quinta-feira, 7 de dezembro de 2023
O planeta pede socorro
Não é de agora que são ouvidos clamores sobre a deterioração do planeta e demandas de ações que venham, ao menos mitigar, a destruição da natureza que Deus nos deu e aconselhou preservar. Acompanhei atento o desenrolar da grande Conferencia das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-28) que vem se realizando em Dubai, nos Emirados Árabes. Na verdade, a meu ver, um grande convescote de lideres mundiais e seus asseclas deitando discursos eivados de promessas e propósitos que nem sempre são cumpridos ao final dessas cimeiras. Curioso, ainda, foi o local escolhido para essa conferencia, à beira do deserto que vem sendo invadido por monumentais construções, a base das fortunas geradas pelos petrodólares e que não deixa de ser uma forma exploratória descabida do quadro natural da região. Mas, tudo bem... Um verdadeiro enxame de delegados acorreu ao local da Conferencia, chegando a dar clima de animação para espectadores, como eu, de que a coisa agora vai. Somente do Brasil baixaram em Dubai 1.336 inscritos. Estima-se que se trata da maior comitiva entre os participantes. É ou não é animador? Dá pra formar uma bela torcida a favor da salvação do planeta. Contudo, calculo que a formidável bagatela que custeou essa megacomitiva seria bem mais útil se aplicada em projetos pontuais em áreas criticas espalhadas pelo país. Não, que o país estivesse ausente dos debates levados a efeito no conclave. Mas, para que tanta gente? Desconfio que mais da metade foi fazer turismo. Muito mais... De todo modos não podemos negar que os discursos do nosso Presidente, da Ministra do Meio Ambiente e de outros brasileiros como o Presidente do IBAMA devem ter marcado pontos positivos de aplausos, até mesmo pela importância e o papel de destaque que o Brasil desempenha nesse grave quadro da problemática das mudanças climáticas. Indiscutivelmente, a situação concreta do desgaste do nosso diversificado meio ambiente é o suficiente para exigir destaque ao papel brasileiro. Semana passada, em artigo assinado por Flavio Tavares, um professor aposentado da Universidade de Brasília, no Estadão, afirmava que “a crise do clima pode se transformar numa antecipação do apocalipse bíblico. No caso específico do Brasil, as evidências são estarrecedoras”. Concordo com o articulista e, logo de cara e sem delongas, lembro-me da situação apocalíptica que é o afundamento de grande parte da cidade de Maceió, capital do estado de Alagoas, decorrente de uma exploração predatória e mal estruturada do sal-gema pela gigante Brasken. Ora, vamos e venhamos, o caso brasileiro é histórico e esteve sempre em evidência devido às longas estiagens no semiárido do Nordeste provocando a expulsão das populações atingidas, em verdadeiras hordas de retirantes famintos à procura de onde se fixar com segurança alimentar e saúde. Capricho da natureza é verdade, mas, de expressiva gravidade e de difícil solução. Fora esse fato, que se arrasta desde o século 19, novos fenômenos danosos provocados pelas mudanças climáticas associadas aos incontáveis casos de irresponsabilidade civil no uso da terra e no aproveitamento das riquezas minerais, o Brasil vem dando lições das mais imperfeitas e aterradoras formas ao restante do planeta. A descontrolada devastação da floresta amazônica e os frequentes incêndios no pantanal e no cerrado brasileiros dão testemunhos da falta de cidadania e de noção de respeito ao presente divino doado pelo Criador. Nas Conferencias da como a atual COP-28 há mobilização das nações mais ricas para ajudar as mais pobres em ações de correção e sustentabilidade do meio-ambiente mundial. Bilhões de dólares são prometidos, embora que nem sempre cumpridos no seu todo. O chamado financiamento climático discutido na COP-15 (Copenhague 2009), por exemplo, estabeleceu que países desenvolvidos a chegariam 2020 destinando US$ 100 Bilhões, por ano, às nações mais vulneráveis com vistas à se adaptarem aos efeitos das mudanças climáticas. Porém, em 2020 e 2021 os valores desembolsados ficaram em US$ 83,3 Bilhões e 89,6 Bilhões, respectivamente. Pensando bem foram anos de Pandemia e as prioridades certamente sofreram alterações. Ao Brasil particularmente foram prometidos mundos e fundos para projetos de controle e fiscalização do meio-ambiente na busca de amenizar o efeito estufa. Se cumpridas as promessas serão recursos que aportarão em boa hora e, ajudarão a mitigar situações caóticas como as chuvas de poeira e fumaça que caem frequentemente em Manaus e Belém, originadas nas queimadas da floresta contigua. Aquela que é tida como pulmão do mundo. Servirá também para corrigir situações de seca na mesma região amazônica que vêm provocando rios secos tal qual no Nordeste semiárido e que vêm causando imensa preocupação. Tenho cá minhas razões para concentrar minhas observações ao caso brasileiro, mas, muitos são os locais e países que abusam da emissão de gás carbônico que, obviamente, contribuem para a deterioração desse planeta que pede socorro cada vez mais exaurido. Que o Criador, com seu poder Supremo, oriente os humanos a preservar o presente que Dele receberam.Ah! Ja ia esuecendo de lembrar que a proxima COP será no Brasil. Em Belém! se os memsos 1.336 comparaecerem vai faltar local de hospedagem. A cidade não está preparada para receber tanta gente.
