sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Cidadania e Responsabilidade

Com a proximidade das eleições crescem as expectativas do brasileiro quanto ao futuro do país. O clima é de visível perplexidade em face das incertezas que se afiguram no cenário geral e nas opções de candidaturas registradas. O quadro instalado marca de modo indelével este momento da Nação. O eleitor, no geral, se revela incrédulo e, sobretudo, indeciso neste panorama, quase que inédito. Será uma eleição que ficará fortemente marcada na História da República. Naturalmente, é bom lembrar, que por trás de tudo tem uma profunda crise econômica que vem detonando empresas, famílias e indivíduos, sem distinção de classe, como pano de fundo da perplexidade. "Ah! Mas, já atravessamos momentos piores e muito mais difíceis!", muitos afirmam... Sim, claro que já atravessamos momentos muito difíceis. Sem dúvidas... Contudo, cada crise é uma crise e não lembro de nada semelhante a esta.
Estes dias, observando as pesquisas do Datafolha, divulgadas no inicio da semana (20/08/18), uma coisa chamou-me a atenção e que corroboram com o acima descrito. Observei que no plano nacional, para presidente da Republica, os que optaram por responder que votariam em Branco/Nulo/Nenhum, somados aos que não sabem em quem votar resultou num percentual de 28%, que, neste caso, foi superior ao percentual obtido por Jair Bolsonaro que lidera o rank e alcançou apenas os 22%. Ressalvo, de antemão, que estou falando do cenário mais provável, isto é, do levantamento em que o Haddad vem substituindo o Lula. Pois bem, para qualquer primário analista é uma marca de chamar atenção. Afinal, tem muita gente nesse percentual de 28%.
Em Pernambuco, que me desperta interessa particularmente, esses que dizem votar em Branco/Nulo mais os que não sabem em quem votar perfazem um total de 35%! Ufa! É coisa muito grande. Já o candidato que vem liderando nesta sondagem é o atual governador do estado, Paulo Câmara, que tenta a reeleição e alcançou a marca de, apenas, 22%. Ora, vamos e venhamos, estes 35% é um indicador significativo da descrença geral na classe política e que pode, ou não, mudar quando do inicio da campanha eleitoral no rádio e TV a partir do próximo dia 31 de agosto, além do que pode rolar nas redes sociais. É em cima dessa suposta parcela de mais de 1/3 dos eleitores que serão endereçadas as mensagens mais apelativas dos candidatos no guia eleitoral. Vamos ver o que vai acontecer. 
Examinando resultados das pesquisas noutros estados da Federação constatei que esse comportamento vem se repetindo em vários deles. Procure ver as publicações e confira. 
Nisso tudo, vejo algo que ainda é pouco sublinhado e que sinaliza para um certo progresso na conscientização do eleitor. Parece que a crise vem fazendo a ficha cair. Acredito que essa conscientização vai falar mais alto nas mentes mais esclarecidas de eleitores. Tanto melhor. O Brasil precisa amadurecer politicamente e este pode ser um caminho adequado ao momento que atravessamos.
Nesse emaranhado de incertezas, lembro que já encontrei muitos que se mostram desiludidos ou sem estímulo para acompanhar o processo eleitoral e outros que, além de descrentes com os políticos em geral, mostram-se, agora, decepcionados com as coligações partidárias formadas que reúnem ferrenhos inimigos do passado subindo, agora, num mesmo palanque, na busca frenética de se manter no poder. Promiscuidade política, pura! Por fim, há também, aqueles que garantem não pisar numa sessão eleitoral, no dia 7 de outubro, preferindo justificar o voto.
Este é o Brasil que construímos no passado recente. O eleitor tem a responsabilidade maior de todas num processo eleitoral democrático. O velho rifão popular de que “cada povo tem o governo que merece” pode ser, mais que nunca, revisitado e "martelado" nas cabeças do eleitorado brasileiro. Votar de modo responsável deve ser lema de um corpo a corpo sem fim. O país  tem que mudar e essa mudança começa por mim, por você cidadão ou cidadã responsável. Cumpra seu papel cívico. Não desanime! O Brasil tem solução. E a solução está na sua mão caro ou cara Leitor(a). Vamo que vamo! Vote com consciência.

