quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O Brasil merece sua melhor reflexão

Como esperado, as eleições de domingo passado, no Brasil, geraram múltiplas emoções. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, brasileiros e brasileiras se envolveram num dos processos mais disputados dos últimos tempos.
Pois é, o processo eleitoral deste ano foi, desde o inicio, permeado de lances que classifico como inusitados. Além das naturais escaramuças pré-desenhadas, aquele acidente fatal com o candidato Eduardo Campos, provocou uma tremenda reviravolta e determinou um processo ainda menos esperado.  A substituição de Eduardo pela pouco convincente Marina Silva; a luta desigual, frente aos concorrentes, da atual Presidente buscando permanecer no poder, com o óbvio apoio da máquina do Estado e  o candidato Aécio Neves se equilibrando numa “corda bamba” para levar adiante sua candidatura foram elementos que permearam o dia-a-dia dos brasileiros, nesses últimos meses. Desestimulante, para muitos que consideraram como fracas as opções de escolha e apaixonante para outros que ainda vive sob a tutela do Estado.
Percorrendo parte da cidade do Recife – onde meu domicilio eleitoral – percebi pouco entusiasmo nas fisionomias dos eleitores e ausência total do clima de festa que se registrava nas eleições do passado, particularmente após a redemocratização. Eu vivi climas eleitorais vibrantes, desde criança porque venho de uma família de políticos apaixonados. É verdade que a atual lei eleitoral inibe maiores manifestações, contudo, o povo ia às ruas sempre com mais alegria e vibração do que o visto no último domingo. Vi pessoas vestindo preto e declarando luto e repúdio à situação deplorável em que se encontra o país. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, quase 20% dos eleitores inscritos não se deram ao trabalho de comparecer à seção eleitoral e isto exige uma reflexão num país em que votar é obrigação. Nas seções eleitorais do exterior o que mais se comentou foi que a coisa foi sem graça. Não que precise graça, mas, faltou entusiasmo. O eleitor está descrente, saturado dessa situação hoje reinante. 
Diante desse ambiente apático, arrisco pontuar algumas constatações pessoais:
A terceira via, mais uma vez, foi inviabilizada. A esperança estava nas mãos de Eduardo Campos. Sua substituta, Marina Silva, não mostrou capacidade, nem envergadura, para levar adiante o projeto gestado em Pernambuco. A Marina, na verdade, obteve boa votação enquanto vista como a melhor opção de arrancar o PT do Governo. Opção discutível e frágil, no meu modo de ver. Não é assim que se vence uma eleição. Faltou uma proposta programática compreensível para justificar o fim desejado. Essa estratégia vingou bem em Pernambuco e o Partido governista terminou dissolvido no estado. Não fez, sequer, um Deputado Federal, perdeu na disputa para o Senado e por haver sido incluído na coligação de apoio ao candidato de oposição ao governo estadual terminou prejudicando-o. O resultado foi catastrófico, embora que o postulante, Armando Monteiro Neto, fosse de alta densidade política e de indiscutível competência. E que nunca foi Petista.
Outra constatação: a polarização PT x PSDB volta com toda força e o brasileiro, esperançoso por uma autentica mudança, vê-se refém do “mesmismo” e de um modelo político esgotado e desmoralizado pelos sucessivos escândalos e episódios de corrupções registradas sob a égide desse governo de plantão, como amplamente denunciado, de modo clamoroso, pela massa cidadã que foi às ruas do país em junho de 2013. Isso, sem falar noutros aspectos, entre os quais o pífio desempenho econômico, a perda de importância no cenário internacional, a insegurança, a inflação, a magra rede logística do país e a indecorosa carga tributária.
O resultado das urnas mostram claramente que a candidata Dilma está longe de ser a unanimidade que ela própria disse gozar, em entrevista coletiva após divulgada a apuração dos votos de domingo passado. Ela obteve apenas 41,59%, dos votos válidos. O restante foi sufragado a favor dos candidatos Aécio Neves, com a surpreendente marca dos 33,55% e a favorita para disputar o segundo turno, Marina Silva, com 21,32%. Não me preocupei com as migalhas dos candidatos de menor envergadura. Ou seja, a candidata Presidente fez um discurso equivocado. Para levar no segundo turno vai ter que trabalhar muito. A propósito, acredito que teremos um pleito duríssimo e quem vencer vai contar com uma vantagem bem apertada.
Finalmente, vejo que nesse segundo turno, próximo dia 26, o eleitor brasileiro vai selar seu futuro e o do país ao eleger um novo(a) presidente. Depois disso, bençoe... Será um caminho sem volta. E, nessa hora, reitero o que sugeri na postagem da semana passada: dê um voto consciente. O Brasil merece sua reflexão. Agora, mais do que nunca!

