sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Assim falou Janot

Não demorou muito e, logo na segunda feira desta semana que finda, recebi uma versão virtual do livro de Rodrigo Janot, segundo a Editora, vazada pelo Whatsapp. Prova, mais uma vez, de que não escapa nada das chamadas Redes Sociais. Fiquei surpreso, naturalmente, mas, meti as caras e devorei a lavra do ex-Procurador Geral da Republica em duas investidas. O livro é instigante para quem, como este Blogueiro, vive antenado na “chafurdação” política deste nosso país. Não se trata de nenhuma obra especial de literatura. É praticamente um relatório de trabalho na gestão da PGR, durante dois períodos, entremeado levemente de passagens da vida pessoal, algumas interessantes como os dotes culinários e que exerceram momentos hilários na vida profissional do Procurador mineiro. Coisa típica de mineiro bom de manejar panelas e temperos.
A primeira coisa que percebi, no decorrer da leitura, foi entender melhor até onde vai o poder de um Procurador Geral da Republica. Tanto para fazer o certo ou o errado. Nos países de língua espanhola o cargo tem uma denominação mais enfática: Fiscal Geral da Republica. Pense nisto!
Lendo os relatos de Janot me pareceu haver sido ele um fiel cumpridor do papel que lhe foi confiado. Claro que não sou ingênuo e me precavi na leitura, tendo sempre em mente que se tratava de um relato longo e conduzido sempre na primeira pessoa, com forte dose de vaidade pelos próprios feitos. Não vejo nisto, aliás, um pecado capital. Quem escreveu como ele, pode se garantir. Mas, fui cuidadoso ao interpretar cada posicionamento. Dessa maneira vi que se trata de um patriota que se revelou firme nos propósitos que são atribuídos a um procurador comum e muito mais a um Procurador Geral. Confesso que senti um rasgo de esperança no futuro deste país pensando na possibilidade de termos pessoas sérias e dignas ao papel.
Por feliz coincidência Janot foi protagonista nos andamentos iniciais de processos e investigações da Operação Lava Jato e autor de requerimentos de prisão a muitos corruptos tidos como luminares da Republica. A ele pode se dever muito pelo sucesso da Operação. Na época foi impressionante a parceria com Teóri Zavascki, relator da operação no STF. Pensando bem, aquela morte de Zavascki num acidente aéreo... Sei não... Foi uma lástima. Parecia que tudo iria d´água abaixo. Mas, a Nação saiu vitoriosa.
Zavascki, morte em acidente aéreo duvidoso.
Foram muitas passagens sórdidas e repugnantes relatadas ao longo de cada capitulo do livro/relatório. Vai causar muitos estragos, ainda.
Ah! É preciso ler este livro para entender melhor a rede de corrupção internacional que foi tecida por tantos corruptos e por empresas - como a Construtora Odebrecht - centrada no Brasil.
Concordei de cara com Janot quando, no livro, classificou a situação política brasileira como sendo "um teatro de horrores onde se encena a luta pelo poder". Coisa esta que lhe dava calafrios a todo instante à frente da PGR. De fato, acredito que o sujeito que entra numa missão dessas paga caro e fica marcado para o resto da vida. Num país como o nosso ser o “fiscal geral da Republica” é preciso ter sangue de barata e vez por outra provar de um bom tranqüilizante. Segundo ele, manteve sempre no anexo do Gabinete da PGR um frigobar com toda sorte de “tranqüilizantes”, entre os quais: vinho, cerveja, whisky, cachaça e similares. Quando o clima pressionava na Equipe, nas altas horas da noite, ele fazia um pitstop nos trabalhos e convocava para uma distensão. Não foi à toa que denominou a tal geladeirinha de farmacinha. Gostei. Taí, um cara bem humorado nas horas de aperto. 
Janot com ideias pouco dignas para um Procurador Geral. Matava e me suicidava em seguida. 
Como qualquer outra pessoa, esperei ansioso encontrar o registro da bombástica confissão da semana passada no livro. Em nenhuma página ele mencionou haver ido armado ao plenário do Supremo para matar o Ministro Gilmar Mendes e se suicidar em seguida. Depois de tantas fantásticas histórias vividas seria, até mesmo, ato de covardia. Isto, aliás, me pareceu haver sido uma propaganda enganosa para detonar a venda do livro. Porém, disse, sim, que foi armado e que uma força divina o segurou na hora que teve ganas de acionar o gatilho. Tampouco falou a quem poderia direcionar o projétil. A revista Veja da semana deu uma senhora alavancada na divulgação da obra. Mas, infelizmente (ou felizmente) a edição vazou, pelas torneiras das redes sociais. Quem terá sido o autor do vazamento? Eis um novo desafio para o ex-fiscal-mor da República!  
No final das contas, em meio a descrições sórdidas de investigações, entrevistas, audiências, prisões e procedimentos correlatos, Janot deixa claro que todos os políticos graduados da Nação, incluindo presidentes da Republica, comungam de um único desejo: acabar com a Lava Jato! É uma vergonha.
O livro é encerrado com uma predição de que, daqui pra frente, nada será como antes. Nada menos que tudo! Interpretemos como possível.

