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quinta-feira, 10 de julho de 2014

O Delirio Acabou

Comecei esta postagem, por duas ou três vezes e nada me agradava. Diferente da alegria na postagem anterior, o tema não poderia ser outro senão a decepcionante e acachapante derrota do selecionado brasileiro, diante da Alemanha, na Copa do Mundo 2014. Dentro de casa! A ressaca da “pancada” que levei deixou-me transtornado ao ponto de nem saber por onde começar estes comentários que agora faço. A dor emocional que cada brasileiro – ligado no mundial – sentiu foi bem maior do que aquela do atacante Neymar.
Agora, assimilada a derrota, lembro que nunca estive muito seguro dessa seleção de futebol deste ano. Achei que estava despreparada para um campeonato tão duro e competitivo. As outras tiveram que lutar para vir ao Brasil e a nossa ficou, na zona de conforto de anfitriã, sem competir, jogando, vez por outra, com seleções pouco pouco expressivas, ganhando sem talento e se enganando os brasileiros e a si mesma.
Aquele gol contra, nos primeiros minutos do campeonato, cometido pelo jogador Marcelo, foi para mim um sinal concreto das dificuldades que teríamos dali por diante. Nas partidas seguintes, o empate com o México, a disputa nos pênaltis com o Chile e o jogo sufocante com a Colômbia, apenas confirmou minha desconfiança. O fato de jogar em casa e ter um atacante consagrado e incensado mundialmente não me deu, em momento algum, a certeza de que chegaríamos lá. Futebol é jogo de equipe e não pode, jamais, ser confiado num único atleta. Faltou time para o sucesso do Brasil. E nesse caso o tal jeitinho, não dá jeito. Tínhamos 10 homens carregados pelo astro Neymar. Impossível vencer. O acidente com este astro destrambelhou, de vez, o grupo que rigorosamente nunca formou um time. O resultado ficou flagrante na partida contra os alemães. Estes ganharam com técnica e talento, mostrando que formam um coeso coletivo e que sabem como conduzir a pelota até às redes. Tiro meu chapéu para esses alemães.  Não foram à toa os aplausos que receberam dos torcedores brasileiros, ainda no Minerão. Bela atitude, por sinal.
Temo, agora, que nem o terceiro lugar seja conquistado. O futebol brasileiro está falido. E nas mãos desses cartolas da CBF vai se acabar de vez.


Olhando por outro ângulo e tentando, desde logo, tirar uma lição da derrota, acredito que o que ocorre com o atual futebol brasileiro é a contaminação do estado de espírito e desorganização socioeconômica que impera neste Brasil de hoje. A Nação está minada por uma política desgastante e devastadora que aponta para sérias dificuldades no futuro. Refiro-me a esse modelo retrogrado que propicia a preservação da já endêmica corrupção – capitalizada, aliás, por essa famigerada FIFA –, insegurança geral, péssimos índices de Educação e Saúde, sem falar no recente retrocesso da economia. Modelo incapaz, portanto, de gerar uma sociedade produtiva e atenta ao fortalecimento das estruturas necessárias à construção de um país mais desenvolvido, justo com seu povo e inserido no contexto mundial de primeira linha.  