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

sábado, 27 de setembro de 2014

Voto Consciente, uma necessidade

Estamos a uma semana das eleições gerais no país. A campanha eleitoral está chegando ao fim. As opiniões se dividem em tudo e por tudo. Muitas emoções vão rolar. Os candidatos a cargos majoritários desejando mais tempo para derramar seus proselitismos, ataques aos adversários, disseminar intrigas e mentiras ou aqueles que se candidatam por “brincadeirinha”, que são muito mais do que nós, pobres mortais – que nem eu – imaginamos, lamentando o fim das “férias”.
Mas, nada disso se compara com o que se desenha por trás do processo. Está em jogo o destino do país e isso parece não abalar a maioria da população. Apatia quase geral. Recente  pesquisa do Ibope constatou que 46% da população não está nem aí com o que se desenrola no processo eleitoral. É assustador para quem se candidata e para quem esteja preocupado com o destino do País. Preocupante porque são esses alienados que elegem um Tiririca da vida... Os críticos especialistas consideram que a presente eleição passará à História como tendo sido um processo “morno”, no qual pouco se discutiu, ou se discutiu de forma pouco convincente, o futuro da Nação.  Um processo no qual o eleitor – que deve ser visto como o personagem mais importante – se revela descrente, decepcionado e sem esperanças.
É desanimador assistir ao Horário da Propaganda Eleitoral Gratuita, pelo rádio ou TV. Qualquer cidadão diferenciado não suporta o desenrolar de tantas tolices expostas. Os jovens, então, em maioria esmagadora, abominam e a primeira coisa que fazem é desligar o receptor. Mais do que isso, criticam o baixo nível da propaganda. Tenho para mim que, desse estrato da população de eleitores, apenas os que estão engajados diretamente nas campanhas e, principalmente, os que estão ganhando uns trocados para carregar um cartaz ou distribuir um panfleto, nos cruzamentos das grandes cidades, entraram no clima.
O voto é obrigatório no Brasil e, por isso, é sabido que boa parte do eleitorado não se entusiasma e vota por cumprir a determinação legal. Sem um comprovante de haver votado, o cidadão perde uma série de direitos comuns. Nota-se que muitos não têm certeza sobre a escolha a fazer e, segundo recente pesquisa do Instituto Datafolha, 7 entre 10 eleitores não têm ideia, até agora, vésperas do pleito, em quem votar para deputado federal ou estadual. Desespero para os candidatos que entram em verdadeiras “maratonas” atrás do eleitor. Esta indecisão, em média vai de 65% a 80%, em todas as faixas etárias, segundo o referido Instituto. Ora, meu Deus, certamente que essa gente não tem consciência do que significa esse tipo de escolha. Vai ver que a grande parte dos eleitores não entende que são esses candidatos que, quando escolhidos, irão representá-los e legislar, isto é, formular normas e regras sociais a serem cumpridas no dia-a-dia de cada um. É compreensível que eleger um novo governador(a) ou um(a)novo(a) presidente ou um senador pode ser mais atrativo e visto como de maior relevância. Contudo, é muito importante, também, saber eleger conscientemente – falo de fazer uma escolha certa – aqueles que vão idealizar, formular, revisar e decidir sobre as normas sociais que determinarão os destinos dos indivíduos, as relações político-sociais dos vários domínios e que possam oferecer melhores condições de viver.
Essa alienação me faz lembrar que na última eleição municipal, em 2012, houve Prefeito eleito, aqui em Pernambuco, com votação menor do que o número de votos nulos e em branco. Francamente. Algo de errado existe nesse processo. O resultado é que, hoje, as criticas ao tal Prefeito são das mais ácidas, as denúncias de corrupção são constantes e circulando pelas ruas da cidade o que mais se vê são muros e paredes com pichações que remetam ao descalabro instalado. Por que, então, não evitar coisas desse tipo, se com o voto válido a sociedade pode avançar?
Vejam, portanto, amigos e amigas, que tipo de modelo eleitoral tem hoje o Brasil. Até quando vamos viver esta “desarrumação”?  Urge uma conscientização adequada de governantes e legisladores, povo e eleitor consciente, para empreender uma reforma política que venha ser mais honesta, mais próximo à realidade do eleitor, mais transparente e, sobretudo, mais adequada ao Brasil de hoje, no qual a democracia prevalece e precisa ser preservada.
Na próxima semana pense melhor no que vai marcar na urna eletrônica da sua sessão eleitoral. O Brasil precisa do seu voto. Diga NÃO ao voto nulo ou em branco, que muitos prometem sufragar. Que seja um voto consciente e uma escolha certa. Nessa hora, o poder está na sua mão.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

