terça-feira, 27 de maio de 2014

Vai haver Copa, sim.

Quando desembarquei em São Paulo no inicio da semana passada, deparei-me com um clima generalizado de agitação e insegurança, como focos em inúmeros pontos da cidade. Manifestações públicas com diferentes propósitos: dos Sem Teto, de Professores da Rede Pública, do Movimento Contra a Copa e, por fim, o mais perturbador e ruidoso, que foi uma inesperada paralisação dos motoristas e cobradores de ônibus na hora do rush, do início da noite. Coletivos abandonados nas principais avenidas atravancando o trânsito, o povão sem saber para onde ir sem transportes e a perspectiva da greve geral dos policiais no dia seguinte, gerando um ambiente de caos. Para quem chegou de fora, meu caso, o caminho mais aconselhável foi o abrigo do hotel.
Alcançado meu lugar seguro e assistindo ao desenrolar das coisas pela TV, fiquei analisando como é curioso observar esses movimentos sociais numa metrópole do porte de São Paulo, ciente de que é nela que o Brasil acontece. Vi naquele polo socioeconômico nacional que o país está vivendo um rito de passagem dos mais delicados. Lembrei novamente da ideia do tecido social esgarçado, que falei na última postagem. Ali, na grande cidade, essa coisa parece mais evidente.  O brasileiro comum sempre tem achado um motivo para não sair das ruas e clamar por mais atenção dos governantes, que fingem não escutar.  
Fiquei na cidade durante a semana inteira. Tempo suficiente para sentir a pressão popular e analisar o quadro, sob a minha ótica.
Curioso notar foi que, entre todos os movimentos, o dos Contra a Copa parece ser o mais focado e, ao que parece, vem produzindo efeitos indesejáveis. Muito me impressionou o fato de que São Paulo (ainda) não se mobilizou para festejar a Copa do Mundo. Esperei encontrar uma cidade embandeirada de verde e amarelo e o povo a curtir com a proximidade da grande festa do futebol mundial dentro de casa. Nada disso. É cedo? Não, não é cedo. Nas vezes anteriores, com o Campeonato fora do Brasil, o entusiasmo começava meses antes. Ao invés disso, vi muitas manifestações contrárias. Paredes e muros pichados com o clichê comum de  “não vai ter Copa”, em vários pontos da cidade. Há movimentos nas redes sociais incentivando a vestir preto no lugar do auriverde traje costumeiro da época. Assusta ver lojas vendendo camisas com padrão da seleção brasileira acrescida de uma tarja preta. Pior, vi por duas ou três vezes a bandeira brasileira pendurada em sacadas com uma tarja preta cruzando o pavilhão nacional. Lamentável. Sofri com aquelas visões.
Tenho imensa admiração pela Copa Mundial de Futebol. É a ocasião em que aprecio melhor o futebol. Alimentei muitas esperanças de ver uma festa sensacional, com o país vibrando, mostrando sua melhor cara e consolidando a fama de uma terra alegre e hospitaleira e um verdadeiro reino do futebol. Temo que meu sonho não se realize. Estamos a poucos dias do evento e o país se encontra envolvido numa sucessão de arranjos de última hora com obras inacabadas e muitas providências pendentes, revelando ao mundo um país complicado, inseguro, corroído pela corrupção e praticante de uma burocracia sem precedentes. Naturalmente que por falta de um Governo competente e correto nas ações e atitudes.  
Na quinta-feira (22.05.14), logo cedo, deparei-me com o jornal Folha de São Paulo publicando o resultado de uma pesquisa, que avaliou a opinião do brasileiro sobre a realização da Copa no Brasil. Ao perguntar se o certame traria benefícios ou prejuízos, 66% dos entrevistados afirmaram que o evento acarreta prejuízos ao país. Apenas 28% acreditam que o campeonato trará benefícios e 5% não soube responder. Outra pergunta formulada pela Pesquisa investigou quem estava a favor ou contra o evento sendo realizado no Brasil e 45% dos entrevistados declararam ser favoráveis versus 43% que disseram ser contra. Vamos e venhamos, para ser no considerado país do futebol este percentual contrário é de lamentável significado. Quando a pergunta proposta foi para colher a opinião sobre se o entrevistado acreditava que havia corrupção na organização da Copa, o percentual disparou: 90% dos entrevistados acreditam que houve corrupção e 6% acham que não. Estes últimos devem ser os alienados sociais. E, 4% não opinou.
Mas a manchete do sábado, do mesmo Jornal, foi uma verdadeira bomba: Ronaldo, o Fenômeno, um nome consagrado no futebol mundial, simplesmente declarou que tinha vergonha do Brasil, pelo despreparo para realizar um Campeonato adequadamente. Logo ele! Esta noticia correu o mundo. A repercussão foi extremamente negativa. Ele não devia ter feito esse infeliz comentário. Não ajudou em nada e expôs ainda mais o país. Sendo ele um membro da Comissão Organizadora da Confederação Brasileira de Futebol - CBF, foi pura infelicidade. Para completar, ainda posou numa foto com o candidato da oposição à presidência da Republica, desacatando D. Dilma. Foi dose... Cheira a muita grana! Sei não. 
No final das contas, minha gente, a Copa está chegando, vai acontecer a despeite desses movimentos contrários e é hora dos brasileiros abrirem os braços para receber os times concorrentes, as torcidas estrangeiras e mostrar que somos um país amigo, alegre e amante do futebol. E que vivemos numa democracia, onde protestar é permitido. Vamos torcer pela vitória do Brasil e, principalmente, pela ordem e sucesso do evento. Vai haver Copa, sim.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

