domingo, 16 de outubro de 2016

Uma noite com Bocelli

Sempre ouvi dizer que algumas coisas na vida “não tem dinheiro que pague”. Naturalmente que se trata de algo muito relativo. O que tem valor pra mim pode ser insignificante para outrem. Isto é valido para qualquer coisa. Nesta semana, que hoje termina e, por exemplo, desloquei-me a São Paulo, com o objetivo único de assistir a uma apresentação do magnífico tenor italiano, Andrea Bocelli. O que representou um prazer especial para mim e minha esposa, causou espécie para alguns. Aí, então, foi quando também me lembrei da minha mãe que, vez por outra dizia: “o que é de gosto regala o peito”. Regalei meu peito e minha alma de prazer e satisfação. Sabe aquela situação em você se sente em estado de graça?  Foi assim. Sou amante da boa música e de uma bela voz. O Bocelli atende minhas humildes exigências.  

É extraordinária a capacidade de atração desse artista. O show, desta semana (12.10.16), foi levado no Allianz Parque (Estádio do Palmeiras), na capital paulista. Vendo aquele estádio superlotado com espectadores nas arquibancadas, camarotes e no próprio campo de futebol, devidamente preparado para receber o grande público, cheguei à conclusão que o povo (não arrisco em povão) gosta da boa música. Friso que não foi nenhum espetáculo com preços  populares e daí essa minha conclusão.  
Sempre admirei o Andrea Bocelli, desde quando despontou nas grandes paradas internacionais. Cheguei até a planejar uma ida à Itália coincidindo com um dos seus concertos na Arena do Silencio, na Toscana. Mas, com essa vinda ao Brasil, não deixei passar a chance.  
Foi uma noite inesquecível para todos que lá estiveram. Acompanhado pela Orquestra e Coro Santa Marcelina Cultura, do Estado de São Paulo, sob o comando do Diretor Musical Eugene Kohn, Bocelli brindou-nos com canções conhecidas sob a temática de músicas consagradas no cinema (Cinema World Tour) mesclado com seus sucessos ao longo desses anos recentes. Sem duvidas uma noite deslumbrante.

Com a Soprano Maria Aleida
Afora isto, cabe o registro das participações da soprano cubana Maria Aleida, que o acompanha nessa tournée mundial e da violinista norte-americana Caroline Campbell, a queridinha de artistas famosos, entre os quais Sting, Michael Buble, Rod Studart, Seal e, claro, Andrea Bocelli. Vale à pena, também, saber mais sobre essas artistas. Professor Google pode ajudar. Agora, a grande surpresa da noite foi quando entrou no palco a cantora brasileira Anitta. Sim, a própria! Aquela cantora de funk! Parece que está mudando de gênero musical e deu a maior show, atacando com bela voz e razoável pronuncia inglesa, cantando Over the Rainbow, em participação solo. Na sequencia fez dueto com Bocelli e arrancou longos aplausos do grande publico. Surpreendente o exército de fotógrafos que surgiram para fotografá-la. Para nós que estávamos na primeira fileira de espectadores e área central diante do palco, ficou difícil assistir, naquele momento.  

Anitta fazendo dueto com Andrea Bocelli
Outro registro que não posso deixar de fazer fica por conta da programação que nos engajamos, promovida e administrada pela empresa Cielli di Toscana, com sede em Florença, na Itália, (www. cielliditoscana.com) e que sempre acompanha Bocelli na Itália e, dessa vez, no Brasil, por conta da sua origem com capital brasileiro. A empresa organiza grupos de espectadores que são localizados em posições privilegiadas (setor Diamante), com transfers (ida e volta), coquetel de boas vindas ao local do evento e distribuição de amenidades relacionadas com o show. Detalhe: o vinho servido no coquetel veio com o rotulo Bocelli. Isto mesmo. Acontece que a Família Bocelli produz um vinho de alta qualidade, o Bocelli (www.bocellifamilywines.com), a base de uvas Sangiovese, na região da Toscana. Provamos do vinho e aprovamos. Quando fomos conduzidos ao local do show ainda sentíamos o sabor Bocelli (vinho e prosecco) na boca.
Dois outros momentos, também, levaram o público ao delírio, tanto pelo inesperado, quando pela importância simbólica. O primeiro foi, antecedendo ao show propriamente dito, a execução do Hino Nacional Brasileiro, cantado por um desconhecido.  O publico cantou a todo fôlego e emocionou. Sinais de um novo tempo? O segundo momento foi a execução da abertura da ópera O Guarani, de Carlos Gomes, no inicio do segundo ato. Ou segundo tempo?

