Assisti atento ao desenrolar
da abertura da Olimpíada do Rio, na última sexta feira (05.08.16). Com um misto
de expectativa e curiosidade a cada movimento, postei-me diante da TV e não
perdi nenhum lance. Meu estado de espírito, naquela hora, deveu-se muito às
inúmeras e muitas controversas opiniões nas mídias locais e
internacionais. Mais criticas ácidas do que otimistas. O descrédito acumulado
pelo Brasil e, particularmente, pela cidade do Rio de Janeiro nos principais
setores relacionados ao evento foi o que não faltou. Para cada “alerta”
emitido, aqui e acolá, era motivo de pauta bombástica para a imprensa do mundo
inteiro. Os principais meios norte-americanos e europeus não pouparam o Brasil.
Fomos taxados de irresponsáveis, incapazes de realizar um evento de tamanha
envergadura, ocorrendo momentos em que se sugeriu mudar de local, ocasionando o
aparecimento de apressadas cidades aspirantes. Internamente, as correntes
contrárias seguiram pelo mesmo caminho de oposição. Confesso que até concordei
com a tese de que não estávamos em condições econômicas e, muito menos, clima
político-social para assumir esse encargo. Mas, no final das contas, entendi
que a coisa foi típico caso de “caminho sem volta”. Compromisso firmado e obras
saindo do papel, não havia como retroceder. Aliás, acho até que desistir no
meio do processo, como muitos defenderam, poderia ser uma atitude extremamente
prejudicial à imagem do Brasil e da América do Sul, porquanto esta é a primeira
vez que o certame ocorre no Continente.
Mas, muito bem... Com temores
de ações terroristas, monumental esquema de segurança, repelentes contra o aedes-aegypti,
com problemas de última hora na Vila Olímpica e, ainda, várias criticas das
delegações mais exigentes, o evento começa naquela bela noite carioca e com um
Maracanã recebendo uma das maiores assistências já vistas. O espetáculo começou
e em poucos minutos o Brasil já mostrava ao Mundo a melhor forma de se fazer uma
monumental festa, como só acontece no neste país. O Planeta passou a conferir o
que é uma Olimpíada à Brasileira! Não foram poucos os elogios deflagrados, de
pronto, nas redes mundiais de noticias. Repentinamente acabaram-se as críticas
ácidas e como num mea-culpa vi sites estrangeiros reformulando
suas opiniões de modo pálido a principio e, a seguir, com formas justas e
adequadas como manda à boa imprensa. A repercussão positiva foi imediata. Pudera,
ficou cristalino que fizemos um trabalho de imensa grandiosidade técnica
(tecnologias de ponta), belo conteúdo plástico e cultural, além da participação
retumbante do público presente e das delegações estrangeiras. Quase um delírio
coletivo.
![]() |
Mosaico de cenas da festa de abertura da Rio 2016 |
Aos poucos meus temores e
minhas expectativas foram se esvaindo diante de uma demonstração de poder
mostrar ao mundo – fala-se em 4 Bilhões de espectadores pela TV – o vibrar de
uma Nação unida pelos laços do esporte. E quando digo Nação, falo do povo
brasileiro! Excluo Governo ou instituições formalmente existentes. O vibrar daquele
público ao cantar o Hino Nacional, as canções brasileiras mais populares e a
aplaudir os representantes de outras nações a desfilar, numa contagiante ginga
ao som das baterias do samba, ficarão inscritos na história das Olimpíadas.
Outro registro especial,
também, para a História dos jogos olímpicos e que se constituiu numa lição de
política ambiental para o Mundo foi a bela ideia de fazer com que todos os
atletas presentes plantassem sementes de árvores a serem levadas para formação
de uma nova floresta denominada, desde já, de Floresta dos Atletas Olímpicos.
Pode ter sido um ato a mais naquela apoteótica noite, mas, tenho certeza, será
sempre lembrado pelos grandes atletas do Planeta que por lá passaram, dado o
forte simbolismo que encerra.
À parte disso e lembrando que
nem tudo é perfeito, notei e ouvi comentários críticos a respeito da forma
tímida e quase nula da representação das manifestações culturais e folclóricas das demais regiões brasileiras naquele show de
abertura. O que de fato foi passado para o público mundial é que o samba vem a
ser o único ritmo popular brasileiro. Uma pena que tenham pecado nessa parte.
Imaginemos o que teria sido o rasgar de um bom frevo pernambucano naquela
ambiente tão gigantesco e eclético. São coisas de um país de dimensões continentais
e com uma tremenda falta de integração social e regional. Apesar dos “esforços
governamentais”, do imenso avanço das comunicações e das modernas facilidades
de locomoção, o Brasil ainda não conseguiu romper a cultura de se comportar
como sendo um grande arquipélago político-administrativo-social. As
macrorregiões são sempre vistas como “ilhas” com traços próprios, culturas
diferentes e separadas por muitos preconceitos inadmissíveis em pleno século
21.
![]() |
A representação brasileira pilotada pela porta-bandeira pernambucana Yane Marques |
Tudo bem e críticas à margem,
o importante agora é capitalizar a exposição planetária que estamos tendo, não
somente com o grandioso espetáculo de abertura oferecido, mas, sobretudo no
desenrolar das competições que vêm ocorrendo nestes dias, num clima de sucesso
indiscutível e numa vibração que a gente brasileira sabe propor e executar. É neste
clima que espero pela consolidação de uma Nação de garra, que alimenta a
esperança do progresso e da paz. E, por fim, como reza alguns versos do nosso
hino nacional: somos um país “gigante pela própria natureza” e de um povo “que
não foge à luta”.
Caros leitores e amigos
desculpem meu ufanismo, mas, entendam que certas horas isto é preciso. Tenho
orgulho de ser brasileiro. Inclusive no nome.
5 comentários:
Amigo Girley, guardadas as devidas proporções e nossas idiossincrasias temos que de fato reverberar nossos feitos, aos trancos, mazelas mas existem virtudes e valores nacionais e patrióticos que devemos exaltar, pessoas, profissionais, atletas e empresas que estão acima dos problemas nacionais, o Rio vai ficar para a História ainda mais assim como o Brasil, abaixo o complexo de vira lata como já dizia o Pernambucano Nelson Rodrigues. Parabéns Rio
Amigo Girley. A principal sensação que tenho é a de que precisamos nos reencontrar com o orgulho de sermos brasileiros. E queremos ser mais do que grandes promotores de festas. Queremos ser verdadeiramente uma nação de 200 milhões de cidadãos participando efetivamente de nossa sociedade, com desejo e capacidade para buscar um país com qualidade de vida para todos.
Às vezes a variável política é insana, por pouco essa questão, que vem sendo usada de forma irresponsável, denigre nossa imagem, causa prejuízos econômicos monumentais, desestabilizam o governo, implanta um regime de insegurança tal, ao ponto de se pensar, de última hora em transferir um evento desse porte, para outra cidade. Imaginemos que se isso fosse definido de última hora. Que imenso problema iríamos ter que enfrentar.
Acho uma irresponsabilidade infinita, o que fazem hoje, por meras questões político-eleitorais, com o nosso querido Brasil.
Brasil este que, com muito orgulho carrego ok meu nome é no meu coração.
Ernani Brasil
Suas comunicações são sempre benvindas, não só pelo conteúdo diversional, mas também e principalmente, pelo cultural
um abração
Antonio Barbosa
Excelente, Girley. Abraço forte
Silvio Leimig
Postar um comentário