quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Uma semana desastrada

Os dias recentes não foram fáceis. Foi uma semana pesadona. Aliás, os dias recentes e os muitos antecedentes. Assistir aos noticiários da TV, do rádio, ler os impressos ou acessar qualquer outro veículo de comunicação tem sido um verdadeiro exercício de estresse ou resignação diante das tragédias que rolam aqui, ali e acolá. Ideal mesmo seria seguir o conselho dado, na TV, pelo Presidente da John Deere do Brasil, Paulo Herrmann, em recente evento no Rio G. do Sul: “pare de assistir a TV, radio e ler os jornais e passe a acreditar mais no que você pode fazer. Este país que é mostrado nesses veículos de comunicação não nos pertence. Unamo-nos para retomar os destinos deste país de futuro”. Admiro essa ideia, mas, tenho imensa dificuldade de me desligar do Brasil que rola perto de mim e é estampado sem piedade na mídia. A John Deere é líder mundial na produção de máquinas e equipamentos agrícolas, com importante unidade no Brasil.
Enquanto não consigo adotar a sugestão do empresário, vou levando e fazendo meus comentários nas postagens semanais. Como estava dizendo, a semana passada foi uma sucessão de tragédias, desacordos  diplomáticos e convulsões politicas para deixar qualquer ser racional e de são juízo em estado de alerta, para não dizer de pânico. Imagine que até o fim do mundo foi anunciado! Como acompanhar essas coisas de forma passiva? Comigo não funciona. Sinto temores. Por que não? Sou humano, tenho sistema nervoso atuante, sangue nas veias, coração “remendado” e disposto, além de mente aguçada. Afinal, penso. Então estou vivo.
Como dormir tranquilo sabendo que dois proeminentes mandatários, com atitudes de loucos, trocam insultos ofensivos, ameaçam a paz e o equilíbrio universal? Como ficar alheio às noticias de que aquele norte-coreano segue lançando mísseis experimentais de longo alcance e efeitos destruidores?  Estamos longe deles, mas, uma decisão açodada nos jogará numa hecatombe universal.
Ao mesmo tempo, a Natureza em espasmos atabalhoados resolve soprar ventanias mais fortes que as de costume e, de modo furioso, varre países, cidades e seres humanos da face da Terra, deixando saldos dolorosos, castigando povos já sofridas em face das suas pobres e renitentes condições de vida. Esses furacões de setembro – Irma e Maria – na parte tropical do Hemisfério Norte assustam e comovem, enquanto enchem de pautas a mídia internacional. As imagens são chocantes. Também, com os modernos e rápidos meios de comunicação essas cenas são transmitidas ao vivo e a cores deixando o mundo em estado de perplexidade.
Pobres e arrasados por capricho da natureza
Como se não bastassem as varreduras de Irma e Maria, a Mãe Terra, parecendo tremer de medo destas duas “senhoras” agitadas, resolve fazer uma “reforma de piso”, reajustando suas placas tectônicas, no lado Ocidental da América do Norte, provocando um transtorno sem tamanho preciso em dois pontos do território mexicano.  Ora, meu Deus! Por que tudo isso de uma só vez? Atento a todas essas movimentações acima do Equador, confesso que não tive muita paz de espírito, nesse tempo tumultuado.
Prédios inteiros desabados 
Tenho vários amigos no México e não sosseguei enquanto não obtive noticias de cada um. Alguns sofreram abalos físicos e emocionais inesquecíveis. Agora são vidas marcadas pela tragédia. Vidas amigas que, por sorte, salvas em meio a esse desmantelo coletivo. As imagens que chegaram até nós e no restante do mundo foram e ainda são aterradoras. No balanço provisório sabe-se que vidas foram soterradas, famílias inteiras apagadas, com seus projetos e ilusões, sumiram em meio a poeira levantada das crateras abertas, prédios, casas e grandes edifícios desmoronados. Dói muito saber que vidas inocentes desapareceram para sempre como as daquela escola onde quase trinta crianças morreram sob os escombros.
Vidas, patrimônios perdidos no meio escombros e muita poeira.
Mas, aqui em Casa as coisas não foram nada fáceis, também. Fora a guerra suja que se trava ininterruptamente em torno do Palácio do Planalto, tivemos o deflagrar de uma “guerrinha civil” na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, que rola até hoje e causa preocupações infinitas, visto que pode contaminar inúmeras outras praças do país, nas quais o crime, o tráfico de drogas, roubos, assaltos e latrocínios grassam sem limites. É, minha gente, a insegurança se espalha rapidamente e já é quase endêmica em muitas das grandes e médias cidades brasileiras. Os governos locais e o Federal se mostram impotentes para impor a ordem. As forças policiais estão desmoralizadas e eivadas de corruptos nas suas fileiras e as forças armadas – convocadas para operações extraordinárias – são desafiadas pelos bandidos armados até os dentes e muitas vezes melhor equipados. É uma luta desigual e preocupante.
Guerra Civil travada na Rocinha
Será esse o Brasil que o empresário, citado no inicio do post, falou não ser nosso? Sei não! Continuo achando que é nosso e que somos responsáveis por não sabermos escolher nossos governantes.
Vou finalizar desejando que venham semanas de paz nos céus e na Terra.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A Encrenca da RENCA

