sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Desordem no Vale do São Francisco

Que a atividade econômica do Vale do São Francisco, baseada na fruticultura irrigada, é um dos negócios mais bem sucedido do Brasil moderno, todo mundo já sabe. Este tema, que já foi assunto deste Blog noutras ocasiões, testemunha meu entusiasmo por tudo que acontece naquela região cortada pelo velho Chico, no trecho de fronteira entre os estados de Pernambuco e da Bahia,  tendo os municípios de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) formando o maior aglomerado urbano. Como não admirar o progresso e o aproveitamento agrícola de uma área fincada no meio do inóspito semiárido nordestino? Como não encher os olhos de alegria ao divisar a verdura dos perímetros irrigados gerando riqueza e sustento para uma população que antes só experimentava agruras e miséria, geradas pelo sol causticante e abrasador? Como não se deliciar com a doçura e a qualidade superior das frutas cultivadas naquela região? São perguntas, entre muitas outras, que recebem sempre respostas positivas.
Posso me considerar um razoável conhecedor da região, tanto pelo interesse pessoal, como em decorrência das minhas atividades profissionais. Perdi a conta das vezes que adentrei naqueles campos de cultivo e em que, particularmente, visitei as adegas produtoras de vinhos tirados das uvas do vale. Ou seja, acompanhei de perto a construção de uma atividade econômica que levou os nomes de Pernambuco e da Bahia, Nordeste enfim, aos quatro cantos do mundo.
Ultimamente, porém, um movimento pouco animador vem despertando a preocupação de todos que conhecem , admiram e defendem aquela região: fazendas produtoras de frutas tropicais e vinhos de qualidade superior estão sendo invadidas pelos militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), sob duvidosas alegações – dizem que as terras são improdutivas! – e pondo em risco uma economia indiscutivelmente bem sucedida. Primeiro foi a Fazenda Milano que, além de frutas tropicais, produz vinhos finos, com a consagrada marca Botticelli, invadida em 12 de outubro passado. Depois, na semana que passou, foi a vez da vinícola Bianchetti, que existe de 1998. Observadores locais garantem que nenhuma das terras invadidas é improdutiva, dado que se acham a pleno funcionamento, plantando, colhendo, exportando e produzindo vinhos. A briga rola na justiça e autoridades já foram chamadas para atestar a verdade. Processo para reintegração de posse, aliás, já foi emitido a favor da Milano, que aguarda execução sob o lento e magnânimo compasso do comando da policia local.
A Milano, meus amigos e amigas, tem uma invejável trajetória de 43 anos, produzindo em cerca de 300 hectares frutas e uvas para exportação, além de vinhos. É uma empresa pioneira e serve de modelo para essas atividades no Vale. De lá saem regularmente uvas, mangas, goiaba, maracujá, feijão, milho, leite e queijos em escala comercial. Falo de uma empresa cidadã, com mais de trezentas famílias vivendo com qualidade de vida e que, neste momento, estão impedidas de produzir, devido a desordem instalada pelos invasores. Além de invadir quebraram tudo, provocando um imenso prejuízo econômico, afora outro, de natureza emocional, segundo o Administrador da Fazenda, José Gualberto de Almeida, à medida que sequer pode sair de casa, na sede da Fazenda.
No caso da Bianchetti, são 100 invasores que chegaram em carros, vans, motos e, vejam só, protegidos pela policia. Garantem que vão ficar por lá e se preparam para plantar e sobreviver.
Quem conhece aquilo lá, sabe que o governo promoveu assentamentos para famílias de baixa renda da região no entorno desses grandes empreendimentos invadidos, e que por falta de assistência técnica e social essa gente vem abandonando as terras recebidas legalmente, indo atrás daquelas já bem estruturadas e com produtividades garantidas. Francamente! Que país é este? Onde estão nossos governantes?
Contudo, lamentando o que vem sendo registrado e por dever tento um olhar neutro, digo, na ótica dos invasores e imagino que algumas empresas podem, mesmo, estar atravessando dificuldades num ou noutro aspecto legal, coisa mais do que comum, neste Brasil! As invadidas podem ser exemplos. Mas, e daí? Será que isso é motivo para que sejam invadidas? Tudo leva a crer que vem ocorrendo puro oportunismo desse MST.
Infelizmente ser empresário no Brasil vem se transformando num ato de bravura. As dificuldades são imensas. Problemas com impostos escorchantes, custo da mão de obra, luz, água e telecomunicações, logística precária, baixas produtividades, concorrência estrangeira, etc, etc. E bote etc. nisso!
Para as empresas do Vale do São Francisco acredito que a situação é ainda mais séria porque vivem das exportações, atualmente abaladas pela apreciação do Real, combinada com a retração do consumo num mercado mundial em crise.
Precisamos salvar a economia do Vale do São Francisco! Fim urgente à desordem que ali se instalou!

