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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Imaginamos Errado?

Diante de inúmeros problemas políticos no país, manifestações sociais contrários à Copa e das imensas dificuldades para conclusão da maioria dos equipamentos infraestruturais nas cidades sedes dos jogos, o que mais se ouviu dizer foi o famoso clichê: “imagine na Copa!”. Virou até piada do dia-a-dia. Obras por terminar, insegurança nas ruas, manifestações populares, povo despreparado para receber os turistas/torcedores, ruas inundadas com águas das chuvas de junho, entre outras coisas, foram motivos de preocupação para meio mundo. Incluo-me no grupo dos preocupados. A Nação se dividiu entre os que eram a favor e aqueles contrários à Copa do Mundo no país. Resultou num imenso clima de incerteza. A mídia estrangeira não poupou, de criticas negativas, o Brasil e, sobretudo o Governo brasileiro, que não saiu da “frigideira”. A FIFA, nem se fala. A mais suave das criticas resumia a situação como tendo sido o Brasil uma infeliz escolha. Confesso que concordei muitas vezes.
O tempo passou rápido, muitas obras, de fato, estão inacabadas, outras ficaram no papel e dele dificilmente sairão, o povão, claro, não aprendeu a falar inglês ou espanhol, São Pedro mandou muita chuva em Natal e no Recife, com consequências até mesmo catastróficas na primeira cidade, o acesso à Arena Pernambuco foi, para muitos, uma aventura, mas, a Copa está rolando.  
Contudo, para surpresa de muitos, aqui, no resto do país e no Mundo, os aeroportos funcionam normalmente, não se registra atrasos fora do normal, os hotéis são suficientes e sobram disponibilidades, os transportes públicos funcionam, os torcedores estrangeiros estão se esbaldando, os nativos entraram na onda, deixaram os protestos de lado e caíram em campo torcendo e aplaudindo e, enfim, a Copa do Mundo/2014 está sendo bem avaliada e tida como sendo a maior de todos os tempos. Vamos e venhamos, uma coisa inesperada para nós brasileiros, que contávamos com um fiasco. Um importante jornal francês, que castigou em criticas anteriormente, admitiu, esta semana, que o Brasil está realizando, “ao seu modo”, uma extraordinária Copa e considera que isto é um “verdadeiro milagre”. Fiquei meio encabulado, embora entendendo a surpresa dos franceses, e procurando interpretar este “ao seu modo” que pode ser uma critica velada, assim como, considerar um “milagre” é outro motivo que exige melhor interpretação.
O fato de a coisa caminhar com certa tranquilidade e sucesso reconhecido pelos torcedores  que chegam de fora e pelos que de longe observam o evento, sugere uma serie de considerações que apontem para alguma lógica: a grande parte dos torcedores de fora – a maioria esmagadora é composta de homens jovens – pouco estão se incomodando com falhas de infraestrutura e logística, vieram dispostos a cair na “gandaia”, curtir adoidado cada momento e aproveitar de qualquer jeito. Soube de torcedor alemão que, depois de uma verdadeira aventura para chegar a tempo na Arena Pernambuco (fica bem distante de tudo), relatou de forma hilária tudo que experimentou: “vou ter muito o que contar quando chegar ao meu país”, explicou às gargalhadas. Outro fato que caiu nas redes sociais e se multiplicou ilimitadamente foi de integrantes da torcida norte-americano se esbaldando a caminho da Arena Pernambuco debaixo do maior temporal que caiu na cidade antes da partida entre Estados Unidos e Alemanha. Quem esteve por lá diz que foi impagável ver o espetáculo antes, durante e depois da partida.

 
Curioso é que o que mais se noticia na imprensa estrangeira é a descontração do clima que reina no Brasil, num verdadeiro congraçamento de raças e nações, provando que futebol não combina com política e, mais do que isto, une os povos. Povos tão carentes de, alegria, paz e união. A propósito, quase não acreditei, esses dias, vendo um torcedor estrangeiro afirmar, diante das câmeras de TV, que a Copa do Mundo devia ser sempre no Brasil. Era um cidadão europeu, de certa idade, e habituado a se fazer presente em vários outros Mundiais de Futebol.
Pois é, de repente as manifestações dos contra a Copa se apequenaram, encolheram e foram sufocadas pela alegria e entusiasmo da massa de torcedores que se espalhou pelo país. O brasileiro, antes temeroso, se contagiou, vestiu verde e amarelo, foi aos estádios, cantou a todo pulmão o Hino Nacional e mostrou ao mundo uma Nação – eu repito, Nação – alegre, bonita e vibrante chamada Brasil. Esta Copa vai deixar saudade, ainda que o Brasil não chegue ao embate final no Maracanã, próximo dia 13. Tomara que chegue! Antes de terminar, deixo uma pergunta: será que imaginamos errado?
NOTA: As fotos que ilustram a postagem foram obtidas no Google Imagens.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Bola Rolando

