sábado, 26 de novembro de 2016

Um circo pegando fogo

Pelo visto, nestes últimos dias, ainda estamos longe de navegarmos em plácidos mares político-econômicos. Parece que não tem timoneiro que dê jeito neste país. Depois do trauma gerado pelo processo do impeachment de Dilma, nasceu a esperança de paz e sossego na pátria. Contudo, a corrupção  –  grande causa da conturbada situação vivida  –  continua contaminando celeremente as artérias vitais do poder nacional.
Esse golpe que vem sendo gestado na Câmara Federal de anistiar tudo que signifique Caixa 2 somado ao rumoroso entrevero dos dois ministros de Temer, Marcelo Calero (Cultura) e o baiano Geddel Vieira (Secretaria de Governo), expuseram de modo contundente a fragilidade e cinismo dos nossos governantes. É lamentável que os homens do poder nacional estejam compulsivamente envolvidos  com tamanhas falcatruas a despeite da Nação que sofre e sangra para vencer os desafios impostos pela insana luta da sobrevivência. Milhões de desempregados, pais de família dando fim à vida depois de perder a esperança, unidades da Federação quebrando, delações contundentes, governo anunciando medidas impopulares, protestos por todo lado e um sem número de pequenos escândalos de norte a sul e de leste a oeste. No meio disso tudo, a pergunta que por muito tempo não cala: “atingimos o fundo do poço?” Parece que não! Na verdade, nunca antes na historia deste país se viu um poço tão profundo. E parece estar abaixo da camada do pré-sal, isto é, muita profundidade.
Marcelo Calero, ex-Ministro da Cultura
Essa de anistiar os implicados nas manobras de Caixa 2 em campanhas políticas é o que se chama de excrescência do Legislativo e um testemunho da falta de vergonha dos nossos “representantes”. A Operação Lavajato focou com seus potentes holofotes grande parte dos que atuam na Câmara Alta proporcionando-lhes momentos de estresse e incerteza. Na prática, são criminosos autores de atitudes de lesa-pátria, cometidas conscientemente e como se fora a coisa mais normal do mundo. Não esqueço nunca de Lula, quando presidente, numa entrevista dada em Paris, afirmando com a maior tranqüilidade que o Caixa 2 era coisa normal na política brasileira. Ele tinha razão haja vista que foi sempre assim na cabeça do mais simples ao mais alto aspirante a um cargo político no Brasil. É sabido que, do candidato a vereador ao de Presidente da Republica, esta foi a prática posta sempre em primeiro lugar.
Ora gente, tem um detalhe muito sintomático: essa anistia pretendida pelos praticantes do chamado Caixa 2 se destina a anular todo o belo trabalho do juiz Sérgio Moro, Juiz autor e mentor da Lavajato. Quase a totalidade das ações que tramitam pelas mãos dele está relacionada com essa prática indecorosa. O Juiz já divulgou nota denunciando esse cinismo legislativo.
Já o episódio Geddel Vieira versus Marcelo Calero escancara, indiscutivelmente, aquilo que se constitui num traço cultural do político brasileiro, ou seja, se aproveitar do exercício de um cargo público para auferir benefícios em causa própria. O cara, neste caso, se aproveitando da situação de Ministro Secretário da Presidência da República quis obrigar o colega a forçar a aprovação da obra de edifício, onde comprou um apartamento, num local vetado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, no centro histórico de Salvador (Bahia). Na cabeça desse ministro, certamente, passou a idéia de que, sendo ele um “poderoso” auxiliar do Presidente da República, seria normalíssimo. E o patrimônio histórico, que se lixe... O ministro Calero não tolerou a pressão política, segundo ele, reforçada pelo próprio Presidente da Republica, pediu exoneração do cargo e saiu “tocando fogo” no circo do Palácio do Planalto.  Até quando nossos governantes vão continuar confundindo a coisa pessoal com a pública? 
Geddel Vieira, o que quis misturar o interesse pessoal com o publico 
Outra pauta bombástica de Brasília, nesta semana que termina, é o interessante projeto de lei do Senador Álvaro Dias (PV-PR) acabando com o odioso foro privilegiado. Vem sendo um debate acirrado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal. Pela justificativa que traz, essa seria uma medida oportuna, diante dos escândalos recentes que resultaram em “livramento das caras” de indivíduos nocivos ao bem da Pátria.
Não podemos calar diante de tantos descalabros! E precisamos voltar às ruas. Mesmo que essa pareça ser uma luta sem fim. O Brasil precisa ser limpo e entregue saneado às próximas gerações.

