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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Cartolas Desbaratados

Como se não bastasse a gigantesca onda de corrupção que atinge o Brasil dos dias de hoje, as manchetes da semana que termina deram espaços, finalmente, para noticiar o escândalo do rombo praticado pelos cartolas da Federação Internacional do Futebol Amador – FIFA.
Todo mundo desconfiava de conchavos e roubalheira que eram cometidos na entidade máxima do futebol mundial e, aqui no Brasil – a pátria de chuteiras – esta coisa ficou bem mais clara nas décadas recentes e, sobretudo, por ocasião da realização da Copa do Mundo do ano passado.
Esta semana a polícia suíça baixou num hotel de luxo em Zurique e, com um mandado judicial internacional, levou a cambada pra trás das grades, graças a uma ação competente da justiça norte-americana. Desbarataram, assim, os folgados cartolas do futebol mundial, incluindo um brasileiro.
Conversando, ano passado, com um amigo suíço, ouvi dele severas críticas ao tal Senhor Joseph Blatter e à Federação Mundial por ele dirigida, cuja sede é lá na Suíça. Ele, meu amigo, estava impressionado com as exigências e manobras impostas ao Governo brasileiro para a realização da Copa de 2014. Um absurdo para um país incapaz de suprir seus cidadãos dos mais primários serviços de Saúde, Educação e Segurança. Por tudo quanto escutei e constatei no Brasil da Copa e da PTrália, aquilo lá estava mais para covil de ladrões do que organizadores de um certame mundial de futebol. Os acordos espúrios que foram negociados, o enriquecimento ilícito dos cartolas com dinheiro sujo que corre por debaixo do tapetão, manobras com governos igualmente corruptos, decisões de resultados de jogos antes do apito inicial no centro de gramados, as altas cobranças de direitos para transmissões via TV e rádio, as comissões inimagináveis arrancadas dos patrocinadores de transmissões e um mundo de outras manobras com efeitos financeiros ilimitados caracterizam o interessante dia-a-dia da FIFA. Agora, o resultado está aí. O mundo começa saber, quem comanda a entidade e como são manipuladas as emoções do futebol mundial. Pobre de nós fãs desta modalidade de esporte. Pobres de nós brasileiros tão míopes para essa realidade espúria.
Numa hora dessas, lembro de episódios mal explicados como aquele da derrota do Brasil na final da Copa da França. Recordo que nossa seleção tinha tudo para levantar o título ali disputado. A festa estava preparada. Mas, de repente, na hora H da final, nosso astro Ronaldo Fenômeno sofre uma estranha convulsão, bota pra vomitar e espumar pelo canto da boca e entra quase carregado em campo. O resultado final todos lembram. Eu quase morro de tristeza. Joguei fora as empadas, esqueci-me do chopp e prometi que nunca mais iria me deixar envolver de corpo e alma por esses campeonatos. O Brasil sai de Paris com o “rabo entre as pernas” e a nação de chuteiras chora a derrota. No dia seguinte, tímidos comentários, de analistas mais independentes, davam conta de que tudo havia sido combinado: o Brasil perdia ali, mas a FIFA garantia o título na Copa do Japão/Coréia do Sul. Não deu outra! Levantamos o caneco em Tóquio. E nós, os bestas, comemoramos orgulhosamente. Esqueci-me, até, da promessa de antes e comemorei adoidado. Já Ronaldo Fenômeno, segundo afirmam, nunca mais teve outro episódio de convulsão como naquela tarde em Paris. Parece piada de mal gosto.
Em 2014, depois do 7 x 1 que amargamos frente aos germânicos, pensei outra vez na promessa... Achei-me um idiota. Agora já se fala que é do Brasil o campeonato que acontecerá em 2018, em Moscou. Promessa da FIFA! É uma graça...  Bando de canalhas!
Ora, minha gente, estamos diante de uma triste história, afinal o futebol é a mais popular das modalidades esportivas do mundo. Um campeonato mundial tem o poder de “parar” a Terra. Milhões e milhões de espectadores se postam diante da TV, sem se importar com a hora, para acompanhar o desenrolar do certame. Inocentes e sem ter ideia do que rola por trás daquele circo. Sem saber que tudo aquilo vem sendo “arrumado” por verdadeiros ladrões de gravata, que defendem interesses bilionários próprios, desprovidos de espírito esportivo e sem o fairplay exigido, nessas ocasiões, pelas sociedades honestas. São cartolas sem escrúpulos e cínicos, cujo referencial único é o conjunto de cifrões que dão suporte à grande jogada que arquitetam para encher os próprios bolsos e iludir as massas de aficionados espalhados pelo planeta.
Revolta-me constatar que essa quadrilha de larápios vem, há muito tempo, denegrindo a verdadeira beleza do futebol e atropelando o que de mais salutar poderia existir num mundo já tão sofrido por guerras, conflitos entre irmãos e disputas inúteis, além da pobreza extrema e da fome que assola muitas zonas deprimidas dos cinco continentes.
Folgo em saber que essa engrenagem espúria está sendo desmontada e que os tais cartolas estão sendo jogados atrás das grades para responder pelas suas ladroagens e falta de respeito  para com o sentimento dos amantes desse esporte tão admirado nos quatros pontos cardeais.
Naturalmente que estou na expectativa de ver os desdobramentos desse caso no ambiente doméstico do Brasil. Afinal, esse tal de José Maria Marin, membro da corja, já foi capturado e outros poderão aparecer com culpa, igualmente, no cartório norte-americano. Sei lá, o que tem por trás disso na nação da corrupção endêmica. Vamos ficar de olhe gente!
 

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...