domingo, 28 de junho de 2015

Defendendo as Tradições Juninas

Gosto sempre deste mês de Junho, no Nordeste, porque nele geralmente fazemos uma pausa na correria do dia-a-dia para curtir uma festinha caipira. Gosto que me enrosco. Come-se milho, canjica e pamonha, garrasecamuié e arrastarospé num forrozinho aprumado. Neste ano então a coisa veio em boa hora diante da crise que nos perturba.
Independente da crise, veja só como o tempo está passando rápido. Junho está acabando e  com ele metade do ano. Ano difícil. Nada evoluiu e as preocupações só se multiplicam. Por mais alienado que seja o cidadão, com relação às futricas políticas e econômicas do país, não tem sido fácil relaxar. O “caldeirão da república” está em constante ebulição. A pressão é grande, até para quem vive como observador, como é meu caso. Além de vitima, é claro! Por isso mesmo que a paradinha do São João veio em boa hora. Cada um para quando lhe é possível. Para mim, foi. Já nossos parlamentares tiveram que ficar em Brasília para curtir o bafafá da Corte de D. Dilma. Afinal, alguém tem que trabalhar!
Como quase todo ano tomei o rumo do poente e fui bater onde as plagas da família, banda dos Mendonça, em Fazenda Nova (*), onde a noite de São João é festejada à moda interiorana e leva a gente, que tem raízes familiares ali fincadas, viver momentos de congraçamento familiar e de reminiscências refrescantes.
Festejos familiares à parte, diga-se que excelentes e caprichados, impossível não notar as dificuldades que se tem atualmente para manter a tradição. Há sempre uma invenção de modernidade aqui ou acolá, que termina desvirtuando o que havia de pureza e brejeirice do passado não muito distante. Fogueiras são queimadas, é verdade. Até porque os mais velhos mantêm a tradição, mas, as antigas quadrilhas ficaram descaracterizadas e cheias de novidades que não combinam com a tradição e história da festa. As “matutas” e os “matutos” de hoje em dia dançam uma quadrilha modernosa, 
vestem fantasias temáticas (vide foto acima) e encenam alegorias extravagantes. É quase um carnaval. Inteiramente diferente do que se faziam no passado. Os “alavantu” e “anariê” de antigamente passam longe dos salões e pátios de festejos. Tenho saudades de ver crianças queimando inocentes estrelinhas, riscando caraduras coloridas, soltando um fumarento chuvisco de prata ou jogando diabinhos acesos nos pés das menininhas assustadas. Alguns destes, fazendo jus à própria denominação, subiam pelas perninhas saltitantes e iam bater nas calcinhas cheias de babados. Um alvoroço geral. Muito ingênuo, apesar das perninhas e calcinhas como objetivos da brincadeira dos meninos assanhados. Eu fiz isso demais. Ou então, lembro que era divertido queimar mosquitão ou busca-pé... Não havia coisa mais divertida do que perguntar a um amigo se iria “soltar rodinha no pau de vassoura” na noite de São João. E estourar um peido-de-véia homenageando a vovó ou a uma tia idosa? Armaria! Era uma confusão quando declarada a homenagem. Bom demais! Ah! Meus tempos! Quem tem mais de cinquenta anos sabe do que estou falando. Azar de quem achar que sou saudosista... Os meninos de hoje, nem se abalam. Ninguém chora ou bate com o pé, por um pacote de fogos. Nem corre prá ver acender a fogueira! Ao invés disso, ficam enfurnados dentro de casa, incomodados com a fumaça que se espalha no ar e agarrados com um celular ou um tablet, jogando vídeo-game. Desconfio que dentro de trinta anos essa coisa de festa junina vai ser história do passado. A sociedade muda e muda com rapidez. Os costumes e tradições são arquivados sem pena e sem deixar saudade. Precisamos defender a cultura dos folguedos juninos, antes que passem a borracha.
Ali, um pouco antes de Fazenda Nova, em Caruaru, onde se propala que é feito o maior São João do mundo, a coisa está sendo muito criticada devido a descaracterização dos festejos. Os mais velhos afirmam que o que era bem típico deu lugar a um megaevento, que está mais para carnaval do que qualquer outra coisa, com forte apelo comercial e distante do que se realizava há vinte ou trinta anos. As atrações já não são mais os valores artísticos locais e, sim, os nomes de sucesso no cenário nacional, que de modo geral ignoram os ritmos e músicas regionais. Tudo para atrair público e render mais. Muito mais!
Está se formando, desse modo, uma geração que vai seguir rumo ao futuro sem noção do que significa uma autentica manifestação junina. Santo Antonio, São João e São Pedro serão apenas imagens na igreja da matriz da cidade.
Fiéis às tradições, ainda conseguimos realizar, em família, um autêntico pé-de-serra, contando com um trio composto de sanfona, zabumba e triângulo. (Foto acima). Rolou Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Zé Dantas a noite inteira. Para forrar o istambo comemos sarapatel, cabidela de galinha e guisado de penosa, acompanhado de farinha da terra e xerém salgado, regados com bons vinhos. E ruins também, porque faz parte. E não deixamos de comer canjica, pamonha e milho cozido. Bom danado. Deu até pra esquecer a crise! Viva São João!