domingo, 21 de setembro de 2014

Pichação versus Grafite

Venho observando que cresce rapidamente a prática da grafitagem nas cidades brasileiras, a exemplo do que ocorre em muitos outros países. Já pude admirar, lá fora, verdadeiras obras de arte em paredões, laterais de edifícios, calçadas e monumentos, algumas, inclusive, com recursos de ilusão de ótica surpreendentes.
Aqui no Recife, onde vivo, este tipo de arte tem sido gradativamente permitida em vários setores da cidade em substituição às horrendas e arbitrárias pichações. A grande maioria é do tipo consentido pelos proprietários de imóveis, antes deteriorados devido à inevitável ação do tempo, que resultam valorizados pela arte dos grafiteiros.
Pesquisando sobre o assunto, descobri que por ignorância dos legisladores brasileiros, uma Lei de 1998 (Nº 9.605/98) punia qualquer tipo de pichação, grafite ou similares que impostos a edificações ou monumentos públicos. Considero ignorância porquanto colocava num mesmo pacote a pichação e o grafite, que são duas coisas distintas. Enquanto o primeiro tem caráter pernicioso, agride ao meio ambiente, em geral é ofensivo à sociedade ou parte desta, no final das contas, se constitui numa poluição visual das piores. São Paulo talvez seja a cidade mais prejudicada, no Brasil. Na região central da capital paulista é lastimável o que se verifica. O grafite, por seu turno, vem com mensagem bem estruturada, o autor ou autores são artistas plásticos com compromisso social, tem efeito decorativo, além de, em muitos casos, ser de caráter educativo. À vista do transeunte, o grafite exerce um indiscutível efeito que, muitas vezes, faz pausa na sua caminhada para admirar a obra de arte.
Foi o entendimento dessa distinção de naturezas que conduziu nossos legisladores a uma correção da ordem, classificando o grafite com o sendo uma ação lícita e bem vinda. Assim, a Lei Nº 12.408, de 2011, estabeleceu que o grafite fosse permitido no intuito de valorizar o patrimônio publico ou privado, carecendo do consentimento do proprietário ou das autoridades competentes quando responsáveis da preservação ou manutenção do patrimônio histórico e artístico nacional.
Resolvi, neste domingo, fazer uma caminhada fotográfica pelo Recife e registrar casos de pichações e grafites espalhados pela cidade.
Os temas dos grafites são dos mais variados e pude observar pinturas ingênuas, surrealistas, primitivistas, acadêmicas, entre outras. Conclui que há muita arte nesse domínio. Comenta-se que, dos grafiteiros, muitos bons pintores já surgiram. Ao mesmo tempo, que muitos pintores são excelentes grafiteiros.  
Dos pichadores é preferível nem comentar. Falaram-me que, na prática, são gangs que deixam mensagens estranhas, codificadas e indecifráveis para o grande publico. Alguns deixam recados ameaçadores. Disputam espaços, muitos até inusitados e de difícil acesso, além de se envolvem com o mundo das drogas. Conclusão: concreto desserviço à sociedade. 
As fotos a seguir são todas de grafites e pichações no Recife, sobretudo na zona central, inclusive no bairro histórico do Recife Antigo. Confira, a seguir, o resultado da minha andança.

