sábado, 4 de agosto de 2018

País Galego

Quando se visita o Norte de Portugal, incluindo Guimarães e Viana do Castelo, é muito comum aparecer nas autoestradas placas indicativas do sentido que nos leva à Espanha. Mais precisamente, à região da Galiza ou, se preferir, Galícia. A proximidade é tamanha que fica impossível não ceder à tentação de uma escapada.
Duas grandes atrações espera o viajante logo após atravessar a fronteira: a bela cidade de Vigo e, um pouco mais ao Norte, Santiago de Compostela. Ali é a terra dos galegos, denominação dada a um grupo étnico cuja pátria é a Galiza. Os galegos foram sempre muito numerosos e muito dados a emigrar, ao ponto de serem encontrados em Portugal, noutras partes da Espanha, Europa e, até, pela América do Sul. São muito presentes aqui no Brasil. Em Pernambuco, inclusive, a galegada sempre foi muito comum. É uma gente com cultura antiga e próprio idioma, oficial durante pelo menos sete séculos e com muitos adeptos na atualidade. O Galego puro é uma língua ibero-românica, enquanto o galego-português, muito comum à Galiza e a Portugal é ainda muito praticado. Eles a preservam com muito ufanismo. Visitando a região espanhola é bem comum ser notado na grafia e na pronuncia. No vocabulário são muitas as coincidências com o português.
Vista Parcial da Cidade de Vigo (Espanha)
Nem preciso dizer que demos essa “voltinha” na Galiza. Entramos e nos estabelecemos em Vigo. Falo de uma cidade importante pelo seu movimentado porto, sua produção de pescados – uma das maiores do mundo – e vida cultural vibrante. Bem estruturada, comércio trepidante e ponto de convergência de turistas do mundo inteiro. Come-se divinamente bem por lá. Aliás, é uma das suas maiores atrações. Quer provar dos melhores e raros frutos do mar? Vá a Vigo. Sugiro, quando lá estiver, conhecer o restaurante El Mosquito (dos mais famosos na Espanha). Clique: www.elmosquitorestaurante.com
Outra vantagem de chegar a Vigo é o fato da sua proximidade à famosa e bela cidade de Santiago de Compostela, para onde converge o mundo católico e, particularmente, os peregrinos que de varias origens fazem as longas caminhadas na busca da paz interior, através de reflexões pessoais, num exercício de imensa fé e por fim venerar as relíquias do Apostolo. Essas peregrinações existem desde o século IX. Tenho um amigo que acaba de fazer sua 8ª. Caminhada. Não conheço outro de tamanha coragem. Eu brinco com ele e digo que já fiz o caminho três vezes. Mas, sempre de carro. E meu caminho é sempre curto porque parto sempre de Vigo. Existem outros pontos de partida, na própria Espanha, na França e em Portugal.

A beleza da Catedral e peregrinos recém-chegados.
Santiago de Compostela tem um ambiente muito próprio, tanto quanto capital da Região Autônoma da Galiza, quanto centro e peregrinação. Aquilo lá gera uma energia positiva inexplicável. Naturalmente que precisa ter fé e chegar imbuído do significado do local. Acompanhar, por um dia que seja, o que ocorre quotidianamente ali é certamente uma boa experiência. Chegar para a missa do meio-dia, na Catedral, é mais interessante ainda. Ao final da celebração há uma tradicional queima de incenso (conhecida como bota-fumero) num descomunal turibulo de prata (pesadíssimo) que é alçado, por forte corda e vários frades, executando um movimento pendular, próximo ao alto teto da Catedral. É um verdadeiro espetáculo, tanto de fé cristã, quanto como uma atração turística a mais. Não deixe de clicar em https://www.youtube.com/watch?v=mtxuvtZqOog . É sensacional.
Fora isto, a cidade, que conta com aproximadamente 200 Mil habitantes, importante Universidade, oferece inúmeras outras atrações, com bons hotéis, excelentes restaurantes, comercio movimentado, tudo em torno da fé e devoção ao Apostolo Santiago. A população flutuante excede, em muitas ocasiões a local.
   