(*) Distrito do Município de Brejo da Madre de Deus, situado a 180km. Distante do Recife. 

Nota: Fotos obtidas no Google Imagens, exceto a do trio pé-serra, da autoria do Blogueiro.

sábado, 20 de junho de 2015

As Pedaladas de Dilma

“Não me diga que vai também criticar, no seu Blog, a presidenta Dilma porque ela tem pedalado uma bicicleta pelas ruas de Brasília!” Foi desse modo que recebi um cumprimento de um conhecido, esta semana. Fiquei meio confuso na hora e, prontamente, respondi com uma enfática negativa: “eu jamais faria isto, rapaz. Tá doido... Ela tem todo direito de escolher qualquer forma de relaxar e, por mim, ela deve andar de bicicleta abertamente e numa boa. Acho que pode até contribuir para a melhoria da baixa popularidade e com o regime de emagrecimento ao qual está submetida”. A reação do meu interlocutor foi mais inesperada ainda: “você não acha uma absurdo essas criticas maldosas dizendo que ela deu umas pedaladas irregulares e fora da lei? E deram trinta dias para ela se explicar!”

Meio perplexo conclui logo que meu interlocutor estava misturando “alhos com bugalhos”. O cara confundia a saída que D. Dilma deu numa bicicleta, nos arredores do Palácio da Alvorada, em Brasília, com as chamadas Pedaladas Fiscais. Tive vontade de rir. Mas, respeitosamente contive-me. Ao contrário disso, pus-me a refletir sobre o grau de informação que recebe ou que tem o cidadão comum deste país. Cheguei à conclusão que esse tipo de coisa é bem mais frequente do que se imagina. Eu acredito que a maioria esmagadora dos brasileiros nem de longe sabe o significado dessa coisa denominada de Pedaladas Fiscais. E veja bem, incluo, nesse estrato social, brasileiros supostamente ilustrados. Nem de longe penso nos pobres coitados que habitam os rincões distantes e esquecidos deste imenso Brasil. Não é o caso do interlocutor acima relatado, pois é um cara relativamente ilustrado, bom esportista, gente bem prá caramba, porém, meio desavisado ou precipitado nas interpretações políticas. Coitado... Vai ver não pega num jornal. Ou pega somente as páginas de esportes.
Deixando de lado o disparate do conhecido, aproveito para comentar sobre essa coisa das pedaladas fiscais que será, certamente, motivo de muitas discussões por vir, embora não seja nenhuma novidade. Os Governos, de um modo geral, cometem esse erro historicamente. Agora se sabe melhor por conta da arrumação dada pela Lei de Responsabilidade Fiscal que impôs mecanismo de forma mais rigorosa. Na prática, o negócio ocorre quando o Tesouro Nacional atrasa os repasses para as instituições financeiras oficiais ou privadas encarregadas de financiarem despesas do Governo com benefícios tipo Bolsa família, benefícios da Previdência Social, seguro desemprego, subsídios em geral e por aí vai “livrando a cara” do Governo em honrar as dívidas com a sociedade, esperando receber depois o que desembolsou. Ao Governo resta o ônus de ficar devedor dos Bancos. Uma dívida que, ultimamente, vem sempre aumentando. Só que os analistas dos tribunais interpretam essas manobras como sendo operações de crédito, isto é, como se o Governo houvesse tomado empréstimos aos bancos oficiais, o que é terminantemente proibido pela Lei da Responsabilidade Fiscal. 
Entre 2012 e 2014, segundo o Tribunal de Contas da União – TCU, a bolada envolvida foi de R$ 40,0 Bilhões. Esse artifício contábil, que vem a ser exatamente a tal da Pedalada Fiscal, ajudou o Governo na maquiagem das contas públicas a cada ano. Agora porém, “a casa caiu” porque, em 2014, a arrecadação do Tesouro diminuiu em função da desaceleração das atividades econômicas e das reduções de tributos concedidas (IPI de automóveis, linha branca, móveis, entre outras) e o Governo gastou aos tubos com a eleição (faço ideia!) e teve que ajudar o setor energético. Faltou grana para repor os custos das pedaladas. Gastou mais do que arrecadou. Pior que, mesmo pedalando, o Governo terminou o exercício sem fechar as contas e foi pedir “penico” no Congresso Nacional ao enviar um projeto de Lei alterando os objetivos antes aprovados. Mas, o TCU “pegou na virada” e caiu em cima do Governo Dilma. Agora, ela vai ter que deixar de pedalar uma bicicleta nas ruas de Brasília e trabalhar mais para explicar as pedaladas fiscais que cometeu. Meu palpite: vão dar um jeitinho bem brasileiro para preservar a governança e o poder. Pode ser providencial... Temo que o caldo entorne.
Ah! Antes que me esqueça: tomara que meu amigo comece a entender que cada coisa é uma coisa diferente. Que coisa!


NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Trambolho Internacional

O Mercosul já foi por diversas ocasiões tema deste Blog semanal. Vez por outra ocorre um episódio político ou econômico que me chama atenção e vejo-me provocado a retornar com a pauta. O estimulo é consequência das recordações que guardo dos tempos em que o Bloco  começou a ser arquitetado, durante o Governo Sarney, e da forma como pessoalmente me envolvi. Naquela época ainda na ativa como funcionário da SUDENE e exercendo cargos compatíveis com o assunto, entre os quais o de Coordenador de Cooperação Internacional, assumi missões que me conduziram a vivenciar o processo na sua efervescência inicial e cheia de entusiasmo. Foi, sem dúvida, uma das minhas melhores experiências profissionais e enquanto funcionário do Governo Brasileiro.
Tudo andou muito bem até que a atual onda populista tomou conta das repúblicas envolvidas no Grupo, desorganizando uma iniciativa que prometia fazer sucesso no mundo globalizado. Uma lástima... Mesmo porque para parceiros como Argentina e Brasil seria uma excelente estratégia para enfrentar o avassalador esquema de economias sem fronteiras, imposto pelos organismos internacionais, sobretudo os de comércio. Muitos percalços já foram observados no Bloco, sendo os econômicos e os políticos aqueles que, a meu ver, vêm engessando o Acordo. Leia mais em: www.gbrazileiro.blogspot.com/2013/06/mercosul-engessado.html   
As repercussões no Brasil têm sido desastrosas: refém do Tratado de Assunção (26/03/91) o país vê-se obrigado a “rodar feito peru” em torno de decisões antes adequadas e que, agora desvirtuadas, o impede de realizar bons negócios com os signatários do Tratado e de firmar acordos de comércio com economias mais dinâmicas e estrategicamente mais vantajosas. A coisa é simples e, para mim, está clara: são, na prática, países que pouco oferecem e, mais do que isto, atrapalham o crescimento e o desenvolvimento da economia brasileira. Justo quando, mais do que nunca, o país precisa desenganchar da crise com a qual se envolveu. Ideal seria que o país pudesse descolar rapidamente desse trambolho internacional, no que se transformou o Mercosul.  Nossos parceiros mercosulinos são muito frágeis e têm estruturas político-econômicas inseguras. A salvação seria uma Argentina forte, equilibrada economicamente e estável de ambiente político. Isto, porém, tem sido impossível. O país dos hermanos vive mergulhado numa tremenda recessão sem tempo para acabar e, além disso, sob a alegação de proteger sua produção industrial impõe ao Brasil cotas de exportação de produtos, quando na verdade devia observar o acordo da livre circulação de bens e serviços entre os dois países. Uruguai, Paraguai e Venezuela, nem se fala... Os dois primeiros são economias pequenas e pouco dinâmicas e a última, que até poderia ser uma boa parceira, não fosse a barafunda sem limites que vive. Resumo da ópera: estamos atados e sem futuro com esse Grupo.
Mas, o que me provocou para esta postagem foi exatamente a questão Venezuela, que em minha opinião ingressou no Mercosul por uma porta entreaberta, numa manobra política discutível até hoje. Minha indignação do momento: entrevistada por uma agencia de noticias alemã, semana passada, nossa Presidente, D. Dilma, saiu pela tangente, com respostas evasivas, ao ser questionada sobre seu silencio diante da insegurança política da República Bolivariana de Maduro e a falta de um pronunciamento do Bloco, particularmente do líder Brasil. O mundo está de olho naquela situação de indiscutível desequilíbrio político, repressões à liberdade de expressão e o caos de desabastecimento que vivem os venezuelanos. Esses são motivos que ferem claramente os princípios do Acordo do Bloco, conforme previsto no Protocolo de Ushuaia (24.7.98), que exige compromisso democrático no Bloco. D. Dilma fazendo “vista grossa”, respondeu de forma equivocada, com uma declaração de que não se achava no direito de interferir na política interna daquele país. Ora, ora, este comportamento é bem diferente do adotado no episódio de impeachment do Fernando Lugo, no Paraguai, em 22.6.12. Aquilo lá, além de ser visto, até hoje, como um golpe de estado, foi aproveitado como sendo uma insegurança para o Bloco e o Brasil liderou a suspensão temporária do país, sob a égide do tal Protocolo de Ushuaia. Na verdade, foi tudo apressadamente orquestrado para facilitar a entrada da Venezuela de Hugo Chávez no Grupo, o que, com razões de sobra, vinha sendo questionado sistematicamente pelo Presidente Lugo, usando o argumento da insegurança democrática no país de Chávez. Como é que um procedimento legítimo e corretivo, aplicado no Paraguai, pode ser motivo de veto, enquanto que as atrocidades que vêm sendo cometidas na república chavista, cada vez mais aMadurecida em regime ditatorial, podem ser consideradas práticas normais e sem consequências maléficas para o Bloco?
Vá querer entender essa política externa petista. Francamente.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Cartolas Desbaratados