A revista/programa do show traz, entre outros registros, algo que chama a atenção do leitor mais atento, numa frase consignada ao escritor Antoine de Saint-Exupéry que diz: “Somente com o coração que se pode ver claramente. O essencial é invisível para os olhos”. Bocelli é um exemplo. Não preciso dizer mais nada. Salvo que foi uma noite inesquecível, de verdade. Meu desejo foi realizado.    


Nota: Fotos da autoria do Blogueiro   

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O recado colhido nas urnas

Os eleitores brasileiros deram um forte recado à Classe Política do país, no pleito eleitoral de domingo passado (02.10.16). O que vimos, no final da apuração dos votos, foi uma formidável demonstração de desinteresse, repúdio e, de certo modo, o desprezo que o cidadão brasileiro vem atribuindo aos processos eleitorais e aos seus representantes políticos. Teve candidato que explorou esse viés do anti-político, viu a repercussão do seu discurso e se elegeu de primeira.  
Tenho tido a curiosidade, desde as eleições de 2012, de acompanhar as informações relativas às abstenções, votos nulos e em branco. Lembro que, naquele ano, o candidato vitorioso para comandar a Prefeitura, da cidade de Olinda-PE, obteve menos votos do que os brancos e nulos que foram computados. Dias antes do pleito municipal do domingo passado eu já previa algo semelhante dado ao desencanto da sociedade como um todo. E não deu outra. Ora, meus amigos e minhas amigas, alguma coisa precisa ser revista.

O resultado, conforme dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE, foi que em dez capitais brasileiras a soma das abstenções, nulos e em branco superou aos votos sufragados aos primeiros colocados. E foram cidades importantes como Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, entre outras. Nesta última o grande vitorioso e novato, João Doria (PSDB), teve 11 mil votos a menos do que a soma dos brancos, nulos e das abstenções. A maior taxa de abstenção verificou-se no Rio de Janeiro alcançando a casa dos 24,28%. Este percentual mostra que, praticamente, 1 em cada 4 cariocas, não se abalou para ir à sessão eleitoral a dar seu voto. Vamos e venhamos, é um índice altíssimo. No Recife o segundo colocado, João Paulo (PT), que vai disputar o segundo turno, com o atual Prefeito Geraldo Julio (PSB), teve menos votos do que os que foram computados como brancos, nulos e abstenções. O menor índice de abstenção, apenas 8,59%, ocorreu em Manaus, capital do estado do Amazonas.
Não é muito difícil deduzir as razões desse desinteresse ou desprezo do eleitor. Os traumas políticos registrados nesses últimos anos – desde as grandes manifestações de 2013 – a dura eleição de 2014, os descaminhos do governo passado e o recente processo de impeachment da “presidenta”, além dos crimes escandalosos expostas pela Operação Lavajato resultou num caldo de desencanto no seio da sociedade que, dificilmente será dissolvido. É preciso que este Governo, que aí chegou, diga logo prá que veio e promova as reformas devidas e cobradas pela Nação. Não podemos é seguir nesse clima de desconforto político, estagnação econômica, insegurança e bancando equilibrista sobre um tecido social esgarçado e ameaçado romper a qualquer momento. Foi mais ou menos isto que o eleitor quis dizer no domingo passado.
O Brasil precisa de uma série de reformas para acertar o rumo de um caminho virtuoso. Fala-se muito nas reformas da previdência e econômica, mas, pouco se diz a respeito de uma reforma político-eleitoral. O modelo vigente está, definitivamente, superado. Esgotou no seu próprio emaranhado e torrou a paciência da Nação. As imperfeições estão à vista de todos. Ideias como voto distrital, voto obrigatório, quocientes eleitoral e partidário, entre outros, devem ser mais bem discutidos. O recado foi dado. Esperemos que seja ouvido corretamente.

