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domingo, 4 de julho de 2021

Narrativas Perversas

A natureza do humano é, inequivocamente, algo complexo de ser compreendida num primeiro lance. Os psicólogos que afirmem melhor. É impressionante como existem criaturas que, com surpreendentes facilidades e astúcias, são capazes de complicar algo que já vem se mostrando caótico e desesperador. Mais do que isto, são capazes de manipular grupos sociais ou veículos de comunicação. As chamadas fake-news são os exemplos concretos. As sociedades do mundo inteiro, incluindo a brasileira, são, com frequência, vitimas de cabeças perversas, hoje se aproveitando da moderna comunicação instantânea propiciada pela rede mundial de internet, disseminando falsos informes e notas, supostamente verídicas e oficiais, pondo em pânico meio mundo. No Brasil esta prática tem sido contumaz e usada, até mesmo, por importantes veículos de comunicação, tidos como honestos, nas diferentes modalidades disponíveis. Resulta que não tem sido fácil para o cidadão comum acompanhar os noticiários, sem que não experimente alguma pontada de dúvida. Naturalmente que o ambiente politico do hoje país dividido, entre extremos ideológicos, tem contribuído para essa parafernália dentro da pandemia do Covid-19. Contudo é assustador ver veículos de comunicação outrora confiáveis embarcando nessa onda do que chamo de narrativas perversas. Esta semana que passou um tradicional e dos mais importantes veículos de comunicação do país, a Folha de São Paulo, estampou de forma alarmante a noticia de que doses de vacina Oxford/Astrazenica contra a Covi-19 e com data de validade vencida teriam sido aplicadas em inúmeros locais do país criando um clima de insegurança em 26 mil pessoas. Nada mais assustador para aqueles que se sentiam seguros conforme o processo nacional de imunização.
Naturalmente que teria sido uma bela prestação de serviço à sociedade caso a coisa houvesse sido comprovada e bem apurada. Ocorre que a pressa por cometer um “furo de noticia”, nos dias atuais, se torna uma compulsão nunca dantes experimentada. E foi certamente o caso dessa noticia bombástica. Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais mobilizaram-se para averiguar e, até o momento (04.07.21), nada foi comprovado. A explicação plausível é de que registros defasados de aplicações efetuadas e válidas hajam contribuído para a notícia indesejada. Faltou profissionalismo no agente de imprensa e, consequentemente, no veículo noticioso que resultou num imenso desserviço à Nação neste ambiente por demais hostil. A proposito do caso acredito ser pertinente registrar um trecho da excelente carta encaminhada ao Ombudsman da Folha de São Paulo, assinada pela médica infectologista paranaense, Dra. Flávia Trench (CRM 12550-PR), afirmando “acho próximo ao impossível ter ocorrido o que a noticia relata, já que um dos profissionais de saúde mais obcecados com lotes, validade, doses e checagens é justamente o profissional de sala de vacina e entendo ser muito pouco prováveis doses vencidas em tantos municípios diferentes”. Bom, a meu ver o melhor do argumento da Dra. Trench é o que diz respeito aos “tantos municípios diferentes”. Acredito que isto explica bem a questão do delay de registros municipais. É bem mais logico entender que caso houvesse ocorrido a distribuição de um lote vencido, este teria ido para, apenas, uma única localidade. Este foi apenas o exemplo que mais chama a atenção neste momento. Contudo, a disseminação de narrativas perversas se multiplica país afora, espalhando a insegurança e o receio por receber o antivírus administrado pelo PNI - Plano Nacional de Imunização e atrapalhando o processo de vacinação da população acarretando, inclusive, o surgimento de novas variantes, como só ocorre num ambiente de pandemia.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Perplexidade Ilimitada