Estou cansado de falar sobre políticos e politiqueiros. Acredito que ninguém agüenta mais. Aliás, pensando bem, é por isso que o povo desistiu de ir às ruas, bater panelas e protestar. Aparentemente, desligaram de vez. Acho que perderam as esperanças (esqueceram que é a “ultima que morre”?) diante de tantas barbaridades cometidas por esses irresponsáveis que comandam o país. A salvação ainda é que a economia dá sinais de recuperação. Lenta! Tem muita gente batendo cuia. Chega!
Então, mudando de assunto, embora focando em mais um imbróglio da política desastrada e duvidosa, do Governo, volto a comentar sobre a questão da extinção da Reserva Nacional do Cobre e Associados - RENCA, sobre o que falei recentemente. E voltei porque cheguei à constatar que este caso exige mais cuidado do que se vem tendo. Recente reportagem na TV, com imagens feitas naquela região, esmiuçou de modo flagrante o que de fato existe naquele pedaço relativamente esquecido do Brasil, mostrando a exploração predatória e ilegal que são levadas a efeito por lá. São clareiras imensas abertas no meio da floresta devastada. É impressionante como se garimpa ouro e outros metais nobres sem que as autoridades tomem o devido conhecimento e apliquem as medidas legais. Os indígenas da região, que aparentemente reclamam da medida, parecem usufruir dos frutos da Terra e se mancomunam com os exploradores clandestinos. Pudera! As autoridades (in)competentes são míopes para o que ocorre por lá e por isso a esbornia corre solta. Tudo parecendo ser uma terra de ninguém. Leitor radicado naquela região falou-me em off que, das pistas clandestinas de pouso, que são muitas, decolam jatos carregando levas pesadas de ouro diretamente para países da Europa (a Bélgica foi um dos país citados) sem que o Estado Brasileiro tome conhecimento. Não tenho provas disso, claro. Nem o Governo tem, imagine eu!
Na verdade, acredito que a tão defendida e “protegida” Floresta Amazônica encerra, além de  um imenso patrimônio florestal (pulmão do planeta climaticamente saturado), uma incomensurável riqueza de recursos minerais. Sabe-se de modo atabalhoado que naquele subsolo há fantásticas ocorrências de minérios com alto valor de mercado, incluindo minerais fósseis, ouro, cobre, prata, entre muitos outros menos conhecidos no Brasil, mas de grande valor para a produção industrial tecnologicamente avançada nos países do chamado Primeiro Mundo.
Fiquei sabendo que um dos produtos minerais mais demandados na atualidade são os denominados de Terras Raras, também conhecidas como Novo Ouro. Quer ver uma coisa? Nunca ouvi falar de latânio, cério, neodímio, európio, túlio, lutécio e samário. Pouca gente viu. Aqui no Brasil são denominações restritas aos cientistas que atuam na área de exploração mineral. Segundo minhas investigações, todos nós, pobres mortais, dependemos desses materiais no dia-a-dia. São materiais  indispensáveis na moderna tecnologia, para produção de motores elétricos, turbinas eólicas, superimãs, telefones e televisores inteligentes, computadores, tabletes, lâmpadas LED, mísseis e muitos outros produtos. 
Imagem de Terras Raras colhida no Google Imagens
A China é a detentora das maiores reservas de Terras Raras. Tem o monopólio mundial e é responsável por 95% da produção, seguida dos Estados Unidos e Austrália. O Brasil sequer figura na lista da produção mundial, embora se saiba, desde os anos 40 do século passado, das ocorrências verificadas no estado de Minas Gerais. Coisa pouca quando comparada com a China. Contudo, já se fala que há importantes reservas na Amazônia. Mistério! É aí onde reside a dúvida dessas manobras tidas como espúrias. Preserva-se a RENCA ou entrega-se à exploração mineral?
Tem coisa mais complexa do que essa? Eu sou partidário da defesa do meio ambiente. No entanto, ao mesmo tempo, vejo de forma inevitável que se explorem as riquezas minerais de alto valor com vistas ao desenvolvimento nacional. Dilema danado.O desafio pode ser combinar as duas coisas: preservar a floresta e explorar os minérios. E isso é possível com tecnologias subterrâneas. 
Explorando um pouco o assunto, dei de cara com uma declaração interessante  de um especialista em estudos do tema, Breno Augusto Santos (in: Estudos Avançados 16(45), 2002)quando falando sobre a riqueza mineral da Amazônia, disse uma verdade: “Os recursos minerais da Amazônia somente poderão dar maior contribuição ao desenvolvimento nacional – e regional – quando o processo de industrialização do país permitir a elaboração de produtos finais com elevado grau de tecnologia agregada. Só assim será possível uma melhor remuneração para os produtos de origem mineral, que tenham maior competitividade nos mutantes mercados atuais, num mundo onde há enorme diferença entre exportar potato chips ou micro chips”.
Agora, se houver estrangeiro cobiçando terras raras na área da RENCA ou no resto da Amazônia, teremos um bom motivo para protestar e brigar pela soberania brasileira. Isso sim, será um bom motivo para irmos às ruas, bater panelas e tudo mais.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Salvemos a Amazônia

