sábado, 29 de junho de 2013

A Expectativa do Porvir

Ao concluir a postagem da semana passada, afirmei que o Brasil havia mudado e não era o mesmo da semana anterior. De fato, a Nação assumiu seu direito de, em alto e bom tom, ditar o que desejava para o futuro. Claro que abominei a ação dos perturbadores da ordem, que se infiltraram na sociedade apartidária manifestante e bem intencionada. Esses, porém, estão tendo o devido tratamento.
Em meio ao inesperado clima instalado, entramos na semana que finda assistindo a uma sucessão de mensagens e ideias governamentais desencontradas e, em boa parte, equivocadas revelando não haver a necessária sincronia entre os próprios membros do executivo, do PT e da base aliada. Com a oposição, que seria necessária e prudente, nem se fala. O legislativo em total estresse. Propostas apressadas e sem respaldo legal foram anunciadas, todas praticamente empurradas de “cima para baixo” por D. Dilma, exacerbando ainda mais o clima de instabilidade. E o povo saindo às ruas, exigindo respostas às demandas apontadas. Nem o futebol – tido como o ópio do povão – conseguiu atrair as atenções. Pelo contrário, instigou os manifestantes. Copa das Confederações? Que nada! Também com os preços de ingressos cobrados pela FIFA, quem pode?
Mas, uma coisa chamou a atenção dos brasileiros, ao longo dessa semana: nunca se trabalhou tanto no Congresso Nacional. Num clima de “ou vai ou racha” a turma de deputados e senadores se apressou em mostrar serviço e desengavetar projetos que adormeciam há tempos. Fiquei surpreso com tanta agilidade. Conseguiram, até, responder aos clamores populares. Só a esmagadora derrubada da PEC 37 – Proposta de Emenda Constitucional, indecente, que tiraria o poder do Ministério Público de investigar as ladroeiras generalizadas –  e a decisão do Senado de tratar a corrupção com um crime hediondo, já foram duas vitórias memoráveis que a Nação agradece. São apenas dois exemplos. Teve mais. Nossos deputados e senadores trabalharam por conta do empurrão que levaram.  Tomara que eles tenham aprendido a lição e de uma vez por todas saibam que são empregados públicos a serviço do povo e por ele pago.
Agora, estressante mesmo está sendo a discussão de um tal Plebiscito, com vistas à realização de uma reforma política. A Presidente quer, porque quer, realizar esta consulta, jogando nas costas da população a responsabilidade que, de direito e de fato, é dos seus representantes, isto é, deputados e senadores. Ela vai enviar mensagem à Câmara que terá de decidir se essa coisa será ou não realizada. O rolo é grande. A oposição defende um Referendum, que seria a validação – via consulta popular – de uma proposta de reforma antes discutida e amplamente debatida.   E agora? O primeiro encontra um obstáculo de cara: o que vai ser perguntado ao povo? Problemão! Quem vai formular este questionário? E o povão – aquele da bolsa família e os analfabetos – vão saber votar? Sei não, mas acho que vai ser uma lasqueira... Mais preocupante, mesmo, é o inadmissível fato de ser feito antes de Outubro, para que o resultado seja aplicado nas eleições de 2014. Não precisa ser habilidoso(a) para sentir mais uma manobra espúria por trás disso.
Sinceramente, chega a ser revoltante. Temo que esta chance repentina de se fazer a tão almejada reforma termine por produzir uma tremenda frustração.  Pior do que isto: um erro de difícil reparo.  Sempre ouvi dizer que “a pressa é inimiga da perfeição”. Sinto que pode ocorrer algo assim. Reforma política não se faz de uma hora para outra. Requer formulações acuradas, bem e amplamente debatidas, avaliações sensatas, visão política, patriotismo, respeito à Nação, entre outros predicados. Será que vamos ter chances disso tudo?  Nossa Gerentona, além de andar tropeçando, meteu-se numa encruzilhada terrível. Coitada, acho que ninguém quer estar na pele dela. Nem mesmo o Padrinho. Tá doido! Tem oportunistas de olhos bem abertos. 
É preocupante o quadro estabelecido. Já se fala em greve geral, paralisações setoriais e inquietação popular. É um porvir de muitas expectativas.  