 
No futebol, as coisas não são diferentes.  Basta ver o perfil de cada “craque” da atual seleção. A base é formada por jogadores que atuam no exterior, muitos deles sem experiências no âmbito doméstico, pinçados que foram por olheiros estrangeiros atentos e que quase todos fazem relativo sucesso, somente, em clubes inexpressivos no exterior. Pergunte onde jogam Hulk e Julio Cesar. São campeões de que? Onde?  Há outros que nem me lembro dos nomes. Nem quero lembrar! Segundo a FIFA, o Brasil exportou 1.530 jogadores de futebol no ano passado. E em 2012 já haviam ido 1.463. Fiquei pasmo com estes números.
E por que foram para o exterior? Está na cara que foram, favorecidos pela fama de ser jogador brasileiro e à busca de fazer seu pé de meia, normalmente meião. De repente, não mais que de repente, são convocados por um treinador prepotente, que não escuta opiniões alheias, marginaliza atletas consagrados internamente, manda formadores de opinião para o inferno e se acha o melhor do mundo. Esses convocados baixam no Brasil, cheios de vaidade, metidos à fashion, cabeleiras estranhas a cada partida, muita grana no bolso, carrão e mansão, desacatando os pobres coitados da planície e, sobretudo, usando chuteiras de cromo alemão, grifes caras e “salto alto”. Estão mais ligados em se exibir individualmente do que jogar futebol. Faltaram sobriedade e humildade nessa gente. Num país como o Brasil e numa competição dessa ordem é erro fatal.
Pobre torcedor brasileiro, pobre de mim que alimentei esperanças. Lágrimas foram derramadas e até vidas receberam apito final. É preciso saber perder, sem dúvidas. Mesmo que seja num escore tão elástico. Jogo é jogo, minha gente, alguém tem que perder. Esta foi a nossa vez. Paciência! Perdemos feio. Vai ser difícil esquecer. Aliás, jamais esqueceremos...
Mas, a vida continua e o brasileiro deve, agora, focar no embate que viverá em outubro próximo, que é muito mais importante do que os da Copa do Mundo. Precisamos eleger um time capaz de governar de verdade este país, com cabeças competentes, particularmente, nas áreas de Educação, Saúde, Segurança e desenvolvimento econômico. Time que leve o país a uma nova dimensão. Somente para ilustrar: a Alemanha tem 102 prêmios Nobel. A Argentina tem 5 e o Brasil tem ZERO.
Resumo da ópera: o futebol faz parte e sempre fará da vida brasileira. É salutar, é cultural. Mas esta vida precisa melhorar.  O delírio do hexa, deste ano, acabou!

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Imaginamos Errado?

Diante de inúmeros problemas políticos no país, manifestações sociais contrários à Copa e das imensas dificuldades para conclusão da maioria dos equipamentos infraestruturais nas cidades sedes dos jogos, o que mais se ouviu dizer foi o famoso clichê: “imagine na Copa!”. Virou até piada do dia-a-dia. Obras por terminar, insegurança nas ruas, manifestações populares, povo despreparado para receber os turistas/torcedores, ruas inundadas com águas das chuvas de junho, entre outras coisas, foram motivos de preocupação para meio mundo. Incluo-me no grupo dos preocupados. A Nação se dividiu entre os que eram a favor e aqueles contrários à Copa do Mundo no país. Resultou num imenso clima de incerteza. A mídia estrangeira não poupou, de criticas negativas, o Brasil e, sobretudo o Governo brasileiro, que não saiu da “frigideira”. A FIFA, nem se fala. A mais suave das criticas resumia a situação como tendo sido o Brasil uma infeliz escolha. Confesso que concordei muitas vezes.
O tempo passou rápido, muitas obras, de fato, estão inacabadas, outras ficaram no papel e dele dificilmente sairão, o povão, claro, não aprendeu a falar inglês ou espanhol, São Pedro mandou muita chuva em Natal e no Recife, com consequências até mesmo catastróficas na primeira cidade, o acesso à Arena Pernambuco foi, para muitos, uma aventura, mas, a Copa está rolando.  
Contudo, para surpresa de muitos, aqui, no resto do país e no Mundo, os aeroportos funcionam normalmente, não se registra atrasos fora do normal, os hotéis são suficientes e sobram disponibilidades, os transportes públicos funcionam, os torcedores estrangeiros estão se esbaldando, os nativos entraram na onda, deixaram os protestos de lado e caíram em campo torcendo e aplaudindo e, enfim, a Copa do Mundo/2014 está sendo bem avaliada e tida como sendo a maior de todos os tempos. Vamos e venhamos, uma coisa inesperada para nós brasileiros, que contávamos com um fiasco. Um importante jornal francês, que castigou em criticas anteriormente, admitiu, esta semana, que o Brasil está realizando, “ao seu modo”, uma extraordinária Copa e considera que isto é um “verdadeiro milagre”. Fiquei meio encabulado, embora entendendo a surpresa dos franceses, e procurando interpretar este “ao seu modo” que pode ser uma critica velada, assim como, considerar um “milagre” é outro motivo que exige melhor interpretação.
O fato de a coisa caminhar com certa tranquilidade e sucesso reconhecido pelos torcedores  que chegam de fora e pelos que de longe observam o evento, sugere uma serie de considerações que apontem para alguma lógica: a grande parte dos torcedores de fora – a maioria esmagadora é composta de homens jovens – pouco estão se incomodando com falhas de infraestrutura e logística, vieram dispostos a cair na “gandaia”, curtir adoidado cada momento e aproveitar de qualquer jeito. Soube de torcedor alemão que, depois de uma verdadeira aventura para chegar a tempo na Arena Pernambuco (fica bem distante de tudo), relatou de forma hilária tudo que experimentou: “vou ter muito o que contar quando chegar ao meu país”, explicou às gargalhadas. Outro fato que caiu nas redes sociais e se multiplicou ilimitadamente foi de integrantes da torcida norte-americano se esbaldando a caminho da Arena Pernambuco debaixo do maior temporal que caiu na cidade antes da partida entre Estados Unidos e Alemanha. Quem esteve por lá diz que foi impagável ver o espetáculo antes, durante e depois da partida.

