sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Rescaldo Eleitoral

A criatividade do brasileiro é inesgotável. O tempo passa, as gerações se renovam, o país muda em todos os setores de atividades, tecnologias modernas dão o toque dessas mudanças, mas, os traços culturais resistem ao tempo e acompanham as modificações socioeconômicas. Falo disso após observar o resultado final das eleições, do domingo passado. O que aconteceu aqui no Nordeste brasileiro, particularmente aqui no estado de Pernambuco, onde a candidata petista “deu um banho” de votos no seu adversário e, praticamente, garantiu sua vitória nas urnas, fez-me lembrar a velha e carcomida política do passado, na qual os velhos coronéis dominavam seus currais eleitorais e sempre saiam vencedores se perpetuando, assim, no poder. O que se observa nos dias atuais é um eleitorado refém ao PT baseado nos programas assistencialistas reunidos no popular Bolsa Família. Os atuais coronéis se tornaram mais competitivos quando explorando e refinando a capacidade criativa, nata do brasileiro, lançando mão dos modernos recursos tecnológicos tão bem representados pelas chamadas redes sociais. Rapidamente essas raposas políticas atingem em cadeia o público alvo, coibindo e até ameaçando. Multidões tremeram nas bases diante da possibilidade de perder os benefícios assistenciais adquiridos. Resultado: o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, por exemplos, foram modernas criatividades que renderam, sim, os votos necessários para manter os modernos coronéis no poder. Como os Norte e Nordeste, incluindo a deprimida região do Norte de Minas Gerais, são as áreas mais beneficiadas pelo programão petista fica fácil entender o resultado do segundo turno.
Esse resultado, contudo, vale refletir, foi o mais apertado de todas as eleições do período pós- redemocratização e da polarização PT x PSDB. Apenas 3,28 pontos percentuais separaram a candidata vitoriosa do seu opositor (Dilma 51,64% e Aecio 48,36%). Vamos e venhamos, foi por muito pouco. O “incêndio” da campanha apontava para isto, aliás.
O recado deixado pelas urnas é claro de que o país está dividido e exige um esforço titânico de D. Dilma, nesse seu segundo mandato, com vistas a conduzir o país num clima de tranquilidade e progresso como se deseja.
No seu discurso de vitória na noite do domingo a reeleita prometeu mundos e fundos e garantiu que vai buscar “construir pontes” para estabelecer a conciliação nacional necessária para que seu governo seja profícuo. Na mesma fala sublinhou a intenção de operar mudanças na gestão do país e adotar perseguição cerrada aos corruptos. Vamos ver. Com toda essa sujeira, a começar com o Petrolão e as denúncias que já surgem no âmbito da Eletrobrás, custa-me crer.
 “Governo novo, novas ideias” foi o lema da campanha vitoriosa. Eleitores ou não da candidata Dilma esperam por essas novas ideias porque, afinal, o estado no qual se encontra o Estado Brasileiro e a Economia do país urge que o prometido flua rapidamente. Para reforçar esse ideário é importante também que a mandatária reeleita não perca de vista as cobranças de mudanças de junho do ano passado: na gestão pública em geral, na tentativa de restaurar a credibilidade na administração pública, ajustes na contabilidade nacional, sem o uso dos artifícios criativos, revisão nas políticas econômica, social e fiscal, atenção especial aos setores industrial e agrícola antes que afundem de vez, mudanças na administração das tarifas dos combustíveis e energia, na política das relações internacionais (fala-se que 28 novos embaixadores esperam há oito meses ser recebidos pela presidente. Que falta de visão política!) e nos demais segmentos que fazem rodar o país.
Naturalmente que, para tudo fluir nos conformes, D. Dilma vai ter que se virar e mudar sua postura política e estabelecer um bom diálogo com o novo Congresso. Quero ver.
Bom, por enquanto é tratar de se livrar do rescaldo eleitoral. Deus nos assista.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Desafios dos Novos Governantes

