sexta-feira, 17 de março de 2023

Aqui ou Acolá

Abro os jornais do dia e vejo a manchete de cara dando conta de que “No mesmo dia, dois casos de violência contra turistas no Centro do Recife” foram registrados, nesta quinta-feira, 16 de março. Lamento obviamente. E busco engrossar a sociedade que clama por segurança no estado e no país. Numa cidade como o Recife, uma das primeiras urbes do país, e que pretende se consolidar como grande polo de atração turística, fatos como estes se tornam logo matéria de capa dos veículos de noticias. E merece, é claro. A informação é base para o desenvolvimento social e o progresso econômico. E, neste caso, indispensável considerar a importância que o Turismo proporciona. Ontem foram turistas argentinos e noutro dia foram alemães. Todos passageiros de transatlânticos de cruzeiros que aportam no Recife, muitas vezes por poucas horas. À primeira vista, a cidade oferece um panorama de indiscutível beleza, com perfis arquitetônicos neoclássicos e quadro natural diferenciado, na área denominada de Recife Antigo e Marco Zero. São atrações que conquistam facilmente qualquer visitante. (Vide foto abaixo). Tudo à mão e a pé. Dalí, não fica difícil atravessar a primeira ponte e adentrar aos velhos bairros de Santo Antônio e São José. São locais de comercio popular e grande movimento ambulante, que igualmente exerce atração ao turista, sobretudo, o mais desavisado. E é por ali que vem residindo perigo. Foi por lá que ocorreram esses recentes episódios. Contudo, embora lamentável, não é coisa somente daqui. A insegurança reside tanto aqui, quanto acolá. Falando assim, não sugiro justificativa, nem desculpas pelo Recife, mas, tentando fazer um paralelo com as experiências vividas. Acontece que o mundo moderno, gerador ilimitado de pobreza, ao tempo em que oferece as facilidades de deslocamentos, sejam migratórios ou turísticos, pode explicar o universal mau dos assaltos.
Já viajei muitas vezes na vida.Não posso reclamar. Quem me conhece pode afirmar. Nas minhas andanças, nos mais distintos propósitos de viagem, sempre estive atento e vigilante com meus pertences e com a minha vida. Nem por isso estive imune das garras dos assaltantes, porque eles estão em toda parte. É lamentável chegar, por exemplos, no Vaticano ou na Basílica do Sacré-Coeur (Paris) e dar de cara com vários avisos de cuidados porque circulam batedores de carteiras. Já fui vitima de assaltante em Buenos Aires, onde fiquei sem dinheiro, passaporte, cartões e credito e pequenos objetos da bolsa a tiracolo. Não faz muito tempo e fui assaltado em Santiago do Chile, onde um sujeito arrancou-me do pescoço, com violência, um cordão de ouro, onde mantenho uma medalha herdada da minha falecida mãe. A medalha foi salva, mas, o cordão foi levado. A propósito, em Santiago, é bem comum um cinto de segurança, em cada cadeira, em bares e restaurantes, para que o cliente mantenha a salvo sua bolsa ou pacote. Em Paris são populares as duplas de golpistas que iludem os turistas para roubá-los. Um deles trata de distrair a vitima, enquanto o segundo dá o bote na bolsa, carteira ou similar. Em Roma, com minha esposa, tivemos que entrar num Hotel do qual nem éramos hospedes para despistar um provável assaltante que nos seguia insistentemente. E, no Marrocos, tive de pedir proteção à policia, numa rodoviária, para me salvar da sanha criminosa de um sujeito que ameaçou degolar-me. Essa vez, foi muito estressante. Faço ideia do pavor que sentiram os turistas assaltados aqui no Recife. Tomara que esses episódios sirvam de alerta às autoridades de plantão. Que a Senhora Governadora no trato de ajustar a máquina da segurança pública determine modo enérgico para a situação do centro da cidade. O Recife é uma cidade bonita e com características históricas a serem tratadas de modo especial e, com justiça, conquistar um lugar de destaque no cenário turístico nacional. NOTA:Foto obtida no Google Imagens.

