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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Uma Olimpíada à Brasileira



Assisti atento ao desenrolar da abertura da Olimpíada do Rio, na última sexta feira (05.08.16). Com um misto de expectativa e curiosidade a cada movimento, postei-me diante da TV e não perdi nenhum lance. Meu estado de espírito, naquela hora, deveu-se muito às inúmeras e muitas controversas  opiniões nas mídias locais e internacionais. Mais criticas ácidas do que otimistas. O descrédito acumulado pelo Brasil e, particularmente, pela cidade do Rio de Janeiro nos principais setores relacionados ao evento foi o que não faltou. Para cada “alerta” emitido, aqui e acolá, era motivo de pauta bombástica para a imprensa do mundo inteiro. Os principais meios norte-americanos e europeus não pouparam o Brasil. Fomos taxados de irresponsáveis, incapazes de realizar um evento de tamanha envergadura, ocorrendo momentos em que se sugeriu mudar de local, ocasionando o aparecimento de apressadas cidades aspirantes. Internamente, as correntes contrárias seguiram pelo mesmo caminho de oposição. Confesso que até concordei com a tese de que não estávamos em condições econômicas e, muito menos, clima político-social para assumir esse encargo. Mas, no final das contas, entendi que a coisa foi típico caso de “caminho sem volta”. Compromisso firmado e obras saindo do papel, não havia como retroceder. Aliás, acho até que desistir no meio do processo, como muitos defenderam, poderia ser uma atitude extremamente prejudicial à imagem do Brasil e da América do Sul, porquanto esta é a primeira vez que o certame ocorre no Continente.
Mas, muito bem... Com temores de ações terroristas, monumental esquema de segurança, repelentes contra o aedes-aegypti, com problemas de última hora na Vila Olímpica e, ainda, várias criticas das delegações mais exigentes, o evento começa naquela bela noite carioca e com um Maracanã recebendo uma das maiores assistências já vistas. O espetáculo começou e em poucos minutos o Brasil já mostrava ao Mundo a melhor forma de se fazer uma monumental festa, como só acontece no neste país. O Planeta passou a conferir o que é uma Olimpíada à Brasileira! Não foram poucos os elogios deflagrados, de pronto, nas redes mundiais de noticias. Repentinamente acabaram-se as críticas ácidas e como num mea-culpa vi sites estrangeiros reformulando suas opiniões de modo pálido a principio e, a seguir, com formas justas e adequadas como manda à boa imprensa. A repercussão positiva foi imediata. Pudera, ficou cristalino que fizemos um trabalho de imensa grandiosidade técnica (tecnologias de ponta), belo conteúdo plástico e cultural, além da participação retumbante do público presente e das delegações estrangeiras. Quase um delírio coletivo.
Mosaico de cenas da festa de abertura da Rio 2016
Aos poucos meus temores e minhas expectativas foram se esvaindo diante de uma demonstração de poder mostrar ao mundo – fala-se em 4 Bilhões de espectadores pela TV – o vibrar de uma Nação unida pelos laços do esporte. E quando digo Nação, falo do povo brasileiro! Excluo Governo ou instituições formalmente existentes. O vibrar daquele público ao cantar o Hino Nacional, as canções brasileiras mais populares e a aplaudir os representantes de outras nações a desfilar, numa contagiante ginga ao som das baterias do samba, ficarão inscritos na história das Olimpíadas.
Outro registro especial, também, para a História dos jogos olímpicos e que se constituiu numa lição de política ambiental para o Mundo foi a bela ideia de fazer com que todos os atletas presentes plantassem sementes de árvores a serem levadas para formação de uma nova floresta denominada, desde já, de Floresta dos Atletas Olímpicos. Pode ter sido um ato a mais naquela apoteótica noite, mas, tenho certeza, será sempre lembrado pelos grandes atletas do Planeta que por lá passaram, dado o forte simbolismo que encerra.
À parte disso e lembrando que nem tudo é perfeito, notei e ouvi comentários críticos a respeito da forma tímida e quase nula da representação das manifestações culturais e folclóricas  das demais regiões brasileiras naquele show de abertura. O que de fato foi passado para o público mundial é que o samba vem a ser o único ritmo popular brasileiro. Uma pena que tenham pecado nessa parte. Imaginemos o que teria sido o rasgar de um bom frevo pernambucano naquela ambiente tão gigantesco e eclético. São coisas de um país de dimensões continentais e com uma tremenda falta de integração social e regional. Apesar dos “esforços governamentais”, do imenso avanço das comunicações e das modernas facilidades de locomoção, o Brasil ainda não conseguiu romper a cultura de se comportar como sendo um grande arquipélago político-administrativo-social. As macrorregiões são sempre vistas como “ilhas” com traços próprios, culturas diferentes e separadas por muitos preconceitos inadmissíveis em pleno século 21.
A representação brasileira pilotada pela porta-bandeira pernambucana Yane Marques
Tudo bem e críticas à margem, o importante agora é capitalizar a exposição planetária que estamos tendo, não somente com o grandioso espetáculo de abertura oferecido, mas, sobretudo no desenrolar das competições que vêm ocorrendo nestes dias, num clima de sucesso indiscutível e numa vibração que a gente brasileira sabe propor e executar. É neste clima que espero pela consolidação de uma Nação de garra, que alimenta a esperança do progresso e da paz. E, por fim, como reza alguns versos do nosso hino nacional: somos um país “gigante pela própria natureza” e de um povo “que não foge à luta”.
Caros leitores e amigos desculpem meu ufanismo, mas, entendam que certas horas isto é preciso. Tenho orgulho de ser brasileiro. Inclusive no nome.       


Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Rio Olímpico

Estive no fim de semana passado andando pelo Rio de Janeiro. Sim, a cidade continua linda. Meu propósito foi de caráter familiar, contudo, aproveitei para dar uma circulada por onde sempre acontece alguma coisa. Nem preciso dizer que o clima reinante é o de Olimpíadas. De bem ou por mal não se fala noutra coisa. Há um intenso frisson por todo lado. Lojas e ambulantes, hotéis, bares e restaurantes ofertam, em profusão, produtos e serviços alusivos ao evento. Já circulam muitos turistas e atletas que chegam para o período dos jogos. Também não preciso dizer como os comerciantes estão explorando os visitantes. Tudo a preços superiores aos praticados antes. E, o pior, que não voltarão aos valores anteriores. Mas, isto ocorre em qualquer lugar do mundo, tenho certeza. Pensando que o Rio vem de uma sequencia de grandes eventos – Jornada da Juventude Católica, Copa do Mundo e, agora, as Olimpíadas – imaginem a situação. Podem ser aumentos em cascata!
Duas coisas são realçadas nas conversas de botequins e rodas de conversas dos cariocas: as vantagens a serem legadas pelo evento e as expectativas quanto à realização dos jogos numa cidade famosa pela insegurança e eivada de problemas sociais urbanos.