 


Observe, na foto a seguir, que o pichador não respeitou, sequer, a placa indicativa da rua. Esta é apenas exemplo, porque existem muitas outras em igual situação.

 
Na foto a seguir veja que este outro pichador foi, não sei por onde, no alto do prédio e tacou sua marca. O imóvel que já estava deteriorado ficou bem pior. A lateral da Igreja Matriz da Madre de Deus, patrimônio secular da cidade está com inúmeras pichações. É uma praga! 
 
 
NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro.

 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Compasso de Espera

Está ficando complicado viver o Brasil destes últimos dias que antecedem as eleições gerais no país, no próximo 5 de Outubro. As coisas estão de tal maneira embolada que só tendo muita fé em Deus para suportar o vai-e-vem da situação. Quem não for crente vai ter que recorrer ao próprio sistema nervoso. E, para isso, haja nervos... Acredito que nunca se disputou um pleito tão cheio de incertezas e surpresas. Tenho andado por aí e em algumas cidades do país e percebo a inquietação, sobretudo na classe empresarial. Não que seja esta a mais preocupada, mas porque é a que primeiro sente e, indiscutivelmente, a que promove de forma direta o progresso. A sociedade, responsável pelo tecnicamente chamado consumo das famílias já percebeu a gravidade da situação ao ver o que acontece a cada vez que vai ao supermercado ou às feiras livres e, por isso mesmo, anda cautelosa. Gastar, só mesmo com o essencial.
Inflação em alta, consumo das famílias em baixa, previsões de PIB cada vez menor, demissões crescentes, indústrias fechando e, como pano de fundo, é claro, ambiente político incerto e a eclosão de uma corrupção escandalosa a cada semana. Este é o quadro geral da situação.
Estes últimos dias andei por Salvador e Fortaleza, onde conversei com empresários que se revelaram pessimistas e preocupados com o momento econômico. Têm medo de investir, na atual conjuntura. Parou tudo e ninguém se atreve a arriscar. “O dinheirin que já vem curtin há algum tempo tem que ser poupado à espera do fim dessas “trovoadas”, que só Deus sabe quando passam”, ouvi de um experiente empresário cearense. Na Bahia a coisa não é diferente. Todo mundo no compasso de espera. “O telefone anda mudo e emails com encomendas desapareceram”, ouvi de alguém.  De um líder empresarial paulista escutei, esta semana, lamúrias ainda maiores. Segundo ele, a indústria de bens de capital do Brasil está sufocada e fadada a desaparecer. Faltam condições de crescer, de investir em novas tecnologias para aumentar a produtividade, de competir num mercado globalizado e viver à mercê do cambio desfavorável com o Real superapreciado. Isso tudo sem falar da logística capenga, dos juros indecorosos e do esquema tributário satânico. Quem produzia máquinas e equipamentos de sucesso, no passado recente, não tem tido outra alternativa a não ser importar máquinas Made in China, aplicar uma etiqueta com a sua marca e vender. Ou seja, virou um mero maquiador de produtos e simples comerciante. Resultado: demitiu seus muitos colaboradores do chão de fábrica, montou um ponto comercial, ao mesmo tempo em que vem sustentando empregos na China. É desse modo que estamos assistindo – passivamente – a chamada desindustrialização do país. Tudo fruto de uma política econômica falha, conduzida por incompetentes de plantão no poder que, mesmo se dizendo preocupados com o social, são totalmente míopes para esta cruel realidade enxergada a “olho nu” por qualquer profissional de bom senso, no Brasil e no exterior. Eles, esses incompetentes, sabem muito bem o que quer dizer Custo Brasil, mas faltam-lhes tempo e conhecimento para estudar uma solução do problema. O tempo e o conhecimento que lhe restam têm sido, aparentemente e tão somente, dedicados ao cultivo da preservação do poder. É uma ironia do destino para um país rico pela própria natureza, com mentes brilhantes, inteligências raras e vontade de crescer se encontrar numa situação tão degradante.
O líder empresarial paulista que antes falei, relatou um dialogo que teve recentemente com um empresário britânico, surpreso com o fato de que o Brasil esteja numa situação de quase pleno emprego. A pergunta do inglês: “como explicar um quase pleno emprego e um PIB tão insignificante?” Com razão, porque crescimento de PIB reflete diretamente o aumento da produção. Levar esse britânico a entender que os altos níveis de emprego se dão à base do crescimento do Setor Serviços turbinado pela entrada no mercado consumidor dos milhões de beneficiários do Bolsa Família foi encontrar o x da equação. Salões de Beleza, comércio varejista, lazer, lanchonetes, bares e restaurantes populares e similares que proliferaram nos quatro cantos do país proporcionaram uma massa surpreendente de empregos, ainda que muitos desses informais. Eu não tenho dúvidas de que o Bolsa Família, originalmente denominado de Bolsa Escola, quando criado pelo Governo Fernando Henrique Cardoso, se revela como sendo um programa vitorioso ao incluir imensos contingentes de brasileiros no contexto social digno. O Brasil se destaca no plano internacional pelos resultados de inclusão alcançados. Isto, contudo, não vai levar o país aos níveis de desenvolvimento desejado e que o coloque em posição de conforto no ranking mundial. O caminho é outro e esse dos prestadores de serviços em massa esgotará em breve. Principalmente com tudo parado com está agora e em compasso de espera.