Por mais que me esforce para modificar a pauta do Blog tem sido impossível fugir da atual sobre a Pandemia. A cada dia novas provocações são geradas, sempre conduzindo ao que chamo de papo contínuo. Noticiários falados, escritos e televisionados. Nas incontáveis plataformas das populares redes sociais, dentro de casa, a toda hora, não se fala noutra coisa. E tudo no marco da perplexidade ilimitada. Nesse ambiente contaminado de Covid-19, três palavras foram constantes nestes últimos dias de crise aguda da pandemia no Brasil: medo, exaustão e escassez. No domínio do medo não há duvidas de que a elevada taxa de óbitos verificados no país assusta qualquer pessoa mais prevenida e consciente do perigo que corre. Houve dias que forma registradas as perdas de mais de 4.000 indivíduos vitimados pelo vírus maldito. Houve localidades, como no estado de São Paulo, cujo número excedeu a casa de mil mortos. Ora, quem vive, quem está lutando contra a doença, ou quem rodeia infectados não pode respirar tranquilidade. Por mais que se proteja nunca pode prever o dia seguinte. Além de se constituir num quadro doloroso é indiscutivelmente sem um horizonte visível. Por outro lado, a exaustão dos vários segmentos sociais na luta pela sobrevivência perturba meio mundo. Os que atuam na linha de frente ao combate, isto é, médicos, enfermeiros, atendentes paramédicos, socorristas e respectivas equipes apoiadoras já se mostram saturados no desenvolvimento de esforços, geralmente dobrados, além de alimentarem o temor do contágio, já que muitos foram vitimas, incluindo lamentáveis óbitos. A exaustão igualmente se revela, acentuadamente, nos meios onde as atividades socioeconômicas definham e ameaçam um outro tipo de crise indesejada e capaz de aniquilar o ambiente econômico provocando um futuro empobrecimento nacional sem precedentes. A falência dos negócios e o desemprego de massas são os grandes indicadores dessa crise que se anuncia de modo claro.
Por fim, a escassez dos recursos capazes de mitigar o problema em dimensão global e que de modo direto atinge o Brasil tem sido anunciada todos os dias assustando as populações em risco. As vacinas salvadoras não chegam a contento aos seus destinos e o vírus além de se reproduzir rapidamente, se modifica a cada volta. Há um real desespero no mercado internacional e nos laboratórios de produção e nos centros de pesquisas, estes, inclusive, na incessante busca de aperfeiçoar seu respectivo soro salvador. O Brasil por desatinados problemas políticos não se antecipou nas ações de compras das vacinas e vem administrando com lentidão a imunização da população. Ao mesmo tempo, a escassez não se resume à baixa disponibilidade dos antídotos disputados no meio do mundo. No ambiente doméstico já se registram redução de insumos necessários aos adequados tratamentos – como o oxigênio – e os acessórios de administrar medicamentos e o precioso oxigênio. A esperança é de que as altas taxas de contágio caiam com as operações locais de distanciamentos sociais recentemente impostos, a disponibilidade de leitos hospitalares, inclusive os e tratamento intensivo, sejam registradas e o controle se efetue. Fora tudo isto acima descrito é de se registrar que perturbadas fontes e veículos de informações, com dados e notas desencontradas, debates improdutivos, disputas políticas nocivas, polêmicas cientificas discordantes resultam num caldo informacional que nada vem contribuindo ao combate da grave crise sanitária que o Brasil atravessa e que precisa ser tomada como a prioridade de todas as correntes politico-ideológicos que dividem a Nação. Na esperança de diversificar minha pauta de postagem desejo bom tempo ao leitor ou leitora, aconselhando usar máscaras, lavar as mãos com frequência, evitar aglomerações sociais e cumprir na risca as orientações das autoridades. A luta pela recuperação começa em cada um de nós.

sábado, 20 de março de 2021

Até quando?