Imagem do moderníssimo Museu do Amanhã (Foto obtida no Google Imagens)
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Sobre os legados, observei pessoalmente que algumas coisas serão definitivas. Andei pela região central, espaço portuário recuperado e melhor urbanizado, deparando-me com uma paisagem completamente renovada. O que antes era um local de pesada estrutura viária e imagem poluída, abriu-se um deslumbrante parque diante da baia da Guanabara, graças ao Projeto Rio Maravilha.A área dos museus – de Artes e do Amanhã – certamente vai, de agora por diante, encher a vista de todo e qualquer visitante.
A Avenida Rio Branco, que era uma artéria sufocante até pouco tempo,  ganhou um boulevard aos moldes das mais belas avenidas mundo afora. Além disso, um moderno meio de transporte, o VLT (Veiculo Leve sobre Trilhos), circula entre o Aeroporto Santos Dumont e a Rodoviária Grande Rio e os BRT (como os que circulam no Recife) para sentidos mais afastados, imprimindo uma visão comparável às cidades mais importantes no exterior.
Imagem do moderno bonde VLT no Rio (Foto obtida no Google Imagens)
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Outra imagem do VLT do Rio (Foto obtida no Google Imagens)
O Metrô também foi atualizado e já oferece trens mais modernos e confortáveis, incluindo uma linha estendida até o distante bairro da Barra da Tijuca, com o objetivo de encurtar o caminho para quem deseja chegar à Vila Olímpica. Ora, em tempos de crise, e tantas dificuldades políticas, indiscutivelmente, são legados positivos.
Já sobre as questões da situação sanitária e da segurança urbana, a conversa é outra. Primeiro foi a praga do aedes- aegypt, transmissor dos abomináveis vírus da dengue, zica e chikungunya, que aparentemente está controlada devido ao fim do verão e agora as negativas expectativas com a possibilidade de atentados terroristas, a exemplo dos ocorridos recentemente na França e noutros locais do mundo, orquestrados pelo Estado Islâmico (ISIS). Providências severas estão sendo adotadas, mas, as pessoas não se sentem seguras. Pudera, cada dia um novo episódio estoura em algum lugar. Vale lembrar que atentados já foram registrados em Olimpíadas, sendo o mais citado aquele de Munique (Alemanha) nos jogos de 1972 (*)
Uma coisa é verdade: o Brasil, notadamente o Rio de Janeiro, nunca esteve em tanta evidencia na mídia mundial, seja pela instabilidade política, a insegurança urbana ou o fracasso econômico dos últimos anos e, para completar, a oportunidade das Olimpíadas. Lástima que os noticiários internacionais não deixam de destacar mais tudo que de negativo deponha contra o país e principalmente o Rio. Em alguns casos as publicações geram charges e piadas de mau gosto que poderão repercutir por longo tempo. Recentemente circulou nas redes sociais um vídeo em que um apresentador norte-americano, um tal de Stephen Colbert, no seu programa Late Show, fez um comentário arrasador sobre o Brasil e suas dificuldades em realizar a Olimpíada. Coisa revoltante, mas que tivemos de engolir.
Agora, algumas delegações resolveram protestar sobre defeitos na Vila Olímpica alegando más instalações e insalubridade, embora que tudo construído conforme as recomendações do Comitê Olímpico Internacional. Claro, tudo muito recente e apresentando falhas de acabamento e isto pode justificar. Vejo nisso a falta de controle de qualidade das construtoras contratadas. Mas, pode ocorrer em qualquer lugar do mundo. Ajustes são feitos e tudo se resolve. Já estão resolvendo.
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Vila Olímpica do Rio (Foto obtida no Google Imagens)
Neste ambiente descrito, acredito que tivemos um grande prejuízo, neste período pré Olimpíadas, devido às turbulências políticas e dificuldades econômicas pelas quais fomos obrigados a trilhar. Afinal, o mundo não pode afiançar um Estado falido realizando um evento da envergadura de uma Olimpíada. Melhor que não tivéssemos assumido esse compromisso tão custoso. Aí, sim, estaríamos mais preservados e cuidando da vidinha doméstica. Penso que foi imprevidência do ex-Presidente Lula e suas megalomanias.  
Mas, agora é tarde. As Olimpíadas estão chegando e o que nos resta é torcer para que tudo dê certo. Por sinal, comparo essa expectativa àquela que antecedeu ao Campeonato Mundial de Futebol, somente dissipada quando o brilho e a empolgação da disputa esportiva sobrepujou o espírito de pessimismo que rondou a maioria das cabeças da sociedade, inclusive a minha.
Apesar dos pesares, o Rio continua lindo, virou Cidade Olímpica e futuramente vai se impor, ainda mais, depois desses jogos. Quem viver, verá.

(*) No dia 5 de setembro daquele ano, oito membros do grupo terrorista palestino "Setembro Negro" invadiram a área destinada aos israelenses e fizeram um grupo de atletas reféns. Por mais de 20 horas, os esportistas foram torturados e eram obrigados a acompanhar a violência contra seus companheiros de quarto.

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...