Mostrando postagens com marcador China. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador China. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Terras Raras

Em 2017 tratei aqui no Blog de um tema que resultou numa surpresa para muitos leitores. Falo da postagem intitulada de A Encrenca da Renca, na qual repercuti um assunto ligado à decisão desastrosa do Governo brasileiro, à época, extinguindo a Reserva Nacional do Cobre e Associados – RENCA (leia em https://gbraziliro.blogspot.com/2017/09/a-encrenca-da-renca.html ). A meu ver, o assunto gerou alguns poucos debates, em nível nacional. É curioso como poucas pessoas e particularmente especialistas no assunto não deram a importância devida. Talvez faltasse espaço ou oportunidade adequada. Na referida postagem dei minha contribuição de alerta para o erro que se cometia. O assunto abrangeu um tema que pouco se explorava na ocasião, sobre as Terras Raras. O Brasil era governado por Michel Temer, que assumiu o governo em 31/08/16, após o impeachment de Dilma Roussef. Era uma época turbulenta, quando o Brasil tentava acertar os passos. O assunto, conforme falei acima, caiu no esquecimento. Lamentável. Recentemente, porém, o tema voltou a ser discutido a partir de uma série de reportagens na Folha de São Paulo sobre minerais críticos, incluindo Terras Raras como parte da pauta. Devido às repercussões e as severas criticas publicadas, algo de novo pode acontecer. Curioso nessa passagem foi que, entre outras notícias, o Brasil se surpreendeu com umas declarações do digníssimo Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, afirmando que não sabia o que era Terra Rara. Como cidadão comum e sem uma formação pertinente, até se tolera. Mas, como Presidente da República, digamos que foi imperdoável. Em 29 de agosto passado, ele disse: “eu nunca tinha ouvido falar nisso (terras raras). De repente aparecem os caras lá falando: ”não porque os minerais críticos...” Eu nem sabia que mineral falava, como ele é critico?“ Indiscutivelmente um infeliz discurso. Onde estavam seus assessores? Seus ministros da área? Claro que causou uma repercussão negativa internacional.
A propósito do assunto andei conversando com um especialista dessa área, detentor de longa história a contar, o Químico Industrial (com atribuições Tecnológicas), o paulista José Carlos Lucena que se revelou surpreso com a situação. Lucena foi Superintendente da Empresa da Orquima Indústrias Químicas Reunidas S. A. em São Paulo. Na nossa conversa ele foi categórico em afirmar “poucos sabem, incluindo autoridades do atual governo, que o Brasil já possuiu uma empresa pioneira e inovadora, a maior – única na América Latina – que produzia e exportava compostos de terras raras”. Segundo Lucena, um grupo de judeus europeus refugiando-se dos horrores da Segunda Grande Guerra, em 1940, naturalizados brasileiros, fundaram, em São Paulo, a referida empresa com o objetivo de extrair, processar e comercializar minerais pesados da costa brasileira. Minerais que, bem antes, eram colhidos de modo primário e, obviamente, eivado de interesses piratas, enviados à Europa e Estados Unidos como lastros de navios. Vejam só que assalto! Segundo consta, o objetivo inicial era obter tório das areias monazíticas usados na fabricação de camisas incandescentes de lampiões que iluminava ruas e residências. Com o passar do tempo, a coisa evoluiu e o que se obtinha eram tório e urânio, elementos importantes para fins nucleares. Uma riqueza fantástica à flor da terra, entre localidades no sul da Bahia (região de Prado), Espirito Santo e Norte do Estado do Rio de Janeiro. Ciente da riqueza nacional o Governo brasileiro, na década de 1940, proibiu as explorações e contrabando desses minerais, principalmente a monazita. A Orquima foi a pioneira na exploração e beneficiamento, das terras raras brasileiras. Segundo Lucena, os minérios obtidos não tinham muita aplicação no mercado nacional. Graças a competência da equipe técnica da empresa terminou colaborando com as indústrias cerâmicas, de tintas, indústria ótica, fundições e até açucareira, entre muitas outras. Em tempo, lembro que Lucena me informou que são chamadas de Terras Raras não por serem raras na natureza, mas sim por serem de difícil separação. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, ficando atrás apenas da China que hoje se consolida no domínio sobre terras raras/minerais críticos sem concorrentes no horizonte. É duro saber que o Brasil já foi referência na indústria de terras raras mas, por descuido dos governos perdeu o fôlego. E pelo visto, as perspectivas são desanimadoras. O químico e pesquisador há décadas, Gilberto Fernandes de Sá (Professor da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE) afirma que o Brasil se descuidou do setor de terras raras desde a década de 1960. Ele defende que ao invés do Brasil firmar acordos com os Estados Unidos, deveria buscar parcerias com os chineses, que já dominam alta tecnologia para separação e refino de terras raras. Concluindo, faço um registro importante, que bem pode dizer do fracasso do Brasil nessa área estratégica: a Orquima foi estatizada na época do regime militar passando a se chamar Administração da Produção da Monazita (APM) diretamente ligada ao Conselho Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Nem vou tecer comentários. Deixo por conta do leitor ou leitora. Sei, apenas, que atualmente o Brasil exporta matérias-primas ou em estágio primário, enquanto o processamento e alto valor agregado das terras raras ficam no exterior. Pobre Brasil! NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens

