quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Paralelo 30

É muito interessante conferir a diversidade cultural do Brasil. Em cada canto um povo diferente, um sotaque distinto, uma gastronomia nova e uma paisagem singular.
Integrando uma missão empresarial pernambucana estive por quatro dias, da semana passada, no Paralelo 30, o Rio Grande do Sul. Não chega ser uma novidade, pois já andei por lá outras vezes. Mas, a sensação do diferente e mais distante, sempre imprime uma sensação de primeira vez.
Ali, o Brasil é outro, comparado com o nosso Nordeste, começando pelo clima. Nestes tempos de quase primavera, o frio ainda é forte, exige agasalho e os parques já se colorem de forma exuberante com as flores da época. O mundo estava, quase todo, cor de rosa com os Ipês exibindo suas primeiras florações. Para quem vive numa região onde só se conhece inverno e verão, é pura festa para os olhos. Coincidentemente comemorava-se a Semana Farroupilha, antecedendo a data magna do estado festejada ontem, 20 de setembro. Havia festa por todo lado, no comércio, nos parques, escolas e onde mais coubesse. Fácil era avistar pessoas – homens, mulheres e crianças – embaladas pelos trajes típicos gaúchos. O churrasco, o chimarrão, as bombachas (calças de gaúcho) e as prendas (jovens vestidas com trajes típicos) dominavam a paisagem.
Porto Alegre nunca me convenceu como atração turística. Ao contrário da região serrana (Gramado, Canela, Bento Gonçalves, entre outras), a capital não exerce a desejada atração fatal como bela cidade. Contudo, é fato de que se trata de uma cidade pujante e com cara de metrópole. Claro que, alguns setores convencem. Mas, de forma pontual e exigindo muito do conjunto.
Andei por lugares interessantes e, entre outros, destaco: a belíssima e bem estruturada Pontifícia Universidade Católica – PUC. É de impressionar. Além de classificada como a melhor universidade privada do País, dispõe de uma superestrutura comparável às melhores dos Estados Unidos e Europa. É impressionante a produção de estudos e pesquisas daquele campus. Trabalhei um dia inteiro naquele ambiente e sai crente de que estive num primeiro mundo, com jeito brasileiro. Fiquei orgulhoso, por eles.
O gaúcho é muito cioso da sua cultura. Bairriiiista. Bate os pernambucanos. Haja orgulho naquela gente. Nacionalistas viscerais. Com aquele sotaque característico defende as cores, do estado e do Brasil, com unhas e dentes. Indo ao Rio Grande Sul nunca deixe de visitar um dos vários CTGs – Centros de Tradição Gaúcha. Estive num desses, o CTG 35, sediado numa churrascaria, onde "mergulhei de cabeça" no universo da tradição local. Comi, bebi e assisti ao show da casa, com as danças típicas dos pampas (Vide clipe no fim da postagem) e o espetáculo das boleadeiras, no qual o artista faz loucuras com as bolas nas pontas das cordoalhas de couro ( Procure no YouTube por “Show de boleadeiras”, vale à pena). Neste ponto os gaúchos são mais inteligentes que nós, pernambucanos. Ninguém sai do Rio Grande do Sul sem assistir a um show típico. Aqui em Pernambuco, nossos empresários do show-business nunca se habilitaram a montar uma casa para mostrar o frevo e maracatu, o ano inteiro. Uma lástima, porque público teria. Uma incompetência sem limites.
Gosto muito de visitar mercados públicos. Já tratei disto em outras postagens. O Mercado de Porto Alegre é um capitulo especial. Limpíssiiiiiimo. De fazer inveja ao nosso belo, mas, muito sujo Mercado de São José. Instalado num belo e antigo prédio, dispondo de espaços voltados para atender o fluxo turístico, é uma visita imperdível. (Vide foto, a seguir).
Para terminar, registro que, no centro da cidade, pude constatar a existência de muitos outros prédios de arquitetura neoclássica, admiravelmente bem tratados. Aliás, vírgula. Para lembrar que ainda estávamos no Brasil, onde, muitas vezes, o patrimônio histórico é destruído, sem mais,nem menos, revoltei-me diante do prédio do velho Teatro Carlos Gomes, desmontado e transformado numa loja de gosto duvidoso, no Centrão, e pintado com uma berrante cor, dando testemunho de descaso das autoridades locais. (Vide foto abiaxo) Um crime... NOTA: Fotos e clip são da autoria do Blogueiro



video

7 comentários:

Jane Ayre, Poeta pintora de 7 disse...