NOTA: As fotos que ilustram o post foram colhidas no Google Imagens 
      


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Nem tudo são flores

Quando chega esta época do ano, aqui no Recife, os ipês da Avenida Agamenon Magalhães, se assanham e presenteiam o recifense com suas florações coloridas – amarelas, rosadas e lilases – anunciando que é primavera, mesmo com o intenso calor tropical local. A cidade fica mais bonita e festeja. Ganhando os interiores do estado, a cena se repete, seja nos vestígios de Mata Atlântica ou nas manchas úmidas dos Agrestes e Sertões. Nas terras dos meus antanhos, por exemplo, o cenário é semelhante e os ipês festejam do mesmo modo a estação. Lá, aliás, ganham outra denominação: Craibeira e têm direito a poemas e canções. Parece que estou vendo meu tio Luis Mendonça, nos idos da minha infância, dando uma de galã/cantor entoando “Craibeira, flor amarela/Quando te vejo/Me lembrou dela...” Admire as fotos a seguir.

Nesse misto de ar primaveril e reminiscências, ao volante do meu carro na Agamenon, ligo o radio e escuto abismado um polêmico debate sobre a situação de miséria dos garotos que mergulham no Canal do Arruda, zona quase central da cidade, para catar lixos e ganhar o pão.  Tudo por conta de uma espantosa foto, publicada na primeira página de um jornal local, de grande circulação, onde aparece um garoto catando latas vazias para vender no peso, atolado até o pescoço na podridão do canal. Sem dúvida, um escândalo. Triste sina desses garotos (Vide fotos a seguir). Impactado, pensei nesse outro lado da cidade, com triste paisagem. Recife, lugar onde “nem tudo são flores!”  Pasmo com o noticiário, imagino que o que se denomina de primavera deve ser uma coisa abstrata ou algo que esses garotos nunca ouviram falar. Dá uma tristeza...

Pelo debate radiofônico fiquei sabendo que a dita foto correu o mundo. A foto publicada foi a de cima. Da Europa ao Oriente. Da Austrália ao Canadá. Daqui para muito longe, a imagem gerou um escândalo. Uma amiga na Itália, assustada com a repercussão negativa da foto, apressou-se em sugerir o tema como pauta do Blog. Muitas vezes evito essas coisas, no Blog, porque expõem e depõem ainda mais o País da Copa e, sobretudo, o Recife. Mas, diante da repercussão... Imaginem que até na Tailândia a foto chamou a atenção. Sem comentários.
Perguntas que não calam: onde estão nossas autoridades que não tiram essas crianças das ruas? Onde está essa Prefeitura que prometeu tanto e ainda não conseguiu limpar nossos canais, herança indecente da PTralea? Onde estão essas mães que recebem o Bolsa Família e não leva seus filhos para a escola? Tem escola, segundo dizem, que atesta falsa frequência... Taí o resultado: catar lixo no canal podre, para sobreviver. Segundo minha secretária doméstica, que mora na mesma região do Arruda, jogam até cadáveres nesses canais. Quanta indignidade com o cidadão! Este assunto martelou-me a cabeça o resto do dia.
Dia seguinte, reuni-me com um amigo para tratar de negócios e ele me trás outro fato negativo. Decepcionado, me confessa que nunca mais volta ao Parque Dona Lindu (bairro de Boa Viagem-Recife), muito menos para assistir a alguma apresentação cultural. Motivo: o local está tomado por praticantes de skate e vendedores ambulantes oferecendo churrasquinhos, queijo assado e outros itens populares. A recente apresentação da Orquestrada Sinfônica Brasileira (patrocinada por importante empresa construtora) foi em meio a uma bagunça – no dizer do meu amigo – devido aos praticantes do skate, em evoluções tipo zig-zag , pondo em risco e tirando a atenção dos espectadores. Para completar, o ar empestado de fumaças e aromas dos assados que, seguramente, incensaram maestro e instrumentistas da Orquestra. Vejam  vocês, que coisa desagradável! Um espetáculo, como aquele, merecia melhor atenção das autoridades municipais. Se houve, ninguém sabe, ninguém viu.
Não foi a primeira vez que ouvi criticas àquela praça. Os praticantes de skate têm seu espaço próprio, mas, insistem em usar a área total. Os churrasqueiros merecem um lugar ao sol, é verdade. Mas, precisam ter ordem.  Também, falta naquele local mais gramado e mais árvores. Aquela parte pavimentada (diante do palco aberto), por exemplo, é grande demais e estimula ao uso como pista de skate e ciclovia. (Vide foto a seguir). Como nosso povo não tem noções de ordem e respeito ao próximo, dá nisso.
Diante de fatos como esses,  insisto: como faz falta uma real decisão política para dar um choque de Educação e Cidadania neste Brasil! Lástima que ainda exista governos que nem se tocam.  É duro viver num ambiente onde nem tudo são flores. Assim mesmo, salve a primavera recifense!