NOTA: Ilustração colhida no Google Imagens

sábado, 18 de agosto de 2018

Êxodo Lamentável

A difícil situação político-econômica que abate o brasileiro de modo geral, fruto da irresponsabilidade governamental do passado recente, se desdobra de maneiras perversas e de perspectivas irreversíveis. O povo brasileiro experimenta da mais dura crise econômica provocando, de imediato, desesperanças quanto ao futuro e claras desconfianças nos seus representantes políticos, enquanto estes, na ganância de se manter no poder, fazem ouvidos de mercador ou tapam o sol com uma peneira. Os preparativos para a próxima eleição geral vêm expondo de modo escancarado esta situação. São candidatos com fichas sujas, esposas e filhos de políticos condenados e presos e até o incrível candidato a presidente condenado e preso como candidato! O risco de cairmos no mesmo ambiente deteriorado é iminente. O Brasil não suporta mais esta situação e não é à toa, pois, que vem ocorrendo um êxodo lamentável dos cidadãos desencantados e com possibilidades de optar por viver longe dessa tragédia nacional.
Eu, aliás, já abordei este tema da imigração, sobretudo das inteligências jovens, noutras postagens. Recordo bem da minha surpresa de encontrar, ano passado na Austrália, um sem número de jovens profissionais brasileiros – engenheiros, advogados, economistas, entre outras especialistas – que se sujeitam a começar do zero, trabalhando em restaurantes (lavando pratos e servindo clientes) ou na construção civil (trabalho duríssimo) em troca de salários melhores, segurança e perspectivas para o futuro. São os que cansaram de vagar por aqui sem oportunidade de emprego. Na maioria, são os que conseguiram fazer um pé-de-meia ou ser custeado pela família, para fugir da crise e da pátria que lhe expulsa. Triste e dolorosa situação para uma Nação que busca o progresso e a paz. Bom, pior são os que ficam por aqui sem “eira nem beira” como se diz na linguagem popular.

Outra forma de fugir da crise e das perspectivas negativas tem sido a saída para Portugal, que parece virou moda. Na recente visita à Santa Terrinha tomei-me de nova surpresa ao observar a presença maciça de brasileiros. É incrível a facilidade que aquele país proporciona para receber brasileiros. Não raro somos abordados por promotores oferecendo oportunidades vantajosas para encarar nova vida ali do outro lado do Atlântico. Recebi esse tipo de abordagem pessoalmente e com frequência recebo via redes sociais. Durante a Copa do Mundo vi multidões de brazucas, em praça pública, acompanhando as partidas da canarinha. Sensação pura de estar numa praça brasileira. Conheço pessoas e famílias inteiras que abandonaram tudo e se mudaram para lá, com malas, cuias, meninos, cara e coragem. Se você, caro(a) leitor(a) tiver curiosidade ou até mesmo vontade de viver na Terra de Camões, confira clicando por exemplo em:  https://www.jafezasmalas.com/morar-em-portugal/   Ah! Não sei se o caro leitor(a) já observou, que tem gente graúda e de prestigio nacional se mudando para a beira do Tejo ou do Douro. Entre esses tem também gente do showbiz que já decidiram e se fixaram por lá.

Bom lembrar que tem o outro lado da medalha: os portugueses já começam a visualizar o lado negativo dessa invasão brazuca. Estão inclusive criando critérios mais seletivos para conceder vistos de permanência e residente. Temem a chegada de pessoas com antecedentes negativos e com reais objetivos espúrios. Casos desse tipo já foram registrados e vêm formando uma estatística preocupante para o Governo local.
Resumo da ópera: o tecido social brasileiro se esgarça continuadamente, o progresso econômico virou quimera, enquanto estamos perdendo inteligências profissionais jovens, investimentos produtivos estão vasando para outros países e o futuro que pinta no horizonte não inspira confiança.
De todo modo, outubro vem aí e precisamos escolher com muita consciência as lideranças que devem enfrentar o desafio da retomada do crescimento socioeconômico. Pense bem nisto! Viu?   