Bom dia, Girley
é bom começar odia na WEB com você e desta vez, a comentar nosso rincão. Eu, desde que fui a primeira vez a Porto Alegre, me tornei fã, e permanecendo ao longo dos anos. Sua gente, sua cultura, alimentos e comportamento me seduzem até hoje. Que bom houvir sobre a PUC, só conheço a USININOS (grande P. Alegre)também particular. Parabés ao gaúcho, ao país e você que os descreve tão bem.Amo o rio Guaiba. Ladjane Conolly-PE.

Ladjane Conolly disse...

Bom dia, Girley
é bom começar odia na WEB com você e desta vez, a comentar nosso rincão. Eu, desde que fui a primeira vez a Porto Alegre, me tornei fã, e permanecendo ao longo dos anos. Sua gente, sua cultura, alimentos e comportamento me seduzem até hoje. Que bom houvir sobre a PUC, só conheço a USININOS (grande P. Alegre)também particular. Parabés ao gaúcho, ao país e você que os descreve tão bem.Amo o rio Guaiba.
Ladjane Conolly-PE.

Cristina Henriques disse...

Girley:Sou suspeitíssima,pois tenho 4 estados-natal.PE/PB/MA/RS.Sou e fui muito bem recebida,pois tenho em Recife e Fortaleza duas 'irmãs' pernambuchas.As familias delas lá abrem coração e portas.O mercado tem doces finos,um luxo,e o estado do RS embala qualquer coisa para viagem.É outro pais,como disse o guia folgado,José Valmir Costa,de quem somos amigos hoje.Na agencia da CAIXA em CAXIAS,tem loja que coloca móveis como mostruário,e estavam impecáveis.Aqui seriam ras gados.Profissionalismo na mão-de-obra é outro capítulo.Em 2006 entreguei documento na mesa do auditorio do DP a ABIH,Roberto Pereira sobre exatamente isso.Mas nós n ão somos bairristas,cearense é.Senão,nos juntariamos para fazer o MELHOR por PE e Recife.Cristina Henriques

Maria Regina Pinto Ferreira disse...

Olá Girley!
Parabéns pela matéria. Preservar a memória é um dos meus asssuntos prediletos, hoje já é parte do meu dia a dia.
Denunciar, criticar essas barbaridades também faz parte da preservação da nossa história.
Regina Pinto Ferreira

joe disse...

Olá Tche
Gostei do seu relato. Eu gosto de Porto Alegre e de curtir o por do sol no passeio de barco no Guaíba.
O Centro Cultural Santander é quatro vezes maior do que o daqui. Você escreve muito bem que P.A. não é propriamente uma cidade bonita e que o gostoso é passear em Gramado, Canela e no circuito do vinho.
Sempre tenho uma ponta de tristeza quando vou ao mercado público de São Paulo e ode Porto Alegre e me dou conta como o nosso de São José é tão mal cuidado. A SUDENE, pelo DDL, participou com recursos financeiros e apoio técnico do arquiteto Geraldo Gomes na reconstrução do Mercado de São José
quando do incêndio que destruiu metade do Mercado.
Um grande abraço
Joe

Breno Rodrigues de Souza disse...