quinta-feira, 2 de março de 2023

EVOCAÇÃO

O ano vai, de fato, começar. No Brasil é assim. O carnaval passou, os brasileiros se entregaram à folia e extravasaram os desejos reprimidos durante o retiro imposto pela pandemia. Agora é trabalhar. Vi noticias dos milhões de turistas que vieram ao Recife e dos milhões de Reais que o reinado de Momo proporcionou ao mercado local. No meu voluntário retiro carnavalesco recordei os bons tempos que já vivi no Reinado de Momo. Sempre fui muito folião. Questão de berço. Minha família é típica pernambucana e, por conseguinte, amante da folia e do frevo. Recordo que meu carnaval começava sempre ao raiar de cada novo ano. Não perdia as inúmeras previas carnavalescas que, de modo geral, se multiplicavam durante os janeiros e fevereiros da vida. E quando o carnaval se estendia até os primeiros dias de março a farra era dobrada. A coisa era de tal forma que quando a quarta-feira ingrata chegava dava-me uma sensação de vazio e, por vezes, provocava lágrimas. Nada mais natural, depois de boas doses de uísque. Como uma coisa tão divertida e gostosa durava tão pouco? Arroubos de uma juventude dourada e inesquecível. Hoje, quando as coisas não passam de evocação, por deliberação pessoal, fico intrigado e imaginando como pude abdicar dessa tão grande curtição do passado.
Bom... fui do tempo do corso na avenida, do uso do lança-perfume, da transição para o abominável mela-mela e dos saudosos carnavais de salão, nos clubes Internacional e Português, do Recife. Com muito entusiasmo dei boas-vindas ao carnaval das ruas em Olinda e no Velho bairro do Recife e ao Galo da madrugada. Tudo virou algo sem limites. Sinto saudades dos últimos anos ’90 e principio deste Século 21. Daí em diante, nosso carnaval se transformou numa violenta exploração de mercado, difícil de lidar para quem viu e viveu o dantes da folia. As tradicionais manifestações folclóricas – grandes blocos de rua, blocos líricos, troças, ursos, caboclinhos e maracatus, bumba-meu-boi, entre tantos outros – foram perdendo espaço na folia local e sufocados pela infeliz ideia de promoverem um tal de carnaval multicultural que, na verdade, não passa de uma injustificável estratégia de faturar de modos financeiro e eleitoreiro que grassa nas cabeças dos políticos de plantão, sem a mínima noção de que estão assassinando impiedosamente a cultura local. É doloroso perceber que a “prata da casa” está sendo posta à margem e os incentivos outrora a estes reservados vêm sendo carreados para artistas de fora sem qualquer vinculo com nossas tradições. Fiquei pasmo ver que Caetano Veloso veio abrir o nosso Carnaval deste ano de 2023. Nada contra este artista. Pelo contrario sou seu velho apreciador. Mas, por que não Alceu Valença? Outro ano, dentro dessa estratégia equivocada, trouxeram Zeca Pagodinho... Francamente... o próprio artista disparou ao declarar “por que eu, se não entendo de frevo e de carnaval pernambucano”. Queria ver as caras desses promotores desavisados. Caí fora deliberadamente e passei a viajar nesses feriados. Outra coisa que me afasta do carnaval local é que deixou ser uma festa participativa e bailável.Com certa melancolia tomei emprestado ao Maestro Nelson Ferreira este titulo de Evocação para esta postagem, visto que cabe bem para apaziguar meu espirito inquieto diante do que testemunho nos dias de hoje. Sem querer ser saudosista, mas, culturalmente honesto, resta-me, tão somente, que surjam cabeças iluminadas decididas e orientadas que não esqueçam dos lendários Batutas de São José, Vassourinhas, Bloco das Flores, Andaluzas, Pirilampos, Madeira dos Rosarinho e tantos outros e que se monte um Memorial para que sejam preservados os nomes de Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon, Nelson Ferreia, Zumba, Capiba, Severino Araújo, Claudionor Germano e muitos que estão sendo ignorados pelas gerações recentes. NOTA: Foto de Capiba e Nelson Ferreira (acima) obtida no Google Imagens.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Foi demais