 
Curioso é que o que mais se noticia na imprensa estrangeira é a descontração do clima que reina no Brasil, num verdadeiro congraçamento de raças e nações, provando que futebol não combina com política e, mais do que isto, une os povos. Povos tão carentes de, alegria, paz e união. A propósito, quase não acreditei, esses dias, vendo um torcedor estrangeiro afirmar, diante das câmeras de TV, que a Copa do Mundo devia ser sempre no Brasil. Era um cidadão europeu, de certa idade, e habituado a se fazer presente em vários outros Mundiais de Futebol.
Pois é, de repente as manifestações dos contra a Copa se apequenaram, encolheram e foram sufocadas pela alegria e entusiasmo da massa de torcedores que se espalhou pelo país. O brasileiro, antes temeroso, se contagiou, vestiu verde e amarelo, foi aos estádios, cantou a todo pulmão o Hino Nacional e mostrou ao mundo uma Nação – eu repito, Nação – alegre, bonita e vibrante chamada Brasil. Esta Copa vai deixar saudade, ainda que o Brasil não chegue ao embate final no Maracanã, próximo dia 13. Tomara que chegue! Antes de terminar, deixo uma pergunta: será que imaginamos errado?
NOTA: As fotos que ilustram a postagem foram obtidas no Google Imagens.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Bola Rolando