NOTA: Foto de Vigo, obtida no Google Imagens. A foto da Catedral é do arquivo pessoal do Blogueiro.

sábado, 28 de julho de 2018

Capital do Norte


Cartão Postal da capital do Norte português. 
Nossa recente temporada em Portugal teve incluída uma visita à famosa Cidade do Porto, Capital do Norte do país. Pelo seu passado de glória e ponto focal da história portuguesa é sempre lembrada como “Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta”, epíteto adicionado à sua heráldica. 
A cidade do Porto nasceu de um povoado Celta, pré-romano. Os romanos a chamava de Portus Cale e é daí que se origina o nome do país. Portocale, hoje Portugal.  
Os mouros muçulmanos invadiram a Península Ibérica, em 711 d.C., entrando por Lisboa e dominando, aos poucos, a atual região Norte do país, onde o Porto se situa. Estes invasores permaneceram por lá durante, incríveis, dois séculos. Somente em 999 d.C. é que nobres gascões franceses, liderados pelo, entre outros, o Bispo de Vendôme (França). Com forte armada, entraram pela foz do rio Douro e expulsaram definitivamente os mouros dedicando, essa conquista e a cidade, à Virgem Mãe de Deus. A imagem de Nossa Senhora do Porto, trazida da França domina até hoje um ponto alto da fortaleza ali edificado. Daí em diante e após reconstrução a Cidade do Porto manteve sempre um lugar de destaque na historia dos portugueses.
Restaurante Típico na ribeira do Porto
Rica em tradições, famosa pelo seu internacionalmente conhecido Vinho do Porto, além das arquitetura vibrante, gastronomia exuberante e vida cultural diferenciada, a Cidade se destaca em tudo para um bom programa turístico. Daí a razão de querermos voltar sempre para uma visita.
Nada mais aprazível do que passear na beira do Douro, com sua sempre fervilhante Ribeira, tomar um café ou um cálice do Porto, estando no Porto! Depois, percorrer as lojinhas de artesanato e, por certo, se meter numa das barcaças que de lá partem, dando um bom passeio fluvial pelo belo Douro, chegando até a foz onde o rio se atira no Atlântico, transbordando-o, com águas vindas de cima da Serra do Urbião, onde nasce, em Castela e Leão, na Espanha.   
Guadalupe servindo e cantando. Isto, não tem preço! 
Tendo oportunidade, depois desse “mini-cruzeiro” pelo Douro, desembarque na ribeira da Vila Nova de Gaia (do outro lado da ribeira do Porto) e prove o prato típico da cidade que é tripas à moda do Porto. A proposito, tenho uma historinha pra contar: fala-se que em 1415, quando preparavam uma armada para a conquista de Ceuta (Norte da África), que partiu do Porto, a população doou toda a carne que dispunha para os combatentes, ficando tão somente com as tripas para se alimentar. Até hoje os naturais do Porto são chamados de tripeiros, coisa aceita com orgulho e nunca pejorativo.  
Outra pedida, imperdível, na ribeira de Gaia é uma passagem por uma das tabernas do local. A minha predileta é a Taberninha do Manel. Bom vinho e um chouriço português assado na mesa num aparato próprio do local. Dando sorte procure ser atendido por Guadalupe (Vide foto) e sendo simpático pede que te cante um fado ao pé do ouvido. Quer saber mais? Clique em https://taberninhadomanel.comportugal.com. Não tem preço! Depois disso, entre numa das adegas naquela mesma ribeira e veja como se produz o vinho mais famoso de Portugal.  
Este Blogueiro no rooftop da Adega Porto Cruz. Por trás a icônica ponte Luís I
Pois é... O Porto é uma surpreendente cidade. Suas igrejas monumentais, prédios públicos, palacetes monumentais, parques e jardins, gente finíssima no trato, museus e mil outras atrações.
Ah! Já ia esquecendo. Antes de deixar a cidade, coma uma rabanada, com vinho do Porto, na tradicional Confeitaria Majestic. Fica na Rua Santa Catarina, a mais charmosa da cidade e classificada entre as 10 mais belas do mundo. Rua e confeitaria imperdíveis. E, boa viagem!   

