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sábado, 14 de junho de 2025
Comidas de Mercados
Sempre fui ligado em comidas de mercados públicos. Muitas vezes ouvi críticas por essa minha mania. Nunca tive preconceito ou medo de saborear das gastronomias populares por onde ando. E, não deixo de provar das iguarias dos mercados locais de onde vivo, no Recife. Posso garantir que não há melhor bolinho de bacalhau do que os produzidos pelo Bar e Restaurante Bragantino, no Mercado da Encruzilhada, aqui perto da minha casa. Tão bons quanto os melhores que se come em Portugal. O mesmo posso dizer do Arroz de Braga feito por lá, também. Indo a São Paulo não perco a chance de dar uma passada no Mercado Central e comer o famoso sanduiche de mortadela com um bom chope gelado. Outro Mercado Central que aprecio e onde já estive varias vezes é o de Santiago do Chile. Vale à pena explorar as delícias de frutos do mar oferecidas por lá, incluindo os filé e caldillo de Côngrio. Deliciosos. No mesmo mercado o visitante tem oportunidade de saborear a famosíssima Centolla, um caranguejo gigante de carne adocicada servido frio e inteiro. É geralmente caro. Mas vale à pena o gasto. Outro mercado, por onde andei, e não posso esquecer é o Sydney Fish Market, tido como o maior mercado de peixe do Hemisfério Sul, além de ser um famoso ponto turístico da Austrália. Ali o visitante pode saborear as iguarias mais sofisticadas de pescados, num ambiente diferenciado e atrativo. Outro mercado inesquecível é o de Coyoacan onde se pode experimentar das diversas comidas típicas mexicanas. É preciso cuidado, porém, com as dosagens de pimentas. Mexicano não dispensa de uma boa e ardida pimenta.
Mas, minha ideia de falar de mercados públicos nesta postagem surgiu ao recordar das visitas a mercados quando da recente ida à Europa. Destaco dois desses, onde me deliciei de riquezas culturais e gastronômicas locais. Refiro-me ao Mercado da Ribeira, em Lisboa (Portugal) e ao Mercado de São Miguel, em Madrid (Espanha). Dois pontos preciosos e imperdíveis para quem anda fazendo turismo pela Península Ibérica. No primeiro saboreei um belíssimo bacalhau, grelhado, daqueles que somente em Portugal se come. (Foto a seguir) Numa mesa de calçadão, recebendo a brisa vinda do rio Tejo, logo à frente, numa deliciosa tarde de primavera e do modo que a vida passa e pede que os relógios parem de funcionar.
Já em Madrid, numa entrada no São Miguel, uma simples vista d´olhos faz com que as papilas gustativas se agitem e mande recados de sabor ao cérebro antes mesmo de qualquer coisa provar. Esse mercado é especializado em oferecer finger-foods, denominadas de tapas, na Espanha. São espécies de petiscos com uma infinidade de recheios preparados na hora, em cada balcão que se sucedem. Recheios de camarões, lagosta, bacalhau, especiarias diversas, presuntos, lascas de jamón (Vide foto a seguir) entre muitos outros e até caviar. Os preços são bem módicos e o cliente pode sair empanturrado. Naturalmente que boas taças de vinhos são vendidas como bom acompanhamento. As tapas são o que nós chamamos de “tira-gosto” aqui no Brasil. Depois de uma farra dessas fico desejando que nossos mercados saibam melhor explorar o nicho do turismo gastronômico com competência e, sobretudo, responsabilidade pelo produto oferecido. Sei que mercados de Belo Horizonte e Porto Alegre reúnem condições favoráveis e já oferecem bons cardápios.
Soube, outro dia, que nosso Mercado de São José, no Velho Recife, vem sendo reformado e preparado para esse tipo de atração. Tomara, mesmo porque se trata de uma bela estrutura projetada em Paris, em 1872, ao modelo do Mercado de Grenelle. (vide foto abaixo). É o mais antigo em funcionamento no Brasil. O prédio, propriamente dito, uma construção de ferro, foi trazida desmontada da, França para o Recife, no porão de um navio. A obra de montagem ficou a cargo de Louis Vauthier, francês que viveu no Recife e deixou inúmeras obras arquitetônicas, entre outras o belíssimo Teatro de Santa Isabel. Boto fé nesse projeto do nosso Mercado e já me vejo tomando caldinho de feijão com batida de maracujá, pitanga ou cajá. Comendo sarapatel com farinha, mão-de-vaca e chambaril. Buchada e caldeirada! Coxinhas de galinha e croquete de feijão. Tapioca! E, basta! Já estou satisfeito desde já. Simbora! (Vide foto do mercado abaixo) NOTA: fotos do Blogueiro e do Google Imagens.
sexta-feira, 2 de maio de 2025
Europa Maravilhosa
Acabo de retornar de mais uma viagem à Europa. É sempre prazeroso visitar o Velho Continente. Um prazer que se renova a cada vez e como sempre ocorreu nas várias oportunidades que a experimentei. Como simples turista, em missões oficiais e assessorando comitivas empresariais, terminei multiplicando essas minhas idas para aqueles lados. Por sorte, conheço toda a Europa Ocidental e parte do Leste. Não posso esquecer que foi em 1969, recém-formado, que desembarquei pela primeira vez por lá, entrando por Portugal. Foi uma viagem de turismo, por iniciativa própria. Entrei numa excursão denominada de Europa Maravilhosa, operacionalizada por uma grande agencia turística portuguesa, que levava um grupo grande de brasileiros, num tour terrestre, a bordo de um ônibus, durante 35 dias. Uma jornada nada comum atualmente. Era uma época em que fazer uma coisa dessas era um verdadeiro luxo. Recordo, inclusive, que entrar num avião ainda se constituía num programa para muito poucos. Poucos, aliás, se aventuravam em visitar a Europa. Nada do que hoje virou coisa comum. Era um destino reservado somente para pessoas muito ricas, por vezes com filhos estudando na Suíça ou na Inglaterra e, finalmente, um programa seleto. Nada disso, porém, me intimidou, formei um grupo mais intimo de amigos, juntei minhas economias, fiz uma mala e me mandei. Como prometiam os agentes de viagem foi mesmo uma Europa Maravilhosa. Perdi as contas de países, cidades importantes e regiões deslumbrantes por onde passamos. Eu diria que não faltou nada de importante para percorrer. Londres, Paris, Roma e Madrid foram esquadrinhadas pelo nosso grupo. Todos muito jovens, razão pela qual estávamos sempre dispostos e ávidos por descobrir o mundo que se abria.