segunda-feira, 8 de março de 2021

Tudo Junto e Misturado

Embora muitos não admitam, e até reajam contra, a Globalização se tornou mais evidente do que nunca devido à crise da Covid-19. A rapidez com que o vírus se espalhou pelo planeta e não deixou escapar nenhum país é a prova concreta da tese. Claro que mais em alguns países do que noutros. Mas, pelo que se observa, ninguém escapou. Descoberto na China no final de 2019 o Corona ganhou força e velocidade e conseguiu varrer os cinco continentes. Naturalmente que o progresso das comunicações e dos transportes do mundo moderno contribuíram, de modo decisivo, para os dois processos em pauta: globalização e contaminação.
Se, em algum momento, houve alguém que duvidasse do real processo de interligação mais intima entre economias e sociedades distribuídas espacialmente sobre a face do globo terrestre, esse alguém deve estar, nos tempos recentes, a rever suas analises e reescrever suas teses. Eu, que sempre acreditei no processo de globalização socioeconômica, estou convencido de que o Coronavírus não só se encarregou, mas também serviu para sacramentar o processo que se desenrola, por altos e baixos, há pelo menos cinquenta anos. Está tudo muito claro e expresso de formas escritas ou desenhadas. Assim, para o bem ou para o mal, estamos todos juntos e misturados. O grande desafio das nações modernas será estabelecer a convivência, de preferencia pacifica, e as relações sócio-politica-econômicas em padrões superiores aos até hoje praticados. Este grande desafio, contudo, deixa claro que nem tudo são flores no processo. A briga pela hegemonia político-econômica pode se tornar renitente e mais tensa ainda, por muito tempo. Numa reflexão como esta lembro, outra vez aqui no Blog, a figura do historiador israelense Yuval Noah Harari que, diante da inevitável globalização com o galopante progresso da ciência, o advento das inteligências artificiais e as atividades do padrão virtual cada vez mais populares o mundo se encontra numa encruzilhada histórica e, indiscutivelemente, provocada pela pandemia do Coronavírus. Nos seus frequentes artigos, veiculados pelos mais prestigiados meios do mundo, o historiador alerta para a ferrenha disputa ideológica entre isolacionismo nacionalista e cooperação global. Na sua visão, a solução para a paz e o progresso mundial passa inevitavelmente pela solidariedade entre as nações. Estará o mundo preparado para esse esforço? Acredito, pessoalmente, ser uma grande utopia. De toda forma é louvável, e bom exercício, o fato de que a atual pandemia esteja provocando um esforço conjunto pela busca da cura e de vacinas para a Covid-19. Obviamente, que este esforço está a depender da cooperação, solidariedade e esforços equilibrados dos lideres no poder. Vamos esperar que se entendam e enxerguem respeitosamente o futuro. Concluindo a conversa de hoje e por oportuno, registro que, no meio destas minhas reflexões, ouvi dizer algo que traduz bem a minha ideia do Tudo Junto e Misturado: “o descontrole e avanço caótico da pandemia no território brasileiro, se manifestando inclusive em novas mutações, põe em risco a saúde mundial”. Certo ou errado? Nota: A foto ilustração foi obtida no Google Imagens.

segunda-feira, 1 de março de 2021

E agora, o que faço?

