sábado, 26 de abril de 2014

Ravel à Cabocla

Há coisas com as quais não me convenço facilmente. Uma dessas, recentemente, é o fato de que João Pessoa, capital da Paraíba, esteja incluída entre as cidades mais violentas do mundo. Logo do mundo... Se pelo menos fosse do Brasil, eu até ponderaria. No recente feriadão fui conferir essa coisa, in loco.
Para quem mora no Recife é uma vantagem ir àquela cidade. Pouco mais de 100 km, por uma BR 101 em bom estado, e eis que se chega à cidade mais oriental da América do Sul, lugar onde o Sol nasce primeiro. Hospedado num hotel à beira mar, fiquei de olho atento ao movimento da cidade.  Só vi muita tranquilidade... Trânsito fluido, povo hospitaleiro, praia do Cabo Branco com mar sereno, nem ondas para agitar um pouco. Turistas por todo lado. Muitos pernambucanos se deliciando com a placidez da cidade e eu lá, buscando ver sinais de violência e nada! Nem no centro da cidade! Mesmo num sábado movimentado, na zona mais antiga da cidade e pelas imediações da Estação Rodoviária, não vi qualquer vestígio de violência. Pelo contrário, vi famílias, com muitas crianças altas horas passeando no calçadão da praia, fazendo seresta e bebericando na areia, sem medo de assaltantes ou outro qualquer tipo de malfeitor. Cheguei a conversar com alguns e indagar sobre a violência local. As respostas foram taxativas: “isto aqui é um paraíso. A cidade inteira é calma! Aqui se vive tranquilo”. Tudo coincidindo com a minha ideia. Cabe então, questionar: qual a base tomada pela ONU? A metodologia declarada se ateve nos registros de ocorrências policiais.  Fiquei desconfiado. Vai que, em João Pessoa, os registros são honestos e termina por penalizar a cidade. Há pessoas ou comunidades das grandes cidades que, de tanto sofrerem, com a violência banalizada, sequer vão à busca de auxilio policial para registrar os crimes cometidos. Minha secretária doméstica cansa de afirmar que, por onde ela vive, bairro de favelas do Recife, mata-se, rouba-se e estupra-se  com a maior “tranquilidade” e tudo fica por isso mesmo. Deve ser isto. Sub-registro das ocorrências. Só pode.  Rio e São Paulo com tantos queima- ônibus, assaltos, balas perdidas e atrocidades similares não estarem elencados na lista negra é no mínimo estranho.
Mas, João Pessoa além de tranquila, aos meus olhos, oferece ao visitante algumas atrações bem interessantes:  o Cabo Branco e a Ponta do Seixas são locais de um tour obrigatório. A mata atlântica do entorno do Cabo, a visão do mar, as praias e parques enchem a vista do turista.
Por outro lado, ouço sempre falar sobre um famoso pôr de sol às margens do rio Paraíba, na praia fluvial do Jacaré, entre João Pessoa e Cabedelo. Fui conferir, também. Lá um cidadão de nome Jurandir toca num saxofone afinado, todo santo dia e na hora que o sol se recolhe, o Bolero de Ravel. Quando o dia vai caindo, para dar lugar ao manto escuro da noite, ele aparece do nada, navegando numa canoa quase tosca e tasca o famoso Bolero. O cara arrepia. É bonito. 

Por conta disso, uma dezena de bares e restaurantes se instalou naquele exato ponto do rio, nos quais uma multidão (no dia em que estive lá calculei cerca de 10 mil pessoas) se posiciona para assistir a performance do artista. Ele consegue criar um clima romântico para os enamorados, nostálgico para os solitários, ameno para a criançada, curioso para outros e pitoresco em termos turísticos. É surpreendente o silencio que se faz quando ele toca. Ao final, uma verdadeira ovação.
Conversei com o Jurandir (vide foto acima) que me contou a origem daquele movimento. Tem mais de quinze anos. “Fui convidado, numa tarde, por Dona Eleonora, uma Senhora da alta sociedade da cidade, para tocar o Bolero, lá no restaurante dela. Ela estava com uma porção de amigos que vieram ver o por do sol e todo mundo era louco por essa musica. Tem um filme muito famoso que essa musica é tocada. E esse pessoal gostava de ver o por do sol escutando a musica que eu tocava. Repeti isso várias vezes para ela.” Segundo Jurandir, quando D. Eleonora resolveu fechar o restaurante (as instalações estão abandonadas – Vide foto a seguir) e ele, de gostar tanto da experiência, assumiu um compromisso pessoal de tocar todo dia. Nasceu daí um dos mais interessantes cases de economia criativa que vi ultimamente. 