A Copa do Mundo começou. Mesmo contrariando alguns a bola rola nos estádios brasileiros,  desde a última quinta feira (12.06.14) dando inicio ao maior evento esportivo do planeta. Segundo a FIFA (Federação Internacional de Futebol Amador) 3 Bilhões e 400 milhões de pessoas espalhadas, mundo afora, assistiram pela TV a partida inaugural entre Brasil e Croácia. É um numero respeitável. E principalmente uma megaexposição do Brasil na mídia internacional.
Tirando a fraquíssima performance da cerimônia de abertura e o desrespeito coletivo à Presidente da Republica, tudo mais foi na medida do desejado. O jogo nem tanto, mas faz parte...  E o Brasil saiu com três pontinhos.
Acho que se houvessem confiado a algum especialista brasileiro, na coreografia e nas alegorias da abertura, o sucesso teria sido mais provável. Mas, não. Entregaram a uma profissional belga, dizem que de renome, que certamente desconhece nossas competências cenográficas e coreográficas, nem nunca esteve, por exemplo, na “Escola da Sapucaí”. Foi pobre, sem empolgação e até mesmo, por vezes, infiel aos nossos traços culturais. Melhor teria sido jogar naquele estádio uma bateria de Escola de Samba carioca, com sambistas exuberantes, uma orquestra de frevo e passistas pernambucanos e o Olodum baiano. Francamente. O gramado? Ora, ora, não acredito que faltasse solução para preservá-lo. Sem mais comentários.
O outro lance negativo, ao qual me referi, foi os apupos dirigidos à Presidente da Republica. Eu posso discordar, como discordo, do básico de D. Dilma, pois acho que ela tem sido infeliz na condução político-econômica do país, mas - oposições à parte - ela é a Chefe do Estado Brasileiro, eleita democraticamente e pelo voto popular, sendo por isso digna de todo respeito. Sobretudo num evento daquela magnitude, transmitido para o mundo inteiro. Pensando bem, esta foi uma manifestação mais violenta do que as que ocorrem nas ruas. Embora constrangida, acredito eu, ela pode “tirar de letra”, avaliando que aquele público não é seu eleitorado. Quem paga a fortuna que vem sendo cobrada por um ingresso padrão FIFA não foi aquele que recebe o Bolsa Família. Tenho dito.
Mas, episódios negativos à parte, o que vem movimentando mesmo, o Brasil desses dias, são os turistas/torcedores, fora das arenas, que baixaram no país da Copa. Nunca se viu tantos visitantes estrangeiros de uma só vez nas terras de Pindorama. Eles estão por todo lado. Mesmo nas cidades que não sediam jogos eles chegam e dão o ar da competição. No Recife, por exemplo, a experiência tem sido exuberante. Dá gosto de ver o movimento. Na arena dos jogos ou nas ruas e estabelecimentos comerciais eles estão sempre circulando. Respeitam a cultura local, ao mesmo tempo em que manifestam, quando podem, as deles. O jogo entre Japão e Costa do Marfim foi um verdadeiro show, na Arena Pernambuco. Quem esteve por lá testemunhou um espetáculo colorido e culturalmente exemplar. Aquela música e a coreografia da torcida africana (fotos a seguir), a torcida do elefante, ficarão gravadas nas mentes dos pernambucanos presentes ao estádio e, claro, brasileiros que acompanharam a partida pela TV. Já os japoneses, além do colorido e estilo próprios, deram uma belíssima lição de educação ao coletarem, no final do jogo, todo o lixo que produziram durante o tempo que estiveram no estádio (foto abaixo). Reproduziram o que fazem no Japão e terminaram marcando o maior "gol", comemorado no mundo inteiro. Fez-me lembrar de um jogo que assisti no Estádio de Yoyogi, Tóquio (1984), quando presenciei, surpreso, uma cena idêntica. Fora esses dois grupos, achei incrível a festa dos holandeses na partida contra a Espanha. Uma festa de arromba! Os espanhóis se prepararam também, mas, o desenrolar da partida, com uma derrota acachapante para a Holanda, desmontou o entusiasmo dos descendentes  de Cervantes.