A Copa do Mundo começou. Mesmo contrariando alguns a bola rola nos estádios brasileiros,  desde a última quinta feira (12.06.14) dando inicio ao maior evento esportivo do planeta. Segundo a FIFA (Federação Internacional de Futebol Amador) 3 Bilhões e 400 milhões de pessoas espalhadas, mundo afora, assistiram pela TV a partida inaugural entre Brasil e Croácia. É um numero respeitável. E principalmente uma megaexposição do Brasil na mídia internacional.
Tirando a fraquíssima performance da cerimônia de abertura e o desrespeito coletivo à Presidente da Republica, tudo mais foi na medida do desejado. O jogo nem tanto, mas faz parte...  E o Brasil saiu com três pontinhos.
Acho que se houvessem confiado a algum especialista brasileiro, na coreografia e nas alegorias da abertura, o sucesso teria sido mais provável. Mas, não. Entregaram a uma profissional belga, dizem que de renome, que certamente desconhece nossas competências cenográficas e coreográficas, nem nunca esteve, por exemplo, na “Escola da Sapucaí”. Foi pobre, sem empolgação e até mesmo, por vezes, infiel aos nossos traços culturais. Melhor teria sido jogar naquele estádio uma bateria de Escola de Samba carioca, com sambistas exuberantes, uma orquestra de frevo e passistas pernambucanos e o Olodum baiano. Francamente. O gramado? Ora, ora, não acredito que faltasse solução para preservá-lo. Sem mais comentários.
O outro lance negativo, ao qual me referi, foi os apupos dirigidos à Presidente da Republica. Eu posso discordar, como discordo, do básico de D. Dilma, pois acho que ela tem sido infeliz na condução político-econômica do país, mas - oposições à parte - ela é a Chefe do Estado Brasileiro, eleita democraticamente e pelo voto popular, sendo por isso digna de todo respeito. Sobretudo num evento daquela magnitude, transmitido para o mundo inteiro. Pensando bem, esta foi uma manifestação mais violenta do que as que ocorrem nas ruas. Embora constrangida, acredito eu, ela pode “tirar de letra”, avaliando que aquele público não é seu eleitorado. Quem paga a fortuna que vem sendo cobrada por um ingresso padrão FIFA não foi aquele que recebe o Bolsa Família. Tenho dito.
Mas, episódios negativos à parte, o que vem movimentando mesmo, o Brasil desses dias, são os turistas/torcedores, fora das arenas, que baixaram no país da Copa. Nunca se viu tantos visitantes estrangeiros de uma só vez nas terras de Pindorama. Eles estão por todo lado. Mesmo nas cidades que não sediam jogos eles chegam e dão o ar da competição. No Recife, por exemplo, a experiência tem sido exuberante. Dá gosto de ver o movimento. Na arena dos jogos ou nas ruas e estabelecimentos comerciais eles estão sempre circulando. Respeitam a cultura local, ao mesmo tempo em que manifestam, quando podem, as deles. O jogo entre Japão e Costa do Marfim foi um verdadeiro show, na Arena Pernambuco. Quem esteve por lá testemunhou um espetáculo colorido e culturalmente exemplar. Aquela música e a coreografia da torcida africana (fotos a seguir), a torcida do elefante, ficarão gravadas nas mentes dos pernambucanos presentes ao estádio e, claro, brasileiros que acompanharam a partida pela TV. Já os japoneses, além do colorido e estilo próprios, deram uma belíssima lição de educação ao coletarem, no final do jogo, todo o lixo que produziram durante o tempo que estiveram no estádio (foto abaixo). Reproduziram o que fazem no Japão e terminaram marcando o maior "gol", comemorado no mundo inteiro. Fez-me lembrar de um jogo que assisti no Estádio de Yoyogi, Tóquio (1984), quando presenciei, surpreso, uma cena idêntica. Fora esses dois grupos, achei incrível a festa dos holandeses na partida contra a Espanha. Uma festa de arromba! Os espanhóis se prepararam também, mas, o desenrolar da partida, com uma derrota acachapante para a Holanda, desmontou o entusiasmo dos descendentes  de Cervantes.