Por conta de Jurandir, seu saxofone e o Bolero de Ravel formou-se naquela comunidade ribeirinha uma base econômica sustentável, dinâmica e conforme a cultura local. Na beira do rio, além dos bares e restaurantes, surgiram lojinhas de artesanato, pousadas, lanchas e barcaças para passeios no rio, catamarãs, entre outros pequenos negócios. “Antes nós só fazia pescar pra comer. Hoje a coisa é diferente... tem de tudo pra nós fazer.” Foi o que ouvi do barqueiro que me conduziu num passeio pelo rio. Parabenizei Jurandir, um cara simples, afável, sem vaidade e disponível a todo cidadão que se aproxime para uma conversa. Grande figura.
Jurandir, seu saxofone e o Bolero de Ravel, à moda cabocla, são, hoje, a maior atração turística de João Pessoa. Vale ver. Tenha mais uma ideia com a foto a seguir.

NOTAS: Fotos da autoria do Blogueiro e de JPAllain

quinta-feira, 17 de abril de 2014

A Violência do Tráfico

É muito interessante como um assunto de ontem sugere um novo para hoje. Ao preparar a postagem da semana passada, quando comentei o resultado de uma pesquisa sobre violência no mundo, mapeada pela ONU, esbarrei num outro assunto, dentro da mesma temática, embora que mais específico. Refiro-me à questão do tráfico de pessoas. Durante a semana, pensei tanto nos números que encontrei, entre as publicações do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), que o assunto se tornou o tema desta semana, aqui no Blog.

Descobri, por exemplo, que traficar pessoas é a maior fonte de renda no contexto do tráfico internacional. Supera os tráficos de drogas e armas. Surpreendente. Estimativas do UNODC e da OIT (Organização Internacional do Trabalho) dão conta de que 32 bilhões de Dólares são transacionados a cada ano, no mundo, somente nas atividades de compra e venda de seres humanos. É muito dinheiro perdido nas mãos de criminosos. Os motivos são os mais variados e perversos, passando pelo da exploração sexual – o mais popular – até os do trabalho escravo, venda de órgãos para transplantes, adoções ilegais e crianças frutos de partos clandestinos. Uma miséria sem fim.
E o Brasil está lá, bem presente, na corrente do tráfico, tanto doméstico, quanto internacional. Meninas e garotos entre 14 e 25 anos de idade são aliciados nos grotões da Amazônia e confins do Nordeste e levados para estados, grandes metrópoles do sul e sudeste, além de muitas do exterior, iludidos e pensando em realizar o sonho de uma vida melhor. As intenções são sempre de fugir da promiscuidade da vida em família, da falta de um lugar decente para morar, da pobreza sem fim, da falta de educação e saúde, da baixa remuneração – quando trabalham – e, em muitos casos, por conta das humilhações geradas pela prostituição precoce.  No novo mundo que passam a habitar, terminam num regime de escravidão, entregues ao comércio do corpo e das drogas, presos aos contratos draconianos  e, sobretudo, impagáveis dos traficantes.
O Instituto Europeu para Controle e Prevenção do Crime (não encontrei site desse Instituto! Talvez por desconhecer a denominação original. Mas, citado pelo Wikipédia) garante que cerca de 500 mil pessoas são traficadas para o continente europeu, por ano, oriundas de países pobres das Américas, Ásia e África. Quando o destino é mercado do sexo, 98% são mulheres. A Zona Vermelha de Amsterdam, com suas famosas vitrines, é o retrato fiel desse quadro. Segundo o mesmo Instituto, as pessoas traficadas entram fácil nos países europeus, com visto de turista e debaixo das “asas”de agenciamentos de modelos, babás, garçom ou garçonete ou bailarina.
Recordo que conversei, certa ocasião, numa Feira Industrial, em Dusseldorf, com uma pernambucana vítima do tráfico, vivendo na Alemanha. Num rasgo de sorte, coisa do destino, encontrou um cidadão de “boa vontade” que resolveu livrá-la da chamada “vida fácil” – sempre muito difícil – e levá-la para casa, como companheira.  Livre das artimanhas do traficante, graças à alguma negociação, pois ela supõe que foi “comprada”, passou a viver com mais conforto e mais segurança. Com algum tempo, porém, as coisas se complicaram, ela percebeu que não passava de uma escrava empregada doméstica, sem remuneração e, paulatinamente, era tratada de modo ríspido, brutal e muitas vezes com agressões físicas. Fugiu para uma cidade maior, procurou fazer biscates, faxinas, passou fome, dormiu em abrigos, juntou alguns euros e, quando conversou comigo, queria comprar um forno elétrico da marca Brasinox, produzido em Pernambuco, para montar uma pequena lanchonete ambulante, vendendo empadas e coxinhas de galinha. Por isso que digo que teve sorte. Indaguei se não voltaria ao Brasil. A resposta foi taxativa: “Não. Lá não terei do que viver. Não existe oportunidade para uma mulher como eu. Minha família é muito pobre. Fugi da pobreza! Passei muita fome. Aqui também passei fome, mas é muito mais fácil ser pobre na Alemanha!  Tenho saudade. Voltarei quando tiver mais dinheiro e condições de ajudar minha família”.
Em boa hora a Campanha da Fraternidade de 2014, da Igreja Católica do Brasil, tem como tema central o Combate ao Tráfico Humano. Com razão porque o Brasil é um país muito focado pelos traficantes, ao oferecer as facilidades da sua dimensão continental, da situação sócio-político-econômica  desfavorável e as inúmeras vias de saída do país.
O evento do Campeonato Mundial de Futebol, dentro de dois meses, é outro fator facilitador. Merecem aplausos o Serviço Social da Indústria (SESI) e a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) que acabam de lançar uma intensa campanha contra o abuso sexual durante a Copa. O abuso  sexual é uma senha de entrada na corrente do tráfico. Salvemos nossos brasileiros e brasileiras incautos.


NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

domingo, 13 de abril de 2014

Violência Mapeada

A violência é endêmica em muitas regiões do mundo. E o Brasil entra de modo lamentável nesse doloroso mapa-múndi, num grupo que inclui México, Nigéria e Congo.   Um levantamento feito pela Organização das Nações Unidas, através do seu Escritório Sobre Drogas e Crime (UNODC), e publicado nesta semana que termina, trouxe uma informação dolorosa: 11 das 30 cidades mais violentas do mundo estão no Brasil.
Além de lamentável, algumas curiosas surpresas são trazidas pela referida Pesquisa. Por exemplo: a primeira coisa que se imagina é que as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo deviam vir na dianteira da lista. Mas, não. Sequer estão entre as trinta. Como pode? Diante da maciça divulgação pela mídia, diariamente e ao vivo e a cores, outra coisa não se pode imaginar. Ao contrario disso, cidades menores e, provavelmente com pouca cobertura do grande jornalismo, como Maceió, João Pessoa e Fortaleza, aparecem entre as dez mais. Uma surpresa, das grandes, para um simples mortal quem nem eu. Mais surpreendido quando – por felicidade, aliás – não vejo entre as listadas, nesse mapa da violência, a minha cidade do Recife, que já foi no passado recente uma das mais violentas do país. Parece que o Programa Pacto pela Vida, do atual Governo local, vem surtindo efeitos positivos.
Sinceramente, fico perplexo imaginando o nível de violência que vem ocorrendo nessas cidades listadas, principalmente nas menores. Pensando que alimento meus temores em andar à vontade no Recife e se, a cada dia, me assusto com as atrocidades que a imprensa e a TV nos mostra, na grande maioria ocorrida no Rio de Janeiro ou em São Paulo, minha surpresa é compreensível. Cá entre nós, fico temeroso de fazer visitas à Maceió – a mais violenta do Brasil – João Pessoa e Fortaleza. Não tenho como não me surpreender. Afinal são cidades para as quais sempre fui sem temor e de peito aberto.
Segundo a ONU, 437 Mil pessoas foram assassinadas no Mundo, em 2012. Quase meio milhão de vidas tiradas, em atos violentos intencionais. Mata-se mais do que nos conflitos armados em qualquer lugar. 36% dessas mortes ocorreram nas Américas, sobretudo Central e do Sul. A pequena Honduras é a “campeã” da lista, com duas cidades mais violentas do Mundo: San Pedro Sula e a Capital Tegucigalpa. Naquele país, ocorrem 90,4 homicídios intencionais entre cada 100 Mil habitantes. A Venezuela vem em seguida com uma taxa de 53,7 por 100 Mil e El Salvador, com 41,2. A taxa verificada no Brasil foi de 25 homicídios para cada 100 Mil Habitantes. São taxas endêmicas para o padrão mundial, que tolera no máximo 20.
Das 30 cidades que encabeçam a lista da violência no mundo, quase todas estão nas Américas. A única exceção é a Cidade do Cabo (20º lugar em violência) na África do Sul. Duas são norte-americanas: Detroit e Nova Orleans. Agora, para tristeza nossa, 11 são brasileiras. O restante é de cidades latino-americanas. Além das brasileiras já citadas, ainda estão, entre as 30 mais violentas: Natal (12ª), Salvador (13ª), Vitoria (14ª), São Luiz (15ª), Belém (23ª), Campina Grande (25ª), Goiânia (28ª) e Cuiabá (29ª). E muita coisa, minha gente.