Ultima Hora: mal conclui esta matéria e estourou a noticia da queda do Ministro Geddel Vieira. Note-se que é o sexto Ministro que cai no Governo Temer. E para desencanto geral todos relacionados com a falta de ÉTICA. Que país é este?  

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens 




sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Apreensão Global

Há oito anos, quando os norte-americanos elegeram Barack Obama presidente da república, uma onda de otimismo e esperança varreu o mundo, mergulhado, naquela ocasião, numa tremenda crise econômica, provocada pelo próprio país que ele governaria dali pra frente. Com proposta democráticas e didaticamente bem postas foi tudo quanto se desejava naquela época de incerteza. E, como fato emblemático, o inusitado de se tratar de um negro ocupando a Casa Branca e se tornando o homem mais forte do planeta. Em se tratando de Estados Unidos isto foi um espetacular tento social. De fato, está se completando um tempo de governo relativamente tranqüilo e bem avaliado e que já começa a deixar saudade. Governando com minoria nas casas do Congresso, Obama foi político o suficiente para se sair bem no filme. O Mundo, a estas horas, tira o chapéu para esse negro bonachão e carismático que com uma família bonita e bem estruturada encerra, neste momento, um período de governo bem sucedida. Se não conseguiu tirar, totalmente, o país da ressaca da crise de 2008, pode se considerar que apontou estratégias para esse alcance. Já há sinais de recuperação, a taxa de desemprego tende a cair e o crescimento econômico vem sendo alcançado passo a passo. No âmbito externo teve atuação louvável, sendo bem recebido por todos os lados, não obstante haver de lidar com os conflitos devidos a onda de terrorismo, ao famigerado Exército Islâmico e as ações beligerantes no Oriente Médio. 
A bem estruturada Família Obama
Ao contrario do panorama acima descrito, o que se vive no momento é uma apreensão global diante do recente resultado das eleições com vistas à escolha de um novo “inquilino” para a Casa Branca. A inesperada vitória do magnata Donald Trump, abalou o mundo e, se a explosiva bateria de propostas de campanha desse eleito vier a ser implementada, o mundo que se prepare para um tempo de turbulência político-econômica pouco desejada neste inicio de século 21.
Empresário de sucesso, capitalista visceral, perfil exacerbado de extrema direita, sem qualquer experiência política e exercitando um discurso populista do anti-político e nacionalista, esse cidadão driblou meio mundo, começando pela força da situação do Partido Democrata, os analistas políticos internacionais, os Institutos de Pesquisas e até boa parte do seu partido Republicano e conquistou a vitória.

É quase inacreditável que os Estados Unidos possa a vir a se fechar para o mundo como Trump prega. Será um surpreendente retrocesso do tradicional modelo político Yankee. Abandonar o Tratado do Atlântico Norte, se aliar aos russos de Putin e construir muros divisórios na fronteira com o México, para impedir a entrada de imigrantes, além de deportar os milhões de estrangeiros espalhados pelo seu território e perseguir os mulçumanos impiedosamente são outros planos de seu governo.
No âmbito econômico, o Senhor Trump ameaça dar tiro mortal em tudo quanto contribua para a globalização econômica que se instaurou no passado recente –  com ativa participação dos States – ao querer suspender a participação do país nos acordos de livre comércio (odeia a ALCA), cancelar acordos de comércio internacional assumidos por seus antecessores e impor restrições a importações de produtos que venham prejudicar a produção estadunidense. A ordem de Trump é construir um país mais forte e para os norte-americanos. Esse discurso, inclusive, fez sucesso nas camadas de desempregados, que ainda são muitas, e nos setores empresariais desbancados pela concorrência competente de produtos importados. A China que se cuide.
Ah! Outra coisa: sem acreditar na tese do aquecimento global, fez promessas – em tom irônico – de que vai se afastar das cúpulas que discutam o clima e vai retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris. Pense que “lapa de doido”. Coisa de quem nunca atuou no campo político.
Esse inesperado quadro não passava pela cabeça de qualquer cidadão de são juízo. Vive-se, portanto, uma apreensão global.
A expectativa agora é que essas idéias tresloucadas encontrem fortes barreiras nos meios políticos internacionais e doméstico, a começar pelo próprio Congresso Americano, ainda que composto por maioria do partido dele. Aliás, o povo já vem protestando nas ruas das grandes metrópoles norte-americanas.
Bom, coisas como esta não passam em branco em determinados setores da comunidade internacional e essa onda nacionalista de Trump, confere fôlego no meio do mundo, haja vista a saída do Reino Unido da União Européia, com o resultado do recente Brexit e a intenção velada de outros países de seguir o mesmo caminho. Já ouvi rumores de movimentos na França e na Itália. Isto sem falar na Grécia que já esteve bem balançada.