Foto obtida no Google Imagens.
terça-feira, 21 de novembro de 2023
Boa sorte, Hermanos
Quem bem me conhece sabe que minha admiração pela Argentina é uma velha paixão. Perdi a conta de quantas vezes e por onde passei praquelas bandas, nos últimos 50 anos. Acompanhei de perto momentos históricos do país irmão, experimentando emoções das mais diversas. Em Buenos Aires vivi situações bem peculiares, lembrando, entre outras, a curtição de uma forte “dor de cotovelo” - sarada totalmente com uma tardia lua de mel - várias férias com a família, além de excelentes oportunidades de missões oficiais junto à representação diplomática brasileira. Posso afirmar, contudo, que foi no plano politico que, seguramente, testemunhei as mais fortes passagens dessa minha proximidade com a nação vizinha. Nesses últimos dias, quando o povo argentino exerceu seu direito democrático de eleger um novo presidente da republica, estive ligado ininterruptamente e com empenho de acompanhar o processo que se desenrolou. Acredito que foi um dos mais disputados e mais eloquentes de todos os tempos.Vide a seguir foto do Eleito, Javier Milei.
Antes, porém, olhando por um retrovisor, recordo de passagens inesquecíveis e de momentos estressantes amargados pelos argentinos, depois haver sido uma Nação das mais avançadas e mais promissoras na primeira metade do século passado. Observei de perto, nos anos 70 e 80, por exemplo, a similaridade que havia entre o movimento getulista brasileiro e o peronismo argentino nas décadas de 30, 40 e 50 alimentando uma onda populista na América do Sul. Acompanhei o polêmico translado dos restos mortais de Eva Perón, o retorno de Juan Domingo Perón do exilio, seu retorno ao poder, sua morte e a ascensão da vice-presidente, sua segunda esposa Isabel de Perón (Isabelita). Foi um inevitável fracasso. provocando um golpe de estado dos militares seguido da implantação de uma das mais duras ditaduras que se tem conhecimento. Tenho pra mim que a partir dali começou a mais sofrida “via-crúcis” de um povo varonil e senhor da sua importância internacional. Lembro também, do desastre e da audácia de declarar uma guerra à potente esquadra da Inglaterra como o episódio da Guerra das Malvinas. Sem dúvidas, um dos passos mais insanos já vistos no Continente. Dali em diante foram sofrimentos em cima de sofrimentos. Governos incompetentes se alternam com politicas econômicas frustrantes, mudanças de moeda, corte de zeros, dolarização, inflação galopante, hiperinflação e uma sucessão de desacertos que, até hoje, jogam o país num buraco sem fim. A confusão atingiu o clímax, em certo momento, quando o país teve cinco presidentes empossados em apenas 12 dias no finalzinho de 2001. Cheguei a acreditar que a Democracia iria sucumbir naquela hora. As coisas foram provisoriamente ajustadas, o quadro politico se acalmou, a nação respirou, embora sofrendo das graves dificuldades socioeconômicas pretéritas. Bom, meu espaço será exíguo se continuo a pontuar as passagens mais representativas do processo de empobrecimento argentino. Vou tentar encurtar e chegar ao fecho que planejei. Após essa incrível confusão de 2001, veio o governo de Menem, um peronista moderado e chegado ao liberalismo. Para resolver as dificuldades econômicas resolveu e implantou a dolarização. Eu diria que oficializou porque, segundo observei antes e in loco, as famílias já poupavam com a moeda americana. Esta medida “salvadora” terminou depois que Menem renunciou sendo sucedido por Eduardo Duhalde entre 2001 e 2003. Apos isso, foi a vez da Argentina ser presidida pela dupla Nestor e Cristina Kirchner. Nestor morre, Cristina assume a herança politica, se elege presidente (ela se dizia presidenta e foi copiada por Dilma Rousseff) e pelo visto não deram jeito na vida argentina. Tem uma frase emblemática de Nestor, ao assumir o Governo, “a porcentagem de desempregados no país era maior do que a de votos que recebeu”. Seguramente uma constatação mais lamentável em meio dessa história. Não precisava dizer mais nada. Segundo conferi, em 2003 a Argentina tinha 54% da população vivendo na pobreza e aproximadamente 10 Milhões de miseráveis. Doloroso! Estive por lá nessa época e vi moradores de rua, famílias inteiras ao relento. (Foto a seguir). Voltei impressionado. A influência dos Kirchner nos destinos do país, entremeado por altos e baixos, nos anos recentes é uma coisa flagrante e, ao mesmo tempo, repleta de malogros e de casos de corrupção.