 

domingo, 31 de agosto de 2014

Dilema Eleitoral

A morte de Eduardo Campos em 13 de agosto passado provocou, indiscutivelmente, um verdadeiro tsunami na corrida eleitoral em curso, tanto o âmbito nacional, quanto em Pernambuco. Se antes do episódio havia, no plano nacional, um candidato ainda pouco conhecido, aquela morte brutal e inesperada o projetou e resultou numa extraordinária reviravolta nas intenções de voto dos eleitores. Sua candidata à vice – Marina Silva – teve seu nome confirmado como substituta na cabeça da chapa e adicionou ao seu já conhecido patrimônio eleitoral um percentual de inestimável significado. A dúvida que se tem, hoje, nos meios políticos é saber quem ajudou mais a quem. Se Marina antes era tida como uma alavancadora  da candidatura de Eduardo, agora já se diz que este, pós-morte, é quem está alavancando Marina. Coisas da política. Mas, também, é preciso não esquecer que tem muita coisa da cultura brasileira. Refiro-me à comoção nacional que se instalou após a morte do candidato. A emoção que tomou conta da Nação, o show da mídia cobrindo detalhadamente cada momento daquele episódio, desde a queda da aeronave até o sepultamento apoteótico  de Campos, o aproveitamento eleitoreiro desse show midiático, tudo quanto vimos na primeira hora do guia na TV – manifestações emotivas de aliados e opositores – e, por fim, o que estamos vendo a cada dia formou o caldo que transformou as intenções de voto num panorama completamente diferente do que se dispunha antes. E isto se reproduz de forma concreta no cenário eleitoral local, de Pernambuco, onde o desconhecido candidato do finado Eduardo Campos, tomou fôlego e subiu nas pesquisas ultimamente realizadas, ameaçando o candidato oposicionista Armando Monteiro.
O mais lamentável de tudo isso é perceber que o tom das campanhas, os pálidos discursos que estamos assistindo – é uma safra pobre de oradores – em nível nacional, as entrevistas e debate já levados ao ar e as “intenções” verbalizadas pelos candidatos refletem tão somente a eterna luta pelo poder. É o velho e batido jogo do poder pelo poder. Os verdadeiros interesses do país e do seu povo não passam de detalhes marginais. A candidata Dilma e sua turma lutando com unhas e dentes para não perder a posição na qual estão instalados por doze anos, o Aécio brigando pela recuperação do poder do seu partido, batendo forte no PT, e essa terceira via liderada por Marina Silva (PSB/Rede) tentando convencer de que vai governar a base de um novo modelo de gestão, embora usando dos mesmos velhos meios de abordagem. Essa mistureba de interesses dá contas de que o Brasil tem pela frente uma das eleições mais disputas, ao mesmo tempo em que pobre de ideias e ideais convincentes.
Acho de incrível desinibição ver D. Dilma, em campanha, afirmar que estamos bem de vida, que nunca se viveu tão folgadamente como agora, enquanto os organismos oficiais divulgam dados assustadores a respeito do desandar da economia. As manchetes dos jornais deste fim de semana foram claras em afirmar a recessão técnica instalada com o crescimento negativo por dois trimestres consecutivos. O PIBinho do ano promete ser ainda menor. É um desespero. A seca, a Copa do Mundo e a crise internacional estão sendo responsabilizadas pela recessão. Desculpa esfarrapada, para livrar a cara de quem comanda a política econômica. A inflação é uma realidade e sentida no dia-a-dia, sobretudo quando se fecha a conta no supermercado. A indústria nacional continua em queda e não se sabe o que virá no futuro. Mesmo o agronegócio que vinha dando fôlego à economia registrou um ínfimo crescimento, no ultimo trimestre observado. Mais irritante ainda é ver a candidata “presidenta” fazer propaganda das obras que foram construídas Brasil afora, no seu Governo, entre as quais a Ferrovia Transnordestina incompleta e se arrastando por uma década ou as obras da transposição do São Francisco, cuja finalização só Deus sabe quando vai ocorrer.
Esta semana transitei pela BR-101, entre Recife e Maceió, ocasião em que pude constatar a maneira como se arrasta a duplicação dessa importante via, no lado alagoano. Falta muito ainda para ver essa obra concluída. Mas, ver isso não foi nada. Curioso, mesmo, foi notar a força dos candidatos ao Senado e Governo no vizinho estado: Fernando Collor de Mello, para Senador, e Renan Filho, para Governador.  Fiquei surpreso, não posso negar. Vão levar brincando. Dos mais simples casebres em beira de estrada os pontos comerciais de porte exibem galhardamente imagens dos dois. Acho que em Alagoas, além da crise social – a insegurança é gritante – e a econômica que atinge o estado falta, também, novas lideranças.
Quanta falta faz um bom e competente líder para comandar uma Nação ou um Estado.