Mas, de lá para cá, tenho dificuldade para precisar o número de vezes que desembarquei no Velho Mundo. Uma coisa, contudo, que posso afirmar é que, nesses 53 anos, a Europa vem mudando muito. Ditaduras perversas, como as de Franco (Espanha) e Salazar (Portugal) caíram, reinados se modernizaram, democracias floresceram, papados se sucederam, países se agruparam numa União de Estados, com vistas à proteção conjunta e ao progresso. É uma Europa diferente, sem dúvidas, embora resiliente nos seus costumes e tradições, o que é formidável. Na prática, o progresso transformou aquele mundo, antes muito austero, sombrio e de nacionalismos radicais, num espaço geopolítico melhor estruturado e mais moderno. Não. Não me esqueci das renitentes disputas do Leste e, particularmente, da Guerra da Ucrânia. Mas, é tema para outra hora.
Apesar do progresso e das mudanças registradas, obviamente, nem tudo são flores e, como qualquer outro lugar deste mundo e o Estado Europeu moderno carrega uma série de problemas sérios a resolver. Nesse domínio, por exemplo, um grande destaque é para a questão das correntes migratórias formadas por levas de africanos e mulçumanos. Acredito que a proximidade das regiões em conflitos, as dificuldades de sobrevivências nas origens, o desejo coletivo de viver, e viver dignamente, leva a que esse problema ocorra com severa gravidade em inúmeras regiões do Continente. As variáveis emprego, segurança, alimentação, habitação, educação, saúde, meio-ambiente, entre outros, são itens que formam a lista de preocupações dos lideres locais e regionais. Na minha visão atual e mediante o que pude observar, nos vinte dias que circulei, no findo mês de abril, por Lisboa, Madrid, Roma e Paris, nada pode ser mais complexo e problemático do que administrar essas correntes de imigrantes que não param de desembarcar nas costas no Continente, via os mais diversos meios de transporte, inclusive os barcos rústicos e improvisados que atravessam o Mediterrâneo sem cessar. Essa gente chega, sem noção exata do destino que desejam, perambulam pelas grandes cidades, muitos vivem ao relento, pedem esmola, roubam, assustam nativos e visitantes e, quando muito e após muito penar, arranjam um subemprego para suprir suas necessidades básicas. Vide fotos a seguir. A da tenda foi em pleno Vaticano. O individuo ao relento foi em Paris, proximo a Notre Dame e a pedinte ajoelhada em plena Av. dos Champs Elisées (Paris).
Ora, meu Deus, esses imigrantes não buscam ver a tal Europa Maravilhosa que eu busquei no passado e sim a forma de sobreviver, visto que nas suas origens a paz sumiu, a fome impera, as lutas tribais e étnicas se multiplicam expulsando-os sem destino certo. Muitos desembarcam sem saber aonde chegaram. Homens, mulheres e crianças. Doloroso.
Seja como for, e apesar dos senões acima considerados, a Europa será sempre Maravilhosa para mim. Dessa vez, então, tive o prazer dobrado ao contar com a companhia da maior parte do meu núcleo familiar, incluindo um netinho de cinco anos de idade. É da Europa Maravilhosa que pretendo falar nas próximas postagens e conto com sua visita ao Blog.
NOTA: as ilustrções fotograficas são da autoria do Blogueiro.
domingo, 28 de abril de 2024
Haja Cravos
Neste recente 25 de abril lembrei-me demais das minhas andanças em Portugal. Recordo da minha primeira visita, no longínquo verão de 1969, quando tive a oportunidade de observar um país sob o domínio de uma tirana ditadura, desde 1933. Era assustador perceber na fisionomia do cidadão comum as marcas da repressão e os temores que se multiplicavam no país. Naturalmente, à época, pude comparar com o que se vivia no Brasil, sobretudo após a decretação do AI5, no ano anterior, e alimentar o temor de que mergulhássemos em algo semelhante. Foi uma experiência marcante na minha formação de cidadão democrata. António de Oliveira Salazar era o Carrasco não apenas do Portugal europeu mas, também, massacrava com mão-de-ferro um Império Colonial, àquela altura inviável, explorando as riquezas das colônias revoltadas em territórios africanos e asiáticos, subjugados secularmente às leis ditatoriais implacáveis do chamado salazarismo. Circulando nas ruas e avenidas das grandes cidades portuguesas percebiam-se a timidez e o temor do cidadão comum, sempre sob a mira da policia, inclusive a secreta, mantida pelo regime. Portugal, comparado com as outras nações europeias, pelas quais circulei, se apresentava com um clima sombrio e triste. As pessoas, sobretudo as mulheres, trajavam roupas austeras e excessivamente formais, embora fosse pleno verão. Preto, marrom e azul-marinho eram as cores predominantes. As vitrines do comércio da época eram pobres, démodés, desatualizadas e pouco atrativas. Sem colorido! Ali bem perto, em Londres, Mary Quant ditava o uso das minissaias e os Beatles explodiam nas paradas de sucesso. Enquanto isso, as portuguesas andavam pálidas e desbotadas, sem o colorido do pós-guerra que dominava o mundo. Havia proibições curiosas como, por exemplo, a da produção e venda de Coca-Cola, substituída por algo similar com uma denominação local que não recordo. Contudo, como para todo mal há sempre um fim, chegou o dia da derrocada e, há 50 anos, em 25 de abril de 1974, as saturadas Forças Armadas de Portugal, com forte apoio popular, derrubaram uma das mais longas ditaduras da História, num vitorioso episódio que terminou recebendo a denominação de Revolução dos Cravos devido ao fato de que a população distribuiu cravos vermelhos aos soldados que executaram o movimento. Salazar já não existia, morreu em 1970, e havia sido afastado por uma grave doença em 1968 e substituído pelo seu fiel seguidor Marcelo Caetano, que manteve o regime até que foi derrubado, em 1974.