Passado mais de um ano daquele acidente laboratorial, em Wuhan (China), que, segundo se relata, contaminou com o Corona Vírus o resto do mundo, estamos nós, pobres mortais, as voltas com algo que tenho chamando de “ensaio para o juízo final”. Este, aliás, poderia ser o título deste post. Se houve o acidente ou se tomaram uma sopa de morcego somente a História nos dirá no futuro. Para alguns taxar de juizo final pode ser exagero, mas, depois de passar doze meses praticamente trancafiados em casa, não tem cristão (e ateus, certamente) que se sinta confortável e feliz. Ora, normalmente a vida gira lá fora e pede repouso no aconchego do lar, mesmo para quem tem um humilde cantinho para dizer que é seu. Tenho consciência, sim, de que muitos nem casa possuem mas, sempre acham seus cantinhos. Há um ano estamos às voltas “surfando” ondas nunca dantes enfrentadas nos nossos mares. Procuro me desligar e cuidar do meu dendicasa e só escuto os avisos de “segura aí que está vindo uma segunda onda” e, para maior pânico nos dias recentes, escutei outra mensagem calamitosa: “atenção pessoal que a provável terceira onda já desponta e parece ser mais forte”. Mutações do virus, rapidez da propagação e letalidade imprvisivel dão força à noticia. Valha-me Deus! Socorro Nossa Senhora! Acontece, minha gente, que indiscutivelmente a alhada brasileira é fora do comum. Ninguém se entende e a corda de tão esticada está a ponto de romper. Parece que ninguém atentou para desenvolver um esforço comum com vistas ao bem-estar social e felicidade geral da nação. No topo do pandemônio a variavel política se tornou o X mais escondido da intricada equação a ser resolvida. Erros são cometidos a toda hora e em todos os quadrantes do país. Os pequenos e tardios esforços dos governos não estão dando conta da parada dura que enfrentamos. As autoridades se digladiam medindo forças para preservar respectivos poderes e a sociedade que se cuide. Por outro lado é de se considerar que essa mesma sociedade, indiscutivelmente, não tem contribuído a contento para o alcance da solução. Falta consciência humanista, sentimento de solidariedade e respeito ao proximo. Cada indivíduo, ou grupo social, não enxerga o coletivo, mas, tão somente seu próprio interesse. Com um horizonte limitado, apenas a um palmo à frente do próprio umbigo, não se vai à parte alguma. Ao invés disso, opta por contrariar as medidas sanitárias aconselháveis, opõe-se às ordens sociais até por divertimento, vai pra rua sem necessidade e, claro, esperneia por não ter seu sustento. Está claro que atitudes como estas não resolvem. Ah! Peraí, “essa é a forma de defender o seu quinhão, que é mais do que justo”. Sim, pode ser... Mas, para quem vai viver, produzir e com quem interagir? Nessas horas só cabe uma desconcertante pergunta: e agora, o que é que faço? Diante deste quadro caaótico volto a lembrar do quanto faz falta uma sociedade bem educada e politizada. Não tardou muito e estamos pagando caro pelo desprezo contínuo que se atribuiu ao fundamental setor da Educação e a consequente preparação do cidadão para viver em comunidade.
A injeção de esperança nasce com a aplicação maciça de vacinas para imunizar a população. Mas, até nisto, a coisa é cheia de incertezas. Teremos vacinas suficientes? Serão seguras? Quantas doses serão o bastante? Vamos nos livrar do vírus? Falta povo educado e cidadania. Faltam governantes preparados e comprometidos com os eleitores. Falta ordem e, com certeza, progresso. E a crise da Covid19 servirá de lição? Custa crer. E, agora, o que faço? NOTA: A foto ilustrativa foi obtida no Google Imagens.

