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terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

O carnaval que o tempo levou

Fui um grande folião no passado. Esperava o carnaval o ano inteiro e com certa ansiedade. Não havia festa melhor na minha vida. Brinquei muito. Dos grandes bailes e blocos que antecediam o período momesco até a quarta-feira de cinzas. Inebriado com os festejos, calibrado com “combustíveis” ingeridos e de par com algum amor à época, por pouco não chorava quando os últimos clarins anunciavam a chegada da quarta-feira ingrata. Foi uma época vibrante e rica culturalmente falando. Como bom pernambucano, sempre fiz valer a tese de que o réveillon é a porta de entrada do período carnavalesco e que o ano só começa depois do carnaval. Nessa pisada, não perdia nenhum dos grandes momentos dos nossos festejos e mantive sempre acesa a ideia de que no Recife se faz o melhor carnaval do Brasil. E isto não é à toa,ao lembrar que o estado de Pernambuco, face às suas origens históricas, é berço de inúmeros ritmos diferentes, na maioria ligados aos festejos carnavalescos. Frevo, frevo-canção, frevo de bloco, frevo-lírico, maracatu, maracatu-rural, caboclinhos, bumba-meu-boi, entre outros. As variações são inúmeras e as manifestações se desdobram no correr do ano. Até os famosos trios elétricos nasceram no Recife, patrocinados pela Coca-Cola. Tempos depois foram capitalizados pelos baianos a partir da famosa dupla Dodô e Osmar (vide Foto a seguir quando de visita ao Recife em 1959), tomando conta do Brasil. Sem dúvidas, uma modernidade. O progresso da comunicação e as facilidades de deslocamentos sociais levaram esses ritmos pernambucanos a outras regiões do país, bem como trouxeram ritmos alienígenas exercendo influencias das mais variadas. Ora enriquecendo, ora deturpando os locais. Nada a reclamar porque faz parte do jogo de intercambio social.
O carnaval de agora, é verdade, se tornou mais retumbante, cresceu nas manifestações populares, recebeu mais incentivo oficial e ganhou um perfil bem diferente dos observados na segunda metade do século passado. Aquilo dantes o tempo levou e, naturalmente, não volta mais. Lembro, quando menino, do corso nas avenidas com carros e caminhões circulando com grupos fantasiados e das batalhas de confete e serpentina. Para refrescar e perfumar os ambientes havia o saudoso lança-perfume. (foto a Seguir)
Nos clubes sociais os bailes rolavam as quatro grandes noites, animados por orquestras afinadíssimas com os ritmos e a energia vibrante dos convivas. Dá saudades... O folião do passado, que repousa dentro de mim, ainda se aventura em participar dos festejos no atual formato e não se cansa de mirar pelo retrovisor para o que atrás ficou. Comparar aquilo com a versão de hoje é quase impossível. Não tem mais confetes e serpentinas. Nem lança-perfume! Tem, sim, as grandes multidões atrás dos trios elétricos, o desfilar dos astros da música pop agitando e provocando alegria, o deboche e o escrache do Sitio Histórico de Olinda, o monumental Galo da Madrugada (Foto no final do post) e o palco do Marco Zero. É um colorido diferente do antigo. Por sorte ainda posso registrar a resiliência dos tradicionais blocos, troças e maracatus. Mas, percebo que o tempo levou algo muito bom e tranquilo, dando de troco uma avalanche de alegrias que os mais antigos têm dificuldade de assimilar. Querem ver uma coisa? Tem nada mais curioso observar que já não se dança como no passado, dando voltas num salão notando que, ao invés disso, os foliões postam-se de pé diante de um palco monumental, auxiliado por telões adjacentes, assistindo ao desfilar de cantores (muitos dos quais desconhecidos e cavando notoriedade) que preenchem as noitadas do carnaval. Acho muito curioso. Desculpem-me os jovens porque nada é mais saboroso do que abraçar uma morena ou uma loura, não importa a cor, como lembrou Capiba num belo frev-canção (Cala Boca Menino) e rodopiar num salão ao som de um frevo rasgado executado sob a batuta de um saudoso Nelson Ferreira ou de um José Menezes, como fiz nos salões do Clube Internacional do Recife ou do Clube Português do Recife, hoje às escuras no tríduo momesco. Paciência, deve ser coisa da idade. Bom carnaval caros leitores e leitoras.