Dois assuntos dominaram a mídia, nesta semana (28 a 31/08/17). Os dois caíram na boca do povo, sem trégua e sem explicações plausíveis: a liberação da RENCA – Reserva Nacional do Cobre e Associados, na fronteira do Pará com o Amapá e a derrubada de uma palmeira imperial no Pátio do Carmo, no Recife. A primeira com repercussão negativa no mundo inteiro e a segunda restringindo-se ao ambiente doméstico recifense. Dois crimezinhos banais desta vidinha ingrata do cotidiano brasileiro. É uma pena que bem pouco dos nossos cidadãos estejam informados o suficiente sobre o tema. A grande maioria não tem alcance intelectual para tanto. Coisas de Brasil.
Ora, meu Deus, num mundo às voltas com as questões ambientais e preocupado com a preservação da nossa morada universal, isto é no mínimo um desatino. Melhor observando, nessas horas quando o apelo de “Preserve o Planeta Terra”, propalado por entidades mundiais  – como o Rotary Internacional – são ignorados e, até mesmo, levados ao ridículo, resta a tristeza e a vergonha em face da comunidade internacional.
Contudo, é importante registrar que as coisas não ficaram de tudo por isso mesmo, como só e geralmente acontece. No caso da RENCA o estouro de protestos foi detonado em milhares de pontos do planeta. Eu mesmo recebi mensagens – cobrando posição de repulsa aqui no Blog – de alguns amigos estrangeiros, na mesma hora em que a noticia de espalhou. Leitores do Chile, Equador, Estados Unidos, Portugal e Argentina, manifestaram revoltas e estão a espera deste post.
Liberar à exploração predatória – e todas são – de uma área correspondente a extensão da Dinamarca é falta de visão governamental responsável e de compromisso com os brasileiros e com a comunidade internacional. A Amazônia é um patrimônio inigualável para a preservação da natureza do planeta. Vem sendo devastada sem pena e sem ordem, há décadas. O Agronegócio impera e destrói a floresta. É do Brasil a maior parte dessa riqueza natural. É o pulmão da Terra! Diante da irresponsabilidade brazuca, não é à toa que, vez por outra, renasce a tese daqueles que pleiteiam transformá-la numa região internacionalizada. E é por isso também que  tem muitos estrangeiros, entidades e pessoas físicas, trabalhando em pesquisas, por lá. Imagino os interesses e o olhão naquela riqueza.  É temerosa essa ameaça! Além disso, com a visão politicamente deteriorada do nosso país, em crise econômica profunda, a velha fama de país pobre e sem recursos públicos para investir, corre-se o risco dessa derrota. Deus nos mande alguém de visão, instruído e líder para salvar o Brasil e o Planeta.
Eis o mapa do crime
Haverá certamente os que vão defender a liberação da área amazônica e deixar que haja exploração mineral precedida da extinção da floresta secular, bem como os que vão explicar de modo inconvincente a derrubada da palmeira imperial no centro do Recife.
O caso da palmeira imperial recifense foi absurdo e criminoso. Derrubar uma palmeira viçosa e sadia para melhor posicionar o caminhão trio-elétrico que serviu de palanque político para o ex-presidente Lula, na sua campanha antecipada é abominável (não encontro outro adjetivo mais adequado). Esse “candidato” desgastado e politicamente morto não tem direito de qualquer coisa mais e, muito menos, concordar com um crime ambiental, que o seu partido tanto defende. Haja cinismo. Além de corrupto condenado é, agora, por razão explicita de um crime ambiental. 
A palmeira viçosa e sadia (observe o tronco sadio) derrubada e o palanque petista
A palmeira recifense já era. No seu lugar tem um cimentado grosseiro. Merecia uma placa/lápide para registrar o histórico e cruel fato. Está lançada a ideia. Entrou para a história da bandidagem PTista.
Já quanto à liberação da RENCA, o assunto vem rolando e expondo negativamente o Governo desgastado e recorrente em decisões impopulares de Michel Temer. Para dar uma satisfação aos protestantes, nosso mandatário revogou o Decreto original e editou um novo prometendo vigilância e formas racionais de uso da área. Pura ilusão! O principio foi mantido. Discurso para enganar os tolos. Mas, como iludir a sociedade se a Reserva é clara quanto a sua riqueza geológica, isto é, Cobre? Vão explorar o cobre, sim. Quem viver verá.
Até onde vamos com esse tipo de crime? Salvemos Amazônia! É urgente e fundamental. Deixemos um mundo melhor para nossos descendentes. Compartilhem essa ideia. Seja também responsável. 