Caro Girley
O Nordeste no meu entender tem uma cultura popular imensa (frevo, forro, bumba meu boi, boi , maracatu, quadrilha,ciranda cantorias e desafios, só para citar algumas) que precisa ser trabalhada como um Centro de Tradições Nordestina-CTN , assim como tem os gaúchos os seu CTG. No meu entender falta a iniciativa privada desenvolver essa área, incorporando ao turismo local. Ha mais de dez anos atrás estive em Natal e no hotel fui convidado a conhecer a cultura nordestina e nos ofereceram o show em duas casas de espetáculos com direito a van levando e trazendo. Escolhi uma delas, salvo engano o nome era Mandacarú, chegamos a uma casa de espetáculos bem montada com um Hall deslumbrante decorado com peças, fotos e artesanato nordestino de forma que você já incorporava o tema. A partir dai entramos em um amplo salão de festas tendo ao fundo um palco onde uma orquestra afinada, tocava MPB da época e clássicos da Musica internacional para dançar.
Nas mesas podíamos pedir bebidas diversas, em especial caipirinha e caninha, servidas de diversas formas e com tira-gosto regionais.
Em determinado momento é anunciado o jantar com um bufet de pratos regionais diversos self service, com o fundo musical da orquestra. Passado um tempo são servidos doces e sorvetes de frutas regionais.
Como se diz no interior "com o comer no bucho" dá inicio ao show e se apresentam dois mestres de cerimônia travestido de Mateus e Caterina, que passam a comandar a festa falando da nossa cultura, contando causos e apresentando a nossa musica e danças começando pelo sertão com o Xaxado e ai segue entremeando,causos, musica dança e piadas com o publico e sempre puxando o publico a participar e dançar como por exemplo a ciranda com os dançarinos e dançarinas ensinando , naquela noite mais de 200 pessoas.
Não preciso dizer que a festa terminou com uma bela apresentação de frevo e seus passos, carregando depois todos para o salão. Grand Finale.
O interessante que ao sair me foi oferecido um vídeo ( fita na época)em que mostrava as paisagens do RGN, Natal as nossas tradições nordestina, artesanato, pratos típicos e o show, incluindo "você" dançando e participando do espetáculo. Todos compraram as fitas. Uma lição de empreendedorismo.
Naquela época o turismo no Recife era muito superior ao de Natal e hoje não é mais, houve uma inversão. Naquela ocasião no Recife se o turista quisesse conhecer a nossa cultura, tinha que se aventurar a culinária no Buraco da Otília(Hora do Almoço), que diga-se de passagem muito bom, na ocasião, onde meu prato predileto era "de tudo um pouco".
Na noite a opção, se fosse dia de espetáculo, podia ir com muito sacrifício no deslocamento ao Balé Popular do Recife, organizado pela família Madureira, brilhante espetáculo teatral, mas sem a participação do publico.
Por essa e outras é que o nosso turismo cultural se esvai, ficando o turismo de negocio e as idas as praias de PORTO.
Mas é o resto as opções do interior? Ninguém sabe ninguém vê, ou seja, nosso turismo cultural esta morrendo, tirando as iniciativas dos BRENAND (Ricardo e Francisco)e alguns outros.
Na área publica a FUNDAJ morreu e não sabe, aparelharam politicamente, o Museu do Homem do Nordeste, antigo Museu do Açúcar de estudos e repercussão internacional, salvo engano esta fechado a anos em reforma, espero que o novo presidente traga a FUNDAJ as suas origens e pujança que o seu patrono merece, pois nem o centenário de Joaquim Nabuco foi comemorado como merecia, pois não sei, se a época, o presidente da fundação conhecia sua historia.
Mas como sempre a esperança é a ultima que morre, faço votos que o nosso brilhante governador, cumpra a sua promessa de resgatar uma divida histórica do Nordestino com um homem chamado LUIZ GONZAGA - O Rei do Baião, que no século passado divulgou nossas tradições como ninguém e que merece seja implantado o seu memorial em um antigo armazém do Porto do Recife.
Breno Rodrigues de Sousa

Danyelle MOnteiro disse...

Boa noite professor,
Ainda não conheço o RS tche, mas pretendo... estou deixando por último com medo de gostar muito e não querer mais voltar... ah, adorei o vídeo!
Beijão,
Danyelle Monteiro