NOTA: Fotos colhidas no Google Imagens 


NOTA: Chafurdação significa chiqueiro, em português claro.     

domingo, 29 de setembro de 2019

Semana Pesada

Esta semana estive lembrando que quando resolvi criar este Blog do GB, por prudência, decidi que seria sempre de postagens semanais. Por falta de tempo ou por não ser um profissional da comunicação não arrisquei passar por dificuldades em reunir pautas. Mas, como as coisas mudam e a dinâmica do dia-a-dia brasileiro avança velozmente levaram-me a descobrir que muitas vezes sobram temas. Esta semana, por exemplo, reformulei minha “conversa” semanal três vezes. Comecei comentando o discurso de Bolsonaro na ONU, tive que reformular depois da derrubada dos vetos presidenciais à Lei de Abuso de Autoridade, pela Câmara Federal; surpreendi-me com o encaminhamento, incluindo a sanção presidencial, à Lei que reformula a Legislação Eleitoral. Depois disso, quase não dormi na noite em que o STF derrotou, praticamente, a Operação Lavajato, anulando decisões que podem soltar todos os corruptos e criminosos. Vergonha vergonhosa!
Para fechar a semana, ontem estourou a surpreendente confissão do ex-Procurador Geral da Republica, Rodrigo Janot, que teve intenção de assassinar, em pleno Tribunal, o Ministro Gilmar Mendes. Haja loucuras... Ah! Sem esquecer os disparates de Carluxo Bolsonaro. Taí uma semana que julgo pesada. Estourou pautas de todos os canais de comunicação. É um país em verdadeiro transe.
Bolsonaro abrindo a Assembleia Geral das Nações Unidas em 2019
O discurso do Capitão, na abertura da ONU, que desagradou meio mundo – opositores, sobretudo – casou surpresa. Cabe sempre ao Brasil, desde 1945, com o Chanceler Oswaldo Aranha, abrir os trabalhos. De lá pra cá vários dos nossos governantes exerceram esta missão, para honra do país. Contudo, creio que nenhum deles despertou tanto interesse quanto o atual, na reunião deste ano. De figuras apáticas e sem grandes prestígios que lá estiveram, décadas recentes, com declarações mornas e sem densidade política, com puro proselitismo diplomático e algumas até mesmo patéticas, o mundo já não dava importância alguma.  Malmente, registrados nas mídias nacionais. Desta vez, porém, a coisa foi diferente: o Brasil, com Bolsonaro, deu ao mundo um recado franco, objetivo e mostrando o país que cobra seu lugar de protagonista e não de coadjuvante no cenário político global. Surpreendeu, claro. Quando menos se esperava, o mandatário brasileiro mudou o tom adotado pelos seus antecessores e enfatizou os motivos que o levou até lá, passando pelas questões ambientais, soberania, liberalismo econômico, progresso social e críticas agudas aos anacrônicos sistemas socialistas e colonialistas. Doeu em muitos, inclusive alguns retrógrados assistentes à sessão. As manifestações críticas, contra e a favor, nos ambientes doméstico e internacional, naturalmente não podiam deixar de ser acaloradas.
Mal choveu criticas ao Capitão orador, vieram verdadeiras derrotas para o Governo. Aliás, para o Governo não! Para o Brasil e os brasileiros. A derrubado dos vetos presidenciais à Lei de Abuso de Autoridade foi verdadeiro absurdo. Daqui pra frente, todo Promotor de Justiça ou todo Juiz se sentirá tolhido de usar das suas naturais atribuições. Ficou complicado. Onde vamos parar?
Depois disso veio a vergonhosa “reforminha” das normas eleitorais. Antes o cidadão brasileiro via a corrupção rolar fácil envolvendo os poderosos da Classe Empresarial comprando candidatos que depois de eleitos se tornavam reféns dos "financiadores" de campanhas vindo sempre cobrar o retorno. O resultado foi a patifaria que a Lavajato descobriu e mostrou ao mundo.
Agora o tal Fundo Eleitoral, com o nosso suado dinheirinho publico, vai cobrir todo tipo de despesa das campanhas sem qualquer tipo de restrição. E a corrupção vai continuar rolando.
Como se fosse pouco, o Brasil assistiu perplexo a decisão, por maioria de votos até então registrados, no plenário do Supremo Tribunal Federal, o golpe que foi aplicado à Legislação Federal vigente e que, na verdade, pretende atingir o que mais caro se conquistou nesta Nação, no passado recentíssimo, que é a Operação Lavajato. Vergonhoso. Neste caso, aliás, o Guardião da Segurança Jurídica do país, o STJ, resolveu, ao invés de preservar e  proteger, legislar! Está tudo errado. Tudo bem consoante com a verdadeira guerra de poderes que ocorre aqui em Pindorama! Cada um querendo ser mais do que o outro e se metendo onde não deve.