O Brasil indiscutivelmente mudou nesses últimos anos. E, vou logo avisando, não falo dos recentes anos de governos do PT ou do PSDB. Falo dos anos que remontam até mesmo ao período dos governos militares. Já tenho idade suficiente para fazer esta afirmação e, além disto, trabalhei muitos anos numa agencia de desenvolvimento regional do Nordeste brasileiro (SUDENE) cuja missão maior era justamente promover o desenvolvimento socioeconômico da Região. Tampouco vou rememorar longos dados historicamente deprimentes ou a evolução desses, salvo alguns poucos e de passagem, para lembrar que mortalidade infantil e geral, analfabetismo, desemprego desmedido e êxodo para regiões mais atraentes, entre outros, revelam, nos dias atuais, um quadro completamente diferente do que se dispunha nos anos 60 e 70. A SUDENE cumpriu importante papel ao mudar o Nordeste, enquanto o restante do Brasil não parou de crescer e mudar.
O advento dos programas de assistência direta das décadas recentes, hoje reunidos no Programa do Bolsa Família, se cristalizou e o brasileiro de agora difere, em muito, do de trinta anos passados. As denominadas Classes C e D já representam, agora, um forte contingente de cidadãos incluídos no cenário socioeconômico da Nação e são pessoas que por ser mais bem instruídas, gozarem de melhor saúde e saneamento, de ter um emprego e vida melhor organizada, habilitam-se a viver intensamente o dia-a-dia nacional, produzindo, participando politicamente e exigindo o que de direito.
Pensando desse modo, começo a interpretar ainda melhor o que ocorreu em junho de 2013 e fazer uma leitura mais cuidadosa daquelas reivindicações clamorosas. Não quero recordar dos oportunistas vândalos que optaram  desvirtuar a real iniciativa, saqueando e assaltando os patrimônios públicos e privados, mas, sim dos brasileiros honestos e bem intencionados que foram às ruas sem se preocupar com as matizes do colorido ambiente político-partidário.
Quando o povo organizado ganhou as avenidas das grandes cidades pedindo melhores padrões de saúde, educação, segurança, mobilidade e serviços essenciais, no padrão FIFA, estavam exercendo sua cidadania em toda plenitude.  E, veja bem, a massa humana que foi às ruas requerendo essas melhorias foi, sobretudo, formada pelos homens e mulheres das referidas Classes C e D. São pessoas que provaram do que antes não conheciam e que, agora, precisam ver aperfeiçoados e ampliados. Mais do que isso! São pessoas que já pagam impostos – diretos ou indiretos – conscientes da contribuição que dão e sabedores de que, por principio republicano, sua contribuição deve retornar em seu benefício.
É neste quadro que se instala a pesada carga que paira sobre os novos governantes eleitos, neste outubro de 2014. É nesse ponto que deve se concentrar a atenção de quem vai empunhar a caneta de governante porque, afinal, uma mudança de governo é sempre acompanhada de um rasgo de esperança para os que o escolheram. Para chegar lá, forças contrárias se empenham no debulhar de promessas e supostos compromissos diante de Sua Excelência o Eleitor. Manifestações acaloradas, comemorações, esperanças, choros, ranger de dentes e, até tragédias, são comuns nesses tempos ou foram concretos nesse ultimo embate eleitoral brasileiro.
Ora, quando chega o momento da verdade, digo, de conjugar o verbo governar, nem sempre a coisa se concretiza. Infelizmente, sejamos francos, ao que tudo leva a crer, aqui no Brasil, é que bate uma crise de amnésia no eleito,  que termina se perdendo no turbilhão de decidir, de ostentar o poder e a vaidade do cargo, embalado por diversos salamaleques e, quase sempre, se mete em muitas irresponsabilidades. Exemplos recentes são os Fome Zero e PAC do Governo de D. Dilma. O primeiro ficou no papel e o segundo é um fiasco de incompleto.  
Tomara que o novo(a) presidente do Brasil e os novos governadores estaduais, olhem, ao menos, pelo retrovisor para junho do ano passado e tomem consciência das responsabilidades reservadas aos chefes de Estado, para atender as exigências de quem tem o direito de exigir: o cidadão eleitor. Recursos não lhe faltarão. Havendo vontade política, lisura, ética, menos corrupção e muita  honestidade o sucesso estará garantido.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Tocaram fogo no circo eleitoral