NOTA: fotos obtidas no Google Imagens.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Inteligências Perdidas


São muitos os prejuízos decorrentes da atual crise na qual o Brasil está mergulhado. Inútil enumerá-los porque são bem sabidos e vivenciados por todos. Todos, mesmo. Um desses prejuízos, contudo, tem sido relativamente pouco visualizado. Refiro-me à desilusão que atinge os jovens integrantes da força de trabalho que chega ao mercado, a cada ano. O crescimento vegetativo da população vem crescendo, segundo o IBGE, a uma media anual de 1,24%. É uma taxa significativa e, obviamente, o crescimento da população entre 18 e 30 anos não para aumentar. Enquanto isto, as oportunidades de engajamento no mercado de trabalho estão escassas ou quase nulas, em certos segmentos. Um desespero para quem investiu duramente numa formação profissional e cai nesse ambiente hostil, no qual se fala mais de desligamentos do que de admissões.
Resultado disso tudo é que os que fazem parte dessa parcela da sociedade estão sendo empurrados para um limbo (entendo que se trata de um lugar marginal, sem luz e sem futuro certo), no dizer do cientista Ricardo Henriques (Economista do Instituto Unibanco) em entrevista ao jornal Valor Econômico de 16.08.17. Nesse limbo perambulam tateando em busca de uma solução de sobrevivência e organização do futuro. É, portanto, uma geração prejudicada cuja perspectiva é de um tempo de dificuldades ilimitadas.
Sem soluções econômicas imediatas, esses jovens em desespero, se lançam quando bem “sucedidos” em atividades informais,  geralmente muito diferente da formação acadêmica  que tiveram e sem as garantias que a formalidade lhe assegura. Alguns vencem. Outros se perdem no meio do caminho. Serão brasileiros frustrados nos seus projetos de vida e integrantes do já grande contingente de cidadãos revoltados com a instabilidade do país. 
Ela estudou muito, mas, caiu no mercado informal.
Há também os que fogem para outros países, onde esperam iniciar uma vida mais digna e produtiva. Naturalmente que essas fugas não são nada fáceis haja vistas para aqueles que escolhem, por exemplo, os Estados Unidos – que exerce um poder de atração fantástico – e se lançam em aventuras arriscadas, inclusive a da entrada clandestina, via México, pelas mãos dos chamados coyotes. Muitos perdem a vida na travessia.
Outra parcela desses jovens, aqueles com melhores condições econômicas, se aventuram de forma honesta, dão adeus ao Brasil e se organizam noutros países onde passam a viver com mais tranqüilidade, segurança e dignidade, ainda que na maioria dos casos sem exercer a profissão para a qual se preparou. São jovens inteligentes, com capacidade de por mãos à obra e que poderiam empreender no país de origem, mas, não encontram ambiente propício. As políticas de promoção do empreendedorismo na sua grande maioria não passam de retórica. E quando dão sinais de viabilidade, esbarram nas dificuldades do famigerado Custo Brasil. Faltam financiamentos, subsídios, juros civilizados, carga fiscal digna e bem aplicada, capacitações  específicas, segurança jurídica, infra-estrutura, entre outros itens. Falta quase tudo! Nem a vontade resta! Isso sem esquecer que a cultura da corrupção reinante se constitui num pano de fundo desta onda de desilusão.
Tenho tido oportunidade de ver muitos jovens arrumando as malas e se despedindo para sempre. Jovens com formações superiores e revoltadas por ter que partir para construir uma nova vida, abandonando família, amigos e a boa vida de Pindorama.
Dois países se destacam como destinos mais procurados: Austrália e Canadá. Este faz com alguma freqüência promoção de boa vida e empregos abundantes, aqui no Brasil. Aqui no Recife, inclusive. São levas de brasileiros por lá. Conheço alguns.
Já na Austrália, por onde ando vez por outra, encontro muitos jovens brasileiros trabalhando em bares, restaurantes, parques, entre outros locais, felizes por estarem distantes desses imbróglios político-sociais brasileiros, da insegurança, dos baixos salários, do desrespeito ao trabalhador e das inúmeras outras desvantagens corriqueiras no dia-a-dia por aqui. Jovens advogados, administradores e engenheiros brasileiros preferem servir em restaurantes e bares australianos, sendo bem pagos por hora, do que receber salários miseráveis no mercado brasileiro. 

Esta semana, por exemplo, fiquei pasmo com a definição, pela OAB, do piso salarial de um advogado aqui no Brasil, que é de R$ 2,0 mil. É quanto se paga a um desses jovens, quando empregado numa banca bem estruturada. Isto se quiser! Caso contrário, vá bater noutra porta ou mude de ofício. Ou então vai ser garçom em Sydney, Melbourne ou Perth.
A grande maioria vai e não deseja voltar. Vão ficando, se radicando e pronto! Quanta inteligência perdida. Quanta insensatez desses nossos governantes.

NOTA: Ilustrações obtidas no Google Imagens.
  

