quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O recado colhido nas urnas

Os eleitores brasileiros deram um forte recado à Classe Política do país, no pleito eleitoral de domingo passado (02.10.16). O que vimos, no final da apuração dos votos, foi uma formidável demonstração de desinteresse, repúdio e, de certo modo, o desprezo que o cidadão brasileiro vem atribuindo aos processos eleitorais e aos seus representantes políticos. Teve candidato que explorou esse viés do anti-político, viu a repercussão do seu discurso e se elegeu de primeira.  
Tenho tido a curiosidade, desde as eleições de 2012, de acompanhar as informações relativas às abstenções, votos nulos e em branco. Lembro que, naquele ano, o candidato vitorioso para comandar a Prefeitura, da cidade de Olinda-PE, obteve menos votos do que os brancos e nulos que foram computados. Dias antes do pleito municipal do domingo passado eu já previa algo semelhante dado ao desencanto da sociedade como um todo. E não deu outra. Ora, meus amigos e minhas amigas, alguma coisa precisa ser revista.

O resultado, conforme dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE, foi que em dez capitais brasileiras a soma das abstenções, nulos e em branco superou aos votos sufragados aos primeiros colocados. E foram cidades importantes como Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, entre outras. Nesta última o grande vitorioso e novato, João Doria (PSDB), teve 11 mil votos a menos do que a soma dos brancos, nulos e das abstenções. A maior taxa de abstenção verificou-se no Rio de Janeiro alcançando a casa dos 24,28%. Este percentual mostra que, praticamente, 1 em cada 4 cariocas, não se abalou para ir à sessão eleitoral a dar seu voto. Vamos e venhamos, é um índice altíssimo. No Recife o segundo colocado, João Paulo (PT), que vai disputar o segundo turno, com o atual Prefeito Geraldo Julio (PSB), teve menos votos do que os que foram computados como brancos, nulos e abstenções. O menor índice de abstenção, apenas 8,59%, ocorreu em Manaus, capital do estado do Amazonas.
Não é muito difícil deduzir as razões desse desinteresse ou desprezo do eleitor. Os traumas políticos registrados nesses últimos anos – desde as grandes manifestações de 2013 – a dura eleição de 2014, os descaminhos do governo passado e o recente processo de impeachment da “presidenta”, além dos crimes escandalosos expostas pela Operação Lavajato resultou num caldo de desencanto no seio da sociedade que, dificilmente será dissolvido. É preciso que este Governo, que aí chegou, diga logo prá que veio e promova as reformas devidas e cobradas pela Nação. Não podemos é seguir nesse clima de desconforto político, estagnação econômica, insegurança e bancando equilibrista sobre um tecido social esgarçado e ameaçado romper a qualquer momento. Foi mais ou menos isto que o eleitor quis dizer no domingo passado.
O Brasil precisa de uma série de reformas para acertar o rumo de um caminho virtuoso. Fala-se muito nas reformas da previdência e econômica, mas, pouco se diz a respeito de uma reforma político-eleitoral. O modelo vigente está, definitivamente, superado. Esgotou no seu próprio emaranhado e torrou a paciência da Nação. As imperfeições estão à vista de todos. Ideias como voto distrital, voto obrigatório, quocientes eleitoral e partidário, entre outros, devem ser mais bem discutidos. O recado foi dado. Esperemos que seja ouvido corretamente.

NOTA: Imagem ilustrativa foi colhida no Google Imagens


7 comentários:

Danyelle Monteiro disse...

Reforma política já. Acredito que esse alto índice de abstenção, nulos e brancos além de refletir a descrença da sociedade na classe política, deve conter outras variáveis, a exemplo de não termos opções confiáveis para votar, são sempre os mesmos e isso tem que mudar.
Danyelle Monteiro

Maria Luiza Targino disse...

Vamos cobrar dos políticos as mudanças necessárias.
Maria Luíza Targino

Susana Gonzalez disse...

No crees también q se puede leer, q de q sirve votar, si luego al candidato q votaste los políticos lo retiran, acusándolo de algo inventado. O sea q su voto no es respetado.

Ina Melo disse...

É isso aí amigo. Infelizmente no Brasil, por conveniência e oportunismo ninguém enxerga nada!
Ina Melo

Rosanilda Lucena disse...

E verdade primo o povo está cansado de tanto absurdo os políticos estão desacreditados
Rosanilda Lucena

Cristina Carvalho disse...

De fato Girley, sua análise foi perfeita: recado dado. Resta agora "esperar" uma resposta das autoridades constituídas. Precisam agir e rápido.
Cristina Carvalho

J.Artur disse...

Girley, veja que feliz coincidência. No JC de hoje o Anselmo Gois destaca as palavras ditas por Ulisses Guimarães (morreu a exatos 100 anos) => "Minha paciência é tão infinita quanto a do povo brasileiro"... Por isto, digo eu, tanta malevolência se transforma em maledicência...
Continue pontuando com essa pontaria toda... desculpe a redundância.
JArtur