sexta-feira, 31 de maio de 2019

Viajando e aprendendo

Viajar é, indiscutivelmente, a melhor maneira de revisar a forma de oxigenação da mente. De ver o mundo nas suas distintas formas, como foi construído e como se comporta. Paisagens, povos, flora, fauna e organizações sociais. Ricos e pobres. Cultos ou incultos. Um verdadeiro caleidoscópio onde o que se enxerga é sempre algo distinto do ultimo giro. Sou daqueles que não posso reclamar da sorte. Por motivos dos mais diversos, tenho girado meu caleidoscópio com certa frequência e, a cada volta, vou acumulando novos aprendizados sobre modos de viver e conviver, crenças estranhas, línguas exóticas, entre outros aspectos.
Aqui na Austrália, onde me encontro mais uma vez, observo hábitos que chamam minha atenção. Por exemplo, tem coisa mais estranha do que ver uma pessoa bem vestida, mas, descalça no meio de uma rua? Não? Pois aqui é bem comum. Ora, meu Deus, pensando melhor, que mal há em sair sem sapatos? Com ruas tão limpas, ambientes tão asseados, ninguém correndo o risco de se machucar, pisar em bosta ou caco de vidros. Aqui não! Eles fazem isto numa nice e com a maior tranquilidade. Ainda assim, fico preocupado com o cidadão descalço ter de entrar num banheiro público masculino. Duvido que ele encontre algum que esteja livre de respingos de mijo no seus domínios. Mas isto, é problema dos descalços.

Descalços, por que não? Na Austrália é assim.
Outra coisa notável por aqui é o cuidado com a ingestão de água. Sim, água! É incrível como se bebe água, por aqui. A primeira coisa que nos oferece num restaurante é uma garrafa d´água e copo para cada cliente. Faz sentido porque água é vida e precisa ser administrada com precisão. Detalhe: e é, sempre, água da torneira. Puríssima. Acho isto formidável.
Em qualquer restaurante há sempre muita água a disposição do cliente.
Garrafas e copos sempre às ordens.
Transporte público em Sydney. Eis aí outra coisa que admiro. Dá prazer usar a rede de transporte público nesta cidade. Pontualidade, conforto, lotação rigorosamente controlada, respeito e veículos limpos e seguros. Tudo que um cidadão deseja para não precisar de um veículo próprio. Ônibus, trens, metrô ou barcos fazem transporte de milhares de passageiros diariamente sem que haja registros de assaltos, apertos, estupros, acidentes, ou qualquer tipo de ocorrência nefasta. O usuário tem que dispor de um cartão magnético (Opal) recarregável em inúmeros pontos da cidade e válido para todas as modalidades de transporte. Convalida na entrada e na saída, ocasião em que pode conferir o custo do percurso que fez e o saldo disponível. Prático e eficiente. Quando vejo e uso esses meios de transporte daqui, comparo, inevitavelmente, com o que assisto, a bordo do meu próprio, seguro e climatizado automóvel, na minha cidade do Recife: coletivos apinhados de passageiros, espremidos como sardinhas enlatadas, suados e estressados a caminho do trabalho. Um horror. Indigno, até.
Opal: passaporte para deslocar em Sydney
Depois desta observação, prefiro girar meu caleidoscópio e buscar uma boa visão, como as que seguem abaixo mostrando imagens da Ópera de Sydney e de prédio da zona central, em noite de luz e som, no festival ViviD que ocorre, nesta semana por aqui.     


NOTA: São imagens em movimento e se multiplicam por toda região central de Sydney. Luz e som para encanto dos nativos e muitos visitantes. Duas colhidas no Google Imagens (descalços e Opal) e do Blogueiro

domingo, 26 de maio de 2019

No outro Lado do mundo


Opera de Sydney - Cartão Postal da Austrália
É bem comum escutarmos que a Austrália é um Brasil que deu certo. Para quem observa à distância ou passa em programa de turismo comum pode mesmo parecer verdade. Porém, de perto, como observo com relativa frequência, esta ideia pode ser bem diferente. Não é fácil fazer esta avaliação. Num primeiro instante, a sensação de um mundo luminoso, praias paradisíacas, povo descontraído, vegetação colorida e luxuriante, fauna especial, entre outros atrativos contagiam o visitante, principalmente se brasileiro. Para este, então, parece ser um mundo, digamos que, familiar. Já senti um pouco disto. Por razões particulares sou um visitante frequente deste belo país austral e sempre procuro conferir essa possível semelhança. É o que faço neste momento.
Ando em Sydney, mais uma vez e, portanto, no outro lado do planeta. Enquanto aqui é dia, na outra banda é noite. Visito familiares aqui residentes, razão da relativa frequência que falei acima.