Até quando vamos viver nesta insegurança sanitária? Esta é a pergunta que ronda toda e qualquer cabeça de são juízo deste Brasil. É verdade que o Governo Federal falhou ao postergar por muito tempo a compra das vacinas salvadoras duvidando que essas se fizessem necessárias. Enquanto isto, países mais prudentes e mais equilibrados politicamente se anteciparam e açambarcaram o que era ofertado no mercado internacional consciente das recomendações cientificas. É verdade também e até, democraticamente tolerável, que haja aqueles que ainda duvidam da eficácia das vacinas ofertadas, tanto por aqui, quanto em outros países, e preferem adotar regimes de sustentação sem se submeter à inoculação dos antígenos. Agora, uma coisa estranha e inadmissível é o comportamento de se negar a reconhecer que há um vírus mortal circulando e viver fazendo pouco caso da situação. O resultado é o que estamos vivendo neste país. Por uma falha cultural, pela elástica extensão territorial e pelo caráter cívico opositor do cidadão comum. Recordo que quando cheguei ao Japão, pela primeira vez, duas coisas foram avisadas com tom de severidade: a primeira sobre a especial atenção a ser dada quanto aos possíveis e quotidianos tremores de terra, além de um possível terremoto no país. Instruções foram dadas e recomendadas com muita atenção. A outra coisa foi quanto à ocorrência de alguma enfermidade contagiosa e o exemplo tomado foi o de uma gripe comum, cuja orientação foi de, além dos corriqueiros medicamentos, o uso rigoroso de uma máscara cirúrgica em respeito a coletividade. Compreensível, pois sendo o Japão um país pequeno e de grande população a disseminação de um vírus de gripe é evitado com todo rigor. Depois dessas instruções observei muita gente usando das referidas máscaras no dia-a-dia, durante os três meses que vivi na Terra do Sol Nascente. Agora, aqui no Brasil, observo a reação negativa das pessoas quanto ao uso das máscaras recomendadas em virtude da pandemia. Ora, se são elas uma das mais importantes estratégias de proteção individual, além de efetivo sinal de respeito ao próximo e, por fim, à comunidade, o que custa seguir essa regra?
O brasileiro está provando, mais do que nunca, seu caráter rebelde e indisciplinado. A falta de educação cívica vem se revelando na sua mais intensa forma durante essa emergência pandêmica. Não tem sido fácil para quem administra as operações de combate ao Covid-19. A mistura de imprevidência governamental com a natureza rebelde dos cidadãos e cidadãs vem resultando num desastre nacional que já vitimou fatalmente quase 300 mil pessoas. Um quadro desalentador e que já expõe o país aos rigores dos críticos e exigentes administradores estrangeiros. Até quando vamos viver à custa das teimosias dos que primam por exercitar o comportamento de oposição. Só Deus sabe até quando. Na luta pela sobrevivência e livramento do vírus a sociedade clama pela vacina tardia e chora pelo emprego perdido ou fracasso dos seus negócios, administrando o dilema da salvação da vida ou ganha-pão de cada dia. Não tem sido fácil. O nosso mundo não estava preparado para tão dura prova. As restrições impostas, nestes dias recentes, pelos governos locais, se devidamente respeitadas, poderão ser decisivas para demonstrar ao povo a verdade do perigo que se corre coletivamente e a necessidade de seguir as recomendações sanitárias oficiais. É duro viver sem perspectivas de negócios, sem emprego e sem condições de sobrevivência digna. Mas, não tem outro caminho. Vamos usar as máscaras, evitar as aglomerações e aguardar a vacinação em massa. Até quando? Vai depender de cada cidadão ou cidadã, também! NOTA: Foto ilustrativa obtida no Google Imagens

segunda-feira, 1 de março de 2021

E agora, o que faço?

Passado mais de um ano daquele acidente laboratorial, em Wuhan (China), que, segundo se relata, contaminou com o Corona Vírus o resto do mundo, estamos nós, pobres mortais, as voltas com algo que tenho chamando de “ensaio para o juízo final”. Este, aliás, poderia ser o título deste post. Se houve o acidente ou se tomaram uma sopa de morcego somente a História nos dirá no futuro. Para alguns taxar de juizo final pode ser exagero, mas, depois de passar doze meses praticamente trancafiados em casa, não tem cristão (e ateus, certamente) que se sinta confortável e feliz. Ora, normalmente a vida gira lá fora e pede repouso no aconchego do lar, mesmo para quem tem um humilde cantinho para dizer que é seu. Tenho consciência, sim, de que muitos nem casa possuem mas, sempre acham seus cantinhos. Há um ano estamos às voltas “surfando” ondas nunca dantes enfrentadas nos nossos mares. Procuro me desligar e cuidar do meu dendicasa e só escuto os avisos de “segura aí que está vindo uma segunda onda” e, para maior pânico nos dias recentes, escutei outra mensagem calamitosa: “atenção pessoal que a provável terceira onda já desponta e parece ser mais forte”. Mutações do virus, rapidez da propagação e letalidade imprvisivel dão força à noticia. Valha-me Deus! Socorro Nossa Senhora! Acontece, minha gente, que indiscutivelmente a alhada brasileira é fora do comum. Ninguém se entende e a corda de tão esticada está a ponto de romper. Parece que ninguém atentou para desenvolver um esforço comum com vistas ao bem-estar social e felicidade geral da nação. No topo do pandemônio a variavel política se tornou o X mais escondido da intricada equação a ser resolvida. Erros são cometidos a toda hora e em todos os quadrantes do país. Os pequenos e tardios esforços dos governos não estão dando conta da parada dura que enfrentamos. As autoridades se digladiam medindo forças para preservar respectivos poderes e a sociedade que se cuide. Por outro lado é de se considerar que essa mesma sociedade, indiscutivelmente, não tem contribuído a contento para o alcance da solução. Falta consciência humanista, sentimento de solidariedade e respeito ao proximo. Cada indivíduo, ou grupo social, não enxerga o coletivo, mas, tão somente seu próprio interesse. Com um horizonte limitado, apenas a um palmo à frente do próprio umbigo, não se vai à parte alguma. Ao invés disso, opta por contrariar as medidas sanitárias aconselháveis, opõe-se às ordens sociais até por divertimento, vai pra rua sem necessidade e, claro, esperneia por não ter seu sustento. Está claro que atitudes como estas não resolvem. Ah! Peraí, “essa é a forma de defender o seu quinhão, que é mais do que justo”. Sim, pode ser... Mas, para quem vai viver, produzir e com quem interagir? Nessas horas só cabe uma desconcertante pergunta: e agora, o que é que faço? Diante deste quadro caaótico volto a lembrar do quanto faz falta uma sociedade bem educada e politizada. Não tardou muito e estamos pagando caro pelo desprezo contínuo que se atribuiu ao fundamental setor da Educação e a consequente preparação do cidadão para viver em comunidade.
A injeção de esperança nasce com a aplicação maciça de vacinas para imunizar a população. Mas, até nisto, a coisa é cheia de incertezas. Teremos vacinas suficientes? Serão seguras? Quantas doses serão o bastante? Vamos nos livrar do vírus? Falta povo educado e cidadania. Faltam governantes preparados e comprometidos com os eleitores. Falta ordem e, com certeza, progresso. E a crise da Covid19 servirá de lição? Custa crer. E, agora, o que faço? NOTA: A foto ilustrativa foi obtida no Google Imagens.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Esperança Injetada