Será que esse tipo de debate entre os candidatos à Presidência da República agrada aos eleitores?  Será que estão com comportamentos corretos e adequados para quem pretende sentar na cadeira maior da Nação? Tenho conversado com muita gente sobre este assunto, desde o primeiro embate na TV Bandeirante. Depois de ontem, então, diante daquele festival de agressões no SBT o questionamento mais do que nunca ganhou sentido.
Antes do primeiro turno, dia 5 passado, a coisa já se desenhava, no meu ver, de modo inadequado e pouco republicano. O massacre que o PT impôs à candidata Marina Silva, frágil nas suas ideias e no próprio físico, foi de estarrecer qualquer pessoa de são juízo. Ela, a massacrada, numa postura elegante e com ar de vestal, se controlou, não perdeu a linha e decidida a não comprar a briga manteve a linha. Resultado foi que terminou derrotada. Só que o plano dos petistas era de vencer no primeiro turno derrotando marina Silva. A dose foi tão cavalar que esqueceram o outro. A estratégia não vingou e quem ganhou com isso foi o antes tido como derrotado Aécio Neves. E como dizia vovó: “o tiro saiu pela culatra”.  
Agora, o PT agindo com seu costumeiro modo, isto é, desconstruindo a imagem do adversário e seu respectivo partido, com golpes baixos e pouco elegantes para quem pretende dirigir a República encontrou um adversário diferente dos anteriores. Aécio é bem diferente dos seus colegas José Serra e Geraldo Alckmin que não compraram a briga, foram elegantes e comedidos nas respostas aos ataques, intimidados talvez ou com medo de não atingir o populista Lula e a sua discípula Dilma. Resultado foi que perderam as eleições mesmo tendo tido chance de ir para um segundo turno e virar a mesa.       
Nesta eleição de 2014, o PT está encontrando um adversário, digamos, à altura da sua estratégia. Um candidato, que luta com as mesmas armas e vem impondo momentos amargos à candidata Dilma. Aécio tem sido inclemente ao revidar cada ataque, embora se proponha a cada inicio de debate a discutir propostas de Governo. O debate de ontem (16/10/14) na Rede do SBT foi o retrato fiel desse quadro desolador. “Tocaram fogo no circo eleitoral!” Ao vivo e a cores, diante de milhões de espectadores atônitos e incrédulos.
Mas, tentando responder a questão inicial, devo considerar que a grande maioria das pessoas – com as quais converso e troco opiniões para tecer meus comentários semanais – são frontalmente contra essas exibições estúpidas.
Ora, minha gente, o Brasil está atravessando uma conjuntura das mais delicadas. Do domínio social ao econômico, além dos estruturantes relativos à moral, à ética e à política. Uma Nação com tantas fragilidades sociais e morais, como o Brasil de hoje, tem seu futuro ameaçado e a oportunidade de corrigir é quando se elege um novo governante. Sem ética não saberemos discutir progresso social e econômico com lisura e democracia. Aos nossos dois candidatos faltam oportunidades de, nesses necessários debates televisivos, focar nas propostas de governo. Somente assim o eleitor poderá avaliar melhor cada um deles e decidir a quem conferir seu voto. Essa coisa de fuxicar a vida de cada um é coisa de comadres desocupadas, sentadas nas calçadas das cidades do interior mineiro, que deve ser um trem danado de bão prá elas. Mas para candidatos à Presidência da Republica é, no mínimo, indecente.
Propostas candidatos! É isso que estamos esperando porque o país está à beira de um colapso de energia, falta água em muitos lugares, a insegurança é calamitosa, a Educação é um desmantelo, a mobilidade e a logística são o retrato do caos, a Saúde é dramática, o crescimento econômico é pífio e vexatório, a inflação assusta e a falta de vergonha nos políticos envergonha o cidadão brasileiro honesto. Queimem o circo, tem quem curta essa. Mas, não toquem fogo no Brasil!                   


NOTA: A foto que ilustra foi obtida no Google Imagens.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O Brasil merece sua melhor reflexão

