terça-feira, 7 de dezembro de 2021
Mensagem de Paz
Prezadas/os leitoras e leitores,
Logo mais estaremos comemorando o Natal
da Cristandade e a entrada de um Novo Ano. Antecipo-me com costumeira mensagem,
fazendo coincidir à temporada de férias, a partir do próximo fim de semana, e
prometendo voltar nos meados de janeiro com as postagens semanais.
2021 foi, indiscutivelmente, um ano difícil. Tivemos
que administrar estresses diversos, na grande maioria decorrente da terrível
pandemia que nos assaltou há quase dois anos. Perdemos familiares e amigos,
lutamos contra o vírus e suas consequências e, por cima disso tudo, ainda passamos a conviver coletivamente
com abalos políticos e econômicos. Para os mais jovens uma lição para o resto da
vida e aos mais avançados na idade um desgaste lamentável com a dose amarga de
tempo perdido. O mundo sofreu e ainda sofre nessa esteira interminável de
dissabores.
Contudo, a velha filosofia de que a “esperança é a última que morre”
volta às nossas mentes, sobretudo nessa época do advento, ocasião em que o
espirito de luz e confraternização acende com maior brilho, nas mentes dos que
creem num amanhã promissor. Vivamos este tempo com muita fé e banhados por esse
brilho. Alimentemos a esperança para que ela esteja sempre viva.
Com este espirito, agradeço sensibilizado a todos e todas que me acompanharam durante este
ano que finda, nos quatro quadrantes do mundo. Foi prazeroso constatar que fui seguido por
leitores e leitoras localizados numa diagonal ligando o Alaska e a Terra do
Fogo, nos Andes e nos Alpes, nas encostas do Himalaia e dos Urais. Na fria
Sibéria, nos mares do Sul, no Mediterrâneo e no Oceano Indico, nas queridas Austrália e Nova Zelãndia, além,
naturalmente, dos meus compatriotas espalhados da Amazônia ao cabo Branco e entre o
Oiapoque e o Chuí. Durante esta jornada anual, explorei temas que me pareceram
interessantes ao meu publico e tentei, particularmente, acertar nos meus
posicionamentos sociais e políticos.
Para aqueles que me tomaram como formador de opinião, meus especiais agradecimentos. Desse modo, aceitem minha Mensagem de
Paz, desejando um Feliz Natal e Augurando um 2022 repleto de sossego e felizes
realizações pessoais e coletivas.
sábado, 4 de dezembro de 2021
O dilema de decidir
Decidir por algo ou por alguém é, indiscutivelmente, um dos maiores desafios do ser humano. E quando uma decisão depende de alguém de poder, com concretas influências – positivas ou negativas – na vida de uma coletividade o desafio se revela muito mais expressivo. As guerras, as relações internacionais nas vertentes políticas e econômicas, as calamidades decorrentes das “revoltas” da natureza, as disparidades socioeconômicas, enfim as relações humanas de modo geral exigem tomadas de decisões quase sempre estressantes. É por aí que a humanidade vem passando historicamente, com frequentes episódios e, particularmente, os constatados neste tempo de pandemia.
Tenho acompanhado atentamente as démarches sobre as decisões dos governantes locais quanto à realização de eventos, sempre grandiosos, por ocasião da passagem do ano e do carnaval que se aproximam.
Naturalmente que há um jogo de interesses, velho conhecido da sociedade, que provoca o grande dilema deste momento. E, em se tratando de ano de eleições, qualquer episódio dessa natureza provoca um tremor ilimitado nas campanhas eleitorais, colocando candidatos num quadrado limitado. Eu não gostaria de vestir a pele de nenhum desses detentores do poder de decidir. Imaginemos o dilema de lidar com duas correntes antagônicas e em relativo desespero: por um lado, há os que desejam a comemoração monumental de cada ocasião, na busca de faturar com sua produção ou prestação de serviço, alegando ser a “tábua de salvação” que resta para atenuar o momento de baque econômico. Por outro, os cientistas e os defensores da saúde pública aconselham cancelamento sumário dos festejos.
Está difícil provar à sociedade que a pandemia não terminou. O desejado convívio com o vírus e a esperança de um tempo de endemia ainda são coisas distantes de virar realidade. Segundo os especialistas do assunto, as possibilidades de novas variantes e repetição de surtos continuam evidentes haja vista ao ocorrido na semana passada, com o surgimento da variante ômicron, que já se manifestou nos cinco continentes.