NOTA: Fotos do Blogueiro (caso dos Ipês) e no Google Imagens.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Estação Ponte d´UChoa

Vejam que história interessante: em 1865 foi instalada no Recife a Empresa de Trilhos Aros Urbanos, proporcionando à cidade um moderno sistema de transporte urbano com bondes. Os chamados de maxobambas, naquela época. Esta denominação foi derivado do inglês, machine pump. Era um veículo de transporte de passageiros constituído de uma pequena locomotiva, cuja cabine não tinha coberta e puxava dois ou três vagões. Podia ter dois andares. (Vide foto a seguir).

Foi uma novidade enorme e se constituiu no primeiro sistema de transporte sobre trilhos nas cidades brasileiras, entre as quais o Recife. Várias estações foram construídas, em pontos estratégicos da cidade, conforme naturalmente a atender as necessidades da população. Uma deles foi a de Ponte d´Uchoa, na localidade de mesmo nome, situada entre os atuais bairros da Jaqueira e das Graças. Área nobilíssima da cidade. Em 1867, a empresa passou para o controle da Brazilian Street Railway – de origem inglesa – e a estação Ponte d´Uchoa foi junto. A maxobamba circulou pela cidade até 1915. Em 1916, outra companhia inglesa fundou no Recife a Pernambuco Tramways & Power Company, introduzindo o moderníssimo bonde elétrico no transporte urbano da cidade além da geração e distribuição de energia elétrica na cidade. Vide foto a seguir.
A Estação Ponte d´Uchoa continuou como importante ponto de parada para os passageiros. Isso durou até que o sistema de bondes foi suprimido e substituído por ônibus, final da primeira metade do século passado. Novamente a estação Ponte d´Uchoa serviu de parada dos coletivos, até 2003 quando foi deslocada para facilitar o trânsito local. Restou um belo ícone da história da cidade, admirado e querido por todos. Recordo que fiz ponto de paquera das alunas do Colégio das Damas Cristãs, lá em frente. Tombado e preservado como importante patrimônio histórico-cultural da cidade. Um cartão-postal. Vide foto a seguir. Outras estações certamente existiram, mas, nem vestígios nos dias de hoje.
Vejam, agora, que história triste: esta semana – quase 150 anos depois de construída – a estação Ponte d´Uchoa amanheceu destruída! A recifense foi tomado de triste surpresa. O tradicional cartão postal da cidade foi, praticamente, deletado, de hora para outra, por um imprudente motorista, filhinho mimado da mamãe, que encheu a cara numa farra noturna e no amanhecer, ao volante de um veiculo “desconduzido”, colidiu com a histórica estação, derrubando-a quase que totalmente. Acidentes acontecem, eu sei. Muitos de forma inexplicável. Mas, quando o motivo é o álcool na cuca, tenha paciência. E, quando toma como alvo da destruição um patrimônio histórico da cidade, pior. Não tem desculpas. Segundo o noticiário, o cara foi socorrido às pressas e se livrou do flagrante, inclusive, do teste de alcoolemia.
Não importa qual a explicação que seja dada. Inquirido pela policia, jurou que não havia bebido! Dormiu ao volante? Quem sabe? Seja lá como tenha sido, o que importa é que a história da cidade foi borrada. Num lugar onde a preservação do patrimônio histórico é, muitas vezes, relegado a último plano, um episódio desses é lamentável. Fala-se na recuperação da estação. Espero que o mais rápido possível e que o autor do desastre será responsabilizado pelo custo da restauração. Tem que ser assim, para servir de exemplo. Sem pena nem concessões apadrinhadas. O contribuinte não deve pagar por esse abuso. É de se esperar que a coisa não se perca nos meandros da burocracia dos poderes constituídos e a estação corra o risco de  cair no esquecimento, como tantos outros monumentos da secular cidade foram destruídos propositalmente ou por conta do abandono.
Ocorre-me uma ideia: colocar na estação Ponte d´Uchoa – quando recuperada, claro – um posto permanente de controle da Lei Seca. Quero ver bebum nenhum se atrever passar por ali.
Ah! Antes de terminar, mais um pouco de história: andei conversando com o Professor Google e ele, que sabe de tuuuuudo, me explicou que “o nome Ponte d´Uchoa está relacionado ao Senhor de Engenho Antonio Borges Uchôa, do Engenho da Torre, que viveu no século XVII. Após a expulsão dos holandeses em 1654, para permitir acesso à outra margem do rio Capibaribe, onde moravam parentes seus, ele construiu uma ponte, que ficou conhecida como Ponte d´Uchoa, e assim ficou denominada a área adjacente à outra margem do rio que fazia ligação por ponte da sua propriedade”. Desconfio que seja a atual Ponte da Torre.