O 25 de Abril se tornou uma data histórica e vem sendo festejada a cada ano de maneira monumental. Neste 2024 as comemorações se agigantaram devido ao caráter “redondo” do aniversário. Jubileo de Ouro! Apresso-me em registrar a comemoração no Blog e manifestar o meu regozijo. Gosto demais de Portugal e sempre que possível volto lá. Já voltei várias vezes. Por sinal, tive a alegria de andar por lá, em 1975 quando experimentei a alegria de assistir na Avenida da Liberdade, principal artéria de Lisboa, as comemorações da data. Folgo em registrar que há uma imensa diferença entre esses dois tempos.
O Portugal de agora é uma festa para os olhos e para a alma. Há um colorido especial, uma vida vibrante. Após queda do regime, o país se modernizou se abriu ao mundo e as cidades oferecem sempre aos visitantes um clima de festa com sabor incomensurável e provocando a vontade de retornar. Haja cravos para comemorar todos os dias. O país faz parte da União Europeia, ganhou progresso, desenvolvimento e se tornou um dos locais mais seguros da Europa, ganhando destaque como atrativo para os investidores internacionais e, de modo especial, um dos mais demandados pelo turismo internacional. Salve Portugal, salve a Democracia e haja cravos hoje e sempre. NOTA: Fotos ilustrações obtidas no Google Imagens.
sexta-feira, 10 de agosto de 2018
Prazeres da Mesa
Eu não
pretendia falar mais de viagem até que uma leitora amiga, amante da gastronomia, me pediu para
comentar das experiências de comer naquela viagem. E comer, bem, claro. Gostei da proposta de
pauta e embarquei na ideia. Não tenho dúvidas de que um dos momentos mais empolgantes, numa dessas
ocasiões, está no prazer que se sente à mesa para uma refeição. Resolvi selecionar lembranças de alguns desses momentos, em Portugal e Espanha. Igual a
ela, minha amiga, sou amante de uma boa mesa e de um prato bem elaborada. Portanto,
juntamos a fome com a vontade de comer, como diz o popular ditado.
Pra inicio
de conversa é bom lembrar que, comer na Península Ibérica é coisa pra nunca mais
esquecer. Tanto que, se estiver de dieta, desista... E deixe o regime pra depois.
Chegamos a
Lisboa quase na hora do almoço. Apesar de uma noite voando a disposição estava
lá em cima. A sensação de chegar é sempre muito gratificante. A cidade estava
ensolarada e o clima era ameno e muito agradável. Escolhemos um restaurante
próximo às margens do Tejo, no bairro de Belém. De propósito, aliás, porque
depois do almoço já estaríamos a um passo dos famosos pastéis de natas de
Belém. E, digamos que, é uma devoção passar por lá.
Abanquei-me,
com meus familiares, numa mesa da calçada e ao abrir o cardápio já dei de cara
com a oferta do dia, uma Açorda de Camarão. Trata-se de uma iguaria portuguesa
que lembra – um pouco – um vatapá baiano. É feito com miolo de pão dormido e
especiarias locais. Pode ser com camarão, bacalhau, peixe ou frango. A diferença
entre ela e o vatapá é que não leva côco, nem dendê. Pedi, comi, mas, dessa vez não estava das melhores. Mas, passou... os
camarões eram bonitos. Quer saber melhor? Clique em: https://www.youtube.com/watch?v=QNtq6Ff0ilY
Experimente fazer uma e bom apetite!
Depois disso,
fomos aos Pastéis de Belém. Este é bem conhecido por aqui. Mas, aqueles de Lisboa,
têm sabor e charme especial. É coisa de mais de um seculo. muito mais... fundado em 1837.
Comer bacalhau em Portugal é programa obrigatório. Ninguém sabe lidar, como os portugueses, com esse tipo de pescado. As maneiras de preparar são as mais diversas. Desde o bolinho, muito comum no Brasil, e que eles chamam de pastel de bacalhau até as formas mais sofisticadas. Já provamos de todas as formas, mas destaco dessa vez o que comemos no Restaurante Inácio, em Braga. A chef Paula Peliteiro se esmera para oferecer do melhor. Escolhe o melhor produto e o recebe primorosamente embalado, vindo da Noruega. Foi uma experiência inesquecível e que recomendamos. Local elegante e aconchegante no centro da cidade. Clique em: https://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g189171-d2170219-Reviews-Restaurante_Ignacio-Braga_Braga_District_Northern_Portugal.html
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| Pastel de Natas de Belém, tradição desde 1837. Com um chocolate quente, não tem igual. |
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| O bacalhau do Inácio e a Chef Paula exibindo uma peça de bacalhau norueguês. |
Em Portugal todo dia é dia de passar bem... outra pedida imperdível no Norte de Portugal, na Bairrada, região de Coimbra, é o leitão à bairrada. Lembra muito o pururuca mineiro. Dá gosto ver a maneira como preparam, apresentam e servem. Delicia calórica, é verdade, mas uma vez por outra não mata. Desafio a quem comer um leitão mais tenro do que esse.
Outra delicia portuguesa é uma Cataplana de frutos do mar (pode ser de frango, bacalhau, peixes etc.). Na verdade, a cataplana é uma panela típica de Portugal, na qual eles preparam deliciosos pratos. Pode-se encontrar em qualquer parte do país. Comemos uma muito boa no Gabrinus, em Lisboa, e outra em Cascais. Indo praquelas paragens, aproveite para provar. Veja na foto a seguir como é apetitosa.
Por fim, para não dizer que não falei das delícias de Espanha, vou destacar duas coisas que se come na Galícia. Lá é o paraíso dos frutos do mar. Em Santiago de Compostela o que mais se come o Polvo (Pulpo para eles). Pense numa coisa saborosa. Preparam de varias formas. Mas, gosto mesmo é de saboreá-lo como simples taco (petisco). Bem cozido, super macio, regado com azeite de oliva e temperado com páprica picante. Não tem dinheiro que pague.
Outra delicia do mar é uma raridade, mesmo por lá, e se chama Pecébes. O bicho é feio, mas delicioso de forma inigualável. Pense numa coisa feia, mas saborosa. Caro, também! Uma porção de 250 gramos, sai por Euros 42,00. Isto no El Mosquito, que é uma restaurante 5 estrelas. No mercado público pode sair mais barato. Mas, como tem coisa que não tem preço... fomos lá.
De tanto comentar essas delicias estou ficando com indigestão. Paro por aqui. Até a próxima!
Nota: Fotos da autoria do Blogueiro, exceto a da cataplana.