Ex-PGR, Rodrigo Janot, com impulsos homicidas.
Encerrando a semana veio a declaração bombástica do ex-Procurador Geral da Republica, Rodrigo Janot, à uma revista semanal, de que foi ao plenário do Supremo, certa ocasião e durante sua gestão de Procurador Geral, armado e disposto a matar o Ministro Gilmar Mendes e se suicidar em seguida. Francamente, perdeu a cabeça. E perdeu tanto na ocasião em que foi movido por aquela odiosa disposição, quanto, ao depois de tanto tempo, publicar esse descontrole. Vai publicar um livro agora em Outubro relatando "cobras e lagartos" do mundo judicial. Pôs em risco a credibilidade da Procuradoria Geral da República. Chega! Tomara que a semana que vem seja leve.
Sabe do que mais? O Brasil precisa mesmo é de um divã.    

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens. 
 

domingo, 15 de setembro de 2019

Ajuste de Máquina

Ando cansado de comentar e me preocupar com o atual estado politico do Brasil. Uma Nação dividida e com rumo sempre a definir é desanimador. Este “ajuste de máquina” tem sido penoso. Avanços e retrocessos têm sido o mais comum nestes dias que vivemos. Penso que sociólogos e cientistas politicas terão chances ilimitadas para suas teses e monografias por muito tempo.
A cada semana, novos e palpitantes episódios se sucedem numa forma interminável e tal como uma viagem num trem fantasma. Assustadores.
A semana que findou “brindou-nos” com casos bem típicos de máquina desajustadas. Primeiro Carluxo (Carlos Bolsonaro) teve o desplante de dizer que por vias democráticas o país não avançará. Algo desse tom. Por mais que queira desfazer as interpretações feitas pela sociedade e autoridades de plantão não vai ser fácil engolir a twitada do Número 2. Quem tem bom senso e quem, sobretudo, estiver na oposição não facilitará a vida do rapaz que, aliás, é parlamentar no município do Rio de Janeiro. Ele não nega a cultura autoritária familiar. Fiquemos alertas.
Por outro lado, um deputado capixaba teve o desplante de prometer gratificar com R$ 10.000,00 ao cidadão que matasse o assassino de certa senhora no município de Cariacica, interior do estado do Espirito Santo. É surpreendente para quem se trata. Um parlamentar, salvo engano do PSL.  Maneira pouco apropriada de fazer justiça. Forma bem acintosa de negar a existência do poder judiciário constituído, por pior ou ineficiente que seja. Infelizmente é...  Pensando bem, esse é um daqueles parlamentares que podemos classificar de “paralamentar”.