Como se não bastasse a gigantesca onda de corrupção que atinge o Brasil dos dias de hoje, as manchetes da semana que termina deram espaços, finalmente, para noticiar o escândalo do rombo praticado pelos cartolas da Federação Internacional do Futebol Amador – FIFA.
Todo mundo desconfiava de conchavos e roubalheira que eram cometidos na entidade máxima do futebol mundial e, aqui no Brasil – a pátria de chuteiras – esta coisa ficou bem mais clara nas décadas recentes e, sobretudo, por ocasião da realização da Copa do Mundo do ano passado.
Esta semana a polícia suíça baixou num hotel de luxo em Zurique e, com um mandado judicial internacional, levou a cambada pra trás das grades, graças a uma ação competente da justiça norte-americana. Desbarataram, assim, os folgados cartolas do futebol mundial, incluindo um brasileiro.
Conversando, ano passado, com um amigo suíço, ouvi dele severas críticas ao tal Senhor Joseph Blatter e à Federação Mundial por ele dirigida, cuja sede é lá na Suíça. Ele, meu amigo, estava impressionado com as exigências e manobras impostas ao Governo brasileiro para a realização da Copa de 2014. Um absurdo para um país incapaz de suprir seus cidadãos dos mais primários serviços de Saúde, Educação e Segurança. Por tudo quanto escutei e constatei no Brasil da Copa e da PTrália, aquilo lá estava mais para covil de ladrões do que organizadores de um certame mundial de futebol. Os acordos espúrios que foram negociados, o enriquecimento ilícito dos cartolas com dinheiro sujo que corre por debaixo do tapetão, manobras com governos igualmente corruptos, decisões de resultados de jogos antes do apito inicial no centro de gramados, as altas cobranças de direitos para transmissões via TV e rádio, as comissões inimagináveis arrancadas dos patrocinadores de transmissões e um mundo de outras manobras com efeitos financeiros ilimitados caracterizam o interessante dia-a-dia da FIFA. Agora, o resultado está aí. O mundo começa saber, quem comanda a entidade e como são manipuladas as emoções do futebol mundial. Pobre de nós fãs desta modalidade de esporte. Pobres de nós brasileiros tão míopes para essa realidade espúria.
Numa hora dessas, lembro de episódios mal explicados como aquele da derrota do Brasil na final da Copa da França. Recordo que nossa seleção tinha tudo para levantar o título ali disputado. A festa estava preparada. Mas, de repente, na hora H da final, nosso astro Ronaldo Fenômeno sofre uma estranha convulsão, bota pra vomitar e espumar pelo canto da boca e entra quase carregado em campo. O resultado final todos lembram. Eu quase morro de tristeza. Joguei fora as empadas, esqueci-me do chopp e prometi que nunca mais iria