Folha do Outono
É outono no hemisfério Sul. Perambulo pelas ruas da cidade pisando nos tapetes de folhas secas, característica da época, coisa que raramente me ocorre no Brasil. Sydney está à altura do Paralelo 33. As árvores vestem tons laranja-avermelhados dando um tom bem cartão-postal, na visão de um nordestino brasileiro. E isto poderia ser, de cara, uma diferença. Mas, não é por aí que quero chegar, até porque, o Outono é bem definido pelo sul brasileiro.
Observando mais acuradamente, fica fácil de enxergar o porquê deste sucesso australiano e o que o difere do Brasil. Falo de um país jovem, com pouco mais de 250 anos, cuja colonização britânica já chegou com o que havia de moderno à época. Depois disto, as coisas deram tão certas a partir da provável austeridade e seriedade dos governantes, além do extraordinário nível de desenvolvimento educacional do cidadão comum que se formou. Muito diferente do Brasil escravagista e de domínio de minorias que faziam questão de manter a ignorância do povo. Como tantas vezes defendi neste espaço, a Educação sempre confere progresso e desenvolvimento. É notável, por aqui, a forma de convivência desta gente. Os exemplos são vistos a toda hora e em todas as esquinas. No transito, nas prestações de serviços e nas mais simples formas de relacionamento humano. Pode haver exceções, claro. E acontece. Mas, são exceções. O respeito ao próximo e à propriedade privada chega a ser comovente para quem, como eu, vem de uma sociedade corrompida e escrachada, onde impera a desonestidade desde quem governa ao cidadão comum. Aqui, não se ouve falar em corrupção, assaltos, homicídios ou feminicídios como em Pindorama. Os pequenos comerciantes expõem suas mercadorias de modo ostensivo e fora propriamente do estabelecimento, na certeza de que o interessado vai entrar e efetuar o pagamento do produto que pretenda levar. “Desculpe”, “com licença” e “por favor” são as locuções mais comuns do dia-a-dia.
Há costumes que registro como exemplos notáveis: o cliente de supermercado ou loja comum tem sempre que pagar pela mais simples embalagem que precise para levar as mercadorias que compre. O Planeta agradece! Outro exemplo é o de uso do carrinho para coletar os produtos nas gôndolas do supermercado que, para serem usados, tem de ser mediante o depósito de uma moeda de 1 ou 2 Dólares Australianos. Com esses mesmos carrinhos as compras podem ser levadas até a porta de casa, caso o freguês esteja sem seu veículo particular. Como nem sempre o cliente está disposto a devolver o carrinho de compras ao estabelecimento comercial, carrinhos se acumulam estacionados nas ruas. E neles as moedas que foram postas para liberar num espécie de catraca em cada carrinho. Aquele que resolve levar de volta os carrinhos pode fazer uma boa coleta de Dólares Australianos. No Recife, canso de ver pedintes que roubam carrinhos para carregar seus "patrimônios". Há supermercados cujos carrinhos já são barrados de sair do estabelecimento evitando os furtos frequentes.
Carrinhos, na nossa rua, estacionados esperando um voluntário para recolher ao
estabelecimento proprietário. No Brasil cairia nas mãos de um novo "proprietário".
São pequenos detalhes que lembro agora. Com mais tempo posso anotar outros mais e registrar por aqui. 
Há razões, portanto, para o que dizem os que comparam o Brasil com a Austrália. E, ao meu ver, o X da questão está na Educação. Coisa que é sempre posta à margem na Terra de Cabral.  


NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro

sábado, 4 de maio de 2019

Resistência Nordestina


Tenho ouvido falar sobre a elaboração de um Plano de Desenvolvimento para o Nordeste que vem sendo formulado pela SUDENE. Isto me fez lembrar os bons tempos em que atuei na área de planejamento da SUDENE original. Claro que fiquei surpreso com a novidade. E soa como novidade porque essa SUDENE que aí existe, parecia, salvo melhor juízo, se dedicar, exclusivamente, da administração dos instrumentos de incentivos fiscais a investimentos privados.
Elaborar um plano de desenvolvimento regional sempre fez parte efetiva daquela antiga Agencia nos “anos dourados” da ação governamental no Nordeste. Com uma equipe especialmente formada, competente e bem articulada, planos primorosos foram aprovados e fazem parte do acervo da Instituição, se tiveram o cuidado de preservá-los. Muitos, inclusive, podem ser bem atuais. Pelo menos em parte. Participei intensamente daqueles esforços e que, confesso, foram experiências que deram consistência à minha formação profissional. Costumo dizer que sou (ou fui?) uma cria da SUDENE. Faço questão de afirmar que tenho orgulho pessoal dessa história.
Antiga sede da SUDENE, no Recife, hoje desativada.
Bom, ouvir falar dessa iniciativa de hoje induz-me imaginar na maneira como isso vem se processando. Soube de nomes, das antigas, que estão contribuindo para este plano de agora. Fico contente porque pode significar um resgate do passado. Sem que caiam naturalmente no espirito saudosista. Os tempos são outros, a conjuntura política e econômica é outra e os estados integrantes da região já são mais autônomos que dantes (como devem ser). |Estes definem seus próprios objetivos, prioridades e metas a perseguir. E sempre  dispõem de estratégias políticas particulares para viabilizá-las. É coisa, a meu ver, que põe em risco a ideia da composição regional. Enfim, estamos diante de um jogo político bem diferente do passado. E, por cima disso, um fundo financeiro mais exíguo ainda. Terá a SUDENE, de hoje, recursos orçamentários para custear mobilizações politicas, pesquisas e diagnósticos atualizados? Se já eram escassos nos idos passados, imagino agora.  Dessa forma, se os estados da região vão contribuir com o esforço, é coisa a ser conferida mais adiante. Espero que sim, porque o velho adágio de que “a união faz a força” continua válido.

Outro desafio, contudo, será principalmente ajustar este plano aos propósitos do atual Governo Federal. Onde e como essa coisa pode ocorrer?  Não ouvi falar, nem em campanha ou nos primeiros meses de Governo, a respeito de um Plano Nacional ou coisa que o valha. Ao invés disso, ouço, sim, falar em redução de gastos, remontagem da máquina pública, cortes de orçamentos, muitos sem propostos plausíveis, entre outras medidas. Tampouco ouvi falar de regionalização de custeios e investimentos como prever a Constituição. Nunca! Pensando bem, pode até ser uma coisa estranha para muitas cabeças que atuam na Esplanada dos Ministérios em Brasília. As preocupações são outras inoportunas e sem sentido adequado.

Para instigar mais ainda minhas reflexões, escutei rumores de mudança do titular da Superintendência.  Sei não... Mas, o que vem pela frente é pura interrogação.

Encerro meus comentários desejando sucesso à iniciativa e certo de que estamos diante de mais uma expressão da resistência nordestina. 

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

  

