sábado, 8 de fevereiro de 2014

Cores do México

Achei muito interessante, quando circulei recentemente nas ruas da Cidade do México, ao observar o biótipo dos nativos. É uma gente muito parecida com o povo comum daqui do Recife ou de outras cidades brasileiras. De repente, comecei ver Seu Biu, Dona Zefinha, Seu Zezinho, Iracemas, Cremildas e outros mais. Muitos mestiços como no cenário brasileiro. Senti-me em casa.
Esta foi a minha primeira visita à Nação Asteca. Saí impressionado com a estrutura urbana, as longas e largas avenidas, os inúmeros parques e praças e os palácios governamentais e privados espalhados pela metrópole. É a cidade com o maior número de museus no mundo. Impressionante o ambiente cultural. Museu para tudo... inclusive um de Economia Interativo e o inusitado Museu do Terror.

A Cidade do México tem uma das maiores regiões metropolitanas do mundo. Reúne mais de 40 municípios e estima-se que tenha, hoje, ao redor de 22 milhões de habitantes, sendo comparada com Tóquio e Seul, na Ásia. Tem poluição ambiental, o trânsito é pesado e assusta o visitante. Supera em muito o caos das grandes cidades brasileiras. Os habitantes locais parecem estar conformados com a situação e não perdem o bom humor. O dia começa tarde e a vida vara a noite com ajuda dessa lentidão do trânsito.
Importante, contudo, é que a cidade é muito bonita e de especial colorido. Talvez para compensar o cenário gris das áreas além do perímetro urbano. Existem favelas, é verdade. Nos arredores da cidade, sem a agressão do que se observa no Rio de Janeiro, por exemplo. Mas não chegam a ser construções subnormais. Sem pintura confundem-se com o cinzento das montanhas. Para completar, a Sudeste da cidade, o Vulcão Popocatepetl, há algum tempo lança fumaça e cinzas e pontifica fazendo parte da paisagem semiárida, quase sempre cinzenta. A vegetação é, sobretudo, de cactáceas com a palma forrageira e a agave (verde, azul e mesclada) dominando os campos. Algumas praças no centro da cidade têm essas plantas como adorno. Vide foto. A palma – nopal para eles – serve de alimentação humana – uma delicia, por sinal – e, ao contrário do Brasil, o gado não come. E é da agave que eles tiram as famosíssimas Tequila e Mescal.   
Estive no México com minha família e foi - em tudo e por tudo - uma viagem muito auspiciosa, porque tivemos uma guia de primeiríssimo nível, a amiga de juventude, Susana González. Mexicana de nascimento e formada em História pela UNAM (Universidade Nacional do Mexico)  proporcionou-nos um verdadeiro “mergulho na cultura asteca”. Não poderia ter sido melhor.
Uma das primeiras informações dada por Susana foi lembrar que a Cidade foi construída na bacia do Lago Texcoco. Aterrado pelos colonizadores espanhóis, grande parte da cidade está montada sobre reservatório lacustre subterrâneo. Prova concreta disso é a Catedral Metropolitana, um dos ícones da cidade, sustentada por macacos hidráulicos que a mantém em permanente e monitorado equilíbrio. Lá dentro é possível admirar a engenhosidade dessa tecnologia. De rara beleza a grande Catedral, além de ser visita obrigatória, tem que ser preservada. Vide foto acima, a esquerda.
A propósito, noutro ponto da cidade vi, incrédulo, o antigo Santuário da Virgem de Guadalupe com acentuada inclinação decorrente de um afundamento do terreno. Outro santuário – com linhas arquitetônicas modernas – foi erigido ao lado, dessa vez com todos os cuidados da engenharia moderna. Vide a foto ao lado.
Essa estrutura lacustre, característica da Cidade do México, aparece de modo efetivo no subúrbio de Xochimilco (Significa: lugar fértil para cultivo de flores), ao Sul da cidade. Sobre o lago de mesmo nome, os mexicas (primitivos habitantes da Nação Asteca) deixaram um patrimônio ímpar. O local, além de grande beleza natural, é grande atração turística e foi o primeiro lugar que Susana Gonzalez nos levou. Num ensolarado dia, mas de temperatura baixa (aproximadamente 10ºC), nos deparamos com uma extensa área de canais separando ilhas artificiais denominadas de chinampas.
Chinampas são geo-espaços  formados por camadas de terreno que os indígenas tiravam do fundo do lago para compor um solo firme, agarrados às raízes de plantas aquáticas. Isso resultava em ilhotas de tal maneira resistentes e bem estruturada a ponto de permitir, sobre as quais, a construção de casas e jardins. Pedras e raízes profundas ancoram as chinampas no fundo lago. Um negócio formidável. Segundo Susana, quando os espanhóis colonizadores chegaram – destruindo tudo –, no século XVI, ficaram impressionados com aquelas construções. Na Europa eles, ainda, não sabiam o que era paisagismo, nem irrigação, muito menos chinampas. Eram exploradores subdesenvolvidos. E, veja só, os astecas já dominavam essas técnicas desde o século 13!
O que existe hoje, por lá, são chinampas seculares, nas quais se encontram viveiros de floriculturas, hortas e moradias. O local virou centro de atração para o visitante e é tombado pela UNESCO como patrimônio da humanidade. Centenas de traineiras (pequenas embarcações) fazem percursos turísticos pelos canais, animados por mariaches (músicos populares mexicanos), bares e restaurantes flutuantes. Uma animação constante. O som e as músicas dos mariaches são de arrepiar. Contratamos um Grupo para acompanhar nosso trajeto. Foi uma fiesta mexicana! Foto a seguir. Saímos deslumbrados.