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Confete e Serpentinas

E lá se foi mais um carnaval. Já curti muitos desses. Sempre achei que não existe festa melhor do que essa. No passado, quando chegava a quarta-feira de cinzas eu marejava os olhos ao som dos últimos acordes do hino de Vassourinhas. “Como uma coisa tão boa assim só dura três dias?” perguntei muitas vezes. Arroubos da juventude, claro. Hoje a visão que tenho é outra. Há pelo menos dez carnavais estive ausente da folia local. Viajei, retirei-me ao refugio interiorano e evitei as multidões. Este ano, porém, por razões familiares fiquei no Recife e dei rápidos giros por Olinda e Recife. Senti-me quase como um “peixe fora d´água”. Achei tudo muito diferente do passado. E passado recente, mesmo. Indiscutivelmente, não posso negar, foi um belo festival de cores, músicas e fantasias tudo quanto assistimos, no Recife e Olinda, na semana que finda. Ainda assim, muita coisa merece ser lembrada por quem já viveu o tanto que já vivi e curtiu o tanto que já curti. Haverá quem me entenda. Começo por uma coisa simples e esquecida na recente semana de folia: confete e serpentina. Não posso entender essas ausências. Quantos amores nasceram de um punhado de confete? E muitos outros com “ataques” de serpentina atirada de distante? Pode parecer ingênuo para os jovens de hoje, mas, funcionava. Pelo meu retrovisor, recordo que cheguei a alcançar o corso na avenida e nas ruas dos bairros de São José e Boa Vista do Recife. Do janelão da casa dos meus avós paternos observei desde criança o desfilar dos foliões, carros enfeitados, jovens e velhos fantasiados, blocos e troças carnavalescas, numa alegria contagiante que como um vírus se impregnou no meu corpo e na minh’alma pernambucana. Quando proibiram o uso do lança perfume e inventaram as cabulosas bisnagas d´água como uma infame substituição, o clima de alegria sofreu um inesperado debaque. Não durou muito e surgiram as famigeradas pistolas d´água, que terminaram deteriorando a beleza do corso tradicional e instaurando a volta do historicamente proibido entrudo (tipo de carnaval, comum no século 19, em que os brincantes lançavam uns aos outros baldes d´água, farinhas, limões de cheiro, areias finas). Nos anos 60 e 70, essa modalidade de corso se desenvolveu e participei com entusiasmo, até o momento em que elementos deletérios, marginais da sociedade, resolveram misturar produtos químicos prejudiciais à saúde pública e individual. A coisa ficou perigosa e o carnaval da sociedade foi arrastado de vez, com toda força e animação para os salões dos clubes sociais. Decorriam os anos 70 e 80 do século passado. Foram carnavais formidáveis. As noites de folia lotavam os salões das principais agremiações sociais da cidade e deixavam saudades. Nada podia ser comparado àquela animação contagiante. Contudo, importante lembrar, as associações carnavalescas populares resistiram ao tempo e às mudanças sociais mantendo viva a cultura popular pernambucana. Blocos de frevo, maracatus, caboclinhos, as debochadas troças carnavalescas e os blocos líricos foram resilientes e atentos, alimentando os bons costumes da época.
Nessa onda do movimento de manutenção das tradições, um grupo de moradores do bairro de São José, liderado pelo folião local, Enéas Alves Freire, idealizou e fundou o Clube de Máscaras Galo da Madrugada. Foi certamente a mais bem sucedida ideia para resgatar o carnaval de rua do Recife. De uma simples agremiação, com poucos integrantes, que percorria as principais ruas do bairro, ao amanhecer do sábado de Zé Pereira, o bloco tomou folego, cresceu e se tornou, segundo o GuinessBook, no maior bloco de carnaval do mundo, além de símbolo macro do nosso contemporâneo carnaval. Fala-se de 2,5 Milhões de brincantes, neste recente carnaval. É uma marca ainda discutida.
Mas, por questão de justiça, convém destacar que essa resistência teve na Velha Olinda seu quartel general, preservado até hoje. Ali ocorre a cada tríduo momesco uma explosão de alegria atraindo foliões do Brasil e do exterior, subindo e descendo ladeiras, atrás dos tradicionais blocos, como Pitombeiras dos Quatro Cantos, Elefante, Homem da Meia-Noite e Bonecos Gigantes. (Vide Foto acima). Este ano foi estimada uma afluência de 3 milhões de pessoas. E no Recife, desde os anos 90, as autoridades municipais promovem festividades em diferentes polos de animação, com destaque para o que se leva a efeito no bairro Antigo, da cidade. A cidade para com a chegada de Momo! (Vide foto a seguir, Marco Zero do Recife)
Mas, aproveitando a esteira do assunto da falta de confete e serpentina, não posso deixar de criticar, lamentando, o desprestigio que o ritmo do frevo vem sofrendo. Ouve-se muito pouco frevo nos nossos atuais festejos. Ora, o frevo é uma identidade raiz do nosso carnaval. Não tenho noticia de novas composições. Quando muito se ouve Vassourinhas. Desapareceram os concursos pré-carnaval. Lastimável. Pior é perceber que ritmos alienígenas invadem nossa festa de modo escancarado em detrimento dos valores locais e com a aquiescência das autoridades competentes. Nas festas de espaços privados, então, que se multiplicam pela cidade, com ingressos a peso de ouro, o frevo é esquecido e substituído por axés, raps, bregas, sertanejos, forrós, entre outros ritmos. Sinceramente, carnaval pernambucano sem confete, serpentina e frevo deixa muito a desejar. Vá lá que haja “modernização”, com trios elétricos no Galo e equipamentos de ponta nas festividades. Isso é tolerável e necessário. Mas, não deixemos o frevo morrer. No próximo ano, aqui estando, vou montar um posto de venda de confete e serpentina na esquina da Avenida Rio Branco, no Recife Antigo, auxiliado por uma caixa de som tocando somente frevos. NOTA: As fotos ilustrações foram tiradas do Google imagnes. A do Galo foi publicada pelo Jornal Folha de Pernambuco.