NOTA: Fotos ilustrativas obtidas no Google Imagens 

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Prazeres da Mesa


Eu não pretendia falar mais de viagem até que uma leitora amiga, amante da gastronomia, me pediu  para comentar das experiências de comer naquela viagem. E comer, bem, claro. Gostei da proposta de pauta e embarquei na ideia. Não tenho dúvidas de que um dos momentos mais empolgantes, numa dessas ocasiões, está no prazer que se sente à mesa para uma refeição. Resolvi  selecionar lembranças de alguns desses momentos, em Portugal e Espanha. Igual a ela, minha amiga, sou amante de uma boa mesa e de um prato bem elaborada. Portanto, juntamos a fome com a vontade de comer, como diz o popular ditado.
Pra inicio de conversa é bom lembrar que, comer na Península Ibérica é coisa pra nunca mais esquecer. Tanto que, se estiver de dieta, desista... E deixe o regime pra depois.  
Chegamos a Lisboa quase na hora do almoço. Apesar de uma noite voando a disposição estava lá em cima. A sensação de chegar é sempre muito gratificante. A cidade estava ensolarada e o clima era ameno e muito agradável. Escolhemos um restaurante próximo às margens do Tejo, no bairro de Belém. De propósito, aliás, porque depois do almoço já estaríamos a um passo dos famosos pastéis de natas de Belém. E, digamos que, é uma devoção passar por lá.
Abanquei-me, com meus familiares, numa mesa da calçada e ao abrir o cardápio já dei de cara com a oferta do dia, uma Açorda de Camarão. Trata-se de uma iguaria portuguesa que lembra – um pouco – um vatapá baiano. É feito com miolo de pão dormido e especiarias locais. Pode ser com camarão, bacalhau, peixe ou frango. A diferença entre ela e o vatapá é que não leva côco, nem dendê. Pedi, comi, mas, dessa vez não estava das melhores. Mas, passou... os camarões eram bonitos. Quer saber melhor? Clique em: https://www.youtube.com/watch?v=QNtq6Ff0ilY  Experimente fazer uma e bom apetite!
Depois disso, fomos aos Pastéis de Belém. Este é bem conhecido por aqui. Mas, aqueles de Lisboa, têm sabor e charme especial. É coisa de mais de um seculo. muito mais... fundado em 1837.
Pastel de Natas de Belém, tradição desde 1837. Com um chocolate quente, não tem igual.

Comer bacalhau em Portugal é programa obrigatório. Ninguém sabe lidar, como os portugueses, com esse tipo de pescado. As maneiras de preparar são as mais diversas. Desde o bolinho, muito comum  no Brasil, e que eles chamam de pastel de bacalhau até as formas mais sofisticadas. Já provamos de todas as formas, mas destaco dessa vez o que comemos no Restaurante Inácio, em Braga. A chef Paula Peliteiro se esmera para oferecer do melhor. Escolhe o melhor produto e o recebe primorosamente embalado, vindo da Noruega. Foi uma experiência inesquecível e que recomendamos. Local elegante e aconchegante no centro da cidade. Clique em: https://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g189171-d2170219-Reviews-Restaurante_Ignacio-Braga_Braga_District_Northern_Portugal.html
O bacalhau do Inácio e a Chef Paula exibindo uma peça de bacalhau norueguês.




Em Portugal todo dia é dia de passar bem... outra pedida imperdível no Norte de Portugal, na Bairrada, região de Coimbra, é o leitão à bairrada. Lembra muito o pururuca mineiro. Dá gosto ver a maneira como preparam, apresentam e servem. Delicia calórica, é verdade, mas uma vez por outra não mata. Desafio a quem comer um leitão mais tenro do que esse.
É servido. leitão à Bairrada, em Coimbra.