Os mexicanos, que formam um dos maiores contingentes de torcedores, com aproximadamente 40 mil, boa parte centrada no Recife, estão fazendo a maior festa no eixo Recife-Natal-Fortaleza, nesta primeira fase da Copa. No Ceará vão enfrentar o Brasil, (17.06) num jogo que certamente ficará na história das duas seleções.
E os movimentos dos contrários à Copa? Estão ocorrendo, claro! Não deixariam de ocorrer. Faz parte do jogo democrático fora dos estádios e da disposição política dos insatisfeitos. Todavia, além de já não terem a mesma força do que ocorreu no ano passado, durante a Copa das Confederações, a mídia, pelo que vejo, não tem sido conivente com os manifestantes, o que amortece bastante as iniciativas deste ano.
O fato é que o brasileiro, vestindo verde-amarelo, está nas ruas torcendo e interagindo com os estrangeiros de forma pacifica e amistosa. Já vi muitos deles elogiando a hospitalidade brasileira e, claro, a alegria e os hábitos culturais do nosso povo. A ficha demorou a cair, mas caiu!
Esta Copa, na verdade e embora que no começo, vem trazendo uma série de boas lições tiradas de cada momento e cada movimento. Pela ótica dos movimentos grevistas e contrários enxergamos o que de errado está havendo no país. É, sem dúvidas, um bom exercício. E dos eventos inerentes ao ritual da Competição, a constatação de que ainda somos um povo alegre, vibrante e capaz de inserir, no atual ambiente conturbado da vida nacional, uma pausa pacifica e exuberante, própria do país do futebol. Acredito que a realização da Copa do Mundo proporciona que cheguemos a essas constatações. Sem ela, provavelmente estaríamos apáticos e alienados. Tipo "tônemaí".
Deixem a bola rolar! Idem para os protestos. O Senhor Tempo, com tempo, vai mostrar o certo e o errado com mais clareza.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