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Pernambuco das Paixões

Epaminondas Mendonça  (1897-1970)
Quando meu avô materno – Epaminondas Mendonça – reuniu a família, na Vila de Fazenda Nova (PE), inicio da passada década de 50, e decidiu realizar uma teatralização da Paixão de Cristo nas ruas e prédios simples daquela Vila, nunca imaginou que sua ideia seria um grande sucesso e modelo para muitas outras encenações que anualmente se realizam em inúmeras localidades do estado.
Todo ano, depois de quase 70 anos, o espetáculo é levado lá mesmo em Fazenda Nova - hoje no monumental teatro, denominado de Nova Jerusalém - e muitas outras paixões são montadas seguindo o modelo da Família Mendonça. Em Pernambuco a semana santa é sempre uma Semana de Paixões
Independente da qualidade da produção, esses espetáculos se repetem, como se inéditos fossem, atraindo multidões sempre emocionadas com a historia de Cristo, recontada.
Grande parte, dessas paixões, são abertas ao público. Outras são montagens mais elaboradas e custosas, cobrando ingressos. A de Fazenda Nova, que, de fato, é uma grande produção, com tons hollywoodianos, tem lá suas próprias características e seus rebatimentos econômicos. É certamente um bom exemplo da chamada economia criativa. (Se quiser saber um pouco mais sobre economia criativa, clique em: https://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/economia/2018/12/08/internas_economia,770417/economia-criativa-e-criacao-de-valor.shtml. )
Patrocínios, cobrança de ingressos, cachês de artistas e figurantes, oportunidades de negócios nas redondezas, entre outros aspectos, são fatores que fazem circular uma renda que representa, em muitos casos, sustento para famílias interioranas, no resto do ano! Pousadas, lanchonetes, bares, restaurantes, comercio de artesanatos, transporte, serviços de guia turístico, eventos culturais paralelos, entre outras atividades fazem o sustento anual daquela gente.
Interessante lembrar que tudo começou de modo muito amador e, a rigor, nem foi uma ideia original de Seu Epaminondas que, de fato, se inspirou numa reportagem da revista Fon-Fon, muito popular àquela época, (https://pt.wikipedia.org/wiki/Fon-Fon_(revista) , falando sobre o espetáculo da Paixão, que é secularmente e a cada dez anos levado na charmosa cidade de Oberamergau, na Baviera alemã.

A cena da crucificação em Oberamergau (Alemanha). É teatro fechado. Menos de 1000 espectadores.   
Acreditando no talento teatral da família, o velho empresario Epaminondas  investiu no projeto e acreditou que seria, também, uma forma de movimentar a incipiente rede de hotéis do lugar e difundir as benesses das águas termais descobertas pelo próprio pai (Nicolau Cordeiro de Mendonça), no lugarejo. Fazenda Nova é uma estância hidromineral. Detalhe: ele próprio era um dos hoteleiros. Ou seja, teve visão de futuro e investiu naquilo que sabia fazer e certo que daria retorno. Vide: https://pe-az.com.br/editorias/biografias/e/664-epaminondas-mendon%C3%A7a 

 
A cena da crucificação de Nova Jerusalém em Pernambuco (Brasil). 
A ideia de Seu Nondas (como era conhecido na intimidade) agitou a família e sob a direção de Dona Sebastiana, sua esposa, o Drama do Calvário (primeiro titulo da encenação) ganhou as ruas do povoado atraindo multidões. Os atores eram membros da própria família. Luiz Mendonça (primeiro Cristo), Nair Mendonça (primeira Virgem Maria), Diva e Paulo entre outros. Ele mesmo, Seu Nondas, chegou a interpretar Caifás, o Sumo-sacerdote judaico. A coisa cresceu de forma animadora, o público se multiplicava a cada ano, até que se tornou impraticável encenar na forma original.
Foi, então, que a partir dali Plínio Pacheco, casado com Diva Mendonça, filha caçula de Seu Nondas, teve a ideia de construir, junto com Diva, o grande teatro da Nova Jerusalém. Isto já era no final dos anos 60, inicio dos 70, mobilizando uma plêiade de artistas profissionais, arquitetos e entusiastas para construir o que se tornou o maior teatro ao ar livre do mundo. É uma obra monumental erguida com muito suor e sangue teatral. Rendo sempre minhas homenagens aos idealizadores e construtores dessa maravilha pernambucana.

Diva (Mendonça) e Plínio Pacheco, baluartes da construção do grande Teatro 
Seus idealizadores e construtores serão sempre lembrados como artífices de uma saga teatral nordestina e promotores de uma economia criativa emblemática naquela região e por onde outras Paixões de Pernambuco são levadas.

NOTA: Fotos colhidas no Google Imagens . 
           

sábado, 13 de abril de 2019

Segura, meu povo.