Prometi interromper meu recesso anual sempre que algo extraordinário ocorresse e provocasse um comentário do Blog. Estou, outra vez, a postos para um breve comentário sobre os últimos acontecimentos políticos no cenário nacional. Antes, porém, uma ressalva que julgo necessária: quem me conhece de hoje ou dantes pode conferir que sempre fui um democrata por princípios, responsabilidade profissional e cumpridor dos meus deveres de cidadão. São características colecionadas pelo tempo que já vivi e através do qual recebi lições e conhecimentos morais e cívicos. Critiquei quando atentei para possíveis erros e elogiei sempre que pude. Tudo com valor, coragem e destemor. Nessa trajetória de vida e dependendo da conjuntura fui taxado das mais variadas imperfeições: desde comunista a liberal de direita, entremeadas de outras mais ou menos radicais. Por conveniência pessoal e desconfianças do ambiente reinante, nunca me filiei a qualquer partido politico, muito embora alguns insistentes convites. Caso houvesse aceitado, optaria por um com reais princípios social-democráticos. Coisa, aliás, que no Brasil nem sempre é praticado. Em resumo, pugno sempre pelos referenciais democráticos e considero a Democracia o regime ideal de governo. (O termo origina-se do grego antigo δημοκρατία (dēmokratía) ou “governo”, que foi criado a partir de δῆμος (demos ou "povo") e κράτος (kratos ou "poder") no século V a.C.) Enfim, creio que nada se compara a este sistema. Na minha ótica o Brasil ainda está longe de se dizer uma democracia consolidada. A Nação não amadureceu o entendimento do regime e, infelizmente, conserva na sua raiz cultural, de muitas camadas, os maléficos sinais de regimes ditatoriais do passado. É preciso que o povo assimile o regime, que tem por principio a componente da divergência. É preciso que entenda que divergir faz parte e é necessário para os ajustes políticos de um Estado. Que respeite a vontade da maioria. É à base salutar de uma democracia. No dia-a-dia, ter propostas à mesa do debate político é fundamental. Não aceitar essa premissa é “abrir portas” para o desentendimento e para desencadear o retrocesso político-social de uma Nação.
O que ocorreu em Brasília no domingo passado (08/01/23) foi um movimento contrário aos referenciais de qualquer regime democrático que, por princípios, comporta manifestações pacíficas e demandas de justas correções. A coisa ia correta até que manifestantes, até então pacíficos, fizessem uso de atos coercitivos, violência desmedida e exacerbados vandalismos às sedes dos três poderes do Estado Brasileiro. Naturalmente que surgem, nessas horas, narrativas díspares e contundentes, comum num ambiente de extrema polarização politica, como é o caso. Contudo, nada justifica porque contra os fatos não há argumentos. Na verdade, a democracia foi confrontada e enxovalhada de modo lastimável. O patrimônio público e particularmente o histórico nacional foi agredido e empurrado ao lixo. Entendo que analisar uma ocorrência dessa magnitude independe da posição e coloração partidária. Ser contra ou a favor do governo constituído é algo acima de qualquer cogitação nesta hora. O que constitui o fulcro da questão é a segurança nacional e a preservação do regime democrático. O que aconteceu foi demais. Para concluir, desejo que episódios dessa natureza não se repitam e que a História julgue de modo correto e honesto esta pagina dolorosa.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