NOTA: Imagem ilustrativa foi colhida no Google Imagens


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Vamos às urnas novamente

Eis que nos vemos diante de um novo pleito eleitoral, ainda que curtindo a ressaca das recentes turbulências políticas que assolaram o país. No próximo domingo (02/10/2016), teremos eleições municipais e, desta vez, culminando um novo modelo de processo eleitoral.
A atual campanha foi muito morna e quase não se viu movimento de candidatos buscando votos ou espaço para mostrar suas caras e expor promessas aos eleitores. Nenhum saudosismo, por favor. As novas regras do jogo, estabelecidas pela “meia-reforma” eleitoral, resultou nesse clima pouco efervescente, quando comparado com o que se vivenciamos no passado. Tem eleitor que, esta semana, se surpreende quando toma ciência da proximidade do pleito. A redução do tempo de campanha levou a que mesmo os candidatos majoritários não tivessem chances concretas de expor suas plataformas. Nem mesmo os eletrizantes debates televisivos aconteceram.
Na prática, esse tímido clima de campanha é visto com bons olhos por muitos e pouco receptivo por outros, sobretudo aqueles habituados em esbanjar propaganda com recursos de doações de pessoas jurídicas, inscritas, muitas vezes, em Caixa 2. Mesmo que arcando com o peso de suportar o popular “rabo preso” que todos nós conhecemos, numa esteira de consequentes amarrações comprometedoras para o período de exercício de mandatos conquistados, sentem imensas saudades.
Contudo, numa coisa acredito: embora considerada como sendo uma “meia-sola” de reforma, essas novas regras tornam as campanhas mais democráticas, na medida em que os candidatos se aproximam (ainda que a desejar!) de um nivelamento das condições de concorrência. O fato de que doações financeiras para campanha serem somente permitidas por Pessoas Físicas (CPF) e nunca Pessoa Jurídica (CNPJ) foi um golpe certeiro nas jogadas dos corruptos e corruptores. Outra medida sadia foi a limitação de exposição de cartazes e bandeiras nas vias públicas, que somente emporcalhavam as cidades brasileiras. E finalmente, a redução do irritante horário de propaganda gratuita (rádio e TV). Trata-se, indiscutivelmente, de uma “bateria” de restrições que, além de ser um bom ensaio de reforma eleitoral, contribuiu de modo decisivo para o nivelamento que acima me referi.  
Mas, no final das contas, o que mais importa nesse quadro é considerar que a consciência individual, bem como a coletiva, do nosso eleitorado, está longe de saber escolher o candidato certo. E é aí onde reside a incógnita da questão política nacional.
Sou da opinião de que a eleição municipal é a única oportunidade em que o eleitor pode eleger um representante político mais próximo à sua realidade e mais fácil de ouvi-lo. Precisa saber – e quase nunca sabe – que o escolhido será seu representante, seu porta-voz direto nos níveis superiores de governos. Um(a) vereador(a), por sua vez, tem que ter a clara noção – e muitos poucos têm – de que ele, ou ela, deve defender os interesses dos seus representados, que estão lá na base da pirâmide social, isto é, o cidadão comum que sofre no seu dia-a-dia os efeitos de todas as mazelas das imperfeições e injustiças do meio social.
No Brasil de hoje, não há quem não padeça de alguma dessas mazelas urbanas. A saúde pública abandonada, as instalações sanitárias primitivas, as deficiências do setor educacional, a insegurança, a mobilidade urbana engarrafada e as falhas de infraestrutura são apenas alguns dos aspectos negativos que degradam as grandes, médias e pequenas urbes brasileiras e, provavelmente comuns em todas elas. Os prefeitos e vereadores eleitos nem sempre enxergam esse conjunto de problemas. Muitos, inclusive, preferem oferecer “pão e circo” como na Roma Antiga para enganar os tolos.
No próximo domingo, tenhamos um rasgo de lucidez, acreditemos que a participação como eleitor é um ato de cidadania e negá-lo se constitui num ato de covardia. Entendamos que um voto certo pode resultar num novo tempo social próspero e justo. Esqueçamos os atropelos e traumas recentes. Confiemos. Votemos em quem nos pareça ser bom e honesto administrador da coisa pública. É tempo de corrigir o que no passado podemos ter errado. Seja um eleitor consciente. Vote certo! O Brasil ainda tem chance e depende de você, Sua Excelência o Eleitor.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Ares de Setembro na Argentina