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Economia Infectada

É muito comum ouvirmos dizer: “saúde é fundamental porque o resto a gente corre atrás”. Parece que, além de ser uma verdade, a ideia se aplica em diferentes domínios e de forma tangível, haja vistas para essa avassaladora onda que ameaça a saúde mundial, centrada na China, com o coronavírus (nCov-2019).  
Observemos que diante da dimensão que se revelou o surto chinês, com características pandêmicas, é fatal que se rebata sobre todos os setores de atividades daquele país e provoque profundas consequências para o restante do mundo. Pânico às populações nos cinco continentes. Contração das atividades econômicas internacionais e, enfim, um quadro econômico infectado. Que a economia chinesa vai encolher, ninguém duvida.
A situação já não era das melhores para o ritmo de crescimento do país e se agravam ainda mais as tensões que eles sustentam contra os Estados Unidos. Repercussões são sentidas nos mercados mundiais. Bolsas caem e Dólar americano se valoriza de modo fácil ao redor do planeta. São as chamadas fortes dores da economia globalizada.
Ora, a China, berço da crise, é a segunda maior economia do mundo. Produtora em massa de ilimitado número de bens de consumo, intermediários e finais, inclusive automobilística, vê-se na contingência de parar tudo e cuidar de tratar da saúde da população com rígidas medidas protecionistas. Fábricas, comércio, escolas, transportes do diferentes modais, tudo parado. Um mundo congelado e voltado somente para tratamento dos atingidos pelo vírus.
Pátio de uma fabrica de automóveis em Wuhan
Considerando o volume populacional do “continente” chinês estamos diante de um quadro inusitado e inesperado. A própria cidade de Wuhan, onde o vírus foi detectado e se espalhou, ao contrario do que muitos imaginávamos, é uma metrópole de 12 milhões de habitantes, grande conglomerado industrial, capital da província central de Hubei e nona cidade mais populosa do país. A construção recente de hospitais de dimensões gigantescas e em tempo recorde dão ideia da grandeza dessa cidade. Historicamente Wuhan teve um papel de liderança  importante quando da derrubada do Império, em 1927, tirando do poder o último imperador da Dinastia Quing e estabelecida a Republica Popular da China.
Vista noturna de Wuhan.
Como a paralização é geral, para o bem da população local e mundial, as atividades econômicas sofrerão um forte debaque em nível mundial. Os chineses se tornaram fornecedores mundiais de todo tipo de produtos, dos mais corriqueiros aos mais sofisticados, levando a que a grande maioria dos mercados, mundo afora, confiasse no abastecimento chinês, agora suspenso. Por outro lado, países produtores de commodities, como o Brasil, tomados como supridores de, entre outros itens, minério de ferro, soja, carnes bovina e de frango veem-se  impedidos de abordar portos e aeroportos chineses, também paralisados, com vistas a barrar a disseminação do vírus mortal. Ou seja, a China virou um país sitiado. Com uma população de mais um bilhão e uma economia tão dinâmica era tudo que não se esperava. Quem saiu antes da eclosão do surto pode ter levado a moléstia sem perceber. E houve casos. Segundo se noticia, já faleceram mais de 700 e aproximadamente 32 mil pessoas, na China e outros países, já estão infectados.
Diante de quadro tão assustar é de se esperar, não apenas uma grave emergência mundial de saúde publica, mas também uma acentuada queda nas atividades econômicas mundiais. O clima é de muita expectativa. Indiscutivelmente, a economia foi infectada.
Estejamos atentos e esperemos que esse coranavírus seja controlado, não atinja os pobres e desestruturados países africanos e nem chegue por nossas bandas. E isso só o tempo dirá.    