me deixar envolver de corpo e alma por esses campeonatos. O Brasil sai de Paris com o “rabo entre as pernas” e a nação de chuteiras chora a derrota. No dia seguinte, tímidos comentários, de analistas mais independentes, davam conta de que tudo havia sido combinado: o Brasil perdia ali, mas a FIFA garantia o título na Copa do Japão/Coréia do Sul. Não deu outra! Levantamos o caneco em Tóquio. E nós, os bestas, comemoramos orgulhosamente. Esqueci-me, até, da promessa de antes e comemorei adoidado. Já Ronaldo Fenômeno, segundo afirmam, nunca mais teve outro episódio de convulsão como naquela tarde em Paris. Parece piada de mal gosto.
Em 2014, depois do 7 x 1 que amargamos frente aos germânicos, pensei outra vez na promessa... Achei-me um idiota. Agora já se fala que é do Brasil o campeonato que acontecerá em 2018, em Moscou. Promessa da FIFA! É uma graça...  Bando de canalhas!
Ora, minha gente, estamos diante de uma triste história, afinal o futebol é a mais popular das modalidades esportivas do mundo. Um campeonato mundial tem o poder de “parar” a Terra. Milhões e milhões de espectadores se postam diante da TV, sem se importar com a hora, para acompanhar o desenrolar do certame. Inocentes e sem ter ideia do que rola por trás daquele circo. Sem saber que tudo aquilo vem sendo “arrumado” por verdadeiros ladrões de gravata, que defendem interesses bilionários próprios, desprovidos de espírito esportivo e sem o fairplay exigido, nessas ocasiões, pelas sociedades honestas. São cartolas sem escrúpulos e cínicos, cujo referencial único é o conjunto de cifrões que dão suporte à grande jogada que arquitetam para encher os próprios bolsos e iludir as massas de aficionados espalhados pelo planeta.
Revolta-me constatar que essa quadrilha de larápios vem, há muito tempo, denegrindo a verdadeira beleza do futebol e atropelando o que de mais salutar poderia existir num mundo já tão sofrido por guerras, conflitos entre irmãos e disputas inúteis, além da pobreza extrema e da fome que assola muitas zonas deprimidas dos cinco continentes.
Folgo em saber que essa engrenagem espúria está sendo desmontada e que os tais cartolas estão sendo jogados atrás das grades para responder pelas suas ladroagens e falta de respeito  para com o sentimento dos amantes desse esporte tão admirado nos quatros pontos cardeais.
Naturalmente que estou na expectativa de ver os desdobramentos desse caso no ambiente doméstico do Brasil. Afinal, esse tal de José Maria Marin, membro da corja, já foi capturado e outros poderão aparecer com culpa, igualmente, no cartório norte-americano. Sei lá, o que tem por trás disso na nação da corrupção endêmica. Vamos ficar de olhe gente!
 