Como esperado, as eleições de domingo passado, no Brasil, geraram múltiplas emoções. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, brasileiros e brasileiras se envolveram num dos processos mais disputados dos últimos tempos.
Pois é, o processo eleitoral deste ano foi, desde o inicio, permeado de lances que classifico como inusitados. Além das naturais escaramuças pré-desenhadas, aquele acidente fatal com o candidato Eduardo Campos, provocou uma tremenda reviravolta e determinou um processo ainda menos esperado.  A substituição de Eduardo pela pouco convincente Marina Silva; a luta desigual, frente aos concorrentes, da atual Presidente buscando permanecer no poder, com o óbvio apoio da máquina do Estado e  o candidato Aécio Neves se equilibrando numa “corda bamba” para levar adiante sua candidatura foram elementos que permearam o dia-a-dia dos brasileiros, nesses últimos meses. Desestimulante, para muitos que consideraram como fracas as opções de escolha e apaixonante para outros que ainda vive sob a tutela do Estado.
Percorrendo parte da cidade do Recife – onde meu domicilio eleitoral – percebi pouco entusiasmo nas fisionomias dos eleitores e ausência total do clima de festa que se registrava nas eleições do passado, particularmente após a redemocratização. Eu vivi climas eleitorais vibrantes, desde criança porque venho de uma família de políticos apaixonados. É verdade que a atual lei eleitoral inibe maiores manifestações, contudo, o povo ia às ruas sempre com mais alegria e vibração do que o visto no último domingo. Vi pessoas vestindo preto e declarando luto e repúdio à situação deplorável em que se encontra o país. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, quase 20% dos eleitores inscritos não se deram ao trabalho de comparecer à seção eleitoral e isto exige uma reflexão num país em que votar é obrigação. Nas seções eleitorais do exterior o que mais se comentou foi que a coisa foi sem graça. Não que precise graça, mas, faltou entusiasmo. O eleitor está descrente, saturado dessa situação hoje reinante. 
Diante desse ambiente apático, arrisco pontuar algumas constatações pessoais:
A terceira via, mais uma vez, foi inviabilizada. A esperança estava nas mãos de Eduardo Campos. Sua substituta, Marina Silva, não mostrou capacidade, nem envergadura, para levar adiante o projeto gestado em Pernambuco. A Marina, na verdade, obteve boa votação enquanto vista como a melhor opção de arrancar o PT do Governo. Opção discutível e frágil, no meu modo de ver. Não é assim que se vence uma eleição. Faltou uma proposta programática compreensível para justificar o fim desejado. Essa estratégia vingou bem em Pernambuco e o Partido governista terminou dissolvido no estado. Não fez, sequer, um Deputado Federal, perdeu na disputa para o Senado e por haver sido incluído na coligação de apoio ao candidato de oposição ao governo estadual terminou prejudicando-o. O resultado foi catastrófico, embora que o postulante, Armando Monteiro Neto, fosse de alta densidade política e de indiscutível competência. E que nunca foi Petista.
Outra constatação: a polarização PT x PSDB volta com toda força e o brasileiro, esperançoso por uma autentica mudança, vê-se refém do “mesmismo” e de um modelo político esgotado e desmoralizado pelos sucessivos escândalos e episódios de corrupções registradas sob a égide desse governo de plantão, como amplamente denunciado, de modo clamoroso, pela massa cidadã que foi às ruas do país em junho de 2013. Isso, sem falar noutros aspectos, entre os quais o pífio desempenho econômico, a perda de importância no cenário internacional, a insegurança, a inflação, a magra rede logística do país e a indecorosa carga tributária.
O resultado das urnas mostram claramente que a candidata Dilma está longe de ser a unanimidade que ela própria disse gozar, em entrevista coletiva após divulgada a apuração dos votos de domingo passado. Ela obteve apenas 41,59%, dos votos válidos. O restante foi sufragado a favor dos candidatos Aécio Neves, com a surpreendente marca dos 33,55% e a favorita para disputar o segundo turno, Marina Silva, com 21,32%. Não me preocupei com as migalhas dos candidatos de menor envergadura. Ou seja, a candidata Presidente fez um discurso equivocado. Para levar no segundo turno vai ter que trabalhar muito. A propósito, acredito que teremos um pleito duríssimo e quem vencer vai contar com uma vantagem bem apertada.
Finalmente, vejo que nesse segundo turno, próximo dia 26, o eleitor brasileiro vai selar seu futuro e o do país ao eleger um novo(a) presidente. Depois disso, bençoe... Será um caminho sem volta. E, nessa hora, reitero o que sugeri na postagem da semana passada: dê um voto consciente. O Brasil merece sua reflexão. Agora, mais do que nunca!