quinta-feira, 2 de março de 2023

EVOCAÇÃO

O ano vai, de fato, começar. No Brasil é assim. O carnaval passou, os brasileiros se entregaram à folia e extravasaram os desejos reprimidos durante o retiro imposto pela pandemia. Agora é trabalhar. Vi noticias dos milhões de turistas que vieram ao Recife e dos milhões de Reais que o reinado de Momo proporcionou ao mercado local. No meu voluntário retiro carnavalesco recordei os bons tempos que já vivi no Reinado de Momo. Sempre fui muito folião. Questão de berço. Minha família é típica pernambucana e, por conseguinte, amante da folia e do frevo. Recordo que meu carnaval começava sempre ao raiar de cada novo ano. Não perdia as inúmeras previas carnavalescas que, de modo geral, se multiplicavam durante os janeiros e fevereiros da vida. E quando o carnaval se estendia até os primeiros dias de março a farra era dobrada. A coisa era de tal forma que quando a quarta-feira ingrata chegava dava-me uma sensação de vazio e, por vezes, provocava lágrimas. Nada mais natural, depois de boas doses de uísque. Como uma coisa tão divertida e gostosa durava tão pouco? Arroubos de uma juventude dourada e inesquecível. Hoje, quando as coisas não passam de evocação, por deliberação pessoal, fico intrigado e imaginando como pude abdicar dessa tão grande curtição do passado.
Bom... fui do tempo do corso na avenida, do uso do lança-perfume, da transição para o abominável mela-mela e dos saudosos carnavais de salão, nos clubes Internacional e Português, do Recife. Com muito entusiasmo dei boas-vindas ao carnaval das ruas em Olinda e no Velho bairro do Recife e ao Galo da madrugada. Tudo virou algo sem limites. Sinto saudades dos últimos anos ’90 e principio deste Século 21. Daí em diante, nosso carnaval se transformou numa violenta exploração de mercado, difícil de lidar para quem viu e viveu o dantes da folia. As tradicionais manifestações folclóricas – grandes blocos de rua, blocos líricos, troças, ursos, caboclinhos e maracatus, bumba-meu-boi, entre tantos outros – foram perdendo espaço na folia local e sufocados pela infeliz ideia de promoverem um tal de carnaval multicultural que, na verdade, não passa de uma injustificável estratégia de faturar de modos financeiro e eleitoreiro que grassa nas cabeças dos políticos de plantão, sem a mínima noção de que estão assassinando impiedosamente a cultura local. É doloroso perceber que a “prata da casa” está sendo posta à margem e os incentivos outrora a estes reservados vêm sendo carreados para artistas de fora sem qualquer vinculo com nossas tradições. Fiquei pasmo ver que Caetano Veloso veio abrir o nosso Carnaval deste ano de 2023. Nada contra este artista. Pelo contrario sou seu velho apreciador. Mas, por que não Alceu Valença? Outro ano, dentro dessa estratégia equivocada, trouxeram Zeca Pagodinho... Francamente... o próprio artista disparou ao declarar “por que eu, se não entendo de frevo e de carnaval pernambucano”. Queria ver as caras desses promotores desavisados. Caí fora deliberadamente e passei a viajar nesses feriados. Outra coisa que me afasta do carnaval local é que deixou ser uma festa participativa e bailável.Com certa melancolia tomei emprestado ao Maestro Nelson Ferreira este titulo de Evocação para esta postagem, visto que cabe bem para apaziguar meu espirito inquieto diante do que testemunho nos dias de hoje. Sem querer ser saudosista, mas, culturalmente honesto, resta-me, tão somente, que surjam cabeças iluminadas decididas e orientadas que não esqueçam dos lendários Batutas de São José, Vassourinhas, Bloco das Flores, Andaluzas, Pirilampos, Madeira dos Rosarinho e tantos outros e que se monte um Memorial para que sejam preservados os nomes de Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon, Nelson Ferreia, Zumba, Capiba, Severino Araújo, Claudionor Germano e muitos que estão sendo ignorados pelas gerações recentes. NOTA: Foto de Capiba e Nelson Ferreira (acima) obtida no Google Imagens.