Para completar o desmantelo da semana, recebi um incrível vídeo tomado de pronunciamento da Ministra Damares, na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara Federal, no qual denuncia abusos sexuais com bebês, crianças e adolescentes, pelo país afora e notadamente na Região Norte, de deixar qualquer ser humano enojado e revoltado. Bebês de poucos dias ou meses são postos a venda para satisfazer aos instintos sexuais malignos de monstros em forma de humanos. Parecem inverossímeis. Mas, vai ver, devem acontecer.  Clique em www.camara.leg.br e confira. Mas, prepare seu coração e seu estomago.
É desanimador viver estas coisas. Que Deus nos ajude no ajuste desta máquina.
Boa semana a todos e todas.   

sábado, 7 de setembro de 2019

Sabe com quem está falando?

Após grande expectativa o Presidente Bolsonaro sancionou, com vetos, a Lei de Abuso de Autoridade, encaminhada pelo Congresso Nacional. Nada de novo porque todo mundo esperava que ocorressem assim. Volta agora para discussão na Casa Legislativa para analise dos vetos e para palavra final. 
Para inicio de conversa, não sou Advogado e muito menos jurista. Sou Economista  mas, sobretudo, um comum cidadão curioso e interessado no dia-a-dia da vida na Republica. Assuntos como este chamam a atenção de qualquer pessoa com perfil semelhante ao meu.
Lembro que foi uma surpresa quando a Câmara dos Deputados colocou em pauta e aprovou, quase às carreiras e nas caladas de uma noite, de agosto passado, este projeto de Lei que, ao raiar do dia, levado ao conhecimento da Nação instalou um debate preocupante. Mencionei aqui no Blog. Ora, meu Deus, ficou claro que os deputados estavam legislando em causa própria! Aquele representante do povo que defendeu e votou a favor da aprovação visou “livrar a própria pele” e se resguardar de eventuais vexames. E não falta quem tenha esse tipo de precaução, na Praça dos Três Poderes. Ao mesmo tempo, ficou claro que houve uma visível ideia de atingir em cheio a Operação Lavajato, seus procuradores e juízes que atuam. Na verdade, estamos falando de uma Lei que tem por objetivo reduzir os poderes do Judiciário, dos advogados defensores e particularmente as atividades policiais. Quem discordar que me corrija, por favor. Os 19 artigos vetados pelo Presidente foram bem justificados e imagino que vai dar muito que discutir. Aliás, desconfio que pode haver um significativo embate entre os poderes.  
Isto tudo me faz lembrar os profundos traços culturais que norteiam a vida comum do brasileiro. A coisa mais desejada do nosso cidadão e ser investido de alguma forma de autoridade. Uma simples colaboradora doméstica – vejo isto na minha casa – sonha educar o filho ou neto para ser no futuro um poliça, devogado ou juiz porque impõe respeito e manda em tudo. Quando alguém senta praça e se vê fardado sai desfilando autoritarismo pela rua, tira foto com a parentada e posta no Facebook.  
Fora isto, a coisa mais comum e que se tornou jargão popular, país afora, é encontrar alguém que use do famoso expediente : “você sabe com quem está falando?” Já assisti muitas vezes. O cara “toma ar” infla o peito e joga na cara do interlocutor esta pergunta “assustadora”. Tem gente que treme nas bases e começa a falar fino repentinamente. E, muitas vezes, é vitima de um simples soldado de policia, abusando da patente que lhe confiaram. Brasileiro adora ser autoridade e poder ameaçar, prender e praticar outras atrocidades com quem se meta contra ele. Muitos são os casos de policiais processados e banidos das fileiras de suas guarnições militares, por abuso do poder.

