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sexta-feira, 24 de outubro de 2025
Historia nossa de cada dia
Que a Historia do Mundo e das periferias é escrita todo dia é uma coisa que, salvo engano, ninguém pode negar. Do meu posto de observador acredito ser assim. Esta semana pude anotar dois fatos que me chamaram atenção. O primeiro foi o encontro histórico do Rei da Inglaterra, Charles III acompanhado da digníssima (!) rainha consorte, com o Papa Leão XIV. E rezaram juntos na Capela Sistina, no Vaticano sob os famosos afrescos de Michelangelo. Um fato histórico, sem sombra de dúvidas. (Foto a seguir). Foi o primeiro monarca britânico a rezar publicamente com um Chefe da Igreja Católica desde o cisma anglicano há cinco séculos. Haja História nesse fato. A Inglaterra professa uma religião própria durante todo esse tempo e o Rei Charles é o Chefe Supremo dessa igreja. Haja poder nas mãos desse cidadão. Ele reina sobre corpos e almas de um povo que prima pela austeridade e tradições milenares.
A Historia é antiga e data de 1534, quando o Rei Henrique VIII, antecedente remoto no trono que Charles III hoje ocupa, requereu do Papa Clemente VII a anulação do seu casamento com Catarina de Aragão, o que foi negado. O Soberano britânico revoltado, não teve dúvidas, e decidiu criar uma Igreja própria, a Anglicana, da qual se tornou Chefe Supremo, sendo sucedido pelos ocupantes subsequentes do trono da Inglaterra. Essa situação, conhecida historicamente como o Cisma Anglicano é mantida até hoje com seguidores no Reino Unido e no resto do mundo, inclusive aqui no Brasil. No Recife, cidade que recebeu forte influencia britânica no século passado, esta igreja existe com alguns templos espalhados na cidade e com muitos seguidores. Aliás, o Recife conta, também, com um cemitério exclusivo para sepultar ingleses, o conhecido Cemitério dos Ingleses, que se fez necessário dado que, não sendo católicos romanos, os defuntos anglicanos não podiam receber sepulturas nos cemitérios católicos. Com condições econômicas confortáveis, os anglicanos construíram uma necrópole própria para os seguidores da Igreja Britânica. Este cemitério está lá no cruzamento das avenidas Norte e Cruz Cabugá, no bairro de Santo Amaro. Agora o que se especula é saber se essa aproximação do Papa Católico com o “Papa” (!) Anglicano pode resultar numa unificação das igrejas. Complicado responder ao questionamento visto que, ao contrário da Igreja Católica Romana, a Anglicana permite o casamento dos padres e ordena mulheres. Atualmente, aliás, uma mulher, Sarah Mullally, de 63 ano, mãe de dois filhos, desempenha o papel de autoridade máxima dentro da Ordem Anglicana. Acho difícil essa mudança.
A outra história é com H minúsculo, mas, não deixa de se constituir em História. O Brasil terá, no próximo ano, seu primeiro presidente com mais de 80 anos. O Presidente Luís. Inácio Lula da Silva fará no próximo dia 27, próxima semana, oitenta primaveras. Ou seja, está fazendo história. Interessante que o aniversario foi comemorado antecipadamente, na Indonésia, durante encontro com o presidente local, Prabowo Subianto, no recinto do Palácio Merdeka. (Foto a seguir) Cá pra nós, tanto lugar para se comemorar um aniversario tão significativo e fazê-lo no Merdeka. Francamente. Impossível admirar essa denominação de recinto. Mas, observação à parte, o mais curioso de tudo, a meu ver, é o fato do Presidente Lula haver aproveitado a ocasião para afirmar que será candidato em 2026, muito embora já tenha mais de 80 anos. “Vou completar 80 anos, mas pode ter certeza que estou com a mesma energia que tinha com 30 anos de idade. Pode ter certeza que vou disputar um quarto mandato no Brasil... esse meu mandato só termina em 2026, no final do ano, mas eu estou preparado para disputar outras eleições”. Moço corajoso.
Fiquei curioso e fui investigar se algum outro presidente havia governado com tanta idade. Não! Nenhum até hoje. Ele será o primeiro. Achei pouco e fui indagar sobre um possível impedimento de candidatura com essa idade. Nada! Constatei que, institucionalmente, o cidadão tendo mais de 35 anos, com registro eleitoral, integrante de um partido politico e gozando de boa saúde (?) é o bastante e pode se candidatar à Presidência da República, ainda que tenha 80, 90 ou 100 anos. Nada o impede. Diante disso, questiono o fato de que, conforme a Lei Complementar No. 153 de 03/12/2015, o servidor público será aposentado compulsoriamente ao completar 75 anos de idade. Aplica-se aos servidores da União, estados, Distrito Federal e municípios. Além desses, também se aplica aos membros do Poder Judiciário, do Ministério Público, das Defensorias Públicas, dos Tribunais e Conselhos de Contas. Então, uma pergunta que não cala: Presidir a Republica não é uma função pública? Melhor parar por aqui. Chega de histórias, por hoje.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.
quarta-feira, 31 de julho de 2024
TRÊS EM UM
A semana passada foi indiscutivelmente movimentada e, como sempre, ditando a pauta do Blog.
