Sempre me surpreende o fato de que na maioria dos estados do
Norte e Nordeste são encontrados torcedores fanáticos de times de futebol do eixo
Rio-S.Paulo. Não é sem razão que se diz que o Flamengo tem a maior torcida do
Brasil. Acho que a maioria está por estas bandas. Camisas e acessórios com
escudo deste e dos grandes clubes sudestinos (com licença Regina Dubeux)
dominam as lojas de material esportivo das grandes capitais e pequenas cidades
interioranas. Vestindo camisas dos times preferidos e correndo para bares ou
locais similares para assistir em telões as partidas que se desenrolam em algum
local do Sudeste, nordestinos se aglomeram e comemoram cada lance. “Coisa mais
estranha, gente! Será que por aqui não tem times locais?” comentei com um
amigo, no interior do Nordeste. “Rapaz é que essa gente aqui só usa a
parabólica e as estações sintonizadas são todas do Sul”. Mas, não é isso não...
Depois observei que o futebol nessas localidades é coisa recente, os times são
tecnicamente fracos e nunca disputam as series A ou B do campeonato Nacional.
Ou seja, não empolgam os torcedores locais.
Semana passada comentou-se demais, aqui em Pernambuco, o fato de que uma partida valida pela serie A, entre Fluminense e Botafogo – clássico carioca – disputado na Arena Pernambuco, por falta de cancha no Rio de Janeiro, teve um mísero público pagante de 7.882 pessoas e causou um prejuízo de R$ 41 Mil no borderô. Além do prejuízo arrastaram “uma mala pesada com excesso de peso de decepção”. Mais surpresos ainda ao saberem que os referidos pagantes eram quase todos torcedores alagoanos, potiguares e paraibanos que correram para o Recife para ver de perto seus ídolos.
Esse pessoal do Sudeste tem uma ideia completamente errada a respeito dos pernambucanos. Não sabem que aqui se joga futebol por mais de cem anos. Que no Recife existem clubes centenários. Que nossa gente entende e gosta de futebol e que só torce pelos times locais. Faz parte da nossa cultura. E cultura em Pernambuco é coisa que se leva a sério. Ninguém troca Sport, Náutico, Salgueiro ou Santa Cruz por qualquer Flamengo, Fluminense, Vasco da Gama ou Santos. Quando esses times baixam por aqui e nos enfrentam dentro de casa, o “pau come”. Nem sempre se ganha... Cá prá nós, perde-se mais do que se ganha. Mas, não se perde o ânimo, nem a pose. O amor nativista às coisas da terra é um traço muito especial dos pernambucanos.
É preciso que o resto do Brasil entenda melhor o nosso povo a nossa história. Fala-se muito que pernambucano é bairrista. Coisa nenhuma! O que fazemos – com naturalidade – é valorizar e dar realce à nossa bagagem de tradições culturais: nossas lutas políticas, nossas vitórias, nossa música e ritmos, nosso patrimônio arquitetônico, nossa culinária, nosso cancioneiro, poetas e escritores, nossas paisagens, nosso artesanato, nossa bela bandeira e nosso hino e, naturalmente, nosso futebol centenário. Mas, ninguém liga nossas manifestações às raízes históricas que temos. Fazem vista grossa e ignoram que Pernambuco é o Leão do Norte.
Que o episódio da semana passada sirva de exemplo para outros times e que ninguém venha prá cá, dando uma de bam-bam-bam, esperando que os pernambucanos venham render-lhes homenagens. Que percam as esperanças. Na mesma Arena Pernambuco, quando fui assistir o embate entre Espanha e Uruguai, pela Copa das Confederações (mês de junho passado) as torcidas de Náutico, Sport e Santa Cruz ocuparam a Arena vestindo suas camisas e empunhando bandeiras, Mais do que isso “arrasaram” com seus “gritos de guerra”. O “casá-casá” do Sport e o N-A-U-T-I-C-O do Náutico abalaram a Arena e chamou a atenção dos estrangeiros em campo. Arrepiante. Isso sim que é amor nativista. Sinto orgulho da minha gente.
Muito bem, já sabem: quando escolherem locais extra Rio para jogar mudem o rumo. Escolham outras praças e esqueçam o Recife. Voltem somente para disputar o Campeonato Nacional e venham preparados. Pena que os profissionais dos nossos times não são todos pernambucanos. Ai se fossem...
NOTA: Foto obtida no Google Imagens.
Semana passada comentou-se demais, aqui em Pernambuco, o fato de que uma partida valida pela serie A, entre Fluminense e Botafogo – clássico carioca – disputado na Arena Pernambuco, por falta de cancha no Rio de Janeiro, teve um mísero público pagante de 7.882 pessoas e causou um prejuízo de R$ 41 Mil no borderô. Além do prejuízo arrastaram “uma mala pesada com excesso de peso de decepção”. Mais surpresos ainda ao saberem que os referidos pagantes eram quase todos torcedores alagoanos, potiguares e paraibanos que correram para o Recife para ver de perto seus ídolos.
Esse pessoal do Sudeste tem uma ideia completamente errada a respeito dos pernambucanos. Não sabem que aqui se joga futebol por mais de cem anos. Que no Recife existem clubes centenários. Que nossa gente entende e gosta de futebol e que só torce pelos times locais. Faz parte da nossa cultura. E cultura em Pernambuco é coisa que se leva a sério. Ninguém troca Sport, Náutico, Salgueiro ou Santa Cruz por qualquer Flamengo, Fluminense, Vasco da Gama ou Santos. Quando esses times baixam por aqui e nos enfrentam dentro de casa, o “pau come”. Nem sempre se ganha... Cá prá nós, perde-se mais do que se ganha. Mas, não se perde o ânimo, nem a pose. O amor nativista às coisas da terra é um traço muito especial dos pernambucanos.
É preciso que o resto do Brasil entenda melhor o nosso povo a nossa história. Fala-se muito que pernambucano é bairrista. Coisa nenhuma! O que fazemos – com naturalidade – é valorizar e dar realce à nossa bagagem de tradições culturais: nossas lutas políticas, nossas vitórias, nossa música e ritmos, nosso patrimônio arquitetônico, nossa culinária, nosso cancioneiro, poetas e escritores, nossas paisagens, nosso artesanato, nossa bela bandeira e nosso hino e, naturalmente, nosso futebol centenário. Mas, ninguém liga nossas manifestações às raízes históricas que temos. Fazem vista grossa e ignoram que Pernambuco é o Leão do Norte.
Que o episódio da semana passada sirva de exemplo para outros times e que ninguém venha prá cá, dando uma de bam-bam-bam, esperando que os pernambucanos venham render-lhes homenagens. Que percam as esperanças. Na mesma Arena Pernambuco, quando fui assistir o embate entre Espanha e Uruguai, pela Copa das Confederações (mês de junho passado) as torcidas de Náutico, Sport e Santa Cruz ocuparam a Arena vestindo suas camisas e empunhando bandeiras, Mais do que isso “arrasaram” com seus “gritos de guerra”. O “casá-casá” do Sport e o N-A-U-T-I-C-O do Náutico abalaram a Arena e chamou a atenção dos estrangeiros em campo. Arrepiante. Isso sim que é amor nativista. Sinto orgulho da minha gente.
Muito bem, já sabem: quando escolherem locais extra Rio para jogar mudem o rumo. Escolham outras praças e esqueçam o Recife. Voltem somente para disputar o Campeonato Nacional e venham preparados. Pena que os profissionais dos nossos times não são todos pernambucanos. Ai se fossem...
NOTA: Foto obtida no Google Imagens.