O Brasil, apesar das extremas chafurdações politicas, avança neste inicio de fevereiro com a operação “vacina para todos”, injetando esperança de paz e tranquilidade na população. Finalmente as autoridades de plantão dão sinais de concórdia na busca da solução para imunizar a brasileirada. Um começo atrasado, bom reconhecer. Nações ricas e poderosas politicamente se adiantaram açambarcando os estoques existentes e futuros do precioso injetável na defesa dos seus povos e administrando uma atitude de resistência e evidente preservação dos poderes. A resultante inequívoca foi o engarrafamento de demandas denunciando de modo claro, que se trava uma guerrinha econômica internacional para aquisição nos quantitativos requeridos por grupos populacionais. O Brasil, muito embora gozar de reconhecida expertise na produção de vacinas e antídotos dos mais diversos, resvalou num infrutífero “bate-boca” politico tendo o Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, como protagonista principal, porquanto crente de se tratar d'uma moléstia que não causava o dano universal propalado aos quatro ventos. Enganou-se. Pagando pela lingua foi contaminado, tratou-se, resistiu e voltou a insistir na conversa ultrapassada sendo, por fim, levado a capitular diante da gravidade da situação. Saiu, politicamente, com o prestigio popular arranhado e criticado duramente pela oposição, sobretudo, por oportunistas políticos que não abandonam o palanque eleitoral. O Presidente teve de revisar as estratégias e originais iniciativas programadas de Governo, algumas das quais pouco sadias. Pelo visto, muitas águas vão rolar debaixo dessa ponte que leva a 2022. Democracia tem dessas coisas. Coisas boas, diga-se. Além das pendengas politicas domésticas muitas outras se desenrolam no plano internacional alimentando a eterna contenda pelo poder hegemonico, sempre recebendo novas nuances, novos protagonistas, muitas surpresas e consequências das mais diversas que sempre respingam no Brasil.
Para “animar” os debates, o mundo acompanha, agora, uma disputa pela “taça da melhor vacina”, sob forte influência da variável do nacionalismo - principalmente na União Europeia – e justificando que no backstage vem sendo travada uma renhida disputa econômica, isto é, muito dinheiro em jogo. Ganhar rápido e muito parece ser o lema da briga. Enquanto isso, a cada momento aparece uma nova fórmula preciosa prometendo ser a melhor, a mais eficaz, quem sabe a mais “cheirosa”, a melhor empacotada, mais gelada, menos gelada, dividida em duas partes, dose única, provisória ou definitiva. Os penitentes que se virem diante da vitrine. Mundinho difícil este do século 21. NOTA: A foto ilustrativa foi colhida no Google Imagens