Outra delicia portuguesa é uma Cataplana de frutos do mar (pode ser de frango, bacalhau, peixes etc.). Na verdade, a cataplana é uma panela típica de Portugal, na qual eles preparam deliciosos pratos. Pode-se encontrar em qualquer parte do país. Comemos uma muito boa no Gabrinus, em Lisboa, e outra em Cascais. Indo praquelas paragens, aproveite para provar. Veja na foto a seguir como é apetitosa.
Deliciosa cataplana. Hum! Que delícia! 
Por fim, para não dizer que não falei das delícias de Espanha, vou destacar duas coisas que se come na Galícia. Lá é o paraíso dos frutos do mar. Em Santiago de Compostela o que mais se come o Polvo (Pulpo para eles). Pense numa coisa saborosa. Preparam de varias formas. Mas, gosto mesmo é de saboreá-lo como simples taco (petisco). Bem cozido, super macio, regado com azeite de oliva e temperado com páprica picante. Não tem dinheiro que pague.
Outra delicia do mar é uma raridade, mesmo por lá, e se chama Pecébes. O bicho é feio, mas delicioso de forma inigualável. Pense numa coisa feia, mas saborosa. Caro, também! Uma porção de 250 gramos, sai por Euros 42,00. Isto no El Mosquito, que é uma restaurante 5 estrelas. No mercado público pode sair mais barato. Mas, como tem coisa que não tem preço... fomos lá.
Olha ai! Acima o pulpo temperado com páprica picante e abaixo o estranho e delicioso pecébes. 
De tanto comentar essas delicias estou ficando com indigestão. Paro por aqui. Até a próxima!

Nota: Fotos da autoria do Blogueiro, exceto a da cataplana.


sábado, 4 de agosto de 2018

País Galego

Quando se visita o Norte de Portugal, incluindo Guimarães e Viana do Castelo, é muito comum aparecer nas autoestradas placas indicativas do sentido que nos leva à Espanha. Mais precisamente, à região da Galiza ou, se preferir, Galícia. A proximidade é tamanha que fica impossível não ceder à tentação de uma escapada.
Duas grandes atrações espera o viajante logo após atravessar a fronteira: a bela cidade de Vigo e, um pouco mais ao Norte, Santiago de Compostela. Ali é a terra dos galegos, denominação dada a um grupo étnico cuja pátria é a Galiza. Os galegos foram sempre muito numerosos e muito dados a emigrar, ao ponto de serem encontrados em Portugal, noutras partes da Espanha, Europa e, até, pela América do Sul. São muito presentes aqui no Brasil. Em Pernambuco, inclusive, a galegada sempre foi muito comum. É uma gente com cultura antiga e próprio idioma, oficial durante pelo menos sete séculos e com muitos adeptos na atualidade. O Galego puro é uma língua ibero-românica, enquanto o galego-português, muito comum à Galiza e a Portugal é ainda muito praticado. Eles a preservam com muito ufanismo. Visitando a região espanhola é bem comum ser notado na grafia e na pronuncia. No vocabulário são muitas as coincidências com o português.
Vista Parcial da Cidade de Vigo (Espanha)
Nem preciso dizer que demos essa “voltinha” na Galiza. Entramos e nos estabelecemos em Vigo. Falo de uma cidade importante pelo seu movimentado porto, sua produção de pescados – uma das maiores do mundo – e vida cultural vibrante. Bem estruturada, comércio trepidante e ponto de convergência de turistas do mundo inteiro. Come-se divinamente bem por lá. Aliás, é uma das suas maiores atrações. Quer provar dos melhores e raros frutos do mar? Vá a Vigo. Sugiro, quando lá estiver, conhecer o restaurante El Mosquito (dos mais famosos na Espanha). Clique: www.elmosquitorestaurante.com
Outra vantagem de chegar a Vigo é o fato da sua proximidade à famosa e bela cidade de Santiago de Compostela, para onde converge o mundo católico e, particularmente, os peregrinos que de varias origens fazem as longas caminhadas na busca da paz interior, através de reflexões pessoais, num exercício de imensa fé e por fim venerar as relíquias do Apostolo. Essas peregrinações existem desde o século IX. Tenho um amigo que acaba de fazer sua 8ª. Caminhada. Não conheço outro de tamanha coragem. Eu brinco com ele e digo que já fiz o caminho três vezes. Mas, sempre de carro. E meu caminho é sempre curto porque parto sempre de Vigo. Existem outros pontos de partida, na própria Espanha, na França e em Portugal.