sábado, 16 de agosto de 2014

Lamentável Perda

“Somos insignificantes. Por mais que você programe sua vida, a qualquer momento tudo pode mudar”. Este pensar é atribuído ao piloto Ayrton Senna e encontrei publicado numa das recentes mensagens que recebi pelo Facebook. A intenção foi fazer referencia ao acidente que matou Eduardo Campos. Na mesma oportunidade, perplexamente, eu acompanhava o noticiário sobre esse fatídico acidente aéreo de quarta-feira passada, em Santos (SP).
Senna teve razão e, inclusive, pode ter tido uma premonição quando assim se expressou. Falou de modo simples, mas disse uma grande verdade. Chocado com o drama humano retratado no noticiário refleti muito sobre a fragilidade do ser humano. Em poucos segundos tudo pode ter um fim. Fim de um grande projeto, de um ideal e da vida. O risco de viver é concreto e em momentos como o da quarta-feira passada nos damos conta, de forma assustadora.
Este doloroso fato que vitimou o candidato a Presidente do Brasil, Eduardo Campos, e sua jovem equipe de assessores, deixa um profundo vazio nos meios políticos de Pernambuco e do Brasil. É uma perda inestimável. Estou falando de um cidadão que se notabilizou, no passado recente da cena política nacional, pelos seus feitos como governador de um estado pobre e pela mensagem inovadora que ofereceu à Nação brasileira ainda tão carente de um líder à altura das suas prementes necessidades. Lamentável, porque com esse doloroso desenlace o país vai perder uma preciosa oportunidade de assistir a uma diferenciada campanha política, bem longe, seguramente, do mesmismo arcaico e retrógado que está acostumado a ver. O debate que se instalaria no Horário Político do radio e da TV, em minha opinião, seria bem distinto daquela enganação e xaropada das campanhas passadas. Ao invés da polarização PT x PSDB, Eduardo Campos, ao representar a denominada Terceira Via, mudaria o rumo das discussões e a Nação lucraria.     
Embora Campos pudesse promover essa desejada mudança e, inclusive, pudesse apontar para caminhos por um Brasil melhor, eu não acreditava na sua vitória em Outubro vindouro, em face das circunstâncias políticas que prevalecem atualmente. Colocado em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais e enfrentando dificuldades de ascender a melhores patamares, Eduardo Campos seria, contudo, o mensageiro da prática de uma boa e honesta política e de lançar uma nova forma de governar, como imensa camada da população brasileira reclama. Por isso, que entendo estarmos diante de uma perda irreparável.
Conheci Eduardo Campos, bem jovem, recém-formado em Economia, meu colega de profissão, portanto, durante sua campanha para Prefeito do Recife, em 1992, aos vinte e sete anos de idade. Muito jovem e sob as “asas” do avô Miguel Arraes enveredou numa majoritária muito confiante, mas sem muita história pessoal, terminando derrotado. Fiz parte da campanha, enquanto colaborando com a campanha de vereador de um familiar, dentro da coligação liderada pelo Partido Socialista Brasileiro – PSB. Meu candidato a vereador, Celso Miranda, ganhou a eleição e o favorito da época, Jarbas Vasconcelos, foi eleito Prefeito. Vivíamos, então, um tempo de muita vibração e euforia, graças à recém-democratização do País. Tivemos um resultado satisfatório.
De lá para cá, Campos construiu uma trajetória política bem sucedida, foi deputado estadual, deputado federal, Ministro de Estado de Lula, governou Pernambuco por dois mandatos e alçou voo, se candidatando à Presidência da Republica. Pena que esse voo literalmente alçado na quarta-feira passada haja interrompido essa trajetória. Morreu com ele esperanças de dias melhores para muitos brasileiros.