Sim, é uma história longa e, indiscutivelmente, triste. Reservo-me ao direito de ser, apenas, um espectador interessado. Até porque, vou me concentrar no objetivo da pauta e para concluir que é situar o atual quadro politico resultante do processo eleitoral que terminou no domingo passado (19.Nov.23) elegendo um neófito politico, Javier Milei (foto lá em cima)para ocupar a cadeira máxima da Republica, nos próximos quatro anos. Membro e fundador de um partido nanico, La Libertad Avanza, sem apoio no Congresso. O eleito venceu fazendo um discurso revolucionário e tentando expressar a revolta do povão decepcionado e altamente frustrado com a velha esquerda, antiquada e fracassada. Não deu outra. Fez da sua voz um eco do protesto corriqueiro do povo. Com propostas audaciosas e, a meu ver, inexequíveis vai enfrentar desafios para debelar a inflação anual de 142% e 40% da população em estado de pobreza. Há de tratar da miséria que grassa na Argentina, fruto de um monstruoso estrago promovido pelo decadente peronismo/kirchnerismo. O “louco” Milei, como vem sendo chamado, é fruto concreto das irresponsabilidades politicas do passado recente. Terá que torcer para implantar suas ideias de campanha. Pessoalmente, tenho dúvidas atrozes quanto ao sucesso, apesar de constatar que, indiscutivelmente, já prestou um belo serviço à Nação ao alijar, democraticamente, a Família K com seu retrogrado e anacrônico peronismo. Depois disso tudo, só me resta desejar Boa Sorte aos Hermanos. NOTA: Fotos colhidas no Google Imagens.
segunda-feira, 13 de novembro de 2023
Ronda Dirigida
Viver atualmente chega ser muitas vezes algo surpreendente. Esta semana tive uma experiência curiosa. Precisei adquirir determinado produto e dirigi-me, como mais comum, a um Shopping Center da cidade na certeza de fazer minha compra. Coisa bem simples e comum na vida moderna. Recomendado por um conhecido procurei determinada loja na qual, provavelmente, encontraria o que desejava. Para tanto, usei meu inseparável aparelho de telefonia móvel a fim de localizar a loja indicada e na certeza de que estava facilitando a busca e, inclusive, abreviando minha permanecia naquele moderno mercado. Cai na tolice, porém, de citar o tipo de mercadoria que buscava. Ah! Pra quê? Foi o bastante para começar a aparecer, no meu “arguto” celular, inúmeras indicações de outros estabelecimentos onde eu poderia encontrar o tal produto. Surpreso, com aquelas abordagens repentinas, parei para um cafezinho e calmamente comecei a avaliar o dinamismo do modo de vida atual. Na minha idade, com tantos quilômetros rodados, essa velocidade proporcionada pelo mundo da Tecnologia da Informação ainda causa muitas dessas surpresas. Leio sempre sobre esse tema, no entanto, ler é uma coisa, viver é outra bem distinta. Resultou que fiquei tendo dificuldade de escolher a loja mais próxima – o tal shopping é o maior da cidade e deveras movimentado – dado o numero de sugestões. Na verdade, antecipo que não sou contra esse avanço tecnológico ao nosso favor. Na minha condição de aposentado esse progresso representa um diferencial no viver melhor.