A beleza da Catedral e peregrinos recém-chegados.
Santiago de Compostela tem um ambiente muito próprio, tanto quanto capital da Região Autônoma da Galiza, quanto centro e peregrinação. Aquilo lá gera uma energia positiva inexplicável. Naturalmente que precisa ter fé e chegar imbuído do significado do local. Acompanhar, por um dia que seja, o que ocorre quotidianamente ali é certamente uma boa experiência. Chegar para a missa do meio-dia, na Catedral, é mais interessante ainda. Ao final da celebração há uma tradicional queima de incenso (conhecida como bota-fumero) num descomunal turibulo de prata (pesadíssimo) que é alçado, por forte corda e vários frades, executando um movimento pendular, próximo ao alto teto da Catedral. É um verdadeiro espetáculo, tanto de fé cristã, quanto como uma atração turística a mais. Não deixe de clicar em https://www.youtube.com/watch?v=mtxuvtZqOog . É sensacional.
Fora isto, a cidade, que conta com aproximadamente 200 Mil habitantes, importante Universidade, oferece inúmeras outras atrações, com bons hotéis, excelentes restaurantes, comercio movimentado, tudo em torno da fé e devoção ao Apostolo Santiago. A população flutuante excede, em muitas ocasiões a local.
   
NOTA: Foto de Vigo, obtida no Google Imagens. A foto da Catedral é do arquivo pessoal do Blogueiro.

sábado, 28 de julho de 2018

Capital do Norte


Cartão Postal da capital do Norte português. 
Nossa recente temporada em Portugal teve incluída uma visita à famosa Cidade do Porto, Capital do Norte do país. Pelo seu passado de glória e ponto focal da história portuguesa é sempre lembrada como “Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta”, epíteto adicionado à sua heráldica. 
A cidade do Porto nasceu de um povoado Celta, pré-romano. Os romanos a chamava de Portus Cale e é daí que se origina o nome do país. Portocale, hoje Portugal.  
Os mouros muçulmanos invadiram a Península Ibérica, em 711 d.C., entrando por Lisboa e dominando, aos poucos, a atual região Norte do país, onde o Porto se situa. Estes invasores permaneceram por lá durante, incríveis, dois séculos. Somente em 999 d.C. é que nobres gascões franceses, liderados pelo, entre outros, o Bispo de Vendôme (França). Com forte armada, entraram pela foz do rio Douro e expulsaram definitivamente os mouros dedicando, essa conquista e a cidade, à Virgem Mãe de Deus. A imagem de Nossa Senhora do Porto, trazida da França domina até hoje um ponto alto da fortaleza ali edificado. Daí em diante e após reconstrução a Cidade do Porto manteve sempre um lugar de destaque na historia dos portugueses.
Restaurante Típico na ribeira do Porto
Rica em tradições, famosa pelo seu internacionalmente conhecido Vinho do Porto, além das arquitetura vibrante, gastronomia exuberante e vida cultural diferenciada, a Cidade se destaca em tudo para um bom programa turístico. Daí a razão de querermos voltar sempre para uma visita.
Nada mais aprazível do que passear na beira do Douro, com sua sempre fervilhante Ribeira, tomar um café ou um cálice do Porto, estando no Porto! Depois, percorrer as lojinhas de artesanato e, por certo, se meter numa das barcaças que de lá partem, dando um bom passeio fluvial pelo belo Douro, chegando até a foz onde o rio se atira no Atlântico, transbordando-o, com águas vindas de cima da Serra do Urbião, onde nasce, em Castela e Leão, na Espanha.   
Guadalupe servindo e cantando. Isto, não tem preço! 
Tendo oportunidade, depois desse “mini-cruzeiro” pelo Douro, desembarque na ribeira da Vila Nova de Gaia (do outro lado da ribeira do Porto) e prove o prato típico da cidade que é tripas à moda do Porto. A proposito, tenho uma historinha pra contar: fala-se que em 1415, quando preparavam uma armada para a conquista de Ceuta (Norte da África), que partiu do Porto, a população doou toda a carne que dispunha para os combatentes, ficando tão somente com as tripas para se alimentar. Até hoje os naturais do Porto são chamados de tripeiros, coisa aceita com orgulho e nunca pejorativo.  
Outra pedida, imperdível, na ribeira de Gaia é uma passagem por uma das tabernas do local. A minha predileta é a Taberninha do Manel. Bom vinho e um chouriço português assado na mesa num aparato próprio do local. Dando sorte procure ser atendido por Guadalupe (Vide foto) e sendo simpático pede que te cante um fado ao pé do ouvido. Quer saber mais? Clique em https://taberninhadomanel.comportugal.com. Não tem preço! Depois disso, entre numa das adegas naquela mesma ribeira e veja como se produz o vinho mais famoso de Portugal.  
Este Blogueiro no rooftop da Adega Porto Cruz. Por trás a icônica ponte Luís I
Pois é... O Porto é uma surpreendente cidade. Suas igrejas monumentais, prédios públicos, palacetes monumentais, parques e jardins, gente finíssima no trato, museus e mil outras atrações.
Ah! Já ia esquecendo. Antes de deixar a cidade, coma uma rabanada, com vinho do Porto, na tradicional Confeitaria Majestic. Fica na Rua Santa Catarina, a mais charmosa da cidade e classificada entre as 10 mais belas do mundo. Rua e confeitaria imperdíveis. E, boa viagem!   