Até Papai Noel se acha autoridade!
Sou a favor, sim, de uma Lei que estabeleça limites a esses abusos, do mais simples aos mais altos postos de autoridade na Nação. Para tanto, contudo, vejo ser preciso um tratamento muito mais amplo do que um aparato legislativo de ordenamento social. A coisa tem que começar de casa com o fim do abuso de “autoridade” dos pais, maridos e esposas e filhos mais velhos, combatendo atrocidades de castigos massacrantes, abusos sexuais de menores e inclusive crimes sob o manto diáfano, opaco, da autoridade.
O brasileiro do futuro tem que crescer culturalmente confiante na segurança jurídica do país, nos seus direitos democráticos e sem ambição de ser alguma autoridade. Ser gente. Simples assim.

NOTA: Charge encontrada no Google Imagens

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

A Insegurança sendo Perseguida

O problema amazônico já rendeu muito tro-ló-ló na semana que termina. Sou um sujeito crente no melhor e certo que “todo mal traz consigo algum bem”, conforme sabedoria popular. Mesmo com os espasmos verbais do Capitão, esse auê gerado em dimensões mundiais abriu os olhos de muita gente, gerou uma crise e dessa crise podemos esperar ações adequadas de combate ao desmatamento da Amazônia e os prováveis incendiários. São das crises que surgem as grandes soluções que levam ao progresso das nações. Esperemos. 
Mas, o assunto que domina a mídia de hoje, nas suas diferentes modalidades, é o da segurança pública, um problema desafiante no Brasil. Ontem (29.08.19) foi lançado, no Palácio do Planalto,  em Brasília, o Programa Em Frente, Brasil, formulado pelo Ministério da Justiça e Segurança Publica (Sérgio Moro), com o objetivo de desenvolver uma ação radical de combate à criminalidade. Será testado em cinco municípios do País, um de cada região, incluindo Paulista em Pernambuco. São locais onde a criminalidade é registrada em altos índices. Após esta teste, será extendido ao restante do país.
Presidente Bolsonaro e Ministro Sergio Moro
Vejo com bons olhos esta iniciativa e fico na torcida de que resulte em sucesso. O Brasil precisa urgentemente sair das páginas policiais do mundo. Já observo, há anos, que as noticias de insegurança e crimes no Brasil fazem imenso sucesso mundo afora. Divulgar a insegurança do Brasil parece ser tema favorito no exterior. Bom, existem razões concretas para tanto, o que é de se lamentar. Certa vez li num jornal estrangeiro (não lembro qual, no momento) a noticia de uma mulher assassinada