quarta-feira, 15 de setembro de 2010

São Paulo: o Brasil Grande

O destino São Paulo está com muita frequência na minha agenda de viagens. A negócios ou por motivos particulares ando sempre praquelas bandas. Foi o que ocorreu na semana passada.
O poeta já disse que a Paulicéia é desvairada (louca, alucinante, delirante) e olha que, em certos momentos, parece mesmo uma loucura. Mas, no final das contas, tudo dá certo e termina num misto de prazer e estresse. Prazer pelo sem numero de atrações que a cidade oferece e estresse por conta, por exemplo, do trânsito caótico, das hordas de motoqueiros desembestados no tráfego infernal, das distancias a serem percorridas, da perda de tempo para se cumprir um simples compromisso e, ainda, a carestia de vida, que somente eles, os paulistas, conseguem administrar. Sobretudo no setor de serviços, ao qual temos de nos submeter.
Ficamos (eu estava acompanhado da minha família) por lá nove dias, mas voltei com a sensação e haver passado menos. O tempo corre muito rápido, quando se enfrenta muita coisa para fazer e as logísticas são complicadas. Assim mesmo, deu para curtir a grandiosidade da metrópole.
Para nos livrar de rodizio de placas (na cidade de São Paulo é rotina) de veículos em circulação e, também, para explorar a paisagem interiorana do estado – que é belíssima – tomamos rumos em dois diferentes roteiros: um na direção do interior e outro no sentido do litoral.
No primeiro, fomos almoçar, no feriado do sete de setembro, na divertida cidade de Itu, que tem a fama de ter tudo em tamanho exagerado, devida a um comediante da TV e capitalizada pelo municipio, com fins turisticos. Deu certo, sim Senhor. A cidade é pequena, com no máximo 170 mil habitantes, descendentes de imigrantes portugueses, italianos e japoneses. Tem também nordestinos migrantes. É uma das mais antigas do estado, com 400 anos de fundada, belissima arquitetura colonial (vide foto a seguir) e historicamente importante porque deu forte

contribuição à fundação da Republica no Brasil. Outro destaque da cidade é o fato de ter sido, durante muito tempo, a mais rica do estado, por ser local de residência de muitos barões do café e autoridades importantes do País. Comer por lá tem que ser no Bar do Alemão Steiner, famoso por servir um Filé à Parmegiana, vendido por metro! Come-se bem e ao melhor estilo ituano, isto é, tudo grande. Vale à pena conferir.

Depois de Itu, subimos a Serra da Mantiqueira e fomos rever a bela cidade de Campos do Jordão. Passamos uma noite de frio intenso (3ºC) à base de uma boa fondue de queijo e vinhos chilenos, para esquentar a alma e o corpo. Era meio de semana e encontramos a cidade mais tranquila, com o comércio atendendo bem, a paisagem mais visível, dado ao pequeno número de visitantes. O cenário é de puro aspecto suíço. Vide foto acima. A gente agasalhada pelo frio e a este acostumada revela um tipo de sociedade diferente, no portar, no trato e nas relações com o visitante. Nada da descontração das cidades litorâneas. Os jardins, bosques e cascatas, complementados pela arquitetura, estilo também suíço, resulta num cenário de grande beleza e distinto do nosso padrão tropicaliente nordestino É muito interessante observar essa vida diferente das altitudes paulistas.
E, por fim, descemos a fantástica Rodovia dos Imigrantes, que liga São Paulo à baixada Santista, indo parar no balneário da Riviera de São Lourenço onde passamos o último fim de semana. Local sofisticado padrão Classe A-ltíssiiiiimo e paisagem digna de ser comparada, competitivamente, com os melhores balneários caribenhos ou do Mediterrâneo. Show de bola.
Constatação final: é interessante observar como o estado de São Paulo consegue reunir tantas e tão diversificadas atrações, atraindo, assim, levas de brasileiros das mais distintas regiões na busca de novas paisagens, negócios dinâmicos, vida cultural, infraestrutura e serviços diferenciados, cosmopolitismo, num mix que faz a maior diferença. É ali que fica o Brasil Grande, sem nada a dever à outras localidades no mundo afora.

NOTA: Foto de Itu é do Blogueiro e as de Campos do Jordão e Imigrantes são do Google Imagens

3 comentários:

Anônimo disse...

Tio Girley, gostaria de iniciar o comentário enaltecendo esta crônica, excelente como todas que regularmente acompanho, visão
sensível e peculiar de fatos cotidianos, que para alguns, e é exatamente meu caso passam despercebidos muitas vezes,Peço licença para utilizar este comentário para registrar quanto foi maravilhoso reunir nossa familia, lembrou -me o natal,quando menino podia ver quase todos primos, tios reunidos, no apartamento de vovó quanta falta ela faz, devia estar vibrante olhando lá de cima, tio Gilsy não há o que dizer só sei que esse tinha o dom de descontraír e deixar ainda mais divertido qualquer lugar por onde passasse, foi uma oportunidade única reunir tantos.

Quero também observar o principal motivo de minha ida desta vez a São Paulo, o casamento de meu primo Midico, festa maravilhosa, linda descontraída, elegante e ao final o melhor, dançamos,cantamos pulamos tomamos uns drinks e quantos... e naquele breve momento podemos esquecer o stress que temos que passar diariamente, e o local (Riviera de São Lorenço) que lugar lindo, realmente tudo favorecia.

Passear em São Paulo imenso centro de compras, eis o perigo nossas mulheres,estas parecem enlouquecer e sem cansar andam por horas em círculo, haja vigor. Para elas tudo justifica ser comprado com o argumento de que está de graça, no final nos sobra a conta...rsrsrsr, que de pouco em pouco vai crescendo e pra levar de volta? Haja apertar e comprar mais malas.

Gastronomia é um espetáculo a parte, aproveitando uma "pernada" após almoçar, pude conhecer o famoso King Crab (caranguejo real), encontrado apenas nas geladas águas oceânicas, mas quando se fala do mercado municipal de São Paulo tudo se encontra fácil, se conhece e aprende também, deu agua na boca mas não deu tempo de experimentar, fica pra próxima.

O transito, nunca ousei tentar dirigir em São Paulo, mas meu curioso pai havia recém adquirido um GPS e carinhosamente a apelidou de "Ritoca" não entendi bem o porquê, mas sempre que "Ritoca" acertava, e sempre ela estava certa, o danado ficava todo prosa com tamanha exatidão da "bixa danada" quando errávamos, a culpa todas as vezes era de quem conduzia o veículo na maioria das vezes eu, mas Ritoca sempre estava lá recalculando a rota para nossa salvação.

As estradas, diferentemente das que trafego habitualmente são uma maravilha, vale muito a pena sim pagar um pedágio que julgo ser de graça tamanha infra estrutura que a rodovia oferece, adorei dirigir por lá.

No mais estou com muitas saudades de todos, e olha que não faz nem uma semana!

Abraços saudosos Dudú!

Valdilene Silva disse...

Acessar seu blog é somar conhecimento. Não conheço ninguém que consiga passar essas vivências de uma forma tão simples e tão enriquecedora.

Valdilene Silva

Susana González disse...

En verdad cada día aumenta mi deseo de ver todo eso, lo describes con tanto gusto que invita a visitarlos . Me gusta mucho como sabes apreciar cada día de tu vida y los lugares donde te encuentras.