NOTA: As fotos foram obtidas no Google Imagens


domingo, 27 de outubro de 2013

Urbe Maltratada

Ela desabou diante dos meus olhos ao tentar descer de uma calçada e atravessar a pista interna da Avenida Agamenon Magalhães. Estendida no asfalto quente do meio dia, daquela movimentada via na região central do Recife, aquela senhora de, aparentemente, 75 anos teve sua apressada trajetória interrompida, por pura imperfeição daquele passeio de pedestre. A calçada tem um desnível de, pelo menos, 35 centímetros (vide foto a seguir), o que vamos e venhamos é um absurdo. A cena que presenciei e me impactou – sobretudo pelo risco de vida que aquela anciã passava – foi um testemunho da precária situação da grande maioria das calçadas do Recife. Deficiente visual e cadeirante, então, nem pensar.    
Tenho um amigo, arquiteto urbanista, Francisco Cunha (leia-se TGI Consultoria),  que vem empreendendo uma campanha cerrada, via distintos meios da mídia, para a humanização das calçadas do Recife. Sua tese é muito interessante ao garantir que “a calçada pública é o primeiro degrau da cidadania urbana”. Publicou recentemente um livro sobre assunto, que aconselho leitura. (CUNHA, Francisco Calçada: Primeiro degrau da Cidadania Urbana).
Movido pelo susto da mulher estendida na avenida, diante do meu carro, e entusiasmado pela campanha de Cunha, decidi sobre a pauta semanal do Blog. Para tanto, sai pelas ruas colhendo imagens dos absurdos que esta cidade proporciona aos seus munícipes. Não precisei andar muito. Caminhei, sobretudo, pelas ruas do meu bairro (Aflitos-Espinheiro), zona nobre da cidade, e deparei-me com verdadeiras “pérolas”. Na região central deve ser pior. Quem procura acha, diz um adágio popular. Eu achei o que procurava.
Na primeira esquina, colada ao meu prédio, tive que desviar de rota para contornar um veículo estacionado na calçada. (Vide foto abaixo) Num sábado pela manhã, foi danado. 
Cem metros após, eu mesmo perdi o equilíbrio ao procurar seguir a rota correta. Uma árvore frondosa expandiu suas raízes, quebrou a calçada, arrancou o meio fio e avançou no asfalto. Estrago geral. (vide a foto a seguir). 
Gosto muito de viver num bairro arborizado e aprazível. Ocorre, porém, que a Prefeitura (não me refiro a atual ou quaisquer outras passadas administrações) não teve o cuidado de escolher uma espécie adequada ou uma técnica especial que evitasse esses estragos que acontecem na nossa cidade. Esta imagem a seguir é da Avenida Rui Barbosa. A árvore tomou toda a calçada. O transeunte é obrigado a enfrentar a concorrência dos veículos que passam geralmente em velocidade. A via é de grande movimento.
 