A vida continua e precisamos vivê-la. É verdade. Mas, tenho pra mim, que não será a mesma dantes. O propalado novo normal, tantas vezes negado, pode se revelar de modo lento e, no mundo moderno, por pelo menos dez anos. É um tempo provável de recuperação, similar ao que ocorreu na pandemia da gripe espanhola que tomou muito tempo para ser esquecida.
Neste momento, por fim, resta ao Blogueiro ratificar o apelo da semana passada para que o dilema de decidir tenda a considerar as referências científicas vigentes e que a sociedade viva em segurança sanitária nos próximos tempos. Parece ser o caminho adequado. Enquanto isto, vacinas, cuidados pessoais (máscara e asseio) e consciência coletiva sejam cumpridos na risca. E, dos nossos poderes decisórios esperamos coragem e pulso para o bem geral.
sábado, 27 de novembro de 2021
Água Gelada na Fervura
O mundo tentando esquentar a retomada da vida e uma nova onda do vírus ameaça o processo. Ômicron é a novidade da semana. Uma nova variante identificada na África do Sul e com suspeitas de casos pelos demais continentes. É o que chamo de “agua gelada na fervura”. Um amigo prefere dizer que “botaram água na cerveja do carnaval”. Além de ser uma descoberta inesperada e desagradável é, também, mais um sinal de que nem tão cedo vamos nos livrar dessa peste.
A coisa parece tomar força na Europa, em plena estação do frio e das nevascas, onde países que aparentemente tinha a coisa controlada, com bons percentuais de vacinas aplicadas, já se mobilizam para retomar as medidas de precauções. Alemanha (passando pelo pior momento da pandemia), Holanda, Itália, Áustria e França são países onde a 4ª onda já se faz presente. Noticias atualizadas (27.11.21) pela Agencia Reuters, Italia, Alemanha e Reino Unido já registram casos com a nova variante. Em Milão, um passageiro procedente de Moçambique testou positivo para esta nova variante. Mau sinal. O virus vai se espalhar rapido.
No último dia da semana, os pregões das bolsas de valores, do mundo inteiro, reagiram de modo negativo e os negócios caíram vertiginosamente em quase todas as praças, sob o pavor dos efeitos danosos na economia. No Brasil o índice Bovespa caiu 3,39%, fechando a semana no prejuízo.
Numa sintomática decisão do Governo Brasileiro, coisa que surpreende devido ao histórico recente, as fronteiras do País estarão fechadas a seis países do sul da África (África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbabue), onde o ômicron já é detectado.
Ao mesmo tempo, o mais surpreende, aqui no Brasil, são as providencias contrárias como se tudo fosse passado e a pandemia seja uma página virada. Não se fala noutra coisa – a exceção das costumeiras trapalhadas políticas – a não ser dos preparativos para as festas de réveillon e carnaval. O Rio de Janeiro prepara um grande desfile de escolas e os ingressos para as arquibancadas se esgotaram no primeiro dia de vendas. São Paulo, também. Ora, se não houvesse ocorrido o carnaval de 2020 a nossa história seria outra. Mas, não. Há organizações como a do “O Galo da Madrugada”, maior bloco de rua do mundo (!), aqui do Recife, já escolheu tema (Viva a Vida, Viva o Frevo), monta suas alegorias e marca ensaios. Entidades de classe médica e científicas, locais e nacionais, já se manifestam oficialmente contrárias, alertando para os altos riscos de uma recidiva da pandemia. Conforme as noticias veiculadas pelos meios de comunicação, a vacinação tem sido um sucesso no país. A população tem sido receptiva, ao contrário de muitos países lá fora. Contudo, os especialistas sugerem a manutenção dos cuidados, uso de máscaras e assepsia das mãos com álcool. E avisam: é cedo para abrir de vez. Assustador é também saber da hipótese de que as vacinas hoje administradas venham a ser ineficazes para o tal do ômicron. Mesmo dando o desconto do sensacionalismo da imprensa é de se ficar atento com os próximos dias. Afinal, não esqueçamos de que o vírus original continua sendo pouco conhecido, as vacinas são ainda emergenciais e... Bom, que o futuro ainda é incerto.
Diante deste quadro e desta modesta plataforma, cabe um apelo para que as autoridades “reinantes” usem do bom senso e decidam pelo melhor e, sobretudo, pensando na população. Pelo menos desta vez.
