Tenho ouvido
falar sobre a elaboração de um Plano de Desenvolvimento para o Nordeste que vem sendo formulado pela SUDENE. Isto me fez lembrar os bons tempos em que atuei na
área de planejamento da SUDENE original. Claro que fiquei surpreso com a
novidade. E soa como novidade porque essa SUDENE que aí existe, parecia, salvo
melhor juízo, se dedicar, exclusivamente, da administração dos instrumentos de
incentivos fiscais a investimentos privados.
Elaborar um
plano de desenvolvimento regional sempre fez parte efetiva daquela antiga Agencia
nos “anos dourados” da ação governamental no Nordeste. Com uma equipe especialmente
formada, competente e bem articulada, planos primorosos foram aprovados e fazem
parte do acervo da Instituição, se tiveram o cuidado de preservá-los. Muitos,
inclusive, podem ser bem atuais. Pelo menos em parte. Participei intensamente
daqueles esforços e que, confesso, foram experiências que deram consistência à
minha formação profissional. Costumo dizer que sou (ou fui?) uma cria da SUDENE. Faço questão de afirmar que tenho orgulho pessoal dessa história.
Bom, ouvir
falar dessa iniciativa de hoje induz-me imaginar na maneira como isso vem se
processando. Soube de nomes, das antigas, que estão contribuindo para este
plano de agora. Fico contente porque pode significar um resgate do passado. Sem que caiam naturalmente no espirito saudosista. Os tempos são outros, a conjuntura política e econômica é
outra e os estados integrantes da região já são mais autônomos que dantes (como
devem ser). |Estes definem seus próprios objetivos, prioridades e metas a perseguir. E sempre dispõem de estratégias políticas particulares para viabilizá-las. É coisa, a meu ver, que põe em risco a ideia da
composição regional. Enfim, estamos diante de um jogo político bem diferente do passado. E, por cima disso, um fundo financeiro mais exíguo ainda. Terá a SUDENE, de hoje, recursos
orçamentários para custear mobilizações politicas, pesquisas e diagnósticos atualizados? Se já eram
escassos nos idos passados, imagino agora.
Dessa forma, se os estados da região vão contribuir com o esforço, é
coisa a ser conferida mais adiante. Espero que sim, porque o velho adágio de
que “a união faz a força” continua válido.
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| Antiga sede da SUDENE, no Recife, hoje desativada. |
Outro
desafio, contudo, será principalmente ajustar este plano aos propósitos do
atual Governo Federal. Onde e como essa coisa pode ocorrer? Não ouvi falar, nem em campanha ou nos
primeiros meses de Governo, a respeito de um Plano Nacional ou coisa que o
valha. Ao invés disso, ouço, sim, falar em redução de gastos, remontagem da
máquina pública, cortes de orçamentos, muitos sem propostos plausíveis, entre
outras medidas. Tampouco ouvi falar de regionalização de custeios e
investimentos como prever a Constituição. Nunca! Pensando bem, pode até ser uma coisa estranha para muitas
cabeças que atuam na Esplanada dos Ministérios em Brasília. As preocupações são outras inoportunas e sem sentido adequado.
Para
instigar mais ainda minhas reflexões, escutei rumores de mudança do titular da
Superintendência. Sei não... Mas, o que
vem pela frente é pura interrogação.
Encerro meus
comentários desejando sucesso à iniciativa e certo de que estamos diante de mais uma expressão da resistência nordestina.
NOTA: Foto obtida no Google Imagens
NOTA: Foto obtida no Google Imagens








