sábado, 8 de fevereiro de 2014

Cores do México

Achei muito interessante, quando circulei recentemente nas ruas da Cidade do México, ao observar o biótipo dos nativos. É uma gente muito parecida com o povo comum daqui do Recife ou de outras cidades brasileiras. De repente, comecei ver Seu Biu, Dona Zefinha, Seu Zezinho, Iracemas, Cremildas e outros mais. Muitos mestiços como no cenário brasileiro. Senti-me em casa.
Esta foi a minha primeira visita à Nação Asteca. Saí impressionado com a estrutura urbana, as longas e largas avenidas, os inúmeros parques e praças e os palácios governamentais e privados espalhados pela metrópole. É a cidade com o maior número de museus no mundo. Impressionante o ambiente cultural. Museu para tudo... inclusive um de Economia Interativo e o inusitado Museu do Terror.

A Cidade do México tem uma das maiores regiões metropolitanas do mundo. Reúne mais de 40 municípios e estima-se que tenha, hoje, ao redor de 22 milhões de habitantes, sendo comparada com Tóquio e Seul, na Ásia. Tem poluição ambiental, o trânsito é pesado e assusta o visitante. Supera em muito o caos das grandes cidades brasileiras. Os habitantes locais parecem estar conformados com a situação e não perdem o bom humor. O dia começa tarde e a vida vara a noite com ajuda dessa lentidão do trânsito.
Importante, contudo, é que a cidade é muito bonita e de especial colorido. Talvez para compensar o cenário gris das áreas além do perímetro urbano. Existem favelas, é verdade. Nos arredores da cidade, sem a agressão do que se observa no Rio de Janeiro, por exemplo. Mas não chegam a ser construções subnormais. Sem pintura confundem-se com o cinzento das montanhas. Para completar, a Sudeste da cidade, o Vulcão Popocatepetl, há algum tempo lança fumaça e cinzas e pontifica fazendo parte da paisagem semiárida, quase sempre cinzenta. A vegetação é, sobretudo, de cactáceas com a palma forrageira e a agave (verde, azul e mesclada) dominando os campos. Algumas praças no centro da cidade têm essas plantas como adorno. Vide foto. A palma – nopal para eles – serve de alimentação humana – uma delicia, por sinal – e, ao contrário do Brasil, o gado não come. E é da agave que eles tiram as famosíssimas Tequila e Mescal.   
Estive no México com minha família e foi - em tudo e por tudo - uma viagem muito auspiciosa, porque tivemos uma guia de primeiríssimo nível, a amiga de juventude, Susana González. Mexicana de nascimento e formada em História pela UNAM (Universidade Nacional do Mexico)  proporcionou-nos um verdadeiro “mergulho na cultura asteca”. Não poderia ter sido melhor.
Uma das primeiras informações dada por Susana foi lembrar que a Cidade foi construída na bacia do Lago Texcoco. Aterrado pelos colonizadores espanhóis, grande parte da cidade está montada sobre reservatório lacustre subterrâneo. Prova concreta disso é a Catedral Metropolitana, um dos ícones da cidade, sustentada por macacos hidráulicos que a mantém em permanente e monitorado equilíbrio. Lá dentro é possível admirar a engenhosidade dessa tecnologia. De rara beleza a grande Catedral, além de ser visita obrigatória, tem que ser preservada. Vide foto acima, a esquerda.
A propósito, noutro ponto da cidade vi, incrédulo, o antigo Santuário da Virgem de Guadalupe com acentuada inclinação decorrente de um afundamento do terreno. Outro santuário – com linhas arquitetônicas modernas – foi erigido ao lado, dessa vez com todos os cuidados da engenharia moderna. Vide a foto ao lado.
Essa estrutura lacustre, característica da Cidade do México, aparece de modo efetivo no subúrbio de Xochimilco (Significa: lugar fértil para cultivo de flores), ao Sul da cidade. Sobre o lago de mesmo nome, os mexicas (primitivos habitantes da Nação Asteca) deixaram um patrimônio ímpar. O local, além de grande beleza natural, é grande atração turística e foi o primeiro lugar que Susana Gonzalez nos levou. Num ensolarado dia, mas de temperatura baixa (aproximadamente 10ºC), nos deparamos com uma extensa área de canais separando ilhas artificiais denominadas de chinampas.
Chinampas são geo-espaços  formados por camadas de terreno que os indígenas tiravam do fundo do lago para compor um solo firme, agarrados às raízes de plantas aquáticas. Isso resultava em ilhotas de tal maneira resistentes e bem estruturada a ponto de permitir, sobre as quais, a construção de casas e jardins. Pedras e raízes profundas ancoram as chinampas no fundo lago. Um negócio formidável. Segundo Susana, quando os espanhóis colonizadores chegaram – destruindo tudo –, no século XVI, ficaram impressionados com aquelas construções. Na Europa eles, ainda, não sabiam o que era paisagismo, nem irrigação, muito menos chinampas. Eram exploradores subdesenvolvidos. E, veja só, os astecas já dominavam essas técnicas desde o século 13!
O que existe hoje, por lá, são chinampas seculares, nas quais se encontram viveiros de floriculturas, hortas e moradias. O local virou centro de atração para o visitante e é tombado pela UNESCO como patrimônio da humanidade. Centenas de traineiras (pequenas embarcações) fazem percursos turísticos pelos canais, animados por mariaches (músicos populares mexicanos), bares e restaurantes flutuantes. Uma animação constante. O som e as músicas dos mariaches são de arrepiar. Contratamos um Grupo para acompanhar nosso trajeto. Foi uma fiesta mexicana! Foto a seguir. Saímos deslumbrados.