Por curiosidade, fui examinar a outra ponta e descobri que nos principados de Mônaco e Liechtenstein, as taxas observadas foram de zero homicídios em 2012. Na mesma ponta destacam-se Cingapura, com 0,2 por 100.000 e o Japão com 0,3. O Iraque, vejam só, emergindo de um conflito armado sangrento apresentou uma taxa de assassinatos de 8% por 100 mil habitantes. Não é uma surpresa? Para mim, pelo menos, é. As taxas encontradas na Europa e Oceania foram, respectivamente, de 5% e 0,3%.
Esses dados alarmantes chegam com muita oportunidade neste tempo de eleições no Brasil. Tomara que nossos candidatos, seja qual for o nível de disputa, estejam atentos e com as informações às mãos na hora de compor seus planos de governo. E que o eleitorado tome conhecimento, aliás, consciência desta situação para cobrar de modo enfático e responsável nos debates e nas urnas.
Precisamos lutar por um país mais decente e livre das violentas atrocidades registradas nos últimos tempos, acabando, por exemplo, com a impunidade, que tem sido um dos maiores incentivos à pratica de crimes. Segundo o mesmo escritório da ONU, apenas 24 de cada 100 homicídios recebem sentença condenatória! Nessa mesma esteira de atitudes, precisamos dar um basta aos cartéis da droga, que imperam nas periferias urbanas brasileiras e sustentam as ações do crime organizado. Ah! Combater de modo severo e decidido com a violência contra as mulheres e o tráfico de pessoas... E, naturalmente, educar essa gente, para que possam conquistar um mundo adequadamente civilizado. Tristemente conclamo: Acorda Brasil!

NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens

  