sábado, 30 de maio de 2015

Brasil Incompetente

Venho acompanhando com atenção, pelo menos por vinte e cinco anos, o desempenho da competitividade brasileira, quase sempre o comparando com outras economias estrangeiras. Várias são as entidades de pesquisa que tratam de fazer esta avaliação. O IMD – International Institute for Management Development, entre outras, com apoio da brasileira Fundação Dom Cabral se encarrega de incluir o Brasil no ranking mundial. A mais recente lista, referente a 2014 e publicada na semana que termina, revelou que pelo quarto ano consecutivo o Brasil perde posição no cenário internacional, entre as 60 economias avaliadas. Desta vez o Brasil caiu três posições e ocupa o 54º lugar. Está à frente apenas de Eslovênia, Bulgária, Grécia, Argentina, Croácia e Venezuela, a última colocada. Esta queda vem se repetindo na medida em que o Brasil já caiu 16 posições nos últimos quatro anos. Em 2010 ocupava a 38º posto do ranking. Na cabeça da lista deste ano estão os Estados Unidos, Suíça, Cingapura, Hong Kong, Suécia, Alemanha, Canadá, Emirados Árabes, Dinamarca e Noruega. 
A maioria dos emergentes cai na lista deste ano e a explicação dada pelo IMD aponta, como motivo, o baixo investimento estrangeiro e as falhas na infraestrutura. A China sofre por conta das dificuldades no atual ambiente de negócios e isto pode ser ruim para todo mundo. Um analista econômico dizia esses dias que “se a China espirrar o Brasil pega uma pneumonia”. Nos casos de Brasil e Índia, o IMD considera que estes sofrem por conta dos seus mercados de trabalho ineficientes e gestões de negocio ineficazes.   
A metodologia aplicada para compor a lista leva em consideração quatro dimensões de competitividade: desempenho econômico, eficiência do Governo, eficiência dos negócios e estado da infraestrutura. Nesta última dimensão os indicadores considerados são: estradas, portos, aeroportos, geração e distribuição de energia, telefonia, internet, meio ambiente, educação básica e superior, pesquisa cientifica e serviços de atenção à saúde. Observe-se que são componentes fundamentais para revelar o perfil – bom ou falho – de um sistema socioeconômico e o Brasil está, indiscutivelmente, penando por conta dessa precaria dimensão que tem.  
Semana passada estive em São Paulo, visitando/participando de uma feira internacional da indústria metal-mecânica, a FEIMAFE (www.feimafe.com.br), e no entrar e sair de estandes escutei as maiores lamúrias dos representantes de empresas presentes. Um verdadeiro ambiente de crise. Naturalmente que, em primeiro lugar, queixas sobre a crise geral que assola o Brasil e, em seguida, as velhas dificuldades de viver num país onde os custos da produção são dos mais altos do mundo, que empurram os preços de mercados a níveis estratosféricos, quando comparados com os concorrentes estrangeiros e com os quais tem de concorrer no próprio mercado doméstico. Um fabricante europeu ou asiático consegue colocar à venda sua máquina no mercado brasileiro ao preço equivalente, muitas vezes, à metade do fabricante nacional. Tudo por conta dos absurdos custos da produção local. Quando o assunto, então, é logística a situação fica prá lá de complicada. Transportar um equipamento pesado (um bem de capital) de um canto a outro do país é sempre muito mais caro do que trazer um similar, por exemplo, da China. O produtor brasileiro – independente do setor que atua – padece pela falta de uma infraestrutura competente. Pesquisa recente da CNT – Confederação Nacional dos Transportes dá conta de que será necessário algo próximo a R$ 200 Bilhões para destravar o escoamento de grãos produzidos no país. Ora, em tempos de crise, ajuste fiscal e de pesados cortes nos orçamentos do Governo a situação se mostra mais preocupante já que é do setor primário que surgem os melhores sinais de ajuda ao crescimento da economia nacional.
Infelizmente, o principal modal de transporte da produção brasileira – independente da natureza – tem sido quase sempre o rodoviário, não obstante o fato de que o país reúna condições de explorar outros meios, entre os quais o ferroviário e o  das hidrovias. Segundo a CNT o Brasil tem 1,7 milhão de quilômetros de malha rodoviária, sendo que apenas 204 mil são pavimentadas, ou seja, aproximadamente 12%. Levando em conta a qualidade do asfalto (quase sempre do tipo sonrisal) que se aplica no país e o natural desgaste do uso diário, a CNT avalia que metade dessas pavimentadas estão deficientes. Como ser competitivo? Como ter padrão mundial?