Divertido, porém foi que, a cada gole de café e consultando minha “bússola” eletrônica, deparei-me num site de noticias dando contas dos últimos resultados publicados pelo IBGE a respeito do mais recente levantamento da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios Continua - Tecnologia da Informação e Comunicação (PNAD), referente ao ano de 2022. O primeiro número, por si só, já é algo notável: 87,2% da população brasileira usa a internet como meio de se comunicar. A título de comparação registra-se que em 2016 não passava de 66,1%. A pesquisa toma com base a população de 10 anos e mais. Em 2021 o percentual conferido foi de 84,7%. Isso aponta para um provável crescimento daqui pra frente. Ressalte-se que, segundo os resultados colhidos, houve um aumento substancial no acesso à internet entre as pessoas de 60 anos ou mais. Em 2016 apenas um quarto deste extrato populacional usava a rede mundial e, agora, chega a dois terços. Ou seja, tem havido uma expansão do numero de idosos que aderem ao uso da Internet. Contudo, segundo a pesquisa em tela o maior número de usuários é na faixa entre 20 e 29 anos. Sem dúvidas a chegada do celular multifuncional e a sua tecnologia avançada provocou esse formidável aumento de usuários. Não é somente pesquisando local e preço de um produto que o consumidor se farta. A facilidade de realizar operações bancárias, falar a qualquer parte do mundo sem as dispendiosas tarifas telefônicas do passado, dispor de uma câmera fotográfica de excelente qualidade à mão, entre outros recursos, definitivamente atrai cada vez mais novas adesões. Outros números resultantes da pesquisa são interessantes e vale à pena destacar: os domicílios com utilização de internet subiram de 90% em 2021 para 91,5% em 2022. Pode parecer irrisório em termos relativos, mas são consideráveis em termos absolutos. Na área rural, o acesso à rede mundial cresceu de 74,7% para 78,1% no período pesquisado. Bem significativo. Algumas zonas rurais não contam com o serviço infraestrutural e reclama, dando sinais da necessidade em face dos progressos tecnológicos disponíveis a nível internacional. Por fim, vale atentar para os principais motivos que levam ao uso da internet no Brasil que começam pelas facilidades de conversar por chamadas de voz e vídeo, troca de informações em textos, voz ou imagem e assistir vídeos. Fora isto, o uso das redes sociais, ouvir músicas, rádios, ler jornais, noticias (meu caso nesta ocasião), revistas e livros são apontados como relevantes.
Um último destaque que faço é relacionado com as preferências de acesso à internet. Como esperado o celular está em primeiro lugar disparado com 98,9%, seguido pela Televisão (47,5%), computador (35,5%) e tablet (7,6%). Observe esse posicionamento preferencial pela Televisão. São formidáveis os aparelhos smart. Depois que adquiri dispositivos ditos inteligentes vivo me fartando com um numero interminável de canais de TV nacionais e estrangeiros, streamings de inúmeros gêneros, que tornam a vida mais divertida. Mas, uma coisa a mais me chamou atenção: parte da população não sabe fazer uso da rede mundial de comunicação. São 34% na área urbana e 26,4% na zona rural. As informações que li no café do shopping e transmito aos leitores neste post foram oportunas e ajudou-me a localizar a melhor loja e o melhor preço. Conclui minha Ronda Dirigida coloquei a mercadoria na sacola sai dando tratos a bola, imaginando no que poderá vir por aí. Sei que existem cabeças pensantes dedicadas exclusivamente no aprimoramento desses aparatos modernos aos quais nos tornamos escravos compulsivos. Deus me livre de ter meu celular distante da minha vista.
domingo, 29 de outubro de 2023
Nó difícil de desatar
O tempo vai passando, os dias de guerra se sucedem, a destruição na faixa de Gaza se multiplica e o mundo experimenta nervosa expectativa. Curioso é perceber que o ucraniano Zelensky, cedeu seu espaço na TV mundial ao Premier de Israel, Netanyahu, que, a toda hora, promete longas jornadas de guerra, sempre avisando que o pior está por vir. Custa-me crer que estejamos vivendo tempos tão hostis em pleno século 21.
Acompanhando o desenrolar das coisas, observo que, se a questão ucraniana é complexa e envolve, sobretudo, uma componente politica de grande envergadura, pondo em confronto dois blocos de nações que medem forças com vistas à hegemonia mundial, as características do conflito no Oriente Médio exibe contornos históricos impregnados das culturas sedimentadas desde o princípio dos tempos que temos conhecimento e registros. É um nó difícil de desatar. Aventuro-me em fazer uma visita ao plano histórico para tentar entender melhor o que hoje ocorre e, ao mesmo tempo, ajudar aos leitores interessados em compreender os fatos que estamos vendo ocorrer mundo afora. A Palestina aparece na História como sendo um território localizado entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo, no Oriente Médio. Até o inicio do Século 20, esteve sob o domínio do Império Otomano (antigo Império Turco, incluindo a Arábia Saudita). Com o fim deste Império, a Palestina passou à “gerencia” da “Senhora” Inglaterra, a partir de 1917. Estima-se que em 1946 a região era habitada por 1,2 Milhão de árabes e 608 Mil judeus, descendentes dos antes conhecidos como hebreus ou israelitas (a denominação judeu só veio muito depois) que vieram do Egito, por volta de 1200 a.C.,onde viveram escravizados por alguns séculos, e ocuparam a região tida para eles como a “Terra Prometida” ou “Terra Santa”. Ao fim da 2a. Grande Guerra (1945) judeus que fugiram das perseguições sofridas na Europa, durante o conflito (Holocausto), procuraram assentamentos seguros e muitos foram os que se estabeleceram na Palestina. Dado ao tamanho do contingente de imigrantes terminaram dominando a região, o que certamente concorreu para a decisão da ONU pela criação do Estado de Israel, em 1948.