Há muito mais para ser relatado sobre o México. Numa próxima postagem poderá vir mais.

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro
MUCHAS GRACIAS: Com minha família estamos gratíssimos pela acolhida da Professora SUSANA GONZÁLEZ  e sua filha Suzy Hierro, pelas atenções, manifestações de carinhos e, especialmente, por haver nos acompanhado, dia e noite, durante os dias da nossa visita à Cidade do México. Os agradecimentos são extensivos à família González Hierro.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

PANAMÁ

Segundo a rede de TV norte-americana CNN, o Panamá é um dos lugares recomendados para ser visitado em 2014. Ocupa o segundo lugar numa lista de onze. Em primeiro lugar, vejam só,  está o Brasil, isso devido ao Campeonato Mundial de Futebol. No caso do Panamá é por conta do centenário de abertura do Canal. Entre os demais lugares, se destacam: Mianmar, Equador (considerado como o futuro maior destino turístico da America do Sul), a Nova Zelândia, a Espanha e a Costa Rica.
Deixando essa lista de lado, nem sabia da existência dela, estou satisfeito por haver voltado ao Panamá, neste mês de janeiro, durante minhas férias. Foi minha terceira visita àquele belo país centro-americano. Teve um sabor de reminiscência, porque já vivi por lá quase que seis meses, no meu tempo de juventude, quando me qualificava profissionalmente para atuar na SUDENE. Fui como bolsista da USAID (Agencia Norte-Americana de Apoio ao Desenvolvimento). Tempos bons... Nos fins da década de 70 voltei por lá rapidamente numa viagem de turismo.
Além de rever o país, fiquei surpreso na recente visita. Há uma diferença gigantesca entre o Panamá dos anos 70 e o que se observa atualmente. O país mudou a imagem completamente. Tive até dificuldades de identificar lugares comuns naqueles ontem dos setenta. Após quarenta anos, o país é outro. A Cidade do Panamá, a capital, se transformou numa metrópole de padrão pouco comum no mundo moderno. Arquitetura arrojada, com perfis revolucionários, e de extrema vanguarda. Coisa somente vista na nova China ou nos Emirados Árabes. Aliás, com muita razão, andam chamando a Cidade de a “Dubai Ocidental”.