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

sábado, 27 de setembro de 2014

Voto Consciente, uma necessidade

Estamos a uma semana das eleições gerais no país. A campanha eleitoral está chegando ao fim. As opiniões se dividem em tudo e por tudo. Muitas emoções vão rolar. Os candidatos a cargos majoritários desejando mais tempo para derramar seus proselitismos, ataques aos adversários, disseminar intrigas e mentiras ou aqueles que se candidatam por “brincadeirinha”, que são muito mais do que nós, pobres mortais – que nem eu – imaginamos, lamentando o fim das “férias”.
Mas, nada disso se compara com o que se desenha por trás do processo. Está em jogo o destino do país e isso parece não abalar a maioria da população. Apatia quase geral. Recente  pesquisa do Ibope constatou que 46% da população não está nem aí com o que se desenrola no processo eleitoral. É assustador para quem se candidata e para quem esteja preocupado com o destino do País. Preocupante porque são esses alienados que elegem um Tiririca da vida... Os críticos especialistas consideram que a presente eleição passará à História como tendo sido um processo “morno”, no qual pouco se discutiu, ou se discutiu de forma pouco convincente, o futuro da Nação.  Um processo no qual o eleitor – que deve ser visto como o personagem mais importante – se revela descrente, decepcionado e sem esperanças.
É desanimador assistir ao Horário da Propaganda Eleitoral Gratuita, pelo rádio ou TV. Qualquer cidadão diferenciado não suporta o desenrolar de tantas tolices expostas. Os jovens, então, em maioria esmagadora, abominam e a primeira coisa que fazem é desligar o receptor. Mais do que isso, criticam o baixo nível da propaganda. Tenho para mim que, desse estrato da população de eleitores, apenas os que estão engajados diretamente nas campanhas e, principalmente, os que estão ganhando uns trocados para carregar um cartaz ou distribuir um panfleto, nos cruzamentos das grandes cidades, entraram no clima.
O voto é obrigatório no Brasil e, por isso, é sabido que boa parte do eleitorado não se entusiasma e vota por cumprir a determinação legal. Sem um comprovante de haver votado, o cidadão perde uma série de direitos comuns. Nota-se que muitos não têm certeza sobre a escolha a fazer e, segundo recente pesquisa do Instituto Datafolha, 7 entre 10 eleitores não têm ideia, até agora, vésperas do pleito, em quem votar para deputado federal ou estadual. Desespero para os candidatos que entram em verdadeiras “maratonas” atrás do eleitor. Esta indecisão, em média vai de 65% a 80%, em todas as faixas etárias, segundo o referido Instituto. Ora, meu Deus, certamente que essa gente não tem consciência do que significa esse tipo de escolha. Vai ver que a grande parte dos eleitores não entende que são esses candidatos que, quando escolhidos, irão representá-los e legislar, isto é, formular normas e regras sociais a serem cumpridas no dia-a-dia de cada um. É compreensível que eleger um novo governador(a) ou um(a)novo(a) presidente ou um senador pode ser mais atrativo e visto como de maior relevância. Contudo, é muito importante, também, saber eleger conscientemente – falo de fazer uma escolha certa – aqueles que vão idealizar, formular, revisar e decidir sobre as normas sociais que determinarão os destinos dos indivíduos, as relações político-sociais dos vários domínios e que possam oferecer melhores condições de viver.
Essa alienação me faz lembrar que na última eleição municipal, em 2012, houve Prefeito eleito, aqui em Pernambuco, com votação menor do que o número de votos nulos e em branco. Francamente. Algo de errado existe nesse processo. O resultado é que, hoje, as criticas ao tal Prefeito são das mais ácidas, as denúncias de corrupção são constantes e circulando pelas ruas da cidade o que mais se vê são muros e paredes com pichações que remetam ao descalabro instalado. Por que, então, não evitar coisas desse tipo, se com o voto válido a sociedade pode avançar?
Vejam, portanto, amigos e amigas, que tipo de modelo eleitoral tem hoje o Brasil. Até quando vamos viver esta “desarrumação”?  Urge uma conscientização adequada de governantes e legisladores, povo e eleitor consciente, para empreender uma reforma política que venha ser mais honesta, mais próximo à realidade do eleitor, mais transparente e, sobretudo, mais adequada ao Brasil de hoje, no qual a democracia prevalece e precisa ser preservada.
Na próxima semana pense melhor no que vai marcar na urna eletrônica da sua sessão eleitoral. O Brasil precisa do seu voto. Diga NÃO ao voto nulo ou em branco, que muitos prometem sufragar. Que seja um voto consciente e uma escolha certa. Nessa hora, o poder está na sua mão.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