Depois de um verão escaldante, entramos na estação das chuvas que são bem-vindas para aliviar o sufoco do calor que sofremos nesta última temporada. Contudo, ao mesmo tempo em que se experimenta um clima mais ameno, as chuvas copiosas proporcionam agruras e muito desespero para os que vivem nas grandes cidades do país. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e aqui no Recife vêm sendo registrados grandes temporais e vendavais deixando estas, entre muitas outras cidades, em clima de polvorosa e com saldos aterradores de desabamentos, soterramentos, enchentes, feridos e mortos.
Nessas horas, as autoridades, sobretudo os prefeitos municipais, são chamadas à responsabilidade e, no geral, fazem suas defesas, com teses indefensáveis, acompanhados dos seus proselitismos políticos sem a menor cerimonia. Sem falta dos votos de profundo pesar às famílias atingidas. Sempre visando ao próximo pleito eleitoral, porque afinal nenhum deles quer perder a boquinha de um cargo de executivo.
Todo ano é assim: caem barreiras, desabam prédios, rios sobem de níveis, canais transbordam, avenidas viram cursos de água, veículos naufragam, desaparecem e morrem pessoas e, por fim, se instala o clima de perdas e tristezas. Calamidade geral. Até que o sol tropical volte a brilhar, secar e esquentar os terrenos, ajudando a esquecer das tragédias. Promessas feitas sobre escombros, lanchas e helicópteros salvadores são apagadas das memorias, na maior rapidez. A vida continua, até que os dramas sejam revividos na invernada seguinte. Ah! Nesse ínterim, uma desculpa vai logo sendo elaborada e passa obrigatoriamente pela falta de recursos financeiros.
Na verdade, recursos financeiros são escassos, mas, a rigor, não faltam. Faltam sim, compromisso e responsabilidade administrativa dos burgomestres e governadores estaduais que estão muito mais preocupados em aplicar os escassos recursos financeiros nas obras que lhe rendam os créditos de votos nas urnas eleitorais da eleição seguinte.
O Recife, por exemplo, é uma cidade cortada por rios, riachos, córregos e muitos canais. Foi erigida sobre manguezais. Administrar essa rede hidrográfica pode ser complexo. Mas, não impossível, visto que se faz necessário. Outro dia, escutei de um funcionário da Prefeitura algo estarrecedor. Disse-me ele que o transbordamento de um canal até ajuda na limpeza da cidade. Explicou que a sujeira do transbordo se espalha pelas vias públicas e o serviço de limpeza aproveita e leva as tralhas que se espalham. Ora, minha gente, se o transbordamento já se deu em face da sujeira acumulada no leito do canal, como entender essa “estratégia”?. Deve ser, assim mesmo, no Recife, no Rio de Janeiro, em São Paulo e alhures.
Pensando com uma visão mais elástica, esse problemão urbano brasileiro é um desajuste em cadeia. A população, sem educação e orientação, joga todos seus dejetos e descartáveis imagináveis nos cursos d´água, a Prefeitura não os colhe porque o dinheiro é curto e o serviço de limpeza urbana é parcial e ineficiente. As estações de bombeamentos são inoperantes! A chuva vem, inunda e está feito o estrago, antecedendo uma ainda maior que é a insalubridade. Leptospirose, hepatites, febre tifoide e dengue são algumas das enfermidades que grassam nas populações atingidas. E não tem prefeitura que segure o tranco. Pobre brasileiro.  
O rio dos Aflitos (Recife)
O temporal que caiu no Recife, ontem (12/4/19) foi o retrato dessa vergonha. Minha rua, situada num dito bairro nobre da cidade, se transformou num grande rio. Como não dispus de uma lancha ou carro anfíbio fiquei retido em casa até que o “rio” secasse. A maioria das artérias da cidade ficou submersa em poucos minutos. Até altas horas havia avenidas tomadas pelas águas.  Enquanto esperei que o “rio” da minha rua baixasse, assisti pela TV um drama semelhante que viveu o Rio de Janeiro, atingido por vendavais contínuos durante a semana e amargando um desabamento de prédios que tirou vidas e feriu varias pessoas. Pobre povo brasileiro. Pobre povo recifense que está à mercê de uma Prefeitura que vive na esteira do se manter no poder, a qualquer custo, e não cuida bem da cidade. Segura, meu Povo!
Nota: Foto da autoria do Blogueiro