Cidades pelo mundo afora sabem como lidar com esse problema, ao escolher um tipo de árvore menos danosa ao passeio dos pedestres e, além disso, proteger a área onde comumente as raízes afloram. Em Paris (França), por exemplo, é assim. Uma grelha de ferro fundido, artisticamente projetada, é colocada na base surface de cada elemento e o problema é evitado. (Vide a foto a seguir).
Mas, minha caminhada seguiu e, mais adiante, vi três coisas inusitadas: a primeira foi uma carroça estacionada numa calçada e atada com cadeado a um poste. Isto numa rua nobilíssima do bairro. Indaguei do porteiro de um prédio ao lado, sobre o proprietário daquele tosco veículo de cargas e fiquei sabendo que ele vive no Alto do Mandu (periferia da cidade) e sempre deixa sua carroça ali. “Mas na segunda feira, logo cedo, ele aparece. O pessoal aqui já está acostumado. Gosta dele”. Onde está a fiscalização da Prefeitura? Que absurdo! (vide a foto abaixo). A segunda coisa, ali juntinho da carroça, foi a ideia de fazer um jardinzinho pessoal no meio da estreita calçada. Sabe quem fez? O porteiro que me deu a informação do carroceiro. “Mas o Senhor não vê que isto atrapalha a passagem do pedestre?” perguntei rápido. “Ah! O pessoal desce a calçada e depois volta...” Assim, tranquilo e calmo. Pelo visto os moradores dali são complacentes demais. Gostam do carroceiro, do porteiro/jardineiro e devem gostar de outros tipos mais que apareçam. 
A terceira coisa foi a pior de todas: a calçada é interrompida bruscamente, por imenso muro construído por uma escola que avançou o que pôde para ampliar sua quadra de esportes. Tomou todo o espaço da desejada calçada pública. Ali pedestre não tem vez, mesmo. E a Prefeitura? Ninguém sabe!  (Vide foto abaixo).
Lembro que uma das coisas que mais admiro nas grandes e bem urbanizadas cidades do mundo, quando as visito, é o fato de que não existem redes aéreas de distribuição de energia e rede de telefonia nas zonas urbanas. É tudo subterrâneo.  Isto leva a que não existam os monstrengos postes que além de enfear a cidade se constitui – no caso do Recife – num atropelo em série nas calçadas públicas. Sem falar no emaranhado de cabos elétricos e telefônicos, à vista. Veja, por exemplo, a foto a seguir. São três postes juntos num único local. Francamente!
Para completar o caos das calçadas recifenses, o pedestre tem que desviar – a toda hora – das fezes dos pets que são levados a passear sistematicamente. Há uma rua, transversal da que moro, que é o “sanitário público” da cachorrada do bairro. Acho que ali todos eles marcaram seus espaços. Aliás, seus donos também... Nessa rua não ouso passar. Naturalmente que não vou “brindar” os leitores com uma ilustração fecal. Neste caso, peca o proprietário mal-educado que deixa na calçada a obra do seu cachorrinho. Quanta ignorância. Ora, meu Deus, isto é uma questão de saúde pública. Num país civilizado não ocorre uma coisa dessas. Há pouco tempo vi, em vários pontos, na cidade de Praga (Capital da República Checa), saquinhos de papel e pá de cartolina para que os proprietários de cães colhessem as fezes dos animais e depositassem em lixeiras espalhadas pela região. Isso sim, é que é urbanidade e cidadania. Vide foto a seguir.
É, meus amigos e amigas, falta muito para que nosso Recife (e muitas outras cidades brasileiras) deixe de ser uma urbe maltratada. Certamente, não será no meu tempo! Talvez meus bisnetos.