domingo, 21 de setembro de 2014

Pichação versus Grafite

Venho observando que cresce rapidamente a prática da grafitagem nas cidades brasileiras, a exemplo do que ocorre em muitos outros países. Já pude admirar, lá fora, verdadeiras obras de arte em paredões, laterais de edifícios, calçadas e monumentos, algumas, inclusive, com recursos de ilusão de ótica surpreendentes.
Aqui no Recife, onde vivo, este tipo de arte tem sido gradativamente permitida em vários setores da cidade em substituição às horrendas e arbitrárias pichações. A grande maioria é do tipo consentido pelos proprietários de imóveis, antes deteriorados devido à inevitável ação do tempo, que resultam valorizados pela arte dos grafiteiros.
Pesquisando sobre o assunto, descobri que por ignorância dos legisladores brasileiros, uma Lei de 1998 (Nº 9.605/98) punia qualquer tipo de pichação, grafite ou similares que impostos a edificações ou monumentos públicos. Considero ignorância porquanto colocava num mesmo pacote a pichação e o grafite, que são duas coisas distintas. Enquanto o primeiro tem caráter pernicioso, agride ao meio ambiente, em geral é ofensivo à sociedade ou parte desta, no final das contas, se constitui numa poluição visual das piores. São Paulo talvez seja a cidade mais prejudicada, no Brasil. Na região central da capital paulista é lastimável o que se verifica. O grafite, por seu turno, vem com mensagem bem estruturada, o autor ou autores são artistas plásticos com compromisso social, tem efeito decorativo, além de, em muitos casos, ser de caráter educativo. À vista do transeunte, o grafite exerce um indiscutível efeito que, muitas vezes, faz pausa na sua caminhada para admirar a obra de arte.
Foi o entendimento dessa distinção de naturezas que conduziu nossos legisladores a uma correção da ordem, classificando o grafite com o sendo uma ação lícita e bem vinda. Assim, a Lei Nº 12.408, de 2011, estabeleceu que o grafite fosse permitido no intuito de valorizar o patrimônio publico ou privado, carecendo do consentimento do proprietário ou das autoridades competentes quando responsáveis da preservação ou manutenção do patrimônio histórico e artístico nacional.
Resolvi, neste domingo, fazer uma caminhada fotográfica pelo Recife e registrar casos de pichações e grafites espalhados pela cidade.
Os temas dos grafites são dos mais variados e pude observar pinturas ingênuas, surrealistas, primitivistas, acadêmicas, entre outras. Conclui que há muita arte nesse domínio. Comenta-se que, dos grafiteiros, muitos bons pintores já surgiram. Ao mesmo tempo, que muitos pintores são excelentes grafiteiros.  
Dos pichadores é preferível nem comentar. Falaram-me que, na prática, são gangs que deixam mensagens estranhas, codificadas e indecifráveis para o grande publico. Alguns deixam recados ameaçadores. Disputam espaços, muitos até inusitados e de difícil acesso, além de se envolvem com o mundo das drogas. Conclusão: concreto desserviço à sociedade. 
As fotos a seguir são todas de grafites e pichações no Recife, sobretudo na zona central, inclusive no bairro histórico do Recife Antigo. Confira, a seguir, o resultado da minha andança.

 


Observe, na foto a seguir, que o pichador não respeitou, sequer, a placa indicativa da rua. Esta é apenas exemplo, porque existem muitas outras em igual situação.

 
Na foto a seguir veja que este outro pichador foi, não sei por onde, no alto do prédio e tacou sua marca. O imóvel que já estava deteriorado ficou bem pior. A lateral da Igreja Matriz da Madre de Deus, patrimônio secular da cidade está com inúmeras pichações. É uma praga! 
 
 
NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro.