Aguardemos para ver a História acontecendo.     

NOTA: Fotos colhidas no Google Imagens

sábado, 5 de novembro de 2016

Diversidade Cultural

Matéria publicada, esta semana (03.11.16), num jornal do Recife, chamou-me a atenção pelo inusitado, pelo menos no Brasil, e que diz “mortos-vivos invadem ruas de São Paulo”. Pois bem, pela 11ª. vez aconteceu na capital paulista um desfile denominado “Zombie Walk” (Marcha Zumbi). Pessoas caracterizadas de mortos-vivos, bruxas, esqueletos, múmias, vampiros, matadores, entre outras figuras, prestam uma homenagem aos mortos, no dia de finados. Segundo os organizadores do evento, essa macabra caminhada se realiza em outras cidades do mundo, sendo que a primeira ocorreu na Califórnia em 2001.
Sinceramente, acho insólita essa forma de homenagem aos mortos. Lembro que, quando criança, achava enfadonha a comemoração do dia de Finados, aos moldes da época e cultura local. Mas, antes assim... Naquela época, desde o dia anterior, as rádios só levavam ao ar músicas clássicas, pelas quais eu não me interessava até então, e que se dizia serem músicas fúnebres. Na minha inocência infantil, batia-me uma tristeza inexplicável. Outra coisa, o dia de Finados era dia santo, com obrigação do preceito de ir à missa e tudo mais. Recordando o passado me admira como hoje a coisa é diferente. Prá começo de conversa, deixou de ser dia santo e virou feriado. Isso! Simplesmente feriado! E a ordem geral é aproveitar a folga. Praia, campo, balada, shows e, sempre que possível, fazendo “uma ponte de folga” ao juntar com o fim de semana. Quem morreu, morreu e que descanse em paz. Custa-me assimilar essa “nova ordem” social e, conforme fui educado, não deixo de homenagear meus mortos acendendo uma vela e orando, no cemitério.           
Mas, curioso como sou e por principio, fui atrás de saber como essa coisa acontece noutras sociedades e descobri coisas bem interessantes.
No Japão, o dia de Finados é comemorado em agosto, após o 15º dia do sétimo mês lunar. Geralmente cai no entorno do dia 15.  É uma tradição antiga, de origem Budista, e data de antes do país adotar o calendário gregoriano, no século 19. Denomina-se de Obon, é um longo feriado, quando as famílias costumam viajar aos locais de origem da família e juntas fazem oferendas, dançam e contam histórias dos mortos e de fantasmas. Nessas ocasiões eles fazem faxina no mausoléu, adornam e colocam frutas e comidas favoritas do falecido, acreditando que eles saem das cinzas para a visita anual à família.
Já na China a coisa é muito engraçada e até polêmica. As pessoas prestam homenagens com oferendas. Geralmente preparam ou compram (há um comércio rentável) reproduções, em papelão ou similar, de produtos de consumo admirados pelo falecido e que ao fim das homenagens são queimados. A idéia é que o homenageado irá precisar daquele produto lá na eternidade. Recentemente, devido a onda capitalista que invadiu a China, são ofertadas réplicas de produtos de grifes de luxo entre as quais a Dior, Gucci e Chanel, que logo protestaram em defesa das suas respectivas marcas. Esse negócio vem dando o maior rolo para os chineses. Além desses artigos, são ofertados cigarros, carros, celulares, entre outros itens.
Artigos femininos em papelão com a marca Gucci, vendidos em Hong Kong
Os mexicanos não ficam atrás. Conversando com minha amiga Susana Gonzalez, da cidade do México, fiquei inteirado que eles realizam um festival prá lá de divertido. Saem em carros alegóricos pelas avenidas, acompanhados de bandas e caracterizados com fantasias de mortos, caveiras – a famosa Catrina, ícone mexicano – vampiros, fantasmas e outras figuras do gênero. É um verdadeiro carnaval. O povo vai às ruas e curte adoidado. Insólito para nós brasileiros, mas divertidíssimo para os mexicanos. Sugiro que abra o link a seguir e veja que coisa curiosa. https://www.mexicodesconocido.com.mx/lo-mejor-del-desfile-de-dia-de-muertos-en-la-cdmx.html
Se nas ruas a coisa acontece desse modo, nos ambientes domésticos, cada família monta um altar em homenagem aos mortos, crentes de que os homenageados vêm visitá-los no dia de finados e esperam encontrar tudo que “têm direito”. Nesse altar doméstico, além da foto dos mortos lembrados, são 
Altar de Susana González
colocados: água, comida – os pratos favoritos dos falecidos –, pão do morto, velas, incensos, sal, mini-abóboras e flores que, geralmente, são os conhecidos cravos de defunto, aqui no Brasil. No México se denomina de Flores de Cempasúchil. Há, inclusive, uma lenda muito interessante sobre essa flor. Sugiro consultar o Professor Google. É interessante, quando dizem que os mortos precisam se alimentar e beber para se restabelecer da longa caminhada da vinda e se preparar para a viagem de volta. Em alguns casos são deixadas uma lapada de tequila e um cachimbo, no caso de haverem sido preferências de um homenageado durante a vida terrena. A minha amiga Susana monta anualmente um desses altares em casa. Vide foto acima.
Êita mundo velho e multicultural.
       

