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sábado, 20 de junho de 2026

Um Gigante Incompetente

Diante da TV, acompanho a Copa Mundial de Futebol que rola nos gramados da América do Norte, o movimento no tabuleiro de xadrez da geopolítica se intensificando (Moscou foi bombardeada por drones ucranianos) e, aqui por perto, Brasília que segue se derretendo ao calor das continuas ondas de corrupção. Cansado e até impaciente, mudo de canal e procuro noticias melhores. Inútil. Talvez, mesmo, pior. De cara fico sabendo que o Brasil caiu mais no ranking de competitividade entre 70 países pesquisados. O International Institute for Management Developement (IMD), da Suiça, realiza anualmente um monitoramento de 70 países, incluindo o Brasil, comparando os desempenhos, medidos a partir de quatro referencias: desempenho econômico, eficiência do governo, eficiência empresarial e infraestrutura. No Brasil, a Fundação Dom Cabral é responsável pelo levantamento dos dados. Pois bem. Na recente pesquisa, ano 2026, o Brasil recuou sete posições, entre os 70 países trabalhados, ocupando a 65ª. posição, junto com Turquia, Nigéria, Namíbia, Venezuela e Paquistão. “Bem” acompanhado... Logo pensei que, por pouco, não ocupou a lanterna. Pelo retrovisor, vi que em 2025 o Brasil estava na 58ª. posição.
Embora não fosse surpresa, confesso que senti tristeza ao tomar conhecimento desse resultado. O que mais chama atenção dos analistas brasileiros é o fato de que o Brasil está caindo de posicionamento, muito embora seja uma das maiores economias do mundo em tamanho, riqueza natural e PIB. Só que o ranking em tela não mede riqueza acumulada e sim, a capacidade de um país transformar recursos disponíveis, instituições, educação, infraestrutura e eficiência econômica em prosperidade sustentável. Tanto é que no topo da lista se posicionam: Singapura, Hong Kong, Suiça, Dinamarca, Emirados Árabes, Taiwan, Irlanda, Suécia e Catar. Diante desse resultado, o que costuma impressionar os analistas é que países pequenos como Singapura, Suíça e Dinamarca aparecem no topo do ranking, enquanto economias muito maiores podem figurar na faixa intermediária ou nas últimas posições. (os Estados Unidos figura em decima posição). Isso reforça a ideia de que competitividade está mais ligada à qualidade das instituições e da gestão do que ao tamanho do território ou da população. No caso brasileiro, muitas são as razões apontadas, entre as quais se destacam: baixa produtividade, deficiências educacionais, burocracia excessiva, insegurança publica, infraestrutura insuficiente e insegurança jurídica e fiscal. Resultado é que, no dia-a-dia do brasileiro, se convive com produtos mais caros; menor crescimento econômico; baixas oportunidades para os jovens e dificuldade de financiar políticas sociais e previdenciárias. Em suma, o desafio brasileiro não é apenas crescer, mas crescer com eficiência. Até mesmo porque competitividade pode não ser um objetivo básico. Mais do que isto deve ser um instrumento para melhorar a vida das pessoas. Por isso, considero que se fala de um Gigante Incompetente. NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Quase Campeão.