NOTA: Foto obtida no Google Imagens  

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A Encrenca da RENCA

Estou cansado de falar sobre políticos e politiqueiros. Acredito que ninguém agüenta mais. Aliás, pensando bem, é por isso que o povo desistiu de ir às ruas, bater panelas e protestar. Aparentemente, desligaram de vez. Acho que perderam as esperanças (esqueceram que é a “ultima que morre”?) diante de tantas barbaridades cometidas por esses irresponsáveis que comandam o país. A salvação ainda é que a economia dá sinais de recuperação. Lenta! Tem muita gente batendo cuia. Chega!
Então, mudando de assunto, embora focando em mais um imbróglio da política desastrada e duvidosa, do Governo, volto a comentar sobre a questão da extinção da Reserva Nacional do Cobre e Associados - RENCA, sobre o que falei recentemente. E voltei porque cheguei à constatar que este caso exige mais cuidado do que se vem tendo. Recente reportagem na TV, com imagens feitas naquela região, esmiuçou de modo flagrante o que de fato existe naquele pedaço relativamente esquecido do Brasil, mostrando a exploração predatória e ilegal que são levadas a efeito por lá. São clareiras imensas abertas no meio da floresta devastada. É impressionante como se garimpa ouro e outros metais nobres sem que as autoridades tomem o devido conhecimento e apliquem as medidas legais. Os indígenas da região, que aparentemente reclamam da medida, parecem usufruir dos frutos da Terra e se mancomunam com os exploradores clandestinos. Pudera! As autoridades (in)competentes são míopes para o que ocorre por lá e por isso a esbornia corre solta. Tudo parecendo ser uma terra de ninguém. Leitor radicado naquela região falou-me em off que, das pistas clandestinas de pouso, que são muitas, decolam jatos carregando levas pesadas de ouro diretamente para países da Europa (a Bélgica foi um dos país citados) sem que o Estado Brasileiro tome conhecimento. Não tenho provas disso, claro. Nem o Governo tem, imagine eu!
Na verdade, acredito que a tão defendida e “protegida” Floresta Amazônica encerra, além de  um imenso patrimônio florestal (pulmão do planeta climaticamente saturado), uma incomensurável riqueza de recursos minerais. Sabe-se de modo atabalhoado que naquele subsolo há fantásticas ocorrências de minérios com alto valor de mercado, incluindo minerais fósseis, ouro, cobre, prata, entre muitos outros menos conhecidos no Brasil, mas de grande valor para a produção industrial tecnologicamente avançada nos países do chamado Primeiro Mundo.
Fiquei sabendo que um dos produtos minerais mais demandados na atualidade são os denominados de Terras Raras, também conhecidas como Novo Ouro. Quer ver uma coisa? Nunca ouvi falar de latânio, cério, neodímio, európio, túlio, lutécio e samário. Pouca gente viu. Aqui no Brasil são denominações restritas aos cientistas que atuam na área de exploração mineral. Segundo minhas investigações, todos nós, pobres mortais, dependemos desses materiais no dia-a-dia. São materiais  indispensáveis na moderna tecnologia, para produção de motores elétricos, turbinas eólicas, superimãs, telefones e televisores inteligentes, computadores, tabletes, lâmpadas LED, mísseis e muitos outros produtos. 
Imagem de Terras Raras colhida no Google Imagens
A China é a detentora das maiores reservas de Terras Raras. Tem o monopólio mundial e é responsável por 95% da produção, seguida dos Estados Unidos e Austrália. O Brasil sequer figura na lista da produção mundial, embora se saiba, desde os anos 40 do século passado, das ocorrências verificadas no estado de Minas Gerais. Coisa pouca quando comparada com a China. Contudo, já se fala que há importantes reservas na Amazônia. Mistério! É aí onde reside a dúvida dessas manobras tidas como espúrias. Preserva-se a RENCA ou entrega-se à exploração mineral?
Tem coisa mais complexa do que essa? Eu sou partidário da defesa do meio ambiente. No entanto, ao mesmo tempo, vejo de forma inevitável que se explorem as riquezas minerais de alto valor com vistas ao desenvolvimento nacional. Dilema danado.O desafio pode ser combinar as duas coisas: preservar a floresta e explorar os minérios. E isso é possível com tecnologias subterrâneas. 
Explorando um pouco o assunto, dei de cara com uma declaração interessante  de um especialista em estudos do tema, Breno Augusto Santos (in: Estudos Avançados 16(45), 2002)quando falando sobre a riqueza mineral da Amazônia, disse uma verdade: “Os recursos minerais da Amazônia somente poderão dar maior contribuição ao desenvolvimento nacional – e regional – quando o processo de industrialização do país permitir a elaboração de produtos finais com elevado grau de tecnologia agregada. Só assim será possível uma melhor remuneração para os produtos de origem mineral, que tenham maior competitividade nos mutantes mercados atuais, num mundo onde há enorme diferença entre exportar potato chips ou micro chips”.
Agora, se houver estrangeiro cobiçando terras raras na área da RENCA ou no resto da Amazônia, teremos um bom motivo para protestar e brigar pela soberania brasileira. Isso sim, será um bom motivo para irmos às ruas, bater panelas e tudo mais.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