pelo marido, por motivo de ciúmes, na cidade de Bezerros, no interior de Pernambuco. Ora, meu Deus, isto pode ocorrer no Brasil, como em muitos outros lugares por aí. Que importância haverá tido essa noticia para o público leitor, daquele veículo? Ciúmes? Assassinatos? Feminicídeo? Tanta coisa ocorrendo no Brasil e só ganham destaques coisa desse tipo. Aliás, uma noticia que pouco impacto causa nos jornais de Pernambuco. É doloroso, mas é verdade.  Enfim...
Imagino que o crime perpetrado por um marginal assaltante na orla de Ipanema, três dias atrás, vitimando mortalmente um cidadão chinês que fazia turismo na Cidade Maravilhosa, pode render manchetes alarmantes nos periódicos chineses e internacionais. Foi, de fato, uma atrocidade. O morto estava no Brasil a serviço de uma empresa chinesa (State Grid) que trata de ampliação da rede de distribuição de energia gerada pela usina de Belo Monte (PA) para o estado do Rio de Janeiro. Ou seja, estava em missão de trabalho sério e não de turismo propriamente dito.  Diante de fatos como este, imaginemos o temor que os investidores estrangeiros podem alimentar ao adotar decisões de mandar seus colaboradores em missão ao Brasil. Eis aí, fator capaz de inibir investimentos importantes de grupos estrangeiros ou multinacionais por aqui.
Outra coisa que vi registrada esta semana foi a operação da Policia Federal para prender integrantes de quadrilhas especializadas a roubos de cargas nas estradas do país. Isto é outra atrocidade a ser combatida. 
Esta placa no Rio Grande do Norte é uma aberração. Inacreditável.
Esses marginais estão abusando da prática de assaltar caminhões, carretas com cargas preciosas e veículos de passageiros. Lembremos do recente assalto ao terminal de cargas de Guarulhos, quando levaram 700 kg. de ouro! As seguradoras estão majorando sem limites os preços cobrados dos seguros de carga, inflacionando, ainda mais o custo do transporte de bens entre as praças do país. Na operação desta semana foram presos elementos das quadrilhas em inúmeros estados, incluindo Pernambuco.
Usar transportes interurbanos ou interestaduais é coisa estressante. 
Os brasileiros precisam alimentar as esperanças de viver num país mais tranquilo e seguro para todos, como falei no inicio. Contribuir com a iniciativa do Governo é uma obrigação de todo cidadão de bom senso. Pena que haja muitos torcendo pelo pior num testemunho expresso de baixíssimo patriotismo. Romper esta bolha espúria é desafio para muitos futuros.       