Que as coisas andam, cada vez mais, deterioradas, aqui no Brasil, todos nós já sabemos. O tal “trem fantasma” (modo como comparei o país, dois posts atrás) continua assustando a cada curva e cada instante, é inegável. Notadamente no domínio da política. Ninguém mais se entende. Pelo visto e o que veremos ainda, não vai sobrar pedra sobre pedra. A desejada reconstrução vai exigir, sem dúvida, muito suor e sangue. A semana que passou, por exemplo, foi permeada de inúmeros episódios insólitos e sempre preocupantes. Um desses, chama especial atenção e é sobre isto que vou comentar neste post semanal. Refiro-me ao resultado de uma pesquisa internacional, realizada pela IMD Business School de Lausanne (Suiça) – uma das mais famosas escolas de administração do mundo – envolvendo 63 países, gerando o denominado Relatório de Competitividade Global 2017.
Os resultados apontados dão conta de que o Brasil é o segundo país mais corrupto, entre os 63 estudados, ficando à frente, apenas, da Republica Bolivariana da Venezuela, que no momento carrega a taça de Campeã Mundial da Corrupção. O Brasil  (62º colocado) é o vice-campeão. Quase Campeão! Caiu bastante, já que no ano passado ocupava o 57º lugar. Vamos e venhamos, é uma situação vexatória e, particularmente, dolorosa para qualquer cidadão de bem e de são juízo.   
Por mais que possamos buscar entender esta situação, dadas as curvas no escuro e sustos do nosso “trem fantasma”, é definitivamente desanimador para o empresário nacional que pretenda se estabelecer ou modernizar seu negócio com vistas a participar do competitivo jogo internacional de mercado. Como investir num país em que a previsibilidade e estabilidade política não garante ambiente tranqüilo? O Brasil não vem oferecendo esse primordial fator. E, na atual conjuntura, o que se assiste é uma piora crescente.
O IMD na sua pesquisa trabalha com fundamentais indicadores de competitividade, entre os quais: política de emprego, qualificação da mão de obra, transparência, segurança jurídica, eficiência dos negócios, investimentos em inovação, domínio das modernas tecnologias da informação, comércio exterior, custo do capital, política tributária e vários outros, somando um total de 260 indicadores! Por este número já se conclui se tratar de um trabalho minucioso, criterioso e redundando numa classificação cercada de segurança.
Além da Venezuela e Brasil, respectivamente, “campeã” e vice-campeão” da corrupção, a America Latina aparece com a Colômbia (61º posto), Peru (60º) e México (59º). Segundo o apurado, o Brasil melhorou apenas no item Transparência, em conseqüência das ações moralizadoras do Ministério Público, Policia Federal e a Procuradoria Geral da República - PGR. E de modo destacado a Operação Lava-jato.
Os países mais competitivos continuam sendo os já bastante conhecidos: Hong Kong, Suíça, Cingapura, Estados Unidos e Holanda, que lideram a lista dos 63 envolvidos.    
Outro detalhe interessante revelado pela pesquisa, vale à pena destacar: o Brasil é o 8º maior investidor de recursos públicos na Educação e o 62º em qualidade da Educação. Ou seja, o segundo pior do universo pesquisado. José Caballero, Economista-Chefe da pesquisa, faz questão de afirmar que “o Brasil gasta muito, mas muito mal”.

Situações como acima descritas nem passam pelas cabeças dos nossos governantes. Ao invés disso, estão exclusivamente preocupados em defender, com unhas e dentes, seu lugar de mando na pirâmide do poder e continuar no bem-bom e roubando cada vez mais. Enquanto isto... Bom, enquanto isto a Nação não passa de um detalhe, possivelmente abstrato para eles.
Na pisada que vai e para um país que adora ser campeão, quem sabe no próximo ano, arrebate esse troféu vergonhoso. Maduro que se cuide!