Mas, qual a razão dessa pujança toda? O segredo está na soberania assumida pelo país, a partir de 01 de janeiro de 2000, do canal interoceânico que liga o Atlântico ao Pacifico, antes sob o domínio dos Estados Unidos. Foi um século de lutas sem fim até que os panamenhos conquistassem o espaço territorial da Zona do Canal.
Trata-se de uma monumental obra de engenharia – maravilha do mundo moderno – que num percurso de apenas 82 quilômetros, situado na metade do país, encurta de maneira formidável distancias entre pontos importantes do mercado mundial. Ao invés, por exemplo, de contornar toda a América do Sul para levar uma carga de Nova York ao leste asiático ou à Costa Oeste americana, um navio cargueiro usa o atalho do canal do Panamá, economizando tempo e dinheiro.  Por ano, uma média de 14.000 navios cruza o canal. Isto representa uma renda certa para um pequeno país de pouco mais de 3 milhões de habitantes. Ouvi de um nativo que o ingresso diário de dólares é da ordem de US$ 2,5 milhões. Duvidei um pouco, mas, pode ser isso mesmo. Pelos meus cálculos podem passar por dia, aproximadamente, 40 navios, com “pedágios” consideráveis a depender do porte do barco. Lendo um informe distribuído na visita que fiz ao Canal (Eclusa de Miraflores) encontrei um dado interessante: a Junta Diretiva da Autoridade do canal do Panamá (ACP) aprovou o aporte de US$ 982,0 Milhões ao Tesouro Nacional decorrente do resultado financeiro de 2013. Pensando que os custos operacionais e de administração devem ser astronômicos... É uma quantia considerável. Em 14 anos de domínio sobre o Canal os panamenhos já injetaram no Tesouro do país quase US$ 10,0 Bilhões. Para um pequenino país é um expressivo montante. Sobretudo levando em consideração que a base econômica se esteia nas atividades de subsistência, artesanato, indústria de vestuário e prestação de serviços. E a mais importante riqueza mineral é o sal.
Vendo tudo isso, recordei das lutas que foram travadas durante o século passado entre panamenhos e norte-americanos. Presenciei um episódio. Os primeiros lutando pela soberania da Zona e do próprio Canal e os gringos “fincando o pé” usando a costumeira força militar para manter aquela “galinha dos ovos de ouro”. A Zona do Canal, com oito quilômetros de faixa a cada lado do canal era território americano. Panamenho não entrava. Meu treinamento foi ali, na Zona. Precisei de visto dos Estados Unidos para entrar. Esse território, vejam só, foi durante quase um século um enclave (protetorado) dos ianques.  O Comando Sul da Armada Norte-Americana era lá! Tudo em troca da independência do país – antes pertencente à Colômbia – e da construção e exploração do Canal. Claro que os americanos, como sempre, não “pregaram prego em estopa”! O interesse comercial esteve sempre à frente. Além do militar. Na Segunda Guerra o Panamá e seu canal foram pontos de interesse estratégico. Não fosse a pressão popular dos nativos, muito sangue derramado, muitas mortes e as inúmeras negociações políticas, a situação ainda seria a mesma. Foi no Governo de Jimmy Carter (1977) que os americanos cederam forçosamente e celebraram um acordo. O Panamá conquistou a soberania definitiva sobre a região e o Canal em 31 de dezembro de 1999. É uma história longa e palpitante. O espaço do Blog não caberia de uma só vez.  
Os panamenhos, antes um povo paupérrimo e dominados pelos yankees, tinham toda razão em lutar até a morte por um país independente e livre. O pequeno Panamá de hoje goza de um prestigio internacional invejável, cresce a taxas chinesas e o padrão de vida supera todas as marcas da região. Fiquei surpreso e encantado com o que vi. Dá vontade de voltar.

Encontrei uma estrutura urbana excepcional, hotéis de primeiríssima categoria, povo educado, alegre e receptivo ao visitante e uma cidade limpíssima. Fora isto se destacam as manifestações culturais valorizadas – através da dança, música, artesanato e gastronomia marcantes –, o patrimônio histórico preservado de modo irrepreensível, custo de vida razoavelmente bom , come-se muito bem e, para completar, clima e paisagem que agradam a todo e qualquer visitante.
   

Visite Panamá. Você vai gostar. É um lugar que dá vontade de voltar.
 