sexta-feira, 5 de abril de 2019

A Muvuca do Vélez

“O que é que você acha dessa muvuca que está acontecendo no Ministério da Educação?” Esta foi a pergunta feita por uma amiga e leitora deste Blog do GB, durante um almoço desta Sexta-Feira (05.04.19). Ri muito com o expediente da amiga e respondi com outra pergunta: “e o que vem a ser uma muvuca?” Recebi dela uma resposta bem parecida com o que depois conferi no dicionário do Professor Google explicando, entre outras conceituações, que “muvuca é um grupo de pessoas fazendo bagunça, desorganizada”. Pensando bem é exatamente isto que esse colombiano/brasileiro estabanado anda fazendo no nosso Ministério da Educação, nesses três meses do Governo Bolsonaro. E, até agora, com o beneplácito dele, Bolsonaro. 
Parece brincadeira o que tem sido visto. Quatro substituições na Secretaria Executiva e dezoito exonerações em cargos chaves do importante Ministério. Dezoito cargos vagos! E pensar que Mozart Neves (pernambucano competente e expert em Educação) tenha sido “queimado” na escolha de titular da Pasta, dá grande revolta.  

Sou economista e tenho noção da importância que deve ser dada às medidas de politica econômica porque o país depende delas para  ser salvo da quebradeira geral. A Reforma da Previdência, indiscutivelmente, será a salvação inicial. Sem o sucesso dela a coisa pode ficar preta. E depois, que venha a Tributária, a Politica, seguidas das de promoção de investimentos, de privatizações e tudo quanto jogue o Brasil na rota da recuperação. Chega de crise.    
Contudo, deixar ao “Deus dará” e nas mãos de um aventureiro, um Ministério da importância como é o da Educação, tenha paciência.
Com a vitória do Bolsonaro, uma das maiores esperanças foi a de que, finalmente, a Educação teria a oportunidade de destravar e começar a render bons frutos. O governo passado deixou este setor na pior das condições, tanto em recursos financeiros, quanto em desempenho. Deixou, sim, um aparelhamento político nocivo à nação e sem que apontasse para resultados positivos e concretos, no intuito de se perpetuar no poder. Vejam os resultados negativos revelados pelas avaliações internacionais. O Brasil se nivela, atualmente, aos  mais débeis e atrasados países ou situado bem abaixo de muitos subdesenvolvidos. Uma vergonha para quem tem tantas potencialidades e tantas inteligências sobrando. Vide gráfico a seguir. Numa amostra de 65 países o Brasil se situa em 58º. lugar. Absurdo.  

É uma lástima saber que hoje a Educação Básica, de 1º. e 2º. Graus, entregues aos municípios e estados padecem, na sua esmagadora maioria, de total indigência devido à incapacidade dos gestores e a escassez de verbas. Estados e municípios na pindaíba deixam que seus futuros cidadãos cresçam ser saber multiplicar e dividir e sem condições de interpretar um simples texto. Isto ao completar o primeiro grau. Ora, meu Deus, o Brasil exige uma politica de Educação séria, apolítica e capaz de preparar o cidadão e as cidadãs do futuro. O mundo inteiro sabe que uma Nação se constrói com uma Educação forte. É a base de tudo e é o que falta aos brasileiros.
Mas, atenção, porque não é apenas nos segmentos de Educação de base e sim também na Educação Superior, a cargo do Governo Federal e gestor das Universidades Federais, hoje muito criticadas, pelos sucateamentos que amargam e por ter sido transformadas em trampolins para militantes políticos que, de fato, não buscam formação profissional e sim formação de guardiões de um socialismo barato, enganador e anacrônico. Por isso, e não é à toa, que proliferam Universidades e escolas privadas, sem condições de funcionamento e servindo muitas vezes de lavagem do dinheiro sujo dos seus idealizadores. Formando, inclusive,  profissionais ineptos.                 
Revoltado, encerro minha conversa semanal lamentando que tenhamos um Ministro incapaz e, de certa forma, irresponsável, por não enxergar a importância e a real missão da sua Pasta, afligindo as pessoas de sadias consciências que abunda em Pindorama. Aliás, será que ele já ouviu falar em Pindorama?
Socorro Capitão! Abra os olhos e dissolva essa muvuca – minha leitora estava certa – que reina da Esplanada dos Ministérios.

NOTA: Ilustração colhida no Google Imagens.

sábado, 30 de março de 2019

Pra onde vamos?