sábado, 30 de maio de 2015

Brasil Incompetente

Venho acompanhando com atenção, pelo menos por vinte e cinco anos, o desempenho da competitividade brasileira, quase sempre o comparando com outras economias estrangeiras. Várias são as entidades de pesquisa que tratam de fazer esta avaliação. O IMD – International Institute for Management Development, entre outras, com apoio da brasileira Fundação Dom Cabral se encarrega de incluir o Brasil no ranking mundial. A mais recente lista, referente a 2014 e publicada na semana que termina, revelou que pelo quarto ano consecutivo o Brasil perde posição no cenário internacional, entre as 60 economias avaliadas. Desta vez o Brasil caiu três posições e ocupa o 54º lugar. Está à frente apenas de Eslovênia, Bulgária, Grécia, Argentina, Croácia e Venezuela, a última colocada. Esta queda vem se repetindo na medida em que o Brasil já caiu 16 posições nos últimos quatro anos. Em 2010 ocupava a 38º posto do ranking. Na cabeça da lista deste ano estão os Estados Unidos, Suíça, Cingapura, Hong Kong, Suécia, Alemanha, Canadá, Emirados Árabes, Dinamarca e Noruega. 
A maioria dos emergentes cai na lista deste ano e a explicação dada pelo IMD aponta, como motivo, o baixo investimento estrangeiro e as falhas na infraestrutura. A China sofre por conta das dificuldades no atual ambiente de negócios e isto pode ser ruim para todo mundo. Um analista econômico dizia esses dias que “se a China espirrar o Brasil pega uma pneumonia”. Nos casos de Brasil e Índia, o IMD considera que estes sofrem por conta dos seus mercados de trabalho ineficientes e gestões de negocio ineficazes.   
A metodologia aplicada para compor a lista leva em consideração quatro dimensões de competitividade: desempenho econômico, eficiência do Governo, eficiência dos negócios e estado da infraestrutura. Nesta última dimensão os indicadores considerados são: estradas, portos, aeroportos, geração e distribuição de energia, telefonia, internet, meio ambiente, educação básica e superior, pesquisa cientifica e serviços de atenção à saúde. Observe-se que são componentes fundamentais para revelar o perfil – bom ou falho – de um sistema socioeconômico e o Brasil está, indiscutivelmente, penando por conta dessa precaria dimensão que tem.  
Semana passada estive em São Paulo, visitando/participando de uma feira internacional da indústria metal-mecânica, a FEIMAFE (www.feimafe.com.br), e no entrar e sair de estandes escutei as maiores lamúrias dos representantes de empresas presentes. Um verdadeiro ambiente de crise. Naturalmente que, em primeiro lugar, queixas sobre a crise geral que assola o Brasil e, em seguida, as velhas dificuldades de viver num país onde os custos da produção são dos mais altos do mundo, que empurram os preços de mercados a níveis estratosféricos, quando comparados com os concorrentes estrangeiros e com os quais tem de concorrer no próprio mercado doméstico. Um fabricante europeu ou asiático consegue colocar à venda sua máquina no mercado brasileiro ao preço equivalente, muitas vezes, à metade do fabricante nacional. Tudo por conta dos absurdos custos da produção local. Quando o assunto, então, é logística a situação fica prá lá de complicada. Transportar um equipamento pesado (um bem de capital) de um canto a outro do país é sempre muito mais caro do que trazer um similar, por exemplo, da China. O produtor brasileiro – independente do setor que atua – padece pela falta de uma infraestrutura competente. Pesquisa recente da CNT – Confederação Nacional dos Transportes dá conta de que será necessário algo próximo a R$ 200 Bilhões para destravar o escoamento de grãos produzidos no país. Ora, em tempos de crise, ajuste fiscal e de pesados cortes nos orçamentos do Governo a situação se mostra mais preocupante já que é do setor primário que surgem os melhores sinais de ajuda ao crescimento da economia nacional.
Infelizmente, o principal modal de transporte da produção brasileira – independente da natureza – tem sido quase sempre o rodoviário, não obstante o fato de que o país reúna condições de explorar outros meios, entre os quais o ferroviário e o  das hidrovias. Segundo a CNT o Brasil tem 1,7 milhão de quilômetros de malha rodoviária, sendo que apenas 204 mil são pavimentadas, ou seja, aproximadamente 12%. Levando em conta a qualidade do asfalto (quase sempre do tipo sonrisal) que se aplica no país e o natural desgaste do uso diário, a CNT avalia que metade dessas pavimentadas estão deficientes. Como ser competitivo? Como ter padrão mundial?

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...