Toda vez que se fala em Mercosul, recordo da
época em que participei do processo de implantação desse acordo Internacional,
representando na ocasião a Sudene, como Coordenador da Cooperação
Internacional. Foi uma época de muito entusiasmo e muito trabalho. Respirava-me
na América Latina os ares de alivio político, após longos anos de ditadura militar.
Brasil e Argentina, as maiores economias da Região, buscavam capitalizar o
momento e rapidamente construir caminhos que trouxessem, além da estabilidade
econômica e integrada na Região, a competitividade no mercado globalizado e,
como base maior, a consolidação da tão desejada democracia, no Cone Sul.
A montagem do Mercado
Comum do Sul, começou a ser desenhado a
partir do ano de 1985 – por iniciativas conjuntas dos presidentes José Sarney, do Brasil, e Raúl Alfonsin, da
Argentina – e constituído de fato em 26/03/1991,
conforme o Tratado de Assunção, incluindo na ocasião o Paraguai e o Uruguai que,
estrategicamente, se apressaram em aderir ao Grupo. Estabeleceu-se, assim, um
mercado comum entre os quatro signatários. No bojo do Tratado firmado em
Assunção previa-se uma aliança comercial para dinamizar a economia dos quatro
países com a troca de mercadorias, recursos humanos e capitais. Inicialmente foi estabelecida uma zona
de livre comércio, entre as quatro nações, derrubando, de imediato,
os tributos nas trocas comerciais e a não restrição às importações um do outro.
Noutro momento, num avanço notável, a partir de 1º de Janeiro de 1995,
passou a vigorar uma tarifa externa comum (TEC) para os quatro países, nas
operações de comercio exterior com o restante do mundo. Para a época e com tão
pouco tempo de existência, esse passo representou um avanço surpreendente.
Tudo parecia
acontecer com sucesso e boas perspectivas até que governos retrógrados e
populistas – casos do Brasil e Argentina – tomaram posses dando uma marcha à ré
no processo que tinha tudo para vingar. Navegando contra a correnteza do
mercado mundial, regras estabelecidas foram abandonadas e o Mercosul de hoje
naufraga de modo lastimável.
O Brasil petista,
coitado, amarga tremendos prejuízos – balança comercial em baixa, PIBinho
desanimador, desindustrialização e perda de mercados importantes que agora dão
preferência aos produtos chineses, norte-americanos, europeus e os maquilados
no México – por se deixar ficar refém de um Tratado desrespeitado e sem
credibilidade, em face dos retrógrados referenciais políticos – populistas e
protecionistas – reinantes na Região. O caos econômico do seu principal
parceiro, a Argentina, a suspensão temporária do Paraguai e a inclusão da falida
Venezuela de Hugo Chávez, que não tem (ou não tinha) ideia do que seja bloco de
mercado e acordo comercial, explica essa deplorável situação do Brasil, que a
meu ver tinha tudo para liderar o mercado focado. É revoltante ver a Argentina de
hoje – nas mãos de Tina K – fazendo vista grossa às regras de livre comercio
previstas, impondo barreiras e restrições a inúmeros produtos brasileiros
consagrados pela preferência do consumidor argentino.
Enquanto isto,
países de menor envergadura econômica, inclusive alguns vizinhos
sul-americanos, deslancharam em grupos ou parcerias com acordos comerciais que
só vêm trazendo lucros e sucesso dentro da moderna ordem econômica globalizada.
É o caso do recente surgimento da Aliança do Pacifico, reunindo Chile, Peru (até
tu Humala! quem diria?), Colômbia e México. É a mais nova Aliança regional, que
já derrubou as barreiras alfandegárias entre seus integrantes e estabeleceu
foco num imenso mercado consumidor de aproximadamente 210 Milhões de almas e um
PIB em torno de US$ 2 Trilhões. Cá pra nós, isto não é pouca coisa...
Esse quadro acima
descrito tira o Brasil do jogo moderno e dinâmico de mercado e o condena a um
isolamento comercial indesejado, quando a corrente inteligente – usada
inclusive pela China – determina uma ordem de negócios exatamente ao inverso.
A República Petista do Brasil perdeu o trem da história ao permitir o engessamento do Mercosul. Isto não pode
continuar!
NOTA: Charge obtida no Google imagens.

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