Todo mundo sabe que quando a economia vai bem, qualquer governo vai junto. Medidas político-econômicas bem traçadas e devidamente aplicadas levam a que o país cresça e, nessa esteira, a população, as famílias, sintam-se seguras e em bem-estar. E, na prática, disso depende a sustentabilidade de um Governo. É fácil? Sim, dependendo do país. Não, não é fácil quando se trata de um país estruturalmente desigual e cheio de problemas endêmicos, como é o caso do Brasil. Dilma caiu, sobretudo, pelo desandar da economia. Fora as relações de corrupção que compactuou, é claro.  Na história recente os erros foram inomináveis: medidas mal desenhadas e mal negociadas, como manda uma democracia de verdade, ideologias equivocadas e administradores incapazes e corruptos levaram o país ao caos em que ainda nos encontramos. 
A recente eleição presidencial levou ao poder uma força diametralmente oposta ao que prevaleceu nos treze anos anteriores e, mais uma vez, mostra que a alternância do poder é importante e salutar para sustentação de uma Democracia. Mas, estarão os atuais dirigentes preparados para operar a mudança que prometeram e que já é devida à Nação? Eis aí, uma formidável e dolorosa interrogação. 
A maioria votou no Bolsonaro alimentando as esperanças de detonar o socialismo obsoleto – chamado de Socialismo do século 21 – banir os políticos corruptos e ladrões das cadeiras de comando do Planalto e, obviamente, ingressar num período de bonança e desenvolvimento econômico. A melhor tradução da esperança dos brasileiros, quando foram às urnas em 28 de outubro passado, pode ter sido a de conseguir um emprego. O irresponsável governo passado cometeu a façanha de deixar 13 milhões de cidadãos e cidadãs na rua da amargura. Trata-se de uma marca de desemprego inédita, num país de tantas potencialidades e de tantas promessas. E agora, pra onde vamos? Este é o X da questão que Bolsonaro e sua equipe terá que descobrir. Mesmo sabendo que o desmantelo deixado - a herança maldita - é incomensurável. Mas isto não interessa ao eleitor. Este espera solução urgente.
Bom, as medidas econômicas, propriamente ditas, propostas pelo Governo Bolsonaro, além de óbvias, não são necessariamente as anunciadas no seu palanque de campanha e as suas favoritas. A prioridade dele sempre foi, e tem sido, acabar com a corrução estruturada cinicamente na politica e o combate ao risco de implantação de uma ditadura totalitarista, como vem ocorrendo na Venezuela. Reforma da Previdência não era! É sim, agora. E Paulo Guedes (Ministro da Economia) é que assumiu o papel de patrono do projeto, sabedor que é do buraco que tem adiante. Bom lembrar que esta demanda é coisa velha e desde os anos 80 já se falava da falência do atual sistema. Foi "empurrada com a barriga"  pelos antecessores por ser uma medida impopular e politicamente inconveniente para os objetivos que perseguiam. Mas, agora, chegamos ao limite. Sem ela o país vai quebrar. Lembremos do caso da Grécia e de alguns estados brasileiros. FHC, Lula, Dilma e Temer estavam cientes, mas nunca tiveram coragem ou responsabilidade de encarar a situação. Ou seja, ossos do oficio que eles por conveniências políticas preferiram não roer. Mas, chega uma hora que não dá mais para segurar. E quando o responsável maior é obrigado a enfrentar a situação, vai ter que roer.  É isto que ocorre atualmente. Bolsonaro, com suas "feras", vai ter que roer direitinho e sem se entalar. É o  sucesso do seu governo que está em jogo. Exige muita negociação. Exige competência politica. Exige, por fim, espirito democrático.

A outra bandeira do Governo, que é a do Pacote Anticrime, vai ter que ser, igualmente,  bem negociado. O que não falta é político maquinando formas de boicotar o projeto do Ministro Moro. Todos têm "rabo preso", minha gente! Está na hora de provar, mais uma vez, sua competência, Caro Ministro. Boa sorte! Estamos torcendo. 
Enquanto isto, o povo continua desempregado, a economia se segura numa gangorra e os investidores esperam resultados positivos que não pintam no horizonte. Pra onde vamos?  

NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens 




A História se Repete

Há histórias que atravessam os séculos sem perder a capacidade de nos fazer pensar. Ali Babá e os Quarenta Ladrões é uma delas. Lembro-me co...