sábado, 22 de junho de 2013

Nação em Alerta


Uma coisa louvável e, sobretudo, justa é sair às ruas e protestar, apontar erros e reivindicar os direitos conforme a liturgia democrática. A outra coisa, abominável, é sair com espírito baderneiro e depredar o patrimônio publico ou privado. Mas, que jeito se meu Brasil é mesmo um país de contrastes.
Tenho acompanhado atentamente o desenrolar dessa saga fantástica pela qual passa minha Pátria, nessa encruzilhada da vida republicana. Misto de feliz emoção e revolta invade minha alma, diante das imagens da televisão mostrando à Nação e ao mundo como se vive numa democracia. Não fosse a sanha dos estúpidos desordeiros teríamos dado uma brilhante lição de civismo e civilização ao mundo.
Instalado o clima de contestação e revolta, o povo na rua e a perplexidade na maioria e no resto do mundo, cabe uma pergunta: e agora, o que fazer? E o Governo, onde estás que não te vejo? O que tens para nos dizer?
Há muito tempo, neste humilde espaço, venho sublinhando os descalabros que se revelam a toda hora nesta republica petista. Mais de uma vez fechei artigos com a expressão “Acorda Brasil!”. Agora, para minha alegria, vejo que a Nação acordou. E quando falo de Nação estou bem distante da ideia de Estado. São duas coisas bem distintas. O atual Estado Brasileiro está em profunda dívida com a Nação. O Brasil e os brasileiros não mereciam essa calamidade. Falta competência, visão política e respeito à opinião do povo. A ânsia de permanecer indefinidamente no poder tem privilegiado projetos que penalizam os que efetivamente contribuem para o erário publico sem que, no entanto, recebam qualquer melhoria na qualidade da vida. O tão propalado Brasil Grande e Desenvolvido não passa de uma propaganda enganosa. Falta muito para que nos sintamos num desejado Primeiro Mundo.
Como chegar ao Primeiro Mundo se não temos Educação, Saúde, Segurança, Emprego digno, Transporte Público e Moradia compatíveis? Como conviver com tanta corrupção e assaltos aos cofres públicos? Como avançar se assistimos a recidiva da inflação, a desvalorização do Real, a queda das exportações e os renitentes desacertos na política econômica? Como promover tão grandes eventos como Copa das Confederações, Jornada Mundial da Juventude, Mundial de Futebol e Olimpíadas se o povo não tem como participar dignamente, por não ser atendido nas suas mais básicas necessidades? Aqui, nem a velha estratégia do Império Romano – pão e circo – funciona porque a FIFA existe hoje e não permite. E, nesse contexto de penúria, ver que o Nordeste continua padecendo de terríveis secas, passíveis de soluções por demais conhecidas, mas adiadas por interesses politiqueiros e antidemocráticos. A transposição das águas do São Francisco se arrastam por anos.
A verdade, meus amigos e amigas,  é que chegamos a um momento crucial. O povo exige e o Governo tem que responder à altura. Que sejam postos de lado os interesses e as pendengas eleitoreiras e que os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário se mobilizem para garantir o sagrado lema de Ordem e Progresso. Está na hora dos representantes do povo se aproximarem mais dos seus eleitores e escutarem com humildade e inteligência – qualidade  que falta à grande maioria – o que se demanda.
Em suma, o Brasil de hoje não é o mesmo da semana passada. Entramos num novo tempo onde o velho chavão do “Povo Unido Jamais será Vencido” irá prevalecer. Viva o Brasil! Viva a Democracia!

NOTAS: 1. As fotos foram obtidas no Google Imagens. 2. Este post foi escrito antes do pronunciamento da Presidente da República.

 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Foi danado, visse!