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro

sábado, 21 de julho de 2018

Rua do Corvo

Centro histórico de Coimbra. Praça 8 de agosto.
Igreja da Santa Cruz
Coimbra é famosa pela sua histórica Universidade. Lá mesmo, na Rua do Corvo, porta 32 e 1º Piso, foi nosso endereço – por alguns dias – nessa última passagem por Portugal. Situado no Centro Histórico da cidade milenar, dava gosto viver aquilo ali. Imagine um prédio medieval, preservado no seu todo exterior e reformado à moderna no seu interior, permitindo usufruir da experiência de viver num ambiente histórico e, ao mesmo tempo,  gozando de todas as mordomias do mundo moderno. Reforma perfeita. Competência europeia. Numa hora dessas, lembro e lamento o desgaste dos velhos prédios antigos do Bairro do Recife que se prestariam para coisa semelhante e são abandonados e carcomidos pela implacável ação do tempo. 
Pois bem, foi desse endereço que partimos para explorar o Norte de Portugal e a Galícia espanhola. A título de ilustração veja, na foto acima, o lugar que descrevo. Num canto da Praça 8 de Agosto, com o belíssimo Mosteiro da Ordem de Santo Agostinho e a Igreja da Santa Cruz, em estilo romântico-manoelino, datado de 1131, começa a Rua do Corvo paralela à rua da Louça e perpendicular à rua da Gala. Ao redor outras ruas pitorescas em denominações, como as das Rãs e das Padeiras. Estreita como as demais do miolo onde encravadas. Menos de dois metros de largura. Às rés do chão (térreo), lojinhas atrativas, cafés e tabernas tipicas. Um verdadeiro mergulho na História. Para quem admira é uma sequencia de prazer.
Interior da Igreja da santa Cruz. Observe os tradicionais azulejos portugueses.
Dali, partimos para: Braga, primeira parada, onde vimos os festejos da noite de São João (falei no post anterior), seguidas das incursões por Viana do Castelo, Guimarães, Póvoa de Varzim, Óbidos, Batalha, Aveiros e Barcelos. O gran finale foi dedicado à belíssima Cidade do Porto.  Ah! Antes que esqueça, registro para a passagem (antes de chegar a Coimbra) pelo Santuário de Fátima, onde tomamos nossas bençãos e oramos pela paz e pela família.  
Portugal é de beleza singular. Foi eleito, recentemente, o melhor destino do Mundo! Cada cidade ou cada vilarejo, mesmo os pouco turísticos, exercem especial fascínio ao visitante. A paisagem é variada de região à região, embora que alguns traços sejam comuns a todas. Um desses é que há sempre uma roupa lavada e estendida numa varanda dos velhos sobrados. São verdadeiras bandeiras saudando os passantes. Não à toa que essas bandeiras são temas mais comuns dos fotógrafos que cultivam a arte. Veja a minha a seguir.
Bandeiras ao vento saudando nossa passagem
Loja de Artesanato de Óbidos
É impressionante o modo afável que os patrícios dispensam aos visitantes. É, que na verdade eles vivem do turismo e sabem da importância deste para a economia do país e para a própria economia doméstica. O artesanato é riquíssimo e por todo lado se encontra algo diferente e atrativo. 
Lembro que um dos locais mais visitados e de especial atração é a vila medieval de Óbidos, também conhecida como a Pérola Portuguesa. Acredita-se que esta vila haja sido edificada pelos Celtas em 308 a.C. Então, faça ideia do que seja. Fenícios, Romanos e Mouros também andaram por lá. Essa mistura de dominadores fez da vila de Óbidos uma miscelânea de estilos, cultos e culturas. Gosto sempre de retornar, caminhar na sua rua principal e sentir o ambiente. Indo lá procure saber antes dessa história. Sua visita será mais proveitosa. Nem preciso dizer que nesse ambiente, todos os idiomas são ouvidos e transitar tranquilamente depende do dia e da hora. Chegue cedo. Antes de ir, veja esta outra foto, a seguir.
Rua central de Óbidos.