NOTA: Charge de NANDO MOTA obtido no Google.
sexta-feira, 19 de novembro de 2021
Talentos Encantados
Nestes tempos sombrios da pandemia, a tristeza parece ainda mais triste do que sempre foi. Além do recolhimento forçado venho contabilizando perdas dolorosas de pessoas queridíssimas, inclusive uma irmã, resultando num vazio d´alma difícil de preencher. Dizem ser sentimento de quem muito vive. Mas que é um coisinha difícil de ser vivida, isto é indiscutível. Certa feita, conversando com a grande Dama do teatro pernambucano – Geninha da Rosa Borges – ao completar seus 90 anos, ouvi dela uma assertiva que guardo e, foi não foi, recordo. Segundo ela, “envelhecer pode ser mesmo uma dádiva divina... Contudo, é duro ver partir para a eternidade muita gente querida... dói muito.” De fato, ainda que um pouco distante dos 90, começo a sentir o peso dessa verdade. Gente iluminada, cabeças brilhantes, talentos singulares se encantam deixando-me (deixando-nos) para trás. Muitos partem sem tempo dar um “até logo”.
Dias recentes perdi amigos talentosos e verdadeiros ícones da cultura local. Primeiro, em setembro, foi a partida do exímio violonista e compositor Henrique Annes; logo depois, no mês de outubro, foi a vez do grande Maestro Rafael Garcia e, na ultima semana de outubro, o compositor e meu grande amigo do peito, Severino Luís de Araújo, a quem dedico o espaço do Blog neste fim-de-semana. O clima é de luto no cenário musical pernambucano. Foram três perdas lamentáveis. É numa hora dessas que me ponho a questionar o velho ditado do “ninguém é insubstituível”.
Conheci Araújo nos idos dos anos 70, quando casando com a minha dileta colega sudeniana, Adelina Freitas de Araújo. Vivíamos os áureos tempos dos combates à pobreza nordestina. Ele no Condepe, depois na Codevasf e nós (eu e Adelina) na velha SUDENE, a verdadeira. Éramos, na realidade, três jovens economistas envolvidos pela missão de desenvolver o Nordeste.
De origem humilde, na Paraíba, Araújo veio, ainda menino, com os pais e irmãos, para ganhar a vida em Pernambuco. Deu certo para a família e para o menino da Vila de Araçá (atual município de Mari) se tornando homem de destaque na Terra de Nabuco.
Inquieto, experiente profissional e bem relacionado, Severino Araújo ganhou o mundo e terminou atuando com louvor em inúmeras frentes profissionais nos poderes executivo e legislativo nacional.
Mas o profissional atuante trazia na veia outra rara habilidade voltada ao domínio poético-musical, sobre a qual prefiro destacar. Não mais importante do que as demais habilidades, mas, seguramente, a que mais estreitou nossa amizade.
Acompanhei a vitoriosa vida desse compositor, desde sua estreia triunfante com o frevo-canção “Morena Azeite” (1984), a grande campeã do IV Frevança (Festival de Frevo e Maracatu), promovido pela Rede Globo de Televisão. Foi a primeira grande vitória na condição de autor de um frevo. Depois dessa vitória, sustentada pela voz do saudoso cantor pernambucano Expedito Baracho, outras inúmeras se seguiram em Pernambuco e na Paraíba. Não tardou muito e o nome do nosso amigo se notabilizou Brasil afora. Muitos famosos disputaram interpretar suas composições, entre os quais: Claudionor Germano (rei do Frevo), Ivanildo Silva, este interpretando “Sem Você Eu me Dano”, composição campeã, no V Frevança, Guadalupe, Valéria Moraes, Cristina Amaral. Por sorte, Araújo contou com arranjadores de mãos-cheias como José Menezes, Ademir Araújo e Duda. Enfim, foi uma sequencia elástica de sucessos musicais entremeados de contos e belos sonetos, revelando, sempre, um ser de extrema sensibilidade e muito humanismo. Mas, como sendo pouco, Severino Araújo enveredou, com igual sucesso e nas últimas estações da vida, pela popular arte da Cantiga de Cordel. Como sempre dedicou tempo e talento compondo verdadeiros poemas depois publicados no livro “A Vida não É Cor-de-Rosa” (2019), onde, por felicidade, deixou sua autobiografia para os que gozaram da sua convivência alegre e gentil.