sábado, 30 de janeiro de 2021

Ano Novo e Vida Velha

Estamos de volta num novo giro anual e introduzindo o Blog com nova fachada. Se o ano de 2020 não deixou saudades, este janeiro de 21 não chegou a convencer. A velha ideia que sempre ronda nossas cabeças, numa passagem de ano, esperando um novo tempo cheio de auspiciosas novidades pareceu, ao menos dessa vez, uma autentica quimera. Nada mudou. A rigor começou com um janeiro bem tumultuado nos quatro cantos do planeta. A crise sanitária do Covid-19 continuou campeando, pior até do que na segunda metade de do ano findo, e as perdas humanas se multiplicaram na onda da segunda onda. Na Europa e nos Estados Unidos, sem falar do Brasil, a situação recrudesceu e o alarme se espalhou mundo afora. Da África do Sul veio a primeira noticia alarmante devida ao surgimento de uma mutação mais violenta do vírus que logo invadiu o Reino Unido e colocou de sobreaviso o resto mundo. Uma serie de lockdowns foram retomados na União Europeia frustrando as populações que já respiravam liberdades de vida. No Brasil em pleno verão a galera não se segurou e “soltou a franga” à beira mar e nas baladas da vida. “Se todo mundo vai morrer um dia, morramos felizes, bronzeados e embalados”, parece ter sido o lema da temporada. Espantoso e irresponsável. Vide a seguir, por exemplo, uma imagem da praia de Boa Viagem, no Recife, num dia de verão deste janeiro de 2021.
Por outro lado, janeiro, também, nos proporcionou episódios políticos, aqui e alhures, que de modo indelével marcaram o mês que termina. Ver os ataques desferidos contra a Democracia pelos partidários de um tresloucado Trump, na Meca ocidental da ordem e da liberdade, foi episodio extremo e destaque internacional, tanto pelo ineditismo, quanto pela gravidade. Tio Sam tremeu e o mundo entrou em expectativa sentindo esse tremor. Tomara que Biden ponha a locomotiva nos trilhos. Já por aqui, no Brasil, as trapalhadas de João Doria (governador do estado de São Paulo) e Jair Bolsonaro (presidente da República) numa renitente luta pelo poder e na busca frenética por empunhar a taça da Vacina Salvadora, levou a população tupiniquim a mais um espasmo de perplexidade. Foi tempo em que mais de 220 mil mortes contabilizadas assombraram o mundo que resolveu fechar as portas aos brasileiros. A coisa piorou enquanto rolava o desvairado "bate-boca" politico, quando os casos fatais dispararam, culminando com a barbárie ocorrida no estado do Amazonas, onde pessoas morreram por falta de oxigênio engarrafado. Não foi, portanto, um início de ano sonhado de paz e tranquilidade. Episódios aqui lembrados refletem, em boa medida, a natureza arredia e rebelde do ser humano. A falta de domínio e compreensão do que ditam as forças da natureza exercem um poder incontrolável sobre o livre arbítrio dos indivíduos. O afã de liberdade de escolha e o sempre latente espirito de oposição terminam por precipitar grupos sociais às raias da loucura. Ora, se aglomerar e confraternizar aos moldes tradicionais são atitudes desaconselhadas e prejudiciais à coletividade, por que transgredir de modo ostensivo e irresponsável? Pior ainda se praticados com conotações politicas que resultam em confundir a sociedade no seu todo. Países democráticos como Brasil e Estados Unidos da América, com grandes contingentes populacionais e culturas heterogêneas, veem-se diante de colosais desafios sociopolíticos com vistas ao restabelecimento da ordem, da saude geral e da retomada econômica. É provável e claro que a crise promete ainda muitos sacrifícios. O mundo, de fato, não será o mesmo depois disso tudo. Bill Gates, um reconhecido pensador do futuro, numa das suas recentes falas assevera que “as coisas não vão voltar totalmente ao normal por muito tempo”. E é muito provável. Segundo ele haverá uma fase em que o número de contaminados será muito baixo nos países que adotarem a vacinação em massa, embora ocorram surtos em outras regiões do mundo. Arremata dizendo que “muitas pessoas permanecerão bastante conservadoras em seus comportamentos, especialmente se associadas com pessoas mais velhas”. Será isso o novo normal? Somente o tempo dirá. No Brasil o mês termina com campanhas de vacinação por grupos de pessoas mais vulneráveis fazendo nascer a esperança de dias melhores. Que o fevereiro – sem carnaval – venha cheio de bons fluidos e contínuos esforços na cata da proteção coletiva.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Finda sem deixar saudades