Fui ao primeiro jogo da Copa das Confederações aqui no Recife. Espanha contra Uruguai. Jogão com a vitória da campeã do mundo de 2010. O estádio Arena Pernambuco, que me manifestei contra desde o primeiro momento em que foi anunciada, e não mudei de opinião, é de fato uma beleza. Por fora nem tanto. Tem linhas arquitetônicas bem comuns e não me agradou. Mas isto é uma questão de visão pessoal. Tudo bem, porque, lá dentro me pareceu próxima à perfeição. Um belo cenário aos olhos de quem está acostumado aos estádios “chiqueiros” da cidade, construídos à base de arranjos pobres e remendados com puxadinhos inseguros.
Se como estádio de primeiro mundo nossa Arena agrada, o mesmo não posso dizer sobre a logística complicada que tive de enfrentar para chegar até lá. Passei exatas quatro horas para aboletar-me na cadeira que comprei. Cheguei exausto, aborrecido e prometendo não voltar. Enfrentei filas descomunais. Na primeira, no Shopping Riomar – para comprar uma passagem de ônibus que me levasse à estação central do Metrô – calculo que havia pelo menos 500 pessoas na minha frente. Foram 50 minutos de espera. Outra fila para entrar no tal ônibus, que recebeu o charmoso titulo, em inglês de shuttle service. No Metrô, finalmente, embora a avalanche de gente, pensei que estaria quase lá. Que nada! Foi um longo percurso de 13 estações. Locomoção lenta devido ao excesso de trens em circulação e lá se foram mais 50 minutos. A 13ª parece um arranjo malengembrado e construído de última hora. Um corredor apertado no qual os maledicentes aproveitaram para uma infregação tipo semquererquerendo. (Vide foto a seguir).
Depois do metrô, outro ônibus! Tive vontade de desistir. Para coroar a jornada, quando pensei que seria deixado na porta da Arena, tive que caminhar por aproximadamente 900 metros, no meio de um descampado, lamacento, escuro, cheio de metralhas deixadas pelas construtoras, lixo espalhado pelo caminho e numa espécie de maratona correndo para chegar na hora da partida. Parecia um bando de loucos pelo futebol, com ares de que o mundo iria se acabar dentro de vinte minutos e o estádio seria o abrigo seguro. Nem vou falar sobre a volta. Sai antes do gol do Uruguai, pelo qual torci. Foi danado, visse!
O que vi naquele domingo passado (16.06.13) não se constituiu em surpresa para mim. Quando falei anteriormente sobre o projeto, (leia isto em http://gbrazileiro.blogspot.com/2009/09/megalomania-pernambucana.html ) imaginei que coisas como as que pude conferir seria bem possíveis. Um estádio implantado no meio do mato, com vias precárias, ambiente rural por excelência – vi vacaria à margem do caminho – exigiria uma infraestrutura grandiosa, compatível com a envergadura da praça de esportes desenhada e de altíssimo custo. Dizem que na conta final vai somar R$ 700, 0 Milhões. Pernambuco não tem condições para tanto. Para completar, a pressa de concluir o projeto para colocar o estado no calendário da Copa das Confederações só fez expor mais ainda a dificuldade de preparar a região do entorno. O que vimos, portanto é uma obra inacabada no seu conjunto e uma imensa dificuldade para quem deseja assistir ao certame. Melhor teria sido “passar batido” nessa Copinha, concluir o projeto no seu todo e fazer bonito na Copa do Mundo.  Bairrismo ridículo de pernambucano...
Para completar o quadro, fiquei desolado com a falta de lixeiras, trazidas depois de muito descartes em qualquer lugar (Vide a foto a seguir), a falha ridícula do projeto dos banheiros masculinos – o cidadão tira a “água do joelho” e molha os próprios pés – a incapacidade de atendimento das lanchonetes com filas intermináveis, a falta de água mineral, a cerveja quente, o hot-dog era gelado e sem aditivos e até o sal do pipoqueiro acabou antes do primeiro tempo. Ora, meu Deus, depois e quatro horas sofrendo numa logística deplorável e gastando a energia reserva, todo mundo quer se restaurar. Mas, cadê restaurantes?

É nesta oportunidade que volto a aplaudir as inteligentes soluções dos baianos, cearenses, mineiros e cariocas, onde prevaleceu o bom senso e reformaram ou reconstruíram estádios tão modernos e dignos quanto o de Pernambuco e contaram com a infra pré-existente. Isso sim que foram decisões de juízo. No caso da Fonte Nova, em Salvador, implodiram o velho estádio e levantaram um novo no mesmo sitio. O Castelão (Fortaleza) e o Mineirão (Belo Horizonte) foram remodelados e estão fazendo bonito. O Maracanã foi revisto. Por que não reformaram o Mundão do Arruda ou a Ilha do Retiro? A desculpa foi de que não havia espaço, exigido por Dona Fifa, para estacionamento de veículos. Parece uma ironia, porque esta mesma “Senhora” proibiu estacionamento no entorno da Arena Pernambuco. Dá revolta de ver um espaço fantástico vazio e isolado. Brasileiro é idiota mesmo. O resultado dessa “doideira” foi um repercussão negativa para Pernambuco, nos jornais nacionais e internacionais. Tem uruguaio ou espanhol que jura não voltar ao Recife.  E, assim sendo, o projeto de fomentar o turismo local vai prubrejo.Governo megalomaníaco só faz besteira.
Adoro o futebol. Sou vidrado em Copa do Mundo. Mas, assim, vou preferir acompanhar pela TV.