NOTA: As fotos que ilustram o post são da autoria do Blogueiro.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Espelho Retrovisor

O ano acabou. Não sei se você, caro leitor ou leitora, teve a mesma sensação que eu tive, de que passou muito rápido. Quando menos se esperou, terminou. O pior é que todos acham que 2014 será mais rápido ainda. O carnaval vai ser em Março, depois vem a Copa do Mundo e em seguida o país só vai pensar nas eleições. Fora Páscoa, Festejos Juninos e outros eventos menores. Dois meses de folia, um de futebol e mais outro, pelo menos, de disputa eleitoral. Ou seja, a rigor, vamos ter um ano de oito meses. Paciência.
Mas, neste apagar de luzes de 2013, resolvi olhar um pouco pelo meu espelho retrovisor e enxergo algumas coisas que marcaram nossas vidas e o mundo: logo no inicio tivemos a tragédia de Santa Maria (RS), na qual mais de duzentos jovens perderam a vida no incêndio da boate Kiss. Até hoje o Brasil chora essas perdas. Aquilo foi desolador. Imagino o sofrimento dessas famílias.
Um segundo fato que chamou a atenção do mundo inteiro foi a renúncia de Bento 16 ao Pontificado de pouco menos de oito anos. Eu estava em Nova York, naquela ocasião, e pude avaliar a imensa repercussão no mundo inteiro. Quem já viu um Papa renunciar? Ato contínuo, a ascensão do substituto, o carismático Papa Francisco. Se a retirada de Bento foi surpreendente a chegada de Francisco resultou noutra imensa surpresa por se tratar, inclusive, de um latino-americano.  Desde o primeiro momento o novo Papa se revelou como uma grande novidade em se tratando do que se chama, corriqueiramente, de Santo Padre. Simples em atitudes, chegado ao povo e, sobretudo, muito humano. No mês de julho, quando veio ao Brasil, para o Encontro Mundial da Juventude, ele se espalhou e mostrou o lado humano da figura de Pontífice – coisa nunca vista – e uma Igreja Católica renovada e politicamente bem direcionada. Acho que muitas outras surpresas estão por vir, desse fantástico Francisco.
Quando junho chegou ocorreu, certamente, o fato político mais importante do ano, no Brasil: o povo, sem qualquer vinculação político-partidária, foi às ruas para protestar e reivindicar melhorias na qualidade de vida, na economia e na vida política nacional. Foi a Nação que se levantou, mostrou a cara e abalou Brasília. A ordem social esteve por vezes ameaçada, sobretudo quando vândalos se infiltraram e desvirtuaram as manifestações. O mais importante é que o recado foi dado e burro será o político (são muitos, aliás) que esquecer os episódios de junho e julho passados. Tudo isso simultâneo à realização da Copa das Confederações, o que causou maior rebuliço. Estão prometendo mais para a época da Copa Mundial. É ruim? Vamos ver no que dá.
Mas, ruim mesmo é constatar que 2013 não foi um ano bom para a Economia Brasileira. As coisas não andaram bem. O país encalhou e não reage aos “estímulos” que o Governo Federal diz haver dado e considerados errados na maioria dos analistas especializados. O crescimento pífio de 2012, vai se repetir neste ano que termina e o país segura a lanterna na lista dos avaliados. Os índices econômicos parecem querer ser compatíveis com os sociais, que não conseguem nunca melhorar. Aquela imagem que a respeitada revista econômica britânica The Economist desenhou numa das suas capas, em 2009, com um simbólico Cristo Redentor decolando, foi repetida em 2013 com um Cristo numa patética pirueta sem destino rumo ao fundo da Baia da Guanabara. É dose... O Real se desvaloriza a taxas preocupantes e a inflação se mostra disposta a recrudescer. Resultado mis prático a exemplificar é lembrar que o cupom fiscal, que a dona de casa leva do supermercado, após comprar cada feira semanal, está cada vez maior. É aí onde a dor dói mais. No bolso. Acho que este tema será o principal mote da campanha eleitoral do ano entrante, seja oposição ou situação. Esta ultima tentando “tapar o sol com uma peneira”.
Agora, se tem um fato que brilha intensamente no meu espelho retrovisor, este é o das prisões dos corruptos mensaleiros. Os brasileiros acompanharam e ainda acompanham  atentamente o processo que sucedeu à decisão do Supremo Tribunal Federal – STF e aplaudiu sem cessar as prisões que foram ou vem sendo executadas.  Estava em tempo de acontecer algo deste gênero neste país tão espoliado cinicamente por políticos e mandatários irresponsáveis. O povo brasileiro precisa disso para reacender as esperanças de viver num país sério.
E Mandela se foi para seu repouso eterno, neste Dezembro de 2013. Bravo herói sul-africano e mestre da conciliação e da democracia moderna. Descansa em paz Madiba.
Do meu posto de observador vejo ainda uma infinidade de outros fatos que chamam a atenção, mas, já não comportam no exíguo espaço do Blog.
Feliz 2014!