Num próximo post farei comentários finais e focarei a passagem pela Cidade do Porto

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro

domingo, 15 de julho de 2018

A Bola da Vez

Quem me conhece sabe que, ao longo da vida, viajar faz parte do meu viver e, sem dúvidas, minha melhor maneira de arejar a mente. Faz um bem danado... Nesses tempos de crises internas no Brasil, nem é bom falar. Desse modo e sempre que possível e a grana elastece, dou minhas escapulidas.
Dias recentes estive, com familiares, percorrendo Portugal e Espanha num roteiro velho conhecido, mas, sempre bom de ser repetido. Conheço estes dois países há mais de quarenta e cinco anos e não me canso de revisitá-los. Gente afável e hospitaleira, rica cultura, paisagens deslumbrantes e gastronomia exuberante que conquistam o turista num primeiro instante. Sendo brasileiro, como no meu caso, nem se fala. Digo sempre que é preciso conhecer Portugal para entender melhor a cultura brasileira.
A primeira vez que por lá andei, muito jovem, conheci um Portugal oprimido pela ditadura de Oliveira Salazar e uma Espanha dominada pela “mão de ferro” de Franco. Eram duas nações sufocadas e de um povo tristonho e sem esperanças. Eram países em preto-e-branco. Colorido que houvesse seria sempre pálido. A gente se vestia de preto, cinza e sépia. O comércio era pobre, tímido e sem atrativos. Mas, os tempos mudaram e a democracia foi conquistada a duras e sofridas penas. Nas várias idas praquelas bandas acompanhei as conquistas rumo à liberdade. Vi de perto os tempos que antecederam à queda de Salazar, com a revolução dos cravos (25/04/1974), pondo fim a um regime ditatorial que vigia desde 1926. Já, em 1975 acompanhei, por acaso, em Madrid, o fim da vida e da tirania de Franco. Mas, isto é uma historia comprida que tanto os livros, quanto a Wikipédia podem ajudar a quem desejar saber detalhes.
A cidade de Braga festeja com feérica iluminação. Lembra nosso Natal.
Ultimamente estive várias vezes em Portugal. Quase todo ano. Às vezes, sinto até vontade de morar por lá. Quando desembarco em Lisboa tenho uma sensação de chegar à casa dos meus ancestrais. Vai ver fui portuga noutra encarnação. O ar lisboeta soprando no meu rosto dá aconchegantes boas-vindas, que me revigora e faz me espalhar de corpo e alma de Sacavém à Baixa.
Indo tantas vezes, observo que Portugal vem alcançando níveis apreciáveis de crescimento econômico e desenvolvimento social nestes últimos anos. Semana passada, ainda por lá, vi reportagens mostrando ser o país que mais cresce na União Europeia. Acreditei sem conferir, mas. confiando no via. Bom lembrar que o país sofreu muito para se ajustar à Zona do Euro. Esteve prestes a se autoexcluir. Mas, graças à austeridade do Governo e ao sacrifício da sociedade, conseguiu escapar e superar a dura crise vivenciada. Cidades vibrantes, qualidade de vida exuberante, industria em franco sucesso, infraestrutura invejável e tudo mais que de moderno exista. Admirável.   