Nota: Fotos de Tico Brazileiro

 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Mercosul Engessado

Toda vez que se fala em Mercosul, recordo da época em que participei do processo de implantação desse acordo Internacional, representando na ocasião a Sudene, como Coordenador da Cooperação Internacional. Foi uma época de muito entusiasmo e muito trabalho. Respirava-me na América Latina os ares de alivio político, após longos anos de ditadura militar. Brasil e Argentina, as maiores economias da Região, buscavam capitalizar o momento e rapidamente construir caminhos que trouxessem, além da estabilidade econômica e integrada na Região, a competitividade no mercado globalizado e, como base maior, a consolidação da tão desejada democracia, no Cone Sul.
A montagem do Mercado Comum do Sul, começou a ser  desenhado a partir do ano de 1985 – por iniciativas conjuntas dos presidentes  José Sarney, do Brasil, e Raúl Alfonsin, da Argentina  – e constituído de fato em 26/03/1991, conforme o Tratado de Assunção, incluindo na ocasião o Paraguai e o Uruguai que, estrategicamente, se apressaram em aderir ao Grupo. Estabeleceu-se, assim, um mercado comum entre os quatro signatários. No bojo do Tratado firmado em Assunção previa-se uma aliança comercial para dinamizar a economia dos quatro países com a troca de mercadorias, recursos humanos e capitais. Inicialmente foi estabelecida uma zona de livre comércio, entre as quatro nações, derrubando, de imediato, os tributos nas trocas comerciais e a não restrição às importações um do outro. Noutro momento, num avanço notável, a partir de 1º de Janeiro de 1995, passou a vigorar uma tarifa externa comum (TEC) para os quatro países, nas operações de comercio exterior com o restante do mundo. Para a época e com tão pouco tempo de existência, esse passo representou um avanço surpreendente.
Tudo parecia acontecer com sucesso e boas perspectivas até que governos retrógrados e populistas – casos do Brasil e Argentina – tomaram posses dando uma marcha à ré no processo que tinha tudo para vingar. Navegando contra a correnteza do mercado mundial, regras estabelecidas foram abandonadas e o Mercosul de hoje naufraga de modo lastimável.
O Brasil petista, coitado, amarga tremendos prejuízos – balança comercial em baixa, PIBinho desanimador, desindustrialização e perda de mercados importantes que agora dão preferência aos produtos chineses, norte-americanos, europeus e os maquilados no México – por se deixar ficar refém de um Tratado desrespeitado e sem credibilidade, em face dos retrógrados referenciais políticos – populistas e protecionistas – reinantes na Região. O caos econômico do seu principal parceiro, a Argentina, a suspensão temporária do Paraguai e a inclusão da falida Venezuela de Hugo Chávez, que não tem (ou não tinha) ideia do que seja bloco de mercado e acordo comercial, explica essa deplorável situação do Brasil, que a meu ver tinha tudo para liderar o mercado focado. É revoltante ver a Argentina de hoje – nas mãos de Tina K – fazendo vista grossa às regras de livre comercio previstas, impondo barreiras e restrições a inúmeros produtos brasileiros consagrados pela preferência do consumidor argentino.

Enquanto isto, países de menor envergadura econômica, inclusive alguns vizinhos sul-americanos, deslancharam em grupos ou parcerias com acordos comerciais que só vêm trazendo lucros e sucesso dentro da moderna ordem econômica globalizada. É o caso do recente surgimento da Aliança do Pacifico, reunindo Chile, Peru (até tu Humala! quem diria?), Colômbia e México. É a mais nova Aliança regional, que já derrubou as barreiras alfandegárias entre seus integrantes e estabeleceu foco num imenso mercado consumidor de aproximadamente 210 Milhões de almas e um PIB em torno de US$ 2 Trilhões. Cá pra nós, isto não é pouca coisa...
Esse quadro acima descrito tira o Brasil do jogo moderno e dinâmico de mercado e o condena a um isolamento comercial indesejado, quando a corrente inteligente – usada inclusive pela China – determina uma ordem de negócios exatamente ao inverso.
A República Petista do Brasil perdeu o trem da história ao permitir o engessamento do Mercosul. Isto não pode continuar!
NOTA: Charge obtida no Google imagens.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Votar sem Trégua