 
 
NOTA: O Blogueiro vai entrar de férias e retorna somente em meados de Janeiro

sábado, 21 de dezembro de 2013

Votos de Boas Festas


Amigas e Amigos,

Eis que chegou, outra vez, o Natal. Sinto especial prazer em dizer “outra vez” porque é assim que celebro o fato de viver, de tê-los no meu circulo de amizades e leitores do Blog. Juntos festejemos, pois, a vida neste momento especial. A presença de Cristo Menino nos inspira e nos desperta com mensagens de Amor e Fraternidade, tão necessárias para os homens e mulheres destes tempos.
Por feliz coincidência é, também, fim de ano, momento que sempre sugere uma parada estratégica no corre-corre de cada dia e que nos induz a reflexões e balanço dos feitos e desfeitos que cometemos no ano que se vai.
Por tudo isto me apresso para desejar que as luzes do Natal estejam sempre presente no ano que chega e as esperanças que alimentamos e os projetos que desenhamos se transformem em felizes realidades. Por essa via festejaremos a vida e a enxergaremos como um presente de Deus.     
Como blogueiro, além de festejar a vida, a família, os amigos e meus leitores, tenho também a comemorar os seis anos do Blog do GB. Foi no ambiente natalino de 2007 que decidi criar este espaço de comunicação semanal. Comecei praticamente como uma diversão a mais e dirigido para um grupo bem restrito de amigos e amigas mais intimas. Para minha surpresa, contudo, aquilo que era simples diversão cresceu e se desenvolveu, atravessou fronteiras e se espalhou pelo mundo, sendo hoje seguido por centenas de pessoas que nem posso imaginar quem seja e por onde vive. Ainda me surpreendo muito, examinando as estatísticas que recebo, revelando que o Blog é lido diariamente por russos, chineses e norte-americanos. É bem lido, ainda, na Malásia (21 pessoas esta semana), Lituânia (39 este mês), Vietnã (12 este mês) e Ucrânia (20 este mês). Graças, é bom frisar, ao Tradutor do Google, incorporado ao Blog (Vide Coluna a direita). Tornou-se, portanto, uma coisa mais séria do que o projetado e, além de exigir maior responsabilidade, vem provando que a moderna ferramenta da comunicação cibernética veio para ficar e revolucionar o mundo. Lembro-me, nesta hora, da tese da Aldeia Global do filósofo canadense Herbert Marshall McLuhan ¹ (Clique sobre o nome em azul e conheça mais)
Em clima de tantas comemorações desejo a todos que me acompanharam no ano que termina – particularmente aqueles que interagiram com comentários sobre as matérias publicadas – um Feliz Natal e que 2014 venha cheio de luzes e de grandes feitos. Prometo continuar com esta convivência semanal abordando os temas dos mais diversos e pensando naqueles que me dão o prazer de acompanhar cada postagem.

Gratíssimo pelo que me proporcionaram em 2013

Girley Brazileiro

¹ Aldeia Global é um termo criado por Herbert Marshall McLuhan, com o intuito de indicar que as novas tecnologias eletrônicas tendem a encurtar distâncias e o progresso tecnológico tende a reduzir todo o planeta à mesma situação que ocorre em uma aldeia: um mundo em que todos estariam, de certa forma, interligados.

 