 Nota: A foto da China foi  obtida no Google Imagens e a foto ao lado referente à tradição mexicana foi gentilmente cedida por Susana González, minha amiga mexicana.




domingo, 16 de outubro de 2016

Uma noite com Bocelli

Sempre ouvi dizer que algumas coisas na vida “não tem dinheiro que pague”. Naturalmente que se trata de algo muito relativo. O que tem valor pra mim pode ser insignificante para outrem. Isto é valido para qualquer coisa. Nesta semana, que hoje termina e, por exemplo, desloquei-me a São Paulo, com o objetivo único de assistir a uma apresentação do magnífico tenor italiano, Andrea Bocelli. O que representou um prazer especial para mim e minha esposa, causou espécie para alguns. Aí, então, foi quando também me lembrei da minha mãe que, vez por outra dizia: “o que é de gosto regala o peito”. Regalei meu peito e minha alma de prazer e satisfação. Sabe aquela situação em você se sente em estado de graça?  Foi assim. Sou amante da boa música e de uma bela voz. O Bocelli atende minhas humildes exigências.  

É extraordinária a capacidade de atração desse artista. O show, desta semana (12.10.16), foi levado no Allianz Parque (Estádio do Palmeiras), na capital paulista. Vendo aquele estádio superlotado com espectadores nas arquibancadas, camarotes e no próprio campo de futebol, devidamente preparado para receber o grande público, cheguei à conclusão que o povo (não arrisco em povão) gosta da boa música. Friso que não foi nenhum espetáculo com preços  populares e daí essa minha conclusão.  
Sempre admirei o Andrea Bocelli, desde quando despontou nas grandes paradas internacionais. Cheguei até a planejar uma ida à Itália coincidindo com um dos seus concertos na Arena do Silencio, na Toscana. Mas, com essa vinda ao Brasil, não deixei passar a chance.  
Foi uma noite inesquecível para todos que lá estiveram. Acompanhado pela Orquestra e Coro Santa Marcelina Cultura, do Estado de São Paulo, sob o comando do Diretor Musical Eugene Kohn, Bocelli brindou-nos com canções conhecidas sob a temática de músicas consagradas no cinema (Cinema World Tour) mesclado com seus sucessos ao longo desses anos recentes. Sem duvidas uma noite deslumbrante.