Contudo, não foi uma decisão tranquila. Gerou uma disputa com notáveis contornos históricos, permeado de aspectos politicas, religiosas, socioeconômicas e culturais. Na verdade, a instauração do atual Estado de Israel não gozou de uma solução pacifica com o mundo árabe que resolveu apoiar os palestinos, oponentes ferrenhos à decisão das Nações Unidas, sob argumento de que a terra havia sido roubada. Foi aí que nasceu toda essa contenda. Em face da decisão da ONU, o povo judeu – que até então vivia disperso em pequenas comunidades ao redor do mundo, desde que expulsos pelos romanos no remoto ano 70 d. C. – mais que depressa, tomou posse daquilo que lhe foi outorgado pelas autoridades mundiais e se organizou para enfrentar essa disputa que rola até hoje. Detalhe importante é que a Terra é Santa, também, para mulçumanos e cristãos. E, nessa seara, o nó fica mais apertado ainda. A Faixa de Gaza é resultante de um Acordo de Armistício entre Israel e Egito, após fim dos combates de guerra, em 1948. É uma faixa de terra de apenas 365 Km² e abriga aproximadamente 2,4 Milhões de habitantes.Uma das regiões mais pobres do mundo. Muito embora as inúmeras tentativas de paz, as duas partes não conseguem estabelecer uma convivência pacifica devido às raízes históricas mal resolvidas. Líderes mundiais já se dedicaram a essa missão e pouco se avançou. Sabe-se também que o Estado de Israel se tornou, com menos de 80 anos de existência, numa grande potencia econômica, com notáveis avanços nas áreas socioeconômicas e tecnológicas, ao tempo em que vem lutando ferozmente pela manutenção e quiçá ampliação do seu território. Os palestinos, porém, apoiados pelo mundo árabe mulçumano não dão tréguas e alimentam de forma permanente uma luta insana em busca do território “perdido”. Indiscutivelmente, o mundo se encontra diante de uma luta histórica e de difícil solução. Uma pergunta que cabe, agora, é saber o que vem ser o Hamas, como entrou nesta História e por que vem tirando a tranquilidade dos seus próprios domínios, de Israel e do mundo? Segundo pude pesquisar a denominação se origina do árabe e significa Movimento de Resistencia Islâmica. Surgiu em 1987. Ou seja, trata-se de uma organização recente no pedaço, embora tenha seus referenciais trazidos da sua História religiosa. Três linhas de ação dão conta dos seus objetivos: filantropia, politica e luta armada. O movimento tem como lema: Alá é nosso objetivo, o Corão é nossa Constituição, a Jihad (guerra santa muçulmana. Luta armada contra os infiéis e inimigos do Islã) é o nosso caminho e morrer pela causa de Alá é nossa maior esperança. Há décadas observa-se forte tensão entre Israel e o Hamas, sobretudo a partir de 2007, quando o Movimento, com sua componente politica, passou a controlar, numa eleição democrática, a Faixa de Gaza. Governando a região e lançando mão da sua componente da luta armada (jihad) o Hamas executou com fúria terrorista o ataque do último dia 7 de outubro, deflagrando todo esse cenário de guerra que estamos assistindo, ao vivo e a cores pela TV. Doloroso é saber que nem todo palestino apoia o Hamas. Que este não convence aquele já sofrido povo. E, por fim, indiscutivelmente não passa de um movimento politico com todas as características terroristas. Como desatar um nó atado e molhado com sangue e suor de inocentes? Tentei dar uma contribuição a muitos que pouco entendem o que hoje ocorre no Oriente Medio.