O Mito Pelé

A ideia inicial era de ficar um mês de recesso como anunciado na postagem passada. Salvo um motivo especial. E este motivo se revelou ao receber a noticia do falecimento de Pelé, coisa que naturalmente o Blog não deixaria escapar e fazer um registro, prestando a devida homenagem a quem, reconhecidamente, foi o maior nome do futebol mundial e indiscutível motivo de orgulho nacional para o Brasil. O Atleta do Século 20. Eu ainda era um rapazote e pouco ligado no futebol, salvo torcer pelo Sport Clube do Recife, quando ouvi falar pela primeira vez no nome de Pelé. Recordo da vibração do meu pai ao final da Copa de 1958 e seu entusiasmo ao falar do sucesso daquele jovem mineiro de 17 anos que entrou em campo, integrando a seleção canarinha, na Suécia, e deslumbrou o mundo do esporte com suas jogadas fantásticas ajudando de modo decisivo o faturando do primeiro titulo mundial de futebol para o Brasil. Dali em diante o garoto ainda franzino e saído das fileiras de base do Santos Futebol Clube, de Santos (SP), ganhou fama se notabilizou nos estádios no mundo inteiro e fez bonito projetando o nome do Brasil e de um novo e revolucionário modo de atuar com uma bola nos pés nos gramados da vida. Outro lance que lembro bem me ocorreu ao chegar à minha primeira visita a Londres, no Reino Unido, quando o oficial de recepção do Hotel Bloomsbury, recebeu-me cheio de salamaleques por ser brasileiro e conterrâneo de Pelé. Recordo que frisou entusiasmado que eles tinham uma Rainha e nós brasileiros tínhamos um Rei, com o particular privilégio de ser sem sucessor. Falou maravilhas e encantos com o jogador e prometeu que torceria pelo Brasil sempre que Pelé entrasse em campo. Era um descendente de indiano. Lembrei-me dele no ano seguinte, durante a Copa do México de 1970, quando Pelé deu um show de bola especial e se tornou o único jogador tricampeão mundial de futebol do mundo, até hoje. O homem Edson Arantes do Nascimento encantou-se no dia 29 de dezembro passado, aos 82 anos, mas o Mito Pelé ficará para sempre nas próximas gerações. Na verdade, toda ocasião que se fale de algo especial ou competitivo o nome de Pelé será, com frequência, juntado como um legitimo adjetivo. Por exemplo, Ayrton Senna foi o Pelé do automobilismo. Resta-nos hoje agradecer ao Rei Pelé, que proporcionou ao mundo da bola as maiores glorias e seu moderno desenvolvimento. Seu nome e sua fama ultrapassaram de modo avassalador as quatro linhas de um estádio de futebol. Foi uma figura admirada e querida em todas as camadas e atividades sociais dentro e fora do Brasil. Foi um nome que brilhou internacionalmente dada sua competência nos gramados ou fora destes. E não foi por outra razão que recebeu titulo de Atleta do Século, sem duvidas o mais cabível. Sua trajetória começou ainda criança quando perambulou pelas ruas de Bauru (interior paulista) como engraxate. Em paralelo e seguindo os passos do pai, Dondinho, começou batendo bola de modo descomprometido nos campinhos interioranos. Logo cedo, chamou a atenção, se revelando bom para o negócio. Sendo observado por um olheiro esperto, foi identificado como promessa de um grande craque e sendo indicado para as bases do Santos. Ali nasceu o craque. Aos 16 anos chegou às fileiras profissionais e a atuar na Seleção defendendo a camisa Verde e Amarela. Pelé foi certamente a primeira grande estrela do futebol brasileiro no cenário esportivo mundial, com a grande virtude de nunca forjar cenas e exibições tão comuns e extravagantes como as exibidas pelos craques de hoje. Seu brilho era natural e responsável, como responsáveis e profissionais foram sempre suas atuações. Elegante em atitudes, seguro no falar e nas ações sociais que resultam num legado irretocável.
O Brasil perde um dos mais importantes ícones da sua História. A ele nossos agradecimentos e todas as homenagens. Saiu da vida terrena, mas, entrou com honras e glorias para a História. Em bom tempo, a presidência da FIFA (Federação Internacional de Futebol Amador) recomendou durante as exéquias do jogador, ontem em São Paulo, que cada país colocasse o nome do Rei Pelé num estádio de futebol. O Rei do Futebol encheu-nos de alegrias inesquecíveis ao chutar de placa muito mais de 1.200 gols nas redes do mundo afora, imortalizando a Camisa 10, ao tempo em que era constantemente procurado de perto por outras majestades (Vide foto acima com a rainha Elizabeth II) e “manda-chuvas” do seu tempo. Obrigado Pelé. O mundo não te esquecerá jamais. NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