Com a Soprano Maria Aleida
Afora isto, cabe o registro das participações da soprano cubana Maria Aleida, que o acompanha nessa tournée mundial e da violinista norte-americana Caroline Campbell, a queridinha de artistas famosos, entre os quais Sting, Michael Buble, Rod Studart, Seal e, claro, Andrea Bocelli. Vale à pena, também, saber mais sobre essas artistas. Professor Google pode ajudar. Agora, a grande surpresa da noite foi quando entrou no palco a cantora brasileira Anitta. Sim, a própria! Aquela cantora de funk! Parece que está mudando de gênero musical e deu a maior show, atacando com bela voz e razoável pronuncia inglesa, cantando Over the Rainbow, em participação solo. Na sequencia fez dueto com Bocelli e arrancou longos aplausos do grande publico. Surpreendente o exército de fotógrafos que surgiram para fotografá-la. Para nós que estávamos na primeira fileira de espectadores e área central diante do palco, ficou difícil assistir, naquele momento.  

Anitta fazendo dueto com Andrea Bocelli
Outro registro que não posso deixar de fazer fica por conta da programação que nos engajamos, promovida e administrada pela empresa Cielli di Toscana, com sede em Florença, na Itália, (www. cielliditoscana.com) e que sempre acompanha Bocelli na Itália e, dessa vez, no Brasil, por conta da sua origem com capital brasileiro. A empresa organiza grupos de espectadores que são localizados em posições privilegiadas (setor Diamante), com transfers (ida e volta), coquetel de boas vindas ao local do evento e distribuição de amenidades relacionadas com o show. Detalhe: o vinho servido no coquetel veio com o rotulo Bocelli. Isto mesmo. Acontece que a Família Bocelli produz um vinho de alta qualidade, o Bocelli (www.bocellifamilywines.com), a base de uvas Sangiovese, na região da Toscana. Provamos do vinho e aprovamos. Quando fomos conduzidos ao local do show ainda sentíamos o sabor Bocelli (vinho e prosecco) na boca.
Dois outros momentos, também, levaram o público ao delírio, tanto pelo inesperado, quando pela importância simbólica. O primeiro foi, antecedendo ao show propriamente dito, a execução do Hino Nacional Brasileiro, cantado por um desconhecido.  O publico cantou a todo fôlego e emocionou. Sinais de um novo tempo? O segundo momento foi a execução da abertura da ópera O Guarani, de Carlos Gomes, no inicio do segundo ato. Ou segundo tempo?

A revista/programa do show traz, entre outros registros, algo que chama a atenção do leitor mais atento, numa frase consignada ao escritor Antoine de Saint-Exupéry que diz: “Somente com o coração que se pode ver claramente. O essencial é invisível para os olhos”. Bocelli é um exemplo. Não preciso dizer mais nada. Salvo que foi uma noite inesquecível, de verdade. Meu desejo foi realizado.    


Nota: Fotos da autoria do Blogueiro   

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O recado colhido nas urnas

Os eleitores brasileiros deram um forte recado à Classe Política do país, no pleito eleitoral de domingo passado (02.10.16). O que vimos, no final da apuração dos votos, foi uma formidável demonstração de desinteresse, repúdio e, de certo modo, o desprezo que o cidadão brasileiro vem atribuindo aos processos eleitorais e aos seus representantes políticos. Teve candidato que explorou esse viés do anti-político, viu a repercussão do seu discurso e se elegeu de primeira.  
Tenho tido a curiosidade, desde as eleições de 2012, de acompanhar as informações relativas às abstenções, votos nulos e em branco. Lembro que, naquele ano, o candidato vitorioso para comandar a Prefeitura, da cidade de Olinda-PE, obteve menos votos do que os brancos e nulos que foram computados. Dias antes do pleito municipal do domingo passado eu já previa algo semelhante dado ao desencanto da sociedade como um todo. E não deu outra. Ora, meus amigos e minhas amigas, alguma coisa precisa ser revista.