CARACAS - A primeira pauta despontou com a tensa expectativa das eleições na Venezuela, no domingo (28/7). O pleito resultou no que meio mundo considera um desastre politico sul-americano, com flagrantes distúrbios sociais no país vizinho em contestação ao resultado proclamado pelo órgão eleitoral superior do país, preso às mãos do Ditador renitente. O povo venezuelano e as pessoas de bom-senso politico mundo afora estão certos de que ocorreu a maior fraude de todos os tempos. Nicolás Maduro tentando, à base de processo fraudulento, permanecer no Poder vive momentos de pressão debaixo de protestos populares nos quatro cantos do País. Lamentável. Conheço a Venezuela, relativamente bem, onde prestei consultoria técnica através de Acordo de Cooperação Internacional entre OEA e Itamaraty, nos anos 80, época em que Hugo Chávez estava trancafiado depois de liderar uma tentativa de golpe de Estado. Livre se elegeu presidente em 1999, investiu pesado em relações comerciais no Brasil e recebeu Comitiva Empresarial de Pernambuco, da qual participei. Pude então avaliar o antes e o depois, com facilidade, e não foi difícil antever o caos que hoje reina praquelas bandas. Não vou tecer considerações a respeito dessa atual situação visto que a imprensa mundial se encarrega de modo taxativo. Resta-nos, tão somente, desejar boa sorte aos irmãos venezolanos na luta pela democratização! Mas, o doloroso memso é ver que o PT de Lula ja recinheceu a vitória do Ditador, antecipando o que o Presidente da Republica ditará em breve. Certamente. Vergonhoso. A palavra foi da Gleisi Hofmman (Foto a seguir) mas quem manda no Partido todo mundo sabe quem é.
PARIS - O outro assunto dominante desses últimos dias prendeu-se às Olimpíadas de Paris-2024. Os franceses quiseram inovar e transformaram a abertura dos jogos num megaespectáculo out-door. Paris foi “loteada” em diversos polos que serviram de palcos para funções das mais inusitadas quando comparadas a aberturas antecedentes. O que vimos foram imagens bem distintas das costumeiras solenidades até então conhecidas. O rio Sena ganhou destaque ao servir de via fluvial para ver desfilar as delegações representantes dos países participantes e, complementando, seja por via fluvial ou em pontos estratégicos do percurso estabelecido, esquetes teatrais rememorando cenas da História e da vida quotidiana da França. Sinceramente, pouco convincente dado o caráter debochado que predominou em cada cena apresentada. Dois momentos, porém, no Gran finale do espetáculo merecem destaque: o primeiro foi à interpretação do Hino Nacional francês (Marselhesa) a cargo da cantora lírica Axelle Saint-Cirel, postada no teto do Grand Palais e que cumpriu um belo e respeitoso papel e o segundo momento foi a surpreendente reaparição mundial de Celine Dion interpretando Hino ao Amor, de Edith Piaf, no alto da Torre Eiffel. Foto a seguir.
O mundo aclamou e vibrou ao ver a Diva canadense se apresentar firme e forte após longo período de convalescência devido a uma grave enfermidade degenerativa. O “porém” disso tudo veio no day after, quando o mundo, analisando melhor as tais debochadas encenações, concluiu quanto destoante e inteiramente desnecessários foram as teatralizações exibidas sob a justificativa de promover a inclusão social de classes tidas marginalizadas, no caso especifico a LGBT. Em se tratando de algo tão aceito pelo mundo atual não havia um porquê lógico de encenar, por exemplo, uma Santa Ceia (lembrando o famoso quadro de Leonardo da Vinci, 1495), protagonizada por figuras drague-queens e “convidar” a figura de Baco, desempenhada por uma figura, honestamente, asquerosa. Como católico praticante, não posso aprovar tanta violência social e cristã. Francamente. Duvido que ousassem em burlar de outras crenças tão comuns na própria França.
BEZERROS - Meu terceiro destaque de pauta, deste Três em Um, vai para registrar nossa tristeza pelo falecimento de um ícone da arte popular pernambucana que foi o talentoso artista J. Borges (Foto acima), considerado como o mais respeitado xilogravador brasileiro e de renome internacional. Afora o fato no qual se tornou famoso, ainda se destacou como cordelista e poeta, partindo placidamente para a eternidade ao alvorecer da sexta-feira, 26/7, deixando um vazio difícil de ser preenchido. Pela sua formidável obra, a arte de xilogravador ganhou destaque entre as artes populares nacionais. Seus trabalhos se espalharam por inúmeros pontos do mundo e ele próprio os levou a diversos países, entre os quais Estados Unidos, Suíça, Venezuela, França, Alemanha, México e Argentina. Personagens mundiais, como o Papa Francisco, têm exemplares especiais do artista. Vide Foto a seguir.