sábado, 4 de dezembro de 2021

O dilema de decidir

Decidir por algo ou por alguém é, indiscutivelmente, um dos maiores desafios do ser humano. E quando uma decisão depende de alguém de poder, com concretas influências – positivas ou negativas – na vida de uma coletividade o desafio se revela muito mais expressivo. As guerras, as relações internacionais nas vertentes políticas e econômicas, as calamidades decorrentes das “revoltas” da natureza, as disparidades socioeconômicas, enfim as relações humanas de modo geral exigem tomadas de decisões quase sempre estressantes. É por aí que a humanidade vem passando historicamente, com frequentes episódios e, particularmente, os constatados neste tempo de pandemia. Tenho acompanhado atentamente as démarches sobre as decisões dos governantes locais quanto à realização de eventos, sempre grandiosos, por ocasião da passagem do ano e do carnaval que se aproximam.
Naturalmente que há um jogo de interesses, velho conhecido da sociedade, que provoca o grande dilema deste momento. E, em se tratando de ano de eleições, qualquer episódio dessa natureza provoca um tremor ilimitado nas campanhas eleitorais, colocando candidatos num quadrado limitado. Eu não gostaria de vestir a pele de nenhum desses detentores do poder de decidir. Imaginemos o dilema de lidar com duas correntes antagônicas e em relativo desespero: por um lado, há os que desejam a comemoração monumental de cada ocasião, na busca de faturar com sua produção ou prestação de serviço, alegando ser a “tábua de salvação” que resta para atenuar o momento de baque econômico. Por outro, os cientistas e os defensores da saúde pública aconselham cancelamento sumário dos festejos. Está difícil provar à sociedade que a pandemia não terminou. O desejado convívio com o vírus e a esperança de um tempo de endemia ainda são coisas distantes de virar realidade. Segundo os especialistas do assunto, as possibilidades de novas variantes e repetição de surtos continuam evidentes haja vista ao ocorrido na semana passada, com o surgimento da variante ômicron, que já se manifestou nos cinco continentes. A vida continua e precisamos vivê-la. É verdade. Mas, tenho pra mim, que não será a mesma dantes. O propalado novo normal, tantas vezes negado, pode se revelar de modo lento e, no mundo moderno, por pelo menos dez anos. É um tempo provável de recuperação, similar ao que ocorreu na pandemia da gripe espanhola que tomou muito tempo para ser esquecida. Neste momento, por fim, resta ao Blogueiro ratificar o apelo da semana passada para que o dilema de decidir tenda a considerar as referências científicas vigentes e que a sociedade viva em segurança sanitária nos próximos tempos. Parece ser o caminho adequado. Enquanto isto, vacinas, cuidados pessoais (máscara e asseio) e consciência coletiva sejam cumpridos na risca. E, dos nossos poderes decisórios esperamos coragem e pulso para o bem geral.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Eu não sabia que doía tanto