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| É servido. leitão à Bairrada, em Coimbra. |
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| Deliciosa cataplana. Hum! Que delícia! |
Outra delicia do mar é uma raridade, mesmo por lá, e se chama Pecébes. O bicho é feio, mas delicioso de forma inigualável. Pense numa coisa feia, mas saborosa. Caro, também! Uma porção de 250 gramos, sai por Euros 42,00. Isto no El Mosquito, que é uma restaurante 5 estrelas. No mercado público pode sair mais barato. Mas, como tem coisa que não tem preço... fomos lá.
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| Olha ai! Acima o pulpo temperado com páprica picante e abaixo o estranho e delicioso pecébes. |
Nota: Fotos da autoria do Blogueiro, exceto a da cataplana.
domingo, 15 de julho de 2018
A Bola da Vez
Quem me
conhece sabe que, ao longo da vida, viajar faz parte do meu viver e, sem
dúvidas, minha melhor maneira de arejar a mente. Faz um bem danado... Nesses tempos
de crises internas no Brasil, nem é bom falar. Desse modo e sempre que possível e a grana elastece,
dou minhas escapulidas.
Dias
recentes estive, com familiares, percorrendo Portugal e Espanha num roteiro velho conhecido, mas,
sempre bom de ser repetido. Conheço estes dois países há mais de quarenta e cinco anos
e não me canso de revisitá-los. Gente afável e hospitaleira, rica cultura,
paisagens deslumbrantes e gastronomia exuberante que conquistam o turista num
primeiro instante. Sendo brasileiro, como no meu caso, nem se fala. Digo sempre
que é preciso conhecer Portugal para entender melhor a cultura brasileira.
A primeira
vez que por lá andei, muito jovem, conheci um Portugal oprimido pela ditadura
de Oliveira Salazar e uma Espanha dominada pela “mão de ferro” de Franco. Eram
duas nações sufocadas e de um povo tristonho e sem esperanças. Eram países em
preto-e-branco. Colorido que houvesse seria sempre pálido. A gente se vestia de
preto, cinza e sépia. O comércio era pobre, tímido e sem atrativos. Mas, os
tempos mudaram e a democracia foi conquistada a duras e sofridas penas. Nas
várias idas praquelas bandas acompanhei as conquistas rumo à liberdade. Vi de
perto os tempos que antecederam à queda de Salazar, com a revolução dos cravos
(25/04/1974), pondo fim a um regime ditatorial que vigia desde 1926. Já, em 1975
acompanhei, por acaso, em Madrid, o fim da vida e da tirania de Franco. Mas,
isto é uma historia comprida que tanto os livros, quanto a Wikipédia podem
ajudar a quem desejar saber detalhes.
Ultimamente
estive várias vezes em Portugal. Quase todo ano. Às vezes, sinto até vontade de morar por
lá. Quando desembarco em Lisboa tenho uma sensação de chegar à casa dos meus ancestrais. Vai ver fui portuga noutra encarnação. O ar lisboeta soprando no meu rosto dá aconchegantes boas-vindas, que me revigora e faz me espalhar de corpo e alma de Sacavém à Baixa.
| A cidade de Braga festeja com feérica iluminação. Lembra nosso Natal. |
Indo tantas
vezes, observo que Portugal vem alcançando níveis apreciáveis de crescimento econômico
e desenvolvimento social nestes últimos anos. Semana passada, ainda por lá, vi
reportagens mostrando ser o país que mais cresce na União Europeia. Acreditei sem conferir, mas. confiando no via. Bom lembrar
que o país sofreu muito para se ajustar à Zona do Euro. Esteve prestes a se autoexcluir.
Mas, graças à austeridade do Governo e ao sacrifício da sociedade, conseguiu
escapar e superar a dura crise vivenciada. Cidades vibrantes, qualidade de vida exuberante, industria em franco sucesso, infraestrutura invejável e tudo mais que de moderno exista. Admirável.
Um dos
segmentos mais dinâmicos da economia portuguesa, nos últimos tempos, tem sido o do Turismo. O país
foi recentemente classificado como o melhor destino europeu. O clima, a
tranquilidade, a segurança, a hospitalidade e a multicultura reinantes o transformaram
num dos mais procurados pelos viajantes. É impressionante o movimento de
turistas de todas as partes do planeta. E como os orientais já descobriram o caminho é porque o local é a "bola da vez". E Portugal está sendo.
No mês de
junho, em pleno verão na Europa, o país vira uma festa sem fim. Aproveitei com meus familiares essas festas. Santo Antônio (ele era portuga), São João e São Pedro
são festejados de modo exuberante. Além deles, também se festeja a Rainha Santa
Isabel, padroeira de Coimbra e região. Essas festas são como uma espécie de época carnavalesca dos patrícios. Os folguedos populares rolam até “ver o sol”,
no dizer deles. Lisboa e Porto realizam os maiores eventos. Mas, nas cidades médias
as festas são grandes, também, e com muito cunho das respectivas culturas.
| Frutos do mar em abundancia |
A sardinha na
brasa pode ser vista como sendo o traço comum entre todas. É delicioso curtir
um bom vinho (peço sempre o da casa, sem medo de errar) e degustá-lo com uma
sardinha assada no braseiro. Isto sem falar do bom fruto do mar e do bacalhau às várias
modas portuguesas, encontrados em toda parte.
Escolhemos
passar a recente noite de São João na cidade de Braga, situada ao norte do país e próxima à Cidade do Porto. (foto lá em cima). Dá gosto de ver os envolvimentos religiosos ou profanos da população.
Tudo com ordem e muito respeito. Arrisco afirmar que com certa inocência, comparando
com o que se vê nas festas populares do Brasil. Famílias inteiras,
crianças soltas e brincando livremente. Nada de bebedeiras, pegações, desordens ou desrespeitos.
O máximo da diversão, além de muita música (eles adoram as brasileiras), vinho,
sardinha e bacalhau, tem a tradicional e inocente martelada na cabeça dos passantes ou dos
que querem paquerar as raparigas ou os gajos. Não se espante caro(a) leitor(a),
porque essa referida martelada é “desferida” apenas com um martelinho plástico
que se vende também nos nosso carnaval ou festinhas infantis. Coisa tola pra
nós, mas de imenso sucesso entre eles. Cheguei a comprar o meu e saí martelando
as cabeças de Deus e do Mundo. E levei muitas marteladas, também. Todo mundo porta seu martelinho plástico. É ingenuo e muito engraçado. Veja fotos a seguir.