NOTA: Todas as fotos são da autoria do Blogueiro.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Imagine na Copa

Todo país sede de um grande evento internacional termina se transformando numa grande vitrine para as atividades do turismo. Hotéis, equipamentos de atração cultural, comércio, restaurantes, meios de transporte, entre outros vários aspectos, fazem a festa de operadoras e guias que, via de regra, se consolidam nos mercados. O Brasil, atualmente, está na  mira de centenas de operadoras deste setor, espalhadas no mundo inteiro ou, pelo menos, nos países interessados nos eventos. Refiro-me, naturalmente, à Copa Mundial de Futebol (2014) e às Olimpíadas do Rio de Janeiro (2016). O Turismo brasileiro tem pela frente a melhor das suas oportunidades de deslanchar, coisa até hoje pouco observada em face das políticas ineficazes dos que fazem nossos governos. Com tantas atrações naturais, paisagem luxuriante, história atraente,  diversidade cultural, músicas e danças feéricas, folclore extraordinário,  rica gastronomia, entre muitos outros aspectos é de lamentar o pífio resultado econômico do setor. Países bem menores e com leque de atrações bem mais reduzido – vizinhos próximos, até – conseguem faturar relativamente bem mais alto e algumas vezes em termos absolutos.
Numa parada estratégica de quatro dias na África do Sul, quando a caminho da Austrália, dois anos atrás, ouvi de um operador de turismo (ele me conduzia a um Safári fotográfico) uma declaração taxativa a respeito do resultado pós-Mundial de 2010: “foi a melhor coisa que ocorreu para o turismo do nosso país. Depois do Mundial a afluência de turistas estrangeiros ao nosso país chegou a triplicar.” Acredito que esses turistas torcedores tiveram boa receptividade, condições de acomodações adequadas e preços praticados de forma honesta. Eu já havia estado antes naquele país e notei as diferenças que resultaram do evento Copa.
Aqui no Brasil, esta semana estourou na imprensa uma grave denúncia sobre os preços que já estão sendo praticados, para passagens durante a Copa Mundial, pelas companhias aéreas brasileiras e nos trechos domésticos. Um tremendo equívoco! Sobretudo considerando-se que as sedes, por Chaves de Competidores, ainda nem foram definidas. Conheço pessoas, do Recife, que reservaram compras de ingressos para a Final no Maracanã e que diante dos preços das passagens estão desistindo do projeto. Tem empresa, vendendo pela Internet, uma passagem aérea entre Recife e São Paulo (ida e volta) pelo absurdo valor de R$ 3.998,00. Ora, ora, tenha paciência! Assim não dá. Hoje é possível fazer esse mesmo percurso por, no máximo, R$ 750,00, quando se faz uma viagem programada. E neste caso é mais do que programada, na medida em que se pode comprar com oito meses de antecedência. Por esse preço absurdo, um conhecido garante que desistiu da ideia de ir ao Rio e aproveitar esse dinheirão fazendo turismo noutro país e daqueles bem distantes.  
É numa hora dessas que o Brasil decepciona. Aliás, o brasileiro. Quanta incompetência! Será que essa gente que faz negócio com transporte aéreo não percebe que estão cometendo um erro sem chances de correção? Vá lá que prevaleça a Lei do mercado – demanda alta, preços mais altos – mas nessa proporção é de lascar. Ouvi dizer que o Governo pensa em liberar rotas domésticas à empresas estrangeiras. Sou contra em principio, mas seria bem feito.
Isto, minha gente, é apenas o começo de uma grande farra de inflação que deverá ocorrer neste país, durante esses megaeventos. E, danado, danado mesmo, vai ser prestador de serviços adotar de volta os preços originais, no day-after ao final da Copa. Preparemo-nos para notar as mudanças nos cardápios dos restaurantes prediletos. Uma simples caipirinha ou uma cervejinha, na beira-mar, poderá adquirir um valor nunca dantes imaginado. Tenho para mim que vai ser um péssimo negócio para nós, os nativos.
Pior é que aquela imagem desenhada pelo guia sul-africano, dois anos atrás, em Johanesburgo, pode não ser nunca reproduzida pela cabeça de algum brasileiro. Não é uma lástima? Tomara que eu esteja sendo pessimista.
Não me resta outra coisa a não ser repetir o jargão popular: Imagine na Copa!