sábado, 14 de dezembro de 2013

Madiba

A semana que termina foi marcada pelas homenagens e cerimônias fúnebres de Nelson Mandela. O mundo inteiro postou-se diante da TV para acompanhar os acontecimentos na África do Sul. Além da noticia em si e das imagens geradas desde Johanesburgo, não há dúvidas de que os sul-africanos transformaram a morte do líder negro num espetáculo midiático sem precedentes. O funeral de João Paulo II foi grandioso é verdade, mas, o que vimos em Soweto foi algo diferente e num estilo inusitado. Aquele povo dançando e cantando nas ruas e no estádio Soccer City surpreendeu a muitos nos quatro cantos da Terra. Na prática, o que se viu foi um grande festejo. Foi assim que interpretei. Eles não festejavam a morte do herói contra o apartheid, mas sim, a vida que ele teve e dedicou ao seu povo. Tenho para mim que só sendo africano para proceder e entender desse modo.
Conheço a África do Sul. Estive lá por duas vezes. Na primeira o Mandela era Presidente e o avistei, a distancia, numa manhã de sábado quando circulando na Cidade do Cabo. Isto foi na segunda metade da década de noventa. Há dois anos estive outra vez por lá e Madiba – como era chamado pelo seu povo – estava seriamente enfermo e pairava no ar certa expectativa de óbito. Conversei com um motorista, guia de turismo local, que não escondeu sua admiração pelo herói moribundo. Era um cidadão negro, claro. Havia na sua voz um quê de emoção quando me deu uma ideia de como seriam as exéquias daquele homem que definhava e se despedia do mundo. Isso só veio ocorrer agora. Com mais de noventa anos, vividos na grande parte em momentos de agruras, Mandela desenhou uma imagem de homem diferenciado que o projetou no mundo inteiro como um batalhador e combatente de um regime perverso e desumano que aniquilava uma nação inteira. 80% dos sul-africanos são pessoas da raça negra. No topo da pirâmide social dos tempos de repressão, os brancos eram, então, minoria absoluta. Adotando a força militar e dominando a economia do país os africâneres – gente ali nascida, filhos de colonizadores europeus e pele branca – impuseram, desde cedo, um regime esmagador contra as etnias pré-existentes, entre as quais os Khoisan, Xhosa e Zulu.
O país foi descoberto por Bartolomeu Dias, navegador português, que em 1488 teve sua missão, à Índia, abortada quando esbarrou na Ilha de Robben, situada defronte da Cidade do Cabo. Foi nessa Ilha que Mandela viveu como prisioneiro durante longos anos. A Ilha se tornou ponto de apoio para abastecimento dos exploradores portugueses, ingleses, e holandeses. Os dois últimos, apesar de muitas disputas, falo de guerras, não arredaram os pés de lá nunca mais. Estão até hoje e mandam nos destinos econômicos do país, posando de “donos da bola”. Por trás de tudo, é obvio, o interesse pela exploração econômica como ponto de abastecimento, inicialmente, seguido de exploração agrícola-mercantil e, a partir da segunda metade do século 19, das riquezas minerais descobertas no subsolo do país. A abundância de ouro e diamantes encontrados atiçou de vez a ganância dos europeus.
Havia, na prática, uma estratégia bem montada para afastar os nativos das atividades, sendo mobilizados, apenas, como escravos. O regime segregador foi aprofundado no final da primeira metade do século passado, quando, em 1948, o regime do apartheid foi oficialmente instituído. Foi nesse cenário que surgiu a figura do herói Mandela. Já formado em Direito e à frente do primeiro escritório de advogado negro do país, logo cedo descobriu que a justiça era sistematicamente favorável aos brancos. Entrou na política se inscrevendo na ala jovem do partido do Congresso Nacional Africano – CNA. Nele se projetou e liderou campanhas e movimentos contra o regime. Considerado terrorista, foi julgado de forma espúria e levado para prisão perpétua, naquela ilha Robben, onde Bartolomeu Dias aportou. Sua condição como prisioneiro foi das mais cruéis a ponto de ser proibido de assistir o funeral de um filho morto em acidente de carro e o da sua própria mãe. As insustentáveis pressões domésticas e internacionais, entretanto, levaram a que o Governo decidisse libertar Mandela em 1992, depois de 27 anos de cativeiro. Em liberdade, voltou à vida publica e se elegeu como primeiro presidente negro do país em 1994. Sua ambição, contudo, não era ser mandatário político, mas sim, um pacificador. Assim atuou estabelecendo a paz entre brancos e negros e instalando um regime democrático no seu país. Foi, com muita justiça, Premio Nobel da Paz em 1993. Muito antes de morrer já tinha uma praça com seu nome e uma estátua gigante. (vide foto abaixo do blogueiro diante da estátua)
A África do Sul atual é um país em desenvolvimento social e econômico. Impressiona qualquer  visitante. Notei diferenças significativas entre o que vi nas duas visitas que fiz. Mandela partiu para eternidade, mas, sua imagem e sua obra entraram para a história universal, como pai da Moderna Nação Sul-Africana.
Nos últimos dias, tenho lembrado muito do meu guia/motorista na última visita a Joanesburgo e da parada que fizemos diante da casa do líder. (Vide foto a seguir dele com minha esposa e meu filho)
 