Na verdade, devo frisar, que nem sempre estive – nem mesmo me acho – ao lado dos Eduardistas. Pelo contrário! Após a sua vitoria em 2006, que o levou à cadeira de Governador no Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo de Pernambuco, estive em hostes de oposição na campanha e no rescaldo da derrota nas urnas. Discordei de seus discursos e até me revoltei com algumas das suas propagandas. Coisas da política. Hoje, porém, reconheço haver me surpreendido por sua capacidade de político habilidoso no agregar, negociar, construir coalizões e chamar para seu lado pessoas de sãs consciências, coisas das quais o Brasil precisa cada vez mais.  
Por outro lado, impossível não fazer um especial registro sobre uma tocante virtude desse homem que nos deixa: sua dedicação à família. Nunca e nada do seu mundo político fez Eduardo Campos se afastar da bela família que formou com Dona Renata. Inúmeros são os testemunhos dessa sua faceta de pai e marido dedicado. Há poucos dias, soube através da minha esposa, que ele foi visto num centro médico, aqui do Recife, levando seu filho mais novo (sete meses) acompanhado da esposa, para receber uma vacina. Veja que coisa inesperada para alguém em plena campanha presidencial. E não foi nenhum jogo de marketing político. Foi, sim, o pai de família cumprindo seu papel. Outra coisa admirável: em pleno exercício de Governador do Estado, reservava tempo para encapar os livros dos filhos, no inicio de cada ano escolar, e se orgulhava dessa sua habilidade. Dois exemplos, apenas.
A morte de Eduardo Campos consternou o Brasil. Pernambuco foi marcado por imenso vazio nesta semana que finda. Correligionários e opositores se associam num único sentimento de lamentável perda. 

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

domingo, 10 de agosto de 2014

Recordei e Vivi

Por varias ocasiões já critiquei, neste Blog, a forma desordenada ou mesmo inexistente com a qual é tratado, aqui no Brasil, o que é de legado histórico, seja material ou imaterial. Numa postagem intitulada de Apagando a História (17.09.2009) comentei sobre o abandono que se atribui ao nosso rico patrimônio histórico. Foquei em casos que ocorrem em Pernambuco, embora saiba que a coisa se repete no restante do Brasil. Querendo conhecer melhor, clique em: http://gbrazileiro.blogspot.com.br/2009/06/apagando-historia.html
Passados cinco anos dessa critica e mantendo meus argumentos, devo fazer algumas ressalvas elogiando recentes iniciativas que foram tomadas aqui na cidade do Recife. Falo, primeiramente, do Passo do Frevo, entregue ao público no inicio deste ano e sobre o qual já comentei pouco antes do carnaval, e em segundo lugar do Cais do Sertão – Luiz Gonzaga, aberto à visitação em maio passado. O primeiro é um moderno museu contando a história do ritmo do frevo, com as melhores ilustrações gráficas, materiais e sonoras possíveis. O outro, também museu, transporta o visitante para um ambiente típico do sertão nordestino, ao mesmo tempo em que  coloca o mito Luiz Gonzaga como figura central da mostra permanente. Justo, porque a ele se deve o que de mais genuíno foi, até hoje, difundido sobre a cultura regional, através de música e poesia.
Somente neste fim de semana tive oportunidade de fazer uma visita a esse Cais do Sertão, literalmente debruçado sobre o Atlântico. Aquele juazeiro nos saudando na entrada é simbólico. Sai sensibilizado.