O resultado, conforme dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE, foi que em dez capitais brasileiras a soma das abstenções, nulos e em branco superou aos votos sufragados aos primeiros colocados. E foram cidades importantes como Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, entre outras. Nesta última o grande vitorioso e novato, João Doria (PSDB), teve 11 mil votos a menos do que a soma dos brancos, nulos e das abstenções. A maior taxa de abstenção verificou-se no Rio de Janeiro alcançando a casa dos 24,28%. Este percentual mostra que, praticamente, 1 em cada 4 cariocas, não se abalou para ir à sessão eleitoral a dar seu voto. Vamos e venhamos, é um índice altíssimo. No Recife o segundo colocado, João Paulo (PT), que vai disputar o segundo turno, com o atual Prefeito Geraldo Julio (PSB), teve menos votos do que os que foram computados como brancos, nulos e abstenções. O menor índice de abstenção, apenas 8,59%, ocorreu em Manaus, capital do estado do Amazonas.
Não é muito difícil deduzir as razões desse desinteresse ou desprezo do eleitor. Os traumas políticos registrados nesses últimos anos – desde as grandes manifestações de 2013 – a dura eleição de 2014, os descaminhos do governo passado e o recente processo de impeachment da “presidenta”, além dos crimes escandalosos expostas pela Operação Lavajato resultou num caldo de desencanto no seio da sociedade que, dificilmente será dissolvido. É preciso que este Governo, que aí chegou, diga logo prá que veio e promova as reformas devidas e cobradas pela Nação. Não podemos é seguir nesse clima de desconforto político, estagnação econômica, insegurança e bancando equilibrista sobre um tecido social esgarçado e ameaçado romper a qualquer momento. Foi mais ou menos isto que o eleitor quis dizer no domingo passado.
O Brasil precisa de uma série de reformas para acertar o rumo de um caminho virtuoso. Fala-se muito nas reformas da previdência e econômica, mas, pouco se diz a respeito de uma reforma político-eleitoral. O modelo vigente está, definitivamente, superado. Esgotou no seu próprio emaranhado e torrou a paciência da Nação. As imperfeições estão à vista de todos. Ideias como voto distrital, voto obrigatório, quocientes eleitoral e partidário, entre outros, devem ser mais bem discutidos. O recado foi dado. Esperemos que seja ouvido corretamente.