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| Levando martelada, a pedido. O comercio dos martelinhos. |
NOTA: Fotos by Jpallain
domingo, 10 de julho de 2016
VIVER PORTUGAL
Digo sempre
que, por razões logísticas e sentimentais, Portugal é parada obrigatória para
nós pernambucanos, quando nos dirigimos à Europa. Penso, também, que ao
desembarcar em terras lusitanas é como adentrar num belo e aconchegante jardim
debruçado sobre o Atlântico e que serve de portal do Velho Mundo. Na entrada ou
na despedida daquele Continente, viver Portugal é como mergulhar num relaxante
balsamo de tranquilidade. Sua gente hospitaleira, o carinho que dispensam aos
irmãos brasileiros, a rica gastronomia e a vida cultural que, inclusive, nos
faz entender melhor as raízes dos nossos costumes e jeito de ser, valem por tudo
em cada visita que se faz. Sou um apaixonado por aquele pedaço da Europa e
folgo por conhecê-lo e visitá-lo sempre que possível, como fiz em junho
passado.
| Vista da Praça Dom Pedro IV que foi nosso Pedro I mais conhecida como Praça do Rossio. |
Junho é
tempo de festas para os portugueses. Começa em Lisboa nas comemorações do dia
Santo Antonio e se prolonga pelo São João no Norte do país, concentrados no Porto
ou em Braga, até o final do mês. O primeiro sinal dos festejos começa pelo
assar das sardinhas em braseiros espalhados pelas cidades. Foto abaixo.
| Olha aí o portuga dando trato às sardinhas |
Não tem preço
degustar uma sardinha assada com um bom vinho branco nacional, em plena Avenida
da Liberdade, na noite de 12 para 13 de junho. Dá vontade de não sair mais
dali. Sobretudo vendo rolar os desfiles de grupos folclóricos que partindo da
rotunda do Marques de Pombal bailam até a Praça do Rossio. A noite é curta para
os irmãos portugas que não se cansam de afirmam que “vão dançar nas ruas até
que seja dia” numa forma bem lusitana de dizer que vão “cair na folia até o amanhecer”.
Essa noite de festa é como um carnaval para eles. Além de festejar Santo
Antonio, o padroeiro, é também a festa do Dia Nacional que é oficialmente 10 de
Junho.
Viver Portugal,
em minha opinião, é viver um tempo sempre bom. O clima do país, a brisa do mar
e dos rios caudalosos – como o Tejo e o Douro – transformam aquilo num
verdadeiro paraíso, o ano inteiro, numa Europa nem sempre tranquila. Aliás,
nessa última passagem por lá, tomei conhecimento de que se trata de um dos
cinco países mais seguros do mundo atual. Sem dúvidas uma grande vantagem.
Falando de
Lisboa, nesse junho passado, tenho que destacar as festas em homenagem ao Santo
Antonio, que para eles é Antonio de Lisboa, lugar onde ele nasceu. Faleceu em Pádua,
pois lá vivia quando da sua morte, aos 36 anos de idade, em 13 de junho de
1231. Venerado pelos seus patrícios, arrasta multidões até sua Igreja na subida
da Alfama (bairro central de Lisboa) que no final de cada 13 de junho
acompanham sua imagem em procissão. Ver foto abaixo. Bom, sou devoto deste
Santo e trago seu nome no meu registro de nascimento. Foi uma promessa da minha
mãe, na hora do parto. Também meu filho tem o mesmo nome, noutra homenagem.
Fomos a Lisboa no ultimo 13 de junho para receber bençãos e reverenciar o padrinho
por graças alcançadas.
| Rapazes e raparigas concentrados na espera de entrar na Avenida para o Grande Desfile de 12 de Junho |
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| Imagem de Santo Antonio na procissão do dia 13 e duas fotos icones de Lisboa: a Torre de Belem e a Rotunda do Marques de Pombal |
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| Lisboa em três tempos: o velho e romântico bondinho que circula na cidade antiga, os pasteis de Belém e a venda do manjerico nessas festas juninas. |
Percorrer as
ruas e avenidas de Lisboa, no casco antigo ou nos lados modernos, é sempre
muito prazeroso, situação que se amplia graças às muitas tentações gastronômicas
oferecidas e das quais não há quem se livre.
Como sair de
Portugal sem comer um bom bacalhau? Impossível! Isto sem falar no leitão da
Região de Coimbra, numa cataplana de frutos do mar na Beira do Tejo, ou num chouriço
flambado na aguardente bagaceira às margens do Douro na Vila Nova de Gaia. No
fim de cada uma dessas orgias gastronômicas um bom Pastel de Nata é
praticamente obrigatório. E se for o de Belém, tanto melhor. Quando cansado dos
pasteis de nata a solução é partir para uma porção de toucinho do céu, da baba
de camelo ou alguns ovos moles do Aveiro. Tudo à base de gema de ovo. Pense
nessa dose de colesterol! Mas chega de
comida...
| Uma bela cataplana de Frutos do mar que saboreamos em Cascais |
Saindo de
Lisboa, inúmeras são as opções de interesse turístico. Destaco os balneários do
Estoril e de Cacais. Nada muito extraordinário historicamente falando, mas, sem
dúvidas bons locais para se visitar e onde se pode comer bem. São cidades gêmeas
e próximas a Lisboa.
Mais
distante e no sentido Norte, uma visita indispensável é ao Santuário de Fátima,
onde a cristandade se encontra em veneração à Virgem Maria e onde também
estivemos para, como bons crentes, louvar e agradecer à Mãe de Fátima as graças
alcançadas. É um lugar com especial energia, dada a fé e a devoção de um mundo
de fiéis que ali se reúnem diariamente. O silencio daquela esplanada diante da
Basílica é um convite imediato para reflexões e propósitos espirituais.
Portugal é
assim: fé, turismo, bons ventos, gente amiga e, para nós brasileiros, uma espécie
de encontro com as raízes culturais. Não me canso de viver esse estado de espírito
luso. Na próxima edição vou falar mais de Portugal. O Porto que me aguarde...