Um compromisso social levou-me, semana passada, a Buenos Aires, a bela e aprazível capital da Argentina. Mais de uma vez já manifestei, aqui no Blog, a satisfação que sinto ao retornar àquela cidade e o fato da mesma se constituir num dos melhores destinos que me tocam.
Compromisso à parte, ressalto a chance de observar a cidade em si e o clima reinante no atual momento político-econômico dos hermanos. Gosto sempre de fazer isto. Para tanto, conversei com pessoas comuns – taxistas, balconistas, recepção do hotel, operadores de turismo, garçons, operadores de cambio, recepcionistas em geral, entre outros – buscando reunir opiniões com vistas a um registro neste espaço. Naturalmente que estou falando de subsídios primários, porquanto carente de técnicas apuradas. Contudo, ouvir o cidadão comum é sempre um indicador revelador. 
Vamos lá: a cidade me pareceu muito mais animada, comparando com minha última visita, e, sobretudo, melhor ordenada. Desapareceram aquelas hordas de ambulantes/imigrantes espalhando seus produtos artesanais ou quinquilharias chinesas, sobre mantas, nas ruas do chamado microcentro, que é a área histórica da cidade. Aquilo de antes conferia um aspecto de desarrumação e decadência sem tamanho preciso e justo na zona mais atrativa da metrópole. A famosa Calle Florida era o máximo do desmantelo, quando estive por lá nas últimas vezes. Não faz tempo. Apenas dois ou três anos. Hoje, não. O microcentro foi repaginado, melhor urbanizado, limpo, livre dos camelôs e recuperado na melhor forma, tal como no passado. E aparentemente mais seguro. Conheço Buenos Aires desde os anos setenta e pude acompanhar essas transformações com seus altos e baixos. O quadro atual é, indiscutivelmente, o melhor que já vi. Fiação elétrica e de telefonia, que no passado eram aparentes e enovelados nos postes, desapareceram e, agora, correm em dutos subterrâneos em muitas artérias da cidade.  Dá prazer passear na “nova” Florida e nas ruas do entorno. Entre as boas coisas, é gostoso admirar as vitrines comerciais de bom gosto, as galerias e os Shopping Center.
Acima, vista parcial da elegante Galerias Pacifico, no meio da Calle Florida e
abaixo, vistosa vitrine, na mesma rua.

É verdade que ainda se vê, ali e acolá, um maltrapilho abrigado numa marquise e encoberto com uma manta se protegendo do frio. Mas, muito raro. Nada que se compare com o que se vê nas principais cidades brasileiras. Não há menores carentes nas avenidas, não há limpadores de para-brisas nos semáforos, nem pedintes ostensivos.
Rara imagem da pobreza renitente e sinais da oposição.