A propósito, sendo hoje, 19 de Novembro, o dia do cantador/cordelista, conforme lembra o Imortal José Paulo Cavalcanti (Jornal do Comercio, 19/11/210), torna-se oportuno homenagear Severino Luís de Araújo, um talento encantado no último 27 de outubro, com um belo cordel da sua autoria:
Muita tolerância e fé/
Pratiquei na minha vida/
Bati em todas as portas/
Fui em frente na corrida/
Tenho orgulho do que fiz/
Sonhando em ser feliz/
Todos me deram guarida.
NOTA: Foto obtida no Facebook
terça-feira, 9 de novembro de 2021
Economia Criativa
Ando colocando a cara no mundo tentando, com todos os cuidados, voltar ao normal. É curiosos como essa coisa de ficar “dendecasa” vicia. A internet facilita demais as coisas da vida e o cidadão chega a perder o “desembaraço” costumeiro de cair na rua, ir ao supermercado, ao shopping e outros lugares comuns. Preguiça ou a idade? Tenho achado que o transito está pior. Parece que todo mundo resolveu sair de vez. Até a cidade parece outra. Fico na dúvida: sou eu somente ou todo mundo sente essa estranheza? Bom, deixa pra lá... o assunto de hoje é outro.
Como ia falando, tenho colocado a cara no mundo e, neste fim de semana passado, circulei em restaurantes e bares da vida. Mais do que isso, a convite do meu filho e minha nora, fizemos, com minha esposa, uma escapada pela zona da mata de Pernambuco indo à cidadezinha de Tracunhaém (formigueiro em tupi-guarani) localizada a 80km do Recife, com a intenção de ver de perto a produção de cerâmica utilitária e figurativa da cidade. O local é berço de muitos ceramistas famosos, com famas nacional e internacional. Até ja foi cenário de novela da Rede Globo de televisão (Coração Alado, com Tarcísio Meira no papel principal).
Uma boa rodovia federal (BR-403) nos leva praticamente até lá. Paisagens exuberantes da Mata Atlantica e dos canaviais pernambucanos para encher a vista de quem passa. A cidade é bem pequena, com menos de 15 mil habitantes e o IDH gira em torno de 0,650. É, certamente, uma taxa mediana. Acredito que a proximidade da Região Metropolitana do Recife facilita a vida daquela gente que pode não ser tão difícil. Apesar disso, circulando pelas suas ruas estreitas, altos e baixos, poucas praças, os sinais regionais de pobreza chegam a ser visíveis. Mesmo assim é de se enaltecer as inteligências e habilidades artístico-culturais de um povo que soube capitalizar as chances de desenvolver o que se chama, modernamente, de economia criativa, com base na arte da cerâmica de terracota (barro cru ou queimado) que terminou projetando a cidade no resto do Brasil e no Mundo.
Mestres da mão-no-barro se tornaram famosos e fizeram história deixando um legado que vem sendo preservado com orgulho e muita criatividade por uma gente hospitaleira. Entre esses se destacam: Zezinho, Nuca, Dona Nóca, Mestre Zuza, Maria de Nuca, entre vários outros. É formidável admirar de perto as formas cerâmicas que são boladas pelas calejadas dos artesãos locais e perceber a pegada de uma gente que se dedica, de corpo e alma, numa forma lúdica de viver e economicamente efetiva para seu digno sustento
Um traço marcante na arte cerâmica de Tracunhaém ficou “imortalizado” pelas mãos de Nuca (falecido em 2015) e seus discípulos (foto logo acima), que é o Leão Cacheado. Virou clichê de todos os documentários e afiches que se referem ao sitio cultural da cidade e, inclusive, do estado de Pernambuco. Seus trabalhos já foram expostos no exterior e seus leões cacheados estão pontificando em praças públicas, como no Primeiro Jardim, da praia de Boa Viagem, no Recife, e no Jardim do Sitio de Burle Max, no Rio de janeiro.
Foi uma bela escapada, no fim de semana, e uma boa oportunidade de observar de perto um exemplo de economia criativa. Sugiro que visite Tracunhaém para ver um Pernambuco raiz.
NOTA: As fotos ilustrativas são da autoria do Blogueiro.
domingo, 31 de outubro de 2021
Uma vaca magra no telhado
O Outubro que hoje termina, propalado como o mês rosa em alerta ao câncer de mama pode ter sido um sucesso como campanha, mas, não foi nada cor de rosa para o domínio político-econômico nacional. Ao contrário, foi permeado de agitações muito pouco benéficas para a família brasileira.