sábado, 5 de abril de 2014

Pobre Astrogildo

Há poucos dias encontrei um amigo que, alguns anos atrás, comemorava os lucros que estava auferindo pelo investimento que fez em ações da Petrobrás. Usou dinheiro que tinha no FGTS. Petista de carteirinha, além de elogiar o aumento exponencial dos lucros registrados a seu favor, teceu loas ao Governo e, àquela época, ao Lula. Confesso que senti uma pontinha de inveja do cara. Quem não gosta de ganhar um dinheirinho, sem fazer força?
Nesse recente encontro com Astrogildo Buarque (nome fictício) a conversa foi bem diferente. Tive pena do meu amigo. O cidadão estava desencantado com a queda vertiginosa das ações da Petrobrás. Sem entender, ou sem querer entender muito bem, como essa coisa podia acontecer. Danado da vida com as trapalhadas do Governo e furioso com Dona Dilma. Perder, sem mais nem menos, uma nota preta. Não sei quanto, mas, acho que não se tratava de tão preta assim... embora que para ele representasse  um senhor “pé de meia”.  Como sou Economista e ex-Professor de Economia Brasileira, ele foi chegando e, de cara, pedindo minha opinião sobre a situação, sobre o mercado de ações e em particular sobre as perspectivas dos papéis da Petrobrás. Pense na dificuldade que tive de emitir essa opinião. Nessas horas tenho o maior cuidado de não baixar mais ainda o ânimo do sujeito, principalmente de pessoa que prezo e que se encontra em estresse. Explicar ao meu amigo, de modo sucinto e o mais didático possível, o funcionamento do mercado de ações e concluir dizendo que é um investimento de risco, por vezes alto risco, deu trabalho. Não que ele não soubesse de tudo. Até que sabia. Mas, quando o cara percebe seu dinheiro ir pra um buraco... fica mais difícil assimilar.
Assim como Astrogildo, que já perdeu muito e, sequer, tem o quanto investiu, muitos são os que arriscaram em ações da Petrobrás e que estão perplexos diante da desvalorização dos papéis da Empresa.
Tenho acompanhado os debates de especialistas sobre o caso Petrobrás e, sinceramente, lamento o que vem acontecendo. Como pode uma empresa desse porte, solidez  e importância internacional cair em tantos desatinos? Como pode uma equipe técnica de alto nível deixar acontecer tantos desmandos? Propinas, investimentos indevidos e mal fundamentados, como o caso da Refinaria de Pasadena, no Texas (USA), US$ 1,18 Bilhão pelo ralo, e projetos mal formulados, como o da Refinaria Abreu e Lima, aqui em Pernambuco, cujo investimento foi subdimensionado, tendo demandado, até agora, quase 10 vezes o valor total projetado que era de US$ 2,3 Bilhões – sem falar no blefe do tresloucado Hugo Chávez – e hoje se revela como escandaloso e lançado na vala dos desmandos da Empresa. Que horror. Essa é uma Petrobrás que os brasileiros não conheciam. Sempre me orgulhei de falar dessa empresa nas minhas andanças pelo exterior. Junto com a Embraer representava o que de mais eficiente e promissor do Brasil Moderno e aspirante a uma vaga no Clube do Primeiro Mundo. Esses recentes episódios, contudo, a mancham de modo surpreendente e indefensáveis. Observem, caros leitores, quantos erros esse Governo vem cometendo, capazes de matar nossa “galinha dos ovos de ouro”.   
É voz geral, para quem acompanha o caso, no que eu concordo, que a nossa Petrobrás vem sendo usada de forma espúria e sem pudor, a favor dos interesses políticos mais absurdos que se tem noticia na história econômica recente deste país. Nunca devia ter sido o instrumento de política para controle da inflação, que no final das contas tem claro caráter eleitoreiro. Ao controlar demasiadamente e por longo período os preços dos combustíveis a empresa vem enfrentando perdas expressivas na sua receita operacional. E pior, na sua programação de investimentos. O remédio tem sido contrair empréstimos e ficar altamente endividada. Mais do que isso, nossa petroleira tem tido necessidade de importar gasolina e óleo diesel para atender a demanda crescente nos postos de serviço, decorrente, inclusive, da própria política de incentivo à industria automobilística, reduzindo o IPI dos veículos, o que contribuiu para o aumento da frota e, automaticamente, para o consumo. Fala-se que o volume importado subiu quase cinco vezes (470%) de 2010 para 2013. E com esse Dólar Americano sendo apreciado frequentemente face ao Real, “a vaca vai direto pro brejo”. Difícil mesmo vai ser quem tiver de corrigir esses preços. E nem a produção do Pré-Sal tem salvo a situação.
Mas, não fica por aí. A Empresa tem sido também o vetor principal de um dispositivo de política de desenvolvimento industrial complicado ao exigir conteúdo local mínimo aos seus fornecedores, particularmente no segmento da Indústria Naval, hoje retomada no país. Isso tem sido difícil. Não existem empresas brasileiras que possam cumprir as exigências determinadas pela política desse Governo. Resultado é que fica difícil concorrer com os players internacionais e as construtoras de navios têm que rebolar, para oferecer um produto dentro dos conformes exigidos pela Petrobrás.
E todo dia surgem novas denuncias.
Voltando ao caso do meu amigo Astrogildo, meu conselho foi que esperasse alguns anos, cinco ou seis, para que tivesse suas ações revalorizadas, porque a Petrobrás é uma empresa sólida, bem estruturada – não será uma administração desastrada que vai acabar com ela – para ele voltar a sorrir. Ele acreditou, na Petrobrás e fez certo. Mas, ao acreditar neste Governo, caiu numa esparrela. Pobre Astrogildo.

NOTA: Ilustrações obtidas no Google Imagens.
 