NOTA: Imagem ilustrativa foi colhida no Google Imagens


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Vamos às urnas novamente

Eis que nos vemos diante de um novo pleito eleitoral, ainda que curtindo a ressaca das recentes turbulências políticas que assolaram o país. No próximo domingo (02/10/2016), teremos eleições municipais e, desta vez, culminando um novo modelo de processo eleitoral.
A atual campanha foi muito morna e quase não se viu movimento de candidatos buscando votos ou espaço para mostrar suas caras e expor promessas aos eleitores. Nenhum saudosismo, por favor. As novas regras do jogo, estabelecidas pela “meia-reforma” eleitoral, resultou nesse clima pouco efervescente, quando comparado com o que se vivenciamos no passado. Tem eleitor que, esta semana, se surpreende quando toma ciência da proximidade do pleito. A redução do tempo de campanha levou a que mesmo os candidatos majoritários não tivessem chances concretas de expor suas plataformas. Nem mesmo os eletrizantes debates televisivos aconteceram.
Na prática, esse tímido clima de campanha é visto com bons olhos por muitos e pouco receptivo por outros, sobretudo aqueles habituados em esbanjar propaganda com recursos de doações de pessoas jurídicas, inscritas, muitas vezes, em Caixa 2. Mesmo que arcando com o peso de suportar o popular “rabo preso” que todos nós conhecemos, numa esteira de consequentes amarrações comprometedoras para o período de exercício de mandatos conquistados, sentem imensas saudades.
Contudo, numa coisa acredito: embora considerada como sendo uma “meia-sola” de reforma, essas novas regras tornam as campanhas mais democráticas, na medida em que os candidatos se aproximam (ainda que a desejar!) de um nivelamento das condições de concorrência. O fato de que doações financeiras para campanha serem somente permitidas por Pessoas Físicas (CPF) e nunca Pessoa Jurídica (CNPJ) foi um golpe certeiro nas jogadas dos corruptos e corruptores. Outra medida sadia foi a limitação de exposição de cartazes e bandeiras nas vias públicas, que somente emporcalhavam as cidades brasileiras. E finalmente, a redução do irritante horário de propaganda gratuita (rádio e TV). Trata-se, indiscutivelmente, de uma “bateria” de restrições que, além de ser um bom ensaio de reforma eleitoral, contribuiu de modo decisivo para o nivelamento que acima me referi.  
Mas, no final das contas, o que mais importa nesse quadro é considerar que a consciência individual, bem como a coletiva, do nosso eleitorado, está longe de saber escolher o candidato certo. E é aí onde reside a incógnita da questão política nacional.
Sou da opinião de que a eleição municipal é a única oportunidade em que o eleitor pode eleger um representante político mais próximo à sua realidade e mais fácil de ouvi-lo. Precisa saber – e quase nunca sabe – que o escolhido será seu representante, seu porta-voz direto nos níveis superiores de governos. Um(a) vereador(a), por sua vez, tem que ter a clara noção – e muitos poucos têm – de que ele, ou ela, deve defender os interesses dos seus representados, que estão lá na base da pirâmide social, isto é, o cidadão comum que sofre no seu dia-a-dia os efeitos de todas as mazelas das imperfeições e injustiças do meio social.
No Brasil de hoje, não há quem não padeça de alguma dessas mazelas urbanas. A saúde pública abandonada, as instalações sanitárias primitivas, as deficiências do setor educacional, a insegurança, a mobilidade urbana engarrafada e as falhas de infraestrutura são apenas alguns dos aspectos negativos que degradam as grandes, médias e pequenas urbes brasileiras e, provavelmente comuns em todas elas. Os prefeitos e vereadores eleitos nem sempre enxergam esse conjunto de problemas. Muitos, inclusive, preferem oferecer “pão e circo” como na Roma Antiga para enganar os tolos.
No próximo domingo, tenhamos um rasgo de lucidez, acreditemos que a participação como eleitor é um ato de cidadania e negá-lo se constitui num ato de covardia. Entendamos que um voto certo pode resultar num novo tempo social próspero e justo. Esqueçamos os atropelos e traumas recentes. Confiemos. Votemos em quem nos pareça ser bom e honesto administrador da coisa pública. É tempo de corrigir o que no passado podemos ter errado. Seja um eleitor consciente. Vote certo! O Brasil ainda tem chance e depende de você, Sua Excelência o Eleitor.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Ares de Setembro na Argentina

Um compromisso social levou-me, semana passada, a Buenos Aires, a bela e aprazível capital da Argentina. Mais de uma vez já manifestei, aqui no Blog, a satisfação que sinto ao retornar àquela cidade e o fato da mesma se constituir num dos melhores destinos que me tocam.
Compromisso à parte, ressalto a chance de observar a cidade em si e o clima reinante no atual momento político-econômico dos hermanos. Gosto sempre de fazer isto. Para tanto, conversei com pessoas comuns – taxistas, balconistas, recepção do hotel, operadores de turismo, garçons, operadores de cambio, recepcionistas em geral, entre outros – buscando reunir opiniões com vistas a um registro neste espaço. Naturalmente que estou falando de subsídios primários, porquanto carente de técnicas apuradas. Contudo, ouvir o cidadão comum é sempre um indicador revelador. 
Vamos lá: a cidade me pareceu muito mais animada, comparando com minha última visita, e, sobretudo, melhor ordenada. Desapareceram aquelas hordas de ambulantes/imigrantes espalhando seus produtos artesanais ou quinquilharias chinesas, sobre mantas, nas ruas do chamado microcentro, que é a área histórica da cidade. Aquilo de antes conferia um aspecto de desarrumação e decadência sem tamanho preciso e justo na zona mais atrativa da metrópole. A famosa Calle Florida era o máximo do desmantelo, quando estive por lá nas últimas vezes. Não faz tempo. Apenas dois ou três anos. Hoje, não. O microcentro foi repaginado, melhor urbanizado, limpo, livre dos camelôs e recuperado na melhor forma, tal como no passado. E aparentemente mais seguro. Conheço Buenos Aires desde os anos setenta e pude acompanhar essas transformações com seus altos e baixos. O quadro atual é, indiscutivelmente, o melhor que já vi. Fiação elétrica e de telefonia, que no passado eram aparentes e enovelados nos postes, desapareceram e, agora, correm em dutos subterrâneos em muitas artérias da cidade.  Dá prazer passear na “nova” Florida e nas ruas do entorno. Entre as boas coisas, é gostoso admirar as vitrines comerciais de bom gosto, as galerias e os Shopping Center.
Acima, vista parcial da elegante Galerias Pacifico, no meio da Calle Florida e
abaixo, vistosa vitrine, na mesma rua.