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Portugal, Uma parada obrigatória
Quando
saindo do Recife, em direção à Europa, digo sempre que Portugal é uma parada
obrigatória, dados o conforto e a rapidez que nos são oferecidos pela logística
aérea. Nem que seja para uma simples conexão.
Para mim, porém, já que parando na “santa terrinha”, por que não se demorar algum tempo? Não perco as chances de fazer desse modo, como ocorreu recentemente. Adoro Lisboa. Sempre aprazível e muita tranquila, até porque não se trata de nenhuma metrópole trepidante, quando comparada com outras capitais europeias e porque sempre nos recebe de braços abertos, após sete horas de voo. Desde o desembarque espero respirar a brisa fresca soprada desde o rio Tejo misturada com a do lado de lá do Atlântico. Levado por esses ares, é ganhar o mundo e logo procurar a Avenida da Liberdade – orgulho dos portugueses, por ser a mais larga de Europa – para descer lentamente, da Rotunda do Marques do Pombal até o Largo do Rossio, aproveitando a
sombra das frondosas castanheiras, que nestes fins de setembro já frutificam, numa fantástica explosão da mãe-natureza, espalhando castanhas por todo lado. (foto acima) São aquelas mesmas, que no Natal, compramos, a peso de ouro, para compor nossa mesa natalina. Colhidas pelos populares são vendidas, depois de torradas (o mesmo processo pelo qual torramos nossas castanhas de caju), no centro da cidade, inclusive ao longo da belíssima Rua Augusta, somente para pedestres, cujo calçamento de pedras portuguesas, com certeza, brilha como se houvesse sido polido com especial cera e gigante enceradeira. Tudo primorosamente limpo. A vontade inicial é de tirar sapatos e meias e pisar com prazer naquela rua, que é visita obrigatória quando estando em Lisboa. Foto a seguir.
Se na Baixa de Lisboa (área central da cidade) campeia a alma lusitana, num cenário de beleza sóbria formado pelos tradicionais sobrados, ao levantarmos a vista nos deparamos com o monumental Castelo de São Jorge, sentinela alerta desde os tempos medievais, no ponto mais alto da cidade. De lá se descortina a melhor visão da capital portuguesa. Isto sem esquecer que para chegar até lá é preciso “pedir passagem” para atravessar os antigos bairros da Alfama e da Mouraria, santuários dos mais belos fados e das mais antigas tascas. Os bondinhos que sobem e descem são transportes ideias para este percurso e uma parada na Catedral e na Igreja de Santo Antonio é grande pedida, sobretudo para os católicos. Vide fotos a seguir.
Se curtir as
belezas e o clima lisboeta é gostoso, o mesmo pode ser dito dos interiores
portugueses. Adentrar pelas terras de Cabral é ir ao encontro das origens da
nossa gente interiorana, da matutice brasileira e da alma hospitaleira e
solidária que prevalece lá e cá. O interior de Portugal é uma capitulo a parte
de uma viagem dessas.
Dessa vez, com minha esposa, fizemos um percorrido relativamente tradicional, mas, deveras encantador. Começamos pelos arredores de Lisboa, em direção ao litoral e fomos parar no Estoril e Cascais, os mais famosos balneários portugueses. Mas, como não queríamos praias, logo, tomamos o rumo norte para visitar Sintra, uma vila situada na Região Metropolitana de Lisboa e que guarda importantes relíquias da história portuguesa e da Península Ibérica. Por lá passaram os romanos entre os séculos II AC e V DC. Depois vieram os árabes mulçumanos que andaram por lá durante quatro séculos, por volta do século X DC, e deixaram marcas que se conservam até hoje. História, castelos e palácios fazem a festa para os olhos do visitante. A paisagem é sensacional. Para os amantes da fotografia, como é o caso da minha esposa Sonia, é “pano para as mangas”. Foto abaixo.
Era um sábado e a presença de turistas impressionava. Sintra não comportava tantos. Achar um estacionamento no sitio histórico era como um prêmio de loteria. Encantados com as paisagens e com o patrimônio histórico, seguimos adiante porque aquele sábado foi dedicado a percorrer sítios históricos portugueses. Saindo de Sintra, tomamos a direção norte e fomos desbravando terras e paisagens deslumbrantes, trilhando autoestradas e vias secundárias. Paramos em aldeias remotas, travamos conversas divertidíssimas, sentimos de perto a vibração da alma portuguesa, comemos do bom e do melhor, provamos dos doces, quase sempre com muitas calorias – não existem doces portugueses sem muita gema de ovo – e certamente que, naquele dia, pecamos pela gula!
Depois de um giro no centro histórico de Santarém, chegamos, no fim da tarde, à Vila Medieval de Óbidos, situada no Distrito de Leiria, limites com Caldas da Rainha, Região Centro de Portugal. Ir à Óbidos é tal qual um mergulho na história de Portugal. Na Vila não entra carro. Deixamos o nosso num estacionamento às portas da cidadela, cercada por forte muralha e imponente portal, e empreendemos nosso passeio caminhando. Alí, cada passo dado é um novo quadro do passado. Sem percebermos fomos tomados pelo espírito medieval, reforçados por doses o licor de ginja, típico do local, oferecidos a todo instante. Nesse ambiente mágico o visitante se perde em meio a lojinhas, bares, mercearias, padarias e restaurantes típicos esquecendo-se de voltar ao século 21, tendo que voltar. Foi interessante sair desse cenário e pilotar uma máquina moderna numa autopista igualmente atual. Fotos do local, a seguir.
Retornamos a Lisboa e fomos curtir o resto do dia numa boa mesa, onde nunca falta o bom e bem preparado bacalhau à moda local. Escolhemos o bem estrelado restaurante Gambrinus e fechamos o dia de fausto modo. É, ou não é, uma parada obrigatória?
NOTAS: As 6 primeiras fotos foram obtidas no Google Imagens e as 3 últimas são da autoria do Blogueiro.