sábado, 29 de março de 2014

Tá Chegando a Hora

A Copa do Mundo está chegando. Faltam poucos dias, menos de 90, para inicio do certame. Com a proximidade cresce também o estresse de quem esteja diretamente envolvido com a organização e execução do Campeonato. As atenções do mundo do futebol e os que por este se interessam estão voltadas para o Brasil. O país está diante de uma prova de fogo, para a qual, acredito pessoalmente, não estava preparado o suficiente para levar a cabo e a contento.
Nesses últimos dias tenho acompanhado as notícias que são amplamente divulgadas dentro do Brasil e no exterior. Há duas semanas, um jornal francês fez duras criticas à organização, às obras de engenharia e infraestrutura, às dificuldades e trapalhadas do Governo Brasileiro, à mobilidade das grandes cidades brasileiras, especialmente as que sediarão jogos, à falta de segurança, aos aeroportos, aos preços aviltados de hotéis e restaurantes  e, de modo expressivo, chamou a atenção para as manifestações contrárias que poderão ocorrer, a exemplo das que aconteceram por ocasião da Copa das Confederações, no ano passado. Entre as noticias, no ambiente doméstico, destaco duas apenas para melhor ilustrar a situação: a primeira dando contas do atraso das obras da Arena Itaquerão, em São Paulo, para qual está programado o jogo de abertura da Competição.  A segunda veio de Porto Alegre, onde o estádio local não foi concluído por motivos burocráticos banais, com o Prefeito da capital gaúcha ameaçando tirar a cidade da programação. Ora, se o estádio do primeiro jogo não for entregue a tempo e a sede de Porto Alegre for retirada, um tremendo problema será criado para a FIFA e o Governo Brasileiro. Aposto que vão terminar a “toque de caixa” e... E!...
Nesse ambiente de incertezas, e como um amplo pano de fundo, crescem a cada dia as denúncias de superfaturamento das obras das arenas da Copa, nos vários pontos do país, o que vem servindo de aditivo oposicionista para engrossar o caldo da efervescente campanha política para as eleições presidencial e de governadores estaduais, em outubro vindouro. Que coincidência inoportuna, meu Deus. Resultado: ninguém faz mais nada em Pindorama, este ano. A Presidente da Republica já decretou que não vai fazer discurso na abertura da Copa. Não quer correr o risco de levar uma tremenda vaia. Que com certeza levaria. E, agora, que a popularidade dela está em queda.
As cidades em que estádios foram remodelados, ou substituídos (Salvador, Brasília, Rio e Fortaleza, por exemplo) a questão de acesso não causa muito problema. Nas cidades cujas arenas são novas a situação se complica. A do Recife é uma delas. Chegar até lá é coisa complicada. Fui ao primeiro jogo da Copa das Confederações, ano passado, e até hoje me arrependo. Usei o modal do Metro, pensando que a estação mais próxima fosse próxima mesmo. Puro engano. Tive que aturar um transfer de ônibus superlotado, desconfortável e, por cima disso, caminhar por pelo menos meio quilômetro. Faz favor. Quero ver estrangeiro tolerar uma dessas.
Só sei é que todas as cidades sedes dos jogos passam por dificuldades de mobilidade e isso vai  impor aos torcedores visitantes situações não programadas.
É lamentável que o Brasil perca essa chance de ouro para mostrar, de forma competente, sua capacidade de movimentar o setor turismo. Onde ocorre uma competição dessas, geralmente, os bons resultados vêm pouco tempo depois. O torcedor que veio durante o Mundial e saiu satisfeito, retorna e trás outros. Na África do Sul, por exemplo, escutei depoimentos assim.  Vamos ver o que ocorrerá no Brasil.
Agora, tem algumas coisas que não podem passar despercebidas pelos brasileiros: as iniciativas privadas, pouco visíveis, que estão sendo tocadas de norte a sul. São, digamos, “providências imbatíveis!”. Não pela qualidade, o que seria desejado, mas, sobretudo, pelas características de cada uma delas. Exemplos concretos: a turma do tráfico de drogas está se mobilizando para não faltar nenhum produto na praça. No Rio de Janeiro esperam faturar em dobro ou mais do que isso. As casas noturnas do Rio e São Paulo – e certamente noutras praças – estão maquilando suas instalações e colocando as “meninas” para estudar inglês intensivo, arrumar o material e entrar em prontidão. Imagino a ouriçassão. Nesses locais, segundo dizem, já prepararam tabelas em Dólar e Euro e, pasmem, mandaram trazer garotas com “mestrado” no atendimento a cavalheiros, em praças da Europa para dar dicas infalíveis.
É ou não é competência? Afinal, para esses empresários, está na hora de mostrar o produto brasileiro mais vendido no exterior: mulher. (Vide acima propaganda de Fortaleza, na Europa). E misturado ao ambiente do futebol é como o diabo gosta. Aí, sim, a fama do país do futebol, carnaval e sexo fácil vai cristalizar no mercado mundial. E, se o Brasil ganhar, saia de baixo. Aconselho ri, para não chorar.
Só espero ver no que vai restar dessa zoadeira. E, tá chegando a hora.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