É verdade que ainda se vê, ali e acolá, um maltrapilho abrigado numa marquise e encoberto com uma manta se protegendo do frio. Mas, muito raro. Nada que se compare com o que se vê nas principais cidades brasileiras. Não há menores carentes nas avenidas, não há limpadores de para-brisas nos semáforos, nem pedintes ostensivos.
Rara imagem da pobreza renitente e sinais da oposição.
Quanto às opiniões colhidas sobre a situação político-econômica posso afirmar que no geral as pessoas consideram estarem vivendo um momento transitório, de muitos sacrifícios, inflação em alta e significativas privações de consumo. Contudo, há um sentimento de que, tudo sendo transitório como parece ser, aponta para momentos de alivio em futuro próximo. Todos sentem os efeitos positivos do Governo Macri, assegurando que foi a melhor saída para a crise gerada pela gestão dos Kirchner. Curioso foi o fato de que alguns interlocutores chamaram a atenção para o fato de que a mesma coisa acorre no Brasil, isto é, o impeachment de Dilma aponta para uma solução econômica para o Brasil e que isso pode ser benéfico para a Argentina, também. O país é um dos nossos melhores parceiros comerciais. Os analistas econômicos da região consideram que aquilo que for bom para o Brasil será bom para a Argentina.
Outro detalhe muito enaltecido pelos portenhos é o fato de que, enquanto governador da Buenos Aires, Mauricio Macri rearrumou a capital e isto serviu de senha para que fosse eleito. A esperança é de que arrume a economia nacional. Naturalmente que, sendo uma democracia, existem os opositores que têm “castigado” o Governo na melhor forma que podem. Faz parte do jogo político. O mesmo que ocorre atualmente no Brasil.
Para nós sul-americanos resta a esperança de que a paz e o progresso reinem nas duas maiores economias do Cone Sul do Continente.  
No mais, o que me tocou foi aproveitar tudo aquilo que Buenos Aires oferece aos visitantes. É admirável como não se observa engarrafamentos de trânsito, nem problemas de estacionamento de veículos e, durante o tempo que lá estive, não vi qualquer tipo de acidente de trânsito.
Uma das maiores atrações argentinas é a qualidade da gastronomia, calcada principalmente na carne bovina. São centenas de restaurantes que servem a famosa parilla que dá água na boca só em pensar. Um bife-chorizo ou um lomo regados a um bom Malbec não tem dinheiro que pague.
Imagem de um assador crioulo preparando um cabrito na brasa, ao chimichuri.
Suculento lomo (Filé mignon) que saboreei, regado com belo Ruttini
A outra grande atração é o tango. No meu humilde ver, um tango bem executado e bem dançado é uma verdadeira magia artística. Melancólico, por vezes, sofrência explicita, apaixonante sempre e sensual. Sim, porque todo tango tem forte dose de sensualidade! Nada mais sensual do que uma bela dançarina, pernas à mostra, arriada, pendurada tal como trancelim ao pescoço do parceiro, que, em troca, geme, carrega como se sustentasse uma pluma, se esfrega, provoca a parceira e, naturalmente, a plateia. E, quando a música para, colhe os aplausos dos espectadores. Longos num claro testemunho de estarem fissurados. Quando numa dessas plateias, não tenho outra saída a não ser clamar: “traz outro Malbec, garçom”. Tá bom! Chega, por hoje.         
          
NOTA: As fotos que ilustram o post são da autoria do Blogueiro

Um Gigante Incompetente

Diante da TV, acompanho a Copa Mundial de Futebol que rola nos gramados da América do Norte, o movimento no tabuleiro de xadrez da geopolíti...