sábado, 30 de novembro de 2013

Breque Fradei

“Rapaz, o que foi que aconteceu aí dentro?” perguntei assustado ao vigilante na entrada do estacionamento de um Supermercado, aqui no Recife. A resposta:“E num é o breque fradei, Dotô. Tá todo mundo correno para comprar. Eu sube que tá tudo pela metade dos preço.” Fiquei pasmo diante do quadro. Essa loja é grande, do tipo hipercenter. O movimento era impressionante. Diferente de qualquer outra ocasião. Costumo ir a uma agencia bancária dentro da área desse supermercado, mas, nunca havia visto aquela invasão de clientes. A princípio, pensei que houvera um assalto ou qualquer outro tipo de movimento que não o normal de uma loja daquelas.  
Fui ao Banco, depois de sofrer para encontrar um estacionamento para meu carro. Dentro e fora do Banco não me saiu da cabeça a tal expressão do “breque fradei” daquele vigilante da entrada. Vigilante nordestino, homem comum, que mal sabe se expressar em seu idioma nativo, tendo que explicar um acontecimento, em inglês! Como diz a canção popular “o que dá prá rir, dá prá chorar”, pensei com meus botões. Lá dentro um povo ensandecido a pegar e largar mercadorias, procurando entrar numa das imensas filas dos caixas, meninos chorando, idosos procurando seus direitos e no cenário geral milhares de balões de ar, caindo do teto, na cor preta! Parecia uma cena de filme que retrata um fim de mundo. Sai de mansinho, com pena dos penitentes clientes.
Vejam vocês... os americanos inventam de tudo para atrair o  consumidor. Criaram esse expediente do Black Friday, acho eu, para limpar as prateleiras de seus estabelecimentos comerciais e reabastecê-los para as vendas do Natal. Conversando com um conhecido meu, norte-americano, a respeito disso perguntei:“Prá que isso, Cara?” Para instigar, fiz ver que nos Estados Unidos essa estratégia poderia ser perfeitamente dispensada já que num “Império do Consumo” – como costumo classificar aquele de lá – geralmente não sobra nada, em qualquer época do ano. Ele me respondeu com uma longa teoria de marketing, garantindo no final que o lema é: quanto mais se vender, melhor. Ele acredita, veja só, que se houvesse uma Black Friday a cada mês, a loucura das vendas se repetiria igualmente a que ocorre de ano em ano.  Acrescentou sua explicação me dizendo que o esquema dessa sexta-feira anual atrai, além dos nativos, compradores de vários lugares do mundo, inclusive e principalmente os latino-americanos que vivem próximo e facilmente se deslocam para cidades como Nova York ou Miami, onde gastam suas economias. Esperam o ano inteiro por essa oportunidade.
O que mais me impressiona, contudo, é o fato de que no Brasil se imite os Estados Unidos de forma ridícula, inclusive, ao adotar o termo em inglês. Francamente... Entendo que num mundo globalizado possa naturalmente ocorrer a prevalência de um determinado idioma para que as comunicações e negócios se processem a contento. Mas, como se explicar uma denominação em inglês para uma campanha para incrementar vendas dentro do mercado nacional? A mesma coisa se pergunta para esses programas de TV, importados é verdade, como Voici Brazil e Big Brother Brazil, entre outros. Tenha dó.
Tem um detalhe pior, a registrar: a farta propaganda de vendas abaixo do preço e descontos arrebatadores, no caso brasileiro, não têm passado de propagandas enganosas, tanto nas lojas físicas, quanto nas virtuais. O que mais ocorreu no dia de ontem foi que o Black Friday, no Brasil, virou uma tremenda fraude. Maquiaram os preços de maneira acintosa. Brasileiro é fogo... Não entendi aquele alvoroço no Supermercado. Será que aquela gente não percebeu o embuste? Ou foi um impulso do consumo coletivo, turbinado pelo pagamento do 13º? Ao verificarem as fraudes, internautas criaram, de logo, uma expressão que “bombou” nas redes sociais: “Tudo pela metade do dobro”. Nem precisa explicar. Vide Charge acima.
No fim do dia os lojistas declararam que o movimento foi abaixo das expectativas e que carrinhos carregados foram abandonados. A operação foi tão decepcionante que muitos lojistas prolongaram suas campanhas pelo sábado e o domingo. Ou seja, um Black Weekend. Jeitinho brasileiro acionado.