Quanto às opiniões colhidas sobre a situação político-econômica posso afirmar que no geral as pessoas consideram estarem vivendo um momento transitório, de muitos sacrifícios, inflação em alta e significativas privações de consumo. Contudo, há um sentimento de que, tudo sendo transitório como parece ser, aponta para momentos de alivio em futuro próximo. Todos sentem os efeitos positivos do Governo Macri, assegurando que foi a melhor saída para a crise gerada pela gestão dos Kirchner. Curioso foi o fato de que alguns interlocutores chamaram a atenção para o fato de que a mesma coisa acorre no Brasil, isto é, o impeachment de Dilma aponta para uma solução econômica para o Brasil e que isso pode ser benéfico para a Argentina, também. O país é um dos nossos melhores parceiros comerciais. Os analistas econômicos da região consideram que aquilo que for bom para o Brasil será bom para a Argentina.
Outro detalhe muito enaltecido pelos portenhos é o fato de que, enquanto governador da Buenos Aires, Mauricio Macri rearrumou a capital e isto serviu de senha para que fosse eleito. A esperança é de que arrume a economia nacional. Naturalmente que, sendo uma democracia, existem os opositores que têm “castigado” o Governo na melhor forma que podem. Faz parte do jogo político. O mesmo que ocorre atualmente no Brasil.
Para nós sul-americanos resta a esperança de que a paz e o progresso reinem nas duas maiores economias do Cone Sul do Continente.  
No mais, o que me tocou foi aproveitar tudo aquilo que Buenos Aires oferece aos visitantes. É admirável como não se observa engarrafamentos de trânsito, nem problemas de estacionamento de veículos e, durante o tempo que lá estive, não vi qualquer tipo de acidente de trânsito.
Uma das maiores atrações argentinas é a qualidade da gastronomia, calcada principalmente na carne bovina. São centenas de restaurantes que servem a famosa parilla que dá água na boca só em pensar. Um bife-chorizo ou um lomo regados a um bom Malbec não tem dinheiro que pague.
Imagem de um assador crioulo preparando um cabrito na brasa, ao chimichuri.
Suculento lomo (Filé mignon) que saboreei, regado com belo Ruttini
A outra grande atração é o tango. No meu humilde ver, um tango bem executado e bem dançado é uma verdadeira magia artística. Melancólico, por vezes, sofrência explicita, apaixonante sempre e sensual. Sim, porque todo tango tem forte dose de sensualidade! Nada mais sensual do que uma bela dançarina, pernas à mostra, arriada, pendurada tal como trancelim ao pescoço do parceiro, que, em troca, geme, carrega como se sustentasse uma pluma, se esfrega, provoca a parceira e, naturalmente, a plateia. E, quando a música para, colhe os aplausos dos espectadores. Longos num claro testemunho de estarem fissurados. Quando numa dessas plateias, não tenho outra saída a não ser clamar: “traz outro Malbec, garçom”. Tá bom! Chega, por hoje.         
          