sábado, 31 de maio de 2014

Triste Legado da Copa

Pensando bem, há uma grande diferença entre realizar um Campeonato Mundial de Futebol, com os atuais moldes que a FIFA exige, num país desenvolvido do que num outro em desenvolvimento. Mesmo sendo um dos BRICS (Grupo dos emergentes: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) como no caso da última edição e nessa que está prestes a acontecer, aqui no Brasil.
Num país desenvolvido existe toda uma estrutura socioeconômica amadurecida, consolidada e funcionando a contento da população local. O evento se reveste sempre de muita ordem, não exige superinvestimentos e termina ocorrendo de modo tranquilo. Não há chances de corrupção, porque está tudo pronto. Já nos países subdesenvolvidos, ou em desenvolvimento, a coisa se complica. O que vem ocorrendo no Brasil atualmente, de algum modo, ocorreu na África do Sul, também. Lembro-me de haver visto, à época, pela TV, noticias sobre obras inacabadas a poucos dias do certame, os protestos dos trabalhadores nas construções de estádios, com greves inclusive, e uma série de lamentações dos sul-africanos pobres pelo tratamento que recebiam na preparação dos entornos das cidades sedes do Mundial de 2010.
Como já afirmei aqui no Blog, não sou contra a Copa no Brasil. Sobretudo, agora, sabendo que bem ou mal ela vai acontecer nesses próximos dias. Contudo, não sou nenhum alienado, nem me faço de cego ao perceber que há muita gente sofrendo graves consequências pela realização no Brasil.   
Esta semana, conversando com um jovem que me presta serviços de manutenção na área de informática, inteirei-me de situações dolorosas de pessoas que vivem nos arredores da Cidade da Copa, aqui em Pernambuco. “E então Cristiano, está animado para a Copa?” Perguntei. Ele mora bem próximo da Arena Pernambuco. “Que nada Doutor...” E completou: “eu gosto é muito de futebol e fiquei só na vontade de assistir algum dos jogos. Mas essa Copa é somente para os ricos. Ninguém pode comprar esses ingressos. Oxi... Além disso, por onde eu moro o povo tá na maior tristeza. Já teve até gente que morreu!”
Eu já havia ouvido falar sobre as desapropriações que foram feitas na região da tal Cidade da Copa, em Pernambuco, quando a secretária, atendente da minha esposa, no Consultório Médico, sofreu amargamente quando recebeu ordem de despejo e uma indenização irrisória pela casa que tinha, nos arredores da Arena. A casa foi demolida, dando lugar a uma avenida/rodovia de acesso ao estádio. A moça ficou sem condições de arranjar nova moradia semelhante a que tinha e hoje vive numa casa com construção inacabada. Cerca de 400 famílias foram desalojadas. De nada serviram os protestos e clamores. (Vide foto)
No meio da conversa Cristiano me perguntou se eu não havia assistido ao Programa Profissão Repórter da Rede Globo de TV, do dia 20.05.2014. Diante da minha negativa, abriu o site no Youtube e me fez assistir. De fato, é doloroso ver aquelas cenas de revolta e penúria do povo da cidade de Camaragibe. Além de residências, muitos perderam seus pontos comerciais e de trabalho. Ruas inteiras de comércio desapareceram de um dia para outro. Todos foram parar  na famosa “Rua da Amargura”. Idosos que lutaram no passado por um pedaço de terra, para erguer uma moradia e lá viver o resto da vida, viram-se de repente sem casa e sem ter pra onde ir, dadas as indenizações aviltadas. Resultado: a morte por desgosto e desespero.  Vide o referido programa clicando em: http://www.youtube.com/watch?v=doizwPLPHKY .
O país inteiro vibrou, em 2007, com a possibilidade de realizar um Campeonato Mundial de Futebol, dentro de casa. Mas, a grande maioria da população não tinha noção de que, o que se imaginava, era pura quimera. Verdadeira ironia para a Nação que calça chuteiras o ano inteiro. Hoje, quando tudo caminha para a concretização, paira sobre o povo brasileiro uma nuvem de incerteza e frustração por não poder participar da festa da forma idealizada sete anos passados e diante da possibilidade de assistir, sim, uma onda de protestos. Milhares de Cristiano’s – jovens e velhos – não param de lamentar e maldizer a iniciativa. “Preferia que a Copa fosse noutro país. Assistia pela televisão e corria para o abraço.” Disse meu assistente técnico. Tive dó do rapaz.
Resultado é que me encontro dividido: quero ver a Copa acontecer, desejando paz e muita ordem no país e o Brasil Hexacampeão. Mas, me solidarizo com as vitimas da insanidade governamental que não soube administrar com justeza a preparação do ambiente. E veja que este é um Governo Popular. Não fosse popular talvez a coisa não ocorresse do modo que vem ocorrendo. Mesmo porque os "defensores do povo" e "salvadores da Pátria", na oposição, não permitiriam. Vá entender. Triste legado vai deixar esta Copa para boa parcela de brasileiros.
Mas, vamos em frente! O Brasil vai sobreviver porque este é um país forte, rico de esperanças e tem seu povo varonil.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Nativismo Puro