Um dos segmentos mais dinâmicos da economia portuguesa, nos últimos tempos, tem sido o do Turismo. O país foi recentemente classificado como o melhor destino europeu. O clima, a tranquilidade, a segurança, a hospitalidade e a multicultura reinantes o transformaram num dos mais procurados pelos viajantes. É impressionante o movimento de turistas de todas as partes do planeta. E como os orientais já descobriram o caminho é porque o local é a "bola da vez". E Portugal está sendo.
No mês de junho, em pleno verão na Europa, o país vira uma festa sem fim. Aproveitei com meus familiares essas festas. Santo Antônio (ele era portuga), São João e São Pedro são festejados de modo exuberante. Além deles, também se festeja a Rainha Santa Isabel, padroeira de Coimbra e região. Essas festas são como uma espécie de época carnavalesca dos patrícios. Os folguedos populares rolam até “ver o sol”, no dizer deles. Lisboa e Porto realizam os maiores eventos. Mas, nas cidades médias as festas são grandes, também, e com muito cunho das respectivas culturas. 
Frutos do mar em abundancia 
A sardinha na brasa pode ser vista como sendo o traço comum entre todas. É delicioso curtir um bom vinho (peço sempre o da casa, sem medo de errar) e degustá-lo com uma sardinha assada no braseiro. Isto sem falar do bom fruto do mar e do bacalhau às várias modas portuguesas, encontrados em toda parte.  
Escolhemos passar a recente noite de São João na cidade de Braga, situada ao norte do país e próxima à Cidade do Porto. (foto lá em cima). Dá gosto de ver os envolvimentos religiosos ou profanos da população. Tudo com ordem e muito respeito. Arrisco afirmar que com certa inocência, comparando com o que se vê nas festas populares do Brasil. Famílias inteiras, crianças soltas e brincando livremente. Nada de bebedeiras, pegações, desordens ou desrespeitos. O máximo da diversão, além de muita música (eles adoram as brasileiras), vinho, sardinha e bacalhau, tem a tradicional e inocente martelada na cabeça dos passantes ou dos que querem paquerar as raparigas ou os gajos. Não se espante caro(a) leitor(a), porque essa referida martelada é “desferida” apenas com um martelinho plástico que se vende também nos nosso carnaval ou festinhas infantis. Coisa tola pra nós, mas de imenso sucesso entre eles. Cheguei a comprar o meu e saí martelando as cabeças de Deus e do Mundo. E levei muitas marteladas, também. Todo mundo porta seu martelinho plástico. É ingenuo e muito engraçado.  Veja fotos a seguir. 
Levando martelada, a pedido. O comercio dos martelinhos. 
O que mais nos chamou atenção, disso tudo, foi como os portugueses são cuidadosos com as tradições culturais. Enquanto por aqui liquidaram com as nossas tradições juninas, acabando com as belas quadrilhas caipiras e inventando essas papagaiadas exibições carnavalescas, os portugueses primam por preservar e, mais do que isto, realizar exibições didáticas de cada dança popular, como vi em Coimbra. Fiz um verdadeiro curso de folclore português, com "aulas" diárias. Falarei disso numa próxima oportunidade.