Quem diria que viveríamos dias de carnaval em clima de trevas? Parece mentira. Hoje poderíamos estar em plena folia. A Covid-19 fez silenciar os tambores e clarins de Momo, deste ano, deixando-os recolhidos nas sedes das agremiações. O Recife está mergulhado num silêncio inédito. Quando se é, de fato, bom pernambucano e que espera um ano para cair na folia carnavalesca, ao som do frevo rasgado e fazendo o passo da tesoura, amarga um momento de frustração e de puro ineditismo. Mesmo sem haver entrado nos folguedos, nos anos recentes, minha alma cultural não aguenta este silencio que hoje vive. Eu não sabia que doía tanto ficar sem carnaval. Para os quem vivem da economia e do movimento carnavalesco deve ser um verdadeiro calvário. A única alternativa que resta é curtir as lembranças do passado e alimentar a esperança para 2022. As velhas fantasias ficarão guardadas e as planejadas não saíram das gavetas. É emocionante o documentário exibido na TV e retratando a dor que dói no coração pernambucano. Quer saber, clique em: https://youtu.be/RSUK2m7u848 Ou copie e cole no navegador. Vale à pena.
Falando das lembranças recordo da minha infância carnavalesca com orgulho e com saudade. Minha mãe, grande foliã, preparava os filhotes, com antecipação, para viver o tríduo momesco com todo brilho e emoção. Lembro, como se hoje fosse, da bolsinha de filó por ela confeccionada na qual cada um guardava com cuidado sua cota de confetes coloridos, somente compulsados quando da oportunidade em que alguém merecedor de um punhado aparecia pela frente. Era um gesto inocente de declarar amor e amizade. E fazíamos sem perceber o sentido exato daquilo. Quanto lirismo! O álbum de antigas fotos da minha mãe está recheado de índios, palhaços, holandesas, bailarinas, pierrôs, entre outras figuras que enchiam de sonho as cabeças das crianças que fomos. Fantasias e ilusões que na quarta-feira eram guardadas esperando outro carnaval chegar. Ah! Lembro também do lança-perfume da marca Rodouro, na sua embalagem metálico-dourada e símbolo de status da época. Cada um recebia um tubo do tamanho infantil com a recomendação de ser parcimonioso no uso para durar o carnaval inteiro. Eu administrava aquilo com o maior cuidado para durar os três dias. Por trás disso, aliás, uma lição de saber não esbanjar. Do janelão da casa dos meus avós paternos, no velho bairro de São José (Recife Antigo), assistíamos ao desfile do corso, na versão tradicional, dos blocos carnavalescos e maracatus. Era uma festa de rua que enchia nossos olhos infantis. Uma lição de cultura a cada instante. Pensando bem, é natural sentir a dor provocada pela falta dos clarins e das orquestras de frevo que sentimos neste ano corrente.
Mas a saudade dói também quando me lembro dos inesquecíveis bailes de carnaval dos nossos clubes sociais nos anos 70, 80 e 90. Aquilo era verdadeira apoteose. Como era bom. Um dos mais estrondosos era o carnaval do Clube Internacional do Recife que explodia de alegria nas quatro noites de festas. Fantásticas orquestras - como as de Nelson Ferreira e José Menezes - se revezavam no palco e se constituíam em verdadeiras usinas de animação. Noites com mais de vinte mil pessoas, espalhadas pelos salões, jardins e parques do clube, a cantar e dançar até o dia raiar. Foram dias de gloria. Quem viveu sabe contar direitinho. O tempo passou e mudanças ocorreram. O Recife cresceu, virou uma metrópole e o carnaval se tornou uma festa mais popular ainda do que no feitio das antigas. Saiu da fase dos salões de clubes sociais e ganhou as ruas, com forte esquema politico-comercial. Isto nem sempre bem visto. Contudo, as raízes foram preservadas e continuam muitos vivas. Ritmos alienígenas tentaram sufocar o frevo rasgado, mas, ficou claro que este ninguém abafa. Ao mínimo sinal a multidão se agita, o sangue pernambucano ferve e a povo enche os pulmões quando conjuga, com orgulho e muita alma, o verbo frevar. Tente ficar parado ao escutar os acordes do frevo- de-rua Vassourinhas, verdadeiro hino do carnaval pernambucano. Duvido. Tudo é verdade e nunca passou, por qualquer cabeça, que um dia um vírus venenoso pudesse dar um basta. Tomara que seja apenas uma pausa. Dói. Dói demais e eu não sabia que doía tanto. Nota: Fotos ilustrativas colhidas no Google Imagens

