sábado, 29 de junho de 2013

A Expectativa do Porvir

Ao concluir a postagem da semana passada, afirmei que o Brasil havia mudado e não era o mesmo da semana anterior. De fato, a Nação assumiu seu direito de, em alto e bom tom, ditar o que desejava para o futuro. Claro que abominei a ação dos perturbadores da ordem, que se infiltraram na sociedade apartidária manifestante e bem intencionada. Esses, porém, estão tendo o devido tratamento.
Em meio ao inesperado clima instalado, entramos na semana que finda assistindo a uma sucessão de mensagens e ideias governamentais desencontradas e, em boa parte, equivocadas revelando não haver a necessária sincronia entre os próprios membros do executivo, do PT e da base aliada. Com a oposição, que seria necessária e prudente, nem se fala. O legislativo em total estresse. Propostas apressadas e sem respaldo legal foram anunciadas, todas praticamente empurradas de “cima para baixo” por D. Dilma, exacerbando ainda mais o clima de instabilidade. E o povo saindo às ruas, exigindo respostas às demandas apontadas. Nem o futebol – tido como o ópio do povão – conseguiu atrair as atenções. Pelo contrário, instigou os manifestantes. Copa das Confederações? Que nada! Também com os preços de ingressos cobrados pela FIFA, quem pode?
Mas, uma coisa chamou a atenção dos brasileiros, ao longo dessa semana: nunca se trabalhou tanto no Congresso Nacional. Num clima de “ou vai ou racha” a turma de deputados e senadores se apressou em mostrar serviço e desengavetar projetos que adormeciam há tempos. Fiquei surpreso com tanta agilidade. Conseguiram, até, responder aos clamores populares. Só a esmagadora derrubada da PEC 37 – Proposta de Emenda Constitucional, indecente, que tiraria o poder do Ministério Público de investigar as ladroeiras generalizadas –  e a decisão do Senado de tratar a corrupção com um crime hediondo, já foram duas vitórias memoráveis que a Nação agradece. São apenas dois exemplos. Teve mais. Nossos deputados e senadores trabalharam por conta do empurrão que levaram.  Tomara que eles tenham aprendido a lição e de uma vez por todas saibam que são empregados públicos a serviço do povo e por ele pago.
Agora, estressante mesmo está sendo a discussão de um tal Plebiscito, com vistas à realização de uma reforma política. A Presidente quer, porque quer, realizar esta consulta, jogando nas costas da população a responsabilidade que, de direito e de fato, é dos seus representantes, isto é, deputados e senadores. Ela vai enviar mensagem à Câmara que terá de decidir se essa coisa será ou não realizada. O rolo é grande. A oposição defende um Referendum, que seria a validação – via consulta popular – de uma proposta de reforma antes discutida e amplamente debatida.   E agora? O primeiro encontra um obstáculo de cara: o que vai ser perguntado ao povo? Problemão! Quem vai formular este questionário? E o povão – aquele da bolsa família e os analfabetos – vão saber votar? Sei não, mas acho que vai ser uma lasqueira... Mais preocupante, mesmo, é o inadmissível fato de ser feito antes de Outubro, para que o resultado seja aplicado nas eleições de 2014. Não precisa ser habilidoso(a) para sentir mais uma manobra espúria por trás disso.
Sinceramente, chega a ser revoltante. Temo que esta chance repentina de se fazer a tão almejada reforma termine por produzir uma tremenda frustração.  Pior do que isto: um erro de difícil reparo.  Sempre ouvi dizer que “a pressa é inimiga da perfeição”. Sinto que pode ocorrer algo assim. Reforma política não se faz de uma hora para outra. Requer formulações acuradas, bem e amplamente debatidas, avaliações sensatas, visão política, patriotismo, respeito à Nação, entre outros predicados. Será que vamos ter chances disso tudo?  Nossa Gerentona, além de andar tropeçando, meteu-se numa encruzilhada terrível. Coitada, acho que ninguém quer estar na pele dela. Nem mesmo o Padrinho. Tá doido! Tem oportunistas de olhos bem abertos. 
É preocupante o quadro estabelecido. Já se fala em greve geral, paralisações setoriais e inquietação popular. É um porvir de muitas expectativas.  

5 comentários:

Corumbá disse...

Boa sua avaliação. Outro aspecto que dificulta e até impede essa mudança é a educação do povo. Lembrar que essas lideranças saem do povo e que é, principalmente ele, quem deve mudar. Respeitar o direito ao silêncio, não usar clips, canetas e acessórios do escritório para levar para casa como se dele fosse, não saquear caminhões acidentados nas estradas, não estacionar em local proibido, respeitar idosos e deficientes, e por aí vai. Acho que, enquanto a população não se conscientizar do que é cidadania, honestidade e ética, não vai ter políticos e/ou governantes éticos, honestos nem que respeitem o cidadão. É dessa esperança que tenho medo, pensar que os outros é que são os responsáveis e têm que mudar, e não nós!

Regina Dubeux disse...