Mas, certamente, a popularidade da sua obra é o melhor sinal da sua consagração como artista. Hoje mesmo dei de cara com uma sacola de compras num varejista recifense, cuja ilustração é uma xilogravura de Borges. Foto a seguir.
Bem recentemente tive o prazer de visitar seu memorial, em Bezerros (PE), onde o encontrei animado, cheio de vida e assinando exemplares da sua produção. Pilotando uma cadeira de rodas circulava entre os visitantes e posando entusiasmado para fotos. Deus o receba na eternidade! Nosso meio artístico cultural fica mais pobre, mas a escola de J. Borges segue preservando sua arte e sua trajetória vitoriosa. NOTA: FOTOS obtidas no Google Imagens.
terça-feira, 15 de junho de 2021
Rixa Rançosa
Dois episódios recentes conseguiram jogar luzes na velha e lamentável rixa fraticida que insiste perdurar entre argentinos e brasileiros. O Presidente argentino, Alberto Fernández, Foto a seguir, numa infeliz fala, em visita oficial a Espanha, resolveu ofender brasileiros e mexicanos ao afirmar que “os brasileiros vieram da selva, os mexicanos das tribos indígenas e nós argentinos chegamos de barcos oriundos da Europa.” Nada mais danoso para as relações entre os hermanos latino-americanos. Ora, além de revelar certa ignorância sobre História das Américas, foi imperdoável para um Chefe de Estado querer se vangloriar de uma origem nada diferente das dos irmãos que ofendeu levianamente. Poucos dias antes, o argentino Papa Francisco (Foto abaixo) se saiu com outra infeliz referência aos brasileiros ao dizer, em meio a uma audiência coletiva, no Vaticano, que a Covid-19 grassa solta no Brasil por conta de “muita cachaça e pouca oração”. Até Tu Francisco! Coisa feia! Por ironia, passamos a ouvir em seguida, no noticiário internacional, que a peste recidivou severamente na Argentina e medidas cautelares mais rígidas foram adotadas. Bom, as duas personalidades porteñas viram-se obrigadas a pedir desculpa ao Brasil e aos brasileiros. Danado é que sujeiras mesmo que verbais dificilmente se apagam. Que jeito?
Curioso foi que na fala do Presidente Fernández vi uma explicação melhor para uma afirmação popular, das antigas e que ouvi desde criança, segundo que, para os argentinos “brasileiros são macaquitos”. Sempre estranhei essa coisa e até havia olvidado por bom tempo devido, inclusive, pela intimidade que construí com o meio argentino. Sim, gosto muito da Argentina. Andei por lá incontáveis vezes. Mas, honestamente, sinto-me ofendido como comum cidadão brasileiro.
É ilusão pensar que nossas diferenças se resumem às disputas de futebol e que nossos dois povos vivam em “lua-de-mel”. Na prática, não são raras as agressões e, por vezes, ofensivas entre cidadãos de ambos os lados. Muitas vezes provocam estremecimentos nos negócios – que são muitos e cheios de potencialidades – ou nas relações politicas. Um dos exemplos mais marcantes dessa “briga” se deu na final do Campeonato Mundial de Futebol, em 2014, realizado no Brasil, cuja final foi entre Argentina e Alemanha. Não obstante o trauma histórico dos 7 x 1 que amargamos dos germânicos, dias antes, o Brasil torceu pela vitória alemã num tremendo insulto aos hermanos argentinos. Aquilo me chocou e foi um episódio taxativo.
Mas, devo dizer que, pessoalmente, tenho a Argentina e os argentinos num nível de alta estima. Sinto-me em casa ao desembarcar as margens do rio da Prata, ao sentar-me nos cafés de Buenos Aires e nas alturas dos Andes, quando em Bariloche. Ah! Saborear um Malbec mendocino, em Mendoza, tem sabor especial. Quantos aos porteños não alimento qualquer tipo de queixa – embora haja sofrido algum deboche, no passado – porquanto mantenho excelentes amizades. Pessoas cultas, amáveis e alheias às essas diferenças de empobrecimento cultural e continental.
Lembro que como integrante de missões oficiais brasileiras, durante a montagem do Mercosul, estimulamos o espirito da boa vizinhança no sentido de fortalecer o Bloco e prepará-lo para alguns enfrentamentos que, por sinal, hoje experimentamos. Lamento que ainda perdure o ranço da disputa por um espaço no qual cabe os dois lados de modo cômodo, salutar e benéfico para as duas bandas.
Finalmente, registro por oportuno e com saudades, de um estadista brasileiro que faleceu no fim-de-semana passado e que muito trabalhou pela paz e o progresso entre os dois países, o pernambucano Marco Maciel. Foi um autentico artífice do Mercosul. Vide celebre frase dele na coluna a direita, em Para Reflexão>
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