Nota: Ilustração obtida no Google Imagens


sábado, 30 de maio de 2015

Brasil Incompetente

Venho acompanhando com atenção, pelo menos por vinte e cinco anos, o desempenho da competitividade brasileira, quase sempre o comparando com outras economias estrangeiras. Várias são as entidades de pesquisa que tratam de fazer esta avaliação. O IMD – International Institute for Management Development, entre outras, com apoio da brasileira Fundação Dom Cabral se encarrega de incluir o Brasil no ranking mundial. A mais recente lista, referente a 2014 e publicada na semana que termina, revelou que pelo quarto ano consecutivo o Brasil perde posição no cenário internacional, entre as 60 economias avaliadas. Desta vez o Brasil caiu três posições e ocupa o 54º lugar. Está à frente apenas de Eslovênia, Bulgária, Grécia, Argentina, Croácia e Venezuela, a última colocada. Esta queda vem se repetindo na medida em que o Brasil já caiu 16 posições nos últimos quatro anos. Em 2010 ocupava a 38º posto do ranking. Na cabeça da lista deste ano estão os Estados Unidos, Suíça, Cingapura, Hong Kong, Suécia, Alemanha, Canadá, Emirados Árabes, Dinamarca e Noruega. 
A maioria dos emergentes cai na lista deste ano e a explicação dada pelo IMD aponta, como motivo, o baixo investimento estrangeiro e as falhas na infraestrutura. A China sofre por conta das dificuldades no atual ambiente de negócios e isto pode ser ruim para todo mundo. Um analista econômico dizia esses dias que “se a China espirrar o Brasil pega uma pneumonia”. Nos casos de Brasil e Índia, o IMD considera que estes sofrem por conta dos seus mercados de trabalho ineficientes e gestões de negocio ineficazes.   
A metodologia aplicada para compor a lista leva em consideração quatro dimensões de competitividade: desempenho econômico, eficiência do Governo, eficiência dos negócios e estado da infraestrutura. Nesta última dimensão os indicadores considerados são: estradas, portos, aeroportos, geração e distribuição de energia, telefonia, internet, meio ambiente, educação básica e superior, pesquisa cientifica e serviços de atenção à saúde. Observe-se que são componentes fundamentais para revelar o perfil – bom ou falho – de um sistema socioeconômico e o Brasil está, indiscutivelmente, penando por conta dessa precaria dimensão que tem.  
Semana passada estive em São Paulo, visitando/participando de uma feira internacional da indústria metal-mecânica, a FEIMAFE (www.feimafe.com.br), e no entrar e sair de estandes escutei as maiores lamúrias dos representantes de empresas presentes. Um verdadeiro ambiente de crise. Naturalmente que, em primeiro lugar, queixas sobre a crise geral que assola o Brasil e, em seguida, as velhas dificuldades de viver num país onde os custos da produção são dos mais altos do mundo, que empurram os preços de mercados a níveis estratosféricos, quando comparados com os concorrentes estrangeiros e com os quais tem de concorrer no próprio mercado doméstico. Um fabricante europeu ou asiático consegue colocar à venda sua máquina no mercado brasileiro ao preço equivalente, muitas vezes, à metade do fabricante nacional. Tudo por conta dos absurdos custos da produção local. Quando o assunto, então, é logística a situação fica prá lá de complicada. Transportar um equipamento pesado (um bem de capital) de um canto a outro do país é sempre muito mais caro do que trazer um similar, por exemplo, da China. O produtor brasileiro – independente do setor que atua – padece pela falta de uma infraestrutura competente. Pesquisa recente da CNT – Confederação Nacional dos Transportes dá conta de que será necessário algo próximo a R$ 200 Bilhões para destravar o escoamento de grãos produzidos no país. Ora, em tempos de crise, ajuste fiscal e de pesados cortes nos orçamentos do Governo a situação se mostra mais preocupante já que é do setor primário que surgem os melhores sinais de ajuda ao crescimento da economia nacional.
Infelizmente, o principal modal de transporte da produção brasileira – independente da natureza – tem sido quase sempre o rodoviário, não obstante o fato de que o país reúna condições de explorar outros meios, entre os quais o ferroviário e o  das hidrovias. Segundo a CNT o Brasil tem 1,7 milhão de quilômetros de malha rodoviária, sendo que apenas 204 mil são pavimentadas, ou seja, aproximadamente 12%. Levando em conta a qualidade do asfalto (quase sempre do tipo sonrisal) que se aplica no país e o natural desgaste do uso diário, a CNT avalia que metade dessas pavimentadas estão deficientes. Como ser competitivo? Como ter padrão mundial?

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...