Dentro de poucos dias o tumultuado ano de 2020 finda e, quero crer, dificilmente deixará saudades. A gente costuma ter saudades de coisas prazerosas. A pandemia da Covid-19 desmontou todos os esquemas de administração do planeta, desde os mais altos até o mais simples nível de organização – famílias, por exemplo – acarretando inéditos momentos de estresse coletivo e resultando em imensos prejuízos materiais e pessoais, com dolorosas perdas humanas e empobrecimento geral da humanidade. Este ano vai encerrar deixando a todos perplexos pelos aflitivos momentos vivenciados e desejosos de virar uma página que inesperadamente foi lida. Aprendi nesses meses de reclusão que sentimentos antes experimentados esporadicamente adquiriram dimensões muito mais elásticas e com efeitos muito mais desgastantes. Falo por exemplos de tédio, solidão e medo. Viver retido, por maior que seja o espaço privado, impõe sensação de prisão e isolamento que escorregam pela sempre apressada esteira do tedio aliado ao medo de contrair a moléstia que e alastra. Muitos não se equilibraram e caíram nas malhas da depressão. Ano difícil este que finda. Contudo, como sempre fiz – referencial de vida – procurei tirar lições dessas nefastas experiências tentando fazer algo tal como uma limonada com o ácido limão disponível. Lembro que fiz um post no inicio da pandemia intitulado de “Todo Mal traz um Bem” (http://gbrazileiro.blogspot.com/2020/04/todo-mal-traz-um-bem.html) talvez antecipando o que hoje confiro. Assim, não obstante os sofrimentos, perdas irreparáveis e inúmeros momentos de tristeza, a pandemia apontou-me para aspectos invisíveis do tradicional modus-vivendi nunca antes valorizados e sequer apreciados. Durante este prolongado recolhimento descobri que a minha casa é o lugar mais seguro do mundo; que certos recantos desta mesma casa nunca haviam sido por mim apreciados com olhos mais apurados; que cada obra de arte que coleciono deixou de ser um simples exemplar e passou a “dialogar” comigo contado, cada qual, uma história diferente; que a correta e rigorosa higienização dos objetos, alimentos e ambiente em geral (que eram feitas, claro) resultam numa melhor e mais segura qualidade de vida; que a vida e a energia que me sustenta de pé é mais frágil do que imaginei até agora; que a perda de um amigo ou familiar ceifado pela Covid-19 dói mais doída que qualquer outra dor e, por fim, que a salvação da humanidade reside nas forças que venham ser impulsionadas pela compaixão e pela solidariedade dos povos. Este pode ser o tal novo normal.
Concluo lembrando que vacinas, politicagem barata, disputa do poder, progresso da ciência e da tecnologia, inteligência artificial, entre outros modernismos podem ser importantes e oferecer confortos, mas, nunca substituirão os verdadeiros sentidos da alma do ser humano. Adeus ano velho. Valeu a experiência. Não sentirei saudades. Mas, não te esquecerei. NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Vida Segue

O tempo vai passando e a vida segue independente das agruras humanas entregues à pandemia da Covid-19. Ainda bem que o ser humano tem suas particularidades: muitos se conformam, outros se revoltam, muitos se rebelam. Sem que se fale dos que fenecem. Pior, tudo junto e misturado. Tempos difíceis. Por volta de março, no inicio da crise, o pânico assaltou a todos e, diante do caos instalado, viveu-se um clima de perplexidade e guarda geral. As noticias eram sempre calamitosas. Como a vida segue, acomodações foram ocorrendo, o inimigo mesmo invisível ficou melhor conhecido e, inclusive, mais vulnerável aos choques que lhe aplicaram proporcionando ao mundo uma convivência relativamente pacifica com o assaltante assassino. Curva sobe. Curva se achata. Curva desce e a vida seguindo. Graças à inteligência dos assaltados aos poucos foram surgindo formas de proteção e maneiras alternativas de viver, enquanto um novo normal se anunciava a toda hora. E a vida seguindo na costumeira velocidade, com uma lua cheia a cada trinta dias e o sol dando as caras cada manhã a distribuir Vitamina D a todos os penitentes. Nem tudo estava perdido para quem se salvou da sanha do assaltante. Por sorte, a mesma inteligência pondo mãos à obra misturam, hoje, elementos libertadores da peste capazes de decretar o tal novo normal. Bem vindas sejam, então, as vacinas salvadoras. Antes que a salvação chegue e com o passar do tempo, no entanto, prejuízos são contabilizados das mais diferentes naturezas e em todas as dimensões. Sem que se fale dos indiscutíveis prejuízos econômicos, foquem-se os de fatores emocionais. Os assaltados já não suportam mais as novas alternativas de vida postas em prática a favor do distanciamento social. Daí a busca incontrolável por colocar o pé fora de casa e, na verdade, voltar ao antigo normal. E o novo normal... Existirá mesmo?
Os professores já não toleram a falta de interação física com os alunos, estes se acomodam numa zona de conforto pouco salutar, as crianças da pré-escola já não têm o mesmo desembaraço social de antes, os balconistas do comércio perdem a capacidade de convencer o cliente assustado e sem saber onde colocar as mãos, os idosos se acabrunham num retiro indesejado (foto acima), justo numa fase em que mais desejam liberdade. Adeus parques, adeus lojas movimentadas e florescentes, adeus salas de aula, adeus jardim da infância. Vida segue, dificil, mas segue. NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Novo Normal?