Este meu país é mesmo exótico. Não achei outro adjetivo para explicar o que quero dizer. Todo ano, todo dia se fala em eleições. Ora, com este sistema eleitoral o país inteiro é levado a isto. Senão, vejamos: a cada dois anos são realizados pleitos eleitorais. Quando um acaba, já se começa a falar no próximo. Depois que se elege um Governador ou Presidente da Republica, proclama-se o vitorioso ou vitoriosa e, imediatamente, explode a pergunta: será que ele vai ganhar as eleições municipais?  E quem será o próximo governador? E quem vai sentar, dentro de quatro anos, na cadeira da presidência no Planalto? E do trabalho, ninguém fala... É uma coisa incrível. O povo pode até ficar saturado, mas, os políticos acendem a chama. Em alguns lugares a coisa pega fogo, como num rastilho de pólvora. Quase sempre o pau come e são bem comuns as disputas armadas, quatro anos antes. Tive um ancestral que foi assassinado em praça publica, no Recife, porque se manifestou interessado em dar as cartas desde o Palácio do Campo das Princesas (*).
Para completar existem os casos dos fichas sujas eleitos, cujos mandatos são cassados e as localidades são obrigadas a realizar novas eleições. Aí é que o povão adora. Nos interiores isso é “prato cheio para muitos dias”. Aqui no estado de Pernambuco são vários casos. Basta abrir os jornais e conferir. Tem mais do que se imagina.
É doloroso ver esse processo. Quando se trata desses fichas sujas, na maioria das vezes, o que rola por trás são verdadeiras vergonhas. Enquanto contingentes populacionais se encontram na miséria, sem educação, saúde ou segurança, os (ir)responsáveis se locupletam das verbas publicas, saqueam os cofres das municipalidades lavando o dinheiro ao promover badernas mascaradas como eventos culturais. Quando não é isso, surrupiam sem cerimônias somas vultosas para suas próprias contas pessoais. Pegos pela vigilância dos opositores, loucos para tomar seus postos, são derrubados e obrigados a se submeter a novos pleitos. Só, que isso demanda tempo – que vale ouro – e muita grana. Quanto prejuízo... e os excluídos sociais morrendo a míngua, impotentes e sem condições, até, para participar do processo. Há contingentes e mais contingentes de brasileiros anestesiados pelo esquema e pouco se incomodam com essas tramoias e protocolos politiqueiras.
Neste momento em alguns municípios pernambucanos estão ocorrendo novos e extemporâneos pleitos eleitorais para escolhas de novos prefeitos em substituições aos desonestos eleitos em outubro passado. Divertido e intrigante são alguns nomes registrados. Pense ser governado por um cidadão conhecido como Pão com Ovo? E Biu do Gás? Existe, sim! Certa feita houve um tal de Cuscus. Francamente. Imagino o nível. Nada contra os apelidos. Mas, tinha que ser assim? Por que não o nome de registro civil? Outro dia, achei muita graça, quando me disseram que há uma cidade do interior do estado que vai ser administrada futuramente por um cidadão mais conhecido por Carga Pesada. Pode uma coisa dessas? Carga Pesada vai ter que andar na linha... porque com um apelido desse vai ser uma parada.
Sou da opinião que deviam mudar o sistema eleitoral brasileiro e instituir eleições gerais a cada cinco anos. Sim, mandatos de cinco anos para todos os eleitos. Sem direito à reeleição.    O custo com os pleitos seria reduzido e o povo agradeceria. Tenho amigo político que me contesta nessa ideia. Segundo ele, seria a maior confusão, porque a maioria dos eleitores teria dificuldade em votar. “A turma é muito ignorante e analfabeta, meu caro. Vão fazer o maior rolo, na hora de registrar o voto na urna eletrônica”. Fiquei na minha e falei para meus botões que na verdade a ignorancia e o analfabetismo faz a alegria dos políticos. Ah! A outra coisa que meu amigo lembrou foi do caso para renovação do Senado. “Como fica o mandato de Senador?” Me perguntou com os olhos bem abertos. Para ele, ampliaria para dez anos. Pode até ser. Mas, seria algo para uma boa discussão. Isto sem falar que poderia se instituir o voto distrital. Aí, sim, a conversa iria ampliar muito.
Enfim, acho que uma reforma eleitoral seria muito bem vinda. Enquanto ela não chega (será que vai vir?) vamos embriagar os eleitores com Copas de Futebol e Olimpíadas. 