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Sociedade Esquecida


Não dá pra ficar calado! O país assiste a crise aprofundando, cada dia mais. O povo sofrendo sem perspectiva e de modo inerte: sem emprego, sem esperança e assistindo a distancia o desmando da Corte, em Brasília. O que é isso gente? Estamos indo em que sentido? Pra onde? Até quando essa situação vai perdurar? Cadê as manifestações públicas? E as panelas?
Faltam recursos para saúde, educação, investimentos governamentais, a insegurança é generalizada, corrupção idem e, surpreendentemente, uma abismal indiferença da Nação. E quando falo de Nação, veja bem, excluo Estado e Governo! Que fique bem claro. Nação é povo e nosso povo está anestesiado, parece que hibernando a espera de um milagre caído do céu.  Até este blogueiro perde o estimulo, cansado de protestar. De todo modo, como “quem cala, consente”, vamos falar. Mesmo que tendo a consciência de ser uma voz tênue e pouco ouvida. Mas, é minha forma de participar. É de participação que este país precisa.  
Três coisas absurdas fizeram a festa da mídia, nestes últimos dias: a criação do Fundo de Financiamento para a Democracia – FFD, singelo na denominação e indecente no objetivo, visto que se destinado a financiar as campanhas políticas milionárias de sempre e com dotação inicial projetada com uma bagatela de R$ 3,6 Bilhões. Indiscutivelmente, vamos e venhamos, é uma verdadeira piada de mau gosto. Só pode! Fiquemos atentos para ver se a Câmara dos Deputados terá o desplante de aprovar essa estupidez. O outro absurdo é a revisão da meta do déficit da União, visto que a antes prevista é inviável. Tente interpretar essa coisa e veja a insensatez. É isso ou então, Temer vai ter que “pedalar” como D. Dilma. Finalmente, o terceiro absurdo é uma meia-sola de reforma política, que estão cometendo para enganar os tolos adormecidos.  
Cidadão sem futuro garantido
Francamente, penso que esses nossos representantes em Brasília perderam de vez a noção de limites e de vergonha. Há muito eles já vêm dando sinais disto, mas, a cada dia e cada hora  extrapolam. Estão apurando a capacidade de zombar da cara dos representados. Seguramente são adeptos do principio do “quanto pior, melhor”. Uma coisa é certa: vivem noutro mundo que não o nosso.
Ora, com R$ 3,6 Bilhões – fora fundo partidário e propaganda obrigatória na TV – muito poderia ser feito em beneficio social. Investimentos em Saúde, Educação, moradia popular, segurança, entre outros itens que me ocorre lembrar e que mitigariam o sofrimento endêmico da população de baixa renda, abandonada à míngua.
Uma gente esquecida
Já a tal meia-sola de reforma política servirá, sobretudo, para assegurar a reeleição dos atuais legisladores. Só não vê quem é cego ou alienado.
Por fim, a revisão do Déficit da União vai, tão somente, aumentar o rombo das contas públicas e empurrar pra frente a duração da crise. Melhor seria cortar os gastos com os vergonhosos supérfluos que pesam na máquina pública e cumprir os limites antes estabelecidos. Por que não cortar nos salários indiretos, cartões de crédito corporativos, viagens inúteis, embaixadas dispendiosas em lugares remotos e sem qualquer interesse político-econômico (fruto dos irresponsáveis que recentemente governaram por 12 anos), entre outros inúmeros itens já conhecidos e amplamente divulgados?
Sem dúvidas, somos uma sociedade esquecida e conformada. Precisamos acordar e sanear essa corte brasiliense. E a vez disto será em 2018. Fique atento, caro(a) leitor(a).
Enquanto isto não passa, tente aproveitar seu fim-de-semana! É uma coisa ainda possível, para alguns.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Chorando por Ti