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

sábado, 16 de maio de 2015

Dois Desafios Sociais

Dois temas polêmicos ocuparam recentemente nossos legisladores, em Brasília. Refiro-me às questões trazidas pelas PECs 171/1993 que pede a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e a 457/2005 que trata do aumento da idade para efeito de aposentadoria compulsória de 70 para 75 anos, mais conhecida como PEC da Bengala.  Antes de qualquer comentário ou emitir opinião sobre os temas, chamo a atenção para as datas dessas proposições: a primeira é de 1993 e a segunda de 2005. Esta ultima nem tanto, mas, a primeira estava sendo guardada por 22 anos.
À da Bengala, pelo visto, permeou uma forte componente política, devido à desfavorável conjuntura política do país, que terminou apressando sua aprovação e promulgação. Já a da redução da maioridade exigiu ou exige uma longa discussão entre defensores e opositores.
Essa coisa de ampliar para 75 a idade de aposentadoria compulsória teria que chegar algum dia porque, afinal, tirar da ativa o cidadão que, com 70 anos, revele capacidade intelectual para continuar trabalhando e desempenhando, da melhor forma e com mais experiência profissional acumulada, seu oficio, já se mostrava uma injustiça. Gostei muito da fala do Ministro Luis Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF) que foi feliz e taxativo ao afirmar que: “... um homem de 70 anos de idade tem uma higidez intelectual bastante expressiva que pode contribuir para o país.” Verdade! Conheço várias pessoas que justo nessa fase da vida se impõe em saberes e respeito em cima da experiência de vida e de profissão.
Tudo bem, que alguns podem dizer, que Fux é visto como suspeito para tratar do assunto, porque advoga em causa própria. Mas, esquecendo as futricas políticas que afloraram na discussão em Brasília, não se pode negar que a nova medida chega à boa hora, não apenas no Supremo, mas para os mais diversos setores do Governo. Tomara que os Estados sigam o mesmo caminho. Enquanto isto, procure no seu entorno exemplos de pessoas com mais de 70 e verá a realidade. A longevidade hoje é uma coisa concreta e a população de maiores de 60 anos é cada vez maior no Brasil. Os tempos são outros. A qualidade de vida mais segura, as atenções de saúde modernas e crescentemente difundidas, as novas drogas descobertas, a inteligência médica, a população consciente e uma imensa vontade de prolongar a existência levam a que os padrões populacionais tenham, por aqui, perfis bem diferenciados e distintos do que na época dos nossos avós.
Claro que muitos ainda não têm acesso aos bons serviços de saúde e isto é reclamado todo dia, mas, é assunto para outra ocasião. Fico satisfeito de ver a PEC da Bengala aprovada e promulgada, embora saiba que a “fila anda” e muitos precisam ter acesso ao mercado de trabalho.  
Na outra ponta, vem a discussão da maioridade penal. Pensei muito sobre esta questão, antes de chagar aqui. É uma coisa complexa. Bote polemica nisto.
Antes de qualquer conversa fui pesquisar sobre o assunto no cenário internacional e tive a surpresa de descobrir que, segundo o Unicef, maioridade penal no mundo varia de 12 a 21 anos. Mas, há países que com 7 anos o menino pafa caro pelos seus "crimes". Sem tecer comentários, prefiro mostrar o mapa-múndi da situação. Vide a seguir.  

No Brasil, o garoto ou garota de 16 anos tem o direito facultativo de exercer o direito do voto e isto tem sido argumento dos que defende a mudança da lei. Outra coisa que se expõe, e isto assusta qualquer cidadão de são juízo, é que inúmeros são os menores que praticam crimes hediondos, sob comando de adultos com mais de 18 , para “livrar a cara” do verdadeiro mentor assassino. Muitos, mesmo sem participar da ação criminosa, se apresentam como autores do crime. É uma verdadeira balburdia.
Essa discussão ganharia outros contornos se, ao invés de se ater, apenas, ao resultado social final do problema que gerou a PEC 171 – isto foi em 1993! – houvesse uma ampla ação política para mudar radicalmente o quadro da Educação pública deste país. Vejam que ela, a Educação, sempre na linha de frente para discussões, infelizmente é sempre colocada à margem dos debates prioritários. Faltam recursos financeiros, faltam profissionais qualificados e faltam infraestruturas adequadas. Mesmo que a Pátria se proponha ser Educadora.
Tenho certeza de que, com melhores níveis educacionais ao longo das várias gerações recentes, esta discussão teria outro encaminhamento. Considero, aliás, que ajudaria até essa mudança. Mudança com mais segurança e justiça. Como condenar um jovem de 16 anos, que não tenha nível intelectual e formação compatível com sua idade se o Estado não lhe deu oportunidade? Como tratar de modo igual pessoas de realidades tão distintas como as que vivam numa metrópole tipo São Paulo e as que vivam nos grotões do Norte ou Nordeste?
É complicado discutir este assunto. Precisamos amadurecer este debate. Caso contrário, vamos passar pelo mesmo que passaram Colômbia e Venezuela que baixaram açodadamente e, arrependidos, revogaram suas medidas e retornaram ao vigente anteriormente.  

NOTA: As ilustrações foram colhidas no Google Imagens.

sábado, 9 de maio de 2015

Quem te viu e quem te vê!