NOTA: Charge encontrada no Google Imagens

sábado, 23 de novembro de 2013

Justiça sendo Feita

Finalmente a justiça começa a ser feita. Os mensaleiros estão indo para o xilindró. E é xilindró de verdade. Desconforto, água fria, banheiro coletivo e outras cositas mais. Já era tempo! O STF tinha que ser respeitado. Lembro-me do dia em que eles “livraram as caras”, com o episódio dos embargos infringentes. Coisa mais esdrúxula! Naquele dia, quase desisti de acreditar na Justiça brasileira. Aliás, foi preciso conversar muito, com quem entende do assunto, para engolir aquilo. Para mim não passou de uma grande enrolada. 
O que importa agora é que, afinal, começam a ser presos! Salve Joaquim Barbosa! Com todo respeito, isso é que é um Bicho bom! Regime aberto, semiaberto, fechado ou trancafiado, não importa. O que vale mesmo é saber que estão sendo punidos.  Não adiantou choro, lágrimas, ranger de dentes, militância organizada em torcida, nem velas pros santos. Cadeia e priu.
Nesse cenário, não tem coisa mais indecente do que ver esses condenados posando de vitima e se fazendo de desvalido. Pior, ainda, é se considerar preso político. Faz-me rir. Quisera saber a opinião de D. Dilma sobre isto. Ela que tem experiência disso.
Agora, boa mesmo foi a denúncia do jornalista Cláudio Humberto, na 5ª. Feira passada (Vide Jornal do Comércio): cascavilhando (*) os Estatutos do PT, encontrou que no Artigo 231 é prevista a expulsão das fileiras partidárias todo membro que venha a ser condenado “por crime infamante ou por práticas administrativas ilícitas, com sentença transitada em julgado” (Parágrafo XII). Ora, ora, isto cai como uma luva nos membros que estão condenados e cumprindo penas. Dirceu e Genuíno preenchem essas “qualidades”. Não é fato?
Saiba, porém, que a executiva do partido não cumpre o que é previsto por não concordar com a Decisão do Supremo. Aí, eu pergunto: e é assim? Desde quando uma decisão – transitada em julgado – de um Tribunal Superior - como é no caso - pode não ser reconhecida? Em que país esses petistas vivem?
Cheio de curiosidade, apressei-me e fui atrás do tal Estatuto e eis que encontrei , no mesmo Artigo 231, duas outras pérolas: Dar-se-á a expulsão do Partido quando constatado: “Parágrafo VI – improbidade no exercício de mandato parlamentar ou executivo, bem como no de órgão partidário ou função administrativa” e “Parágrafo VII – incidência reiterada de conduta pessoal indecorosa”.  Será que vão saber usar essas pérolas? Falando francamente, acho que eles foram até inteligentes e corretos na formulação dos Estatutos. Mas, na aplicação, “pisam na bola”. Engraçado é que, imagino eu, Dirceu e Genoíno foram importantes redatores desse estatuto, desde que são ex-presidentes do partido.  Taí  um típico caso do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
Enquanto isto, a mídia nacional não para de falar nas roubalheiras que ocorreram na Prefeitura de São Paulo durante governos do PSDB ... Será que esse povo não aprende a lidar com o dinheiro publico?  Êita, Brasil velho... reino de corrupção. Até quando?
NOTA: Nada de fotos ilustrativas, hoje. Não valeria à pena. Só se fosse uma de Joaquim Barbosa. Mas, ele aparece a toda hora, nos veículos de circulação nacionais e internacionais.

(*) Cascavilhando significa:  investigando, pesquisando,  catando, procurando ... Isto em bom pernambucanês.

  

A História se Repete

Há histórias que atravessam os séculos sem perder a capacidade de nos fazer pensar. Ali Babá e os Quarenta Ladrões é uma delas. Lembro-me co...