Dois assuntos rondam na minha cabeça para formular este post semanal: Brasil de Temer e Venezuela de Maduro. Duas coisas complexas de analisar e motivo de perturbação na America Latina. Contudo, tento   por parte. 
Dentro de casa, vimos mais uma vez o desenrolar do velho jogo de fazer política. Fraco politicamente, com alta rejeição popular, apenas 5% de convencimento nas pesquisas de opinião pública, o Presidente Michel Temer usou e abusou do poder de comprar votos nas bancadas e deputados da Câmara Federal com vistas a se livrar de uma condenação da Procuradoria da República por improbidade, lavagem de dinheiro e o escambau. Trabalhou em duas frentes: no atacado e no varejo. Nenhuma novidade. Do mesmo modo como D. Dilma. O mesmo velho jogo. Ela, porém, não soube “abrir a torneira o suficiente” como o seu sucessor. Mais matreiro, Temer foi bem mais “generoso” e terminou bem sucedido. Foi absolvido por maioria dos votos dos deputados. Vitória apertada, mas conseguiu. Resta saber se da cadeira do Palácio do Planalto ele terá o mesmo sucesso para aprovar os próximos projetos de reformas. Precisamos delas, isto é uma verdade. Difícil, contudo, é prever o que sucederá com este patrono tão desprestigiado e mestre na condução do modelo da velha política do toma-lá-dá-cá.
Por outro lado, não podemos negar que graças à equipe competente que ele reuniu, sobretudo na Fazenda Nacional, com o Henrique Meireles, as coisas no campo econômico dão sinais de recuperação. A duras penas e alto custo, claro e apesar desse aumento de preços extemporâneo dos combustíveis que vai gerar repercussão negativa logo mais. A desculpa de que a inflação está baixa não cola muito.  
Se o Procurador Janot não expedir nova denuncia, antes de deixar o cargo em setembro, o Temer segue em frente. Caso contrário, vamos dar mais um passo em marcha à ré.
Estou louco que este ano acabe logo. Sem duvida, um ano perdido. Tenho medo deste Agosto corrente, lembrando fatos registrados no passado. O Brasil precisa desencalhar e navegar em mares mais tranqüilos. Pobre Brasil. Choro por ti.
Temer e sua dor de cabeça
Agora, vamos ao caso da Venezuela: não percebo sinais de paz e dignidade para aqueles irmãos mais ao norte. Esse tal de Maduro vai jogar um país rico e de futuro garantidamente próspero no mais profundo precipício socioeconômico. Uma futura recuperação – que inexoravelmente virá –  irá exigir sacrifícios a, pelo menos, três gerações. Nicolás (i)Maturo pratica, também, uma velha e carcomida política antiga e comprovadamente ultrapassada. Esse comunismo à La Cubana é um modelo falido e sem qualquer futuro. Os cubanos mesmo já sabem disto.