Recordo com saudade os tempos em que a Petrobrás enchia-me de orgulho, nas minhas andanças pelo exterior, por ser lembrada por interlocutores como sendo uma das maiores empresas do mundo e de padrão mundial. Ultimamente tem sido ao contrario, prestigio foi-se  e a empresa é sinônimo de corrupção. Já falei disso recentemente.
Hoje (07.05.15) vendo o ranking mundial de empresas publicado pela respeitada revista internacional de Economia, Forbes, tomei conhecimento, com pesar, sobre a queda de quase 400, eu disse 400, posições da nossa petroleira. Quem te viu e quem te vê!
Vejam só: segundo a Forbes, em 2012 a nossa antes “gigante” de petróleo ocupava a 10º posição no referido ranking. O primeiro susto veio em 2013 quando ela caiu para 20º lugar e este ano a publicação de ontem (06.05.15), mostra a antes respeitada Petrobrás ocupando o humilhante 416º posto, entre 2000 pesquisadas. Olhando a reportagem publicada constatei que a Empresa perdeu em um ano seu valor de mercado que de US$ 87,0 Bilhões, em 2014, passou para, apenas, US$ 44,0 Bilhões. Isto significa, praticamente, metade do valor de um ano atrás. Francamente, é de doer...
Os motivos todos nós sabemos, o resto do mundo também, e a revista não poupou críticas ao citar como motivos os “escândalos contábeis e de corrupção” registrados na Empresa. Isto causa imensa surpresa pelo inesperado, nos meios internacionais, e o caso já é referencia para indicar uma das “maiores perdedoras de alto perfil”, no ranking em tela.
Fico impressionado, diante desses alarmantes números, como ainda tem quem defenda esse governo (g minúsculo é o mais adequado) que está aí dilapidando (observe que termo elegante usei) o patrimônio público da Nação na insana ambição de se perpetuar no poder.
Roubos estratosféricos, corruptos no comando da empresa, investimentos mal planejados ou equivocados (Refinaria Abreu e Lima e Pasadena, por exemplos), incapacidade de gestão na exploração do petróleo na camada do pré-sal e, depois disso, as trapalhadas e cambalachos contábeis registrados. No capitulo contábil, um buraco dificilmente será coberto. Refiro-me ao congelamento dos preços dos combustíveis que praticamente foi adotado, numa estratégia populista para segurar a inflação ameaçadora e prejudicial aos interesses eleitorais. Passada a eleição a bomba estourou e nós, os consumidores, estamos pagando a conta. Essa inépcia provocou rombo irreparável no caixa da empresa que, como afirmou um dos corruptos na CPI da Lava-a-Jato, foi o motivo maior da derrocada da empresa. Foi uma declaração meio cínica, mas, com alguma propriedade. Infelizmente. É doloroso pensar que no ambiente macro estamos em franco retrocesso, depois de tantas lutas para se conquistar uma espiral econômica virtuosa. 
Imagino o desespero pessoal de D. Dilma. Não queria estar na pele dela. Inteligente, Economista, com grande reputação de boa administradora, ocupante de importantes cargos – inclusive na Petrobrás – antes de sentar na cadeira de Presidente da República, levar o país a tamanho buraco deve ser desesperador. Quanta ingenuidade! Governar uma Republica do porte e complexidade da do Brasil é preciso ter tino político e emocional apurado, experiência republicana e muita raça. Com todo meu respeito, são coisas que lhe faltam. Nesta altura do “campeonato” vai precisar transpirar muitíssimo para sair dessa enrascada. O povo perdeu a confiança, confere-lhe a popularidade mais baixa de todos os tempos e , por enquanto, só lhe resta bater panelas contra ela e seu partido corrupto.
Mas, de uma coisa estou certo: o Brasil não vai se acabar por conta desta devastadora administração. Ao contrário, vai sair desta de forma triunfante, muito em breve. Por piores momentos já passamos. Somos uma nação rica em todos os segmentos econômicos, temos imenso território de abundantes terras férteis, riquezas minerais de importância econômica indiscutível, potencialidades comerciais ilimitadas, reputação internacional histórica, recursos humanos diferenciados, coragem para vencer e lideranças empresariais respeitadas. Posso até não alcançar esses tempos, mas morrerei sabendo que meus netos poderão viver dias melhores do que eu vivi. E tem mais: mesmo a vilipendiada Petrobrás, na era PTista, vai se recuperar e voltar a orgulhar os brasileiros.

NOTA: Foto obtido no Google Imagens.
 

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...