NOTA: As fotos que ilustram o post são da autoria do Blogueiro

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Inabilidade Política

Quando Dilma Rousseff assumiu o segundo mandato, após uma eleição apertada, o que mais se comentou nos meios de analise política foi a evidente falta de apoio que enfrentaria nas Casas do Congresso Nacional. Os resultados das urnas, embora lhe garantissem a vitoria, deixava-a sem o necessário apoio para quem governa. Aversão aos diálogos políticos e franca dona da verdade, características básica do seu perfil, Dilma já começava ameaçada.
Mandona e voluntariosa  terminou por pagar um preço altíssimo por esse seu estúpido temperamento. Teria sido preciso uma mudança radical de comportamento, coisa pouco provável para quem se posta em permanente necessidade de afirmação.
Dilma sendo inquerida no Senado
Arriscando uma comparação, Dilma não teve a inteligência emocional para seguir os passos do seu “criador” o ex-presidente Lula, que, justiça se faça, sempre se revelou um bom negociador desde cedo e, desse modo, pode conquistar altos níveis de popularidade e de nunca perder a capacidade de governar. Perdeu-se na senda da corrupção, é verdade, mas o sujeito é uma águia. É preciso ter muito jogo de cintura para governar um país tão complexo e cheio de mazelas e contrastes sociais como é o Brasil. Não deu outra... Dilma perdeu o controle da governabilidade e o resultado foi o que acabamos de ver. Claro que este trauma político teria sido perfeitamente evitável se ela houvesse ouvido mais e falado menos. A política é uma arte dominada por poucos e mutilada por muitos. Ela optou pela mutilação.
Acompanhei atentamente, nestes últimos dias, o final do julgamento, do processo de impeachment, sobretudo o dia (29.8.16) em que ela foi se defender no Senado da República e ser questionada pelos senadores. Depois de um discurso, diga-se, de passagem, bem elaborado, embora não convincente em face das acusações que lhe foram impostas, Dilma respondendo aos seus inquisidores, lançou mão insistentemente e à exaustão, da tese de ser vítima de um golpe de estado, agora qualificado por ela e seus partidários, como sendo um golpe parlamentar. Como chamar de golpe um processo constitucionalmente legítimo e democrático na sua essência? Como achar que seja um golpe quando ela teve o direito de se defender por inúmeras formas? Venho interpretando essa polêmica tese como sendo a única saída, que resta aos PTistas, para que saiam do processo instalados numa zona de conforto político, com jeitão de saída honrosa. Contudo, somente os tolos cairão nessa balela. Eles próprios sabem, e sabem muito bem, diante do que se tornou inexorável, que o processo foi legitimo e constitucional.
Ela se diz inocente e sem culpa alguma por haver infringido a Lei de Responsabilidade Fiscal, por haver passado por cima do Legislativo e, ironicamente, quanto ao estado de estagnação econômica no qual colocou o Brasil. Preferiu atribuir à crise internacional o motivo do caos. Índices negativos em todos os setores de atividades e desemprego em permanente crescimento, resultando, por enquanto, em 12,0 milhões de desempregados. Um verdadeiro clamor!
Por desencargo de consciência, fico, por vezes, tentando assimilar as teses de defesa da “presidenta” esbarrando, contudo e quase de imediato, em concretos argumentos contrários. Lembro-me das severas criticas que Dilma sofreu quando seu governo, maquilando as contas nacionais, tentou enganar a Nação, naquele episódio da contabilidade criativa, tentando dar um by-pass no Tribunal de Contas da União. Lembro, também, do episódio das Pedaladas Fiscais, quando ela através de decretos lançou mão de empréstimos nos bancos estatais para custear programas sociais e cobrir os compromissos com o Plano Safra, coisa vedada pela Constituição. Quis governar sem o respaldo do Legislativo. Aquele que ela menosprezou. Dilma errava, era avisada e persistia no erro. Ora, minha gente, sendo ela a Presidente da República e querer se eximir dessas falhas de administração é querer demais.  Na minha cabeça só passam duas coisas: a primeira é que, devido à ideia que alimentava de ser chefa-suprema, achou que tudo podia, sendo isso ledo engano. Coisa típica dos bolivarianos. O buraco era mais em baixo e em baixo é um lugar que ela nunca enxerga. Resultado que na primeira oportunidade que a oposição pode, condenou-a sem dó e com respaldos legais. A segunda coisa que me ocorreu é que, definitivamente, ela foi mal assessorada. Para começar manteve, apesar das severas críticas domésticas e estrangeiras, um Ministro da Fazenda que se comportou inoperante e trapalhão, expondo o Brasil à situações de ridículo perante a comunidade internacional. Esse Senhor desempenhou um papel bem ao gosto da Chefa que tinha. Ao mesmo tempo, Dilma teve uma assessoria pessoal – centrada na Casa Civil – com pessoas provavelmente pouco qualificadas, incapazes de alertá-la para as imperfeições da gestão que praticava. A preocupação, na prática, foi desenvolver uma política espúria e voltada para manter o poder e desviar recursos financeiros. Quanto desgoverno. Quanta inabilidade política.  
Tudo isso sem se falar no despautério posto a limpo pela Operação Lavajato,  como pano de fundo, que pôs por terra a farsa petista de paladinos da justiça social. A Petrobrás está aí cambaleando, com dificuldades para se erguer. Dilma foi responsável direta dessa tragédia.