Sempre me surpreende o fato de que na maioria dos estados do Norte e Nordeste são encontrados torcedores fanáticos de times de futebol do eixo Rio-S.Paulo. Não é sem razão que se diz que o Flamengo tem a maior torcida do Brasil. Acho que a maioria está por estas bandas. Camisas e acessórios com escudo deste e dos grandes clubes sudestinos (com licença Regina Dubeux) dominam as lojas de material esportivo das grandes capitais e pequenas cidades interioranas. Vestindo camisas dos times preferidos e correndo para bares ou locais similares para assistir em telões as partidas que se desenrolam em algum local do Sudeste, nordestinos se aglomeram e comemoram cada lance. “Coisa mais estranha, gente! Será que por aqui não tem times locais?” comentei com um amigo, no interior do Nordeste. “Rapaz é que essa gente aqui só usa a parabólica e as estações sintonizadas são todas do Sul”. Mas, não é isso não... Depois observei que o futebol nessas localidades é coisa recente, os times são tecnicamente fracos e nunca disputam as series A ou B do campeonato Nacional. Ou seja, não empolgam os torcedores locais.
Semana passada comentou-se demais, aqui em Pernambuco, o fato de que uma partida valida pela serie A, entre Fluminense e Botafogo – clássico carioca – disputado na Arena Pernambuco, por falta de cancha no Rio de Janeiro, teve um mísero público pagante de 7.882 pessoas e causou um prejuízo de R$ 41 Mil no borderô. Além do prejuízo arrastaram “uma mala pesada com excesso de peso de decepção”. Mais surpresos ainda ao saberem que os referidos pagantes eram quase todos torcedores alagoanos, potiguares e paraibanos que correram para o Recife para ver de perto seus ídolos.  
Esse pessoal do Sudeste tem uma ideia completamente errada a respeito dos pernambucanos. Não sabem que aqui se joga futebol por mais de cem anos. Que no Recife existem clubes centenários. Que nossa gente entende e gosta de futebol e que só torce pelos times locais. Faz parte da nossa cultura. E cultura em Pernambuco é coisa que se leva a sério. Ninguém troca Sport, Náutico, Salgueiro ou Santa Cruz por qualquer Flamengo, Fluminense, Vasco da Gama ou Santos. Quando esses times baixam por aqui e nos enfrentam dentro de casa, o “pau come”. Nem sempre se ganha... Cá prá nós, perde-se mais do que se ganha. Mas, não se perde o ânimo, nem a pose. O amor nativista às coisas da terra é um traço muito especial dos pernambucanos.
É preciso que o resto do Brasil entenda melhor o nosso povo a nossa história. Fala-se muito que pernambucano é bairrista. Coisa nenhuma! O que fazemos – com naturalidade – é valorizar e dar realce à nossa bagagem de tradições culturais: nossas lutas políticas, nossas vitórias, nossa música e ritmos, nosso patrimônio arquitetônico, nossa culinária, nosso cancioneiro, poetas e escritores, nossas paisagens, nosso artesanato, nossa bela bandeira e nosso hino e, naturalmente, nosso futebol centenário. Mas, ninguém liga nossas manifestações às raízes históricas que temos. Fazem vista grossa e ignoram que Pernambuco é o Leão do Norte.
Que o episódio da semana passada sirva de exemplo para outros times e que ninguém venha prá cá, dando uma de bam-bam-bam, esperando que os pernambucanos venham render-lhes homenagens. Que percam as esperanças. Na mesma Arena Pernambuco, quando fui assistir o embate entre Espanha e Uruguai, pela Copa das Confederações (mês de junho passado) as torcidas de Náutico, Sport e Santa Cruz ocuparam a Arena vestindo suas camisas e empunhando bandeiras, Mais do que isso “arrasaram” com seus “gritos de guerra”. O “casá-casá” do Sport e o N-A-U-T-I-C-O do Náutico abalaram a Arena e chamou a atenção dos estrangeiros em campo. Arrepiante. Isso sim que é amor nativista. Sinto orgulho da minha gente.
Muito bem, já sabem: quando escolherem locais extra Rio para jogar mudem o rumo. Escolham outras praças e esqueçam o Recife. Voltem somente para disputar o Campeonato Nacional e venham preparados. Pena que os profissionais dos nossos times não são todos pernambucanos. Ai se fossem...   
NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Foi danado, visse!