terça-feira, 24 de outubro de 2023
Cheiro de Conflagração
Quem, como eu, faz parte da geração pós 2ª. Guerra Mundial sabe bem o significado de uma grande Conflito Global. Cresci e muito ouvi falar dos horrores e das imensas dificuldades às quais a humanidade atravessou durante aqueles anos passados. O assunto era bem comum nas reuniões de família e encontros sociais pelo que, nós os mais novos, nos mantínhamos informados sobre o significado de uma conflagração global. Durante muito tempo tomei pavor de ouvir falar da Alemanha e dos alemães, do Japão e dos japoneses e, apesar de uma figura formidável de italiano, Seu Constantino, nosso vizinho de saudosa memória, guardei muitas reservas quanto a cidadãos dessa nacionalidade. Pra completar, por volta dos meus dez anos, escutei de muitos judeus, que faziam estação d’água no hotel do meu avô, em Fazenda Nova, interior de Pernambuco, relatos bárbaros sobre os horrores da Guerra e, claro, sobre o Holocausto. Aquilo na minha cabeça de criança era um verdadeiro pesadelo. Horripilante. Jogar as pessoas vivas num grande forno? Fiquei na dúvida por muitas vezes e, muitas vezes também, fui proibido pelos meus pais de ficar escutando as histórias contadas pelos judeus russos, poloneses, ucranianos, entre outros, refugiados de guerra que viviam no Recife e passavam temporada no Hotel Familiar de Seu Epaminondas e Dona Sebastiana Mendonça. Recordo, também, que o bairro da Boa Vista, área das ruas da Gloria, Velha e São Gonçalo e Praça Maciel Pinheiro concentrava, à época, a colônia de refugiados. Ainda hoje há muitos sinais dessa colônia e muitos são os descendentes judeus no Recife. A famosa escritora ucraniana, naturalizada brasileira e filha de judeus, Clarice Lispector, chegou pelas bandasdo Recife numa das primeiras levas de refugiados que, no caso dela, fugiram do seu país devido à perseguição aos judeus durante a Guerra Civil Russa.
Lembro-me disso tudo na atual conjuntura internacional, com violentos focos de guerra, que resultam no avivamento da minha ojeriza a tudo que se refira a conflitos entre povos e nações. O mundo avançou e mudou muitíssimo. Ao longo dos tempos e com a maturidade perdi o medo que alimentei, desde criança, e minhas aversões aos velhos provocadores de conflitos e das grandes guerras da primeira metade do século passado, muito embora, a avalanche de filmes de Hollywood sobre a temática da guerra, que eu adorava assistir. Era curioso notar sempre que nessas fitas, os alemães, italianos e japoneses eram sempre mostrados como elementos malignos e belicosos natos. Quem não se lembra de Platoon e do meloso Suplicio de uma Saudade? (Vide fotos a seguir)
Melhor de tudo é que, ao longo da vida, estive varias vezes na Itália e na Alemanha e vi de perto danosos resultados, cuidadosamente preservados, dos conflitos e que ajudaram a tirar conclusoes nas minhas analises. Estive também no Japão, por duas vezes, onde tive a oportunidade de visitar Hiroshima. Confesso que chorei diante do chocante acervo do Museu Memorial da Paz (vide foto a seguir), que exibe principalmente artefatos que sobraram ao bombardeio atômico, destinados a ilustrar a realidade severa daquele momento e os perigos das armes nucleares que, com alguma frequência, vêm sendo lembradas e pensadas como possíveis estratégias de combates na Guerra da Ucrânia.
Assistir, hoje, ao noticiário da TV do Brasil e do exterior, a pauta constate tem sido a de guerra. Ora, como se não bastassem as imagens dolorosas provocadas pela Rússia, de Putin, sobre a Ucrânia invadida, somos surpreendidos com um conflito de dimensões bem mais elásticas, entre judeus e palestinos, reacendendo, ademais, um conflito de contornos históricos bem mais complexos se comparados com aquele do leste europeu. Se os combates entre russos e ucranianos soavam preocupantes, em pleno Século 21, o que pensar sobre o que vem sendo travado entre os israelenses e os terroristas do Hamas de Gaza? Quantas vidas ceifadas! Quantos inocentes mortos! Quanto sofrimento! E se o mundo árabe e islâmico resolver entrar de vez no conflito.