NOTA: Fotos e ilustração colhidas no Google Imagens.         

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

A Questão Amazônica

Indiscutivelmente o assunto da semana foi à questão das queimadas verificadas na Amazônia.  Por motivos diversos – inclusive político – a carga da comunidade internacional recai sempre sobre o Brasil, país detentor de 75% da floresta. O restante se espalha pela Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, as duas Guianas e o Suriname. São, nada menos, do que 7 milhões de km² do Continente Sul-americano. Ganha maior importância e cobiça internacional por deter 1/5 das águas doces do planeta - recurso cada vez mais escasso, mundo afora - e que oferecem 23 Mil quilômetros de vias navegáveis e 1/3 das florestas restantes na face da Terra. O restante já foi destruído pelo que comumente chamam de Capitalismo Selvagem. Fora isto, já se tem como certo a existência de imensa riqueza mineral, com jazidas de ouro, estanho, o cobiçadíssimo nióbio, petróleo e gás natural, manganês, ferro, diamantes, cobre, entre outros. Proteger essa riqueza florestal e as do subsolo tem sido o maior desafio dos governos desses países. A sanha dos colonialistas histórico não se apagou.
Não é de se estranhar, portanto, que as chamadas grandes economias do resto do mundo – de regimes capitalistas ou não – estejam de olho nesta fortuna, com grande parte inexplorada. Num mundo competitivo e movido a interesses econômicos hegemônicos não podia ser diferente.
Infelizmente nós brasileiros estamos sujeitos a essas injunções políticas desde que fazemos parte deste mundo, inexoravelmente, globalizado. 
Lamentavelmente o momento político brasileiro, sem sombra de dúvidas, vem contribuindo para que as ditas injunções se tornem mais exacerbadas e terminem por jogar potentes holofotes, da comunidade internacional, sobre o Brasil. Tem sido um assunto de efeitos bombásticos ecoando nos quatro cantos do planeta recheados de interminável lista de fakenews, que em nada contribuirão com o que de fato se pretende. No ambiente interno, o Brasil está tratando do assunto com uma “faca de dois gumes”. Um dos gumes, o que feriu o Governo, obriga-o a ver com maior atenção o que de fato vem ocorrendo, ao contrário de levar a coisa com displicência como aparentemente levou até agora. O outro gume lança um afiado aviso à comunidade internacional de que a Amazônia tem dono e o Brasil toma conta com afinco dos seus 75%.
Esta foto foi tomada pelo fotografo Loren McIntyre, no Peru, Para a Revista National Geographic.   
No meio dessa discussão é revoltante perceber a ação perniciosa das correntes opositoras ao Governo Bolsonaro, difundindo milhares de fakenews, mundo afora e numa verdadeira histeria, com o simples objetivo de fazer oposição sem qualquer senso de patriotismo. Oposição por oposição. Oposição irresponsável. E o tamanho dessa irresponsabilidade pode representar um “tiro no pé” dessa gente que pretende retornar ao poder, mais adiante. É o caso de se formular perguntinha básica: como terão que desdizer o dito nos dias de hoje? Salvo, naturalmente, que sejam aderentes aos que defendem a internacionalização da Amazônia.
É surpreendente e inadequado ver o Presidente da França, por puro jogo politico, se expressar sobre o tema ilustrando com uma foto mentirosa. Ocorreu assim. E ainda fechou com uma expressão muito sintomática ao dizer: "nossa casa está pegando fogo". Francamente Macron. A foto ilustrativa postada por ele foi feita no Peru. Não tem nada de atual. O fotógrafo, inclusive, já morreu em 2003. Por que não considerar sintomático, também, ver Alemanha e Noruega perder os interesses(?) de prestar ajuda financeira? Ora, ora, assim, é fácil colocar lenha na fogueira alimentada pela mídia marrom.  Por fim, é ridículo ver circular imagens de incêndios – que não da Amazônia – nas redes sociais mostrando animais inexistentes na região fugindo do fogo. Já vi girafas, leões e até cangurus! Ora, meu Deus, queimadas ocorrem em qualquer ponto da face da terra. Acidentais ou propositais. Portugal, Austrália, Espanha e Estados Unidos vivem frequentemente às voltas com esse tipo de problema. O Brasil, também. A NASA divulgou estes dias um relatório dando conta que este ano as queimadas no Brasil caíram consideravelmente. Irrelevantes, quando comparadas com as da décadas passadas. 
Foto colhida na Austrália foi compartilhada como sendo na Amazônia brasileira. Uma piada!
Bom, com isto não estou negando a devastação que já ocorreu na nossa Amazônia. É coisa indefensável. Mas, se é fato, precisamos de união e inteligência emocional coletiva para defender nosso território e ordenar a coisa de modo adequado aos anseios de todos. Para isto é preciso uma Nação una e consciente da responsabilidade. Fazer picuinhas contra um Presidente que não vem se portando de modo convencional não nos levará ao futuro sonhado. E a Amazônia pode realizar nosso sonho.

NOTA: Fotos obtidas no Google Noticias e Imagens       

     