Há meses, desde quando a pandemia foi declarada, sentida e combatida no mundo inteiro, uma coisa tomou conta no pensar da humanidade: após a crise sanitária vamos experimentar um novo mundo, com maneiras de vida e convivência diferentes e desse modo vamos viver um novo normal. Mas, como será de fato esse tal novo normal? Será novo mesmo? Que novidades virão? Nas minhas tímidas andanças, ao sair da toca onde há meses – seis precisamente – resguardo-me da peste invisível, cato, ali ou acolá, sinais desse novo e não enxergo com clareza. Salvo as precauções imediatas de lavar as mãos, usar máscaras e evitar achegamentos com os próximos não vi, ainda, nada que diga ser novo realmente. Isto, até que a vacina garanta a segurança almejada. Mesmo o badalado home-office, as lives, o e-Commerce e similares não podem ser concretas novidades. Vamos e venhamos, são coisas já conhecidas e que se tornaram mais populares empurradas pela Covid-19. Sendo assim, aquilo que eu mesmo previ e meti-me a recomendar atenção pode, no final das contas, ser uma perda de tempo. A proposito do assunto, percebe-se que muita gente vem trilhando este mesmo trajeto de busca. Coincidentemente recebi uma mensagem de grande amigo – Teólogo e exímio Filósofo – Padre Sergio Absalão tratando de desmitificar essa coisa do “novo normal” ao qual ele atribuiu a qualidade de mantra. No seu texto Absalão teve o cuidado de explicar que “A palavra “mantra” vem do sânscrito, uma língua clássica e básica das vinte e três línguas faladas na Índia. A sílaba “man” significa “mente” e o “tra” se refere a “proteção”, “controle”. Traduzindo de forma livre, “mantra” é o instrumento para controlar ou proteger a mente.” Teria sido isto então, que se espalhou, no meio do mundo, a ideia do “novo normal”? Proteger as mentes? Na mesma mensagem Absalão lembrou sábio trecho de uma das homilias de Santo Agostinho, na qual aconselha que “Não fiques nunca satisfeito [...] onde te consideraste satisfeito, lá mesmo ficaste parado. Se disseres ‘já basta’, morreste. Cresce sempre, progride sempre, avança sempre” (Santo Agostinho. Homiliӕ 169,18). Ou seja, o ser humano deve sempre buscar o progresso. Nada melhor.
Noutro trecho do ensaio Absalão foi bem pragmático ao lembrar que ”hoje, por exemplo, em qualquer local, tem-se à disposição as “maquininhas” de cartão de crédito ou mesmo o celular. Passa-se o cartão, aponta-se o celular no QR Code e o pagamento é feito automaticamente. Uma maravilha! Num passado não muito distante, ia-se à famosa mercearia, do seu fulano de tal, comprava-se os suprimentos necessários e se pedia para pôr “no pendura”. O dono da mercearia tirava um toco de lápis Faber-Castell, preso por detrás da orelha, passava a língua na ponta e anotava numa caderneta que somente ele entendia onde começava e terminava. Foto acima. A mudança foi tão só na forma. A velha caderneta do “pendura” virou uma “maquininha” e o toco de lápis, agora, é o cartão de crédito ou o celular. Mudou a forma, mas o hábito permaneceu o mesmo. Outro exemplo pode ser aqui exposto. Guardadas as devidas proporções, que diferença há entre o Mercado de São José, o da Encruzilhada ou o de Casa Amarela com o Shopping Center Recife, Tacaruna ou o Rio Mar? (foto a seguir) Sem levar em conta uma hipotética qualidade, tanto nesses antigos Mercados, como nos modernos Shoppings, vê-se que a estrutura não é tão diferente quanto parece. Se por “novo” se entende essas transformações, próprias de cada período da história, então não há o que se dizer, senão o que está registrado na Sagrada Escritura: “Nada há de novo debaixo do sol” (Ecl 1,9). Por mais que se negue, não há nada de genuinamente novo e, por isso mesmo, o “mantra” “novo normal”, repetido cotidianamente, não passa de uma grande bobagem.”
Para sacolejar mais a mente do penitente aqui, Absalão acrescentou que “desse modo, quando se tem em mente o “normal”, se subentende certa continuidade de permanente procura e conquista que possibilita proteção e segurança para poder seguir em frente. É legítimo, por isso, se falar em “normal”, por se tratar de um dado instintivo do ser humano. No entanto, o que vem sendo anunciado e se tornado senso comum diz respeito a um normal “novo”, um “novo normal”, dando a entender que no pós-pandemia, como foi dito, teremos um novo modo de organização social, político, econômico, cultural, etc.” Antes fosse! Esse poder a Covid-19 não teve e nem terá. Nota: os mercados de São José, Encruzilhada e Casa Amarela, bem como os Shoppings Center Recife, Tacaruna e Riomar são centros de comércio da cidade do Recife, Brasil. Nota 2: As fotos ilustrativas foram colhidas no Google Imagens.