domingo, 23 de março de 2014

Fazendo turismo no Recife

Acontece com muita frequência que somos estimulados a fazer turismo pelo mundo afora e preterimos as atrações do nosso próprio país ou local onde vivemos. Conheci muitos cariocas que nunca estiveram no Corcovado ou no Pão de Açúcar. A impressão que dá é que como está tudo ali pertinho nunca faltará oportunidade de dar uma chegadinha até lá. Difícil é a oportunidade surgir. Essa coisa sempre me chamou a atenção. A primeira vez que subi ao Pão de Açúcar carreguei comigo primos que, embora vivendo no Rio de Janeiro, nunca haviam estado lá.
Mas, não preciso ir muito longe. Vivo no Recife e muitas vezes não aproveito as atrações turísticas locais e as do estado de Pernambuco. Nunca estive na famosa Praia dos Carneiros, por exemplo. Ou em Serrambi. Conheço, sim, Porto de Galinhas, estive há muitos anos em Fernando de Noronha e fico por aí. Que coisa engraçada. No entanto vivo, com alguma frequência, pelo meio do mundo explorando o que há de belo e atrativo turisticamente falando.
Disposto a me corrigir, andei fazendo algumas coisas bem comuns para os que visitam Pernambuco.
Comecei fazendo um passeio de catamarã pelos rios Capibaribe e Beberibe. Sempre ouvi dizer que era muito interessante e todo mundo que vem ao Recife se interessa pelo programa. Escolhi o Catamarã Veneza, pelas referencias que tive a respeito do percurso e da guia que faz a locução a respeito do cenário. Num fim de uma tarde de sábado, então, aboletei-me no barco e lá fui com outros turistas ver o desfilar da minha cidade do Recife, num outro ângulo de visão. Mais do que isso, tratei de apreciar com um olhar de turista, tentando ver como quem vê pela primeira vez. À medida que a guia explicava cada ponto, cada ponte e cada prédio, descobri outra cidade, embora sendo a mesma na qual nasci, cresci e envelheço. Tudo numa nova perspectiva e num novo descobrir. O Catamarã, em si, não é nenhum Bateau Mouche parisiense. É verdade. Mas, é valido em tudo e por tudo. Falo da ideia, da iniciativa óbvia para uma cidade com a natureza do Recife e com o intuito de dinamizar o turismo local. Entusiasmado com aquilo, ainda a bordo do dito Catamarã, fiquei me perguntando sobre o porquê de não haver, aqui mesmo no Capibaribe do Recife, barcos de maior envergadura, com restaurantes e atividades dançantes noturnas, como em tantas outras cidades do mundo. Em  Petrolina tive a oportunidade de desfrutar de belíssimo passeio pelo rio São Francisco, num catamarã com restaurante, bar, muita musica e dança. Inesquecível, o espumante do Vale e a carne de cordeiro ou bodinho assada e servidas naquele barco. Mais ainda, um belo banho de rio num banco de areia, rio acima. Lembro também de Manaus e Belém cidades nas quais  encontrei atrações desse tipo, nos rios que formam a bacia amazônica e banham aquelas cidades. Fora outros locais do próprio Brasil, que não me ocorre lembrar agora.



A verdade é que o passeio de catamarã, pelo Capibaribe, vale à pena e está ali ao nosso alcance. Vejo nisso o embrião de um movimento turístico-aquático mais intenso e mais cheio de atrativos tanto para o visitante, quanto para os nativos da dita Veneza Brasileira. Imagino que num catamarã restaurante, por exemplo, muita gente iria comemorar datas aniversarias e passagens marcantes nas suas vidas num ambiente aprazível, animado e próprio da cidade. Esse tipo de embarcação, além de segura, é apropriado para navegar em rios pouco profundos e bacias marítimas como as que existem pelos arredores do Recife. Fala-se muito, ultimamente, no aproveitamento do Capibaribe para transporte coletivo da população. O rio vai ser dragado e aproveitado, estações de embarque e desembarque estão sendo construídas e já falam nos barcos que serão adquiridos. Vejo aí a possibilidade de surgirem iniciativas empresariais que venham dar mais colorido e movimento ao turismo do Recife. Vamos aguardar.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

Prezada amiga Liliana Falângola, obrigado pela recepção no Veneza e sua competente locução como guia daquele passeio pelo Capibaribe. Parabéns porque você conhece a história do Recife. Qualquer dia voltarei.