NOTA: Fotos by Jpallain

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Canarinhos desinteressados

Não foi o jogo de estreia, contra a Suíça, que conseguiu levantar a torcida brasileira para empurrar a seleção, nesta Copa da Rússia, rumo ao hexa desejado. Aquele empate esfriou mais ainda a moçada.
Na verdade o que se tem visto é certa apatia dos brasileiros com relação a esta Copa. Pesquisas dão conta de mais de 50% dos brasileiros estão indiferentes ao certame. Vários fatores levaram a esta situação, incluindo o político. Os brasileiros andam ressabiados com a crise e o caos que atinge o país e os partidários do lulismo fazem campanha contra a Seleção. Desejam uma derrota, temendo uma euforia popular a favor do Governo. E este, obviamente, espera essa chance de ver a população se empolgar, mais uma vez, ir às ruas comemorar e esquecer as agruras do cotidiano nacional. Naturalmente, também, que o fiasco da nossa seleção na Copa passada, aqui no Brasil, com aquela derrota acachapante para a Alemanha, o famoso 7 x1, ainda conta como forte razão para esse desânimo.  
Mesmo pensando que “águas passadas não movem moinho” e que o hoje deve ser vivido, vai ser difícil encantar a torcida. Antes a seleção tem que decolar de modo convincente.
Muito se tem comentado que o Grupo E (Sérvia, Suíça, Costa Rica e Brasil) será uma “barbada” para nossa seleção. O jogo com os suíços não nos deu essa segurança! A Sérvia, para surpresa de muitos, derrotou os costarriquenhos, vistos antes como propensos a dar trabalho aos brasileiros, provando que essa “barbada” não é tão fácil como imaginada. O próximo jogo, contra eles, os “ticos” (como são chamados os jogadores da Costa Rica), na sexta feira (22/06), promete provocar fortes emoções, em Pindorama. O grito de GOOOOOOL está entalado na garganta do Brasil e se ali ficar vai ser a “gota d´água” que falta à paciência da torcida. Tomara que não aconteça.Vamos torcer!
A seleção de Tite, sejamos sinceros, vem de uma trajetória vitoriosa e alentadora. Para os que alimentam vibração pela Copa não deixa de ser incentivador. Mas, estamos muito longe daqueles selecionados do passado. Foram jogadores magníficos e que nos deram muitas alegrias. Não foi à toa que chegamos ao Penta. Eram empenhados e verdadeiros profissionais da bola. Cabeleiras normais, nada de brinquinhos nas orelhas, nem tatuagens e nem disputa de estrelismos. O que vemos hoje são atletas muito mais preocupados em se exibir – nossa estrela maior, Neymar Jr. Parece mais ligado na ridícula cabeleira do que com a bola – e visando à conquista de espaço privilegiado no mercado mundial e em contratos de publicidade. Além disso, grande parte é de rapazes firmados no futebol estrangeiro, aculturados em outros países e críticos ao Brasil. Isto, tenho pra mim, poda muito o amor à Pátria e à Bandeira verde e amarela. Claro! Copa do mundo é somente um trampolim para um mergulho mais profundo na carreira. São autênticos mercenários. São os canarinhos desinteressados! Fala-se de US$ 1,0 Milhão como premio para cada um, caso conquistem o Hexa. Para alguns, essa premiação pode ser irrisória. Um milhão a mais ou a menos é coisa que pouca diferença faz na conta bancária do Neymar. Ele nem vai se preocupar ou notar. Coisas do Brasil. É doloroso constatar situações como esta. 
Neymar Jr. com penteado especial para a Copa 2018
Já a Irlanda, por exemplo, tem um selecionado, digamos seleto. O técnico é Dentista, os jogadores são profissionais qualificados, jogam por amor ao futebol e depois de cada treino se reúnem num Pub para uma cervejada. A bebida não reduz o rendimento em campo e revela uma equipe com boas chances na competição. Fora isto, viaja em avião de carreira e em classe econômica. Os alemães, Campeões do Mundo, também viajaram em avião comercial e no meio de passageiros comuns. Os nossos, não! Têm um avião fretado à disposição, inclusive para os voos internos, cheio de mordomias e salamaleques. Até jardinzinho a bordo.
Por fim, caro leitor ou leitora, percebo que algo de novo vem pintando no mundo do futebol já que  o desempenho dos favoritos ao titulo, incluindo o Brasil, não revelam essas bolas todas. A Argentina, por exemplo,  decepcionou, a Campeã Alemanha tomou um tombo diante de um México cheio de garras, o Brasil empatou com a Suíça. A coisa está mudando muito. Já o Japão deu um trabalho danado aos colombianos e ganhou de 2 x 1. Acho que vamos ter muitas surpresas até 15 de Julho.      

NOTA: Os jogadores do Brasil são carinhosamente chamados de canarinhos (diminutivo de canários).   
Foto obtida no Google Imagens.   