Os mexicanos, que formam um dos maiores contingentes de torcedores, com aproximadamente 40 mil, boa parte centrada no Recife, estão fazendo a maior festa no eixo Recife-Natal-Fortaleza, nesta primeira fase da Copa. No Ceará vão enfrentar o Brasil, (17.06) num jogo que certamente ficará na história das duas seleções.
E os movimentos dos contrários à Copa? Estão ocorrendo, claro! Não deixariam de ocorrer. Faz parte do jogo democrático fora dos estádios e da disposição política dos insatisfeitos. Todavia, além de já não terem a mesma força do que ocorreu no ano passado, durante a Copa das Confederações, a mídia, pelo que vejo, não tem sido conivente com os manifestantes, o que amortece bastante as iniciativas deste ano.
O fato é que o brasileiro, vestindo verde-amarelo, está nas ruas torcendo e interagindo com os estrangeiros de forma pacifica e amistosa. Já vi muitos deles elogiando a hospitalidade brasileira e, claro, a alegria e os hábitos culturais do nosso povo. A ficha demorou a cair, mas caiu!
Esta Copa, na verdade e embora que no começo, vem trazendo uma série de boas lições tiradas de cada momento e cada movimento. Pela ótica dos movimentos grevistas e contrários enxergamos o que de errado está havendo no país. É, sem dúvidas, um bom exercício. E dos eventos inerentes ao ritual da Competição, a constatação de que ainda somos um povo alegre, vibrante e capaz de inserir, no atual ambiente conturbado da vida nacional, uma pausa pacifica e exuberante, própria do país do futebol. Acredito que a realização da Copa do Mundo proporciona que cheguemos a essas constatações. Sem ela, provavelmente estaríamos apáticos e alienados. Tipo "tônemaí".
Deixem a bola rolar! Idem para os protestos. O Senhor Tempo, com tempo, vai mostrar o certo e o errado com mais clareza.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Recife além da Copa

Continuo encasquetado com o evento da Copa do Mundo. Talvez preocupado com o desenrolar das coisas e sob influência das análises e comentários que são publicados no âmbito doméstico ou no internacional. Vou torcer pelo Brasil, isto sim. Mas ficarei com um olho na bola e outro nas ruas.
No fim de semana passado resolvi andar por aí, digo por alguns pontos de atração turística da minha cidade, tentando olhar como olharia um visitante estrangeiro. Embora sabendo que as praias poderão ser os pontos mais atrativos, escolhi o Bairro do Recife Antigo como meu destino, naquela tarde, entendendo ser outro ponto em evidencia. Ali, onde o Porto do Recife, por exemplo, vai atracar um navio de grande porte que servirá, inclusive, de hotel para aproximadamente 800 mexicanos, que chegarão em 13 aviões da Aeroméxico, segundo noticiário da imprensa. A seleção mexicana jogará na Arena Pernambuco.  Imagine o que isso vai provocar naquela localidade recifense. Esse navio vai ficar ancorado por dias no Recife e, por ocasião de uma partida dos mexicanos com a Seleção Brasileira, no Castelão, em Fortaleza (CE), se desloca até lá, retornando em seguida ao nosso Porto. Fico imaginando o que esses torcedores mexicanos vão aprontar nas redondezas do Marco Zero. E vejam que estou falando apenas de uma torcida. Outras virão por terra e por via aérea. É muita gente de uma só vez e isto me sugere uma dúvida: será que nossa gente faz ideia adequada do tamanho desse movimento? Vai haver cerveja, caipirinhas  e tira-gosto suficientes? A situação tem que ser vista como extraordinária e, como o turismo no Brasil é muito tênue, particularmente, aqui no Recife, tenho dúvidas. Nossa gente não está habituado a receber grandes contingentes de estrangeiros. Português não é uma língua muito difundida e por aí vai. Baita experiência.