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro

sábado, 21 de julho de 2018

Rua do Corvo

Centro histórico de Coimbra. Praça 8 de agosto.
Igreja da Santa Cruz
Coimbra é famosa pela sua histórica Universidade. Lá mesmo, na Rua do Corvo, porta 32 e 1º Piso, foi nosso endereço – por alguns dias – nessa última passagem por Portugal. Situado no Centro Histórico da cidade milenar, dava gosto viver aquilo ali. Imagine um prédio medieval, preservado no seu todo exterior e reformado à moderna no seu interior, permitindo usufruir da experiência de viver num ambiente histórico e, ao mesmo tempo,  gozando de todas as mordomias do mundo moderno. Reforma perfeita. Competência europeia. Numa hora dessas, lembro e lamento o desgaste dos velhos prédios antigos do Bairro do Recife que se prestariam para coisa semelhante e são abandonados e carcomidos pela implacável ação do tempo. 
Pois bem, foi desse endereço que partimos para explorar o Norte de Portugal e a Galícia espanhola. A título de ilustração veja, na foto acima, o lugar que descrevo. Num canto da Praça 8 de Agosto, com o belíssimo Mosteiro da Ordem de Santo Agostinho e a Igreja da Santa Cruz, em estilo romântico-manoelino, datado de 1131, começa a Rua do Corvo paralela à rua da Louça e perpendicular à rua da Gala. Ao redor outras ruas pitorescas em denominações, como as das Rãs e das Padeiras. Estreita como as demais do miolo onde encravadas. Menos de dois metros de largura. Às rés do chão (térreo), lojinhas atrativas, cafés e tabernas tipicas. Um verdadeiro mergulho na História. Para quem admira é uma sequencia de prazer.
Interior da Igreja da santa Cruz. Observe os tradicionais azulejos portugueses.
Dali, partimos para: Braga, primeira parada, onde vimos os festejos da noite de São João (falei no post anterior), seguidas das incursões por Viana do Castelo, Guimarães, Póvoa de Varzim, Óbidos, Batalha, Aveiros e Barcelos. O gran finale foi dedicado à belíssima Cidade do Porto.  Ah! Antes que esqueça, registro para a passagem (antes de chegar a Coimbra) pelo Santuário de Fátima, onde tomamos nossas bençãos e oramos pela paz e pela família.  
Portugal é de beleza singular. Foi eleito, recentemente, o melhor destino do Mundo! Cada cidade ou cada vilarejo, mesmo os pouco turísticos, exercem especial fascínio ao visitante. A paisagem é variada de região à região, embora que alguns traços sejam comuns a todas. Um desses é que há sempre uma roupa lavada e estendida numa varanda dos velhos sobrados. São verdadeiras bandeiras saudando os passantes. Não à toa que essas bandeiras são temas mais comuns dos fotógrafos que cultivam a arte. Veja a minha a seguir.
Bandeiras ao vento saudando nossa passagem
Loja de Artesanato de Óbidos
É impressionante o modo afável que os patrícios dispensam aos visitantes. É, que na verdade eles vivem do turismo e sabem da importância deste para a economia do país e para a própria economia doméstica. O artesanato é riquíssimo e por todo lado se encontra algo diferente e atrativo. 
Lembro que um dos locais mais visitados e de especial atração é a vila medieval de Óbidos, também conhecida como a Pérola Portuguesa. Acredita-se que esta vila haja sido edificada pelos Celtas em 308 a.C. Então, faça ideia do que seja. Fenícios, Romanos e Mouros também andaram por lá. Essa mistura de dominadores fez da vila de Óbidos uma miscelânea de estilos, cultos e culturas. Gosto sempre de retornar, caminhar na sua rua principal e sentir o ambiente. Indo lá procure saber antes dessa história. Sua visita será mais proveitosa. Nem preciso dizer que nesse ambiente, todos os idiomas são ouvidos e transitar tranquilamente depende do dia e da hora. Chegue cedo. Antes de ir, veja esta outra foto, a seguir.
Rua central de Óbidos.