(*) Assim se chama o Palácio do Governo de Pernambuco.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Deus é Brasileiro

O tornado que passou, esta semana, por Oklahoma (Estados Unidos) foi devastador. Sinto arrepios vendo as imagens na TV. Naquela região norte-americana já existe uma área identificada como sendo um corredor desses fenômenos. Fico pensando o terror que é viver por ali. Este último imprimiu uma velocidade de aproximadamente 300 km. por hora. Ocorre em poucos minutos ou mesmo segundos. Devasta, passa e desaparece tão rápido, quanto chegou. Num abrir e fechar de olhos, o mundo vem abaixo. Não resta pedra sobre pedra. Veja só esta imagem abaixo.
Os fenômenos da natureza sempre chamam muito minha atenção. Furacões, tufões, tsunamis, erupções vulcânicas, terremotos, enchentes, avalanches e similares são coisas do dia-a-dia planetário, com os quais o homem é forçado a viver e buscar formas de escapar.
Ocorre-me, porém, pensar que viver no Brasil equivale a viver numa região abençoada por Deus.  ¨Neste pedaço do planeta não se fala em tragédias gigantescas provocadas pela mãe-natureza. Somos um povo abençoado.¨  Fui enfático e, acredito que provocativo, numa dessas rodas de jogar conversa fora e molhar palavras. Não demorou muito e um dos companheiros, baixou o copo e saltou de lá, rápido com um furacão, falando mais ou menos assim: ¨Fico pasmo! Logo você fazer um discurso desses... e a seca que arrasa o sertão do Nordeste brasileiro com freqüência?   Parece até que nunca ouviu falar da Sudene¨.  Provocando porque ele sabia que eu fui dessa agencia regional de desenvolvimento. Era esperado que houvesse uma reação dessas.
A seca do Nordeste é também devastadora, concordo. Mas nada comparável com as destruições causadas por um terremoto, que, sobretudo, não dá rota, nem chance de fuga para quem quer que seja. O mesmo ocorre quando um tsunami ou um tornado, pela suas características arrasadoras. Nada para se comparar.
Uma estiagem chega aos poucos. É de ataque lento. Oferece condições de serem adotadas providencias de mitigá-la. Há sofrimentos, perdas e prejuízos, é claro. Mas, nada comparado com as destruições provocadas pelos fenômenos acima enumerados.
Por outro lado, há sim condições de convivências saudáveis com as estiagens e isto já foi provado em muitas outras regiões do planeta. De Israel e do México, por exemplos, vêm os melhores informes sobre boas experiências. ¨Conviver com a seca é a solução mais inteligente¨, afirmei ao meu amigo assustado com minha manifestação anterior. ¨Mas, é preciso vontade política para enfrentá-la¨, acrescentei.
Livre das grandes catástrofes que se registram mundo afora, o Nordeste seria um paraíso, houvesse vontade e decisão política dos governos. Estou cansado de afirmar isto, inclusive aqui no Blog. Prova disso é o que se pode observar nos belos oásis de produção de fruticultura irrigada, existente no extremo oeste de Pernambuco. Em pleno sertão brabo e seco, nos municípios de Petrolina, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista, além do vizinho município de Juazeiro, na Bahia, colhem-se as melhores uvas de mesa (vide foto a seguir), melões e mangas de qualidade comprovadas internacionalmente e lá...  lá não se morre de fome, nem se padece pela estiagem longa. Ela chega, sim! Mas, o sertanejo daquelas bandas já sabe como driblar. E ainda brinda o sucesso com os vinhos produzidos pelas bodegas do Paralelo 8, que se notabilizam pela alta qualidade dentro e fora do Brasil. O espumante é o carro-chefe. É tim-tim a toda hora saudando o Sol abrasador, que paradoxalmente se tornou o melhor amigo daquela gente. Graças a ele, ao solo arenoso e as águas do rio São Francisco, são tiradas entre duas e três colheitas de uva por ano. Lugar nenhum do globo registra essa produção. Isso tudo, graças a iniciativas locais que mobilizaram os atores sociais, incluindo pesquisadores, criadores, agricultores, o povo, as igrejas e os políticos bem intencionados. Deram-se as mãos, decidiram, montaram um especial esquema tecnológico e de financiamento e hoje estão ¨pulando na carne seca¨. Acho que de bode, que é farto na região. Dão exemplo de que o Nordeste brasileiro pode ser um paraíso, embora que os governos irresponsáveis que se sucedem sejam míopes e não enxergam essa realidade.
Então, lembrando o inicio da nossa conversa, acho, mesmo, que Deus é brasileiro, sim.  Meus amigos  – os da roda de bate-papo – ficaram calados, molhando palavras e pensativos. Eu? Pedi licença e fui prá casa. Fui...
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Mosaico Desajustado