7 comentários:

Heitor Brito disse...

"É isso, Girley, agora é torcer e nada mais"
Heitor Brito

Adierson Azevedo disse...

Como sou contrário à copa no Brasil desde o início da ideia mesmo antes de 2007, me sinto compelido a dizer que, na minha visão, muitos do que hoje estão nas ruas, vibraram com a notícia em 2007. Hoje estão em busca de seus "15 minutos de fama".
Fui e sou contra pois não acredito que um país sério condicione seu crescimento econômico e a construção e melhoria de sua infraestrutura de logística e mobilidade, de investimentos em saúde, educação, e saneamento, que conceda incentivos à produção industrial, agrícola, e energética, entre outras coisas, tudo condicionado ao um evento esportivo que deveria ser totalmente privado (e não financiado pelo BNDES).
Em suma, essa campanha anti-copa chegou com uns 4 anos de atraso. Era para ter ocorrido em 2010 antes da eleição de Dilma para dar tempo para o país sair dessa como o fez a Colômbia antes de sediar a copa de 86. O general Figueiredo recusou substituir a Colômbia sob o mesmo argumento do presidente daquele país: "tinha mais o que fazer com o dinheiro para construir estádios".

Enfim, assim como a copa inevitavelmente vai acontecer, também creio ser inevitável a vergonha que passaremos com nação, ganhe quem ganhar. Afinal de contas, as contas de julho, agosto, etc, não deixarão de chegar salvo por uma nova greve dos correios!!!
Uma perguntinha pra terminar: O que você acha vai acontecer com esse país se o Brasil não for HEXA???
Abraços Baianos,
Adierson Azevedo

Girley Brazileiro disse...

Meu caro Adierson,
Sua pergunta é mais do que instigante. Contudo prefiro não responder aqui no Blog.
Obrigado por visitar o Blog. Volte sempre.
GB

Susana González disse...

Bien por ti, el éxito de la copa no depende del gobierno, sino del pueblo. Y el mundo espera esa alegría de los brasileños. Yo se que no van a defraudar al mundo!!! Besos
Susana González (México)

Antonia Corinta Lucena disse...

Se somos brasileiros, porque não torcer pela VITÓRIA do nosso adorado Brasil? Todo mundo ficou feliz quando foi anunciado que a Copa do Mundo seria efetuada no Brasil e agora esse mesmo povo está torcendo contra. Vá entender essa gente.
Antonia Corinta de Barros Lucena Ribeiro

Paulo de Tasso Moraes e Souza disse...

Paulo De Tarso De Moraes Souza Parabéns,Não adianta nos insurgirmos contra fato consumado e decidido pelas autoridades competentes.Agora precisamos é mostrar que o Brasil real é bem melhor do que o Brasil oficial...
Paulo de Tasso de Moraes Souza

Unknown disse...

Caro amigo Girley, É isso aí. Vc ticou num ponto deveras nevrálgico. No entanto, amigo, quase que corroborando com todas as suas opiniões, neste particular, já que vc se permitiu, eu também vou me permitir discordar de uma pequena parte de sua impecável coluna. Apesar de achar triste, entendo que o Ronaldo já devia estar com isso saindo pelo gogó. Colocaram-no numa fria, usaram-no... e abusaram. Ele sendo usado desta maneira, e vem convivendo com tanta corrupção, desmando e improviso, e, ao final, viu não fazerem o prometido, fazerem obras sem concorrência, dando-as aos amigos, para ao final retornar a financiamento de campanhas, tudo isso deve tê-lo constrangido a tal ponto, como de resto, a todos nós. Não há uma só referência para nos apoiar, que possamos referenciar, para dizermos: "somos o país do futebol e estamos orgulhosos", ao contrário, estamos todos envergonhados. Por isso, amigo, acho que ao se pronunciar da maneira que o fez, ele se tornou meu herói, tornou-se meu porta-voz, nosso porta-voz, o porta-voz da vergonha que este país está atravessando aos olhos do mundo.
Abraços.