segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Educação: o X da questão

A falta de mão de obra qualificada em Pernambuco é, indiscutivelmente, um dos temas mais recorrentes (inclusive aqui neste Blog) quando o assunto é o crescimento econômico do estado. As novas empresas que se instalam já não sabem mais onde buscar pessoal de nível. Localmente, fora do estado e até fora do país são opções que começam a se esgotar. Os nativos não oferecem condições exigidas. Trazer gente de fora sai caríssimo e provoca choques de relacionamento com os locais. Outro dia, visitei uma empresa que trouxe pessoal da sua matriz, na Espanha, para dar conta das encomendas e formar pessoal, em serviço. Os locais não convenciam.
Esse quadro me faz retornar ao X da questão que, não tenho dúvidas, é a Educação. Falo de educação de base. Como falo da formação de especialistas, coisa pouco valorizada pelas autoridades deste País. Como preparar pessoal para atuar num mercado mais exigente se não se dispõe de uma educação formal eficiente. Como preparar pessoal adequado aos novos tempos se nem os professores são formados e bem pagos?
Na semana passada estive hospedado num desses suntuosos resorts do litoral sul do estado. Fiquei desencantado com a qualidade do atendimento. Mais do que isto, fiquei preocupado com a sustentabilidade do empreendimento dado ao baixo padrão dos serviços prestados. Além de falar errado – o Sinhô qué um café compreto ou um menos compreto ? – a demora para receber o café da manhã no bangalô foi interminável. Cobrei duas vezes, depois do pedido feito. Uma hora e dez minutos depois chegou a bandeja com pratos frios e mal-apresentada. Uma coisa dessas causa uma péssima impressão ao turista mais exigente. Aliás, a qualquer deles, porque turista é bicho exigente por natureza. Eu mesmo sou... Falta educação de todos os níveis neste país. Enquanto perdurar este quadro, não haverá progresso. E, pensando bem, nem ordem, no Brasil.
A Veja desta semana traz uma matéria de capa que cai bem, neste ambiente de discussão: A Arma Secreta da China. O grande país oriental, forte candidato a ocupar o lugar de líder na economia mundial, caminha célere para transformar seu quadro de recursos humanos no mais competente possível. Ao contrário da Era Mao, quando até a universidades foram fechadas e ordem era plantar para comer, a China de hoje está formando pessoal de primeira, como se exige para uma sociedade em franco progresso. “O Professor é centro gravitacional de todo o sistema. Pragmatismo, meritocracia, professores bem formados e premiados com dinheiro pelo bom desempenho, estudantes disciplinados e motivados por suas famílias.” Eis a arma secreta dos chineses. Aulas até nos domingos. Lembro que quando estive no Japão (fiquei por lá, quase três meses, fazendo um curso de pós-graduação) me surpreendi com os garotinhos de escola primária indo a escola nos domingos. Maldade? Não! Cultura! É assim que se forma um país e uma sociedade forte. Nesses países asiáticos estudar é coisa séria e envolve a formação de hábitos culturais para o resto da vida. Por exemplo: em cada sala de aula se encontra uma pá e uma vassoura. Terminada a jornada de aulas, os próprios alunos varrem e limpa o ambiente. Serviçais trabalham apenas nas áreas comuns. No Brasil, isso jamais colaria. Aqui, se confunde ordem com autoritarismo e a desordem é entendida como liberalidade. Que pena. É por isso que dificilmente sai uma aula que preste, lembrou a reportagem. Turma do fundão e papos paralelos é comum na escola brasileira (Vide foto). Celulares tocam a toda hora. Esses péssimos hábitos são levados pelos brasileiros pelo resto da vida. Não preservam a limpeza urbana, não respeitam o próximo, nem as autoridades e pregam a anarquia. A matéria da revista semanal observa a realidade chinesa e a compara com a do Brasil. Pobre de nós. Como Pernambuco é Brasil, vai ser preciso muito fervor e ações para que resolvamos a contento nossas atuais carências de recursos humanos qualificados.
Nota: Fotos obtidas no Google Imagens

6 comentários:

Prof. Artur Reis disse...

