Um
compromisso social levou-me, semana passada, a Buenos Aires, a bela e aprazível
capital da Argentina. Mais de uma vez já manifestei, aqui no Blog, a satisfação
que sinto ao retornar àquela cidade e o fato da mesma se constituir num dos
melhores destinos que me tocam.
Compromisso
à parte, ressalto a chance de observar a cidade em si e o clima reinante no
atual momento político-econômico dos hermanos.
Gosto sempre de fazer isto. Para tanto, conversei com pessoas comuns –
taxistas, balconistas, recepção do hotel, operadores de turismo, garçons,
operadores de cambio, recepcionistas em geral, entre outros – buscando reunir
opiniões com vistas a um registro neste espaço. Naturalmente que estou falando
de subsídios primários, porquanto carente de técnicas apuradas. Contudo, ouvir
o cidadão comum é sempre um indicador revelador.
| Acima, vista parcial da elegante Galerias Pacifico, no meio da Calle Florida e abaixo, vistosa vitrine, na mesma rua. |
É verdade
que ainda se vê, ali e acolá, um maltrapilho abrigado numa marquise e encoberto
com uma manta se protegendo do frio. Mas, muito raro. Nada que se compare com o
que se vê nas principais cidades brasileiras. Não há menores carentes nas
avenidas, não há limpadores de para-brisas nos semáforos, nem pedintes
ostensivos.
Quanto às
opiniões colhidas sobre a situação político-econômica posso afirmar que no
geral as pessoas consideram estarem vivendo um momento transitório, de muitos
sacrifícios, inflação em alta e significativas privações de consumo. Contudo,
há um sentimento de que, tudo sendo transitório como parece ser, aponta para
momentos de alivio em futuro próximo. Todos sentem os efeitos positivos do
Governo Macri, assegurando que foi a melhor saída para a crise gerada pela
gestão dos Kirchner. Curioso foi o fato de que alguns interlocutores chamaram a
atenção para o fato de que a mesma coisa acorre no Brasil, isto é, o impeachment de Dilma aponta para uma
solução econômica para o Brasil e que isso pode ser benéfico para a Argentina,
também. O país é um dos nossos melhores parceiros comerciais. Os analistas
econômicos da região consideram que aquilo que for bom para o Brasil será bom
para a Argentina.
| Rara imagem da pobreza renitente e sinais da oposição. |
Outro
detalhe muito enaltecido pelos portenhos é o fato de que, enquanto governador
da Buenos Aires, Mauricio Macri rearrumou a capital e isto serviu de senha para
que fosse eleito. A esperança é de que arrume a economia nacional. Naturalmente
que, sendo uma democracia, existem os opositores que têm “castigado” o Governo
na melhor forma que podem. Faz parte do jogo político. O mesmo que ocorre
atualmente no Brasil.
Para nós
sul-americanos resta a esperança de que a paz e o progresso reinem nas duas
maiores economias do Cone Sul do Continente.
No mais, o
que me tocou foi aproveitar tudo aquilo que Buenos Aires oferece aos
visitantes. É admirável como não se observa engarrafamentos de trânsito, nem
problemas de estacionamento de veículos e, durante o tempo que lá estive, não
vi qualquer tipo de acidente de trânsito.
Uma das
maiores atrações argentinas é a qualidade da gastronomia, calcada
principalmente na carne bovina. São centenas de restaurantes que servem a
famosa parilla que dá água na boca só
em pensar. Um bife-chorizo ou um lomo
regados a um bom Malbec não tem dinheiro que pague.
| Imagem de um assador crioulo preparando um cabrito na brasa, ao chimichuri. |
| Suculento lomo (Filé mignon) que saboreei, regado com belo Ruttini |
A outra
grande atração é o tango. No meu humilde ver, um tango bem executado e bem
dançado é uma verdadeira magia artística. Melancólico, por vezes, sofrência explicita, apaixonante sempre
e sensual. Sim, porque todo tango tem forte dose de sensualidade! Nada mais
sensual do que uma bela dançarina, pernas à mostra, arriada, pendurada tal como
trancelim ao pescoço do parceiro, que, em troca, geme, carrega como se sustentasse
uma pluma, se esfrega, provoca a parceira e, naturalmente, a plateia. E, quando
a música para, colhe os aplausos dos espectadores. Longos num claro testemunho
de estarem fissurados. Quando numa dessas plateias, não tenho outra saída a não
ser clamar: “traz outro Malbec, garçom”. Tá bom! Chega, por hoje.
NOTA: As fotos que ilustram o post são da autoria do Blogueiro