Nessa encruzilhada política, temo que o passo do impeachment não resolva os problemas do Brasil. Será uma tarefa colossal para o novo Governo. Mas, alimento esperança convencido que tínhamos que passar por tudo isto.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Sucesso Brasileiro

Naturalmente que as Olimpíadas do Rio estão na ordem do dia dos brasileiros. Sem falar das repercussões mundo afora. Não perco os grandes lances a cada dia. O que antes era dúvida na minha cabeça, hoje é agradável sensação de vitória, já nesta reta final. O clima na minha casa se tornou mais vibrante à medida que meus dois filhos se deslocaram ao Rio para ver de perto, ao vivo e a cores, alguns lances do que vem acontecendo. Voltaram encantados e lamentando não poder permanecer mais tempo e acompanhar os embates finais. Pena que o Rio seja relativamente tão distante.
Mas, comentando os acontecimentos, é de se destacar o contagiante espírito do público, preponderantemente, de brasileiros sabendo aplaudir nossos atletas, na hora certa e os estrangeiros na mesma medida. É o esporte unindo povos e dando a oportunidade de mostrar ao mundo a beleza e a graça de ser brasileiro. Já não se notam aqueles que chegaram revelando restrições e temores e os elogios rolam na mídia internacional. Impossível, para mim, não manifestar meu gáudio por tudo que vejo na querida Terra Brasilis. Temos que valorizar este feito. Se não fizermos assim, estaremos sendo injustos com nós mesmos e ajudando a sedimentar a cultura de sermos um país de vira-latas, paranoia com a qual não comungo.
Depois de vibrar com aquele show da abertura, de brilho e dimensões hollywoodianas, como não aplaudir e se encher de orgulho de vários dos nossos atletas? Aquela garota saída da favela Cidade de Deus, a Rafaela Silva, ao conquistar uma medalha de ouro no judô, revelou ao mundo uma jovem brasileira, negra, pobre e favelada e, principalmente, competente atleta. Haja orgulho. 
Rafaela Silva e sua Medalha de Ouro
E o Tiago Braz, nos saltos com vara? Puxa vida, como me emocionei diante daquele espetáculo, derrotando o favorito e campeão olímpico, o debochado francês Renaud Lavillenie. Este, ainda, teve a audácia de declarar ao mundo, por entrevistas em jornais franceses, que, por trás da derrota que sofreu havia ocorrido algum passe de macumba ou candomblé. Tem coisa mais ridícula do que esta? O sujeito não se conformou e chorou ao termino da competição e ao receber a medalha de prata. Criticado severamente pela imprensa internacional viu-se obrigado a pedir desculpas ao vencedor e ao mundo. Eu achei foi pouco. Enquanto o rapazinho francês ficou amuado e choramingando, eu me deleitava com as vitórias dos ginastas brasileiros, Diego Hipólito e Arthur Nory, que conquistaram prata e bronze.
Tiago Braz, um record olímpico. Medalha de Ouro ao pular com vara a altura de 6,03m.
Diego Hipólito e Arthur Nory comemorando as medalhas conquistadas 
Ao mesmo tempo, sensacionais têm sido as conquistas brasileiras no vôlei de quadra e de praia. Nossos atletas estão dando banhos de competência. As meninas do futebol e nossos craques masculinos também vêm enchendo de jubilo os corações brasileiros. Este 6 x 0 contra Honduras foi de lavar a alma e sobretudo um espetáculo empolgante para o público presente no Maracanã.
No final das contas, por ouro, prata ou bronze, não importa como chegar ao pódio. E se não chegar... Ah! Se não chegar valeu por competir, que é que mais importa. Fora isto, é fazer uma festa olímpica de primeira grandeza.       
Entrementes, é verdade que fatos isolados negativos ganham destaques nos meios de comunicação locais e internacionais. Nada a estranhar porque acidentes e destemperos de atletas não são novidades em Olimpíadas. O caso do nadador Ryan Lochte e seus dois companheiros de equipe, os três norte-americanos, por exemplo, já se sabe ter sido uma grande farsa. Efetivamente, eles não sofreram qualquer tipo de agressão ou roubo. Muito menos de falsos policiais. Câmeras da Vila Olímpica gravaram a entrada dos três às 7:00 horas da manhã, lépidos e fagueiros, portando os respectivos  pertences supostamente roubados, inclusive crachás de identificações. Tudo para forjar uma desculpa junto à(s) namorada(a). Comportamentos nada olímpicos, com certeza. Outro caso isolado e lamentável foi o que vitimou o técnico de canoagem alemão, Stefan Henze, num acidente automobilístico na Barra da Tijuca. Neste caso o mais relevante, e até tocante, foi saber que a família doou seus órgãos para salvação de brasileiros necessitados.  
A verdade é que em todas as Olimpíadas, sem exceção, são registrados casos de acidentes e incidentes. A história dos jogos estão à disposição dos interessados.
Finalmente, o que vem ocorrendo no Rio de Janeiro é, no geral, uma sucessão de grandes sucessos. Um sucesso brasileiro.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Uma Olimpíada à Brasileira