sábado, 12 de setembro de 2020

SEIS LUAS

Já contei, pela minha janela, a Lua Cheia passando por seis vezes enquanto estou “dendicasa”. Estou dando uma de índio que contava o tempo pela passagem da lua cheia. Fico sem acreditar. Aquilo que esperei durasse, quando muito, um mês já me pôs em prova por muito mais tempo do que calculei. Que tempo é esse meu Deus? 

A minha lua de verão. Toda apressada
sem esperar o sol se recolher

Na realidade comum, sempre fui amante do luar. Toda vez que ela se enche e se exibe toda formosa, algo de prazer invade minha alma e provoca louvores à natureza e à vida. Admiro esse nosso satélite em qualquer época do ano: no verão quando se mostra desnudo e brilhante lembrando que seu gerador de luz e energia está no auge da sua inflamação e descarregando tudo que pode sobre ele ou no inverno quando aparece envolvido num diáfano véu de stratos e cumulus  fugindo, aparentemente, dos sólidos cirrus. Não sou especialista no tema, mas arrisquei. Pronto. Fotografei todas as seis luas daqui dendicasa.

Lua de inverno, envolta em diáfanos véus de nuvens  

Esperando o tão desejado novo normal reservo-me ao mundo doméstico apreciando a mudança de estação e a passagem de um ano que mal chegou a começar. Contudo, contando vitória porque para muitos o ano pode ter começado e a vida findada. Tempos difíceis.

Vi a passagem da Páscoa de longe, não soltei rojões e nem acendi fogueira no mês de junho. Fiquei um ano mais velho em agosto, hasteei a bandeira brasileira no 7 de setembro  e ando procurando o que fazer a  toda hora. Quando não tenho mais com o que me ocupar – ler, escrever, dormir, assistir um filme, cozinhar, entre outras atividades – me divirto, inclusive, correndo atrás de um robôzinho de limpezas doméstica. Brinquedo de gente velha. A casa fica limpa e o tempo parece não passar. Em alguns momentos me sinto pateta. Para minha surpresa e apurar o tempo,  já tem gente falando no Natal. Faz sentido porque sempre ouvi dizer que “quando entram os bros o ano está findando”. Já estamos no primeiro bro: setembro.

Nem um jornal tem mais graça. Tenho que escolher entre assistir ao noticiário na TV, cada noite, ou ler o jornal do dia seguinte. O que salvam, quando muito, são os artigos de opinião ou as analises dos especialistas em politica e economia. Tudo nas versões eletrônicas porque o físico pode estar contaminado de Covid. Vidinha chata está sendo esta.

Mas, lendo os jornais no meu celular ou iPad, observo que a fuxicada republicana (pouco republicana!) continua viva e perturbante. O poder continua fascinando meio mundo. Mundo despreparado para o mister. E no resto do planeta as coisas continuam com as costumeiras cachorradas. E eu catando os sinais de identificar de onde vem o novo normal.

Muitos pedem calma porque o prometido novo normal vai chegar quando descobrirem uma vacina milagrosa! Contudo, ando meio ressabiado com essa história. Chinesa, britânica, russa, norte-americana e não sei mais de onde. É outra face da corrida pelo Poder.  

Como não me resta outra coisa, a não ser acalmar, vou esperar a próxima lua cheia. Que jeito?

NOTA: As fotos são da autoria do Blogueiro

  

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...