BOAS FESTAS

O ano chega ao fim, mas, antes uma pausa a calhar para festejar o tempo do Advento culminando com o Natal de Jesus. Nada mais oportuna para que aproveitemos a chance de reflexões e dar um balanço no ano que termina. Não foi um tempo dos mais fáceis. A pandemia da Covid 19 dominou, com altos e baixos, indo, voltando e sempre assustando, durante os doze meses. Começou, inclusive, o ano provocando o cancelando do carnaval brasileiro e deixando o povão sem o lenitivo anual da folia. Muitos nomes importantes partiram para a eternidade deixando a cena artístico-teatral mais pobre, entre os quais lembramos do formidável Jô Soares, da corajosa Elza Soares e da magnífica cantora Gal Costa. Em paralelo algo inesperado eclode no leste europeu quando Vlademir Putin, tirano presidente russo, resolve invadir a Ucrânia e detona uma guerra sangrenta com justificativas ainda recheadas de controvérsias e até abalando o mundo com ameaças de ataques nucleares. Para completar, no âmbito doméstico, o ano foi dominado politicamente pela eleição presidencial mais disputada da História e no “apagar das luzes” uma Copa do Mundo que passou sem que o nosso sonhado Hexacampeonato fosse viabilizado. Paciência, porque o ano acabou. O Blog do GB procurou sempre estar atento e, quando oportuno, registrando cada momento, repercutindo cada fato e comentando os mais variados episódios geradores de noticias. Num post final, então, e aproveitando o oportuno momento do balanço anual, o mais importante que resta é agradecer aos amigos e amigas, bem como aqueles que por simples interesse ou curiosidade visitaram o Blog e prestigiando-nos com seus comentários. Foram muito brasileiros e inúmeros estrangeiros que acolheram nosso convite de visita e contribuíram de modo efetivo para que chegássemos a um número de acessos que, agora, se aproxima à casa dos 1.150.000. Efetivamente, não se trata de nenhuma coisa extraordinária quando comparando com similares. Contudo, em se tratando de um espaço planejado para algo mais intimista se torna uma marca a ser festejada. Por fim, é hora de desejarmos FELIZ NATAL e um venturoso Ano Novo de 2023. Que nosso Bom Deus e a figura do Menino Jesus ilumine cada momento dos nossos leitores e leitoras. Que tenhamos um Novo Tempo mais promissor, mais Humano e repleto de Paz, Generosidade com o Planeta e mais Solidariedade entre os povos. BOAS FESTAS! Por oportuno, anunciamos que o Blog entra em recesso, prometendo voltar em meados de janeiro ou a qualquer momento que algo sugira um comentário de destaque.

domingo, 11 de dezembro de 2022

O Sonho Acabou

O que mais tenho ouvido e visto as redes sociais, nesses dias de ressaca da derrota do futebol brasileira, pela seleção da Croácia, na Copa do Catar/2022 é que “o sonho acabou”. Sonho da conquista do hexacampeonato mundial. Acho, inclusive, curioso como a coisa toma corpo e contagia negativamente a população, sobretudo a nova geração. Vi jovens garotos chorando revoltados, após as cobranças dos pênaltis fatais. Aliás, o mundo assistiu aos próprios jogadores canarinhos vertendo copiosas lágrimas ainda em campo. (Foto a seguir) Chega a ser inacreditável. Não entender que no esporte um dia se ganha e noutro se perde, parece ser coisa impossível para um brasileiro. Faz parte do jogo, meu Deus. Alguém tem que perder, para que outro ganhe.
“Ah! Mas perder em cobranças de pênaltis” é uma vergonha, ouvi de alguns após o jogo com a Croácia. São pessoas que esquecem que já fomos campeões depois de uma rodada nervosa de cobranças de penalidades máximas, em 17/07/1994. Depois de empate em zero a zero, no tempo normal e na prorrogação, com a Itália, o Brasil venceu por 3 x 2 e foi Tetracampeão Mundial. Foi um feito histórico no domínio do futebol. A equipe era fantástica sob o comando de Carlos Alberto Parreiras. Os meninos jogaram com corpo e alma. Dessa vez recente não deu. O sonho acabou ali mesmo na monumental cancha do Catar. Parecia mentira, como pareceu mentira o episódio dos 7 x 1 impostos, dentro de casa, pela seleção alemã, em 2014. Bom... o episódio recente se projetou quando, com a vitória faturada na prorrogação com um belo gol de Neymar, a moçada relaxou e deixou a Croácia empatar. Foi ali, que “a casa caiu”. Faltava pouco tempo e as cobranças de pênaltis era iminente. O resultado foi cruel, para quem esperava a grande vitória. Toró de lágrimas de norte a sul e de leste a oeste, em Pindorama. Reconheçamos que é impressionante como a cultura legada pelas gerações passadas criou essa reação, natural para muitos, mas que, no final das contas, enraizou-se no meio social criando uma espécie de síndrome da revolta coletiva do derrotado. Uma revolta que se expressa das mais diversas formas porque, uma coisa é certa, criticar e buscar os culpados é coisa rápida e simples. Fácil, fácil... e, no Brasil, ser oposição é até um bom passa-tempo. Foi o jogador tal, ou foi o treinador? Quem errou e onde errou? As criticas e os memes nas redes sociais não param de crescer e se multiplicar. O jogador Neymar Jr. e o treinador Tite estão sendo crucificados a toda hora. São criticas bem fundadas? Vale à pena avaliar. O brasileiro precisa aprender que em futebol, ou noutro esporte qualquer, saber disputar e ter competência é coisa fundamental. “Foi pra chuva, tem que se molhar”. Viver dos louros do passado pode ser inútil. Cada jogo é um jogo. E cada Copa do Mundo é uma nova oportunidade de provar a competência. Um coisa, porém, tem que ser ressaltada: vai ser cada vez mais difícil formar uma seleção brasileira como as do passado. Vamos e venhamos, há uma diferença brutal entre nossos jogadores de hoje quando comparados com os nossos craques dos anos 60, 70, 80 e 90. O que vemos atualmente são figuras vaidosas, bilionárias e repletas de interesses pessoais, incapazes de se integrar, de corpo e alma – como exige o futebol – numa equipe formada às pressas e de última hora sem os devidos treinos. O resultado é que sem espirito de equipe e dependente de um figurão, Neymar neste caso, ao qual se atribui a responsabilidade maior, a situação se complica e dá no que dá. Futebol é esporte de equipe! Como recordar é viver vale lembrar que felizes fomos como campeões, cinco vezes, graças às valorosas pernas de jovens talentos, alheios aos salários milionários que hoje são pagos e habituados a formar equipes maduras e responsáveis. Nenhum ostentava joias caras, penteados e tatuagens de gostos duvidosos, carros possantes e caros, mansões fabulosas, mulheres exuberantes, aviões particulares e nem exigiam mordomias extravagantes dos patrocinadores. Claro que existe exceções da parte de alguns, mas isto não justifica o exibicionismo aviltante de alguns. Vergonhoso. Esses dias de ressaca uma foto, exibida nas redes sociais, é emblemática (vide a seguir) que mostra a simplicidade de uma velha equipe campeã se preparando para uma Copa. Jamais, esses rapazes de hoje, se sujeitariam a isso.
Aí pergunto: como ser campeão com uma formação tão viciada em mordomias extravagantes e vaidades absurdas? Como ser campeão contando com jogadores que sequer vivem no Brasil e que pouco apego manifestam ter pela camisa verde-amarela? Está difícil. Não tem sonho que se realize. Pensando bem, não adianta sonhar. Nota: Fotos obtidas no Google Imagens e na rede social.