sábado, 15 de março de 2014

Recife, 477 Anos

O Recife comemora esta semana 477 anos de fundação. São quase cinco séculos de história e muita tradição. Berço de muitas inteligências, luminares das artes e das ciências e palco de muitas lutas democráticas, na construção da Nação Brasileira. Recife das pontes e canais, dos rios Capibaribe e Beberibe, Veneza Brasileira. Cantada em versos, prosas e canções. Capital do Frevo e do Maracatu, querida e sempre encantando os nativos e os visitantes. Nem preciso declarar muito o amor pela minha cidade, basta levantar a vista e contemplar a foto que trago sempre no Blog.
No passado recente andei muito triste com o estado de abandono que foi dado à minha cidade. Expressei várias vezes neste espaço semanal.   Hoje me regozijo porque a cidade está sendo melhor administrada, ficando mais limpa e se arrumando cada dia mais. A atual Prefeitura (Geraldo Julio -PSB) fez uma faxina em regra da sujeira deixada pela PTrálea. Muitas vezes tive vergonha e me abstive de mostrar a cidade a algum visitante, sobretudo a região central. Só o fiz quando não foi possível negar. A propósito desse meu desencanto conjuntural  e se for do seu interesse, leia também:   http://gbrazileiro.blogspot.com.br/2009/06/recife-uma-cidade-abandonada.html . Agora, já se pode circular numa cidade melhor cuidada e mais apresentável. Novos espaços mais humanizados e limpos estão sendo entregue à população. A revalorização do histórico bairro do Recife Antigo, que deve ser sempre um cartão de visitas, começa a ser mostrado. Um grande boulevard se projeta por ali, com a transformação da Avenida Rio Branco, livre do transito de veículos e reurbanizada. Espero ver o resgate da bela Rua do Bom Jesus, na mesma área, depredada na gestão da patuleia petista. Temos, pois, melhores razões para festejar este aniversário.
Outra coisa elogiável da atual Prefeitura é o cuidado que está tento em rever toda a pavimentação das principais artérias da cidade, coisa somente lembrada pelas administrações petistas quando se aproximava uma eleição, enganando os tolos. E, quando muito, tapavam os buracos com o asfalto sonrisal, ou seja, aquele que se dissolvia na primeira chuva que viesse. Alguns dizem que, o que se faz agora, pode ter a ver com a Copa do Mundo. Tudo bem e justo. Observe-se, poreeeém, a qualidade do asfalto aplicado.
Mas, certamente, o que está sendo feito ainda é pouco, diante de problemas cruciais noutras áreas. Até agora, só falei praticamente de “maquiagens”.  O Município carece de soluções para outros domínios, entre os quais: Educação, Saúde Pública e Segurança. Nesses três pontos, a situação se inverte e tudo se complica. A herança é maldita, mesmo em se tratando de problemas de ordem nacional. Mas, podemos mudar à medida que comecemos “em casa”.  Mitigar esses problemas é desafio dos mais complexos, para um executivo de qualquer nível de governo.
E, quando falo de começar em casa, me ocorre fazer uma observação sobre a sujeira que o recifense descarta nas vias publicas. É impressionante como nossa gente joga lixos pela cidade. Sistematicamente vejo motoristas e passageiros atirando copos plásticos, sacos vazios de pipocas ou garrafas plásticas, folhetos de propaganda, pelas janelas dos ônibus, taxis e veículos particulares. É impressionante. Por maior que seja o batalhão de garis, a situação é incontrolável. Outro absurdo é como os donos de cachorros de estimação deixam as fezes dos seus pets espalhados pelas ruas. Nas proximidades de onde moro há ruas lastimáveis. Certa ocasião dei de cara, na minha rua, com uma Senhora passeando seu cãozinho, bonitinho, bem tratado, inclusive com sapatinhos! Vejam só que cuidado! Elogiei a beleza do animal, enquanto ele fazia um maneiro cocôzinho. “É meu filhinho querido” disse-me a dondoca, toda vaidosa. Prontamente respondi: “ E por que a Senhora não ensina seu filhinho a fazer suas necessidades fisiológicas em casa? Pense quando ele crescer... E por que a Senhora, agora, não apanha a merda do seu filhinho e leva para casa, põe na privada e dá descarga?” Ela saiu apressada, arretada comigo, e com cara de to-nem-aí . Deixou a obra do cãozinho no mesmo local. É assim... Se todo mundo fizesse do modo como eu fiz, a coisa quem sabe poderia mudar, um dia. Quem vive pelo mundo, observa a limpeza das cidades civilizadas. Na Cidade do Panamá, encontrei recentemente algo inesperado praqueles lados: pequenos estandes  para coletar as fezes de cães que venham a defecar em parques e praças públicas. Quem sai para passear seu cãozinho leva um saco plástico onde acumula os dejetos  e deposita ali E isso é obdecido religiosamente, segundo me disseram. O mesmo vi, há pouco tempo, numa ida à Praga (Republica Tcheca). Vide fotos a seguir. Resultado: cidades limpas e saudáveis. Taí uma ideia para nossa Municipalidade.
 
Pois é, caros leitores, o fato é que o recifense em geral é mal educado. Não tem Prefeitura eficiente que dê conta, enquanto for assim. É preciso uma campanha intensa para civilizar essa gente. Quem não se recorda do Sugismundo? Aquilo tem que ser retomado! A exemplo da atual campanha da praia limpa. É uma questão de saúde pública. Lixo, fezes e urina de cães nas vias públicas são nocivos à saúde coletiva.
Parabéns Recife, pelos seus 477 anos!           

NOTA: As fotos panorâmicas do Recife foram obtidas no Google Imagens. As demais - no Panamá e na Cidade de Praga - são da autoria do Blogueiro, especialmente para publicar no Blog.
 

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