O fim da CPI da Covid, no Senado, depois de muitas idas e vindas, deu, na minha humilde opinião, um tom de incerteza quanto aos avanços do Estado brasileiro e instalou uma bolha de expectativas que promete rolar, por tempo igualmente longo, nos palanques eleitorais que serão montados a partir dos primeiros meses de 2022. Aliás, para quem considera que existem palanques de 2018 ainda de pé, verá sê-los remontados com mesmos coloridos. Haja emoções.
Outro quiproquó politico de outubro gira em torno da discussão da PEC dos Precatórios que rola no Congresso Nacional. É um nó que eu chamo de “nó federal”. Uma série de despesas-filhotes será gerada com a aprovação da dita cuja. Além de postergar ou parcelar pagamentos dos precatórios (dívidas do Governo, por decisão judicial, a pessoas físicas e jurídicas), a fabulosa soma – da ordem de Bilhões de Reais – será destinada a cobertura do pagamentos do Auxilio Brasil de R$ 400,00 (substituto do Bolsa Família), emendas parlamentares (verbas que deputados abocanham para aplicar nos seus redutos eleitorais), sustentar o Fundo Eleitoral (estão querendo R$ 5,0 Bilhões) para financiar a campanha eleitoral de 2022, entre outras perfumarias. Triste do cidadão ou pessoa jurídica que esteja contando em receber um precatório. Muitos negócios podem estar ameaçados de ir “ladeira abaixo”. E nunca são poucos. Já se fala que o dinheiro não vai dar para cobrir essas “singelas” despesas.
Pior de tudo é que, como a grana já é curta, uma vaca pode, facilmente, “subir no telhado” e furar o Teto de Gastos. Pense numa bronca. É a situação mais indesejada possivel. Este dispositivo, criado pela Emenda Constitucional 95 (2018) instituiu um Novo Regime Fiscal que limitou os gastos do Governo ao mesmo valor de cada exercício anterior, corrigido apenas pelo índice oficial de inflação. Foi um sucesso de imediato por garantir ampla credibilidade ao Governo, nos mercados doméstico e internacional. Contudo, valendo-se da prerrogativa prevista, na mesma Emenda, de propor uma Lei Complementar permitindo furar o Teto, o Governo Bolsonaro (Paulo Guedes de corpo e alma) luta agora para aprovar essa possibilidade. Pura panaceia, que pode virar um desastre. Desmoraliza a ideia do controle de gastos, provoca uma alta da inflação que já vem assanhada, o Banco central vai ser obrigado a aumentar, ainda mais, a taxa de juros, a dívida do Governo vai inflar e a vaca vai ficar fazendo finca-pé. Isto sem falar nos exógenos e inoportunos fatores, como dólar apreciado e produtos básicos importados a preços altíssimos. E o povão a chorar. Agitando esse tubo de remédios paliativos, tudo leva a crer que teremos um ano de 2022 de muita dureza.
Para não dizer que a coisa foi preta de tudo, acabo de ver que neste Outubro foi o mês de menor numero de mortes devido a Covid, desde abril de 2020. Eis, então, um dado cor de rosa! Curioso, aliás, é observar que a turma está confiante e se esbaldando com esse resultado e com o avanço da vacinação. Porém, abramos os olhos. A coisa ainda não acabou. Afrouxar as medidas de precauções de modo tão abrupto pode ser perigoso. Abolir máscaras, encher estádios de futebol, liberar lotações completas dos bares, restaurantes e grandes shows, entre outras atividades ainda causam temores. Calma minha gente, o bicho continua solto por aí.
Por fim, no apagar das luzes do mês, duas noticias internacionais e que mexem com o Brasil são destaques: a Cúpula do Clima, aberta, neste dia 31, em Glasgow, e o fiasco, segundo noticiam, da reunião do G20, em Roma. Embora alimentando esperanças quanto aos debates, na Escócia, sou cético e meio desencantado com esses convescotes de lideres mundiais. Vejo muita alegoria e pouca evolução. Prefiro ficar de olho na vaca em cima do telhado. NOTA: Foto obtida no Google Imagens. Foto de vaca que subiu num telhado de casa na Suiça. Subiu e desceu sozinha.