domingo, 28 de junho de 2020

Junho Nostálgico

O tempo vai correndo e mais uma semana termina sem que a pandemia dê a trégua que todos desejam. Esta que hoje termina deixa, certamente, sabor diferente das antecedentes pelo clima nostálgico que imprimiu, aqui nas bandas do nordeste. Junho vai acabando e levando, sem festejos, um tempo irrecuperável dos tradicionais folguedos em homenagens aos santos Antônio, João e Pedro. A crise sanitária impediu que acendêssemos nossas fogueiras, espocássemos nossos fogos e soltássemos nossos balões como dantes sempre fizemos.
Viva São João - Nordeste 
Se não festejamos devido ao cansativo e necessário afastamento social imposto pela Covid-19, restaram-nos as lembranças dos tempos passados e, nessas circunstancias, a oportunidade de avaliarmos e melhor valorizarmos algo cultural que imaginávamos nunca cessar. Coisas da vida e da história que segue.   
Sempre fui muito ligado às tradições culturais e fiz questão de comemorar ao tempo e a cada hora. Carnaval, páscoa, natal e os festejos juninos. Estes com direito às manifestações tradicionais trazidas pelos portugueses e adaptadas aos trópicos com fogueiras, danças da quadrilha e comidas da época. Acrescidas com o passar dos tempos de xaxados, baião e forrós. Coisa que trago da infância e do seio familiar. Lembro que a cozinha da minha casa, na véspera do dia de São João, era invadida pela cor e o aroma das  reluzentes espigas de milho tiradas das palhas e transformadas em cangicas (curau da região sudeste), pamonhas, cozidos simplesmente e do inesquecível bolo de milho verde, receita de família, que compunham a mesa das noites de folguedos. Ainda sou capaz de sentir a sensação e os aromas desses sabores produzidos sob a batuta da minha mãe. Outra coisa inesquecível era a antecipada compra de fogos, providenciada pelo meu pai e mantido, num grande pacote, por dias, sobre o guarda-roupa no quarto dele e da minha mãe. Era um clima de verdadeiro frisson para mim e meus irmãos que admirávamos curiosos aquele volume de onde sairiam luzes e “explosões” na grande noite. Naturalmente que uma fogueira, precisamente diante da porta de entrada da casa, era acessa às 6 da noite para dar sorte e animar a todos. Belas noites juninas que foram se perdendo, como fumaças das lenhas queimadas, com a transformação do Recife na Metrópole de hoje.
Com o avanço do progresso, na cidade grande, fomos tangidos para o interior e é por lá que tentamos repetir as noites do passado. Mas, nem isto neste ano de pandemia. O mundo parou e se fez silêncio nas noites de junho deste ano. O Nordeste mergulhou num retiro inesperado e sem precedentes. Não houve fogueiras nem fogos. Ninguém dançou a tradicional quadrilha. Tempo estranho. 
Tomando uma taça de vinho, esses dias, pus-me a lembrar de que, no passado, fui um exímio mestre de quadrilhas. Gritei (era assim que se denominava o comando da dança) muitas dessas. Houve um ano em que fui mobilizado para gritar seis quadrilhas, entre os dias 13 (Santo Antônio) e 28 (São Pedro). Terminei sem voz por dias porque a coisa era na base do grito, mesmo. Não havia as facilidades de equipamentos de som como nos dias de hoje. Éramos felizes e nunca imaginamos viver um tempo de pandemia, sem fogueira e sem balões. Sem chuveiro de prata, sem “peidos-de-veia” e “bichas-de-rodeio”.  Sem estrelinhas. E sem busca-pé! Lembrei ainda que, anos recentes, comemorei os períodos juninos nos nossos interiores: com a família em Fazenda Nova, Bonito e no meu tranquilo refúgio de Gravatá. 
Entre os Bonecos Gigantes de Braga (Portugal)
 
A exceção foi, há dois anos, que tive a curiosidade de conhecer de perto as famosas festas de São João no norte de Portugal. Fui com minha família. Por incrível que pareça, ao contrário do Brasil, os festejos portugueses é quase um carnaval. Escolhemos a cidade de Braga que se enfeita de modo feérico num verdadeiro festival de luzes e cores. Bandas de rock se espalham pela cidade num festival de músicas internacionais, inclusive muitos sucessos brasileiros. Desfiles de grupos, inclusive um de bonecos gigantes! Lembrei-me de Olinda! As pessoas se entregam a noitadas de vinhos, sardinhas na brasa e goles de licor de ginja. A ginja é uma frutinha típica similar a uma cereja. Muito popular em Portugal. E tem bacalhau, claro. Tem também uma grande queima de fogos, a meia-noite, que se assemelha a uma noite de réveillon. Sinceramente, sai surpreso.  Não diria haver sido uma experiência boa. Mas, valeu já que sou da opinião de que na vida há de se conferir de tudo e aproveitar.
Fazendo uma comparação, ainda prefiro nosso estilo. 
Na verdade, apesar das inovações que se observam nas danças modernas de quadrilha, com uniformizadas fantasias, mantivemos boa parte da tradicional cultura. E Viva São João. Ainda que num ambiente nostálgico.
      
NOTA: Foto colhida no Google Imagens e do Arquivo pessoal. 
       