Assisti atento ao desenrolar da abertura da Olimpíada do Rio, na última sexta feira (05.08.16). Com um misto de expectativa e curiosidade a cada movimento, postei-me diante da TV e não perdi nenhum lance. Meu estado de espírito, naquela hora, deveu-se muito às inúmeras e muitas controversas  opiniões nas mídias locais e internacionais. Mais criticas ácidas do que otimistas. O descrédito acumulado pelo Brasil e, particularmente, pela cidade do Rio de Janeiro nos principais setores relacionados ao evento foi o que não faltou. Para cada “alerta” emitido, aqui e acolá, era motivo de pauta bombástica para a imprensa do mundo inteiro. Os principais meios norte-americanos e europeus não pouparam o Brasil. Fomos taxados de irresponsáveis, incapazes de realizar um evento de tamanha envergadura, ocorrendo momentos em que se sugeriu mudar de local, ocasionando o aparecimento de apressadas cidades aspirantes. Internamente, as correntes contrárias seguiram pelo mesmo caminho de oposição. Confesso que até concordei com a tese de que não estávamos em condições econômicas e, muito menos, clima político-social para assumir esse encargo. Mas, no final das contas, entendi que a coisa foi típico caso de “caminho sem volta”. Compromisso firmado e obras saindo do papel, não havia como retroceder. Aliás, acho até que desistir no meio do processo, como muitos defenderam, poderia ser uma atitude extremamente prejudicial à imagem do Brasil e da América do Sul, porquanto esta é a primeira vez que o certame ocorre no Continente.
Mas, muito bem... Com temores de ações terroristas, monumental esquema de segurança, repelentes contra o aedes-aegypti, com problemas de última hora na Vila Olímpica e, ainda, várias criticas das delegações mais exigentes, o evento começa naquela bela noite carioca e com um Maracanã recebendo uma das maiores assistências já vistas. O espetáculo começou e em poucos minutos o Brasil já mostrava ao Mundo a melhor forma de se fazer uma monumental festa, como só acontece no neste país. O Planeta passou a conferir o que é uma Olimpíada à Brasileira! Não foram poucos os elogios deflagrados, de pronto, nas redes mundiais de noticias. Repentinamente acabaram-se as críticas ácidas e como num mea-culpa vi sites estrangeiros reformulando suas opiniões de modo pálido a principio e, a seguir, com formas justas e adequadas como manda à boa imprensa. A repercussão positiva foi imediata. Pudera, ficou cristalino que fizemos um trabalho de imensa grandiosidade técnica (tecnologias de ponta), belo conteúdo plástico e cultural, além da participação retumbante do público presente e das delegações estrangeiras. Quase um delírio coletivo.
Mosaico de cenas da festa de abertura da Rio 2016
Aos poucos meus temores e minhas expectativas foram se esvaindo diante de uma demonstração de poder mostrar ao mundo – fala-se em 4 Bilhões de espectadores pela TV – o vibrar de uma Nação unida pelos laços do esporte. E quando digo Nação, falo do povo brasileiro! Excluo Governo ou instituições formalmente existentes. O vibrar daquele público ao cantar o Hino Nacional, as canções brasileiras mais populares e a aplaudir os representantes de outras nações a desfilar, numa contagiante ginga ao som das baterias do samba, ficarão inscritos na história das Olimpíadas.
Outro registro especial, também, para a História dos jogos olímpicos e que se constituiu numa lição de política ambiental para o Mundo foi a bela ideia de fazer com que todos os atletas presentes plantassem sementes de árvores a serem levadas para formação de uma nova floresta denominada, desde já, de Floresta dos Atletas Olímpicos. Pode ter sido um ato a mais naquela apoteótica noite, mas, tenho certeza, será sempre lembrado pelos grandes atletas do Planeta que por lá passaram, dado o forte simbolismo que encerra.
À parte disso e lembrando que nem tudo é perfeito, notei e ouvi comentários críticos a respeito da forma tímida e quase nula da representação das manifestações culturais e folclóricas  das demais regiões brasileiras naquele show de abertura. O que de fato foi passado para o público mundial é que o samba vem a ser o único ritmo popular brasileiro. Uma pena que tenham pecado nessa parte. Imaginemos o que teria sido o rasgar de um bom frevo pernambucano naquela ambiente tão gigantesco e eclético. São coisas de um país de dimensões continentais e com uma tremenda falta de integração social e regional. Apesar dos “esforços governamentais”, do imenso avanço das comunicações e das modernas facilidades de locomoção, o Brasil ainda não conseguiu romper a cultura de se comportar como sendo um grande arquipélago político-administrativo-social. As macrorregiões são sempre vistas como “ilhas” com traços próprios, culturas diferentes e separadas por muitos preconceitos inadmissíveis em pleno século 21.
A representação brasileira pilotada pela porta-bandeira pernambucana Yane Marques
Tudo bem e críticas à margem, o importante agora é capitalizar a exposição planetária que estamos tendo, não somente com o grandioso espetáculo de abertura oferecido, mas, sobretudo no desenrolar das competições que vêm ocorrendo nestes dias, num clima de sucesso indiscutível e numa vibração que a gente brasileira sabe propor e executar. É neste clima que espero pela consolidação de uma Nação de garra, que alimenta a esperança do progresso e da paz. E, por fim, como reza alguns versos do nosso hino nacional: somos um país “gigante pela própria natureza” e de um povo “que não foge à luta”.
Caros leitores e amigos desculpem meu ufanismo, mas, entendam que certas horas isto é preciso. Tenho orgulho de ser brasileiro. Inclusive no nome.       


Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.

Tropeços Diplomáticos

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