Por motivo de ordem técnica o Blog do GB não saiu, semana passada. Nessas horas fico me perguntando como chegamos a este tempo de intensa tecnologia da informação. Sem essas ferramentas o mundo pára. Quando enveredei pelo projeto do meu Blog do GB e ele virou minha “cachaça” logo percebi que sem ela sinto-me incompleto.
O tema da semana seria ainda sobre uma Argentina mergulhada em novos episódios preocupantes, que de algum modo refletem na economia do Brasil. Mas, deixei prá lá... Quem lê jornais e semanárias fica inteirado de tudo.
Ainda no plano internacional, pergunto: tem coisa mais prosaica e ridícula do que a ampla divulgação jornalística que estão dando sobre a falta de papel higiênico, na Venezuela? Coitados! Virou assunto de Estado. O Presidente Maduro, preocupado com a situação, vai comprar seis milhões de rolos, no Brasil. Urgentemente! Vide foto abaixo. A que ponto chegaram! Eu já tinha ouvido noticias da falta de outros itens mais notáveis, da cesta básica bolivariana, mas, até o utilíssimo papel higiênico? Imagino como esteja este pobre povo já tão sofrido. Li um comentário hilário sobre a situação: “se antes os jornais venezuelanos não serviam nem para limpar o @#%s, agora tem destino certo. Por sorte, porque tem sido a valia da população venezuelana”. Ri muito e, ao mesmo tempo, lamentei pensando nos amigos que tenho por lá. Lembrei de uma amiga chamada Flor, esposa do famoso guitarista Lucho Quintero. O que será dessa flor, nas atuais circunstâncias?

Chocante, mesmo, é a história daquele monstro que manteve três jovens em cativeiro, durante dez anos, numa casa aparentemente frágil, Vide foto, em Cleveland, nos Estados Unidos. Que horror! Que falha elementar do FBI.

Por outro lado, fico impressionado com episódios absurdos do cotidiano brasileiro, como, por exemplo, o fato do menor que assumiu a autoria do crime de queimar viva, num assalto, a dentista Cinthya de Souza, no ABC paulista. Foto a seguir. Um crime hediondo. O motivo: ter somente R$ 30,00 na bolsa! É espantoso! Absurdo maior é concluir que estão terceirizando o crime! Estamos cada vez mais afundando moralmente falando, neste Brasil velho. A coisa parece funcionar assim: um menor assume o assassinato, recebe uma “recompensa” qualquer do verdadeiro criminoso, cumpre uma pena de passar dois anos numa casa de ressocialização, enquanto o verdadeiro criminoso, em liberdade, sai repetindo a atrocidade, sem medo, com prazer e certo de que nunca vai ser condenado de verdade.
Da mesma região paulista, veio a noticia do caso da garota pernambucana, que de tão estressada pelo bulling que sofria na Escola, “perdeu a cabeça” e terminou agredindo com uma arma branca o colega de classe? O garoto não suportava o sotaque nordestino da menina. Francamente. Preconceito e revolta mixados.
Como ninguém está livre das atrocidades sociais, deste mundo informatizado, tive o maior trabalho para corrigir três ataques que me fizeram em poucos dias: clonaram dois dos meus cartões de crédito e um talão de cheque, inteiro! Três episódios independentes, bom regsitrar. Gastaram adoidado, pelo Brasil afora. Num dos cartões, compraram uma passagem na executiva da TAM, trecho São Paulo/Nova York/São Paulo.
É duro dizer, mas, nosso mosaico social está todo desajustado.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.

A História se Repete

Há histórias que atravessam os séculos sem perder a capacidade de nos fazer pensar. Ali Babá e os Quarenta Ladrões é uma delas. Lembro-me co...