Para mim, porém, já que parando na “santa terrinha”, por que não se demorar algum tempo? Não perco as chances de fazer desse modo, como ocorreu recentemente. Adoro Lisboa. Sempre aprazível e muita tranquila, até porque não se trata de nenhuma metrópole trepidante, quando comparada com outras capitais europeias e porque sempre nos recebe de braços abertos, após sete horas de voo. Desde o desembarque espero respirar a brisa fresca soprada desde o rio Tejo misturada com a do lado de lá do Atlântico. Levado por esses ares, é ganhar o mundo e logo procurar a Avenida da Liberdade – orgulho dos portugueses, por ser a mais larga de Europa – para descer lentamente, da Rotunda do Marques do Pombal até o Largo do Rossio, aproveitando a
sombra das frondosas castanheiras, que nestes fins de setembro já frutificam, numa fantástica explosão da mãe-natureza, espalhando castanhas por todo lado. (foto acima) São aquelas mesmas, que no Natal, compramos, a peso de ouro, para compor nossa mesa natalina. Colhidas pelos populares são vendidas, depois de torradas (o mesmo processo pelo qual torramos nossas castanhas de caju), no centro da cidade, inclusive ao longo da belíssima Rua Augusta, somente para pedestres, cujo calçamento de pedras portuguesas, com certeza, brilha como se houvesse sido polido com especial cera e gigante enceradeira. Tudo primorosamente limpo. A vontade inicial é de tirar sapatos e meias e pisar com prazer naquela rua, que é visita obrigatória quando estando em Lisboa. Foto a seguir.
Se na Baixa de Lisboa (área central da cidade) campeia a alma lusitana, num cenário de beleza sóbria formado pelos tradicionais sobrados, ao levantarmos a vista nos deparamos com o monumental Castelo de São Jorge, sentinela alerta desde os tempos medievais, no ponto mais alto da cidade. De lá se descortina a melhor visão da capital portuguesa. Isto sem esquecer que para chegar até lá é preciso “pedir passagem” para atravessar os antigos bairros da Alfama e da Mouraria, santuários dos mais belos fados e das mais antigas tascas. Os bondinhos que sobem e descem são transportes ideias para este percurso e uma parada na Catedral e na Igreja de Santo Antonio é grande pedida, sobretudo para os católicos. Vide fotos a seguir.
Dessa vez, com minha esposa, fizemos um percorrido relativamente tradicional, mas, deveras encantador. Começamos pelos arredores de Lisboa, em direção ao litoral e fomos parar no Estoril e Cascais, os mais famosos balneários portugueses. Mas, como não queríamos praias, logo, tomamos o rumo norte para visitar Sintra, uma vila situada na Região Metropolitana de Lisboa e que guarda importantes relíquias da história portuguesa e da Península Ibérica. Por lá passaram os romanos entre os séculos II AC e V DC. Depois vieram os árabes mulçumanos que andaram por lá durante quatro séculos, por volta do século X DC, e deixaram marcas que se conservam até hoje. História, castelos e palácios fazem a festa para os olhos do visitante. A paisagem é sensacional. Para os amantes da fotografia, como é o caso da minha esposa Sonia, é “pano para as mangas”. Foto abaixo.
Era um sábado e a presença de turistas impressionava. Sintra não comportava tantos. Achar um estacionamento no sitio histórico era como um prêmio de loteria. Encantados com as paisagens e com o patrimônio histórico, seguimos adiante porque aquele sábado foi dedicado a percorrer sítios históricos portugueses. Saindo de Sintra, tomamos a direção norte e fomos desbravando terras e paisagens deslumbrantes, trilhando autoestradas e vias secundárias. Paramos em aldeias remotas, travamos conversas divertidíssimas, sentimos de perto a vibração da alma portuguesa, comemos do bom e do melhor, provamos dos doces, quase sempre com muitas calorias – não existem doces portugueses sem muita gema de ovo – e certamente que, naquele dia, pecamos pela gula!
Depois de um giro no centro histórico de Santarém, chegamos, no fim da tarde, à Vila Medieval de Óbidos, situada no Distrito de Leiria, limites com Caldas da Rainha, Região Centro de Portugal. Ir à Óbidos é tal qual um mergulho na história de Portugal. Na Vila não entra carro. Deixamos o nosso num estacionamento às portas da cidadela, cercada por forte muralha e imponente portal, e empreendemos nosso passeio caminhando. Alí, cada passo dado é um novo quadro do passado. Sem percebermos fomos tomados pelo espírito medieval, reforçados por doses o licor de ginja, típico do local, oferecidos a todo instante. Nesse ambiente mágico o visitante se perde em meio a lojinhas, bares, mercearias, padarias e restaurantes típicos esquecendo-se de voltar ao século 21, tendo que voltar. Foi interessante sair desse cenário e pilotar uma máquina moderna numa autopista igualmente atual. Fotos do local, a seguir.
Retornamos a Lisboa e fomos curtir o resto do dia numa boa mesa, onde nunca falta o bom e bem preparado bacalhau à moda local. Escolhemos o bem estrelado restaurante Gambrinus e fechamos o dia de fausto modo. É, ou não é, uma parada obrigatória?
NOTAS: As 6 primeiras fotos foram obtidas no Google Imagens e as 3 últimas são da autoria do Blogueiro.
sábado, 3 de outubro de 2015
Reciclando a Mente
Uma viagem,
de vez em quando, faz um imenso bem à mente humana. Areja as ideias, recarrega
as baterias exauridas pelo trepidar do dia-a-dia e, por fim, recicla o sujeito.
Mesmo que seja uma viagem de retorno a algum lugar conhecido, há sempre algo novo a ser notado e anotado.
Eu, particularmente, não posso reclamar da vida porque a trabalho, passeando ou
as duas formas combinadas tenho tido boas chances de reciclar-me. E, em tempos
de crise no Brasil, o alivio é ainda maior. Acabo de chegar de uma dessas
reciclagens. Passei quatorze dias pela Europa, revendo coisas, pessoas e realindo um
pouco de trabalho. Estive, mais precisamente em Portugal, Itália e uma entrada
rápida na Suíça. O motivo foi o combinado Trabalho/Lazer.
Já andei várias vezes nessas mesmas bandas. Mas, como disse antes, há sempre algo novo a conferir.