Fui ao primeiro jogo da Copa das Confederações aqui no Recife. Espanha contra Uruguai. Jogão com a vitória da campeã do mundo de 2010. O estádio Arena Pernambuco, que me manifestei contra desde o primeiro momento em que foi anunciada, e não mudei de opinião, é de fato uma beleza. Por fora nem tanto. Tem linhas arquitetônicas bem comuns e não me agradou. Mas isto é uma questão de visão pessoal. Tudo bem, porque, lá dentro me pareceu próxima à perfeição. Um belo cenário aos olhos de quem está acostumado aos estádios “chiqueiros” da cidade, construídos à base de arranjos pobres e remendados com puxadinhos inseguros.
Se como estádio de primeiro mundo nossa Arena agrada, o mesmo não posso dizer sobre a logística complicada que tive de enfrentar para chegar até lá. Passei exatas quatro horas para aboletar-me na cadeira que comprei. Cheguei exausto, aborrecido e prometendo não voltar. Enfrentei filas descomunais. Na primeira, no Shopping Riomar – para comprar uma passagem de ônibus que me levasse à estação central do Metrô – calculo que havia pelo menos 500 pessoas na minha frente. Foram 50 minutos de espera. Outra fila para entrar no tal ônibus, que recebeu o charmoso titulo, em inglês de shuttle service. No Metrô, finalmente, embora a avalanche de gente, pensei que estaria quase lá. Que nada! Foi um longo percurso de 13 estações. Locomoção lenta devido ao excesso de trens em circulação e lá se foram mais 50 minutos. A 13ª parece um arranjo malengembrado e construído de última hora. Um corredor apertado no qual os maledicentes aproveitaram para uma infregação tipo semquererquerendo. (Vide foto a seguir).
Depois do metrô, outro ônibus! Tive vontade de desistir. Para coroar a jornada, quando pensei que seria deixado na porta da Arena, tive que caminhar por aproximadamente 900 metros, no meio de um descampado, lamacento, escuro, cheio de metralhas deixadas pelas construtoras, lixo espalhado pelo caminho e numa espécie de maratona correndo para chegar na hora da partida. Parecia um bando de loucos pelo futebol, com ares de que o mundo iria se acabar dentro de vinte minutos e o estádio seria o abrigo seguro. Nem vou falar sobre a volta. Sai antes do gol do Uruguai, pelo qual torci. Foi danado, visse!
O que vi naquele domingo passado (16.06.13) não se constituiu em surpresa para mim. Quando falei anteriormente sobre o projeto, (leia isto em http://gbrazileiro.blogspot.com/2009/09/megalomania-pernambucana.html ) imaginei que coisas como as que pude conferir seria bem possíveis. Um estádio implantado no meio do mato, com vias precárias, ambiente rural por excelência – vi vacaria à margem do caminho – exigiria uma infraestrutura grandiosa, compatível com a envergadura da praça de esportes desenhada e de altíssimo custo. Dizem que na conta final vai somar R$ 700, 0 Milhões. Pernambuco não tem condições para tanto. Para completar, a pressa de concluir o projeto para colocar o estado no calendário da Copa das Confederações só fez expor mais ainda a dificuldade de preparar a região do entorno. O que vimos, portanto é uma obra inacabada no seu conjunto e uma imensa dificuldade para quem deseja assistir ao certame. Melhor teria sido “passar batido” nessa Copinha, concluir o projeto no seu todo e fazer bonito na Copa do Mundo.  Bairrismo ridículo de pernambucano...
Para completar o quadro, fiquei desolado com a falta de lixeiras, trazidas depois de muito descartes em qualquer lugar (Vide a foto a seguir), a falha ridícula do projeto dos banheiros masculinos – o cidadão tira a “água do joelho” e molha os próprios pés – a incapacidade de atendimento das lanchonetes com filas intermináveis, a falta de água mineral, a cerveja quente, o hot-dog era gelado e sem aditivos e até o sal do pipoqueiro acabou antes do primeiro tempo. Ora, meu Deus, depois e quatro horas sofrendo numa logística deplorável e gastando a energia reserva, todo mundo quer se restaurar. Mas, cadê restaurantes?

É nesta oportunidade que volto a aplaudir as inteligentes soluções dos baianos, cearenses, mineiros e cariocas, onde prevaleceu o bom senso e reformaram ou reconstruíram estádios tão modernos e dignos quanto o de Pernambuco e contaram com a infra pré-existente. Isso sim que foram decisões de juízo. No caso da Fonte Nova, em Salvador, implodiram o velho estádio e levantaram um novo no mesmo sitio. O Castelão (Fortaleza) e o Mineirão (Belo Horizonte) foram remodelados e estão fazendo bonito. O Maracanã foi revisto. Por que não reformaram o Mundão do Arruda ou a Ilha do Retiro? A desculpa foi de que não havia espaço, exigido por Dona Fifa, para estacionamento de veículos. Parece uma ironia, porque esta mesma “Senhora” proibiu estacionamento no entorno da Arena Pernambuco. Dá revolta de ver um espaço fantástico vazio e isolado. Brasileiro é idiota mesmo. O resultado dessa “doideira” foi um repercussão negativa para Pernambuco, nos jornais nacionais e internacionais. Tem uruguaio ou espanhol que jura não voltar ao Recife.  E, assim sendo, o projeto de fomentar o turismo local vai prubrejo.Governo megalomaníaco só faz besteira.
Adoro o futebol. Sou vidrado em Copa do Mundo. Mas, assim, vou preferir acompanhar pela TV.

Nota: Fotos de Tico Brazileiro

 

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...