Sem me alongar mais nessas considerações, volto ao meu passeio pela região do Marco Zero. Aquilo lá, indiscutivelmente, é um belo espaço da nossa cidade.
O conjunto arquitetônico neoclássico, acredito que de influencia francesa, do Bairro do Recife Antigo confere à região um ambiente de beleza impar, formando um cenário que enche as vistas de qualquer visitante. Eu, sendo um desses estrangeiros, ficaria admirado com aqueles prédios de fachadas esmeradamente decoradas, muitos dos quais restaurados. As avenidas radiais e as ruas transversais são bem traçadas, fruto de uma urbanização bem planejada que data do inicio do século 20. A brisa atlântica sopra sem parar e se os dias de Copa forem sem chuvas Recife vai oferecer belos cenários. Os catamarãs não vão parar de circular pelos canais da Veneza Brasileira e sob as pontes seculares.  
Mas, cenários à parte, imagino o agito que se produzirá nos comerciantes que por ali estão estabelecidos e que fazem da região seu melhor espaço de negócios. Refiro-me aos mais mais populares – vendedores ambulantes, tapioqueiras, espetinhos e acarajés, vendedor de bugigangas,
incluindo adereços pessoais alusivos à Copa, barraqueiros, vendedores de água de coco, cervejas e correlatos – aos donos de bares e restaurantes, cafés, shopping e livraria. Vai ser o maior auê. Vi gente preparando apressadamente uma Arena/Bar para receber os fregueses. (Vide foto a seguir)
Além de observar, parei para conversar com alguns e levantar expectativas sobre o evento. Mara Maravilha uma baiana espevitada (Vide foto a seguir)  me disse que não vê a hora de empanturrar os torcedores gringos com seu famoso acarajé. Posou para minha câmara e afirmou com segurança: “pode botar  minha cara na internet, para quando chegarem aqui  já saibam  onde parar pra comer.”   Garantiu que vai trabalhar que só a “murrinha”. Ri muito, desejei boa sorte e fiquei pensando na “murrinha”. Como será essa figura? Só ela pode explicar...
A tapioqueira na Avenida Marques de Olinda nem me deu atenção. Fiz a foto, está aí abaixo, e ela nem se abalou. Não quis conversa. Estava de olho na fila de espera e pondo mais uma na frigideira. Acho que durante a Copa ela vai precisar de ajudante, porque a fila deverá ser maior. Espero que a tapioca “bombe” e ganhe fama internacional. Tomara que os gringos, saboreando nossa popular iguaria, rejeitem comer os internacionais hot-dogs. A FIFA já aprovou.
Diante do churrasquinho no espeto, no meio da fumaceira gordurosa, vi-me numa China tropical. Igualzinho! Em Pequim a estratégia é a mesma. Veja as fotos a seguir com as duas faces da coisa: Brasil x China. Gosto muito de fotografar o popular. Observando as duas figuras fico pensando que se trata de seres humanos de culturas totalmente distintas sobrevivendo com formas idênticas. Nos dois, identifico um traço comum: são comprometidos com o viver, de preferencia com amor, felicidade e prazer, três coisas essenciais na vida, aqui no Ocidente, ou ali, no Oriente.
X 
Só sei que, com prós ou contras, a Copa está aí. E o Recife está esperando os torcedores.