Andando pelo Portugal de hoje é de se observar muitas mudanças. Conheci a “santa terrinha” nos dantes da ditadura de Salazar. Acompanhei a queda do dito cujo e vibrei com a revolução dos cravos. Vi de perto monumentais manifestações na passada década de 70. De um país sombrio e subdesenvolvido nossa Pátria Mãe se transformou num moderno espaço, integrado à União Europeia e com ares de desenvolvimento ascendente. Com minha esposa de banda pilotei um veículo, locado nas portas de Sacavén, em Lisboa, e saímos explorando não somente a aprazível capital lusitana, mas, também as sempre bucólicas paisagens interioranas do país, deslumbrados com a infraestrutura viária que corta os extremos da Península Ibérica, nas mais diversas direções, nos colocando em poucas horas em locais atrativos turisticamente falando ou em pequenas aldeias, nas quais somos recebidos de braços abertos pela hospitalidade nata dos lusitanos. Lembro bem que, numa dessas, fomos recebidos num café de beira de caminho por certo Senhor Antonio Oliveira, que se fez de “amigo de infância” e cumprindo honras de anfitrião da aldeia insistiu e pagou nosso cafezinho, acompanhado de um doce bem português. Buscávamos informações de como sair daquela área remota, nos arredores de Santarém (ao Norte de Lisboa). Pouco se incomodou se buscávamos informações do rumo a tomar e, por certo, achou uma novidade aparecer um casal de brasileiros perdidos naquela remota paragem. Incrível como abraçava-nos tal como se fôssemos velhos amigos. Achou minha esposa belíssima e quando, por fim, resolvemos partir, com forte sotaque português, deu-nos uma lição de vida: “O mundo precisa de amigos. Eu sou um construtor de amizades. Certamente que nunca mais nos encontraremos, mas, é bom saber que temos amigos lá longe, no Brasil. A amizade é a chave da paz”. Ficamos impressionados com aquela alma portuguesa que nos apareceu repentinamente. Quando a emoção nos “sufocou” e olhos marejaram, tomei consciência de que estávamos em Portugal. E aquilo lá é sempre assim... Coisa que não existe entre nós brasileiros. Veja a foto de Seu Antonio comigo e outra com minha esposa, a seguir.
Se em
Portugal a gente é, de modo geral, afável e hospitaleira o mesmo não se pode
dizer dos italianos. Excetuando-se, naturalmente, os amigos que vivem por lá. A
Itália recebe imensos contingentes de turistas do mundo inteiro, todo dia e
toda hora. Uma cidade como Veneza que vive do turismo, está sempre dura de
gente. Chega ser incômodo para quem a visita. Imagine para quem recebe. É
preciso ter muita paciência. Os italianos são objetivos nas explicações e para
eles qualquer turista é simplesmente mais um. Não importa a procedência. Agora,
tem uma coisa: estão sempre convencidos de que oferecem as mais belas
paisagens, os mais belos vestígios da formação histórica do Ocidente, uma
gastronomia invejável e uma gente que sabe viver sempre no clima de “dolce vita”.
Adoro sentar-me numa praça italiana e ver o ir e vir da italianada. Vide fotos a seguir.
Notas: 1.Fotos do arquivo pessoal do Blogueiro. 2. O Blogueiro viajou integrando uma Missão Empresarial de pernambucanos ligados ao Setor Metalmecânico e representando o Sindicato das Industrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco – SIMMEPE.
Já andei várias vezes nessas mesmas bandas. Mas, como disse antes, há sempre algo novo a conferir.
Andando pelo Portugal de hoje é de se observar muitas mudanças. Conheci a “santa terrinha” nos dantes da ditadura de Salazar. Acompanhei a queda do dito cujo e vibrei com a revolução dos cravos. Vi de perto monumentais manifestações na passada década de 70. De um país sombrio e subdesenvolvido nossa Pátria Mãe se transformou num moderno espaço, integrado à União Europeia e com ares de desenvolvimento ascendente. Com minha esposa de banda pilotei um veículo, locado nas portas de Sacavén, em Lisboa, e saímos explorando não somente a aprazível capital lusitana, mas, também as sempre bucólicas paisagens interioranas do país, deslumbrados com a infraestrutura viária que corta os extremos da Península Ibérica, nas mais diversas direções, nos colocando em poucas horas em locais atrativos turisticamente falando ou em pequenas aldeias, nas quais somos recebidos de braços abertos pela hospitalidade nata dos lusitanos. Lembro bem que, numa dessas, fomos recebidos num café de beira de caminho por certo Senhor Antonio Oliveira, que se fez de “amigo de infância” e cumprindo honras de anfitrião da aldeia insistiu e pagou nosso cafezinho, acompanhado de um doce bem português. Buscávamos informações de como sair daquela área remota, nos arredores de Santarém (ao Norte de Lisboa). Pouco se incomodou se buscávamos informações do rumo a tomar e, por certo, achou uma novidade aparecer um casal de brasileiros perdidos naquela remota paragem. Incrível como abraçava-nos tal como se fôssemos velhos amigos. Achou minha esposa belíssima e quando, por fim, resolvemos partir, com forte sotaque português, deu-nos uma lição de vida: “O mundo precisa de amigos. Eu sou um construtor de amizades. Certamente que nunca mais nos encontraremos, mas, é bom saber que temos amigos lá longe, no Brasil. A amizade é a chave da paz”. Ficamos impressionados com aquela alma portuguesa que nos apareceu repentinamente. Quando a emoção nos “sufocou” e olhos marejaram, tomei consciência de que estávamos em Portugal. E aquilo lá é sempre assim... Coisa que não existe entre nós brasileiros. Veja a foto de Seu Antonio comigo e outra com minha esposa, a seguir.
Meu objetivo
principal de viagem foi participar de uma Missão Empresarial, promoção do
Governo de Pernambuco e patrocínio do Governo da região italiana da Lombardia, precisamente
em Bérgamo, representando o setor Metal-Mecânico pernambucano. Cumprido este
compromisso profissional, estiquei a estada na Itália e revisitei lugares favoritos, como
Milão, Bolonha, Verona e Veneza. Tudo relativamente corrido, mas, com tempo
suficiente para curtir e conferir as novidades. Sempre reciclando a mente.
Durante a semana vou tentar postar, aqui no Blog, novas impressões de viagens.
Atenderei pedidos que já me fazem por antecipação. Acho bom. Pelo menos alivia
as preocupações com D. Dilma, com a Lavajato, as roubalheiras, o cambio com o
Euro e tudo que com essas coisas se relacionem. Boa semana a todos.
Notas: 1.Fotos do arquivo pessoal do Blogueiro. 2. O Blogueiro viajou integrando uma Missão Empresarial de pernambucanos ligados ao Setor Metalmecânico e representando o Sindicato das Industrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco – SIMMEPE.
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