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Fracasso Anunciado

Tenho ouvido, nesses últimos dias, muitas críticas aos organizadores do carnaval do Recife. Faltam incentivos às legítimas e tradicionais manifestações culturais locais. Bailes que animavam o período pré-carnavalesco estão sendo cancelados, concursos de músicas carnavalescas foram esquecidos pelas entidades de fomento à cultura e o carnaval recifense virou um repetido e cansado festival de ritmos variados, muitos deles sem qualquer relação com as origens carnavalescas pernambucanas. Não foi por falta de aviso! Neste humilde espaço, tratei deste assunto com tons críticos desde que vi ser anunciado um tal de Carnaval Multicultural, durante o governo municipal petista. Era, como comentado depois, uma forma de encobrir as manobras comerciais e “arrecadatórias” que acredito rolem até hoje. Trouxeram e continuam trazendo artistas de fora em detrimento dos locais, a preço de ouro e garantindo as “vantagens” por fora. Nessa onda espúria vi até exibições de tango no Cais da Alfândega. Nada contra o tango, nem o rock, o axé ou o carimbó, mas, fazer desses ritmos base do carnaval do Recife! Francamente. Vá à Bahia e veja o que ocorre. Preservação dos valores locais!     
Numa clara conseqüência dessa incompetência cultural, lamento ao notar que as novas gerações não sabem o significado do frevo ou do maracatu. Aliás, detestam esses gêneros de música. Não tardará muito e serão lembranças do passado. Por mais que se entenda que os tempos mudaram e novas idéias e novas formas criativas aparecem é inadmissível que uma ação orquestrada por profissionais desqualificados e alienados, no comando das entidades culturais promotoras, prestem um desserviço social que vem aniquilando o que de precioso foi construído no passado. O fracasso de hoje foi, portanto, um coisa anunciada.  
Observe-se que o que norteia, atualmente, as programações carnavalescas do Recife é pautar valores artísticos de fora, na esteira do sucesso nacional, em lugar da valorosa prata da casa. São interpretes de ritmos alienígenas para iludir os alienados pernambucanos ao som de pagodes, funks, sertanejos, sertanejos universitários, axés, carimbós e rock da pesada, entre outros. Frevo que é bom e pernambucano aparece, quase pra fazer favor e à margem da programação oficial. Pior do que isto é ver que o público assiste tudo de pé numa aglomeração quase sem entusiasmo para pular ou dançar. Portanto, não passa de um festival de músicas e ritmos diversificados. Quem quiser que aprove. 
Multidão parada assistindo a um show carnavalesco no Marco Zero
A salvação do carnaval recifense vem sendo o desfile do Bloco de Máscaras Galo da Madrugada, feliz iniciativa de tradicionais foliões, arrastando no sábado de carnaval uma incalculável multidão pelo centro do Recife. Em moldes atuais o Galo vem honrando as tradições pernambucanas e divulgando o nosso carnaval. Aqui e acolá correndo riscos ao escorregar, também, na leviana ideia de trazer “axeseira” e “carimbozeira”. Mas, Spok responde a altura e mexe com o público. Também, depois do desfile do sábado, quem pode deixa a cidade porque já não encontra nada mais atrativo. Os velhos desfiles de blocos populares – frevo, maracatus e caboclinhos – não despertam mais interesse do público, seja pela pobreza que apresentam e a pouca importância que recebem das autoridades (in)competentes. Faltam apoios da Prefeitura, do Estado e da iniciativa privada. Os grandes patrocinadores comerciais, que podiam aportar recursos, mantêm-se ao largo. E quando o fazem é por meio de algum candidato a cargo eletivo. Aí já viu. Melhor nem comentar.
Fora o Galo, outras poucas agremiações são sustentadas por grupo de famílias da classe média, com poder próprio de bancar fantasias, músicos e flabelos fazendo um carnaval privado, quase sempre em ambientes restritos, relembrando os velhos carnavais, casos dos Bloco da Saudade e Bloco das Flores.
Bloco da Saudade tentando salvar a tradição local 
Muito bem! Mas, resta o Carnaval de Olinda. Bom, este é um capitulo a parte. Tem características anárquicas bem próprias, onde o deboche, a gandaia e a libertinagem dão seus tons. Agrada em cheio a turma jovem que encontra espaço para extravasar seus recalques, mágoas e traumas, além de expungir seus fantasmas. Não falta quem goste!   