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro, no Recife e na China. Observe o churrasqueiro chinês oferecendo camarões. Mas, pra quem preferir tem uma cobrinha maneira. Está lá na grelha. Viu?

                   

sábado, 29 de março de 2014

Tá Chegando a Hora

A Copa do Mundo está chegando. Faltam poucos dias, menos de 90, para inicio do certame. Com a proximidade cresce também o estresse de quem esteja diretamente envolvido com a organização e execução do Campeonato. As atenções do mundo do futebol e os que por este se interessam estão voltadas para o Brasil. O país está diante de uma prova de fogo, para a qual, acredito pessoalmente, não estava preparado o suficiente para levar a cabo e a contento.
Nesses últimos dias tenho acompanhado as notícias que são amplamente divulgadas dentro do Brasil e no exterior. Há duas semanas, um jornal francês fez duras criticas à organização, às obras de engenharia e infraestrutura, às dificuldades e trapalhadas do Governo Brasileiro, à mobilidade das grandes cidades brasileiras, especialmente as que sediarão jogos, à falta de segurança, aos aeroportos, aos preços aviltados de hotéis e restaurantes  e, de modo expressivo, chamou a atenção para as manifestações contrárias que poderão ocorrer, a exemplo das que aconteceram por ocasião da Copa das Confederações, no ano passado. Entre as noticias, no ambiente doméstico, destaco duas apenas para melhor ilustrar a situação: a primeira dando contas do atraso das obras da Arena Itaquerão, em São Paulo, para qual está programado o jogo de abertura da Competição.  A segunda veio de Porto Alegre, onde o estádio local não foi concluído por motivos burocráticos banais, com o Prefeito da capital gaúcha ameaçando tirar a cidade da programação. Ora, se o estádio do primeiro jogo não for entregue a tempo e a sede de Porto Alegre for retirada, um tremendo problema será criado para a FIFA e o Governo Brasileiro. Aposto que vão terminar a “toque de caixa” e... E!...
Nesse ambiente de incertezas, e como um amplo pano de fundo, crescem a cada dia as denúncias de superfaturamento das obras das arenas da Copa, nos vários pontos do país, o que vem servindo de aditivo oposicionista para engrossar o caldo da efervescente campanha política para as eleições presidencial e de governadores estaduais, em outubro vindouro. Que coincidência inoportuna, meu Deus. Resultado: ninguém faz mais nada em Pindorama, este ano. A Presidente da Republica já decretou que não vai fazer discurso na abertura da Copa. Não quer correr o risco de levar uma tremenda vaia. Que com certeza levaria. E, agora, que a popularidade dela está em queda.
As cidades em que estádios foram remodelados, ou substituídos (Salvador, Brasília, Rio e Fortaleza, por exemplo) a questão de acesso não causa muito problema. Nas cidades cujas arenas são novas a situação se complica. A do Recife é uma delas. Chegar até lá é coisa complicada. Fui ao primeiro jogo da Copa das Confederações, ano passado, e até hoje me arrependo. Usei o modal do Metro, pensando que a estação mais próxima fosse próxima mesmo. Puro engano. Tive que aturar um transfer de ônibus superlotado, desconfortável e, por cima disso, caminhar por pelo menos meio quilômetro. Faz favor. Quero ver estrangeiro tolerar uma dessas.
Só sei é que todas as cidades sedes dos jogos passam por dificuldades de mobilidade e isso vai  impor aos torcedores visitantes situações não programadas.
É lamentável que o Brasil perca essa chance de ouro para mostrar, de forma competente, sua capacidade de movimentar o setor turismo. Onde ocorre uma competição dessas, geralmente, os bons resultados vêm pouco tempo depois. O torcedor que veio durante o Mundial e saiu satisfeito, retorna e trás outros. Na África do Sul, por exemplo, escutei depoimentos assim.  Vamos ver o que ocorrerá no Brasil.
Agora, tem algumas coisas que não podem passar despercebidas pelos brasileiros: as iniciativas privadas, pouco visíveis, que estão sendo tocadas de norte a sul. São, digamos, “providências imbatíveis!”. Não pela qualidade, o que seria desejado, mas, sobretudo, pelas características de cada uma delas. Exemplos concretos: a turma do tráfico de drogas está se mobilizando para não faltar nenhum produto na praça. No Rio de Janeiro esperam faturar em dobro ou mais do que isso. As casas noturnas do Rio e São Paulo – e certamente noutras praças – estão maquilando suas instalações e colocando as “meninas” para estudar inglês intensivo, arrumar o material e entrar em prontidão. Imagino a ouriçassão. Nesses locais, segundo dizem, já prepararam tabelas em Dólar e Euro e, pasmem, mandaram trazer garotas com “mestrado” no atendimento a cavalheiros, em praças da Europa para dar dicas infalíveis.
É ou não é competência? Afinal, para esses empresários, está na hora de mostrar o produto brasileiro mais vendido no exterior: mulher. (Vide acima propaganda de Fortaleza, na Europa). E misturado ao ambiente do futebol é como o diabo gosta. Aí, sim, a fama do país do futebol, carnaval e sexo fácil vai cristalizar no mercado mundial. E, se o Brasil ganhar, saia de baixo. Aconselho ri, para não chorar.
Só espero ver no que vai restar dessa zoadeira. E, tá chegando a hora.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...