sábado, 16 de junho de 2018

A Ver Navios

Há pouco mais de dez anos, Pernambuco viveu momentos de euforia econômica com grandes investimentos estruturadores sendo implantados e perspectivas de tempos alvissareiros, não apenas local, com rebatimentos regionais de grande monta. Foi quando começaram a se implantar os estaleiros Atlântico Sul e Vard Promar, a Refinaria de Petróleo da Petrobrás (RENEST), a Petroquímica Suape e logo em seguida o Polo Automobilístico da FCA (Fiat /Chrysler), entre outras iniciativas de menores portes.
Tudo esteve na mais perfeita ordem de implantações até que eclodisse a crise político-econômica que se estende até a atualidade, consequência da Operação Lavajato – expondo de modo arrasador os imensos crimes de corrupção na esfera política nacional – interrompendo, dessa forma, o processo virtuoso de desenvolvimento econômico do estado.
Com a Petrobrás posicionada no “olho do furacão” da crise, devido ao grande foco de corrupções ali instalado, os projetos pernambucanos começaram a minguar e até o momento amargam quadros de indefinição e com perspectivas nefastas. A Refinaria em fase de implantação teve suas obras paralisadas e vive à espera de novos bons tempos. A Petroquimica já foi vendida a um grupo multinacional, que promete tocar o projeto, e os estaleiros, embora em funcionamento, vislumbram momentos de dificuldades por motivo de cancelamentos de encomendas ou falta de novas. Trata-se de ameaça, com um duro golpe, ao estado que se destacava no cenário nacional como um polo industrial de grande perspectiva econômica. O único projeto que se apresenta, hoje, a pleno vapor e vislumbrando crescimento é a montadora Fiat/Chrysler (FCA) na Zona da Mata Norte, cuja produção tem tido constante crescimento.
Mas, tratando objetivamente do caso dos estaleiros, é duro perceber que a situação se revela mais complexa e chama maior atenção. A história recente mostra que o Brasil já foi, nas décadas de 70 e 80, o segundo maior construtor naval do mundo. Com o avanço competitivo das produções no Japão e na Coréia do Sul os estaleiros brasileiros (concentrados à época no estado do Rio de Janeiro) foram perdendo competitividade, inclusive no mercado nacional. Tornou-se mais barato comprar embarcações dos asiáticos (com custos de construção muitíssimo mais baixos) do que dos estaleiros nacionais, ocasionando um desmonte do setor, em proporções incomensuráveis.
Entretanto, o espírito nacionalista do ex-Presidente Lula e as descobertas das novas ocorrências de petróleo, inclusive as do pré-sal, apontou para um potencial mercado de embarcações no ambiente doméstico, levando a que o Governo criasse o Programa da Modernização e Expansão da Frota - PROMEF, visando particularmente ampliar de forma mais ampla a frota de petroleiros da Transpetro, braço de logística da Petrobrás com embarcações construídas no Brasil. Soerguia-se, assim, consequência desta decisão politica, a  Indústria Naval nacional tomando forma com implantações de vários estaleiros no país.
Estaleiro Atlântico Sul - EAS, Suape, Pernambuco, Brasil
Numa iniciativa incentivada – pela SUDENE e pelo Governo do Estado – grupo de empresas experientes no mercado da construção civil pesada, instalou em Pernambuco, o maior desses estaleiros, o Atlântico Sul – EAS, no Complexo Industrial Portuário de Suape que se tornou um dos mais demandados pelo Programa, com encomenda imediata de 22 navios. O empreendimento pelas suas dimensões, condições tecnológicas e localização geográfica foi de pronto considerado o mais competitivo e, inclusive, reconhecido como o maior do Hemisfério Sul. Posso garantir de que se trata mesmo de uma fantástica planta, que acompanhei a implantação desde os momentos de decisão da localização. Foi investido um total de R$ 2,2 Bilhões com uma capacidade instalada de processar 100 Mil Toneladas de aço por ano. No pico das contratações o EAS contou com 11.000 empregados diretos, número vem aos poucos caindo e atualmente conta com 3.600. Considerando o efeito pra frente, pelo menos 33.000 pessoas se beneficiaram com o empreendimento. Estimei um multiplicador de 3 para cada ocupado direto.
Ao longo dos últimos dez anos o EAS acumulou experiência e hoje ostenta um desempenho comparável aos observados em plantas da Coreia do Sul, maior construtor mundial. Ganhou competitividade e suas embarcações se destacam pela qualidade da produção no mercado.
Dependente, porém, de um único cliente (Transpetro) e sofrendo das consequências das restrições de investimentos desse cliente, o EAS se encontra diante de um colossal desafio para manter a dinâmica de produção e sua própria sustentabilidade. Das 22 embarcações inicialmente encomendadas 7 foram canceladas (4 Suezmax e 3 Aframax). Nestes dias o EAS está iniciando a construção do último navio a ser entregue à Transpetro, o que deve ocorrer até junho de 2019. Depois disso, ninguém sabe o que poderá acontecer.              
Lideranças politicas e governamentais locais se mobilizam, no momento, para acudir a Empresa que sofre com uma sequencia de prejuízos e, o pior, teme sua inviabilidade, caso não conquiste novas encomendas. Pernambuco corre o risco de sofrer amarga perda na composição do seu atual PIB Industrial que, nos últimos três anos, teve uma contribuição media de R$ 800,0 Milhões. Somente de desempregados serão 3.500.
Esta infausta história leva a crer que, ao invés de construir navios, ao estado restará a triste situação de “a ver navios”.
NOTA: Foto obtida no Google Imagens   
 