Estive por duas vezes na Venezuela: A primeira foi como consultor (cedido pela SUDENE), por dois meses em Barquisimeto (estado de Lara), dando contribuições técnicas à Fundación del Desarollo Económico Del Centrooccidente de Venezuela – FUDECO, em 1986, para implantação de um sistema de indicadores sociais à luz da experiência aqui no Nordeste do Brasil.
Pela segunda vez, já em 2000, visitei Caracas como integrante de uma Missão Empresarial de Pernambuco, organizada pela Federação das Indústrias do estado e a convite de Hugo Chávez, logo no inicio do seu mandato.
Foram duas oportunidades e dois quadros políticos distintos. No primeiro percebi um desgaste muito grande do Governo Central, à época, praticando um modelo político impopular, com governadores estaduais biônicos e uma economia centrada na exploração e venda do petróleo. A indústria enfraquecida e quase todos os bens de consumo duráveis ou não, assim como os serviços, sendo importados.
Nesse clima de insatisfação aparece a figura do Hugo Chávez tentando um golpe de estado, mal sucedido, em 1992, para derrubar o governo de Carlos Andrés Pérez, deposto em 1993, por improbidade e corrupção e sucedido por Rafael Caldera, que anistiou Chávez, após haver cumprido dois anos de prisão.
Em liberdade, Chávez, que era militar, deu baixa da farda e se dedicou com afinco à política. Eleito Presidente, em 1999, chegou garantindo tirar a Venezuela da pobreza após um período de 40 anos governado por uma aliança entre os partidos políticos de direita e decidido a inaugurar uma Era mais nacionalista e contra os imperialistas, sobretudo os norte-americanos.  Populista por convicção promoveu, logo de inicio, impactantes ações com vistas a eliminar a pobreza dos venezuelanos. O país vivia uma severa disparidade de renda. Criou um ambiente favorável ao seu proselitismo político. Mas, seu belo e inflamado discurso populista teria se transformado em realidade se no seu governo não houvesse exagero na campanha antiimperialista, não desapropriasse inúmeras companhias estrangeiras, nem desse sinais de querer se perpetuar no poder, na infeliz idéia do bolivarianismo, logo cedo interpretado como de aspirações Ditatoriais. A Venezuela que foi entregue ao Hugo Chávez era sabida como sendo o país mais rico das Américas, membro da OPEP e pleno de potencialidades. Hoje está mergulhado na mais profunda pobreza, sem investidores locais ou estrangeiros e com um povo mais pobre do que antes e sofrendo todo tipo de fome e barbárie. 
Criador e criatura
Acometido de um câncer, em 2013, antes de completar 60 anos, Chávez ainda conseguiu deixar como sucessor o Senhor Nicolás Maduro, ferrenho chavista. Nada maduro no oficio de gestor político e que neste momento tenta dar o golpe fatal para se firmar  como Ditador, em pleno século 21 e num país de imensas potencialidades. Pobre Venezuela. Llorando por ti, también, Venezuela.    