 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Compasso de Espera

Está ficando complicado viver o Brasil destes últimos dias que antecedem as eleições gerais no país, no próximo 5 de Outubro. As coisas estão de tal maneira embolada que só tendo muita fé em Deus para suportar o vai-e-vem da situação. Quem não for crente vai ter que recorrer ao próprio sistema nervoso. E, para isso, haja nervos... Acredito que nunca se disputou um pleito tão cheio de incertezas e surpresas. Tenho andado por aí e em algumas cidades do país e percebo a inquietação, sobretudo na classe empresarial. Não que seja esta a mais preocupada, mas porque é a que primeiro sente e, indiscutivelmente, a que promove de forma direta o progresso. A sociedade, responsável pelo tecnicamente chamado consumo das famílias já percebeu a gravidade da situação ao ver o que acontece a cada vez que vai ao supermercado ou às feiras livres e, por isso mesmo, anda cautelosa. Gastar, só mesmo com o essencial.
Inflação em alta, consumo das famílias em baixa, previsões de PIB cada vez menor, demissões crescentes, indústrias fechando e, como pano de fundo, é claro, ambiente político incerto e a eclosão de uma corrupção escandalosa a cada semana. Este é o quadro geral da situação.
Estes últimos dias andei por Salvador e Fortaleza, onde conversei com empresários que se revelaram pessimistas e preocupados com o momento econômico. Têm medo de investir, na atual conjuntura. Parou tudo e ninguém se atreve a arriscar. “O dinheirin que já vem curtin há algum tempo tem que ser poupado à espera do fim dessas “trovoadas”, que só Deus sabe quando passam”, ouvi de um experiente empresário cearense. Na Bahia a coisa não é diferente. Todo mundo no compasso de espera. “O telefone anda mudo e emails com encomendas desapareceram”, ouvi de alguém.  De um líder empresarial paulista escutei, esta semana, lamúrias ainda maiores. Segundo ele, a indústria de bens de capital do Brasil está sufocada e fadada a desaparecer. Faltam condições de crescer, de investir em novas tecnologias para aumentar a produtividade, de competir num mercado globalizado e viver à mercê do cambio desfavorável com o Real superapreciado. Isso tudo sem falar da logística capenga, dos juros indecorosos e do esquema tributário satânico. Quem produzia máquinas e equipamentos de sucesso, no passado recente, não tem tido outra alternativa a não ser importar máquinas Made in China, aplicar uma etiqueta com a sua marca e vender. Ou seja, virou um mero maquiador de produtos e simples comerciante. Resultado: demitiu seus muitos colaboradores do chão de fábrica, montou um ponto comercial, ao mesmo tempo em que vem sustentando empregos na China. É desse modo que estamos assistindo – passivamente – a chamada desindustrialização do país. Tudo fruto de uma política econômica falha, conduzida por incompetentes de plantão no poder que, mesmo se dizendo preocupados com o social, são totalmente míopes para esta cruel realidade enxergada a “olho nu” por qualquer profissional de bom senso, no Brasil e no exterior. Eles, esses incompetentes, sabem muito bem o que quer dizer Custo Brasil, mas faltam-lhes tempo e conhecimento para estudar uma solução do problema. O tempo e o conhecimento que lhe restam têm sido, aparentemente e tão somente, dedicados ao cultivo da preservação do poder. É uma ironia do destino para um país rico pela própria natureza, com mentes brilhantes, inteligências raras e vontade de crescer se encontrar numa situação tão degradante.
O líder empresarial paulista que antes falei, relatou um dialogo que teve recentemente com um empresário britânico, surpreso com o fato de que o Brasil esteja numa situação de quase pleno emprego. A pergunta do inglês: “como explicar um quase pleno emprego e um PIB tão insignificante?” Com razão, porque crescimento de PIB reflete diretamente o aumento da produção. Levar esse britânico a entender que os altos níveis de emprego se dão à base do crescimento do Setor Serviços turbinado pela entrada no mercado consumidor dos milhões de beneficiários do Bolsa Família foi encontrar o x da equação. Salões de Beleza, comércio varejista, lazer, lanchonetes, bares e restaurantes populares e similares que proliferaram nos quatro cantos do país proporcionaram uma massa surpreendente de empregos, ainda que muitos desses informais. Eu não tenho dúvidas de que o Bolsa Família, originalmente denominado de Bolsa Escola, quando criado pelo Governo Fernando Henrique Cardoso, se revela como sendo um programa vitorioso ao incluir imensos contingentes de brasileiros no contexto social digno. O Brasil se destaca no plano internacional pelos resultados de inclusão alcançados. Isto, contudo, não vai levar o país aos níveis de desenvolvimento desejado e que o coloque em posição de conforto no ranking mundial. O caminho é outro e esse dos prestadores de serviços em massa esgotará em breve. Principalmente com tudo parado com está agora e em compasso de espera.

 

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...