 

domingo, 3 de junho de 2018

Trem descarrilado


Tempos, cada vez mais, difíceis. O “trem fantasma” - como venho comparando o momento político do Brasil de hoje – descarrilou nesses últimos dias e recolocá-lo de volta aos trilhos está sendo uma missão difícil e perigosa. Nosso “maquinista” não se revela habilidoso nas manobras necessárias e seus ajudantes não se entendem, até se estranham nos momentos mais delicados do processo. É mais ou menos isto que assistimos nos dias recentes, no nosso amado Brasil. Resultante de uma interminável série de erros na condução política, o país escorregou célere rumo ao fundo do poço, embora este se mostre sempre muito mais profundo do que imaginado. Vivemos numa Nação em permanente estado de convulsão política, dividida e  desgovernada, penalizando seus cidadãos de modo aviltante. 
Contudo, brasileiro como sou e amante do meu torrão natal, continuo achando que tudo isso tem um sentido educativo, rumo ao estado democrático tão sonhado. Naturalmente que sofro momentos de desilusão – sou de carne, osso e sistema nervoso – mas, olho para frente e reanimo meu espírito que retroalimenta minhas esperanças.
Não faço parte da parcela da sociedade que clama pela intervenção militar. Militares têm suas próprias funções e a essas devem se ater. Aliás, diante de manifestações recentes, penso que há no espírito nacional um viés social que sempre acredita nessa solução, que pode ter dado seus resultados no passado, mas, hoje se mostra retrógrada e inadmissível. Lugar de soldado é nos quartéis e a missão de se manter de prontidão para defender a Nação. E pronto. 
Pensando desse modo, entendo que resta aos civis a responsabilidade de costurar o entendimento nacional e promover paz e bem-estar à sociedade. Para isto, além de governantes competentes e probos, o país precisa de produção, empregos, saúde, educação e seguranças pública e jurídica, coisas que sumiram dos nossos costados, faz algum tempo.
Quando estes pré-requisitos se dissipam, o tecido social se esgarça e os prejudicados se rebelam investindo na luta para recuperá-los. Foi isso que aconteceu no recente movimento dos caminhoneiros. Neste caso específico, a crise político-econômica se agudizou, a produção despencou, os custos da produção assumiram proporções asfixiantes, os fretes reduziram-se drasticamente, a disputa por espaço no mercado dos serviços de transportes virou guerra de sobrevivência e o caldo entornou. Faltam cargas para centenas e centenas de milhares de caminhões, que o Governo Dilma promoveu aquisições com financiamentos elásticos. Caos implantado. Sem competência, os condutores do nosso “trem” levaram a “composição” por caminhos adversos onde encontraram severos obstáculos. Removê-los tem sido missão quase impossível. Pior de tudo é que inesperados novos obstáculos são prometidos. A questão agora é saber se esse trem chegará ao fim da linha. É uma questão concreta. Tomara que sim. Deixar os “passageiros” a pouca distancia da estação terminal seria catastrófico.        
Falta ao nosso país maturidade e responsabilidade política. Os corruptos sempre existiram e dificilmente desaparecerão. O trapacear está entranhado na cultura do brasileiro. Sempre que tiver oportunidade o cara tira proveito. Sonega impostos, suborna o fiscal, banca paraquedista nas filas, pirateia programas de computadores, CDs, etc e tal. É o tal jeitinho brasileiro! Não será essa “lavagem a jato” da nossa “composição” que resolverá o problema nacional. Somente uma reforma de base será o caminho para termos a Nação que sonhamos. Mas, falo de reformas que esqueçam nomes e tradicionais modelos e estratégias comprovadamente equivocadas. Reformas que levem em consideração os anseios da sociedade e não os de meia dúzia de políticos irresponsáveis e ávidos apenas em defender seus interesses pessoais. E a Nação não pode continuar sendo apenas um detalhe.
Paro por aqui. Estive falando de algo bem discutido e bem comentado. Cumpri, apenas, meu humilde  papel de observador da vida nacional.

NOTA: Ilustração colhida no Google Imagens

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...