NOTA: Imagem obtida no Google.

domingo, 13 de outubro de 2013

Triste Porvir

Dias atrás conversando, por telefone, com uma amiga pernambucana que mora na Suíça (casada com um cidadão helvético), mas, que vive sempre muito ligada nas coisas do Brasil, tem casa no Recife, onde passa longas temporadas, fui surpreendido com uma das suas perguntas: “é verdade que esses mensaleiros vão ficar mesmo fora das grades?” Tristemente respondi que, pelo visto, sim. Explicando a “lógica” da situação, trocamos informações, ela comparando a situação com a de países europeus e eu desencantado falando da falência da ética e da honestidade no Brasil. Outra amiga, dessa vez, nos Estados Unidos, brasileira também, me dizia que o nosso povo – como em qualquer país democrático – tinha que ir às ruas e protestar a roubalheira, pedindo reformas necessárias para que o país tivesse uma nação de vergonha e respeito. Pensando bem, posso imaginar o que pode rolar nas cabeças dessas minhas amigas. Faço ideia das dificuldades que sentem em acompanhar de longe a deterioração do tecido social do Brasil, ao mesmo tempo em que vivem em sistemas sócio-político-econômicos bem administrados, seguros e respeitados. Para quem tem oportunidades de visitar países, desse mundo onde vivem minhas amigas, podem sentir, ainda que de passagem, a sensação que elas sentem. Em mim, por exemplo, bate uma tristeza danada, ao retornar de alguma viagem.
Há três meses, o desejo da minha amiga nos States foi de, alguma forma, atendido. O povo foi às ruas, protestou e apontou suas dificuldades, decepções e desejos. Na maioria das cidades brasileiras os protestos se multiplicaram e uma onda de democracia ganhou forma, mostrando que o povo é dócil, mas não é burro. Não sei até quando será dócil! “O gigante acordou” foi o clichê de muitos veículos de notícias, na cobertura dos acontecimentos. Ocorre, porém, que para manter a tradição tupiniquim , oportunistas se infiltraram nas manifestações pacificas e apartidárias, dispostos a bagunçar a onda de democracia, espalhando a desordem, o vandalismo e a insegurança para aqueles que, de peito aberto e muito idealismo, defendia teses que pugnavam por um novo país, digno, democrático, honrado e honesto. Foi tamanha a desordem que implantaram, chegando inclusive a se organizarem em facções deletérias, perturbadoras da ordem e destruidoras dos patrimônios publico e privado. Resultado: aquilo que nasceu no seio da sociedade espontânea, apolítica e ansiosa por um porvir auspicioso, definhou e se recolheu. Quem, de fato, protestava disciplinado, democraticamente e em perfeita ordem desistiu de ir às ruas, em detrimento do atribuir musculatura ao movimento patriótico e exigente de reformas. Brasília agradeceu e voltou ao proselitismo costumeiro. Vide foto dos baderneiros, a seguir.
Hoje, o que mais se questiona nos meios sociais mais esclarecidos é sobre a validade dos movimentos de junho passado. Há quase uma desesperança. Pior, é ver que a verdade nua e crua é que o Governo já navega em águas tranquilas, o temor que pairou sobre o Palácio do Planalto é, visivelmente, página virada e não se fala em outra coisa a não ser eleições 2014. Nunca vi uma campanha começar tão cedo. Dona Dilma “mata e morre” para emplacar mais quatro anos, os opositores se organizam, cada um tratando das suas estratégias dispostos a derrubá-la. E o povo... Bom, o povo continua sendo apenas um detalhe, como dizia um personagem humorístico da década de 80 ou 90. As reformas sociais, política, econômica e tributária reclamadas, nem são lembradas. Vão ser lembradas certamente nas retóricas de campanhas, para embromar a Nação e, em meu ver, sem chances de serem levadas a efeito.

Do meu “observatório” o que vejo, somente e como pretensa resposta aos clamores das ruas, é o programa Mais Médicos (com as polêmicas contratações dos profissionais cubanos, hoje sabido que já eram articuladas com os irmãos Castro há, pelo menos, dois anos); vejo, também, tristes noticias sobre os desvios de Milhões do Bolsa Família; o crescimento vertiginoso dos inacreditáveis problemas de  mobilidade das grandes cidades brasileiras (esta semana quase perdi a hora de embarque de volta ao Recife, porque passei mais de duas horas no trânsito de Salvador. E
ironicamente voei 60 minutos entre as duas cidades) Vide foto acima); os gargalos econômicos devidos à falha infraestrutura brasileira; a inflação nas portas; a queda da produtividade nacional em todos os setores de atividade; o baixo desempenho do ensino superior do país, incluindo a lamentável queda de posição da Universidade de São Paulo (nossa estrela, vide foto abaixo) no ranking mundial. Já não temos nem uma universidade figurando entre as 200 melhores no mundo.  Dá um desencanto...