sábado, 3 de dezembro de 2022

A Pátria de Chuteiras.

Já se vão bons anos desde que li, o hoje clássico, “A Pátria de Chuteiras”, da autoria do meu ilustre conterrâneo Nelson Rodrigues. Ninguém soube traduzir tão bem o latejar da alma brasileira e sua relação simbiótica com o futebol. O Cara era um gênio em cima de uma Olivetti que, suponho eu, não acompanhava à altura a cascata de imagens geradas por uma mente tão arguta. Rodrigues foi, para mim, o mais brasileiro dos brasileiros ao saber expressar, com competência e amor febril, o ardor patriótico que lateja na alma dos habitantes de Pindorama face às campanhas da seleção canarinha defendendo as cores da camisa verde-amarelo. Chegou ao ápice das suas observações quando disse se tratar de uma “pátria de chuteiras”. Acho esta imagem uma ideia brilhante. Pena que teve de nos deixar antes de jornadas brilhantes do pós-tri. Rodrigues faleceu em 1980.
Bom... o homem morreu, mas as imagens que desenhou continuam vivas e repetidas com frequência. Inegavelmente, esses dias de Copa do Mundo, no Catar, fora do seu habitual calendário, veio em boa hora para acalmar a Nação recém-saída de um traumático momento politico que a dividiu e esfacelou relações das mais sólidas - dentro e fora do plano político-partidário – e, por felicidade, vem despontando como uma solução oportuna de restaurar a união e apascentar os ânimos renitentes de partidários que ainda não atentaram para o fato de que a pátria ainda calça chuteiras. De repente, o verde-amarelo e o pavilhão nacional, pouco antes bandeira partidária, “reinventa-se” como flâmula de torcedor. Em boa hora, pois, os brasileiros amarraram as chuteiras e, tal como surfando numa onda de “hexapensamentos”, desengasgam os gritos de gols, há bom tempo, acumulados. Nesta semana decisiva, o Blogueiro acompanha atento aos embates que se desenrolam nas franjas do deserto, sofrendo e torcendo a espera de reviver grandes momentos de jornadas passadas. Simbora minha gente! Calcemos nossas chuteiras e juntos vamos ao Hexa! NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...