sexta-feira, 15 de outubro de 2021
Adiós Garcia
O mundo cultural de Pernambuco, em particular o mundo da música erudita, fecha esta semana com um desfalque de um exímio talento, dado ao encantamento do maestro Rafael Garcia. Uma lacuna que temo ser difícil de preencher. O virtuoso maestro perdeu a dura batalha para um câncer devastador, aos 77 anos, no último dia 12, provocando lágrimas que se derramam pelas encostas dos Andes chilenos e desaguam no vale do Capibaribe. Olhando por um “retrovisor” lembro vivamente de episodio marcante na minha carreira de executivo: parece que foi ontem, embora decorresse o ano de 1997, quando recebi no meu gabinete de trabalho, na antiga SUDENE, uma Senhora entusiasmada falando-me dum projeto de expressiva envergadura para difundir, entre nós nordestinos, a cultura e difusão da música clássica. Buscava apoio financeiro. Naquela época exercíamos o cargo de Coordenador de Cooperação Internacional do organismo regional. “Como o Senhor é responsável pela gestão das relações internacionais desta Entidade, acredito que bati na porta certa”. Foi o que ouvimos, como cartão de visita, da renomada pianista pernambucana Ana Lucia Altino Garcia. Surpreso com aquela rara demanda, fiz ver que os sinuosos caminhos da burocracia governamental não permitiriam um atendimento de imediato como desejado. Contudo, sem perder tempo, fiz questão de ouvir o que ela tinha para justificar seu pedido. Foi ali que ouvi falar, pela primeira vez, no nome de Rafael Garcia. Era curioso como ela se entusiasmava ao sublinhar que se tratava do seu marido, um talentoso músico e grande maestro, e que, juntos, resolveram montar um programa para revolucionar o meio musical do Recife. Para me sensibilizar frisava sempre que se tratava de um projeto de caráter internacional. Eles já vinham de belas experiências internacionais e até declinavam convites tentadores fora das nossas fronteiras. Coisa inusitada por estas bandas e, sobretudo, naquele tempo. Sem que houvesse uma rubrica orçamentária para atender ao pedido, resolvi, em caráter pessoal, “vestir a camisa” daquela iniciativa e tratei de identificar formas de apoio. Lembro que sugeri a busca de ajudas nas iniciativas privadas e, inclusive, indiquei empresas que poderiam fazer aportes substanciais. Deu certo! Aposentado da Agencia Regional e passando a atuar em meio à iniciativa privada vi-me mais envolvido com aquela ideia pela qual me tornei um constante admirador.
Se o entusiasmo e a garra de Ana Lucia contagiam qualquer interlocutor, não menos ocorria quando me via diante de Rafael António Garcia Saavedra. Chileno de nascença, pernambucano de coração e cidadão de direito desta terra de Nabuco, por decisão da Assembleia Legislativa local. Era encantador ver aquele homem falar de musicas e de projetos. Critico e até ácido nas suas buscas de incentivo, Rafael sabia dosar e "falar grosso" para quem devia. Assustava muitas vezes, mas, agradava o grande público fromador da consciência coletiva. Sensacional. Cumpriu um papel de fundamental importância sociocultural. Bravo Maestro! Jamais esqueceremos.
O projeto do Casal Garcia tomou vulto, envolveu a família – todos amantes da boa musica e discípulos daquela formidável dupla – por inteiro e bridou o Brasil com brilhantes eventos musicais que marcam épocas nas sociedades pernambucana e brasileira. O que era uma ideia cresceu e deu origem à Virtuosi Sociedade Artística que se encarrega de promover, desde o final dos anos 90, inicialmente no Recife e depois no Rio de Janeiro, São Paulo e outras cidades regionais inesquwcíveis festivais de musica erudita para deleite dos amantes da boa musica e como educativo para uma geração ligada aos ritmos mais modernosos. Abriram-se palcos e explodiram muitos aplausos para gaudio da sociedade.Concertos que se repetiram com iguais sucessos nas praças de Santiago, Buenos Aires e Montevideo. Tudo sob a batuta de Rafael Garcia.
Faço parte da legião de admiradores desse gênio chilenbucano da musica que partiu para eternidade deixando um legado de inestimável valor cultural. Muito teríamos para ilustrar este exíguo espaço, mas, fica a sugestão para que os/as leitores/as visitem o site da Virtuosi Sociedade Artística (www.virtuosi.com.br) onde se encantarão com a obra desse estimado amigo que nos deixou. Adiós Garcia! Espero no futuro assisti-lo regendo grande sinfônica sobre belas nuvens. E, desse modo, melhor dizer Hasta Luego!
Acredito e alimento a certeza de que a família Altino Garcia, à frente Ana Lucia Altino, fará jus a essa diferenciada herança e sustentará a Virtuosi para deleite das novas gerações e para difusão da musica erudita.
NOTA: Foto dos arquivos da Sociedade Virtuosi.
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