sexta-feira, 9 de maio de 2014

Vexame Internacional

Vejam vocês que tristeza. Esse assassinato do jovem torcedor no Estádio do Arruda, semana passada, como de se esperar, terminou colocando de modo ostensivo os refletores internacionais na delicada situação da violência brasileira, particularmente aquelas que ocorrem nos campos de futebol. Num ano de Copa do Mundo no Brasil, então, este caso veio corroborar para a ampliação do clima de insegurança que reina na maioria das torcidas estrangeiras que se preparam para aportar no reino do futebol.
É inacreditável para qualquer cidadão de sã consciência, mundo afora, saber que um sujeito tem a capacidade de arrancar uma bacia sanitária de um banheiro publico (é o caso de um banheiro, num estádio de futebol) e arremessá-la das alturas, onde as arquibancadas, sobre uma multidão que se desloca na saída da praça de esportes. Surrealismo para qualquer um. Tenho certeza. Naturalmente, causa perplexidade.
O incrível, minha gente, que em meio aos comentários sobre essa tragédia tomei conhecimento de que “normalmente” ao final de cada partida de futebol, as administrações de estádios arcam com altíssimos custos para recompor setores depredados por torcedores revoltados, ou não, com o resultado final do placar. Bacias sanitárias, torneiras, pias, luminárias, cabos elétricos são danificados ou roubados de modo frequente. E que não foi a primeira vez que um vaso sanitário tenha sido arremessado das alturas. Muitos já se livraram da fatalidade, o que não ocorreu no caso de Paulo Ricardo Gomes da Silva, um trabalhador pacato, laborioso, soldador no Estaleiro Atlântico Sul, aqui em Pernambuco. Seu defeito era gostar de futebol e frequentar os estádios.  Conversei com uma gerente do referido Estaleiro, que me traçou um perfil do rapaz. Torcedor do Sport Clube do Recife e fotógrafo da Torcida Organizada do Clube  preparava-se para mais um clique com sua câmara, quando tombou morto. Qualquer outro tipo de comentário, agora, será redundância para essa barbárie.
A notícia escabrosa correu o mundo como um rastilho de pólvora: do Arruda para Johanesburgo e Sydney. Ao mesmo instante, Londres, Nova York e Tóquio. Um horror. O Recife, no final das contas, gerou as manchetes dos principais jornais do planeta. Dolorosas... é claro!   Vide foto a seguir.

Indecente foi escutar, dias depois, um comentário de que os dirigentes do Clube “tirando o corpo fora”, afirmaram não ter nada ver com o ocorrido. O Santa Cruz Futebol Clube fica sem mando de campo por duas partidas. Considero ser uma penalidade muito pequena, para um Clube que não atenta para a segurança da sua praça de esportes. 
Lamentavelmente, estamos chegando o “fundo do poço”. Nossa sociedade está em franca deterioração. O que mais poderá ocorrer? Vidas inocentes são interrompidas friamente. Criança é trucidada perversamente, no Rio Grande do Sul, por uma madrasta insana; filho decapitou o pai e desfila na cidade exibindo a cabeça, em Mato Grosso do Sul; em São Paulo, uma mulher é linchada até a morte por conta de um boato na Internet. Tudo nesses últimos dias! É uma crise de civilidade, humanidade, solidariedade, de tudo que contribua para se viver numa Nação digna e respeitada.
O Brasil precisa ser conduzido a uma reflexão coletiva, neste momento crucial. A pobreza disseminada induz a falta de perspectiva na vida de uma grande parte da população. Com educação e saúde em estados precários; com carência de um verdadeiro líder político; a bandidagem grassando nas mais diversas camadas sociais, inclusive na política; uma impunidade generalizada; a justiça ronceira e a urbanidade desgastada formaram o "caldo" que levou País a este quadro deplorável.  
Urge que tenhamos uma liderança forte assumindo os destinos da Nação, duvido muito, com consciência e visão de futuro para remontar esta sociedade em padrões civilizados e garantidores de um futuro de muita ORDEM e franco PROGRESSO.
Como os governos não são capazes de dar conta do recado, a sociedade organizada tem que dar as mãos e entrar nessa cruzada de salvação. Que venham as ONGs sociais, como as pastorais católicas, as organizações das demais igrejas, os Clubes de Serviços (Rotary e Lions), as associações de bairros e todos que queiram salvar o país da sanha marginal.    

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

2 comentários:

Wilma Clelia Reis disse...

Infelizmente o Brasil tornou-se palco de grande marginalidade,terrorismo mesmo.E é esse o País onde vai ocorrer a poucos dias a Copa do Mundo.É muito assustador pensar em tudo que pode acontecer .Só Deus tem misericórdia!
Wilma

Vera Lucia Lucena disse...

Em virtude da marginalidade que assola o País, temo muitíssimo pelo que possa acontecer durante a Copa do Mundo, sendo o Brasil considerado o País do futebol. O que fazer com esses vândalos? Como pode uma pessoa retirar dois vasos sanitários e ninguém ouvir nada e tudo sem falar que na TV, já mostrou o espaço bem limpinho como se o vaso estivesse, literalmente, solto. Que DEUS jogue uma luz na cabeça e no coração dessas criaturas é tudo o que peço. Estou bastante preocupada.
Vera Lúcia Lucena