Amigo Girley,

Quando comparamos o Brasil a outros países, que teoricamente estão no mesmo nível de desenvolvimento, algumas diferenças são chocantes. O Brasil ainda tem um longo caminho para conquistar um nível aceitável de cidadania e civilidade. Talvez isso tudo seja reflexo do exemplo de nossas lideranças.
E é na Educação a base de todo o problema. O professor não é valorizado e muito menos respeitado. Os pais transferem para a escola a tarefa da educação que deveria ser assumida por eles. Mas, nem os professores nem os diretores podem agir com a necessária austeridade para exigir a postura correta dos alunos, que fazem o que querem dentro dos muros das escolas.
Não pode se exigir o mínimo de disciplina, nem de respeito dos alunos dentro das salas de aula para não correr o risco de ser linchado. Por outro lado, já nos acostumamos a ver as pessoas se aproveitando da ingenuidade do próximo para aplicar golpes e subtrair seus pertences.
Essa cultura do levar vantagem em tudo só tem aumentado nas últimas décadas. Ser esperto é ser egoísta e pensar em si antes de tudo e de todos. "Eu quero é me dar bem o resto que se exploda", já dizia um personagem da TV. Quando podemos mudar isso? Quando poderemos acabar com a impunidade e a certeza de que fazer o que é certo é o melhor para todos?
Quando poderemos escolher adequadamente os nossos representantes políticos, sem pensar em apenas levar vantagens pessoais nessa escolha? O exemplo da China é excelente, mas muita gente que vai dizer que é fruto de um regime antigo e autocrático. Mas, muitos outros países têm indicadores em educação muito mais elevados do que o Brasil, apenas por terem algo que é cada vez mais raro no Brasil: o respeito ao próximo e a cidadania. Mas, continuo apostando no futuro. Só nós podemos fazer a diferença. Abraços.

fredleal disse...

Caro Girley, parabéns com o artigo. Concordo totalmente, Educação é a grande arma!!!Infelizmente o candidato a presidente que pregou isto, teve 1% dos votos, Cristovão Buarque, um grande brasileiro, que colocaria a Educação como prioridade zero, iniciando sim a grande revolução brasileira!

Corumbá disse...

Grande Girley:

Seu texto, como sempre, é de primeira.
Como você sabe, sou franquiado de um método de ensino que tem sua origem no Japão.
Pois o que você disse sobre a limpeza do local de trabalho de cada aluno é fato numa unidade nossa de ensino.
TODOS os alunos limpam seu local após o término das suas atividades. O método é japonês, os alunos, brasileiros.
Portanto, não é questão de cultura: é questão de educação e disciplina.
Basta querermos, amigo. Só isso!

Dulce Diniz Nadruz disse...

Querido amigo
Quero parabenizà-lo pelo excelente artigo.Concordo plenamente com vc.Sem o compromisso de todos com a Educação ,
não chegaremos a lugar nenhum.Gostaria de consultá-lo.É possivel ,enviar alguns artigos seus,para um amigo que reside
na Colombia?.Êle é um estudioso e bastante interessado em assuntos de desenvolvimento.Passou 2 anos na Sudene,como
consultor do PNUD,num programa de desenvolvimento da pequena produção agrícola,com o Departamento de Agricultura e o
Departamento de Recursos Humanos,onde trabalhava,dai minha aproximação com êle ,pois trabalhávamos juntos.Quero
dizer tb,que é uma pessoa confiável e responsável.Mas fique à vontade,pois entenderei qualquer decisão sua.
Aproveito para desejar-lhe um Feliz Natal com muita paz e alegria e,um Ano Novo com saúde felicidade.muitas realizações
e que seu blog continue cada vez mais informativo e esclarecedor.Um grande abraço amigo
Dulce Diniz Nadruz

Juliana Santana disse...

Amigo Girley,
Adorei seu artigo. Muito bem escrito e transcreve a realidade que o Brasil e muitos países vivem. Hoje qualquer empresa que se preze tem que investir em capacitação antes mesmo de contratar as pessoas, onde esta capacitação em quase 100% das necessidades é de educação básica. Onde o SESI denominou como Nivelamento Escolar. Muitos projetos são afetados por esta falta de mau mão de obra pelo menos que saiba ler, escrever e efetuar as 4 operações matemáticas. Presenciei muitas empresas abrindo vagas para cursos de capacitação, para serem posteriormente contratados e muitas vagas não são preenchidas.
Abrindo um paralelo, atualmente é uma dificuldade para atrair e agora reter a mão de obra. As empresas que não oferecem um bom salário, um pacote de benefícios diferenciado e desafios tendem a não reter os jovens da atual geração Y. Faço parte da geração Y e passo por isso em dois vértices como empresa em atrair e como Y em ser retida.
Parabéns pelo artigo.
Abraço
Juliana Santana

Regina da Fonte disse...

Oi Girley,
Realmente concordo com vc plenamente.Como diretora de escola,vejo com total clareza a responsabilidade que temos em formar bem os nossos alunos,nos preocupando em dar-lhes uma base sólida.O colégio que dirijo oferece o ensino infantil e o fundamental 1,(até a quarta série,atualmente denominada quinto ano).Fico preocupada quando os alunos deixam a escola para continuar o fundamental,muitas vezes em escolas descomprometidas com a formação integral do aluno.Mas,o importante é a base e isto nos esforçamos para oferecer o melhor.Se cada um fizer a sua parte com responsabilidade,no futuro não precisaremos recorrer à mão de obra estrangeira ou coisa que o valha,concorda?
Aproveito a oportunidade para lhe desejar um maravilhoso natal e um ano novo com tudo que vc deseja,bjs Regina da Fonte