Fico temeroso e lamentando ver muitos jovens, meus filhos inclusive, prevendo uma conflagração mundial. Falam com alguma “naturalidade” que estamos às portas de uma 3ª. Grande Guerra. Não podem imaginar ao certo o real significado da coisa. Torço e peço a Deus que os nossos representantes políticos saibam discernir melhor, abandonar suas paixões e seus absurdos interesses políticos e negociarem um Acordo de Paz para salvar o mundo. No mais No mais, resto inquieto ao ver as reuniões da ONU - Organização das Nações “Unidas” resultarem em impasses desconcertantes e que não levam adiante o cumprimento da Missão que a ela foi reservado. Mais inquieto ainda ao ver a insistência das duas partes diretamente envolvidas no conflito do Oriente Médio. E o pior é que, hoje em dia, nem precisamos de Hollywood para termos melhor ideia do que seja uma guerra de verdade. Sem romantismo de jovens soldados apaixonados ou lindas enfermeiras apaixonadas chorando a morte ou a partida do combatente sendo repatriado. Agora é na dureza. A guerra é ao vivo e a cores na TV da sala ou do seu quarto. É assustador e tem cheiro de conflagração global, mesmo. Deus nos salve!
domingo, 8 de outubro de 2023
Rio Sangrento
Há poucos dias, uma amiga brasileira que vive na Suíça, seguidora deste Blog, me liga assustada pedindo noticias acerca da situação politica no Brasil e afirmando haver recebido um WhatsApp dando conta de que já se trava uma guerra civil por aqui. Naturalmente que compreendi a apreensão da amiga e, logo, considerei duas variáveis a pautar nossa conversa: a distância e a placidez do local onde ela vive e a proliferação das chamadas fakenews nas redes sociais brasileiras. Tentando acalmá-la garanti que, embora tantos percalços sócio-políticos a situação não pode ser tomada como uma guerra civil. Contudo, como a conversa bateu forte na minha cabeça, venho revendo minhas opiniões a respeito da situação reinante Brasil afora, admitindo que, com tantos focos de violência urbana e a impotência do Estado para estabelecer a ordem e a tranquilidade social, muitos são aqueles que enxergam a conjuntura como sendo de pura convulsão social.
O recente episódio que resultou na morte – por engano – dos três médicos, de passagem pelo Rio de Janeiro, onde participavam de um congresso internacional configura uma verdadeira falência do Estado e a vitória do paralelo “estado” do crime organizado. É assustador o fato de que a mando dos chefões, quatro atiradores encapuzados executaram a “queima-roupa” quatro inocentes profissionais de alto nível, numa roda de conversa em aprazível quiosque na região da Barra da Tijuca. Os assassinos saíram crentes de que haviam eliminando um rival traficante, com o qual disputam o domínio de área de atuação. Um dos médicos era visivelmente parecido com o alvo da ação para a qual foram incumbidos. Ora, meu Deus, onde estamos? Em que mundo vivemos? Morreram sem ter ideia do motivo que foram vítimas. Inocentemente. Revoltante para os que ficam e que restam com o desafio de sobreviver ao clima tão pesado que se experimenta nos dias atuais. Mais curioso, ainda, foi o fato de que os próprios chefões traficantes, instalaram, dia seguinte, um “gabinete de justiça próprio” e decidiram pela eliminação dos suspeitos assassinos, depois encontrados mortos. O argumento noticiado é de que foram incompetentes ao executar a “encomenda” e, tão somente, buscaram evitar uma perda de tempo em ter de enfrentar embates com a Polícia na busca de investigar os motivos e os autores do crime. Assim. Simplesmente. Parece mentira. Aí, eu pergunto, com que cara fica o Estado Brasileiro e, particularmente, o do Rio de Janeiro diante desse Poder Paralelo que manda, desmanda e executa ao bel-prazer? Calcula-se que 25% da população do Rio de Janeiro vive sob as ordens dessas facínoras comandantes de territórios controlados pelo crime organizado. É um verdadeiro Rio Sangrento.
Triste é saber que com o passar dos últimos tempos, outras grandes capitais ou cidades de médio porte no restante do país estão sendo alvos de fixação de gangs criminosas que fazem do tráfico de drogas a mola mestra das suas ações perversas e que deterioram o tecido social brasileiro a passos largos. Onde iremos parar? Estados do Nordeste, entre os quais Ceará, Pernambuco e Bahia já são locais onde o crime organizado têm praças estabelecidas e vêm tirando o sossego das populações. Nesses últimos dias ouvi falar em investimentos do Governo Federal em programas na área de segurança publico do país, setor onde o Poder vem sofrendo amargas derrotas.