Num próximo post farei comentários finais e focarei a passagem pela Cidade do Porto

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro

domingo, 15 de julho de 2018

A Bola da Vez

Quem me conhece sabe que, ao longo da vida, viajar faz parte do meu viver e, sem dúvidas, minha melhor maneira de arejar a mente. Faz um bem danado... Nesses tempos de crises internas no Brasil, nem é bom falar. Desse modo e sempre que possível e a grana elastece, dou minhas escapulidas.
Dias recentes estive, com familiares, percorrendo Portugal e Espanha num roteiro velho conhecido, mas, sempre bom de ser repetido. Conheço estes dois países há mais de quarenta e cinco anos e não me canso de revisitá-los. Gente afável e hospitaleira, rica cultura, paisagens deslumbrantes e gastronomia exuberante que conquistam o turista num primeiro instante. Sendo brasileiro, como no meu caso, nem se fala. Digo sempre que é preciso conhecer Portugal para entender melhor a cultura brasileira.
A primeira vez que por lá andei, muito jovem, conheci um Portugal oprimido pela ditadura de Oliveira Salazar e uma Espanha dominada pela “mão de ferro” de Franco. Eram duas nações sufocadas e de um povo tristonho e sem esperanças. Eram países em preto-e-branco. Colorido que houvesse seria sempre pálido. A gente se vestia de preto, cinza e sépia. O comércio era pobre, tímido e sem atrativos. Mas, os tempos mudaram e a democracia foi conquistada a duras e sofridas penas. Nas várias idas praquelas bandas acompanhei as conquistas rumo à liberdade. Vi de perto os tempos que antecederam à queda de Salazar, com a revolução dos cravos (25/04/1974), pondo fim a um regime ditatorial que vigia desde 1926. Já, em 1975 acompanhei, por acaso, em Madrid, o fim da vida e da tirania de Franco. Mas, isto é uma historia comprida que tanto os livros, quanto a Wikipédia podem ajudar a quem desejar saber detalhes.
A cidade de Braga festeja com feérica iluminação. Lembra nosso Natal.
Ultimamente estive várias vezes em Portugal. Quase todo ano. Às vezes, sinto até vontade de morar por lá. Quando desembarco em Lisboa tenho uma sensação de chegar à casa dos meus ancestrais. Vai ver fui portuga noutra encarnação. O ar lisboeta soprando no meu rosto dá aconchegantes boas-vindas, que me revigora e faz me espalhar de corpo e alma de Sacavém à Baixa.
Indo tantas vezes, observo que Portugal vem alcançando níveis apreciáveis de crescimento econômico e desenvolvimento social nestes últimos anos. Semana passada, ainda por lá, vi reportagens mostrando ser o país que mais cresce na União Europeia. Acreditei sem conferir, mas. confiando no via. Bom lembrar que o país sofreu muito para se ajustar à Zona do Euro. Esteve prestes a se autoexcluir. Mas, graças à austeridade do Governo e ao sacrifício da sociedade, conseguiu escapar e superar a dura crise vivenciada. Cidades vibrantes, qualidade de vida exuberante, industria em franco sucesso, infraestrutura invejável e tudo mais que de moderno exista. Admirável.   