sábado, 17 de agosto de 2019

Pauta Pesada

Quando alguém resolve criar um Blog com a relativa elasticidade temática, como no meu caso, termina se envolvendo num amontoado de pautas, muitas vezes, complexas. Falar de politica, de economia, de costumes e lugares, entre outros assuntos, como me proponho, se torna muitas ocasiões algo desafiador e esbarro numa pauta pesada.  Vivendo no Brasil, onde a dinâmica político-econômica se mostra sempre muito conturbada e sujeitando o cidadão comum a dilemas de sobrevivência, nem se fala. A semana que hoje termina é um típico exemplo de sobrecarga, senão vejamos.
A grande surpresa, logo na segunda-feira, foi o provável ressurgimento do peronismo/kirchenismo na Argentina, provocando um tsunami na bolsa de Buenos Aires respigando na do Brasil, a violenta desvalorização da moeda local e a preocupação geral com a possibilidade do retorno da Senhora K. ao poder. Ela é candidatada à vice-presidente na chapa vencedora liderada por Alberto Fernandez, nas eleições primárias que os argentinos adotam e funcionam como uma prévia do processo eleitoral. A eleição final ocorrerá em Outubro. Conhecendo a História politica argentina, cheia de altos e baixos, tenho dúvidas quanto à escolha dos hermanos, dado ao que se viu nas gestões dos Kirchners. No momento atual pode ser fatal para inviabilizar o Acordo firmado entre o Mercosul e a União Européia. Lamentavelmente o Macri não promoveu as reformas necessárias ao país vizinho. Perdeu a oportunidade de ouro que lhe foi dada e deixou o barco correr na mesma direção de antes. Foi “prato cheio” para uma antes desgastada e derrotada oposição. Veremos o que pode ocorrer logo mais. Creio que este resultado de 11 de agosto foi mais um tropeço dos argentinos. As lições do passado não foram suficientes?
Mas, não foi somente a Argentina que emitiu sinais de preocupação. A China e os Estados Unidos continuaram enrolados em sérias desavenças, a taxa de juros norte-americana caiu, o Dólar se valorizou nos mercados internacionais, inclusive no Brasil, apontando para um tempo de incertezas. Ao lado disso, Japão e Coreia do Sul também entraram em turras e a Alemanha sinalizou crise. Foi uma engrossada geral de caldo, no meio do mundo.
No Brasil... Bom, no Brasil as coisas não andam nos conformes ideais. Nosso Capitão continua destoando da liturgia a ele reservada. Fala até de cocô e cagar, com a maior desenvoltura. E, pior, a respeito de um tema polêmico como é o do Meio Ambiente. Mas, segundo o próprio é seu estilo. Que jeito! A salvação é que, enquanto isso, a equipe de Ministros e o Parlamento estão se empenhando em tocar o barco. Ao contrário da Argentina, as reformas estão sendo tomadas a sério.   
No meio da semana (14/08) a Câmara Federal apreciou e aprovou com emendas a Medida Provisória da Liberdade Econômica encaminhada pelo Palácio do Planalto, desde fim de Abril. Sendo MP tem prazo para ser apreciada e tornar Lei, até 27 de Agosto. Está sob o crivo do Senado e prevê facilidades para empresas e empregados. Quem sabe, desengasgue um pouco a produção econômica. E, no dia seguinte, 15/08, a mesma Câmara Federal aprovou numa rapidez pouco comum o Projeto de Lei contra o Abuso de Autoridade. Eis aí uma coisa polêmica. Aprovada antes no Senado seguiu para sanção presidencial. Bolsonaro já prometeu vetos. E, sabendo de quem se trata, não restariam dúvidas. Muitos dizem terem legislado em causa própria. Pode ser mesmo porque tem muitos sujeitos na “corda bamba”, na Praça dos Três Poderes, e com isso tentam se proteger. Num país onde a corrupção grassa e onde todo mundo banca autoridade a começar do ambiente doméstico é de se esperar muito bafafá. Vai ser uma quebra de cultura e tanto. Prender corruptos e ladrões, algemar bandido, soltar criminosos e coisas semelhantes serão coisas proibidas. E a Lavajato? Nem quero pensar.
Para fechar a semana, como uma cereja na torta, Alemanha e Noruega resolvem cancelar a ajuda financeira, a fundo perdido, que destinavam há um bom tempo, ao Programa de Preservação da Floresta Amazônica. São milhões de Euros em jogo. Curioso é lembrar que justo eles historicamente se mostraram predadores do próprio meio ambiente. Taí, outro tema polêmico. A sociedade se dividiu em debates pondo dúvidas sobre o real interesse desses europeus. Querem a Floresta de pé ou o que existe no subsolo da região? Eis a pergunta que não cala. Bom fim de semana para você caríssimo(a) leitor(a).

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

A História se Repete

Há histórias que atravessam os séculos sem perder a capacidade de nos fazer pensar. Ali Babá e os Quarenta Ladrões é uma delas. Lembro-me co...