Por curiosidade fui investigar no quanto andam os valores aplicados pelo Governo nesta seara. Para minha surpresa descobri que as despesas com a segurança publica correspondem a cerca de 1,38% do PIB, que, em 2022, beirou a marca dos R$ 10,0 Trilhões. Se esses bilhões aplicados são suficientes é uma questão a se examinar, mas, o que não resta dúvida é o fato de que na origem o problema da insegurança nacional reside na falha estrutura social que temos. O Estado não vem dando a devida atenção aos setores de base, sobretudo na Educação. Grande parte dos hoje marginais, que atuam nas hostes do crime organizado, são oriundos de uma parcela da sociedade que vive esquecida pelo Poder Público e, por isso mesmo, não tiveram oportunidade de se qualificar para se integrar à força de trabalho. Pesquisas recentes dão conta de que 35% dos jovens entre 18 e 15 anos não estudam e nem trabalham. É o Grupo dos Nem-Nem. Triste situação. Sem oportunidade de vencer na vida, são presas fáceis dos chefões milicianos que crescem em número. É assunto para muitas postagens. Lamentável.NOTA: Charge Ilustração obtida no Google Imagens.
sexta-feira, 29 de setembro de 2023
Treta no Planalto Central
Mesmo que eu fuja, os temas políticos terminam fazendo minha cabeça. Esta semana não deu outra. A queda de braço que se instalou entre Judiciário e Legislativo devida à discussão do Projeto de Lei 2.903/2023, da autoria da Câmara Federal, que trata de estabelecer o Marco Temporal para demarcação das terras dos originários povos indígenas esquentou de modo exponencial, saltando aos olhos da critica e da opinião pública, revelando mais uma treta (como dizem os mais modernos) sem tamanho, na insana e vigente disputa entre os poderes da Republica. O referido PL prevê que as demarcações de territórios indígenas restrinjam-se às ocupações de fato existentes na data de promulgação da Constituição Federal, 05 de outubro de 1988. Entendo, a principio, que se trata de uma iniciativa de estabelecer legalmente um ordenamento adequado e mais favorável aos interesses nacionais sem que prejudique grupos sociais originários nem aos que manifestem interesses em assentamentos ou exploração econômica da terra, observado o que determina a Constituição Federal, no seu Artigo 231 que determina: são reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarca-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.
Contudo, por interesses variados e à mercê das injunções politicas hoje reinantes, o projeto provocou uma disputa ferrenha entre as bancadas governistas – contrários à aprovação do PL – e as chamadas ruralistas, ligadas ao agronegócio. Duas bandas políticas que se digladiam diuturnamente. Uma questão de fundo politico na sua essência e visivelmente prejudicial ao progresso socioeconômico do país. Ora, se a União, por força constitucional, tem o poder de “demarcar, proteger e fazer respeitar todos os bens dos povos originários” o que temer das forças que podem investir e, inclusive, se associar aos próprios indígenas para produção e desenvolvimento moderno das suas comunidades?
A treta começou a rolar quando a Câmara Federal aprovou, em maio passado, a proposta do Marco Temporal. O Projeto seguiu a forma processual e encaminhado ao Senado, onde ficou aguardando entrar em pauta de discussão na Comissão especifica e no plenário da Casa. Antes que isso ocorresse, porém, o tema foi levado, para surpresa de meio mundo, a debate no Supremo Tribunal Federal que por 9 votos a 2 considerou o PL como inconstitucional. Aí, a coisa esquentou e a pressão politica aumentou, na Praça dos Três Poderes. O Senado, neste caso o Congresso Nacional, ressentiu-se pelo desrespeito às suas atribuições constitucionais e resolveu dar uma resposta taxativa ao Poder Judiciário. O Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD/MG) pautou a discussão – em regime de urgência – com vistas a dar uma resposta adequada ao Supremo. Ora, o Congresso Nacional, coberto de razão, acusa o Tribunal de usurpar as competências do Poder Legislativo. Numa votação em plenário, na última quarta-feira, os senadores aprovaram o projeto num escore folgado de 43 a 21, dando uma “pancada certeira” no STF. O Projeto vai agora à sanção presidencial e já se dá como certo o veto de Lula. A coisa terá que voltar ao Legislativo para um novo “tratamento” e a treta promete muitas outras emoções.
Independente do mérito da questão - que carece, sim, de rigorosas considerações legais - o que destaco nisso tudo é a vergonhosa disputa do Poder que se trava desbragadamente entre os três pilares institucionais da Republica. Então, pergunto: até quando essa gente vai desrespeitar a Ordem da Nação em detrimento do Progresso? Falta muito para que nossos governantes entendam de modo adequado e correto a admirável estrutura institucional que dispomos neste país. Quando isso ocorrer a coisa vai fluir de modo respeitoso, democrático e republicano. Tenho dito. NOTA: Foto obtida no Google Imagens
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