Um antigo e desativado armazém do Porto do Recife foi reformado e transformado num museu, com modernos conceitos de amostra, repleto de recursos audiovisuais e leiaute dinâmico e confortável, além de propicio à didática oferecida ao visitante.
O primeiro momento da visita é quase impactante: numa tela de 180 graus, mais imagens no piso, são projetadas cenas típicas da cotidiana vida no sertão pernambucano. As tomadas  foram feitas no Sertão do Pajeú e arredores da cidade de Serra Talhada (PE). A apresentação tem duração de 16 minutos e trata de mostrar a vida sertaneja durante um dia: do amanhecer ao fim da noite, com a virada do dia. Rodado e reproduzido com modernos recursos tecnológicos, a fita, além de instigante, pretende sutilmente inserir o espectador no ambiente apresentado, que se vê rodopiando, tal qual num carrossel do parquinho de diversões. Aquele raiar de sol, os meios de transporte – pés, jeep Toyota, bicicleta, moto e cavalo –, o dar milho pras galinhas no terreiro, o leite tirado ao pé da vaca, o dar uma mamadeira ao burrego rejeitado ou roubado da ovelha mãe, o corte da foice nos galhos secos do roçado, depois transformado em combustível que alimenta o fogo no preparo da bóia do meio dia, a enxada sendo afiada na expectativa de ser usada quando a chuva chover, o puxar e fechar dos foles das sanfonas que emitem um baião de Gonzaga ensaiando o som para o relabucho noturno, as figuras da nova geração que, acompanhando a modernidade, usam o skate nas pistas de rodagem modernas e, por fim, um forró do tipo pé-de-serra mostrando os arranjos xambreguentos de casais apaixonados responsáveis diretos pela formação de novas gerações de novos fortes e guerreiros nordestinos. O cenário geral é a terra castigada pela longa estiagem, o sol abrasador e as variações de temperatura, altas de dia e fresquinha no anoitecer.
Depois daquela projeção é entrar no restante do Cais do Sertão recifense, admirar seu sugestivo acervo e tentar viver as emoções que eu vivi.  

 
Eu nasci no Recife. Mas cresci indo e vindo ao interior do meu estado. Minha família é de origem interiorana. Ainda hoje vou e volto  lá de dentro. É como um buscar de energias para gastar nas metrópoles que me meto. Aquele filme de introdução ao Cais do Sertão me pegou pelo pé. Retrocedi no tempo. Tremi por dentro. A saudade escorreu pelos olhos. Vi meus ancestrais circulando naquelas imagens. Lembrei-me do cordeirinho rejeitado, que ganhei de presente do meu avô, aos cinco anos de idade, ao qual eu queria dar uma mamadeira a todo instante. Quase corri atrás daquele que surgiu na tela do Cais. Com os sons tirados da sanfona, da zabumba e do triangulo, naquele pé-de-serra projetado, recordei que aprendi a dançar em Fazenda Nova garrando das matutinhas fogosas, querendo pegar o neto do Coronel Epaminondas. Foi por ali que despertei para o doce jogo do amor e para os apelos do sexo. Tempos vão. Tempos não voltam, salvo nesses repentinos museus que surgem. É um programa imperdível, na cidade do Recife. 
Depois daquela projeção é entrar no restante do Cais do Sertão recifense, admirar seu sugestivo acervo e tentar viver as emoções que eu vivi.  Recordei e vivi.   




NOTA: As fotos que ilustram a postagem são da autoria do Blogueiro.

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...