistas – embora que esteja sob o comando de uma prefeita petista. Dizem que ela tem “nariz arrebitado” e, procura ser independente. Soube inclusive que não segue à risca a cartilha retrógada do Partido. Comete lá seus erros graves, como qualquer político, entre os quais o de proibir a instalação de um grande estaleiro nas proximidades da cidade e que, segundo muitos, não seria prejudicial. Se ela tem razão ou não, só a história vai julgar, no futuro.
Mas, uma das coisas que mais entusiasma na Terra de Iracema é o cuidado que se tem em preservar os valores culturais locais. Isso parece ser o que mais seduz o visitante. Em tempos de chings-lings, cibernética desenfreada, máquina de bordar computadorizada, automação industrial e outros bichos modernos, ainda é possível se deparar com uma rendeira de almofada (vide Foto a seguir), produzindo e vendendo sua arte e prometendo ensinar às netinhas, na beira da praia, onde vivem. “Nossa arte num pode morrer, Doutor” disse-me com toda convicção. A turma jovem que passa por ela, no Mercado de Artesanato, se surpreende com a agilidade daquelas mãos carcomidas pelo tempo, porém ágil no trançar das linhas com os bilros antigos e sonoros, remetendo-me ao dantes da minha infância, no interior de Pernambuco. Já não vejo mais essas exibições, por nossas bandas. Se existe, pode até acontecer, são bem escondidas.
No mesmo mercado, um passo mais adiante, a beleza do artista que trabalha a fina areia colorida e compõe paisagens nordestinas dentro de uma garrafa (Foto a seguir), logo depois vendidas para os galegos forasteiros, sempre presentes nas ruas da capital cearense. A turma estrangeira fica deslumbrada com aquela habilidade. Compram às tuias e levam como sourvenirs.
Na beira mar da badalada Praia do Futuro, acontece um ininterrupto festival de manifestações culturais. São cantadores, entalhadores, desenhistas e comerciantes de produtos dos mais diversos.  É muito interessante observar os vendedores de toalhas bordadas à mão (Foto abaixo), enfeites e bijuterias de fibras, sementes e conchas marinhas, redes de solteiro e casal, estas últimas com um marketing infalível dos vendedores, que, em tons jocosos, gritam para o público: “olha a rede de fazer menino...” quando surge uma reação mais pudica, ele emenda dizendo “... dormir”. É uma graça. Tem outro tipo de propaganda, muito eficaz, que o outro vendedor ataca dizendo: “Olha a rede de casal! Dormem dois e amanhecem três!”. Os marmanjos turistas se assanham e levam o produto. Ah! Tem vendedor que já ensaia diálogos em inglês e espanhol.
No mais é só comer lagosta fresquinha e cozida na hora ou quebrar a carcaça de um caranguejo e se deliciar com a carne do crustáceo, regado com uma cervejinha bem gelada.
O que chama a atenção é que tudo isso acontece em bares ou restaurantes superestruturados, nas areias da praia, com serviço perfeito, massagistas ao ar livre e redes para relax. Falaram-me de um restaurante – propriedade de um francês – que serve champagne  e acepipes de receitas trazidas da Côte d’Azur. Brinque!
Nas praias do Recife temos nossos comerciantes praieiros, é verdade, mas, faltam organização e tino turístico. Pensando bem, faltam competência empresarial e gestão política. Sei que alguém vai discordar, mas, sou da opinião que no mundo atual tem que haver profissionalismo para tudo. Chega de amadorismo. 
NOTA: As fotos são da autoria do Blogueiro

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...