Um dos segmentos mais dinâmicos da economia portuguesa, nos últimos tempos, tem sido o do Turismo. O país foi recentemente classificado como o melhor destino europeu. O clima, a tranquilidade, a segurança, a hospitalidade e a multicultura reinantes o transformaram num dos mais procurados pelos viajantes. É impressionante o movimento de turistas de todas as partes do planeta. E como os orientais já descobriram o caminho é porque o local é a "bola da vez". E Portugal está sendo.
No mês de junho, em pleno verão na Europa, o país vira uma festa sem fim. Aproveitei com meus familiares essas festas. Santo Antônio (ele era portuga), São João e São Pedro são festejados de modo exuberante. Além deles, também se festeja a Rainha Santa Isabel, padroeira de Coimbra e região. Essas festas são como uma espécie de época carnavalesca dos patrícios. Os folguedos populares rolam até “ver o sol”, no dizer deles. Lisboa e Porto realizam os maiores eventos. Mas, nas cidades médias as festas são grandes, também, e com muito cunho das respectivas culturas. 
Frutos do mar em abundancia 
A sardinha na brasa pode ser vista como sendo o traço comum entre todas. É delicioso curtir um bom vinho (peço sempre o da casa, sem medo de errar) e degustá-lo com uma sardinha assada no braseiro. Isto sem falar do bom fruto do mar e do bacalhau às várias modas portuguesas, encontrados em toda parte.  
Escolhemos passar a recente noite de São João na cidade de Braga, situada ao norte do país e próxima à Cidade do Porto. (foto lá em cima). Dá gosto de ver os envolvimentos religiosos ou profanos da população. Tudo com ordem e muito respeito. Arrisco afirmar que com certa inocência, comparando com o que se vê nas festas populares do Brasil. Famílias inteiras, crianças soltas e brincando livremente. Nada de bebedeiras, pegações, desordens ou desrespeitos. O máximo da diversão, além de muita música (eles adoram as brasileiras), vinho, sardinha e bacalhau, tem a tradicional e inocente martelada na cabeça dos passantes ou dos que querem paquerar as raparigas ou os gajos. Não se espante caro(a) leitor(a), porque essa referida martelada é “desferida” apenas com um martelinho plástico que se vende também nos nosso carnaval ou festinhas infantis. Coisa tola pra nós, mas de imenso sucesso entre eles. Cheguei a comprar o meu e saí martelando as cabeças de Deus e do Mundo. E levei muitas marteladas, também. Todo mundo porta seu martelinho plástico. É ingenuo e muito engraçado.  Veja fotos a seguir. 
Levando martelada, a pedido. O comercio dos martelinhos. 
O que mais nos chamou atenção, disso tudo, foi como os portugueses são cuidadosos com as tradições culturais. Enquanto por aqui liquidaram com as nossas tradições juninas, acabando com as belas quadrilhas caipiras e inventando essas papagaiadas exibições carnavalescas, os portugueses primam por preservar e, mais do que isto, realizar exibições didáticas de cada dança popular, como vi em Coimbra. Fiz um verdadeiro curso de folclore português, com "aulas" diárias. Falarei disso numa próxima oportunidade.

NOTA: Fotos by Jpallain

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...