NOTA: Fotos obtidas no Google imagens

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Falando de Carnaval

Tenho sido muito critico nos anos recentes quanto à programação do carnaval do Recife. Sinto-me coberto de razão diante do desprestigio que se atribui aos autênticos traços culturais locais e em particular ao ritmo do frevo. Tranquilizo-me quando vejo que não estou sozinho nas denúncias, diante das severas observações que são feitas por críticos respeitados e formadores de opinião.
Neste período pré-carnavalesco de 2014 já se confirmam a manutenção de um estado de descaso para com as tradições locais. É lastimável ver o lamento do Maestro Duda – um ícone do frevo pernambucano – “são tantas as injustiças com a nossa cultura: saímos das ruas, nos afastamos do público” (Diário de Pernambuco - 04.02.14). A Secretaria de Cultura da Prefeitura de Geraldo Julio prometeu rigor no inicio do ano passado e se desculpou por não poder corrigir a situação naquele inicio de gestão, herdada dos petistas ignaros. Agora, ao apresentar a programação deste ano, garantiu que 98% dos artistas contratados é “prata da casa”. Contudo, examinando a dita programação, desconfio que este cálculo pode revelar equívocos. Vi que artistas do Sul estão vindo – com altos cachês, é claro – para “animar” a festa dos recifenses. Entre esses, só tiro Elba Ramalho que, embora radicada no Rio e haver nascido na Paraíba, nasceu artisticamente no Recife, interpreta frevos e anda muito por aqui. O restante, francamente, não merece qualquer prestigio. Maria Gadu? Considero isto uma desacato.
Outra coisa incrível que li recentemente num dos nossos jornais diários foi de que o Bal Masquê do Clube Internacional, uma das mais tradicionais festas da cidade, se “baianizou” de uma vez por todas. Este ano foi animado por banda e artista baianos. A verdade é que este baile deixou de ser o BAILE de carnaval genuinamente pernambucano, há muito tempo.  Perdeu o encanto do passado e o charme que durante décadas ostentou. Hoje virou um pagodão,  axézão, sem limites, nem tamanho. Elitista? Quem, eu? Coisa nenhuma... Valorizo um autêntico Bal Masquê, assim como valorizo um bloco de rua, com o povão fazendo o passo, suado e empurrando uns aos outros, às cotoveladas, na conquista do espaço. Entro com vontade... Na verdade, pretendo ser, tão somente, um guardião ou uma tênue voz no meio de uma gente que tem a pachorra de apagar sua história. O pernambucano está cada vez mais alienado e sem noção de cultura e patrimônio histórico. Doe-me ver a geração atual declarar que frevo é muito chato. Ligo o rádio e procuro escutar um frevo, e nada! Nem mesmo nessa época de carnaval. Só dá axé e rock da pesada. Maestro Duda tem razão.
Fico imaginando do que seria Veneza se seu povo, ou sua prefeitura, resolvessem “apagar” seu autentico carnaval e seus bailes de máscaras. Ao contrário, preservam a cultura e o ano inteiro lembra seu famoso carnaval!  Aqui é no sentido inverso.
Outra ironia é lembrar que o tão exaltado trio elétrico baiano foi inspirado no frevo pernambucano. A história registra que em 29 de janeiro de 1950, o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas  do Recife, a caminho para uma exibição no carnaval carioca, a bordo do navio Santarém, parou em Salvador e resolveu desfilar nas ruas da cidade. Foi um furor. Os baianos nunca haviam visto o frevo. O carnaval lá era uma coisa apática e sem traço cultural definido. Segundo jornais da época, 80.000 pessoas saíram pulando e fazendo o passo atrás de Vassourinhas. No meio da multidão, um cidadão de nome Osmar Macêdo deslumbrado com aquele sucesso, convidou o amigo conhecido por Dodô para engendrar, numa fobica Ford 29, dois autofalantes e sair pela rua, durante o carnaval, tocando Vassourinhas, o hino do carnaval pernambucano,  com seus instrumentos de corda, conhecidos como guitarras baianas. Foi um sucesso estupendo. Criaram, na verdade, um novo formato de brincar carnaval na Bahia. Com o tempo a dupla Dodô e Osmar, já muito famosos, agregaram nova figura – Armandinho – e daí prá frente ninguém segurou o que veio a ser denominado de Trio Elétrico. A fabricante de refrigerantes Fratelli Vita, na pessoa do seu proprietário Miguel Vita – pernambucano – resolveu patrocinar o Trio de Dodô, Osmar e Armandinho.  Foi um sucesso retumbante. Ao mesmo tempo, a concorrente Coca-Cola resolveu responder na Terra do Frevo colocando nas ruas um Trio Elétrico, sem que surtisse qualquer efeito. O povo do Recife olhava com desprezo àquela invenção estranha. “Guitarra tocando frevo? Ôxente, que coisa mais idiota...” Mas, os baianos, ao contrário, desenvolveram o projeto, com forte esquema de negócio comercial e olhe no que deu. Fizeram da Bahia o polo emissor de carnavais o ano inteiro: os famosos carnavais fora de época. Falam, com a maior naturalidade, da existência de frevo baiano. É de lascar. Trabalharam bem, reconheço. Já os pernambucanos foram passados para trás e hoje vivem correndo atrás do trio elétrico. É danado... Veja as fotos, a seguir.


Vejo com tristeza que não se diz mais que em Pernambuco se faz “o melhor carnaval do mundo”. Havia nisto muito bairrismo, é claro, mas significava fidelidade à cultura do torrão natal. Ficou tudo no passado. Os pernambucanos de hoje – começando pelos que ultimamente governam – não sabem o que é a real tradição da sua terrinha. É um bando de alienados. Vivo sem muitas esperanças. Mas, vou continuar contando a história. Quem manda viver o tanto que já vivi?

Ah! Um registro especial: depois que fechei este artigo, visitei o recém-inaugurado Passo do Frevo, no bairro do Recife Antigo. Confesso que gostei apesar do excesso de vermelho na ambientação. É um museu de conceito moderno, interativo e reunindo peças relevantes que contam a história do ritmo pernambucano. Foto ao lado. Quem sabe, brote dali uma esperança! Ponto positivo para a Prefeitura atual. Tomara que adotem outras providências honestas e compatíveis com a cultura pernambucana. Para o Baile Municipal, por exemplo, prometem uma noite pernambucana. Vamos ver. 


Ainda não é este ano que volto a brincar o carnaval do Recife. Até que me “balancei”...  Zarpo pra bem distante.



Nota: As fotos dos baianos foram obtidas no Google Imagens. A do Passo do Frevo é da autoria do Blogueiro.

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