Caro Girley! Ok. Contudo, deixe-me expressar um aspecto infiltrado nas manifestações que, à falta de um nível de educação E INSTRUÇÃO avançada, toma conta das ruas, aproveitando, inclusive, o clamor mais que justificado do movimento do PL. Este foi um estopim para outras demandas num país cheio de pseudos excelentes indicadores sociais. O povo está com + dinheiro PARA CONSUMIR desbragadamente? Sim; e a nossas custas, via impostos e taxas. Está com educação de qualidade? Não. Com saúde de qualidade? Transporte público decente? Não. Enfim, O Brasil ocupa o lugar de 6ª economia do mundo, mas o 84º no rank do IDH. Sintomático. E a razão disso? Pulverização e malversação de recursos públicos, desviados na maioria dos estados, municípios e UNIÃO, recursos que vão parar na conta de alguns gestores públicos, de parlamentares, empresários corruptos, juízes idem. Mas, Girley, ainda não disse o que me preocupa, TAMBÉM, e que considero uma grave ameaça: O crescimento da ideia de UM ESTADO RELIGIOSO, melhor: A DERROCADA DO ESTADO LAICO. Aí tem. O que há de mais retrógrado no pensamento humano está avançando, como um câncer ultra maligno, exatamente por conta do baixo nível de educação, sobretudo a de base; e na esteira das manifestações legítimas recentemente ocorridas.

Celso Cavalcanti disse...

Caro Girley,

"Nunca antes na história deste país", estivemos em uma encruzilhada como esta. Há democracia, o povo está nas ruas, o governo está paralisado, a economia interna em marcha lenta, a externa em crise, os políticos desmoralizados da situação acuados a produzirem soluções fáceis de curto prazo, os da oposição, não mais confiáveis e respeitados a apontar riscos de danos à Constituição vigente que, boa ou má, é o estatuto que mantém a "gafieira" em funcionamento, eleições presidenciais daqui a 15 meses, o partido no poder sob ameaça eleitoral, etc, etc.

É preciso muita cautela com estes fatores e protagonistas. Se é verdade que o povo acordou e fez o que devia fazer continuamente (sem quebra-quebras), os maluquetes de sempre, amadores e profissionais, podem se aproveitar do clima do "vamos que vamos" e causar um retrocesso danoso em nossa ainda jovem e não-consolidada democracia.

É conveniente que todos mantenham as mãos à mostra em cima da mesa, para evitar que alguém inadvertidamente ou de má-fé, aperte o botão errado. Há um ditado que se aplica bem ao momento atual: "nem tão devagar que pareça covardia, nem tão depressa que seja açodamento".

Um Tancredo Neves faz falta numa hora como esta.

Um abraço.

Antonio Almir do Vale Reis (Almir Reis) Fone 8745.0885 - E-mail: almireis@ig.com.br disse...

Caro Girley:

Alem de escrever bem você está sempre muito atualizado. Parabéns. Todavia, atrevo-me a lembrar, que não foi os atuais gestores federais que fecharam a nossa Sudene, onde você prestou relevantes serviços e em relação a transposição do Rio São Francisco e a Ferrovia o pouco ou muito que já foi feito devemos ao Lula/Dilma. A questão principal do país está localizada no Poder legislativo (Câmara e Senado), onde os seus membros só votam no toma lá dar dá (uma vergonha). Na saúde é de se entender que a coisa vem de muito longe, mais foi nos últimos 10 anos que melhorou um pouco, com a criação do SAMUR, remédios grátis para vários tipos de doenças, construções de Upas e Hospitais e agora mais recente o governo preocupado em contratar médios estrangeiros para suprir as deficiências de atendimentos. Na educação, pode-se afirmar sem erro que o brasileiro só não cursa uma faculdade se não quiser mesmo, alem de bolsas para graduações no exterior. É certo que somente nestas duas áreas as carências ainda são muitas, mais que melhorou, melhorou, inclusive o Estado de Pernambuco, tem sido muito beneficiado pelo governo federal, senão não teria saído nunca da situação que se encontrava. Em que pese tudo acima demonstrado, não posso deixar de apoiar e toda e qualquer manifestação pública, especialmente as dos jovens brasileiros, exigindo as melhorias pelas quais estão litando, mais estou receoso que estas manifestações contando com o apoio e a interferência dos baderneiros que estão aí destruindo o patrimônio público e particular, possa gerar um retrocesso até indesejável, tornando um nosso país ingovernável. Por isto, precisamos está de olhos bem abertos e que Deus nos salve de coisas piores. ALMIR REIS

Mario Cunha disse...

Meu caro amigo, li seu blog e você falou da rejeição da PEC 37, será que isto foi para atender ao movimento popular? Esta PeTralha esta brincando com o fogo, tudo combinado com a Gerentona (gostei) aprovaram a lei que te mando anexo, dispondo sobre as funções dos Delegados e poucos sabem disto """"Isto é uma Vergonha"""""
DILMA SORRATEIRAMENTE SANCIONOU LEI sobre o mesmo
ASSUNTO da PEC 37 para GARANTIR a sua IMPUNIDADE!.
Enquanto o Ministério Público e importantes segmentos da sociedade protestam contra a PEC 37, que retira do Ministério Público o poder de investigação criminal e deixa esse poder exclusivamente na mão da polícia, a Presidente DILMA sancionou ontem (dia 21 de junho de 2013) de forma SORRATEIRA, a Lei 12830/2013, determinando que a investigação criminal será conduzida pelos Delegados de Polícia.
Essa lei se antecipa à PEC 37 e cuida de concentrar os poderes investigatórios no âmbito da polícia judiciária e não mais no Ministério Público.
Digere essa, amigo.Como ficamos?
Abraços
Mario Cunha (Fortaleza)