Sei não, por mais que eu queria, percebo um triste porvir! Durmo preocupado com o futuro dos meus filhos.
NOTA: As fotos foram obtidas no Google Imagens.

sábado, 5 de outubro de 2013

E a Educação?

Tenho acompanhado essa polêmica contratação dos médicos estrangeiros para atuar no Brasil, particularmente os cubanos. A pendenga entre Governo e os Conselhos de Medicina tem sido pauta, todos os dias, dos grandes jornais de circulação. Polêmico ou não, o fato é que estão aí e já começam a trabalhar. Sei que existe uma legião de brasileiros, pobres coitados e sem instrução devida, morando nos confins do país que estão vibrando por ter a oportunidade  de se ver diante de um médico. Isso é, para muitos, um sonho realizado. Resta saber se haverá estrutura adequada e medicamentos suficientes às necessidades que todos sabem existir. Tomara que sim. Por enquanto, é muito cedo para arriscar avaliações.
Mas, há outro problema tão grande quanto o da Saúde e que tem tudo a ver com essa população sem instrução, sobre a qual me referi acima, que é o problema da Educação.  E para este caso, certamente, não teremos como nos valer do expediente de trazer profissionais do exterior. Os investimentos nessa área têm sido insuficiente para tirar o país de posições vergonhosas em qualquer ranking de escala mundial. Segundo a OCDE, entre 2000 e 2009, parcela do PIB brasileiro investida em educação cresceu 57%. Ora vivas! Mas, tivemos resultados concretos? Em 2000 o percentual do PIB em aplicações na Educação era de 4,7%. Em 2011 esse percentual subiu para 6,1%, Estes números são do MEC. Foi indiscutivelmente um avanço. Mais dinheiro, contudo, não foi suficiente para evitar que o país terminasse o período muito mal colocado no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), avaliação internacional organizada pela própria OCDE, desta vez com 65 nações. Apesar disso e dos recursos aplicados, a maior, o país terminou em 53º lugar em avaliação de qualidade do ensino. Outro ranking de educação realizado, no passado, em 40 países, pela empresa Pearson Education (especializada em materiais e serviços educacionais), com sede nos Estados Unidos, o Brasil aparece no humilhante penúltimo lugar (39º) sendo superado – ainda que de próximo – por países como Argentina, Tailândia, México e Colômbia. Nesse mesmo quadro a Finlândia lidera, ocupando o primeiro posto, seguida pela Coréia do Sul, Hong Kong, Japão e Cingapura. A Suíça, conhecida pelo seu sistema de ensino de primeira linha, ficou com o 9º lugar e os Estados Unidos ocupam o 17º lugar. A Indonésia carrega a lanterna da lista. 
Por outro lado, para desanimo geral, no final de setembro recém findo o IBGE divulgou resultados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e  alertou para um fato surpreendente: “foram identificadas 13,2 milhões de brasileiros que não sabiam ler nem escrever, o equivalente a 8,7% da população total com 15 anos ou mais”. Foi surpresa para os pesquisadores porque esta foi a primeira vez que a taxa cresceu desde 1998. Desde então, vinha registrando quedas razoáveis. Mantendo a marca histórica, a concentração dos analfabetos foi registrada no Nordeste, com 54% dos analfabetos do País. Isto é uma renitência... Na Bahia e em Pernambuco foram encontradas regiões em que essa taxa aumentou entre 2011 e 2012. A Região que apresenta o menor número de analfabetos é a Sul, onde apenas 4,4 % da população com mais de 15 anos não sabe ler ou escrever. Vide o mapa do analfabetismo no país a seguir.
Infelizmente, os investimentos na Educação deste país foram sempre a desejar. Uma população educada, em qualquer lugar do mundo, não apresenta os sérios e recorrentes problemas de saúde como no caso brasileiro. População instruída, sabendo ler e escrever está livre de muitas mazelas de saúde, tem qualidade de vida digna e contribui de forma mais competente para o progresso. Aliás, tem noção melhor das coisas do mundo e, além do mais,  sabem escolher melhor seus governantes. Até quando seremos um país com tantos ignorantes, analfabetos e sem saúde?

NOTA: Imagem obtida no Google Imagens

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...