Há muito mais para ser relatado sobre o México. Numa próxima postagem poderá vir mais.

NOTA: Fotos da autoria do Blogueiro
MUCHAS GRACIAS: Com minha família estamos gratíssimos pela acolhida da Professora SUSANA GONZÁLEZ  e sua filha Suzy Hierro, pelas atenções, manifestações de carinhos e, especialmente, por haver nos acompanhado, dia e noite, durante os dias da nossa visita à Cidade do México. Os agradecimentos são extensivos à família González Hierro.

10 comentários:

Graça Oliveira disse...

Girley,

Suas crônicas de viagem são realmente saborosas. Li a crônica sobre o Panamá e agora esta, da Cidade do México. Além das preciosas informações que você nos dá, o texto é bem escrito, dá vontade de ler e reler. Parabéns e agradecida,

Graça Oliveira

Girley Brazileiro disse...

Graça,
Fico satisfeito com suas visitas ao Blog e lisonjeado com os elogios da mestra que você é.
Girley

Danyelle Monteiro disse...

Que maravilha professor Girley, me pareceu uma das suas melhores viagens, das mais divertidas. Adorei, parabéns,
Danyelle MOnteiro

Liliana Falangola disse...

GIRLEY
Não naveguei hoje,No catamarã Veneza,por causa do mau tempo nbo Recife, mas viajei pelas cores do México lendo o seu blog. Foi ótimo!
Uma feliz semana e até sempre!
Liliana Fanlângola

Girley Brazileiro disse...

Pois é Danyella. Pode ter sido uma das mais divertidas, mesmo. Até porque os mexicanos são festeiros o tempo todo. Obrigado pela sua visita ao Blog. Volte sempre.
GB

Elda disse...

Adoro ler você ! Meus famosos olhos azuis se encanta com sua explanação. Sua escrita é deliciosa de saborear. Com detalhes e charme, relata com requinte todas as suas viagens. Parabéns amigo ! Beijos mil Elda

Suzana Gonzaléz (Mexico) disse...

Girley,
Primero que nada, agradecer tus elogios, pero soy yo la agradecida por su visita. La disfruté muchisimo, tambien mi familia y en especial Susy. Nos encantaria volver a tenerlos por aqui, hay mucho que visitar todavía,

En cuanto a tu relato, extraordinario, como siempre se disfruta muchisimo, pero esta vez en que te refieres a México pues lo adoré muchisimo. Las fotos muy representativas y tanto la de la familia en Xochimilco como la de Susy y mia, me las tienes que mandar.

Dale besos a todos en especial a Sonia y espero seguir en comunicación y que me mandes fotos

Para ti un abrazo con mucho cariño
Susana Gonzalez

Ina Melo disse...

Amigo Girley,
Andei um pouco fora do computador e só agora li com o gosto de sempre a tua reportagem sobre o México. Na década de setenta eu fui representar o Brasil num Congresso e, como sou "sortuda" fiquei hospedada na Embaixada do Brasil, sendo muito bem recebida pela Vera do Amaral Sauer, Passei, em vez de cinco dias, mais de quinze e me surpreendi com a bela cidade mexicana. Naquela época era comparada a São Paulo.
Hoje, lendo o que escrevestes, bateu uma saudade danada. Lembrei do Zócallo, do lago onde passeei naqueles barquinhos coloridos, as pirâmides, a via rósea e tantas outras coisas bonitas com que meu olhos se maravilharam. Obrigada querido amigo, por me levar de volta a um passado remoto e muito feliz. Bom domingo. Ina Melo

maria helena disse...

E lá vai mais uma pessoa agradecida pela oportunidade de viagem ou recordação que você generosamente nos oferece! Quando fui ao México, ainda no final do século passado(1997) me prometi voltar lá, pela simpatia do povo, e sobretudo por uma alegria ímpar do povo e que a cidade reflete! Adorei o museu antropológico,mas na época me chamou a atenção porque as legendas das obras só estavam escritas em espanhol, e um suíço que estava ao nosso lado se ressentiu. Ao perguntar ao guia, ele nos explicou que era pra deixar claro a independência que eles tinham dos Estados Unidos. Tenho certeza de que não deve estar mais assim, e achei bonito este patriotismo deles! Museu de Frida- inesquecível Chochimilco, e fomos até Acapulco!Coisa do meu tempo!AMEI!!! Girley, não se canse de tantos agradecimentos, mais tenho que fazê-los porque as suas fotos estão maravilhosas!!! Abraço, Maria Helena

Girley Brazileiro disse...

Maria Helena,
Fico sempre contente quando alguém se me agradece uma postagem. Sinto que há sinceridade. O México é uma festa aos nossos olhos e somente agora estive por lá!
Essa coisa de não explicar em inglês o que é exposto é coisa do passado. Agora tudo está descrito no idioma yankee.
Ah! Estivemos no Museu de Frida e a casa de Diego Rivera.
Mas, não tenho espaço no Blog para tantos comentários. Aliás, tenho não devo abusar ada boa vontade do leitor. Não deixe de ler a nova postagem com o título de Nação Asteca.
Postagem: Nação Asteca
Clique no Link: http://gbrazileiro.blogspot.com/2014/02/nacao-asteca.html

Obrigado pela visita ao Blog
GB