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens  

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Que país é esse?


Tenho algumas razões para não admirar, muito menos comemorar, essa condenação à prisão  do ex-Presidente Lula, devido ao julgamento do Juiz Sérgio Moro, de Curitiba, no âmbito da Operação Lava-Jato. Meu lamento é, sobretudo, relacionado à figura que ele representou, ou ainda representa de ex-mandatário da República e não, necessariamente, devido ao cidadão Luiz Inácio Lula da Silva. É difícil separar as duas coisas, mas, é preciso!
Como Presidente ele cumpriu um papel de destaque e se projetou internacionalmente defendendo o nome do Brasil, embora muitas das controvérsias que criou. A lástima é que não soube ser correto enquanto cidadão e perdeu a chance de ouro de entrar na História de modo limpo, ao não saber lidar com o decoro que o Poder lhe conferiu e não titubeando ao se entregar às loas e armadilhas  montadas por corruptores contumazes que sempre existiram nesta e em muitas outras frágeis repúblicas, particularmente nas latino-americanas . Perdeu a cabeça e se entregou de corpo e alma à bandidagem, de forma compulsiva. Portanto, entendo que não foi nenhum inocente! Agora, a verdade é que não se trata de uma coisa comum ver um ex- presidente, todo poderoso da Nação e que posou de mensageiro da esperança para um povo sofrido, ser condenado à prisão por tão escusas razões.

Lula versus Moro
Acredita-se e deve ser verdade que muitos dos seus antecessores, ao longo da História da República, se locupletaram desde a cadeira presidencial. Disso ninguém duvida.  Mas, o Brasil mudou! Os tempos são outros e hoje as regras são outras. Os mecanismos disponíveis de controle e julgamento dos representantes do povo são mais eficientes e, sobretudo, transparentes. Uma Republica institucionalmente mais consolidada e na incessante busca do politicamente correto. Recordo que quando o ex-Presidente Collor foi impedido de continuar à frente da Presidência da República tivemos o primeiro grande sinal desses novos tempos. Naquela ocasião, dava-se por certo que, prá frente não teríamos novas decepções. Mas, não. O pior estava por vir. E veio! A História está registrando e não é à toa que temos hoje um ex-presidente condenado à prisão, sua sucessora e cria política sendo acusada de desmandos político-administrativos, enxotada, aliás, do poder e, pior, um terceiro, em pleno exercício do cargo presidencial, denunciado pelo Procurador Geral da República por vários atos ilícitos, tais como corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Trata-se de um cenário plúmbeo e extremamente nefasto para um país da dimensão política e econômica do Brasil.
Ora, este não é o país que vislumbrei nos meus projetos de cidadão, na juventude.  Jamais passaria pela minha mente qualquer episódio do tipo que estamos assistindo nessa recente passagem da História da nossa República.
Habituado a viver, com alguma frequência, exposto a sociedades de além fronteiras e recordar a forma respeitosa e entusiasmada com as quais os estrangeiros dispensam ao Brasil, à nossa gente e nossa cultura, vejo-me em profundo pesar e indignação em face das repercussões internacionais negativas geradas por essas autoridades de plantão, no Planalto Central. Constato facilmente que estamos num patamar de total desgoverno e irresponsabilidade generalizada, nivelado a países em estado indefinido politicamente e com profundas diferenças étnicas e sócio-econômicas. No Brasil de agora, cata-se um líder de realce enquanto probo, republicano e consciente das necessidades do brasileiro, para assumir o comando da Nação e é o mesmo que procurar uma agulha num palheiro. Nessas horas faço coro com Renato Russo e pergunto: que país é esse?

NOTA: Foto obtida no Google Imagens
    
 

A História se Repete

Há histórias que atravessam os séculos sem perder a capacidade de nos fazer pensar. Ali Babá e os Quarenta Ladrões é uma delas. Lembro-me co...